sábado, setembro 18, 2021

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    bruno_cardoso
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    (Retirado de um site budista)

    Samaya, o Truque de Não Ter Opção

    Os ensinamentos buddhistas são dirigidos às pessoas que não têm muito tempo a perder. Isso inclui todos nós, quer saibamos disso ou não. Do ponto de vista dos ensinamentos, achar que ainda temos muito tempo e que podemos deixar essas coisas para depois constitui o maior dos mitos, a grande loucura e o pior veneno. Isso, juntamente com nossa contínua e arraigada tendência para tentar escapar daquilo que estamos fazendo, obscurece nossas percepções e pensamentos. Se soubéssemos que vamos ficar cegos hoje à noite, olharíamos com saudade, olharíamos realmente, pela última vez, para cada folhinha de grama, cada nuvem, cada grão de pó, cada arco-íris ou gota de chuva — para tudo. Se soubéssemos que vamos ficar surdos amanhã, valorizaríamos cada um dos sons que ouvimos. Os ensinamentos Vajrayana tentam nos assustar, fazendo com que despertemos para o fato de que o tempo é muito escasso e o nascimento humano, muito precioso.

    No Vajrayana, existe algo chamado de vínculo samaya, por meio do qual a totalidade da experiência do aluno está ligada ao caminho. Em um determinado momento após muito questionamento racional, o aluno pode finalmente sentir-se pronto para iniciar um relacionamento desse tipo com seu mestre. Se o aluno aceita completamente seu mestre e confia nele, e se o mestre o aceita, eles podem iniciar um relacionamento incondicional denominado samaya. O mestre nunca desistirá do aluno, independente de quanto este esteja confuso, e o aluno também nunca deixará o mestre, não importa o que aconteça.

    Aluno e mestre estão atados. É como se fizessem um pacto de alcançar a iluminação juntos. Outra definição é “juramento sagrado”, ou “compromisso sagrado”. Isso, entretanto, não tem nada a ver com “santo”. Esse é um compromisso com a sanidade — com a sanidade indestrutível. Samaya assemelha-se a um casamento com a realidade, com o mundo fenomenal. Mas esse é um truque. Esse casamento é um pouco como estar com amnésia. Achamos que decidimos casar com esse companheiro por nossa livre e espontânea vontade. Entretanto, embora não saibamos, já somos casados com ele.

    Samaya é um truque porque pensamos ter a escolha de assumir ou não o compromisso com a sanidade, mas o fato é que nunca tivemos essa escolha. Esse é um truque compassivo que nos ajuda a perceber que, na verdade, não existe saída. Não há momento melhor que exatamente agora, não há estado de consciência mais elevado que o atual. Esse é o tipo de estratagema que os mestres Vajrayana idealizam em suas horas de folga para sua completa, total e ilimitada diversão: “Como pregar uma peça nesses seres confusos, perplexos e rebeldes para que percebam que já estão despertos — e que não depende de escolha?”

    Do ponto de vista do samaya, poderíamos dizer que procurar alternativas é a única coisa que nos impede de perceber que já estamos em mundo sagrado. Procurar alternativas — uma visão melhor do que a que estamos tentando, sons melhores do que os que estamos ouvindo, uma mente melhor do que a nossa — impede-nos de compreender que podemos estar orgulhosamente no centro da nossa vida e percebê-la como uma mandala sagrada. Temos uma tendência muito arraigada a nos debatermos para escapar, como um besouro preso em um alfinete: nós nos contorcemos e tentamos fugir de estar exatamente onde estamos.

    No buddhismo Vajrayana existem descrições de muitos samayas diferentes, mas todos relacionam-se com perceber que já estamos atados à realidade. Todos eles nos induzem a essa situação sem escolha. Ficamos aqui, mesmo quando cada célula de nosso ser deseja fugir na direção oposta. Não há outra forma de entrar no mundo sagrado. Precisamos parar de pensar que podemos sair e ter sossego em outro lugar. Em vez disso, poderíamos apenas relaxar — relaxar qualquer que seja a situação: na exaustão, indigestão, insônia, irritação ou prazer.

    Os samayas mais importantes são os do corpo, fala e mente. O primeiro relaciona-se com estar ligado ao corpo à, forma, àquilo que percebemos com a visão — ficar com isso e nunca desistir do que vemos com nossos próprios olhos. Diz-se que os samayas do corpo, fala e mente são tão contínuos quanto um rio que corre. Essa não é nossa experiência habitual. Normalmente fuçamos apreensivos bem no momento em que nossa percepção começa a se tornar vívida. O mundo está sempre se expondo, acenando e piscando, mas estamos tão envolvidos conosco mesmos que não o percebemos. Na experiência de ficar e não desistir, o mundo todo, tudo aquilo que vemos, torna-se extremamente vívido, mais sólido e, ao mesmo tempo, menos substancial e mais transparente. Não estamos falando de ver algo além da pessoa que está sentada diante de nós: vemos como seu cabelo está preso no alto ou como cai sobre os ombros, se está sujo ou limpo, escovado ou emaranhado. Vemos um pássaro preto, pousado em um galho, com um graveto no bico. As coisas que vemos o tempo todo podem nos arremessar para fora do doloroso ciclo do samsara.

    Quando ficamos com a experiência, ela se torna mais intensa e transparente, e não conseguimos mais deixar de receber a mensagem. Essa mensagem nunca é interpretada. As coisas falam por si mesmas. A almofada vermelha não representa paixão, o ratinho correndo para cá e para lá não representa nossa mente discursiva. São apenas uma almofada vermelha e um ratinho espiando por trás de nossa cadeira.

    O mesmo acontece com o som, o som corriqueiro — com tudo que ouvimos, desde o despertador que nos acorda pela manhã, até o barulho que nosso companheiro faz, roncando ao nosso lado à noite. Todos sabemos como são os sons que nos interrompem ou sobressaltam, ma qual é o som de sua caneta enquanto você escreve em seu caderno? Ou quando vira as páginas deste livro? E quanto à sua própria voz? É interessante ouvir a própria voz, pois ela parece ser de outra pessoa. Ouvimos o que dizemos, perceber como isso atinge o ambiente, como se comunica, também tem o poder de nos arrancar do entorpecimento do samsara. Mesmo quando estamos sozinhos, nossos bocejos e gases estabelecem uma comunicação. Portanto, os sons corriqueiros — sussurrar, arranhar, rir baixinho, mastigar, engolir — podem nos despertar. Na noção de samaya, os sons tornam-se intensos e transparentes quando não evitamos nossa experiência pessoal — quando não achamos que existe um som melhor, mais inspirador, menos irritante ou menos perturbador.

    O mesmo acontece com a mente. À medida que praticamos, percebemos que os pensamentos não se vão, mas tornam-se mais precisos e menos substanciais. No nível da mente, quebramos o samaya quando julgamos algo “certo” ou “errado”. Achamos que temos de fazer uma escolha, encontrar alguma alternativa a simplesmente estar ali, sem solucionar nada, sem resolver coisa alguma. Poderíamos dizer que, no nível da mente, quebrar o samaya é sentir que precisamos resolver o problema — sentir que há uma solução ou mesmo que existe um problema. Isso nos dá uma idéia do quanto é difícil manter o samaya.

    Diz-se, tradicionalmente, que conservar o vínculo samaya é como manter um espelho bem polido: assim que ele acaba de ser limpo, o pó já começa a se acumular. O vínculo samaya baseia-se na experiência e pode ser quebrado por um momento de distração. No entanto, sempre podemos reata-lo imediatamente, seguindo a bem conhecida instrução de apenas voltar exatamente ao momento presente.

    A Sadhana de Mahamudra de Trungpa Rinpoche descreve uma bela maneira o samaya do corpo, fala e mente: “Tudo aquilo que é visto com os olhos é vividamente irreal no vazio, embora ainda haja a forma”. Ela continua, dizendo que o que vemos não é nada além da aparência de nosso mestre. “Tudo o que ouvimos com os ouvidos são ecos do vazio, embora reais.” E esses sons comuns, cotidianos, são a expressão do som de nosso mestre. Todos os nossos pensamentos e lembranças, “bons ou maus, felizes e tristes”, todos eles, “dissolvem-se no vazio como o rastro de um pássaro no céu”. Todos esses pensamentos que surgem constantemente são a mente de nosso mestre. Nesse ponto, começamos a compreender que nosso mestre não está separado de nossa própria experiência. Percebemos que não há outra alternativa além da experiência que temos. Ela é a única que existe e nosso maior mestre.

    De acordo com uma famosa citação, o estudante do buddhismo Vajrayana deveria estar sempre em estado de pânico. Estamos muito pouco acostumados a assumir um compromisso tão total quanto o de estar desperto e isso nos deixa nervosos. Uma vez, passei horas e horas em uma determinada prática e fiquei tão agitada que mal conseguia sentar. Mais tarde, contei a Rinpoche que estava irritada com tudo, até com os grãos de poeira. Ele me disse que prática exigia sanidade e que ainda não estava acostumada com isso.

    No caso de samaya, quando falamos de comprometimento, estamos nos referindo a um compromisso total: com a sanidade, com nossa experiência, com uma relação incondicional com a realidade. As pessoas sempre dizem que é isso que desejam: querer amar e ser amadas incondicionalmente. Achamos que seria ótimo ser um relacionamento desse tipo, mas apenas se pudermos estabelecer nossas próprias regras. Qualquer um que já tenha sido casado ou que tenha vivido um longo relacionamento sabe quantos desafios se apresentam. Somos desafiados a ceder, a abandonar nossa própria maneira de agir e anão procurar a separação quando nos sentimos ameaçados. Basicamente, somos desafiados a ser autênticos — sentir o coração batendo forte, os joelhos tremendo ou qualquer outra reação e permanecer ali. Em resumo, poucos de nós se permitem estar em uma situação que não tenha pelo menos uma minúscula saída, um lugar para onde fugir se houver necessidade.

    Na década de 60, no Novo México, eu costumava freqüentar uma espécie de ritual indígena. Insistia em sentar perto da porta porque, se estivesse em qualquer outro lugar, não conseguiria sair. O lugar ficava cada vez mais quente, cheio de vapor, e eu me sentia à beira da morte. Mas se estivesse sentada perto da porta, sabendo que poderia sair, conseguia passa por isso. É claro que, se estivesse sentada longe da porta, também teria de passar por isso, mas me sentia tão descontrolada, o tempo todo, que não via mais graça em nada. Bem, com samaya, não sentamos perto da porta. É esse o grande truque. É a única maneira de finalmente viver nossa própria experiência, a única entrada para o sagrado auto-existente do mundo.

    Trilhamos um caminho, antes de nos sentirmos prontos pra esse tipo de exigência. Começamos com nossa confusão e rebeldia, e deixamos que a meditação e os ensinamentos nos abrandem. Acolhemos o que ouvimos com seriedade e fazemos o possível para colocar tudo em prática na nossa vida cotidiana. Esse esforço sincero vai nos acalmando. Não nos tornamos perfeitos de uma hora para outra, nem conseguimos, de repente, sentar longe da porta. Após anos e anos de treinamento honesto e suave, de questionamento inteligente, começamos a confiar na mente básica de sabedoria. Descobrimos que, essencialmente, somos sábios e temos bom coração, e que isso é mais forte e fundamental que nossa dureza e agressividade. À medida que praticamos meditação, revelamos essa sabedoria. É como perceber que céu e o sol estão sempre ali – são as tempestades e nuvens que vêm e vão. De algum modo, sentir que estamos prontos para não ter saída simplesmente acontece por si mesmo.

    O mais famoso aluno de Naropa foi um tibetano denominado Marpa, o Tradutor. Em uma de suas viagens à Índia, Marpa juntou o ouro tradicionalmente dado ao mestre. Não que ele fosse exatamente covarde ou avarento, era até um sujeito muito corajoso e determinado. Quando seus amigos e parentes tentaram conseguir alguém que o acompanhasse em sua viagem do Tibet até a Índia ele recusou, mesmo não estando bem de saúde e tendo mais de 50 anos.

    Com a história que Marpa deu o último presente em ouro para seu mestre Naropa, mas reservou um pouco para si mesmo — exatamente como sempre fazemos. Havia uma explicação razoável para isso: ele tinha que voltar para casa e precisava de um pouco de ouro — apenas um pouquinho — para essa viagem. Naropa, entretanto, disse: “Você pensa que pode me comprar com sua trapaça?” Marpa, então, deu-lhe tudo que tinha. Naropa jogou o ouro par ao alto e acrescentou: “O mundo todo é ouro mim.” Nesse momento, Marpa compreendeu a natureza da realidade mais intensamente do que jamais havia conseguido.

    Não experimentamos o mundo plenamente até estarmos dispostos a dar tudo que temos. Samaya significa não reservar nada, não preparar uma rota de fuga, não procurar alternativas, não achar que ainda temos muito tempo e que podemos deixar essas coisas para depois.

    Em certo sentido, o relacionamento samaya como um todo — quer seja com o mundo fenomenal como mestre absoluto, ou com uma pessoa — acaba por nos suavizar. Não conseguimos mais nos enganar, deixamos de ser surdos, mudos e cegos, e sempre recebemos a mensagem. A relação samaya com um mestre Vajrayana destina-se a nos ajudar: com ela, percebemos que, se conseguirmos ter um relacionamento incondicional com pelo menos uma pessoa, poderemos ter uma relação semelhante com o mundo. Até esse ponto, achamos que podemos sair, que podemos nos debater. Entretanto, nesse relacionamento específico, assumimos o compromisso de ficar, não importa o que aconteça.

    O mais importante aluno de Marpa foi Milarepa e, no início, esse relacionamento foi muito difícil. Milarepa não tinha dúvida de que Marpa era seu mestre e podia conduzi-lo até a iluminação. Por isso, disse a ele: “Eu me comprometo com você totalmente, com meu corpo, fala e mente. Por favor, ajude-me a compreender minha verdadeira natureza.” Então, começaram os desafios. Milarepa havia acumulado um pesado karma, principalmente porque havia matado muitas pessoas e causado enorme dor. Para livrar-se desse fardo, precisava ser submetido a muitas provas. Marpa o mantinha construindo torres e, quando estavam quase prontas, gritava para que Milarepa as derrubasse. Eu seus primeiros anos ali, ele sofreu muito. Não recebia ensinamentos, era insultado continuamente, e construiu torres até que suas costas e mãos estivessem de feridas. Apesar disso, nunca duvidou das razões de Marpa e, na verdade, embora raramente o desmoronasse, este o amava de todo coração e queria apenas que Milarepa despertasse plenamente. Sempre que Milarepa se rendia diante da situação, sempre que desistia de seu ressentimento, depressão e orgulho, estava abandonando seu velho fardo habitual. Em determinado momento, havia sido tão despojado que não tinha mais nada a perder. Então, Marpa começou a dar-lhe os ensinamentos e esse relacionamento entrou em uma nova fase, de ternura e cordialidade.

    Esse, entretanto, é um processo. No início, nosso hábito de fugir está muito arraigado e, portanto, apenas fazemos tentativas de compromisso ao praticar meditação. No começo, as instruções de meditação são tudo o que temos para evitar que nos dissociemos de nosso corpo, fala e mente. Ano após ano, apenas continuamos a praticar, voltando sempre à nossa própria experiência de estar no momento presente.

    Estabelecer o vínculo formal de samaya e assumir um relacionamento incondicional com um mestre é como colocar a cabeça na boca do crocodilo. Precisamos de muito tempo para decidir se confiamos nesse crocodilo o bastante para ficar ao lado dele, não importa o que aconteça.

    Minha experiência pessoal com esse processo foi muito gradual. Quando encontrei Trungpa Rinpoche pela primeira vez, pensei: “Aqui está alguém que não posso enganar.” Por essa razão, mudei-me para o Colorado, onde poderia passar mais tempo com ele. Fiquei mais perto mas, definitivamente, não estava pronta para me render.

    Havia inteligência nisso: Rinpoche freqüentemente me assustava e me fazia sentir ultrajada. Eu não tinha certeza de que podia confiar nele e, acima de tudo, não sabia ao certo se o amava. Na verdade, lembro de um retiro no qual, o tempo todo, sempre que olhava para sua fotografia, chorava, porque não conseguia sentir o que eu julgava ser a devoção correta.
    Ao mesmo tempo, continuei me apaixonando. Ele era a única pessoa com quem podia falar sobre o que me fazia sentir bloqueada ou aberta. Era a única pessoa que podia cortar todas as minhas viagens. De vez em quando, de repente, ele falava comigo — talvez em um gripo, em uma reunião administrativa, mas sempre quando eu menos esperava. Fazia uma pergunta ou comentário e minha mente ficava totalmente paralisada.

    Muito tempo depois de tornar-me sua aluna, muito depois de começar a prática Vajrayana — bem depois da época em que os praticantes, normalmente, tomam o voto formal de samaya com seu mestre – finalmente senti que, sem nenhuma dúvida, podia confiar minha vida a ele. Não importa o que dissesse ou fizesse, ele era minha ligação com o mundo sagrado. Sem ele, não teria tido nenhuma indicação do que isso significa. À medida que seguia seus ensinamentos e despertava, percebi sua ilimitada bondade e experimentei a amplidão de sua mente. Nesse ponto, o único lugar em que eu queria estar era na boca do crocodilo.

    Quando digo que samaya é um truque, quero dizer que ele nos induz a perceber que nossa relação com o mundo fenomenal nunca nos ofereceu escolha. A escolha que pensamos ter chama-se ego. A alternativa que achamos que temos é o que nos impede de perceber que estamos no mundo sagrado. Ela é como uma venda, um tapador de ouvidos e de nariz. Estamos completamente condicionados a pular fora no momento em que as coisas apertam, ou mesmo quando apenas achamos que isso pode acontecer. O truque está em ficar na dificuldade e assumir um compromisso com essa experiência. Esse ainda é o ponto principal, com ou sem um vínculo samaya com o mestre.

    Afinal, com que nos comprometemos? Com não correr riscos e manipular nossa vida e o mundo, visando a obter segurança e confirmação? Ou nosso compromisso é com níveis cada vez mais profundos de maitri [bondade amorosa]? A pergunta sempre permanece: em que tomamos refúgio? Na ação, fala e mente pequenas e acomodadas? Ou na condição de guerreiro, no dar um salto, no ir além de nossas habituais zonas de segurança?

    (Chödrön, Pema. Quando tudo se desfaz: instruções para tempos difíceis.
    Traduzido por Helenice Gouvêa. Rio de Janeiro: Gryphus, 1999. Pág. 137-147

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