As duas chaves do Dragão Amarelo

As duas chaves do Dragão Amarelo

- emPsicologia Gnóstica
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É claro que temos de ir nos independizando cada vez mais da mente. A mente é um calabouço, um cárcere, onde todos nós estamos presos. Precisamos fugir desse cárcere, se é que realmente queremos saber que coisa é a liberdade; liberdade essa que não é do tempo, liberdade essa que não é da mente…

Antes de tudo, devemos considerar a mente como algo que não é do Ser. Infelizmente, as pessoas identificadas com a mente dizem “estou pensando”, e se sentem como sendo a mente.

Há escolas que se dedicam a fortalecer a mente. Dão cursos por correspondência, ensinam a desenvolver a força mental etc. Porém, tudo isso é absurdo! Fortificar os barrotes da prisão onde estamos metidos não é o indicado.

O que precisamos é destruir esses barrotes para conhecer a verdadeira liberdade que, como já disse, não é do tempo. Enquanto estivermos no cárcere do intelecto, não seremos capazes de experimentar a verdadeira liberdade.

A mente em si mesma é um cárcere doloroso. Ninguém jamais foi feliz com a mente. Até hoje não se conheceu o primeiro homem que foi feliz com a mente. A mente torna todas as criaturas infelizes.

Os momentos mais felizes que todos nós tivemos na vida ocorreram sempre na ausência da mente. Foi um instante, sim, mas que não o poderemos esquecer jamais na vida. Em tal segundo, soubemos o que é a felicidade, mas durou apenas um segundo.

A mente não sabe que coisa é a felicidade, ela é um cárcere.

Temos de aprender a dominar a mente, não a alheia, mas a nossa, se é que queremos ficar independentes dela. Faz-se indispensável aprender a olhar a mente como algo que devemos dominar, como algo que, digamos, precisamos amansar.

Recordemos o divino Mestre Jesus entrando em Jerusalém no Domingo de Ramos, montado em seu burrinho. Esse burrico é a mente que temos de submeter. Temos de montar no burrinho e não permitir que ele monte em nós.

Infelizmente, as pessoas são vítimas da mente, posto que não sabem montar no burrinho. A mente é um burrinho muito estúpido, que tem de ser dominado, se é que verdadeiramente queremos montar nele.

Durante a meditação devemos dialogar com a mente. Se alguma dúvida surge, temos de fazer a dissecação dessa dúvida.

Quando uma dúvida foi devidamente estudada, quando a dissecamos, não deixa em nossa memória rastro algum, desaparece. Mas quando uma dúvida persiste, quando pretendemos combatê-la incessantemente, forma-se o conflito. Toda dúvida é um obstáculo para a meditação.

Mas não será rejeitando as dúvidas que iremos eliminá-las. Ao contrário, é fazendo a sua dissecação para ver o que é que escondem de real.

Qualquer dúvida que persiste na mente converte-se numa trava para a meditação. Temos de analisá-la, esquadrinhá-la, reduzi-la a pó. Não será combatendo-a, mas sim abrindo-a com o bisturi da autocrítica, fazendo uma rigorosa e implacável dissecação, que iremos descobrir o que havia nela de importante, o que havia nela de real e o que havia de irreal.

Assim, as dúvidas, às vezes, servem para esclarecer conceitos. Quando alguém elimina uma dúvida mediante uma análise rigorosa, quando a disseca, descobre alguma verdade. De tal verdade vem algo mais profundo, mais sabedoria, mais experiência.

Elabora-se a sabedoria à base de experimentação direta, na própria experimentação, à base de meditação profunda. Há vezes em que precisamos, repito, dialogar com a mente, porque muitas vezes queremos que a mente fique quieta, fique em silêncio, e ela insiste em suas tolices, em seu palavrório inútil, em continuar a luta das antíteses.

É quando se faz necessário interrogar a mente: “Muito bem, mente, mas o que é que queres? Me responda!” Se a meditação for profunda, poderá surgir em nós alguma representação. Nessa figura, nessa representação, nessa imagem, está a resposta.

Temos então de dialogar com a mente e fazê-la ver a realidade das coisas, fazê-la ver que sua resposta está errada, fazê-la ver que suas preocupações são inúteis e que os motivos pelos quais se agita também são inúteis. Por fim, a mente fica quieta e em silêncio.

Mas se notamos que a iluminação ainda não surge, que ainda persiste em nós o estado caótico, a confusão incoerente do palavrório incessante com sua luta de opostos, temos de chamar de novo a atenção da mente, interrogando-a: o que queres, mente? O que estás procurando? Por que não me deixas em paz?

Há que falar claro e dialogar com a mente, como se ela fosse um sujeito estranho, já que ela não é o Ser. Temos de tratá-la como se fosse uma pessoa estranha. Temos de recriminá-la e de repreendê-la.

O Judô Psicológico

Os estudantes do zen avançado praticam o judô, mas o judô psicológico deles não foi compreendido pelos turistas que chegam ao Japão.

Ver, por exemplo, os monges praticando o judô, lutando uns com os outros, pareceria um exercício meramente físico, mas não é. Quando estão praticando judô, realmente quase não estão se dando conta do corpo físico. Na realidade, sua luta tem como objetivo dominar a própria mente.

No judô, o adversário que estão combatendo é a sua própria mente. De maneira que o judô psicológico tem por objetivo submeter a mente, tratá-la cientificamente, tecnicamente; o objetivo é submetê-la. Infelizmente, os ocidentais só veem a casca do judô.

Claro, como sempre, superficiais e néscios, tomaram o judô como luta de defesa pessoal e se esqueceram dos princípios do zen e do ch’an. Isso foi verdadeiramente lamentável. É algo bastante semelhante ao que aconteceu com o Tarô. Sabe-se que no Tarô está toda a sabedoria antiga e todas as leis cósmicas e da natureza.

Por exemplo, um indivíduo que fala contra a magia sexual está falando contra o Arcano 9 do Tarô. Portanto, está jogando um carma horrível contra si. Um indivíduo que fale a favor do dogma da evolução, está quebrando a lei do Arcano 10 do Tarô, e assim sucessivamente.

O Tarô é um padrão de medidas para todos, como já disse em meu livro O Mistério do Áureo Florescer. Nele, termino dizendo que os autores são livres para escrever o que quiserem, mas que não deveriam se esquecer do padrão de medidas, que é o Tarô, o livro de ouro, a fim de não violar as leis cósmicas e cair sob a Catância, que é o carma superior.

Depois dessa pequena digressão, quero dizer que o Tarô, tão sagrado, tão sapiente, converteu-se em jogo de pôquer e nesses outros jogos de cartas que servem para a diversão das pessoas, que se esqueceram de suas leis e de seus princípios. As piscinas sagradas dos antigos templos de Mistérios converteram-se hoje nos clubes de banhistas.

A tauromaquia, a ciência profunda, a ciência taurina dos antigos Mistérios de Netuno na Atlântida, perdeu seus princípios e converteu-se hoje no circo vulgar das touradas.

Portanto, não é de se estranhar que o judô – o zen e o ch’an –, que tem por objetivo precisamente submeter a própria mente através de seus movimentos e paradas, tenha degenerado, tenha perdido seus princípios, no mundo ocidental, e tenha se convertido em algo profano que só se usa hoje para a defesa pessoal.

As Duas Joias do Dragão Amarelo

Vejamos o aspecto psicológico do judô. No judô psicológico que a Revolução da Dialética ensina, é necessário dominar a mente, é preciso que a mente aprenda a obedecer, e exige-se uma forte recriminação para que ela obedeça. Isto Krishnamurti não ensinou, tampouco o zen ou o ch’an.

Isso que estou ensinando pertence à Segunda Joia do Dragão Amarelo, à Segunda Joia da Sabedoria. Dentro da primeira joia podemos incluir o zen, mas o zen não explica a segunda joia, ainda que possua os prolegômenos em seu judô psicológico.

A segunda joia implica disciplina da mente: dominando-a, açoitando-a, recriminando-a… A mente é um burrinho insuportável que tem de ser amansado. Portanto, durante a meditação temos de contar com muitos fatores se quisermos chegar à quietude e ao silêncio da mente.

Precisamos estudar a desordem, porque só assim conseguiremos estabelecer a ordem. Temos de saber o que há em nós de atento e o que há em nós de desatento.

Sempre que entramos em meditação, nossa mente se divide em duas partes, a parte que atende e a parte que não atende. Não é na parte atenta que temos de pôr atenção, mas sim precisamente no que há de desatento em nós.

Quando chegarmos a compreender profundamente o que há de desatento em nós e soubermos como proceder para que o desatento se converta em atento, teremos conseguido a quietude e o silêncio da mente.

Porém, temos de ser judiciosos na meditação, julgando a nós mesmos e sabendo o que há de desatento em nós. Precisamos nos tornar conscientes daquilo que existe de desatento em nós.

Quando digo que devemos dominar a mente, entendam que quem deve dominá-la é a Essência, a consciência. Despertando consciência, adquirimos mais poder sobre a mente e por fim nos tornamos conscientes do que há de inconsciente em nós.

Faz-se urgente e improrrogável dominar a mente. Devemos dialogar com ela, recriminá-la, açoitá-la com o látego da vontade e fazê-la obedecer. Essa didática pertence à Segunda Joia do Dragão Amarelo.

Meu real Ser, Samael Aun Weor, esteve reencarnado na antiga China e chamou-se Chou-Li. Fui iniciado na Ordem do Dragão Amarelo e tenho ordens de entregar as Sete Joias do Dragão Amarelo a quem despertar a consciência, vivendo a Revolução da Dialética e conseguindo a Revolução Integral.

Antes de tudo, não devemos nos identificar com a mente, se é que queremos tirar o melhor partido da Segunda Joia. Se continuamos nos sentido mente, se dizemos “estou raciocinando, estou pensando”, estamos afirmando um despropósito e não estamos de acordo com a doutrina do Dragão Amarelo porque o Ser não precisa pensar e não precisa raciocinar.

Quem raciocina é a mente. O Ser é o Ser e a razão de ser do Ser é o próprio Ser. Ele é o que é, o que sempre foi e o que sempre será. O Ser é a vida que palpita em cada sol. O que pensa não é o Ser. Quem raciocina não é o Ser.

Nós não temos encarnado todo o Ser, mas temos uma parte do Ser encarnada, que é a Essência, ou budhata, isso que há de alma em nós, o anímico, o material psíquico. É necessário que essa Essência vivente se imponha sobre a mente.

Aquilo que analisa em nós são os eus. Os eus nada mais são do que formas da mente, formas mentais que têm de ser desintegradas e reduzidas a poeira cósmica.

Estudemos, neste momento, algo muito especial. Poderia se dar o caso de que alguém dissolvesse os eus, os eliminasse. Poderia também se dar o caso de que esse alguém, além de dissolver os eus, fabricasse um corpo mental.

Obviamente, teria adquirido individualidade intelectual. Mas teria de se libertar até mesmo desse corpo mental, porque por mais perfeito que ele fosse, também raciocinaria, também pensaria, e a forma mais elevada de pensar é não pensar. Quando pensamos, não estamos na forma mais elevada de pensar.

O Ser não precisa pensar. Ele é o que sempre foi e o que sempre será. Assim, em síntese, temos de submeter a mente, interrogá-la… Não precisamos submeter as mentes alheias porque isso é magia negra.

Não precisamos dominar a mente de ninguém porque isso é bruxaria da pior espécie. O que precisamos é submeter a própria mente, dominá-la…

Durante a meditação, repito, surgem duas partes, a que está atenta e a que está desatenta.

Precisamos nos tornar conscientes do que há de desatento em nós. Ao nos fazermos conscientes, poderemos evidenciar que o desatento tem muitos fatores. Dúvida, há muitas dúvidas. São muitas as dúvidas que existem na mente humana. De onde vêm essas dúvidas?

As Essências Fracassadas

Vejamos, por exemplo, o ateísmo, o materialismo, o ceticismo… Se os desmembramos, vemos que existem muitas formas de ceticismo, muitas formas de ateísmo e muitas formas de materialismo. Há pessoas que se declaram materialistas e ateus e, no entanto, temem, por exemplo, as feitiçarias e as bruxarias.

Respeitam a natureza, sabem ver Deus na natureza, mas a seu modo. Quando se lhes fala de assuntos espirituais ou religiosos, declaram-se ateus e materialistas. Seu ateísmo não passa de uma forma incipiente.

Há outro tipo de materialismo e ateísmo, o do sujeito marxista-leninista. Ele é incrédulo e cético. No fundo, esse ateu materialista busca algo: ele quer simplesmente desaparecer, não existir, aniquilar-se integralmente, não quer nada com a Mônada Divina, ele a odeia. Obviamente, ao agir assim, se desintegrará como ele quer. Essa é a sua vontade.

Deixará de existir, descerá pelos mundos infernais até o centro de gravidade deste planeta. Esta é sua vontade, destruir a si mesmo. Perecerá, mas, no fundo, continuará. Sim, a Essência se libertará e voltará para novas evoluções. Passará por outras involuções, voltará uma e outra vez aos diferentes ciclos de manifestação, sempre caindo no mesmo ceticismo e materialismo.

Ao longo do tempo virá o resultado. Qual? No dia em que todas as portas se fecham definitivamente, quando os 3 mil ciclos se esgotarem, essa Essência será absorvida pela Mônada que, por sua vez, entrará no seio do Espírito Universal da Vida, mas sem o mestrado.

O que é que quer realmente essa Essência? O que é que procura com seu ateísmo? Qual é seu desejo? Seu desejo é rejeitar o mestrado. No fundo, é isso que ela quer e consegue. Não se valoriza e, por fim, termina como uma Chispa Divina, mas sem o mestrado.

São várias as formas de ceticismo. Há gente que se diz católica apostólica romana e, no entanto, em suas exposições são cruamente materialistas e ateias. Contudo, vão à missa nos domingos, se confessam e comungam… Esta é outra forma de ceticismo!

Se analisamos todas as formas havidas e por haver de ceticismo e materialismo, descobrimos que não há só um tipo de materialismo ou de ceticismo. A realidade é que são milhares as formas de ceticismo e materialismo.

Milhões, porque simplesmente são mentais, coisas da mente, isto é, o ceticismo e o materialismo são da mente e não do Ser. Quando alguém passa além da mente, torna-se consciente da verdade, que não é do tempo. Obviamente, já não pode ser materialista nem  ateísta. Aquele que alguma vez escutou o Verbo, está além do tempo e além da mente. O ateísmo é da mente e pertence à mente, que é como um leque.

As formas de materialismo e de ateísmo são tantas que se assemelham a um grande leque. Tudo o que existe de real está além da mente. O ateu e o materialista são ignorantes. Jamais escutaram o Verbo, nunca conheceram a Palavra Divina e jamais entraram na Corrente do Som.

O ateísmo e o materialismo são gerados na mente. Ambos são formas da mente, formas ilusórias que não têm realidade alguma. O que verdadeiramente é real não pertence à mente. O que certamente é real está além da mente. É importante tornar-se independente da mente para conhecer o real: não para conhecê-lo intelectualmente, mas para experimentá-lo real e verdadeiramente.

Ao pormos atenção no que está desatento, poderemos ver diferentes formas de ceticismo, de incredulidade, de dúvida etc. Descobrindo qualquer dúvida, de qualquer tipo, temos de desmembrá-la, de dissecá-la, para saber o que ela quer de verdade.

Uma vez que a tenhamos desmembrado totalmente, ela desaparece, não deixando na mente rastro algum, não deixando na memória nem o mais insignificante vestígio.

Quando observamos o que há de desatento em nós, vemos também a luta das antíteses na mente. Então, temos de desmembrar essas antíteses para ver o que têm de verdade. Também deverá ser feita a dissecação das recordações, dos desejos, das emoções e das preocupações que se ignoram, que não sabemos de onde vêm nem por que vêm.

Quando judiciosamente vemos que há necessidade de chamar a atenção da mente e chegamos ao ponto crítico em que já nos cansamos dela, porque não quer obedecer de forma alguma, não resta outro remédio que recriminá-la, falar-lhe duramente, enfrentá-la frente a frente, cara a cara, como a um sujeito estranho e inoportuno.

Temos de açoitá-la com o látego da vontade e recriminá-la com palavras duras até que obedeça. Há que se dialogar muitas vezes com a mente para que entenda. Se não entende, pois temos de chamá-la à ordem severamente.

Libertando-nos da Mente

É indispensável não se identificar com a mente. Há que açoitar a mente, subjugá-la. Se ela prossegue violenta, pois temos de voltar a açoitá-la. Assim, saímos da mente e chegamos à Verdade, Aquilo que certamente não é do tempo.

Quando conseguimos, atingimos Isso que não é do tempo e experimentamos um elemento que transforma radicalmente. Existe um certo elemento transformador que não é do tempo e que somente se pode experimentar quando saímos da mente. Temos de lutar intensamente até conseguir sair da mente para conquistar a Autorrealização Íntima do Ser.

Uma e outra vez precisamos nos tornar independentes da mente e entrar na Corrente do Som, o Mundo da Música, o mundo onde ressoa a palavra dos Elohim, onde a Verdade certamente reina.

Enquanto estivermos engarrafados na mente, o que poderemos saber da Verdade? O que os outros dizem, mas o que sabemos nós? O importante não é o que os outros dizem e sim o que nós experimentamos por nós mesmos.

Nosso problema é como sairmos da mente. Para isso, precisamos de uma ciência, de uma sabedoria que nos emancipe, e esta se acha na Gnose.

Quando julgamos que a mente está quieta, quando achamos que está em silêncio, e, no entanto, não vem nenhuma experiência divina, é porque não está quieta ou em silêncio. No fundo ela continua lutando, no fundo ela está conversando… Então, através da meditação, temos de encará-la, dialogar com ela, recriminá-la e interrogá-la para saber o que quer.

Devemos dizer: Mente, porque não ficas quieta? Por que não me deixas em paz? A mente dará alguma resposta e nós responderemos com outra explicação, tratando de convencê-la.

Se não quiser se convencer, não restará outro remédio que submetê-la por meio de recriminações e usando o látego da vontade.

Tese, Antítese, Síntese, Liberação

O domínio da mente vai além da meditação nos opostos. Assim que, por exemplo, nos assalta um pensamento de ódio, uma lembrança malvada, temos de tratar de compreendê-lo, tratar de ver sua antítese, o amor. Se há amor, para que esse ódio? Com que objetivo?

Surge, por exemplo, a lembrança de um ato luxurioso. Temos de passar pela mente o cálice sagrado e a santa lança, dizendo: “Por que hei de profanar o Sagrado com meus pensamentos doentios?”

Se surgir a imagem de uma pessoa alta, devemos vê-la baixinha e isso seria correto, posto que na síntese está a chave. Saber buscar sempre a síntese é benéfico, porque da tese se passa para a antítese, porém a verdade não se encontra na tese nem na antítese. Na tese e na antítese há discussão e isso é realmente o que se quer: afirmação, negação, discussão e solução.

Afirmação de um mau pensamento e negação do mesmo mediante a compreensão de seu oposto. Discussão: temos de discutir para ver o que há de real num e noutro até chegar à sabedoria e deixar a mente quieta e em silêncio. Assim é como se deve praticar.

Tudo isso faz parte das práticas conscientes da observação do que há de desatento. Se dissermos simplesmente: é a lembrança de uma pessoa alta e lhe antepormos uma pessoa baixinha e pronto, isso não estará certo. O correto seria dizer: o alto e o baixo não são senão dois aspectos de uma mesma coisa, o que importa não é o alto nem o baixo e sim o que há de verdade por trás de tudo isto. O alto e o baixo são dois fenômenos ilusórios da mente. Assim é como se chega à síntese e à solução.

O desatento em alguém é o que está formado pelo subconsciente, pelo incoerente, pela quantidade de recordações que surgem na mente, pelas memórias do passado que assaltam uma vez ou outra, pelos resíduos da memória etc. Não temos de rechaçar ou aceitar os elementos que constituem o subconsciente.

Simplesmente, temos de nos tornar conscientes do que há de desatento, ficando assim o desatento, atento. De forma espontânea e natural o desatento fica atento. Há que fazer da vida comum uma contínua meditação. Não somente é meditação aquela ação de aquietar a mente quando estamos em casa ou nos Lumisiais, mas também aquela que transcorre no viver diário. Assim, nossa vida se converte de fato numa constante meditação. Eis como nos chega realmente a verdade.

A mente em si é o Ego. É urgente a destruição do Ego para que a substância mental fique livre e com a qual se poderá fabricar o corpo mental. Porém, no final, sempre restará a mente. O importante é livrar-se da mente. Ficando livres dela, deveremos aprender a nos desenvolver no mundo do Espírito Puro sem ela. Há que saber viver nessa Corrente do Som, que está além da mente e que não é do tempo.

Na mente, o que há é ignorância. A sabedoria real não está na mente, está além da mente. A mente é ignorante e por isso cai e cai em tantos erros graves. Quão néscios são aqueles que fazem propagandas mentalistas, aqueles que prometem poderes mentais, que ensinam os outros a dominar a mente alheia etc.

A mente não fez feliz ninguém. A verdadeira felicidade está muito além da mente. Ninguém pode chegar a conhecer a felicidade até que se torne independente da mente.

Os sonhos são próprios da inconsciência. Quando alguém desperta a consciência, deixa os sonhos. Os sonhos nada mais são do que projeções da mente. Lembro-me de certo caso vivido por mim nos mundos superiores. Foi somente um instante de descuido, mas vi como me saiu da mente um sonho.

Já ia começar a sonhar, quando reagi de entre o sonho que me escapara por um segundo. Como me dei conta do processo, rapidamente me afastei daquela forma petrificada que escapara da minha própria mente. E se tivesse ficado adormecido? Teria ficado enredado naquela forma mental. Quando alguém está desperto, sabe naturalmente que de um momento de desatenção pode escapar um sonho e nele ficará enredado toda noite até o amanhecer.

O que importa é despertar a consciência para deixar de sonhar, para deixar de pensar. Este pensar, que é matéria cósmica, é a mente. Até o próprio astral não é mais do que cristalização da matéria mental e o nosso mundo físico também é mente condensada.

Assim, pois, a mente é matéria e bem grosseira, seja no estado físico, seja no estado chamado astral, ou manásico, como dizem os hindus. De qualquer forma, a mente é grosseira e material, tanto no astral quanto no físico.

A mente é matéria física ou metafísica, porém, matéria. Portanto, não pode nos fazer felizes. Para conhecer a autêntica felicidade, a verdadeira sabedoria, devemos sair da mente e viver no mundo do Ser. Isto é o importante! Não negamos o poder criador da mente. Claro que tudo que existe é mente condensada.

Porém, que ganhamos com isso? Por acaso a mente nos deu felicidade? Podemos fazer maravilhas com a mente, podemos criar muitas coisas na vida, os grandes inventos são mente condensada, mas esse tipo de criações não nos fez felizes.

O que precisamos é de independência, temos de sair desse calabouço de matéria, porquanto a mente é matéria. Temos de sair da matéria e viver em função do espírito como seres, como criaturas felizes, além da matéria. A matéria não fez ninguém feliz, porque a matéria é sempre grosseira, ainda que possa assumir formas bonitas.

Se estamos buscando a autêntica felicidade, não a encontraremos na matéria e sim no espírito. Precisamos nos libertar da mente. A verdadeira felicidade vem a nós quando saímos do calabouço da mente. Não negamos que a mente possa ser criadora de coisas, de inventos, de maravilhas e de prodígios, porém, por acaso, isso nos torna felizes? Quem de nós é feliz?

Se a mente não nos trouxe a felicidade, temos de sair da mente e buscá-la em outro lugar.

Obviamente, a encontraremos no mundo do espírito. Mas temos de saber como é que escaparemos da mente, como é que nos libertaremos da mente. Pois este é o objetivo de nossas práticas e estudos, que entregamos nos livros gnósticos e neste tratado da Revolução da Dialética.

Em nós há apenas uns 3% de consciência e uns 97% de subconsciência. O que temos de consciente deve dirigir-se ao que temos de inconsciente ou subconsciente a fim de recriminar a fazer ver que tem de tornar-se consciente. É necessário que a parte consciente recrimine a parte subconsciente.

Isso de que a parte consciente se dirija à parte subconsciente é um exercício psicológico muito importante que se pode praticar na aurora.

Assim, as partes inconscientes vão pouco a pouco se tornando conscientes.

(Samael Aun Weor, A Revolução da Dialética, cap. 16)

9 Comments

  1. Somos de Teresina, estudamos, praticamos e divulgamos a Gnosis a alguns anos. Dificil não se deslumbrar pelas descobertas desse Conhecimento maravilhoso e milenar.
    Om seja a Força!
    Paz Inverencial.

  2. Não existe felicidade plena…Apenas momentos felizes…

    1. Vanessa,
      Seu conceito de felicidade é mental. Busque na meditação a compreender a verdadeira felicidade, nao é coisa que se compreenda com a mente.

  3. Thiago Santos

    O próprio nome ja diz mente ela mente mesmo.

  4. michael nonato

    Quão idiotas são aqueles que ainda duvidam de Deus,discutir com um ateu é horrível,eu passo por isso todo dia… mas fico tranquilo,quem sabe um dia eles não veem além de suas limitações mentais e intelectuais…

  5. Amo ler assuntos como esse,ja sei que minha mente nao é muito minha amiga,pq entendi que somos aquilo que queremos,eu na maioria das vezes sofro demais por entrar de cabeça nos proprios problemas que tenho fico triste qdo nao consigo me ajudar e dai concluo que preciso me conhecer melhor e mais atualmente estou só,comigo mesma,numa espécie se isolamento que eu vejo como necessário pra me melhor conhecer,espro em Deus conseguir o meu ideal.

  6. maria esperança

    ola!
    Conheci gnose faz mais de35 anos.
    Amo o movimento gnostico. Um Abraço a todos os irmãos da loja branca.
    “PAZ REVERENCIAL”

  7. …a mente é uma grande mentirosa…ela nos tenta enganar o tempo todo com sua inquietude…olhar sentindo e não vendo como um estado de papel em branco…assim eu acredito que devemos estar…mas,como é difícil…essa TAGARELA não desiste…mas eu também não…e vou tentando…sem pressa,passo a passo…destruindo o ego que eu mesma construí…lentamente…

  8. Altair Angioletto jr.

    me tirou da matrix que eu tava vivendo!

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