A separação interior

A separação interior

- emPsicologia Gnóstica
2137
Comentários desativados em A separação interior

A pessoa tem de aprender a produzir a separação de si mesmo, a separação de todas as coisas: aprender a não se identificar com os sucessos, com os acontecimentos, com os eventos, com as coisas.

A identificação absorve, vampiriza a consciência da pessoa e a submerge mais profundamente no sonho.

De forma que necessitamos que nossa consciência desperte, o qual é possível fazendo a separação entre nós e as coisas, entre nós e os eventos ou sonhos.

auto-observacao1-gnosisonlineEm estado de alerta-percepção ou de alerta-novidade, podemos verificar diretamente que os defeitos escondidos afloram espontaneamente.

É claro que cada defeito descoberto na “escola” da vida prática deve ser trabalhado conscientemente, com o propósito de separá-lo de nossa psique.

Se ficamos sobre uma tábua e desejamos levantá-la para colocá-la arrimada em una parede, seria impossível esse trabalho enquanto continuarmos parados sobre ela.

Obviamente, devemos começar por separar a tábua de si mesmos, retirando-nos da mesma, para logo levantar a tábua com nossas mãos e colocá-la recostada no muro.

De maneira similar, não devemos nos identificar com nenhum “agregado psíquico”, se é que de verdade desejamos separá-lo de nossa psique.

Quem sempre se crê “uno” nunca será capaz de se separar de seus próprios “elementos indesejáveis”, pois considerará cada pensamento, sentimento, desejo, paixão, afeto, como funcionalismos diferentes e imodificáveis de sua própria natureza, e até se justificará dizendo que tais ou quais defeitos pessoais “são de caráter hereditário”.

Com a auto-observação descobrimos a multiplicidade do Ego
Com a auto-observação descobrimos a multiplicidade do Ego

Mas quem aceita a “doutrina dos muitos eus” compreende à base de observação que cada desejo, cada pensamento, ação, paixão, corresponde a este ou outro Eu distinto, diferente.

Qualquer “atleta” da auto-observação íntima trabalha muito seriamente dentro de si mesmo e se esforça por “apartar de sua psique” os “elementos indesejáveis” que carrega dentro.

Se a pessoa, de verdade e muito sinceramente, começa a observar-se internamente, acaba dividindo-se em dois: “observador” e “observado”.

Se tal divisão não se produzisse, é evidente que nunca daríamos um passo adiante na senda maravilhosa do Autoconhecimento. Como poderíamos observar a nós mesmos se cometêssemos o erro de não querer nos dividir entre “observador” e “observado”?

Indubitavelmente, quando essa divisão não ocorre, continuamos identificados com todos os processos do “eu pluralizado”. Quem se identifica com todos os processos do “eu pluralizado” é sempre vítima das circunstâncias.

Como poderia modificar circunstâncias aquele que não conhece a si mesmo? Como poderia conhecer a si mesmo quem nunca se observou internamente? De que maneira poderia alguém se auto-observar se não se divide em observador e observado?

auto-observacao2-gnosisonline

Bem, ninguém pode começar a cambiar radicalmente, enquanto não seja capaz de dizer “este desejo é um eu animal que devo eliminar”, “este pensamento egoísta é outro eu que me atormenta e que necessito desintegrar”, “este sentimento que fere meu coração é um eu intruso que necessito reduzir a poeira cósmica”…

Naturalmente, isso é impossível para quem nunca se dividiu entre observador e observado. Quem toma todos os seus processos psicológicos como funcionalismos de um eu único, individual e permanente se encontra tão identificado com todos os seus erros, os tem tão unidos a si mesmo que perdeu a capacidade para separá-los de sua psique.

Obviamente, pessoas assim jamais podem mudar radicalmente… são pessoas condenadas ao mais rotundo fracasso.

Samael Aun Weor

Posts relacionados

Confira também

Magia da mirra

Myrrha commifora abissynica Quando entramos no departamento elemental