A Importância do Arrependimento no Trabalho Interno

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Este tópico contém resposta, possui 1 voz e foi atualizado pela última vez por  Fernanda 10 meses, 1 semana atrás.

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    Fernanda
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    Muitas vezes, notamos a existência de um determinado eu como ator de alguma atitude equivocada, então fazemos o Trabalho Curto, orando e pedindo à Mãe Divina que o elimine, que dissolva, que o reduza à pó. No fim do dia, se nos dispomos a meditar sobre a cena em que o eu atuou, nos vemos sabotados: o eu reluta em deixar você retomar a cena, outras cenas surgem na “tela” da mente e suplantam aquela que havia se disposto a examinar; um desfile de efígies mentais de toda espécie pode ainda ser visto, se você se mantiver lutando para ficar acordado, ao mesmo tempo em que relaxa e se deixa tomar pela letargia do sono. Neste momento, você pode flagrar as imagens mais escalafobéticas, aberrações que você, em seu estado normal de vigília, nunca imaginaria. E você vê que essas efígies e elementos psíquicos parecem ter vida própria, fazem o que querem lá no fundo da sua mente, como parasitas. Então você toma ciência do estado de seu país psicológico, mas acaba dormindo, perdendo a consciência, sem ter logrado meditar realmente naquilo para o qual havia se disposto, perdendo o foco, perdendo-se na catexis solta da mente. Desta forma, dissipam-se as energias, e quando conseguimos finalmente um momento de concentração para pedir a eliminação de um defeito, não temos forças, não colocamos força, fé e vontade no pedido, mesmo imaginando a desintegração do elemento, pois imaginação e vontade devem estar unidas em vibrante harmonia, já dizia o V.M. Samael.

    E como, então, buscamos essa força tão necessária para a Mãe poder realizar a desintegração, mesmo no Trabalho Curto? Através do sincero arrependimento. Muitas vezes, você pode estar pedindo a eliminação de um determinado defeito por obrigação, por pensar: “achei tal defeito, preciso eliminá-lo”, mas apesar de saber disso, se você se auto observar neste exato momento, pode verificar que intimamente uma parte sua ainda deseja realizar aquela conduta que você quer eliminar*. Vamos adotar o exemplo simples de beber refrigerante sempre: você medita e chega à conclusão de que se trata de um eu da gula, que precisa ser eliminado. Então você pede à Divina Mãe que o fulmine com sua poderosa lança, mas no fundo, você sente um desejozinho de tomar a bebida alguma vez mais, a perspectiva de abandonar o hábito lhe causa uma certa angústia e perplexidade, como se fosse impossível a vida sem aquilo. E neste momento, meu amigo, o ego já acabou de sabotar o seu trabalho.

    Pode ser observada uma visível diferença de resultados quando você se sente assim durante a súplica, em comparação a quando realmente se arrependeu, se envergonhou daquilo, e anseia ardentemente disso se livrar. A súplica é atendida na medida de sua sinceridade (desde lá do fundo, sem nenhuma “pitada” de resistência); quanto mais intenso for o arrependimento, maior e mais rápido será o efeito sobre o eu que você quer eliminar. Saberá pela sua manifestação no cotidiano (“pelos frutos os conhecereis”), pois graças ao arrependimento e à súplica sincera, ele já enfraquece após as primeiras vezes, e deve-se ir persistindo a cada novo reaparecimento dele.

    E o que leva alguém a se arrepender assim? A apreensão de uma “lição” extraída de alguma situação de crise provocada pelo eu em questão, uma epifania. Como disse o V.M. Samael em “Respostas de um Lama”, de Óscar Uzcategui, “para eliminar o ego é necessário ferver a água a 100º”, ou seja, as situações críticas nos ensinam muito: “eliminar o ego não é uma questão do frio intelecto. Obviamente, se a água não ferver a 100 graus, não se cozinha o que o que se deve cozinhar, não se desintegra o que é necessário desintegrar… Assim, também, se não atravessamos graves crises emocionais, não cristaliza o que se deve se cristalizar, e não se elimina aquilo que é necessário eliminar…”

    * Querer Vs. Desejar. É preciso ter mais do que um “querer intelectual”; é necessário ter uma Vontade maior do que o desejo, ou o desejo sempre subjugará o “querer” do intelecto. A Vontade surge e é alimentada pela intensa motivação da epifania.

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