O equilíbrio pela respiração

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Uma técnica que harmoniza os doshas e regula a distribuição de energia cósmica pelo organismo.

Pranayama é uma palavra de origem sânscrita: prana significa “energia” e yama “ação, atividade, movimento”. Existem muitas diferentes técnicas de aplicação, cada uma direcionada a um objetivo terapêutico ou espiritual: no Yoga, por exemplo, o Pranayama é usado para obter um estado de concentração e harmonia, no Ayurveda, sua prática regula a distribuição vital, como base da harmonia entre os doshas.

A palavra prana refere-se a toda forma de energia invisível que alenta a vida. No ser humano, o prana penetra por várias vias; há o prana do ar, o da água, o dos alimentos vivos (sementes, frutas etc.), da luz, do Sol, do solo. Embora, em termos gerais, a Ayurveda classifica 5 tipos de prana, cada um deles governa áreas ou órgãos do corpo. Em síntese, o prana é apenas um, o prana aéreo, ou Vayu, a principal fonte direta de energia cósmica para os seres vivos que respiram o ar.

Segundo os profundos ensinamentos do VM Samael Aun Weor, em ultérrima instância, o Prana é uma partícula divina que nasce do Cristo Cósmico, portanto, o Prana é uma substância que nasce diretamente do Cristo Sol e é uma potência que alimenta todos os planetas do Sistema Solar e seus seres vivos.

Captado pelas vias respiratórias, é imediatamente distribuído pelo organismo, sua carência ou má distribuição possibilita o surgimento de doenças a partir da desarmonia entre os doshas, que absorvem “vorazmente” prana. Uma vez que o prana aéreo esteja em condições de equilíbrio quantitativo e qualitativo, todos os outros pranas também tendem ao equilíbrio, o mesmo ocorre em relação aos três doshas.

A técnica do Pranayama

Para regularizar o equilíbrio da respiração, siga os passos deste exercício simples, que dura apenas alguns minutos.

  1. Escolha um local calmo e sem ruídos, de preferência isolado das outras pessoas.
  2. O horário ideal é ao amanhecer, quando o ar está mais carregado de prana. Mas você pode fazer o exercício pela manhã, logo ao acordar. Claro que se você fizer o pranayama em algum lugar carregado de energias, muitíssimo melhor. Pode ser na praia, no campo, na montanha.
  3. Sente-se confortavelmente com as costas eretas e os pés apoiados no chão. Feche os olhos e procure relaxar, deixando a mente tranquila.
  4. Inicie o exercício comprimindo suavemente a narina direita com o polegar exalando pela narina esquerda. Inale suavemente pela narina esquerda, enchendo os pulmões de ar; feche a narina esquerda com os dedo indicador, exalando leve e lentamente pela narina direita, repetindo o processo de alterar as narinas durante cinco minutos. Depois, recoste-se e permaneça de olhos fechados por dois ou três minutos. Medite, faça um exercício de Visualização Criativa para a autocura, ore a Deus e à Mãe Divina, ou simplesmente esvazie a mente, sem nenhuma intenção.

Lembre-se de iniciar o exercício exalando e terminar inalando, de modo suave e natural. Com um pouco de prática, cada pessoa encontra logo a cadência e o ritmo mais adequados. Realizado diariamente, o exercício de respiração polarizada (ou Pranayama Egípcio, como é conhecido entre os estudantes gnósticos, por ter sido muito utilizado pelos hierofantes egípcios e seus discípulos) traz uma sensação de equilíbrio, serenidade e bem-estar, que tende a crescer à medida que se aperfeiçoa o método com a prática constante.

Lembre-se: sem prática, não se chega a lugar nenhum. A Sabedoria Gnóstica sem uma devida e equilibrada vivência, é perda de tempo. Só enche nosso intelecto, mas não nossa consciência. O venerável mestre Samael Aun Weor afirmava que o Buscador da Luz deve ter uma Intelecção Iluminada, ou seja, um correto equilíbrio entre intelecto e intuição.

Os cinco tipos de prana

  • Prana – Concentra-se no cérebro e move-se para baixo governando a respiração. Está ligado à inteligência, à sensibilidade, às funções motoras principais. Penetra no corpo sutil pelo chacra da coroa, situado no alto da cabeça, e pela inspiração do ar passando pelas narinas. É o principal tipo de energia cósmica.
  • Vyana – Concentra-se no coração. Age no corpo inteiro governando o sistema circulatório, as articulações e os músculos. É captado do ar inspirado nos pulmões e da energia dos alimentos.
  • Samana – Concentra-se no intestino delgado, governa o aparelho digestivo e é captado principalmente pela energia vital doa alimentos vivos (sementes, frutas etc.).
  • Udhana – Concentra-se na região da garganta e governa a fala, o teor da voz, a força vital, a força de vontade, o esforço, a memória e a exalação do ar. É captado sobretudo da energia que advém do chacra da garganta.
  • Apana – Concentra-se no baixo ventre, governa a evacuação e a micção, a potência sexual, o fluxo menstrual e o processo de parto. É captado pelo chacra localizado na base da coluna e pelo dos órgãos genitais (chacra prostático/uterino).

Os três canais de energia

O pranayama é uma técnica para equilibrar a energia vital, a qual, ao penetrar no organismo, polariza-se um aspecto negativo e outro positivo (o Yin e Yang da medicina chinesa). Entrando pelas narinas, o prana polarizado percorre inicialmente os canais principais de energia localizados ao longo da coluna vertebral.

Esses canais, também, são polares e segundo a ayurveda recebem o nome de Ida, Pingala e Sushumna, este canal central é o mais importante dos três. Ida, ou canal lunar (negativo), inicia-se na narina esquerda e desce serpenteando ao longo da coluna vertebral em volta de Sushumna, o canal central, até finalizar no testículo direito. Píngala, ou canal solar (positivo), inicia-se na narina direita e acompanha simetricamente a Ida. Píngala vem terminar no testículo esquerdo. Cada um desses canais semietéricos e semifísicos carrega energias prânicas que se polarizam a partir das narinas.

Importante observação: essas polaridades comentadas acima referem-se a uma pessoa do sexo masculino. No caso das mulheres, a polaridade inverte-se na relação entre as narinas e os canais de energia: Ida, lunar, inicia-se na narina direita e termina no ovário esquerdo, e Píngala, solar, na narina esquerda, terminando no ovário direito.

Percebe-se, por uma análise mais profunda sobre o acima citado que há uma íntima relação entre Respiração, Prana e Pensamento. Portanto, uma das conclusões a que chega o estudante gnóstico é que o exercício do Pranayama devidamente realizado interfere nos chacras dos testículos e dos ovários.

Essa interferência gera um choque vibratório, fazendo com que a energia sexual seja transferida à velocidade da luz até o cérebro, e do cérebro distribuindo-se para todo o organismo, vitalizando-o e curando-o poderosamente.

Isso é o que podemos chamar de sexualizar o corpo físico, ou seja, transfere-se a energia sexual, altamente implosiva, para todas as células do organismo, rejuvenescendo-o.

Juntos, os três canais criam uma imagem que se assemelha a duas serpentes harmoniosamente enroscadas numa haste; dessa figura originou-se o tradicional Caduceu de Mercúrio, que simboliza a Medicina Universal.

Este é também, na verdade, o antigo símbolo da medicina tibetana, cujos procedimentos visam a restauração da saúde por meio de reequilíbrio das energias prânicas nos três canais principais do organismo.

Para a antiga medicina tibetana, não apenas as doenças físicas, mas inclusive as de caráter psíquico ou mental, são provocadas por alterações energética nesses canais. A partir deles, toda a energia vital é distribuída para o organismo e é através deles, ainda, que os centros de energia, ou chacras, se comunicam. Assim, todas as energias emocional e mental não somente são influenciáveis pelos três canais, como também – e principalmente – os influencia.

Autoconhecimento, uma condição para a saúde

Os recursos oferecidos pela Medicina Oriental (na verdade, esotérica) devem ser utilizados segundo orientação de uma sabedoria especializada, como a gnóstica. Alguns, porém, podem ser aplicados de modo mais livre, embora seja necessário que você conheça o tipo de sua constituição e possa adotar aquilo que lhe for mais adequado. É fundamental, portanto, procurar se conhecer para, finalmente, obter um equilíbrio que permita a seu organismo fazer instintiva e naturalmente as escolhas certas.

Os 12 Teoremas

Os 12 Teoremas são um complemento das Sete Leis e podem nos ajudar a entender melhor a polaridade universal.

  1. Yin e Yang são dois pólos da pura expansão infinita; eles se apresentam quando a pura expansão atinge o ponto geométrico da bifurcação.
  2. Yin e Yang surgem da continuamente pura expansão infinita.
  3. Yin é centrífugo; Yang é centrípeto; Yin e Yang produzem energia.
  4. Yin gera Yang, Yang gera Yin.
  5. A força de atração ou de repulsão entre as coisas é proporcional à diferença entre os seus componentes Yin e Yang.
  6. O excesso de Yin gera Yang e o excesso de Yang gera Yin.
  7. Todo fenômeno é produzido pela combinação entre Yin e Yang em várias proporções.
  8. Todos os fenômenos são efêmeros devido às constantes alterações das agregações dos componentes Yin e Yang.
  9. Nada é exclusivamente Yin ou Yang; tudo tem polaridade.
  10. Não existe nada neutro; Yin ou Yang estão em evidência em qualquer situação.
  11. Grande Yin atrai o pequeno Yang; Grande Yang atrai Pequeno Yin.
  12. Todas as concreções (solidificações) físicas são Yang no centro e Yin na periferia.
  • Dave

    Não é extremamente necessário pronunciar os mantras mentalmente durante o pranayama, certo? Eu queria saber pois essa prática fica bem mais comfortável para mim sem ter que pronunciar os mantras (TOM – RA – HAM – TOM – SA – HAM).

  • Analina

    Seria interessante vocês colocarem a fonte bibliográfica em todos os textos aqui postados. Obrigada!

  • Analina

    Olá qual a fonte bibliográfica desse texto? Obrigada!

  • Tatiana

    Uma mulher que tenha feito laqueadura pode transmutar energia? Gostaria de uma explicação sobre métodos anti concepcionais e se influenciam em que no trabalho. Obrigada!