Transformação das impressões e o trabalho interno

Transformação das impressões e o trabalho interno

As coisas, as pessoas, não são mais que impressões dentro de nós, dentro de nossa mente. Se transformamos essas impressões, transforma-se a vida

Este tema está relacionado com a questão da Transformação de Si Mesmo. Em nossos passados diálogos, muito dissemos sobre a importância que a vida em si mesma tem. Dissemos também que um homem é o que é sua vida e que esta é como um filme que, ao desencarnarmos, nós a levamos para revivê-la (de forma retrospectiva) no Mundo Astral, e que ao retornarmos, a trazemos para projetá-la outra vez sobre o tapete do Mundo Físico.

É claro que a Lei da Recorrência existe e que todos os acontecimentos se repetem, que tudo volta realmente a ocorrer tal como aconteceu, mais as consequências boas e más, e isso é óbvio.

Bem, agora o importante é conseguirmos a transformação da vida, e isso é possível se nos propomos, profundamente…

“Transformação” significa que uma coisa muda em outra coisa diferente. É lógico que tudo está submetido a mudanças.

Existem transformações muito conhecidas da matéria; ninguém poderia negar, por exemplo, que o açúcar se transforma em álcool e que o álcool (por sua vez) se converte em vinagre pela ação dos fermentos (esta é a transformação de uma substância molecular em outra substância molecular). Sabe-se, pela nova química dos átomos e elementos, que o Rádio, por exemplo, se transforma lentamente em chumbo.

Os alquimistas da Idade Média falavam da “Transmutação do chumbo em ouro”. Sem embargo, não aludiam sempre à questão metálica meramente física. Normalmente queriam indicar, com tais palavras, a transmutação do Chumbo – o da Personalidade – no Ouro do Espírito. Assim, pois, convém que reflitamos em todas essas coisas…

Nos Evangelhos, a ideia do homem terreno, comparado a uma semente capaz de crescimento, tem a mesma significação, como a tem também a ideia do renascimento, de um homem que “nasce outra vez”. Sem embargo, é óbvio que se o grão não morre, a planta não nasce; em toda transformação existe morte e nascimento, ou morte e ressurreição.

Já se sabe que na Gnosis consideramos o homem como uma fábrica de três pisos que absorve, normalmente, três alimentos.

O alimento comum normalmente corresponde ao piso inferior da fábrica (nessa questão do estômago). O ar, naturalmente, está no segundo piso, pois está relacionado com os pulmões. E as impressões, indubitavelmente, estão associadas ao cérebro, o terceiro piso (isso é questão de “observação”, não é verdade, irmãos?).

O alimento que comemos sofre sucessivas transformações (isto é inquestionável). O processo da vida, em si mesma, por si mesma, é a transformação. Cada criatura do Universo, meus estimados irmãos, vive mediante a transformação de uma substância em outra. Um vegetal, por exemplo, transforma o ar, a água e os sais da terra em novas substâncias vitais, em elementos úteis para nós, como, por exemplo, as nozes, as frutas, as batatas, ou os limões, os feijões, as ervilhas etc. Assim, pois, tudo é TRANS-FOR-MA-ÇÃO.

Pela ação da luz solar, obtemos os variados fermentos da natureza. É inquestionável que o sensível filme da vida, que normalmente se estende sobre a face da terra, conduz toda a Força Universal rumo ao interior do mundo planetário em que vivemos.

Prém, cada planeta, cada inseto, cada criatura (e o próprio animal intelectual equivocadamente chamado homem) absorve, assimila, determinadas forças cósmicas e logo as transforma e retransmite (inconscientemente) às camadas inferiores do organismo planetário.

Tais forças, transformadas, estão intimamente relacionadas com a economia deste organismo planetário em que vivemos. Cada criatura, segundo sua espécie, transforma determinadas que, logo, retransmite ao interior da terra, para economia do mundo. Também as demais criaturas, as distintas espécies (as plantas etc.) cumprem a mesma função.

Sim, em tudo existe transformação. Assim, pois, a epiderme da terra é um órgão em transformação…

Quando comemos o alimento, tão necessário para a nossa subsistência, este é transformado (é claro, etapa após etapa) em todos esses elementos vitais, tão indispensáveis para a nossa própria existência.

O que realmente estamos recebendo, a cada instante, a cada momento, são meramente Impressões

Quem realiza dentro de nós esse processo de transformação das substâncias? O Centro Instintivo! Quão sábio é esse Centro! Realmente, nos assombramos com a sabedoria de dito Centro.

A digestão em si mesma, meus estimados irmãos, é transformação. Todos podem ver que o alimento inferido pelo estômago (ou seja, a parte inferior dessa fábrica de três pisos, que é o organismo humano) se transforma.

Se um alimento, por exemplo, passasse pelo estômago e não se transformasse, o organismo não poderia assimilar seus princípios (suas vitaminas, suas proteínas). Isso seria, simplesmente, uma indigestão. Assim, pois, conforme vamos refletindo nessa questão, chegamos a compreender a necessidade de passar por uma Transformação.

Está claro que os alimentos físicos se transformam. Mas há algo que nos convida muito à reflexão: não existe uma transformação, por exemplo, adequada das Impressões. Para o propósito da Natureza propriamente dita, não há nenhuma necessidade de que o animal intelectual, equivocadamente chamado homem, transforma realmente as impressões.

Porém, um homem pode transformar suas impressões por si mesmo, se possui, naturalmente, o conhecimento de fundo, esotérico, e compreende o porquê dessa necessidade (resultaria magnífico transformar as impressões).

No terreno da vida prática, a maioria das pessoas crê que este mundo físico vai lhe dar exatamente o que anseia e busca, e eis aí, meus estimados irmãos, um tremendo equívoco. A vida, em si mesma, entra em nós, em nosso organismo, na forma de meras impressões.

O primeiro que realmente devemos compreender é o significado deste Trabalho Esotérico, relacionado intimamente com a questão das impressões. Que necessitamos transformar a vida? É verdade! E não se poderia realmente transformar sua vida se não se transformam as impressões que lhe chegam à mente. É urgente, pois, que os que leiam esta cátedra reflitam no que aqui estamos dizendo…

Não existe, realmente, tal coisa como a “vida externa” – e vejam vocês que estamos falando de algo muito revolucionário, pois todo mundo crê que o físico é o real, porém se formos um pouquinho mais a fundo, o que realmente estamos recebendo, a cada instante, a cada momento, são meramente IMPRESSÕES.

Vemos uma pessoa que nos agrada ou que nos desagrada, e o primeiro que obtemos são impressões dessa natureza, não é verdade? Isso não o podemos negar.

A vida é, digamos, uma sucessão de impressões (e não como creem muitos ignorantes ilustrados: uma coisa sólida, física, de tipo exclusivamente material): a realidade da vida são suas impressões, claro está que a ideia que estamos emitindo através desta gravação resulta certamente difícil de se capturar, de se apreender. Constitui-se num trabalhoso ponto de intersecção.

É possível que você que me estejam lendo tenha a certeza de que vida que têm exista como tal, e não como suas impressões. Estão tão sugestionados pelo mundo físico que obviamente pensam assim.

A pessoa que vemos sentada, por exemplo, em uma cadeira, com tal ou qual traje de cor, aquele que nos sorri mais além, ou aquele outro que está tão sério etc., são para nós coisas reais, não é verdade? Porém se meditamos profundamente em tudo o que vemos chegaremos à conclusão de que o real são as impressões.

Estas, como já disse, chegam à mente através, é claro, das “janelas” dos cinco sentidos. Se não tivéssemos, por exemplo, olhos para ver ou ouvidos para ouvir, nem tato para tocar, nem olfato para cheirar, ou nem sequer paladar para saborear os alimentos que entram em nosso organismo, por acaso existiria para nós isso que se chama mundo físico? Claro que não, absolutamente não!

Então, pois, a vida nos chega na forma de impressões, e é aí onde existe a possibilidade de trabalhar sobre nós mesmos.

Ante tudo – se é isso que queremos fazer –, pois, deve-se compreender o trabalho que devemos fazer. Se não fizéssemos esse trabalho de forma correta, como poderíamos conseguir uma transformação psicológica em nós mesmos? É óbvio que o trabalho que iremos realizar sobre nós mesmos deve ser sobre as impressões que estamos recebendo a cada instante, a cada momento.

E a menos que o apreendamos, que o capturemos etc., nunca ninguém compreenderia o significado do que no Trabalho é chamado de PRIMEIRO CHOQUE CONSCIENTE.

O Choque relaciona-se com essas impressões que são tudo quanto conhecemos do mundo exterior, que estamos recebendo, que tomamos como se fossem as verdadeiras coisas, as verdadeiras pessoas.

Necessitamos, então, transformar nossa vida, e esta é INTERNA. Ao querer transformar esses aspectos psicológicos de nossa vida, obviamente necessitamos trabalhar sobre as impressões – que entram em nós, é claro.

Por que nós chamamos ao trabalho sobre a transformação das impressões de Primeiro Choque Consciente? Por um motivo, meus queridos irmãos gnósticos, por um só motivo: porque, simplesmente, é algo que de nenhuma maneira poderíamos efetuar de forma meramente mecânica!

Isso jamais acontece mecanicamente. Necessita-se de um esforço autoconsciente. Está claro que um aspirante gnóstico que comece a compreender essa classe de trabalho, começa obviamente também a deixar de ser um homem mecânico, que serve exclusivamente aos interesses da Natureza; uma criatura absolutamente adormecida, que simplesmente não é mais que um “empregado da Natureza”, para os fins econômicos da mesma, os quais não servem, de modo algum, aos interesses de nossa própria Autorrealização Íntima.

Se vocês começam, agora, a compreender o significado de tudo quanto lhes está sendo ensinado neste texto… se pensam, agora, no significado de tudo quanto lhes é ensinado a fazer, digamos pela vida do esforço próprio (começando com a OBSERVAÇÃO DE SI MESMOS), sem dúvida verão, meus queridos irmãos gnósticos, que no lado prático do Trabalho Esotérico tudo se relaciona com a transformação das impressões e o resultado, naturalmente, das mesmas.

O trabalho, por exemplo, sobre as emoções negativas, sobre os estados de humor irritadiços, sobre a questão da Identificação, sobre a Autoconsideração, sobre os Eus sucessivos, sobre as Autojustificativas, sobre as desculpas e sobre os estados inconscientes em que nos encontramos… relacionam-se em tudo com a transformação das impressões e o que resulta disso.

Assim, convém, meus queridos irmãos gnósticos, que de certo modo o trabalho sobre si mesmo se compara com a dissecação, no sentido de que é uma transformação. Quero que vocês reflitam profundamente nisso, que compreendam, pois, o que é o Primeiro Choque Consciente. É preciso formar um “instrumento de mudança” no lugar de entrada da impressões; não esqueçam isso.

Se mediante a compreensão do trabalho você podem aceitar a vida como um Trabalho (realmente esotérico), então estarão em um estado constante de Recordação de Si Mesmos. Este estado de consciência de si mesmo os levará, naturalmente, ao terreno vivente da transformação das impressões, e assim normalmente (ou supranormalmente, melhor dizendo), ao de uma vida distinta, no que a vocês naturalmente diz respeito.

Ou seja, que a vida já não trabalhará mais sobre todos vocês, meus queridos irmãos, como o fazia antes. Vocês começarão a pensar e a compreender de uma nova maneira, e este é o começo, naturalmente, de sua própria transformação. Porque enquanto vocês seguires pensando da mesma maneira, tomando a vida da mesma maneira, é claro que não haverá nenhuma mudança em vocês.

Transformar as impressões da vida é transformar-se a si mesmo, meus queridos irmãos gnósticos, e só uma maneira de pensar inteiramente nova é que pode efetua-lo. Todo esse trabalho, pois, dirige-se rumo a uma forma radical de transformação. Se não nos transformamos, nada se consegue.

Compreenderão vocês que a vida nos exige continuamente reagir. Todas essas reações forma nossa vida, nossa vida pessoal. Cambiar a vida não é cambiar as circunstâncias meramente externas. É cambiar realmente as próprias reações.

Porém, se não vemos que a vida exterior nos chega como meras impressões que nos obrigam incessantemente a reagir – de uma forma, digamos, mais ou menos estereotipada –, não veremos de onde começa o ponto que realmente possibilite o câmbio, e de onde é possível trabalhar.

As reações, que formam nossa vida pessoal, são quase todas de tipo negativo. Então, também nossa vida será negativa, não será mais que uma série sucessiva de reações negativas, que se dão como resposta incessante às impressões que chegam à mente.

Logo, nossa tarefa consiste em transformar as impressões da vida, de modo que não provoquem esse tipo de reações negativas a que estamos tão acostumados.

Porém, para consegui-lo, é necessário estarmos nos AUTO-OBSERVANDO de instante em instante, de momento em momento. Assim, as impressões não chegam de um modo mecânico, e isso equivale a começar a viver mais conscientemente.

Um indivíduo pode permitir, dar-se ao luxo, de que as impressões lhe cheguem mecanicamente, porém se não se comete semelhante erro, se transforma suas impressões, então começa a viver conscientemente. Por isso se diz que este é o Primeiro Choque Consciente.

O Primeiro Choque Consciente radica, precisamente, na transformação das impressões que chegam à mente. Se se consegue transformar as impressões que chegam À mente, no próprio momento de sua entrada, sempre se pode trabalhar no resultado das mesmas. Está claro que ao transformá-las, evitamos que produzam seus efeitos mecânicos que sempre resultam ser desastrosos no interior de nossa psique.

Um estado de consciência de si mesmo nos levará, naturalmente, ao terreno vivente da transformação das impressões

Isso exige um sentimento definido, uma vibração definida do trabalho, uma valorização do ensinamento, o que significa que este trabalho esotérico deve ser levado até o ponto, por assim dizer, por onde entram as impressões, e desde onde são distribuídas – mecanicamente – a seu lugar de costume (pela personalidade), para evocar as antigas reações.

Quero que vocês vão entendendo um pouco mais. Vou tratar, digamos, de simplificar, a fim de que vocês possam entender. Porei um exemplo: se jogamos uma pedra a um lago cristalino, no lago vemos que se produzem impressões, e é a resposta às impressões dadas pela pedra (são as reações).

Estas se manifestam em ondas que vão desde o centro até a periferia, não é verdade? Bem, agora levem vocês, meus queridos irmãos gnósticos, este exemplo à mente. Imaginem-se, por um momento, como um lago. De pronto, aparece a imagem de uma pessoa e então a mente reage – as impressões são as que produzem a imagem que chega à mente; as reações são a resposta a tais impressões.

Se vocês jogam uma bola contra um muro, o muro recebe a impressão e vem a reação, que consiste em que, inconscientemente, a bola regressa a quem a enviou. Bem, pode ser que não chegue diretamente, porém de qualquer maneira a bola rebate e isso é reação, correto?

Bem, há impressões que não são muito agradáveis. Por exemplo, as palavras de um insultador não são, por certo, muito boas que se diga, não? Claro que poderíamos, digamos, transformar essas palavras do insultador.

Porém, sim, as palavras são como são, e então o que poderíamos fazer? Transformar as impressões que tais palavras nos produzem? Sim, isso é possível, e o ensinamento gnóstico nos ensina a cristalizar a Segunda Força (ou seja, o Cristo em nós), mediante um postulado que diz:

“Há que se receber com agrado as manifestações desagradáveis de nossos semelhantes.”

Eis aqui, pois, o modo de transformar as impressões que produzem em nós as palavras de um insultador: “Receber com agrado as manifestações desagradáveis de nossos semelhantes”.

Este postulado nos levará, naturalmente, à cristalização da Segunda Força (ou seja, o Cristo em nós), fará com que o Cristo venha a tomar forma em nós. É um postulado sublime, esotérico em 100%.

Agora, se do mundo físico não conhecemos senão as impressões, então o mundo físico propriamente não é tão externo como creem as pessoas. Como justa razão Immanuel Kant disse: “O exterior é o interior”. Então, pois, se o interior é o que conta, devemos transformar o interior: as impressões são interiores.

Assim, todos os objetos, as coisas, tudo o que vemos, existe em nosso interior na forma de impressões. Se, por exemplo, não transformamos as impressões, nada munda em nós. A luxúria, a cobiça, o ódio, o orgulho etc. existem na forma de impressões – dentro de nossa psique – e vibram incessantemente.

O resultado mecânico de tais impressões são todos esses elementos inumanos que levamos dentro e que normalmente os temos chamado de Eus (os eus, que em seu conjunto constituem-se no mim mesmo, no si mesmo, não é?).

Suponhamos que um indivíduo vê uma mulher provocativa e não transforma suas impressões. O resultado será que as mesmas – de tipo naturalmente luxurioso – exigem dele, pois, um desejo de possuí-la.

Tal desejo vem a ser o resultado mecânico da impressão recebida, e se plasma, vem a cristalizar, a tomar uma forma em nossa psique, converte-se em um agregado mais, ou sja, em um elemento inumano, em um novo eu de tipo luxurioso que vem a se agregar à soma já existente de elementos inumanos que, em sua totalidade constituem o Ego, o mim mesmo, o si mesmo.

Porém, vamos seguir refletindo: em nós existem a ira, a cobiça, a luxúria, a inveja, o orgulho, a preguiça e a gula: ira por quê? Porque muitas impressões chegaram a nós, a nosso interior, e nunca as transformamos.

O resultado mecânico de tais impressões, pois, foi a ira, foram os eus que ainda existem, que vivem em nossa psique, e que constantemente, pois, nos fazem sentir coragem.

A cobiça: indubitavelmente, muitas coisas despertaram em nós a cobiça; o dinheiro, as joias, as coisas materiais de todo tipo etc. Esses objetos chegaram a nós na forma de impressões.

Nós cometemos o erro de não haver transformado essas impressões, por exemplo, em outra coisas diferente: em uma admiração pela beleza, ou em altruísmo, ou em alegria pelo proprietário de tais ou quais coisas, enfim… e aí? Pois que tais impressões não transformadas, naturalmente, se converteram em eus de cobiça que agora carregamos em nosso interior.

No caso da luxúria, já disse que distintas formas de luxúria nos ferem na forma de impressões, e surgem, no interior de nossa mente, imagens digamos de tipo erótico, cuja reação foi a luxúria.

Como queira que então não transformamos essas ondas luxuriosas, essas vibrações luxuriosas, essas impressões, esse sentir luxurioso, esse erotismo malsão, ou não bem entendido – porque bem entendido, eu já disse que o erotismo é saudável –, naturalmente que o resultado não se faz esperar: foi completamente mecânico, nasceram novos eus dentro de nossa psique, de tipo mórbido, é claro.

Assim, hoje em dia nos cabe trabalhar sobre as impressões de ira, de luxúria, de inveja, de orgulho, de preguiças, de gula etc. (e outras tantas coisas). Também temos, dentro, os resultados mecânicos de tais impressões: feixes de eus briguentos e gritões que agora necessitamos compreender e E-LI-MI-NAR.

Todo o trabalho de nossa vida versa, pois, em saber transformar as impressões e também em saber eliminar, digamos, os resultados mecânicos das impressões não transformadas no passado.

As coisas, as pessoas, não são mais que impressões dentro de nós, dentro de nossa mente.
Se transformamos essas impressões, transforma-se a vida

O mundo exterior, propriamente, não existe; o que existe é o interno. As impressões são interiores e as reações – com tais impressões – são de tipo completamente interior. Quem poderoa dizer que está vendo uma árvore em si mesma? Não; estará vendo a “imagem da árvore”, porém não “a” árvore. A “coisa em si”, como dizia Immanuel Kant, ninguém a vê; vê-se a imagem da coisa, ou seja, surgem em nós as impressões sobre uma árvore, sobre uma coisa.

Estas são internas, são de dentro, são da mente. Se alguém, por exemplo, não faz uma modificação de suas próprias impressões internas, o resultado mecânico não se deixa esperar: é o “nascimento de novos eus” que vêm escravizar ainda mais nossa Essência, nossa Consciência; que vêm intensificar o sono em que vivemos.

Quando se compreende que realmente tudo o que existe dentro de si mesmo (com relação ao mundo físico), não são mais que impressões, compreende também a necessidade de transformar essas impressões, e ao fazê-lo, produz-se uma transformação total de si mesmo.

Não há coisa mais doa, por exemplo, do que a calúnia, ou as palavras de um insultador. Porém, se a pessoa for capaz de transformar as impressões que são produzidas em alguém tais palavras, estas ficam então como um cheque sem fundo.

Certamente, as palavras de um insultador não têm mais valor que o que lhe dá o insultado. Se o insultado não dá valor a essas palavras, as mesmas ficam se valor (repito: ainda que me seja cansativo, ficam como um cheque sem fundo).

Quando se compreende isso, transforma então as impressões de tais palavras, por exemplo, em algo distinto: em amor, em compaixão pelo insultador, e isso naturalmente significa TRANS-FOR-MA-ÇÃO.

Assim, então, necessitamos estar transformando incessantemente as impressões, não só as presentes, mas também as passadas. Dentro de nós existem muitas impressões – que cometemos o erro, no passado, de não haver transformado – e muitos resultados mecânicos das mesmas, que são os tais eus que agora há que se desintegrar, aniquilar, a fim de que a Consciência fique livre e desperta.

Quero que vocês reflitam profundamente no que estou dizendo: as coisas, as pessoas, não são mais que impressões dentro de vocês, dentro de sua mente. Se transformam essas impressões, transforma-se a vida de vocês.

Quando há, por exemplo, orgulho, isso tem por base a ignorância. De que se pode sentir orgulho uma pessoa? De sua posição social, de seu dinheiro ou do quê? Porém, se a pessoa, por exemplo, pensa que sua posição social é uma questão meramente mental, é uma série de impressões que chegaram à sua mente, impressões sobre seu estado social ou seu dinheiro.

Quando pensa que tal estado não é mais que uma questão mental, ou quando analisa a questão do dinheiro e se dá conta de que isso só existe na mente, na forma de impressões, as impressões que o dinheiro produz, é claro.

Se analisamos isso a fundo, se compreendemos realmente que o dinheiro e a posição social, e ademais não são mais que impressões internas da mente, pelo fato de compreeder que são somente impressões da mente, há transformação das mesmas. Então, o orgulho por si mesmo cai, se colapsa, e nasce de forma natural, em nós, a humildade.

Continuando com esses processos de transformação das impressões, direi algo mais. Por exemplo, a imagem de uma mulher luxuriosa chega à mente, surge na mente. Tal imagem é uma impressão, obviamente. Poderíamos transformar essa impressão luxuriosa mediante a compreensão. Bastaria com que pensássemos em que a citada imagem é perecível, em que essa beleza é, portanto, ilusória.

Se nos lembrarmos por alguns instantes de que essa mulher vai morrer e que seu corpo se tornará pó no cemitério; se com a imaginação víssemos seu corpo em estado de desintegração, dentro da sepultura, isso seria mais que suficiente como para transformar essa impressão luxuriosa em Castidade. Assim, transformando-a, não surgiriam na psique mais eus de luxúria. Então, convém que mediante a compreensão transformemos as impressões que surgem na mente.

Creio que os estimados irmãos estão compreendendo que o mundo exterior não é tão exterior como normalmente se crê. É interior, pois, tudo o que nos chega do mundo; não são mais que impressões internas. Ninguém poderia enfiar uma árvore dentro de sua mente, ou uma cadeira, uma casa, ou um palácio ou uma pedra.

Ali, tudo, em nossa mente, não é mais que impressão, e isso é tudo. Impressões de um mundo que chamamos “exterior”, porém, realmente não é tão exterior como se pensa. Convém, então, que todos nós transformemos as impressões mediante a compreensão.

Outro exemplo: se alguém nos adula. Como transformaríamos as Vaidade que tal adulador poderia provocar em nós? Obviamente, os louvores, as adulações, não são mais que impressões que chegam à mente, e esta reage na forma de vaidade, porém se se transformam tais impressões, a vaidade se faz impossível.

Como se transformariam, pois, as palavras de um adulador, essas impressões de louvores, de que forma? Mediante a Compreensão! Quando se compreende realmente que não se é mais que uma infinitesimal criatura em um rincão do universo, de fato transforma, pois, tais impressões de louvor, ou de lisonja, em algo distinto.

Converte tais impressões, digamos, no que são: pó, poeira cósmica, porque compreende sua própria posição.

Já sabemos que nosso planeta Terra é um grão de areia no espaço. Pensemos na galáxia em que vivemos, composta de bilhões de mundos… O que é a Terra? É uma mísera partícula de pó neste Infinito… E nós, somos o quê? Micro-organismos dentro dessa partícula… E aí? O que conseguiríamos com essas reflexões? MUDAR, é claro, e isso obviamente produziria uma transformação das impressões que se relacionam com a lisonja, com a adulação, com o louvor, e não reagiríamos, como resultado, na forma de orgulho, não é verdade?

Tanto mais refletimos nisso, veremos mais e mais a necessidade de uma transformação completa das impressões…

Tudo que vemos no externo é interior!

Logo, se não trabalhamos sobre o interior, iremos pelo caminho do erro, porque não modificaríamos então nossa vida. Se quisermos ser distintos, necessitamos nos transformar integralmente, e se quisermos nos transformar, devemos começar por transformar as impressões.

AÍ ESTÁ A CHAVE PARA A TRANSMUTAÇÃO RADICAL DO INDIVÍDUO!

Na própria Transmutação Sexual há transformação das impressões. Transformando as impressões animais, bestiais, em elementos de devoção, então surge em nós a transformação sexual: a Transmutação.

Creio que vocês me compreenderam. Por hoje chegaremos até esta parte de nosso discurso.

Espero que os que leiam este texto tenham a amabilidade de analisá-lo, de compreendê-lo!!!

Samael Aun Weor, A Transformação das Impressões

28 Comments

  1. .Interecante outro dia tive essa palestra em uma instituicao chamada agac aqui em bh o interesante e que sempre que a vejo sinto que e diferente

  2. Marilaura Silva

    Boa noite
    Nossa eu não imaginava que a sensação de observar tudo a minha volta era tão importante e tão transformador. A alguns anos que eu passei a ver dessa forma o mundo no qual vivo e confesso que ainda tenho muito o que aprender com ele. nem imaginava a tradução de tudo isso, aos poucos vou entendendo este mundo… mas tão distante de tudo. Hoje me sinto mais confiável a tudo que me cerca… agora neste momento estou ouvindo musicoterapia e está me ajudando muito… um ar digamos de superioridade ehehehe antes de tudo isso, eu não dava a mínima as coisas que estavam a minha volta e minha ignorância me atrapalhava… entre erros e acertos, verdades e mentiras fui levando minha vida. Hoje eu sei o quanto é maravilhoso estar aqui, ainda que eu não saiba minha verdadeira missão neste mundo. No momento eu vivo e isto basta.

    1. Marilaura, o segredo não é somente observar o mundo ao seu redor com um olhar novo, não mecânico, mas acima de tudo “observar o observador”. Ou seja, também realizar a AUTO-OBSERVAÇÃO, sentir como se reage ante as circunstâncias, o que ocorre dentro de nós ante tais situações, pessoas, impressões, músicas, eventos, e inclusive agora agora, em que você está lendo este texto: como está seu estado de consciência? Você está acordado(a) agora? Consciente???

      1. Marilaura Silva

        realmente é impactante as reações que tenho em que tudo disse… no meu dia a dia também e não sei bem o que fazer daqui pra frente, já que isso faz pouco tempo que me sinto assim… e desde minha depressão que tive ano passado não me recuperei totalmente… apesar de buscar meios pra me curar, ainda tenho sensações desagradáveis de vez em quando e isso me incomoda e me impede de levar uma vida normal. Não sei quanto tempo vai durar esses sintomas, mas oro todas as noites e isso tem amenizado as dores psíquicas.

  3. olha, humildemente te digo, acho que sou ignorante demais para reverter o meu modo de pensar sobre tudo que aqui li, que “tudo que vejo é tudo impressão minha da minha mente !!!!Que maravilha saber disso , mas que tristeza não saber transmutar, enxergar essa realidade , a interior e mudar meus dias para uma liberdade maior e feliz…. quem sabe um dia….

  4. Uma das minhas missões profissionais é preparar psicologicamente atletas de alto rendimento para o combate esportivo. As minhas preleções são tão ou mais importantes que todo o processo de preparação física aplicada nos seus treinamentos. Eu acendo o estopim! Com o advento da gnosis na minha vida, eu aboli palavras como passar como um trator por cima dos adversários, por exemplo. Eu lhes digo “este é momento mágico, façam o seu desafio pessoal” e coisas assim. Não me ocorrem outras ideias nesses momentos.

  5. aqui é local de elogio, por isso minha voz é capaz de destoar no meio do aplauso e pareça até assobio, mas sei que o discursante não levará a mal, valem mais palavras sinceras que bajulações sem sentido.
    sendo assim, acho que o mestre samael devia numa próxima vinda ao tempo e á vida, dar um novo tom a seu dizcurso, o tornar tão sublime como o sentido sublime de suas palavras.
    claro que é minha impressão, mas acho que a linguagem do mestre samael devia ser mais refinada, num estilo mais brilhante, como o brilho do sentimento que queria transmitir.

    esta é a minha impressão, quem sabe precise ser trabalhada! e só então devesse ser dada. se a dei antes de seu tempo, cumprirei minha pena com valor, com o mesmo amor que a dei.

    1. sim, minha impressão não estava suficientemente trabalhada, foi dada antes do tempo, me redimirei com a obra de minha pena.
      só nossas obras têm nossa redenção. não o pedido de perdão.

      uma vez num caminho que fiz há muito tempo, alguém me disse que todo o bem que fizer e todo o mal que me causarem que sejam para remissão de minhas faltas.
      por esta falta aqui cometida farei de novo um caminho, se for preciso para unir dois reinos de diferentes planos.

  6. mario mendonça fernandes

    Estou feliz pela conferencia dada parabens pelo o vosso trabalho

  7. Olá, especificamente temos que mudar as nossas impressões por que elas de determinam nossos pensamentos e por isso devemos começando a mudar o íntimo, não?
    Entretanto, mesmo não sendo muito sobre o tema. Penso que em uma campo de batalha, de guerra, seu eu ficar parado pregando sobre o amor alguém pode vim e ceifar minha cabeça e então logo acredito que se estou em guerra tenho que lutar. Isso significa que quando estou num ambiente cheio de tenebrosos fica praticamente impossível não usar a minha espada para destruí-los. Tem alguma saída para que não seja tão deturbado por esses. Pois já li que quando você tem energias muito boas em lugares muito densos causa uma deturbação negativa. Muito obrigado.

  8. Quais são os outros choques conscientes e como usá-los para a transformação interior?
    Existem textos sobre isso?
    Onde encontro?
    Grata!

    1. Os choques conscientes são nada menos nada mais do que o estudo e a prática cada vez mais aprofundada dos 3 FATORES DE REVOLUÇÃO DA CONSCIÊNCIA…
      A eliminação do Ego desperta mais e mais nossa Essência, que é o autêntico elemento de ligação com o nosso Ser Divino…

  9. Ainda nao cheguei a este estudo que comentarei mas ao ler este texto compreendi tbm da importancia de recordar vidas passadas,para que se torne mais facil a disseminaçao das impressoes que sao reflexo das nossas atitudes vividas é isso?

  10. buscadora aprendiz

    Adorei este texto! Realmente, conhece-se a árvore por seus frutos! Foi de grande ajuda, eu já não sabia mais como me defender das impressões negativas veiculadas pela mídia, embora, por ter lido antes outros textos do Mestre, tivesse uma noção de que não deveria me identificar com as situações… tb tenho observado algo interessante: é difícil eu nutrir raiva por uma pessoa, porque compreendo seu comportamento… não tinha consciência disso, tb não sei bem de onde vem o material p/ isto… é como se eu me pusesse instantaneamente no lugar da pessoa, através de alguma analogia subjetiva… bem! claro que nem sempre, devido a meu imenso ego… que será pó!

  11. Rudinei Cesar

    Olá pessoal.
    muitos textos esotéricos falam sobre a musica de Mozart, Beethoven, Wagner e quem os mesmos foram grandes iniciados. No entanto quem conhece Bach sabe que sua música é profundamente religiosa e talvez a mais tocante ao coração. Ainda assim, nunca ouvi nenhum menção sobre o mesmo quanto esoterista, e, pessoalmente, acredito que ele foi muito mais do que um grande devoto e religioso. Se puderem auxiliar com qualquer informação agradecerei.
    Rudinei.

    1. Lembre-se das perseguições políticas e religiosas do passado, aliás, até um passado recente.
      Sabe-se que esses Iniciados foram conhecedores da Magnus Opus por sua Obra, e somente Iniciados conhecem outros Iniciados.
      O GnosisOnline tem como uma de suas finalidades, entre outras, fazer o público em geral saber quem ensinou a Doutrina Iniciática e quem não. Esses compositores que você citou foram profundos investigadores do Esoterismo e do Autoconhecimento, e ajudaram a difundi-los por meio do Raio da Arte.
      Beethoven é um Anjo da Música, Mozart um Iniciado maçom, Wagner um difusor da Senda da Iniciação e um grande vidente, e Bach foi um Querubim encarnado…

      1. Rudinei Cesar

        Obrigado.

  12. roseli esse texto do mestre samael se encontra no livro A DIALETICA DA RAZAO OBJETIVA

    1. Poxa, mt obrigada.

  13. Por favor, gostaria de saber em qual livro do mestre está esse texto. Obrigada!

    1. Isso é parte das centenas de conferências pronunciadas pelo Mestre Samael. Não é parte de um livro específico.

      1. Entendi, obrigada!

  14. Muito bom, ótima pêrola para a mudança radical do si mesmo.
    quem é o autor?

  15. Obrigada pelo texto, enendi então que todas as impressões internas que possa ter sobre o mundo que vivo, essas com as quais eu me identificar, fazem ou fizeram parte da minha experiência de vida? ou seja so identifico algo que fez parte da minha vida?

    1. Sim, Deise, isso mesmo, são a fonte de sua experiência de vida.
      Sabendo disso, agora você pode tomar domínio de suas experiências de vida, para que elas tenham um sabor, digamos, mais espiritual, mais superior, e não que entrem em sua psique de forma passiva, sem o “aval” de sua Consciência.

  16. Realmente, meus parabéns por esse ótimo texto!

Comments are closed.

Confira também

Cagliostro

“Não venho de nenhum lugar, e não pertenço