Início Site Página 45

Magia do açafrão

37

Crocus sativus

O açafrão é a planta do Apostolado.

As populações elementais do açafrão estão intimamente relacionadas com o Apostolado.

O apóstolo é um mártir da mente cósmica.

A mente do autêntico apóstolo está crucificada.

A mente do autêntico apóstolo está intimamente relacionada com o departamento elemental do açafrão.

A mente do Arhat está intimamente relacionada com o departamento elemental do açafrão.

acafrao1
Os pistilos da flor do açafrão são colhidos há milênios na Europa e no Oriente Médio para colorir certos alimentos, como a paella. São vendidos em supermercados. Deve-se orar aos Anjos do Açafrão e suplicar por um emprego satisfatório e digno. E ter um pouco desses pistilos em um pacotinho e guardá-los na carteira.

O apóstolo é um mártir.

Todo mundo se beneficia com as obras do apóstolo. Todos leem seus livros e pagam-lhe com a moeda da ingratidão porque de acordo com o conceito popular: o apóstolo não tem direito a saber.

Porém, todas as grandes obras do mundo são devidas aos apóstolos.

O açafrão está intimamente relacionado com os grandes apóstolos da arte: Beethoven, Mozart, Berlioz, Bach, Wagner etc.

Vênus, a estrela do amor, é o planeta do açafrão.

Todo apostolado está intimamente relacionado com a magia elemental do açafrão.

O apóstolo pende de uma corda muito amarga e no fundo está o abismo profundo.

O departamento elemental do açafrão está intimamente relacionado com o trabalho laborioso.

As abelhas e o açafrão recebem as energias cósmicas do planeta Vênus
As abelhas e o açafrão recebem as energias cósmicas do planeta Vênus

O trabalho de um apóstolo da Luz, o trabalho do homem que luta pelo pão de cada dia e o laborioso trabalho das minúsculas abelhas são imensamente sagrados e estão intimamente relacionados com o departamento elemental do açafrão.

Nenhuma forma de trabalho honrado, por humilde que seja, poder ser desprezada porque o trabalho, em todas as suas formas, está intimamente relacionado com as suas hierarquias cósmicas desse departamento elemental.

Todo detalhe, todo acidente de trabalho, por mais insignificante que pareça, reveste-se de gigantescas proporções dentro da atividade da vida evolutiva.

Uma insignificante abelha que cai ferida, longe da sua colmeia, é um acontecimento, uma tragédia moral, um drama espantoso, para todas as abelhas da colmeia.

Esse acontecimento somente poderia ser comparado com outro semelhante, ocorrido com a espécie humana.

Uma família humana enche-se de profundo desespero quando um filho, um irmão ou um chefe de família não regressam à sua casa por causa de um acidente na fábrica, por ter sido atropelado por um automóvel etc.

Então, os parentes, desesperados pela dor, tratarão de remediar a sua situação até conseguir a volta do ente querido à sua casa.

A mesma coisa acontece com a insignificante abelha, a mesma tragédia… O mesmo drama doloroso.

A abelha é pequena para nós. Vemo-la minúscula, mas entre si, elas se veem da mesma forma com que uma pessoa vê a outra. Não se veem minúsculas ou se sentem pequenas.

A mente do Arhat deve compreender a fundo todas as íntimas atividades relacionadas com o departamento elemental do açafrão.

Em todo trabalho, por minúsculo que seja, há alegrias e tristezas, há tragédias morais profundas que devem nos convidar a compreender a sublime grandeza do trabalho, tanto na espécie humana, no insignificante inseto, como no apóstolo que trabalha em beneficio da humanidade.

Os elementais do açafrão têm bonitas túnicas de cor rosa-pálido.

O açafrão e as abelhas simbolizam o trabalho e ambos são governados pelo planeta Vênus.

Magia Elemental do Açafrão CLIQUE AQUI

O Eterno Feminino e o Cristo Nosso Senhor

2

Antes de tudo, faz-se necessário falar um pouco sobre o Eterno Feminino e dissertar a respeito do Cristo Nosso Senhor. Espero que todos prestem o máximo de atenção.

Certamente, Deus Mãe é o fundamento desta grande Criação. Precisamos nos identificar cada vez mais e mais com o Eterno Feminino. Devemos ver em cada mulher a representação viva desse Eterno Feminino. Obviamente, a mulher nasce com uma santa predestinação, que é a de ser mãe.

Até uma menina é uma representação do Eterno feminino; qualquer moça é uma mãe em potencial.

Se nos lembrarmos daquela mulher que nos embalou no berço e que nos alimentou com seus pesados peitos quando éramos crianças, veremos nela um poema vivo, muito íntimo, natural e profundo, de uma simplicidade extraordinária e de uma grandeza que sempre passa despercebida para todos esses humanoides que têm a Consciência adormecida.

Quero que todos façam consciência do que é esse verso vivo, do que é essa melodia inefável do princípio feminino eterno. A Grande Mãe é demasiado compassiva quando nos brinda com esse verso, sem que o mereçamos, depois de termos sido perversos, depois de que nos arrastamos pelo lodo da terra de existência em existência.

Morremos e depois retornamos, para sermos embalados em um berço sem o merecermos, para sermos amados por alguém que só vê em nós uma esperança, para sermos conduzidos por essa que é todo amor. Parece paradoxal e não teria explicação se não existisse o unimisericordioso e eterno Pai Cósmico Comum, Aelohim, como diziam os antigos.

Se retrocedermos um pouquinho mais no curso dos anos, conseguiremos, mediante o despertar, nos lembrar da mãezinha que tivemos em nossa passada existência.

Nos veremos outra vez em um berço, aos nossos ouvidos chegam os arrulhos daquela que tem a esperança posta em nós, nos veremos dando os primeiros passos, levados por seus braços… Se continuarmos com o exercício retrospectivo, retornaremos não só à existência passada, mas à anterior, e novamente nos encontraremos com um desses poemas, com uma infância nos embalos de um berço. Assim, continuando de forma retrospectiva, para trás, de século em século, de idade em idade, poderemos sempre sentir os mesmos embalos e os mesmos arrulhos do Eterno Feminino, sempre nos amando, levando-nos em seus braços, alimentando-nos com seus seios e mimando-nos.

Todas essas mãezinhas que tivemos através dos inumeráveis nascimentos, pode parecer que estão definitivamente perdidas no tempo, mas, em verdade, todas elas são a viva expressão da Grande Mãe Cósmica. Nos olhos de nossa Devi Kundalini Shakti, nossa Mãe Cósmica particular e individual, vemos o brilho de todos os olhos das inumeráveis mãezinhas que no passado tivemos.

Nela, nossa Divina Mãe Kundalini, nela, nossa Ísis particular, estão representadas todas as nossas mãezinhas que nos amaram através dos incontáveis séculos. Por isso, devemos amar de verdade nossa Mãe Cósmica, vívida representação do Eterno Feminino.

Todas as mãezinhas que velaram por nós através do curso da história, todas as que nos embalaram, todas as que nos alimentaram, no fundo são uma só e única: “Ela”, Ísis, a quem nenhum mortal levantou o véu, Neith, a bendita Deusa Mãe do Mundo.

Se pensamos nesse Eterno Feminino, Deus Mãe, veremos que nossa Devi Kundalini particular é um raio dessa bendita Deusa Mãe do Mundo. Assim, o Eterno Feminino que velou por nós através de tantos séculos, que nos embalou em tantos berços, é Ela, a nossa Divina Mãe. Nela estão personificadas todas as mãezinhas do mundo, todas as que tivemos através das diversas idades…

horus jesus

Felizmente, não as perdemos, ficaram em nossa Divina Mãe.

Se as pessoas tivessem a consciência desperta, saberiam valorizar melhor esse ser que é a mãe, mas as pessoas têm a consciência adormecida, e por isso são incapazes de valorizar realmente essa criatura que é a mãe.

É preciso que nos tornemos cada vez mais conscientes do que é o Eterno Feminino. Não merecemos o que nos foi dado; depois de termos sido uns velhacos, uns perversos, nos encontramos em um berço e com uma doce mãezinha que nos embala em seus braços. Parece paradoxal, e volto a dizer, se não fosse pela misericórdia d’Aquele que não tem nome, isso seria inexplicável.

Infelizmente, quando crescemos, o Ego se manifesta. Nos primeiros anos, é a Essência que se manifesta na criatura, por isso a criança é tão bela. À medida que vamos crescendo, a personalidade se desenvolve e o Ego vai se expressando lentamente, até que um dia definitivamente entra em ação.

Então, nos tornamos diferentes. Os belos pensamentos, aqueles que tínhamos na infância, são esquecidos e perdidos. Aquele encanto dos nossos primeiros passos fica relegado ao esquecimento, as nobres intenções que tínhamos quando éramos crianças são pisoteadas e delas não ficam nem lembranças.

osiris-jesus

Ao redor da Essência, o Ego se fortifica. A personalidade se reforça, adquire certos modos, preconceitos, etc. Obviamente, a Essência fica arquivada, lá no fundo mais profundo da psique, relegada ao mais completo esquecimento. Por fim, a personalidade, com todos os seus preconceitos, e o Ego, manifestam-se através da mente, substituindo a Essência.

Onde estão aquelas nobres intenções, aquelas intenções que tínhamos quando éramos pequenos?

Não queremos dar-nos conta de que já fomos crianças, nos esquecemos disso. Jesus, o Grande Cabir, disse: “Até que não sejais como crianças, não podereis entrar no Reino dos Céus”.

Existe uma coisa que nos impede de ser crianças, é este Ego que temos, feixe de recordações, paixões, temores, ódios, rancores, luxúria etc. Se queremos a verdadeira felicidade, não nos resta outro remédio que recordar aquelas belas intenções que tínhamos quando éramos pequenos, antes que o Ego tivesse a oportunidade de se manifestar, antes que a personalidade se tivesse formado, quando ainda dávamos os primeiros passos…

Foi quando nos propusemos belas resoluções, certas resoluções que mais tarde esquecemos. Foram esquecidas quando a personalidade se formou definitivamente. Foram esquecidas quando o Ego entrou em ação. Então, nos tornamos outros e sentimos satisfação em termos nos tornado outros. Lançamos ao esquecimento a simplicidade da inocência e, ofuscados e enganados, ofuscados e alucinados, crescemos.

Esta condição que temos de adultos complicados e difíceis é superior à inocência que um dia tivemos?

Faz-se necessário, meus caros irmãos, compreendermos a necessidade de voltarmos ao ponto de partida original, de reconquistar a infância, na mente e no coração. Para tanto, só há um caminho: apelar a nossa Divina Mãe Kundalini, saber amar realmente a nossa Divina Mãe Kundalini, compreendê-la.

De que forma poderíamos nos aproximar de nossa Divina Mãe?

Antes de tudo, queridos irmãos, aprendendo a amar a nossa mãe terrena, como ponto de partida, já que ela é a viva manifestação do Eterno Feminino, aprendendo a amar todas as mãezinhas do mundo. E quanto a nós, os homens, aprendendo a ver em cada mulher uma mãe, a ver nelas a viva representação do Eterno Feminino, porque se vemos uma mulher e a primeira coisa que chega à nossa mente é a luxúria, pensamentos doentios, estamos insultando o Eterno Feminino, estamos pisoteando em nossa Divina Mãe, estamos envergonhando aquela que é todo amor. Há um ditado espanhol que diz: obras são amores e não boas razões.

De que serve que amemos nossa mãe se não o demonstramos com fatos? De que serve dizermos que amamos o Eterno Feminino, a tal ou qual criatura, se a primeira coisa que chega à nossa mente são pensamentos mórbidos e de luxúria? Onde está o amor ao Eterno Feminino, à Divina Mãe? Insultando-a dessa forma, pisoteando-a?

Reflitamos, meus caros irmãos, reflitamos… Façamo-nos dignos, se é que queremos, realmente e de verdade, caminhar com Devi Kundalini Shakti. Então nossos corações, inflamados pelo amor, se aproximarão d’Ela e Ela de nós.

Ninguém conseguiria eliminar os elementos inumanos que possui sem a ajuda dela. Assim como ela nos limpou quando éramos crianças e nos banhou, assim como ela nos alimentou, assim também a Divina Mãe elimina todas essas sujeiras que carregamos, todos esses espectros abomináveis que em conjunto constituem o Ego, o mim mesmo, o si mesmo.

Vocês acham que esta época atual é mais bela que a da sua infância? Estão equivocados, porque até que não reconquistem a infância perdida na mente e no coração, não poderão de modo algum conseguir a liberação final.

Uma das provas pelas quais todo o principiante passa neste caminho é a do Fogo. Quando sai vitorioso dessa prova, obviamente entra no Salão dos Meninos. Assim se chama um templo muito especial onde se é recebido, sob a condição de haver triunfado. Então, os Adeptos da Fraternidade Branca, os Mestres do Colégio de Iniciados da Branca Irmandade, todos com a aparência de crianças, nos dão as boas-vindas. E quando os saudamos, “que a Paz seja convosco”, ou “Paz Inverencial”, a resposta é “E com vosso Espírito também!”

Por que eles têm que nos dar as boas vindas na forma de crianças, quando saímos vitoriosos da prova do Fogo? Obviamente, porque só com o Fogo podemos reconquistar a inocência. Por isso, é indispensável trabalhar com o Fogo Sagrado, com essa Flama Santa do amor, sabendo amar.

Ao falar do fogo, não é demais lembrar o Cristo Jesus em sua cruz. Ao pé dela está a Mãe; Ela não poderia faltar, impossível. E sobre a cruz, o INRI: “Ignis Natura Renovatur IntegraM”, “o Fogo renova incessantemente a Natureza”. Necessitamos encontrar o Grande Cabir dentro de nós.

Quando alguém lê as Epístolas do Apóstolo Paulo, pode verificar com surpresa que rara vez ele menciona o Grande Cabir Jesus, o Cristo histórico, mas sempre alude ao Cristo Íntimo.

light-of-christ

Obviamente, o nome Jesus vem da palavra hebraica Jeshua, que significa Salvador. É o Salvador que devemos buscar dentro de nós mesmos. Ele sempre vai nos braços de sua Mãe, é o menino Hórus (entre os egípcios) nos braços de Ísis.

É urgente saber, irmãos, que esse Jeshua vem nos braços de nossa Mãe Kundalini particular, que o Crestos Cósmico de modo algum poderia se expressar através de nós, se não se convertesse em Jesus.

Na verdade, existe o Logos; o Pai, o Filho e o Espírito Santo formam um todo único, que entre os egípcios se chama Osíris. Ele se desdobra em Ísis, a Mãe Divina, a Esposa. Ela e Ele se amam e, como resultado de seu amor, Ela concebe “por obra e graça do Espírito Santo”, isto é, por obra e graça de seu esposo. Em seu ventre imaculado e virginal desce o Crestos, o Segundo Logos entra em seu ventre e se converte, como é dito na Divina Comédia, no “Filho de sua Filha, o filho da Divina Mãe Kundalini. Ela o leva em seus braços, por isso é que Ísis sempre leva Hórus em seus braços e Maria, Jesus.

A Divina Mãe particular também leva nosso Jesus íntimo em seus braços. Quando (havendo amado muito a nossa Mãe) nos tornamos dignos, somos então merecedores de nos converter em Casa d’Ele, do Senhor.

É dito que Ele nasce num estábulo, à meia-noite, onde estão os animais, os animais do desejo. Esse estábulo é o nosso próprio corpo. Ali nasce nosso Jeshua, e depois tem de crescer e se desenvolver. O nosso Salvador íntimo, individual, deve sofrer em si mesmo todas as tentações e vencê-las. Ele deve vencer as potências das trevas em si mesmo, Ele deve vencer os tenebrosos em si mesmos. Ele deve viver como um homem entre os homens, ter carne e osso (nossa carne, isso é claro), deve ser um homem entre os seres que povoam a face da Terra e vencer em sua passagem. Por isso é o nosso Salvador.

Nosso processo psicológico se converte em seu processo, Ele tem de ordenar e transformar nossa psique, os desejos e as preocupações, etc., Ele deve desintegrar.

Por algum motivo foi chamado de “Santo Firme”, porque não pode ser vencido, e no fim sempre triunfa e se cobre de glória. Por isso, o Fogo Sagrado, personificado em Jeshua (em nosso Jeshua, não no Jeshua histórico), é digno de todo louvor e glória, senhorio e majestade.

Ele ama sua Mãe e sua Mãe O ama. Somente por meio de sua Mãe se consegue que Ele nasça em nosso estábulo interior para converter-se em nosso Salvador. Se não amamos a Mãe de Jeshua interior, tampouco amamos o Filho. Como poderia o Filho vir a nós se não amamos sua Mãe?

Aquele que quiser amá-la tem que demonstrar com fatos, amando àquela que nos deu a vida e vendo ela (a que nos deu vida) em cada mulher.

Assim, irmãos, faz-se necessário compreender este grande mistério do Cristo e da Mãe Divina.

Faz-se necessário tornar-nos simples, tolerantes e modestos, porque só assim, meus caros irmãos, seguiremos pelo caminho verdadeiro.

Quero que vocês reflitam nisto que estamos falando esta noite. Quero que regressem ao ponto de partida original, que regressem ao primeiro amor, que reconquistem a infância perdida na mente, no coração e no sexo, para que entrem pelo caminho da salvação, da Cristificação.

Quem quiser realmente ser salvo deve saber amar. Como se poderia realmente amar a mulher, se quando a olhamos vêm a nossa mente pensamentos eróticos de luxúria? Isso é ofendê-la, insultá-la.

Poderia se objetar dizendo que existe uma infinidade de mulheres, prostitutas, etc., mas somos, por acaso, juízes para julgarmos o Eterno Feminino? Com que direito o fazemos? Quem nos converteu em juízes do Eterno Feminino? Ou será que nos julgamos santos? Que recobramos a inocência?

Não devemos julgar. As próprias mulheres devem ver em cada mulher uma mãe. As próprias mulheres devem amar sua mãe e adorar sua Divina Mãe Kundalini, se quiserem se fazer merecedoras de receber um dia o Santo Firme.

Por aí existe uma oração santa que diz:

Fonte de divinos regozijos, revoltas e sofrimentos.
Dirigi vossas ações para nós,
Santo Afirmar, Santo Negar e Santo Conciliar,
transubstanciados em mim, para meu Ser.
Santo Deus, Santo Firme, Santo Imortal,
tende misericórdia de nós.

É um cântico precioso às Três Grandes Forças Primárias do Universo. Essas três forças constituem, por si próprias, ao Pai, Osíris, que, ao desdobrar-se, converte-se em Neith, em Ísis, e da união d’Ele com Ela resulta nosso Jeshua particular, nosso Jesus Cristo Íntimo, próprio e muito próprio em nós, aquele que deve entrar em nós (em nosso corpo) para salvar-nos.

O especial desta oração é aquilo de: Santo Deus, Santo Firme, Santo Imortal, porque o Velho dos Séculos da Cabala é o Santo Deus, o Santo Firme é Jeshua, nosso Jeshua íntimo e particular, porque se incorporando em nós toma posse de todos os nossos processos psicológicos para vencê-los em si mesmo, toma posse de nossas paixões para transmutá-las em si mesmo, suportando em carne e osso todas as tentações que nos chegam para vencê-las em si mesmo. Isso ninguém pode fazer senão o Santo Firme.

É interessante também aquela parte de: Santo Afirmar, Santo Negar, Santo Conciliar. Por quê? A primeira força é a do Eterno Afirmar: o Pai. A segunda a da Eterna Negação, a do Filho. E a terceira é a da Eterna Conciliação, do Espírito Santo. O Pai afirma. o Filho nega, o Espírito Santo concilia.

O que nega o Filho? Por que se diz que o Filho nega? O Filho nega porque não quer tudo o que nós queremos: paixões, defeitos psicológicos etc. E por que se diz que a Terceira Força é o Santo Conciliar? Porque com essa Terceira Força nos reconciliamos. Com quem? Com a Divindade.

Estou me referindo de forma enfática à força sexual, a força com a qual nosso corpo foi formado, a força com que ele se desenvolveu no ventre de nossa mãe, a força que nos trouxe à existência.

Porque se diz: Transubstanciados em mim, para meu Ser, para nosso Ser? Porque as Três Forças Primárias do universo, a do Pai muito amado, a do Filho muito adorado e a do Espírito Santo muito sábio, passam pela transubstanciação em nós para nosso Ser. Compreendem o que isto significa, meus caros irmãos? Transubstanciar, isto é, fazer com que uma substância se converta em outra.

Agora compreendem por que as três Forças Primárias passam pela transubstanciação em nós e para nós? Isso é grandioso! É óbvio que precisamos cristalizar em nós as Três Forças Primárias.

Assim, meus queridos irmãos, reflitam e se esforcem por eliminar o Eu Psicológico. Regressem ao primeiro amor, tratem de reconquistar a inocência em seus corações, lutem por isso, aprendam a amar o Eterno Feminino. Assim, um dia, poderão ter a sorte de encarnar em si mesmos ao Jesus particular e individual.

Não quero subestimar o Grande Cabir Jesus, que na Terra Santa ensinou essa doutrina. Se por alguma razão Ele é grande, foi porque ensinou a doutrina do Eterno Salvador, nosso Salvador interior, profundo, nosso Jeshua.

VM Samael Aun Weor

As conjurações para defesa psíquica

66

As conjurações servem para nos defendermos no astral e, quando estivermos no mundo astral, verificar se conversamos realmente com um mestre nesta dimensão, pois existem entidades vestidas e disfarçadas de santidade.

As conjurações servem para o mundo astral, porém acabam repercutindo em outras dimensões, como no etérico e até no físico, sendo utilizado antes de realizarmos uma prática, para criar um círculo mágico de proteção, ao nos deitarmos antes de dormir etc.

Lembrando: toda prática deve ser feita “sempre” com Positividade, Concentração, Imaginação e Fé na Divindade, unidas em vibrante harmonia.

Cântico do Belilin

(entregue ao Mestre Samael por um Anjo de Comando, chamado Anjo Aroch, ou simplesmente Anjo Belilin)

(por 3 vezes seguidas)

Belilin, Belilin, Belilin
Ânfora de Salvação
Queria estar junto a Ti
O materialismo não tem força junto a mim
Belilin, Belilin, Belilin

(3x)
Pai meu, Deus meu, te suplico com todo o meu coração e com toda a minha alma, para que ordenes ao meu Intercessor-Elemental para que ele trace o círculo mágico de proteção ao redor do meu corpo (do meu quarto, de minha casa etc.).

Deve-se imaginar o elemental ao redor do corpo, ou do quarto, ou da casa, criando o círculo de proteção, nos sempre pedimos ao nosso Pai que ordene porque nós, com nossa porcentagem de Consciência, não temos ainda nenhuma autoridade sobre nossas partículas do Ser, como no caso do Intercessor Elemental (ou Anjo da Guarda Elemental).

É importante que, sendo o círculo semietérico, qualquer animal pode quebrá-lo, assim, ao realizarmos um círculo no nosso quarto, e estando a janela aberta, um pássaro entra, o círculo já foi quebrado, isso ocorre também com qualquer pessoa que entra ou sai do lugar onde foi traçado o círculo de proteção.

No astral, devemos realizar a Conjuração de Júpiter, toda a vez que invocarmos um mestre, para termos certeza que estamos diante dele. Evocamos qualquer mestre com profundo respeito, intensa devoção e suprema humildade, usando a fórmula que nós dá o mestre Samael.

Invocação de um Mestre no Astral

O VM Samael nos dá uma fórmula para invocar um mestre no astral, ele dá o exemplo do anjo Adonai, mas como ele fala que atenderá ao chamado a quem quiser invocá-lo, aqui está a petição.

Estando conscientes que estamos em astral, com profundo respeito, intensa devoção e suprema humildade, invocaremos o V.M. Arcanjo Samael:

Samael! Vinde até aqui. Vinde até aqui. Vinde até aqui.

ANTIA… DA-UNA… SASTASSA…

Samael, Samael, Samael … AAAAAAOOOOOOMMMMMMM…

Samael, Samael, Samael…

Continuaremos invocando o mestre, com o coração, até que ele chegue, quando ele chegar, devemos ser objetivos, compreender que o nível de Consciência nosso é pequeno, devemos conjurá-lo com toda força para sabermos se é realmente um mestre ou um demônio disfarçado. Aí, suplicaremos ajuda…

Conjuração de Júpiter

Com a mão direita apontando como mostra a figura e a esquerda no plexo solar como mostra a outra figura abaixo, devemos realizar com suprema força a conjuração de Júpiter, imaginando saírem labaredas de fogo da mão estendida em direção ao indivíduo que estamos conjurando no astral:

Em nome de Júpiter
Pai dos Deuses
Eu te conjuro:
TE VIGOS COSSILIM!

Repete-se três vezes com muita força e imaginação, se o indivíduo fugir fulminado, é óbvio que era um adepto da loja negra disfarçado, se ficar sem nada ocorrer, é um verdadeiro mestre, os mestres gostam quando os discípulos os conjuram, isto mostra que o discípulo está lutando para Despertar a Consciência. Então, desta forma, podemos receber conhecimentos aos pés dos mestres e nós proteger contra os tenebrosos.

Conjuração da Semente Crística

Klimmmmmmmmmmmm

Klim… Krishnaya… Govindaya… Gopijana… Vallabhaya… Suáha…

O Venerável Mestre Samael Aun Weor afirma que quando mantralizamos a palavra sagrada Klim, desce das dimensões inefáveis do Cristo Cósmico, do Fogo Divino, uma luz esplendorosa e indescritível.

Então, devemos mentalizar ao nosso redor uma poderosa luz branca, alva, que nos protege, como uma parede de aço ao nosso redor, e criando um campo de energia harmoniosa no ambiente em que nos encontramos.

Se possível, pode-se mentalizar também uma Estrela de 5 pontas na cor azul-elétrico em nossa testa ou mesmo no coração. Outra dica importante: caso vejamos alguém (em casa ou na rua) transtornado, desequilibrado e/ou irado, pode-se mentalizar na testa deste indivíduo essa estrela e vocalizar a Conjuração da Semente Crística várias vezes seguidas.

Tenha certeza absoluta de que mais cedo ou mais tarde a pessoa (ou pessoas) irá se acalmar, voltando ao estado anterior de relativo equilíbrio psíquico. (Também recomendável para pessoas com desequilíbrios mentais.)

 

O LIVRO COMPLETO DOS MANTRAS – Saiba mais, clique aqui

 

Sivananda, o mestre do êxtase

6

Muitos pseudoesoteristas e pseudo-ocultistas leram Sivananda. Não há dúvida de que esse homem foi de fato um Guru-Deva que trabalhou incessantemente pela humanidade doente. Realmente, confesso que jamais me agradou sua Hatha Yoga. Este tipo de acrobacias sempre me pareceu coisa de circo.

Nunca me ocorreu que alguém pudesse se autorrealizar convertendo-se em um acrobata.

No entanto, é de se saber que o citado yogue trabalhou profundamente e muito secretamente com a yoga sexual. Parece que ele empregava a Hatha Yoga como uma espécie de isca para pescar no rio da vida.

Agrada-me comunicar aos amados leitores que o Guru-Deva Sivananda desencarnou gozoso em um Maha-Samádhi, êxtase.

Encontrei-me com ele no Universo Paralelo da quinta dimensão.

Minha alegria foi tremenda ao verificar que ele tinha fabricado seus corpos solares na Forja incandescente de Vulcano.

A minha surpresa foi imensa ao constatar que esse Mestre antes de desencarnar já havia morrido em si mesmo.

Sivananda trabalhou intensamente na Grande Obra do Pai. Trata-se, pois, de um Guru-Deva no sentido mais completo da palavra.

Nosso encontro foi singular. Verificou-se em um recinto onde cumpria com meu dever de ensinar.

De repente, entrou o grande yogue, e como que querendo me recriminar, disse: “Vocês estão vulgarizando a Doutrina!” Obviamente, queria referir-se à divulgação da yoga sexual, o Maithuna, entre profanos.

De forma alguma poderia permanecer calado. Minha resposta foi franca e sincera, não podendo ser de outro modo, já que pertenço à Fraternidade Viril. Pronunciei-me energicamente assim: Estou disposto a responder a todas as perguntas que me sejam feitas aqui neste recinto por todos que aqui estejam.

Porém, o Guru-Deva Sivananda, inimigo de toda disputa, preferiu sentar-se na sagrada posição búdica para em seguida submergir em profunda meditação.

Senti a mente do yogue dentro de minhas próprias profundezas. O Homem buscava, esquadrinhava, explorava, em minhas mais íntimas profundidades. Evidenciava-se que Sivananda queria conversar com meu Real Ser, cujo secreto nome é Samael, e o conseguiu.

Assombrado, tive de exclamar: Sivananda! Tu és um verdadeiro Samyasin do pensamento. O Guru-Deva, cheio de êxtase, levantou-se e me abraçou, havia compreendido o delineamento revolucionário de nossa doutrina. Por sua vez, exclamou: “Agora, sim, estou de acordo contigo e direi a todos para que leiam tuas obras”.

E acrescentou ainda: “Conheço tua Mãe (fazendo referência à minha Mãe Divina Particular). Encontrei-a belamente vestida, carregando um manto branco que lhe chega aos pés”.

A entrevista foi formidável e aconteceram muitas outras coisas que mantenho em silêncio, porque não cabem neste capítulo.

(Samael Aun Weor, Magia das Runas)

Yoga gnóstica dos sonhos

12

“Senhor, ajuda-nos a transitar das trevas para a luz, da mentira para a verdade, e da morte para a imortalidade.” (Upanishads)

Devemos lembrar que o ser humano passa cerca de um terço de sua vida dormindo, com seu corpo físico relaxado e sua consciência, adormecida ou não, fora desse corpo físico. O que fazemos no mundo astral? Aproveitamos esse terço de nossa vida de maneira útil, proveitosa? Os Mundos Internos têm uma linguagem, que é a linguagem dos símbolos. É importante o estudante gnóstico-esoterista conhecer a linguagem dos sonhos.

Dentro da Psicologia do 4º Caminho, onde se enfatiza a necessidade do Despertar da Consciência em todos os momentos da vida, afirma-se que o homem pode viver em 4 estados de consciência, os grupos humanos dividem-se em quatro níveis de consciência: sono, consciência de vigília, consciência de si e a consciência objetiva.

O sono é um estado puramente subjetivo e passivo. O homem está rodeado de sonhos. Todas as suas funções psíquicas trabalham sem direção alguma. Não há lógica, não há continuidade, não há causa e/ou resultados nos sonhos.

Imagens totalmente subjetivas, ecos de experiências passadas durante o dia, ecos de vagas percepções do momento, ruídos que chegam ao adormecido, sensações corporais, tais como ligeiras dores, sensação de tensão muscular, atravessam o espírito sem deixar mais que um tênue vestígio na memória, e quase sempre sem deixar sinal algum. Os valores dormem.

Tudo está em latência. São os homens fisiológicos, boca abaixo: comer, beber, dormir, copular sem aspirações, no entanto, o Divino nele Dorme… No entanto, mesmo assim algo se aproveita. Forças Sutis do Universo tentam nos ajudar nos momentos em que descansamos o corpo físico na cama. Essa ajuda se dá, normalmente, por meio daquilo que chamamos Símbolos Oníricos.

Por meio dessa “língua onírica”, astral, podemos receber uma vasta quantidade de informações, de sabedorias, de mensagens vitais para nosso crescimento interno. A disciplina da Yoga Gnóstica dos Sonhos é importantíssima, fundamental mesmo, para nos auxiliar no Despertar deste estado lamentável de letargia, sono, desatenção, falta de entusiasmo pela vida, falta de vontade etc., que estamos experimentando ao longo de nossa vida, ao longo de nossas vidas.

yoga dos sonhos

O texto a seguir foi tirado do livro A Doutrina Secreta de Anáhuac, do Mestre Samael Aun Weor (capítulos 16 a 21) e serve como um bom fundamento para nossa Iniciação à Yoga dos Sonhos. Boa leitura e ótimas práticas.

OS SONHOS

A Gnose ensina que existem muitas espécies diferentes de sonhos que a moderna Psicologia decadente do Hemisfério Ocidental ignora radicalmente. É evidente que os sonhos são de qualidade diversa específica devido ao fato concreto de estarem relacionados diretamente com cada um dos Centros Psíquicos do corpo humano. Com o rigor da verdade e sem exagero algum podemos afirmar que a maioria dos sonhos encontra-se vinculada ao Centro Instintivo-Motor, quer dizer, são o eco de coisas vistas durante o dia, de sensações e movimentos, mera repetição astral daquilo que vivemos diariamente. Mesmo assim, algumas experiências de tipo emocional, tais como o medo – que tanto dano faz à humanidade – ocorrem nos sonhos caóticos do Centro Instintivo-Motor.

Existem, pois, sonhos emocionais, sexuais, intelectuais, motores e instintivos, e outros. Os sonhos mais importantes, as vivências íntimas do Ser, acham-se associados aos dois Centros: o Emocional Superior e o Mental Superior. São certamente interessantes os sonhos relacionados com os dois centros superiores; caracterizam-se sempre pelo que poderia denominar de uma formulação dramática.

Ora, se pensarmos no Raio da Criação e nos centros superiores e inferiores, e nas influências que descem pelo citado Raio Cósmico, devemos admitir que elas se apresentam a nós como vibrações luminosas que procuram nos curar, que tratam de nos informar sobre o estado em que nos encontramos etc.

yoga dos sonhos2

É proveitoso receber Mensagens e estar em contato com os Adeptos astecas, maias, toltecas, egípcios, gregos e outros. É também maravilhoso conversar intimamente com as diversas Partes mais elevadas de nosso Ser. Os Centros Superiores estão plenamente desenvolvidos em nós e nos transmitem Mensagens que devemos aprender adaptar conscientemente.

Para aquelas pessoas muito seletas que tiveram momentos de recordação de Si mesmas na vida, que tiveram instantes em que viram uma coisa banal ou uma pessoa comum de um modo completamente novo, não constituirá surpresa se eu lhes disser, neste capítulo, que esses momentos têm a mesma qualidade ou sabor íntimo que esses raros e estranhos sonhos relacionados com os dois Centros, Emocional e Mental Superiores.

Não há dúvida que o significado desses sonhos transcendentais pertence à mesma ordem da realização em si do Raio da Criação e, em particular, da Oitava Lateral do Sol. Quando começamos a nos dar conta da profunda significação dessa classe específica de sonhos, é sinal de que certas forças lutam para nos despertar, sanar ou curar.

Cada um de nós é um ponto matemático no espaço, que serve de veículo a determinadas adições de “Valores” (bons ou maus). A Morte é um resto de quebrados; terminada a operação matemática, a única coisa que fica são os “Valores” (brancos ou negros). De acordo com a Lei do Eterno Retorno, é claro que os “Valores” retornam, reincorporam-se.

Se um homem começar a ocupar-se mais conscientemente do pequeno Ciclo de Acontecimentos Recorrentes de sua Vida Pessoal, poderá então verificar por si mesmo, mediante a experiência Mística direta, que no sonho diário sempre se repete a mesma operação matemática da morte. Na ausência do Corpo Físico, durante o sonho normal, os “Valores” submersos na Luz Astral atraem-se e repelem-se de acordo com as Leis da Atração Universal.

A volta ao estado de Vigília implica, de fato e por direito próprio, o “Retorno” dos “Valores” ao interior do Corpo Físico.

Uma das coisas mais extraordinárias é que as pessoas pensam que estão em relação somente com o Mundo externo. A Gnose nos ensina que estamos em relação com o mundo interior, invisível para os sentidos físicos comuns, mas visível para a clarividência. O Mundo Interior Invisível é muito mais extenso e contém muito mais coisas interessantes que o Mundo Exterior, para o qual estamos sempre olhando através das janelas dos cinco sentidos.

Muitos sonhos referem-se ao lugar onde estamos no Mundo Interior Invisível, de onde surgem as diversas circunstâncias da vida. A linguagem dos sonhos é exatamente comparável à linguagem das parábolas.

Aqueles que interpretam tudo literalmente pensam que o Semeador do Evangelho cristão saiu a semear e que as sementes caíram em pedregais etc., mas não entendem o sentido dessa parábola, porque este, em si mesmo, pertence à linguagem simbólica do Centro Emocional Superior.

yoga dos sonhos3

Convém lembrar que todo sonho, por absurdo ou incoerente que seja, tem algum significado, pois nos indica não só o Centro Psíquico a que está associado, como também o estado Psicológico de tal Centro. Muitos Penitentes que se presumiam Castos, quando foram submetidos a provas nos Mundos Internos, falharam no Centro Sexual e caíram em Poluções Noturnas. No Adepto Perfeito, os Cinco Centros Psíquicos: Intelectual, Emocional, Motor, Instintivo e Sexual, funcionam em plena harmonia com o infinito.

Quais são as funções mentais durante o sonho? Que emoções nos agitam e nos comovem? Quais são nossas atividades fora do Corpo Físico? Que sensações instintivas predominam? Temos tomado nota dos estados sexuais durante o sonho? Devemos ser sinceros conosco mesmo.

Com justa razão, disse Platão: “Conhece-se o homem pelos seus sonhos”. A questão do funcionamento equivocado dos Centros é um Tema que requer um estudo de toda a vida, através da observação do si mesmo em ação e do exame rigoroso dos sonhos.

Não é possível chegar à compreensão dos Centros e de seu trabalho correto e equivocado em um instante; precisamos de infinita, paciência. Toda a vida se desenvolve em função dos Centros e por estes é controlada. Nossos pensamentos, sentimentos, ideias, esperanças, temores, amores, ódios, ações, sensações, prazeres, satisfações, frustrações etc., encontram-se nos Centros.

A descoberta de algum elemento inumano em qualquer dos Centros deve ser motivo mais do que suficiente para o trabalho esotérico. Todo defeito psicológico deve ser previamente compreendido mediante a técnica da meditação, antes de proceder à sua eliminação.

Extirpar, erradicar, eliminar qualquer elemento indesejável somente é possível com a invocação da ajuda de Tonantzin (a Divina Mãe Kundalini), uma Variante de nosso próprio Ser, o Fohat particular de cada um de nós. Assim é que vamos morrendo de instante a instante; só com a morte advém o novo.

Da escala dos seres e das coisas chegam-nos sem dúvida influências de toda classe. Se compreendermos o Raio da Criação, saberemos também que em todo instante da vida nos chegam influências e que estas são de diferentes qualidades. É preciso lembrar sempre que há influências superiores que atuam sobre nós e que são registradas por nosso aparelho psíquico, mas se estivermos apegados a nossos sentidos e não dermos plena atenção à nossa vida interior, então tampouco conseguiremos perceber essas influências.

yoga dos sonhos4

DISCIPLINA DA YOGA DO SONHO

Os aspirantes que sinceramente anelam a experiência mística direta devem certamente começar pela disciplina da “Yoga do Sonho”. É claro que o Gnóstico deve ser exigente consigo mesmo e aprender a criar condições favoráveis para a lembrança e compreensão de todas essas experiências místicas que acontecem sempre durante o sonho.

Antes de nos deitarmos para o descanso dos esforços e fadigas do viver diário, convém dar a devida atenção ao estado em que nos encontramos. Os devotos que, devido às circunstâncias, levam vida sedentária, realmente nada perdem e muito ganharão se antes de se deitarem derem um breve passeio a passos rápidos e no ar fresco. Esse passeio relaxará seus músculos. Entretanto, convém esclarecer que jamais devemos abusar dos exercícios físicos; precisamos viver harmoniosamente. A ceia, o jantar, o lanche ou a refeição final do dia deve ser leve, sem alimentos pesados ou estimulantes, evitando-se, cuidadosamente, a ingestão de comidas que possam nos tirar o sono.

A forma mais elevada de pensar é não pensar; quando a mente está tranqüila e em silêncio, livre das preocupações do dia e das ansiedades mundanas, encontra-se então em um estado cem por cento favorável para a prática da Yoga do Sonho. Quando o Centro Emocional Superior trabalha realmente, acaba, ainda que só por breve tempo, o processo de pensar. É evidente que o referido Centro entra em atividade com a Embriaguez Dionisíaca. Esse arrebatamento é possível ao se escutar com infinita devoção as sinfonias arrebatadoras de Wagner, Mozart, Chopin e outros.

A música de Beethoven, mui especialmente, é extraordinária para fazer vibrar intensamente o Centro Emocional Superior. O Gnóstico sincero nela encontra um imenso campo de exploração mística, porque não é música de formas mas idéias arquetípicas inefáveis; cada nota tem seu significado; cada pausa, uma emoção. Beethoven, ao sentir tão cruelmente os rigores e provas da “Noite Espiritual”, em vez de fracassar como muitos aspirantes, foi abrindo os olhos de sua intuição ao Supernaturalismo misterioso, à parte espiritual da Natureza, a essa região onde vivem os Reis Angélicos desta grande Criação Universal: Tlaloc, Ehecatl, Huehueteotl e outros. Vede o “Músico-Filósofo” ao longo de sua vida exemplar. Sobre sua mesa de trabalho tem constantemente à vista sua Divina Mãe Kundalini, a inefável Neith, a Tonantzin de Anahuac, a Suprema Ísis egípcia. Disseram-nos que esse Grande Mestre havia colocado aos pés daquela imagem adorável uma inscrição redigida pelo próprio punho, e que reza misteriosa: “Eu Sou a que foi, é e será, e nenhum mortal levantou meu véu”. O progresso íntimo revolucionário torna-se impossível sem o auxílio imediato de nossa Divina Mãe Tonantzin. Todo filho agradecido deve amar sua Mãe; Beethoven amava a sua profundamente.

Fora do Corpo Físico, nas horas de sonho, a alma pode conversar com sua Divina Mãe; mas é evidente que devemos começar com a disciplina da Yoga do Sonho. Precisamos prestar atenção no quarto onde vamos dormir; a decoração deve ser agradável; as cores mais desejáveis para os fins que se perseguem – a despeito do que outros autores aconselham – são precisamente as três primárias: azul, amarelo, vermelho.
As três cores primárias correspondem sempre às três Forças Primárias da Natureza (o Santo Triamatzikamno), isto é, o Santo afirmar, o Santo negar e o Santo conciliar. É bom lembrar que as três formas originais desta grande Criação cristalizam-se sempre de forma positiva, negativa e neutra. A causa causarum do Santo Triamatzikamno encontra-se oculta no elemento ativo Okidanock; este, em si mesmo, é tão-somente a emanação do Sagrado Absoluto Solar. É óbvio que a repulsa às três cores primárias, depois da exposição de todas essas razões, equivale, por simples dedução lógica, a cair em um despropósito, em um desatino.

A Yoga do Sonho é extraordinária, maravilhosa, formidável; todavia, é muito exigente. O quarto deve estar sempre bem perfumado e arejado, mas não se deve deixar nele penetrar o sereno frio da noite. O Gnóstico, depois de uma revisão detalhada de si mesmo e do quarto em que irá dormir, deve examinar sua cama. Se observamos qualquer bússola, podemos verificar por nós mesmos que a agulha aponta para o Norte. É claro que podemos aproveitar conscientemente essa corrente magnética do mundo, que flui sempre de Sul a Norte.

Orientemos a cama de forma tal que a cabeceira fique sempre voltada para o Norte; assim, poderemos usar inteligentemente a corrente magnética indicada pela agulha.

O colchão não deve ser nem muito duro nem muito mole; quer dizer, deve ter uma flexibilidade tal que não afete de modo algum os processos psíquicos de quem dorme.

Os chiados das molas ou uma cabeceira que range ao menor movimento do corpo constituem um sério obstáculo para essas práticas.

Coloca-se sob o travesseiro um caderno ou um bloco de anotações e um lápis para que possam ser facilmente encontrados no escuro.

As roupas de cama devem ser frescas e muito limpas, e deve-se perfumar a fronha com a fragrância preferida.

MORFEU, O DEUS DOS SONHOS

Depois de cumprir todos esses requisitos, o asceta Gnóstico dará o segundo passo desta disciplina esotérica. Deitará, e tendo apagado a luz, pôr-se-á em decúbito dorsal (de barriga para cima), com os olhos fechados e as mãos sobre o plexo solar.

Ficará completamente quieto durante alguns instantes e, depois de estar relaxado totalmente, tanto no físico como no mental, concentrar-se-á em Morfeu, o Deus do Sono e dos Sonhos. E inquestionável que cada uma das partes isoladas do nosso Ser Real exerce determinadas funções, e é justamente Morfeu (não confunda com Orfeu) o encarregado de nos educar nos Mistérios do Sonho.

Seria algo mais do que impossível traçar um esquema do Ser; mas, todas as partes espiritualizadas, isoladas, de nossa presença comum, desejam a perfeição absoluta de suas funções. Quando nos concentramos em Morfeu, este se regozija pela excelente oportunidade que lhe oferecemos. É indispensável ter Fé e saber suplicar; devemos pedir a Morfeu que nos instrua e nos desperte nos Mundos Suprassensíveis.

Morfeu (palavra grega, cujo significado é “aquele que forma, que molda) é o principal deus dos sonhos.

Neste momento, começa a apoderar-se do Gnóstico esoterista uma sonolência bastante especial, e ele então adota a Postura do Leão: “Deitado sobre seu lado direito, com a cabeça dirigida para o Norte, puxa as pernas para cima lentamente até que os joelhos fiquem dobrados. Nessa posição, a perna esquerda apoia-se sobre a direita; a seguir, coloca a face direita sobre a palma da mão direita e deixa o braço esquerdo descansar sobre a perna do mesmo lado”.

Quando despertamos do sono normal, não devemos nos mexer, porque, com tal movimento, é claro que nossos “Valores” se agitam e perdem-se as lembranças. O Exercício Retrospectivo torna-se, sem dúvida, necessário nesses instantes, quando desejamos recordar com total precisão todos e cada um de nossos sonhos.

O Gnóstico deve anotar metodicamente os detalhes do sonho ou sonhos no caderno ou no bloco colocado sob o travesseiro para este fim. Assim poderá ter um registro minucioso sobre seu progresso interno na Yoga do Sonho. Ainda que restem na memória vagos fragmentos do sonho ou sonhos, estes devem ser cuidadosamente registrados.

Quando nada permaneceu na memória, devemos iniciar o exercício de Retrospecção com base no primeiro pensamento que tivemos no instante exato em que acordamos.

Precisamos esclarecer de maneira enfática que o Exercício de Retrospecção principia antes de havermos retornado completamente ao estado de vigília, quando ainda nos encontramos no estado de sonolência, cuidando de seguir conscientemente a sequência do sonho.

Terminamos este capítulo afirmando que não é possível ir além desta parte relacionada com a disciplina da Yoga do Sonho, a menos que tenhamos conseguido a memória perfeita de nossas experiências oníricas.

O SONHO TÂNTRICO

É imprescindível, não há dúvida, que precisamos examinar mensalmente nosso caderno ou bloco de anotações, com o objetivo de verificarmos, por nós mesmos, o avanço progressivo da memória onírica.
Qualquer possibilidade de esquecimento deve ser eliminada; não devemos continuar com as práticas subsequentes enquanto não obtivermos a memória perfeita.

São particularmente interessantes aqueles Dramas parecem sair de outros séculos, ou que se desenrolam meios ou ambientes que nada têm a ver com a existência vigília do sonhador. Há que se estar em estado de “Percepção Alerta”, de “Vigilância à Novidade”, e dar atenção bastante especial ao estudo dos detalhes que incluem questões específicas, práticas, reuniões, templos, atividades inusitadas em relação a outras pessoas, e outros.

Conseguido o desenvolvimento completo da memória onírica, eliminada já qualquer possibilidade de esquecimento, o processo de simbolização abrirá o caminho da revelação. Devemos buscar a Ciência básica da interpretação dos sonhos na Lei das Analogias Filosóficas, na Lei das Analogias, dos Contrários, na Lei das Correspondências e da Numerologia.

As imagens astrais refletidas no espelho mágico da imaginação jamais devem ser interpretadas literalmente, pois apenas representações simbólicas das ideias arquetípicas, devendo ser utilizadas da mesma maneira que o matemático usa os símbolos algébricos.

Cumpre afirmar que esse gênero de ideias desce do Mundo Espírito Puro. Como é natural, as ideias arquetípicas que provêm do Ser tornam-se maravilhosas, informando-nos sobre o Estado psicológico desse ou daquele Centro da Máquina, sobre assuntos esotéricos muito íntimos, sobre possíveis êxitos ou perigos etc., sempre cobertas pelo traje do simbolismo. Descobrir tal ou qual símbolo astral, cena ou figura, com o propósito de extrair a idéia essencial, somente é possível através “da meditação do Ser, lógica e comparativamente”.

Ao chegarmos a esta etapa da disciplina da Yoga do Sonho, torna-se indispensável entrarmos no aspecto Tântrico da questão. A Sabedoria Antiga ensina que Tonantzin (Devi Kundalini), nossa Divina Mãe Cósmica particular (pois cada pessoa tem a sua), pode adotar qualquer forma, pois é a origem de todas as formas; portanto, convém que o Gnóstico medite sobre ela antes de adormecer. O aspirante deverá entrar diariamente no processo do sono repetindo, com muita Fé, a seguinte oração:

“Tonantzin, Teteoinan, ó Minha Mãe, vinde a mim, vinde a mim.”

Segundo a Ciência Tântrica, se o Gnóstico insistir nesta prática, mais cedo ou mais tarde haverá de surgir, como por encanto, dentre as expressões cambiantes e amorfas de seus sonhos, um Elemento Iniciador.
Enquanto não for completamente identificado esse Iniciador, é indispensável continuar registrando seus sonhos no caderno ou bloco.

O estudo e a análise profundos de cada sonho anotado é impostergável na disciplina esotérica do sonho Tântrico. É evidente que o processo didático haverá de nos conduzir à descoberta do Iniciador ou elemento unificador do sonho.

yoga dos sonhos5

O Gnóstico sincero que chega a esse estágio da Disciplina Tântrica encontra-se, justamente por este motivo, pronto para dar o passo seguinte, que será o tema do nosso próximo capítulo.

PRÁTICA DO RETORNO

Quando o aspirante realizou com pleno êxito todos os exercícios gnósticos relacionados com o esoterismo do sonho, é claro que se encontra intimamente preparado para a “Prática do Retorno”.

No capítulo anterior dissemos algo sobre o Elemento Iniciador que surge como por encanto dentre as cambiantes e amorfas expressões de seus sonhos. Certas pessoas muito Psíquicas, sensíveis e impressionáveis, possuíram sempre em si mesmas o Elemento Iniciador.

Essas pessoas caracterizam-se pela repetição contínua de um mesmo sonho; revivem periodicamente essa ou aquela cena, ou veem constantemente em suas experiências oníricas essa ou aquela criatura ou símbolo.

Toda vez que o Elemento Iniciador – símbolo, som, cor, pessoa etc. – é lembrado no despertar do sono normal, o aspirante, ainda com os olhos fechados, continua vendo a imagem-chave familiar e imediatamente, de maneira intencional, tratará de dormir de novo, prosseguindo com o mesmo sonho.
Diremos, com outras palavras, que o aspirante propõe a voltar consciente a seu próprio sonho e, por isso, continua intencionalmente com o mesmo, mas trazendo-o para o estado de vigília, com plena lucidez e autocontrole.

Converte-se assim em espectador e ator do sonho, com a vantagem, por certo nada desprezível, de poder abandonar a cena à vontade, a fim de mover-se livremente no mundo astral. O aspirante, liberto então de todas as travas da carne, fora de seu corpo físico, acha-se desprendido do seu velho e familiar ambiente penetrando em um universo regido por leis diferentes.

A Disciplina do Estado de Sonho dos tântricos budistas conduz didaticamente ao Despertar da Consciência. O gnóstico só poderá despertar o Estado Verdadeiro de Iluminação mediante a compreensão e a desintegração de sonhos.

As Sagradas Escrituras do Hindustão afirmam de maneira formal que o Mundo inteiro é o Sonho de Brahma.
A partir desse postulado hindu, afirmaremos categoricamente o seguinte: “Quando Brahma desperta, o Sonho acaba…” Mas, enquanto o aspirante não conseguir a dissolução radical, não só dos sonhos em si mesmos, como também dos motivos psicológicos que os provocam, o Despertar Absoluto ser-lhe-á impossível.

O despertar definitivo da consciência só é possível mediante uma transformação radical. Os Quatro Evangelhos cristãos insistem na necessidade do despertar; lamentavelmente, as pessoas continuam adormecidas. Quetzalcoatl, o Cristo Mexicano, foi, evidentemente, um homem cem por cento desperto.
A multiplicidade de suas funções também nos indica com absoluta precisão a grande antigüidade de seu culto e a profunda veneração que lhe era dedicada em toda a Mesoamérica. Os Deuses Santos de Anahuac são Homens Perfeitos no sentido mais completo da palavra; criaturas absolutamente despertas; Seres que erradicaram de sua Psique toda possibilidade de sonhar.

Tlaloc, “o que faz brotar”, Deus das chuvas e do raio, sendo um Deus, também é um homem desperto, alguém que teve de eliminar de sua Psique não só seus sonhos, como também toda possibilidade de sonhar. Ele é a principal Entidade Sagrada da antiquíssima cultura olmeca, e aparece sempre com a máscara do Tigre-Serpente nos machados colossais e nas diversas figuras de jade.

Texcatlipoca e Huitzilopochtli, Criaturas do Fogo, vivas representações da noite e do dia, também são homens despertos, seres que conseguiram passar mais além dos sonhos. Fora do Corpo Físico, o homem desperto pode invocar os Deuses Santos dos astecas, maias, zapotecas, toltecas e outros. Os Deuses dos códices Bórgia, Borbônico e outros vêm ao chamado do homem desperto. Mediante o auxílio dos Deuses Santos, o homem desperto pode estudar, na Luz Astral, a Doutrina Secreta de Anahuac.

AS QUATRO BEM-AVENTURANÇAS

No capítulo anterior, falamos bastante sobre o Elemento Iniciador do sonho, e é óbvio que só nos resta agora aprender a usá-lo. Quando o gnóstico tem um registro de seus sonhos, descobre, sem dúvida, o sonho que se repete sempre. Este, entre outros, é certamente um motivo mais do que suficiente para anotar todos os sonhos no caderno ou no bloco.

A experiência onírica sempre repetida é, inquestionavelmente, o Elemento Iniciador que, utilizado com inteligência, nos conduz ao despertar da consciência. Toda vez que o Místico, deitado na sua cama, adormece intencionalmente, meditando no Elemento Iniciador, o resultado nunca se faz esperar muito: em geral, o Anacoreta revive conscientemente tal sonho, podendo separar-se da cena à vontade para viajar pelos Mundos Suprassensíveis.

Qualquer outro sonho pode também ser usado com esse propósito, quando conhecemos realmente a técnica. Quem desperta de um sonho, se for de seu desejo, pode prosseguir com ele mesmo intencionalmente; neste caso, deve adormecer outra vez, revivendo sua experiência onírica com a Imaginação. Não se trata de imaginar que estamos imaginando; o fundamental consiste em reviver o sonho com todo o seu cru realismo anterior.

Repetir intencionalmente o sonho é o primeiro passo em direção ao despertar da consciência; separar-se à vontade do sonho e em pleno Drama é o segundo passo. Alguns aspirantes conseguem dar o primeiro passo, falta-lhes força para dar o segundo passo.

Essas pessoas podem e devem ajudar-se por meio da técnica da meditação. Tomando decisões muito sérias, esses devotos praticarão a meditação antes de se entregarem ao sono. Neste caso, seu problema íntimo será o tema evidente de concentração e autorreflexão na meditação interior profunda.

Durante esta prática, o místico angustiado, cheio de emoção sincera, invoca sua Divina Mãe Tonantzin (Devi Kundalini). Derramando lágrimas de dor, o asceta gnóstico lamenta-se do estado de inconsciência em que se encontra e implora a ajuda rogando à sua Mãe que lhe dê forças interiores para desprender-se de qualquer sonho à vontade.

A finalidade de toda esta disciplina do sonho tântrico é preparar o discípulo para reconhecer claramente as Quatro Bem-Aventuranças que se apresentam na experiência onírica. Esta disciplina esotérica é tão-somente para pessoas muito sérias, pois exige infinita paciência e enormes superesforços íntimos.

Muito se fala no mundo oriental sobre as Quatro Luzes do Sonho e nós devemos estudar esta questão.

A primeira delas é chamada a Luz da Revelação, e escrito está com letras de ouro no Livro da Vida que ela é percebida justamente antes ou durante as primeiras horas do sonho.

Cumpre dizer formal e diretamente que a indesejável mistura de impressões residuais e a corrente habitual de pensamentos discriminatórios felizmente vão se dissolvendo lentamente à medida que o sonho se torna mais profundo.

Nesse estágio do sonho, insinua-se progressivamente a Segunda Iluminação, a que se conhece na Ásia com o nome maravilhoso de Luz do Aumento.

Evidentemente, o Asceta Gnóstico, mediante a extraordinária disciplina do Sonho Tântrico, logra passar muito mais além desta etapa até captar ou apreender completamente as duas luzes restantes. Vivenciar distintamente o realismo cru da vida prática nos Mundos Superiores de Consciência Cósmica, significa ter atingido a Terceira Luz, a da Realização Imediata.

A Quarta Luz é a da Iluminação Interior Profunda e nos advém como por encanto em plena experiência mística. Um tratado tibetano declara: “Aqui, no Quarto Grau do Vazio, mora o Filho da Mãe Luz Diáfana”.

Falando franca e diretamente, declaro o seguinte: “A disciplina do sonho tântrico é, na realidade, uma preparação esotérica para esse sonho final que chamamos Morte”.

Tendo morrido muitas vezes durante a noite, o gnóstico anacoreta que tenha apreendido conscientemente as Quatro Bem-Aventuranças que se apresentam na experiência Onírica, no momento da desencarnação passa ao estado post-mortem com a mesma facilidade com que entra voluntariamente no Mundo do Sonho.

Fora do Corpo Físico, o Gnóstico Consciente pode verificar, por si mesmo, o destino que está reservado às Almas além da Morte. Se toda noite, mediante a Disciplina Tântrica do Sonho, o esoterista pode morrer conscientemente e penetrar no Mundo dos Mortos, é claro que pode também, por este motivo, estudar o Ritual da Vida e da Morte enquanto chega o oficiante.

Hermes, depois de ter visitado “Os Mundos Infernos”, onde vira com horror o destino das Almas Perdidas, conheceu coisas insólitas. Disse Osíris a Hermes: “Olhe deste lado. Vês aquele enxame de Almas que buscam elevar-se à Região Lunar? Umas são devolvidas à terra, como torvelinhos de pássaro sob os golpes da tempestade. As outras alcançam com grandes adejos a Esfera superior, que as arrasta em sua rotação. Uma vez ali chegadas, recobram a visão das coisas Divinas”.

Os astecas colocavam um galho seco quando enterravam os que haviam sido escolhidos por Tlaloc, o Deus da chuva. Dizia-se que quando o bem-aventurado chegava ao “Campo de Delícias”, que é o Tlalocan, o galho seco reverdescia, indicando com isso o regresso a uma nova vida, o retorno. Aqueles que não foram escolhidos pelo Sol ou por Tlaloc vão fatalmente ao Mictlan, situado ao Norte, região onde as Almas sofrem uma série de provas Mágicas ao passarem para os “Mundos Infernos”.

São nove os lugares onde as Almas sofrem espantosamente antes de alcançarem o descanso definitivo. Isto faz-nos lembrar os “Nove Círculos Infernais” da Divina Comédia de Dante Alighieri. São muitos os Deuses e Deusas que povoam os Nove Círculos Dantescos do Inferno asteca. Lembramos o espantoso “Mictlantecuhtli” e a tenebrosa “Mictecacihuatl”, o Senhor e a Senhora do Inferno, habitantes do nono ou mais profundo dos lugares subterrâneos.

As Almas que passam pelas provas do “Inferno Asteca”, depois da Segunda Morte, entram felizes nos Paraísos Elementais da Natureza.

É inegável que as Almas que, depois da Morte, não descem aos “Mundos Infernos”, tampouco ascendem ao “Reino da Luz Dourada”, nem ao “Paraíso de Tlaloc”, ou ao “Reino da Concentração”, etc. Regressam ou retornam de modo mediato ou imediato a um novo Corpo Físico. As Almas eleitas pelo Sol ou por Tlaloc gozam muito nos Mundos Superiores antes de retornarem ao Vale de Samsara.

Os anacoretas gnósticos, depois de apreenderem as Quatro Luzes do Sonho, podem visitar conscientemente toda noite o “Tlalocan”, ou descerem ao “Mictlan”, ou entrarem em contato com as Almas que, antes de retornarem, vivem na Região Lunar.

O ANJO DA GUARDA

Iniciaremos o último capítulo deste livro com a seguinte frase: o Primeiro Educador de todo grande iniciado converte-se, de fato e por direito próprio, na causa fundamental de todas as partes espiritualizadas de sua genuína presença comum. Qualquer Guru agradecido prosterna-se humildemente diante do primeiro criador de seu verdadeiro Ser.

Quando, após muitos trabalhos conscientes e sofrimentos voluntários, revela-se, ante nossos olhos cheios de lágrimas, a absoluta perfeição alcançada no funcionamento de todas as partes espiritualizadas, isoladas, de nossa presença comum, o impulso de gratidão do Ser ao Primeiro Educador surge em nós. É evidente que a perfeição absoluta de todas e de cada uma das partes isoladas do Ser só é possível quando morremos radicalmente em nós mesmos, aqui e agora.

Existem diversos estágios de “Autorrealização Interna”; alguns Iniciados conseguiram a perfeição de determinadas partes isoladas do Ser, mas têm de trabalhar muito para atingir a perfeição absoluta de todas as partes. De modo algum seria possível retratar o Ser; parece um exército de crianças inocentes… cada uma delas exerce determinadas funções; obter a integração total é o maior anelo de todo Iniciado.

Quando se alcança a Autorrealização Interna” da parte mais elevada do Ser, recebe-se, por isso, o Grau “Ishmesh”. Nosso Senhor Quetzalcoatl, o Cristo Mexicano, desenvolveu sem dúvida a parte mais elevada de seu próprio Ser. Cabe lembrar aqui, de forma oportuna, que Xolotl, o Lúcifer nahuatl, é também outra das partes isoladas de nosso próprio Ser

Os Deuses Elementais da Natureza tais como Huehueteotl, Tlaloc, Ehecatl, Chalchiuitlicue – a Cigarra de Tlaloc –, Xochiquetzal (a Deusa das Flores) etc., ajudam o Iniciado em suas operações de Magia Elemental, sob a condição de uma conduta reta. Porém, jamais devemos esquecer nosso “Intercessor Mental”, o Mago Elemental em nós, que pode invocar os Deuses Elementais da Natureza e realizar prodígios, e que é, sem dúvida, outra das partes isoladas de nosso próprio Ser.

Três Deusas, que na realidade são apenas aspectos de uma mesma Divindade, representam nossa Divina Mãe (Variantes ou Derivações de Nosso Próprio Ser): Tonantzin, Coatlicue, Tlazolteotl.

Muitas são as partes isoladas de nosso próprio Ser. Alguém pode se encher de assombro ao lembrar o Leão da Lei, os dois Gênios que anotam nossas boas e más ações, a Polícia do Karma – parte também de nosso Ser –, o Misericordioso, o compassivo, o nosso Pai-Mãe unidos, o Anjo da Guarda e outras. Os Poderes Flamígeros do “Anjo da Guarda” são extraordinários, maravilhosos, tremendamente Divinos.

De fontes totalmente gnósticas, conservadas em segredo nos mosteiros Iniciáticos e que diferem enormemente do pseudocristianismo e do pseudo-ocultismo comuns e correntes, eu conheci realmente o que é o “Anjo da Guarda”. Chegados ao campo misteriosíssimo da História e da Vida dos Jinas, descobrimos não só o “Templo de Chapultepec” no México e os povos da Quarta Vertical, como também – e isto é assombroso – os poderes do “Anjo da Guarda” em relação a isso tudo.

Convém jamais esquecer que o padre Prado e Bernal Díaz de Castillo entretinham-se vendo os Sacerdotes de Anahuac em estado de jinas. Aqueles Anacoretas levitavam inefavelmente quando se transportavam pelos ares desde Cholula até ao Templo Maior; isto ocorria diariamente no crepúsculo.

Jamais tiveram em seus passeios noturnos horizontes mais augustos os discípulos de Saís no Delta do Nilo, nem os que nos planaltos da Pérsia seguiram Zaratustra, nem os contempladores da Torre de Bel na Babilônia, do que os que sempre tiveram aqueles que se submetem seriamente à disciplina do Sonho Tântrico.

Fora do Corpo Físico, o Anacoreta Gnóstico Consciente pode, se assim o desejar, invocar certa parte isolada de seu próprio Ser, definida em esoterismo prático pelo nome de “Anjo da Guarda”; com certeza, o Inefável virá a seu chamado. Uma serenidade diáfana, uma tranquilidade sem limites, uma felicidade “extática” como a que a Alma experimenta ao romper os laços com a matéria e com o mundo, é tudo o que sentimos naqueles momentos de deleite. O resto, querido leitor, podes deduzir. Serviços Mágicos a Lohengrin podemos sempre receber.

Se, nesses momentos de enlevo, pedirmos ao “Anjo da Guarda” o favor de tirar o corpo adormecido de cima da cama, onde o deixamos repousando, e trazê-lo ante nossa presença, realizar-se-á o fenômeno Mágico com pleno êxito. Pressentimos quando o corpo físico já se encontra a caminho, trazido pelo Anjo da Guarda, quando sentimos em nossos ombros anímicos ou astrais uma estranha pressão.

Se assumirmos uma atitude receptiva, aberta, sutil, o corpo físico penetrará em nosso interior. O Tantrista Gnóstico Consciente, em vez de voltar a seu Corpo Físico, espera que este venha a ele, para viajar com o mesmo pela Terra Prometida, na Quarta Vertical. Depois, com o auxilio do Anjo da Guarda, o Asceta Gnóstico volta para sua casa e cama sem o menor perigo.

Os Veneráveis Mestres da “Fraternidade Oculta” viajam com seu corpo físico pela quarta vertical, podendo deixá-lo no lugar em que o desejarem. Isto significa que os Mestres Ressurrectos da “Ordem Superior” podem dar-se ao luxo – certamente nada desprezível – de renunciar a todos os sistemas modernos de transporte: navios, aviões, automóveis etc.

O alto valor iniciático que em si mesmos têm os procedimentos crítico-analógicos e simbólicos que nos tempos antigos foram a essência viva daquela escola alexandrina dos filaléteos ou “amantes da Verdade”, academia sintética do século 4º, fundada por Ammonio Saccas, o Grande EcIético autodidata, e por Plotino, o continuador de Platão através dos séculos, com princípios Doutrinários do Egito, México, Peru, China, Tibete, Pérsia, Índia etc., permitiu a muitos Iniciados se orientarem na Senda do Fio da Navalha. Merece atenção muito especial a Androginia de Ammonio Saccas, livro de ouro por excelência.

Não há dúvida de que o erro de muitos pseudo-esoteristas e pseudo-ocultistas modernos está radicado no amor próprio; querem-se a si mesmos; desejam a evolução da miséria que carregam dentro. Desejam continuar, anelam a perfeição daquilo que de modo algum merece perfeição nem continuação.

Essas pessoas de Psique subjetiva acreditam-se ricas, poderosas e iluminadas, e cobiçam, afinal, uma magnífica posição no “Mais Além”, mas, na realidade, desconhecem lamentavelmente sua própria impotência, nulidade, impudência, desventura, miséria Psicológica e nudez. Nós, gnósticos, não aspiramos ser nem melhores nem piores; só queremos morrer em nós mesmos, aqui e agora.

Quando estabelecemos o “Dogma da Evolução” como fundamento de nossas melhores aspirações, partimos de uma base falsa. A nós, penitentes da pedregosa senda que conduz à libertação final, não interessa jamais a evolução. Sabemos que somos uns coitados e miseráveis… e a evolução de nada serviria para nós; preferimos a morte suprema; só com a morte advém o novo.

Por que haveríamos de lutar pela evolução e progresso de nossa própria desventura? Melhor é a Morte.

Se a semente não morre, a planta não nasce. Quando a morte é absoluta, o que irá nascer é também absoluto. A aniquilação total do “Mim Mesmo”, a dissolução radical do mais caro que trazemos dentro de nós, a desintegração final de nossos melhores desejos, pensamentos, paixões, ressentimentos, dores, emoções, anseios, ódios, amores, ciúmes, vinganças, cóleras, afetos, apegos, carinhos, luxúria etc., é urgente, inadiável, impostergável, a fim de que surja a chama do Ser, que não é do tempo, que é sempre novo. A Ideia que cada um de Nós tem do Ser jamais é o Ser; o conceito intelectivo que sobre o Ser tenhamos elaborado não é o Ser; a opinião sobre o Ser não é o Ser…

O Ser é o Ser e a razão de do Ser é o próprio Ser. O temor à morte absoluta é empecilho, obstáculo, inconveniente, para a obtenção da mudança radical.

Cada um de nós traz em seu íntimo uma criação equivocada; é indispensável destruir o falso para que surja, de verdade, uma criação nova. Jamais intentaríamos promover a evolução do falso; preferimos a aniquilação absoluta. Da negra e pavorosa fossa sepulcral do abismo surgem as diversas partes flamígeras do Ser; o “Anjo da Guarda” é uma dessas tantas partes isoladas.

Aqueles que conhecem realmente os Mistérios do Templo, reflexo maravilhoso dos Mistérios Báquicos, Eleusínios e Pitagóricos jamais desejarão continuar com sua miséria interior. Temos de regressar ao ponto de partida original, temos de voltar às trevas primitivas do “Não-Ser” e ao “Caos”, para que nasça a luz e surja em nosso interior uma nova criação. Em lugar de temer a aniquilação total, melhor é saber amar e cair nos braços de nossa Bendita Deusa Mãe-Morte.

NOTA FINAL

MAGNIFICAT ANIMA MEA!

Teu destino, querido leitor, jamais será como o dos outros mortais se, depois de teres estudado a fundo este livro, praticares os métodos ou sistemas nele ensinados para o Despertar da Consciência.

Eu poderia ter recorrido, com efeito, para avaliar o que escrevi nestas páginas, aos consabidos escritos medievais encontrados aqui, ali e acolá, conforme velho expediente literário. Eu poderia valer-me do recurso do Divino Platão, pondo na boca de Sócrates o que o Sacerdote de Sais outrora contou a Sólon no Delta do Nilo. Eu poderia apelar, enfim, a outros sortilégios próprios dos relatos mais ou menos Históricos para dar-te mais dados esotéricos, sem faltar aos Sagrados Votos de Sigilo Iniciático, relativos à vida e aos portentosos feitos Gnósticos de Anahuac. Não é urgente, porém, acrescentar por ora nada mais a este livro; penso que, com Nove Dias de estudo, Meditação, isolamento e Jejum, poderás experimentar diretamente as verdades contidas neste tratado esotérico.

Complementa este texto o maravilhoso trabalho do estudante gnóstico Victor Peralta, intitulado O Simbolismo Gnóstico dos Sonhos. Adquira esta e outras obras gnósticas inscrevendo-se em nosso Link Reservado. Retorne à página inicial deste site e inscreva-se gratuitamente.

Se o caro leitor tiver alguma dúvida ou quiser esclarecer algum detalhe desse trabalho maravilhoso, escreva-nos para o endereço [email protected]

A simbologia esotérica de Pinóquio e de Alice no País das Maravilhas

20

As Aventuras de Pinóquio e Alice no País das Maravilhas são duas histórias para crianças carregadas de mensagens transpessoais, psicológicas e esotéricas, dois relatos de desenvolvimento pessoal, em que Pinóquio e Alice se vão desprendendo dos seus defeitos, limitações, ignorância e adormecimento, e tornar-se verdadeiros seres humanos com ajuda de duas personagens, respectivamente, o Grilo Falante e o Coelho, como acontece com a dupla Tamino-Pamina de A Flauta Mágica.

Há pouco tempo, Cecilia Gatto Trocchi, antropóloga da Universidade de Perúgia, explicava que Pinóquio era nada menos que um texto maçônico carregado de esoterismo, cujas peripécias seriam perífrases de livros esotéricos, como o Livro dos Mortos e O Conto da Serpente Verde, do também maçom Goethe.

Realmente, Pinóquio, e também Alice no País das Maravilhas, é um texto maçônico e iniciático.

A razão é porque, não só ambas as histórias estão repletas de simbologia maçônica, como foram escritas por dois conhecidos maçons, o italiano Carlo Collodi e o inglês Lewis Carroll, respectivamente, no século 19, tal como a partitura da Flauta Mágica o tinha sido, pelo maçom Mozart, no século 18, sobre o texto de uma fábula maçônica.

De fato, na história de Pinóquio, Gepeto é um velho mestre que usa avental (mestre maçom) e, sonhando ter uma criança, faz um boneco de madeira (segundo os astecas, os Deuses criaram o ser humano de madeira, que tem um paralelismo com o “trabalhar a Pedra”), desenhando-o com um compasso (objeto maçônico). Ao ver a estrela azul (estrela flamígera, a mesma estrela que guiou os Reis Magos), implora a realização desse desejo, o qual lhe é concedido: enquanto dormia, a Fada Azul (Mãe Divina) deu vida ao boneco, advertindo-o para que se comportasse como um menino de verdade (Homem autêntico, autorrealizado). E para aconselhá-lo, presenteia-o com o Grilo Falante (a Consciência).

Mas Pinóquio tem um Ego hipertrofiado, produto de distintos vícios que foi acumulando. As mentiras fazem-lhe crescer o nariz e as orelhas de burro depois, num paralelismo muito semelhante à história do Príncipe com Orelhas de Burro, que a tradição maçônica costuma utilizar para exemplificar nossa vida kármica, fútil e inconsciente.

Pinóquio paga as consequências dos seus atos quando é engolido por uma baleia, à semelhança do Jonas bíblico, num paralelismo também à Câmara de Reflexão maçônica e gnóstica, das iniciações e ao Ritual no 3º grau na morte de Hiram Abiff, existentes na Maçonaria.

No ventre da baleia, Pinóquio decide mudar, deixando para trás a vida inconsciente, e, sendo expelido pela Baleia, afoga-se, também num paralelismo com a Morte Mística do  iniciado, que, na Câmara de Reflexão, morre para a vida profana, renascendo para a vida iniciática, e do mestre que, no Ritual de 3º grau, se desprende de sua carne e ossos, para ressuscitar espiritualmente.

E da mesma forma que o iniciado e mestre, Pinóquio acorda do afogamento, renascendo sob uma forma humana mais elevada, tonando-se um Homem de verdade.

E Pinóquio é Homem de verdade, também segundo a interpretação psicológica da história, quando, transformando-se num menino de carne e osso, vence o gato e a raposa (as manifestações egoicas nos Centros Instintivo-Motor e Emocional).

No antigo tratado japonês Yagyun sobre a espada e a filosofia zen, explica numa frase: “Transforma-te num boneco de madeira: o boneco não tem Ego, nada pensa, e deixa que o corpo e os membros trabalhem por si mesmos de acordo com a disciplina que experimentaram. É este o caminho para a Vitória”.

Na história de Alice no País das Maravilhas, que, inicialmente, de forma reveladora do seu caráter simbólico, o seu autor intitulou Alice Debaixo da Terra, numa alusão à descida ao interior de si próprio do aprendiz maçom, o paralelismo com as Aventuras de Pinóquio é notório:

A estrutura da história segue do princípio ao fim o esquema de uma a sessão iniciática de um templo gnóstico-maçom, a que são adicionados alguns elementos de fantasia e personagens. Alice estava aborrecida, cansada de ficar sentada num banco com a irmã, sem nada para fazer. Estava de olho no livro que a irmã lia, mas logo se desinteressou, já que ele não possuía imagens ou diálogos. A menina estava convencida de que um livro sem imagens e sem diálogos não valia a pena (futilidade, inconsciência, vida profana).

No meio dessa monotonia, levanta-se para colher margaridas para um colar, sendo surpreendida por um velho coelho de luvas brancas (mestre maçom de luvas brancas que introduz o Iniciado), sempre preocupado com o atraso para a reunião (no templo ou na loja). Curiosa, Alice segue o coelho, entrando numa toca (Câmara da Reflexão, caixão do Mestre Hiram), onde vê uma porta, mas não consegue entrar antes de passar por sucessivas transformações e provas (como as provas maçônicas e gnósticas dos 4 Elementos) e só depois tem acesso, através da porta, que finalmente se abre, ao jardim onde três jardineiros (os três oficiantes da loja: Sacerdote, 1º e 2º Vigilantes) pintavam rosas brancas de vermelho (a transformação que se opera em cada um ao transpor a porta do templo) e chamavam-se uns aos outros como se tivessem números (nomes simbólicos dos maçons), o cortejo da rainha (o cortejo de entrada), o jogo de críquete entre todos (a Cadeia de União ou de Irradiação de Amor), a ordem de cortar as cabeças (o gesto do estar “à ordem” em Maçonaria, e a recordação da Morte-em-Marcha gnóstica), as deliberações e votações (também na forma maçônica), todos elementos da iconografia e simbologia maçônicas, provas essas que a levaram ao conhecimento de si mesma. Isso tudo sem falar do famoso chá, feito de determinada “planta de poder”, usada para amplificar a Consciência (aumentar ou diminuir de tamanho), usada por Iniciados para experienciar os Mundos Internos…

Cada experiência pela qual Alice passa, com as sucessivas transformações em que cresce e diminui, explica-lhe que vivemos cercados de estímulos aos quais se reage conforme o Nível de Ser que se tem. “O País das Maravilhas existe.” O trabalho de autoaperfeiçoamento na subida gradual na Escada de Jacó, que é o símbolo do crescimento gradual na Sabedoria, é possível.

Como diz a última frase da história: Alice aprendeu “que para voltar ao País das Maravilhas basta conservar o coração puro e os olhos tão transparentes como o céu de verão”.

Uma conclusão que se pode reverter na máxima maçônica: o maçom, para estar em comunhão com a ordem, basta ter o coração puro e os olhos transparentes como o céu estrelado da sua loja.

O Grilo Falante de Pinóquio e o Coelho de Alice representam a nossa Alma Divina, a Consciência, também nosso “Remorso”, adormecida e presa pelo Ego e pela Mente, pelos desejos inferiores egoicos que temos, como Pinóquio e Alice, que ouvir e seguir na formação do coração e esclarecimento do espírito.

Ambas as histórias relatam simbolicamente o caminho longo e cansativo de um iniciado maçom. O Trabalho pelo qual a Pedra Bruta se transforma numa pedra trabalhada e viva…

Demonstram os passos do Caminho, as suas Provas, nas quais se prepara o espírito para se tornar digno de entrar no Templo (Interior), naquele templo verdadeiro, que é feito sem ruído de pedra ou de martelo, em que a luz do Conhecimento (Gnose) permanece eternamente.

A entrada de Pinóquio no ventre da Baleia e a descida de Alice à toca do Coelho é o regressus ad uterum de todos os ritos iniciáticos que implicam transformação simbólica em embrião e uma pré-morte, seguida do regresso à Grande Mãe da etiologia, onde o iniciado nasce pela segunda vez.

Essa penetração na Grande Mãe é muitas vezes perigosa: no Pinóquio, a entrada no ventre da Baleia, além da já referida semelhança bíblica, encontra-se muitas vezes noutros mitos e sagas do antigo Oriente  e do mundo mediterrânico de raiz iniciática, tendo paralelismo com o mito polinésio de Mauí, o grande herói maori que, regressando à pátria, para a casa da avó, encontrando-a adormecida, se despe e penetra no corpo de uma gigante, a Grande Dama da Noite, Huie-muite-po, atravessando-a, mas, ao sair, ela acorda de sobressalto, apertando-o entre os dentes e cortando-o ao meio.

Em Alice, a descida à toca tem paralelismo com os ritos iniciáticos relativos às grutas e fendas das montanhas, símbolos da matriz Terra-Mãe em muitas culturas. Por exemplo, o termo chinês “tang”, designando gruta, também significa “misterioso, profundo, transcendental”, todos arcanos revelados nas iniciações.

Essas duas representações do Além, em Pinóquio sob a forma de ventre da Baleia, e em Alice sob a forma de toca, ilustra que o outro mundo é um local de acesso extremamente difícil.

A porta em forma de mandíbula, no caso de Pinóquio, e a simples porta impossível de transpor, no caso de Alice, significam a dificuldade da passagem e refletem a necessidade da mudança do modo de ser para poder atingir o mundo do espírito.

Em suma: independentemente da interpretação psicológica que muitos autores fazem das histórias de Pinóquio e Alice, elas têm na sua gênese uma conotação iniciática e esotérica, porque os seus criadores eram maçons, a simbologia e estrutura de ambas é maçônica e descrevem a viagem atribulada e solitária da cada ser humano, pobre, nu e cego, na procura constante da Sabedoria e da Espiritualidade, que vem já das mitologias e dos ritos de iniciação antigos e que várias culturas, religiões e a própria Gnose e Maçonaria adotaram para explicar simbolicamente a transformação espiritual de cada indivíduo para comungar com a Divindade.

https://www.youtube.com/watch?v=b1oC3yCdikY

Os 72 anjos e mestres cabalísticos da cura

15

Sabemos que está em moda no Brasil e no mundo a ideia de se trabalhar com os 72 Anjos Cabalísticos. Devemos aclarar melhor essa tradição, que tem confundido o esoterista em seu desejo sincero de realizar exercícios e práticas com as Hierarquias espirituais.

Para a Cabala, todos os modelos temporais são regidos por Potências Divinas. Há Gênios para os anos, para as estações do ano, para os meses, para determinados períodos, e até mesmo para cada dia.

Diz-se que cada um desses Anjos, ou como quiserem, Gênios, influencia a Luz Astral de cada dia do ano, além de serem os nomes de Virtudes divinas que necessitamos despertar dentro de nós mesmos (ou seja, são expressões de nossa Mônada, ou Partes do Ser).

Esses Seres são muito mais que isso. Segundo a Cabala Esotérica, são 72 Reitores que dirigem os trabalhos de miríades gigantescas de anjos especialistas, entre outras funções, para a medicina espiritual.

Os 72 Gênios são auxiliares diretos do Arcanjo Rafael e se prestam como uma espécie de antena espiritual captadora, transformadora e transmissora das ondas verdes curativas que vêm do coração do planeta Mercúrio.

Os mantras de tais Seres Sagrados que administram o Fogo Verde da Cura, que vem direto do planeta Mercúrio e banha nosso planeta Terra, podem ser vocalizados enquanto mentalizamos, imaginamos, essa energia cósmica mercuriana banhando as pessoas que desejamos que sejam curadas e harmonizadas. Esse mantras do Raio de Mercúrio são:

PAN-CLARA… CUREM-SE, SAREM-SE, ALIVIEM-SE…
PAN-CLARA… CUREM-SE, SAREM-SE, ALIVIEM-SE…
PAN-CLARA… CUREM-SE, SAREM-SE, ALIVIEM-SE…
AE-GAE… AE-GAE… AE-GAE… 
GUF… GUF… GUF…

Realmente, são palavras estranhas a nossos ouvidos, mas seus efeitos no Mundo Astral são simplesmente maravilhosos. O Fogo Verde da Cura desce desde o Sagrado Coração do Arcanjo Rafael e de sua Legião de Anjos e Mestres Curadores e “lava” nossos corpos internos (mental, astral, etérico) e, finalmente, o físico…

Recomenda-se trabalhar com os 72 nomes sagrados utilizando-os como mantras especiais nos rituais de cura, enquanto se realizam outros trabalhos paralelos, como Correntes de Irradiação, Uso de Incensos (sufumigações), Conjurações e Limpezas astrais, Orações aos Mestres da Medicina Universal etc.

Mestres da Medicina Universal

Enquanto os 72 Gênios Cabalísticos canalizam as ondas áuricas de Mercúrio sobre a Terra, há miríades de seres que se utilizam dessa energia curativa por onde quer que se faça necessário. Tais Indivíduos Cósmicos harmonizam e curam os corpos e almas de todos os reinos, particularmente do humano, dados os extremos desequilíbrios mentais, emocionais e físicos em que se encontra a Humanidade.

Há templos especializados em trabalhos curativos (desobstrução dos canais de energia, cirurgias, descontaminação por larvas astrais, realinhamento dos chacras, regeneração dos tecidos sensíveis dos cérebros de nossos corpos sutis etc.), além de serem Escolas de Sabedoria para aqueles interessados em trilhar a Senda da Iniciação e, em paralelo, auxiliar desinteressadamente a humanidade.

Como há milhares de Mestres e Chelas Curadores (membros da Fraternidade Branca) nas dimensões superiores trabalhando ocultamente em nosso benefício, precisaríamos de milhares de páginas para citar cada um deles e suas Especialidades… Portanto, vamos citar somente alguns desses Filhos da Luz, que podem ser invocados pelo leitor praticante:

 

Anjo da Cura sobre um enfermo acamado. O Anjo reequilibra o Campo Áurico do enfermo, até sua cura total.
Anjo da Cura sobre um enfermo acamado. O Anjo reequilibra o Campo Áurico do enfermo, até sua cura total

Paracelso: Mestre Ressurrecto especialista na Magia Elemental e na Botânica Oculta. Seu consultório no Templo Astral de Alden é repleto de ervas sagradas e instrumentos para cirurgias espirituais.

Huiracocha: Arcebispo da Santa Igreja Gnóstica dos mundos internos, especialista em canalizar a Luz Crística para cura profunda.

Ra-Hoor Khu (no Egito, Ra-Hoorkhuit): Poderoso mestre do Raio Egípcio, Senhor da Luz Prístina da dimensões superiores.

Anjo Aroch (conhecido no Egito como Paroch): Poderoso Anjo do Raio de Júpiter, sua sabedoria é antiquíssima e extremamente profunda, Ele sabe tudo e pode ajudar nosso coração aflito, desde que a Balança da Justiça permita.

Hilarion: Mestre do Raio da Cura e da Mente Cósmica e da Inteligência, sua aura verde é profundamente reconfortante e curativa. Ele se encarnou como o Apóstolo Paulo de Tarso e como o poderoso Mago sírio Jâmblico. Pertence ao Raio de Mercúrio.

Anjo Adonai: Este glorioso Anjo do Raio Positivo da Lua, é servo da Mãe Divina e segue as ordens do Arcanjo Gabriel. Sua esplendorosa aura dourada cura o campo áurico dos enfermos que O invocam.

Hipócrates (ou Harpócrates, no Egito, Heru-Pacroat): Especialista em cirurgias dos corpos internos.

Apóstolo Pedro: Venerável Mestre da Loja Branca, possui seu “consultório” no Templo de Alden. Ali, Pedro possui aparatos de altíssima tecnologia para a cura do Corpo Mental.

Plutão: Bodhisatva do Logos do planeta visitante Plutão, sua aura penetra no mais profundo de nossos corpos internos, realizando mudanças psicológicas inimagináveis.

Hermes Trismegisto: Poderoso Mestre Ressurrecto do Raio de Mercúrio, também especialista em cura do Corpo Mental.

Galeno e Esmun: São dois dos 7 diretores do Templo de Alden, o mais grandioso de todos os “hospitais astrais de cura”.

Se pudermos invocá-los (em nossas orações fervorosas e correntes coletivas) com a força do amor e com toda fé e veneração possíveis, tenhamos certeza de que seremos visitados por eles, mais cedo ou mais tarde. Ou serão enviados anjos de cura aos locais solicitados. Também conhecemos inúmeros relatos de pessoas levadas em corpo astral por tais Anjos, Mestres e Chelas para sofrerem cirurgias nos Templos de Cura.

Procedimentos Magísticos

De acordo com a Tabela Cabalística, o dia mais propício para se realizar Correntes de Cura é às segundas-feiras. Isso se deve a que cada um dos sete planetas sagrados e a Terra possuem momentos de maior e menor conjunção magnética. Entre Mercúrio e Terra, p.ex., essa maior irradiação se dá nas segundas-feiras, e mais intensamente entre meia-noite e duas da madrugada (ou seja, na madrugada de domingo para segunda). Claro, nada impede que se realizem orações e rituais de cura em qualquer dia e horário.

Arcanjo Rafael, Regente do planeta Mercúrio e do Raio da Cura

Ao realizarmos o chamamento verbal e mental dos mestres curadores, devemos estar num ambiente tranquilo e purificado de todo pensamento de ceticismo (removeremos montanhas caso tenhamos Fé Consciente do tamanho de um grão de mostarda). Se tivermos um local específico para trabalhos espirituais e com um pequeno altar, ou mesa de cura, será muito melhor.

E se forem feitas as invocações entre um grupo de amigos com sentimentos e pensamentos afins, os resultados não se farão esperar muito, se a Justiça e a Misericórdia Divinas permitirem, é claro.

As duas linhas da vida

2

Irmãos, vocês estão aqui para me escutar e eu me encontro aqui pronto para falar-lhes; entre vocês e eu deve haver um intercâmbio mútuo, entre vocês e eu deve existir compreensão criadora, só assim poderemos, realmente, entender o sentido prático da reunião desta noite.

Qual é o objetivo real de nossa existência? Para que estamos aqui, por quê? Isto é algo que devemos elucidar com toda clareza; isso é algo que devemos sopesar, analisar, julgar serenamente…

Vivemos no mundo, mas com que objetivo? Sofremos o indizível, para quê? Lutamos por conseguir isso que se chama pão, abrigo e refúgio, e, depois de tudo, em que ficam todos os nossos esforços? Viver por viver, trabalhar para viver e depois morrer, é por acaso algo maravilhoso? Em verdade, irmãos, faz-se necessário compreender o sentido de nossa existência, o sentido do viver.

Há duas linhas na vida: uma, poderíamos chamar de “Horizontal” e a outra de “Vertical”, e formam uma cruz dentro de nós mesmos, aqui e agora (nem um segundo à frente, nem um segundo atrás).

Necessitamos objetivar um pouco essas duas linhas. A Horizontal começa com o nascimento e termina com a morte; diante de cada berço existe a perspectiva de um sepulcro; tudo o que nasce deve morrer… Na Horizontal estão os processos do nascer, crescer, reproduzir-se, envelhecer e depois morrer; na Horizontal estão os vãos prazeres da vida, bebidas, fornicações, adultérios etc.

Na Horizontal está a luta pelo pão de cada dia, a luta por não morrer, por existir sob a luz do sol. Na Horizontal estão todos esses sofrimentos íntimos da vida prática, do lar, da rua, do escritório etc., nada maravilhoso pode oferecer-nos a Linha Horizontal…

Mas existe outra linha, totalmente diferente. Quero referir-me, de forma enfática, à Vertical (como já disse antes, Horizontal e Vertical formam uma cruz). Mas esta Vertical é interessante, nesta Vertical estão os distintos Níveis do Ser, nesta Vertical estão os poderes transcendentais e transcendentes do Íntimo, nesta Vertical estão os poderes esotéricos, os Poderes que Divinizam, a Revolução da Consciência etc.

Com as forças da Vertical, nós podemos influir decididamente sobre os aspectos horizontais da vida prática, podemos mudar totalmente nosso próprio destino, fazer de nossa vida algo diferente, algo distinto, passar a ser algo totalmente distinto ao que temos sido, ao que somos, ao que temos conhecido nesta amarga existência.

A Vertical maravilhosa é, portanto, revolucionária por natureza; mas é necessário ter um pouquinho de inquietudes.

Antes de tudo, pergunto-me e pergunto a todos os aqui presentes: estamos contentes com o que somos? Quem de vocês verdadeiramente se sente feliz, no sentido mais completo da palavra? Quem de vocês se sente feliz realmente?

Devemos ser sinceros. Nenhum de nós goza da autêntica felicidade, nenhum de nós pode dizer que vive em paz, nenhum de nós pode dizer que se encontra em um oásis de bem-aventurança. Temos inquietações terríveis, dissabores, ansiedades, amarguras, sofremos muito e nosso coração palpita com intensidade tremenda…

Necessitamos sair deste lodo em que nos encontramos. Necessitamos de verdade mudar radicalmente, e isto só seria possível se apelássemos aos poderes transcendentais e transcendentes da Vertical.

Quando alguém que vai pela Horizontal recorda de si mesmo, de seu próprio Ser, quando se pergunta “Quem sou?”, “De onde venho?”, “Para onde vou?”, “Qual é o objetivo da existência?”, sem dúvida entra pela Senda Vertical, que é a senda da revolução, a senda que conduz ao Super-Homem.

Chegou a hora do Super-Homem! O “animal intelectual” realmente não é mais que uma ponte entre o animal inferior e o Super-Homem. Necessitamos converter-nos em verdadeiros Reis da Criação, em Amos de nós mesmos, em Senhores de tudo o que é, de tudo o que foi, de tudo o que será…

É urgente uma mudança, uma transformação total; é urgente sair o quanto antes deste brenhal, deste caos em que nos encontramos, em que nos debatemos miseravelmente.

As leis da Terra jamais poderiam nos dar a Paz, as leis da Terra nunca poderiam nos dar a autêntica felicidade que transforma radicalmente; as leis da Terra não poderiam nos dar, nunca, a Liberdade.

Assim, é urgente entrarmos pelo caminho vertical que está dentro de nós mesmos, aqui e agora; chegou a hora da grande revolução, da revolução psicológica, da revolução em marcha, da revolução que há de nos conduzir até o Super-Homem…

O Super-Homem é Interno, espiritual. O Super-Homem é todo aquele Iniciado, homem ou mulher, que encarnou a seu Cristo Íntimo.

A Liberação Final e a Felicidade Autêntica

Irmãos gnósticos aqui reunidos, convido-os a refletirem sobre o Super-Homem, convido-os a pensar na mudança total, convido-os a entrar por essa Senda Vertical Revolucionária que os conduzirá, inevitavelmente, até a liberação final.

Sei que vocês não são felizes. E não serão felizes enquanto não percorrerem com firmeza a Senda Vertical. Não serão felizes enquanto não chegarem às alturas do Super-Homem, não serão felizes enquanto não liberarem a Consciência do lodo doloroso deste mundo, não serão felizes enquanto não experimentarem isso que é o Real, isso que não é do Tempo, isso que é a Verdade…

Assim, irmãos que nesta noite estão aqui reunidos, convido-os à reflexão… Na Senda Vertical está a Revolução da Consciência, e quando alguém admite que tem uma psicologia própria, indubitavelmente começa a trabalhar sobre si mesmo, então é óbvio que entra pela Senda Vertical.

Somos um verdadeiro enigma para nós mesmos, um enigma que há que se decifrar, um enigma que há que se resolver, um enigma que há que se quebrantar. Não nos conhecemos, lamentavelmente, mas acreditamos que nos conhecemos. Necessitamos ser sinceros conosco, necessitamos fazer a dissecação do mim mesmo, do si mesmo, do Eu mesmo…

Facilmente se admite que temos um corpo físico provido de órgãos… um organismo. Mas poucos compreendem, de verdade, que temos uma Psicologia particular. Quando alguém entende que tem uma Psicologia, começa a trabalhar sobre si mesmo, aqui e agora. Quando alguém compreende que tem uma Psicologia, começa com o processo da auto-observação psicológica.

Quem começa a observar a si mesmo se converte de fato em um indivíduo diferente, distinto de todos, completamente distinto. Mas as pessoas têm a tendência a admitir apenas a questão física, o tridimensional, o corpo denso, porque podem vê-lo, ouvi-lo, tocá-lo e apalpá-lo. Poucos, em verdade, são aqueles que sinceramente aceitam ter uma Psicologia de tipo bem particular. Quando alguém aceita isso, de fato começa a observar-se e isto o torna diferente de seus semelhantes. Observar-se, para conhecer-se, é o melhor dos melhores…

Alguém me dizia, faz algum tempo, “que com certeza conhecia a si mesmo”. Então não tive inconveniente algum em lhe dizer:

– Se você conhece a si mesmo, diga-me: quantos átomos tem um pelo de seu bigode? O homem disse: bom, isso eu não sei…

– Ah – disse-lhe–, se não conhece um pelo de seu bigode, se não sabe quantos átomos tem, muito menos vai conhecer a totalidade de si mesmo…

Inquestionavelmente, aquele homem teve de aceitar minha afirmação.

Quando alguém conhece a si mesmo profundamente, conhece o Universo e os Deuses.

Na Senda Vertical, propomo-nos antes de tudo a conhecer a nós mesmos, porque só conhecendo a nós mesmos podemos conhecer os outros.

Na Senda Vertical, meus queridos irmãos, temos de fazer um inventário psicológico de nós mesmos, para saber o quanto temos e o quanto nos falta.

Há muita coisa que devemos eliminar, muita coisa de ridículo em nosso interior, e também há muito em nós que devemos conquistar, que nos falta. Muita coisa nos sobra, muita coisa nos falta. Na Senda Vertical fazemos um inventário de nós mesmos para saber quem somos, de onde viemos, para onde vamos, qual é o objetivo da existência…

Aqui, reunidos nesta sala, devemos tratar de inquirir um pouco, devemos tratar de nos autoconhecer. Devemos, em verdade, examinar o tema de nós mesmos, colocá-lo sobre a mesa, se é que em realidade estamos dispostos a trabalhar para mudar totalmente.

Na Senda Vertical estão os distintos Níveis de Ser. Quando alguém começa a trabalhar sobre si mesmo para eliminar tal ou qual defeito psicológico, entra, indubitavelmente, de fato e por direito próprio em um Nível Superior do Ser…

Foi-nos dito, e com grande verdade, que o Nível de Ser de cada qual atrai sua própria vida. Um homem é o que é sua vida.

Observem uma vaca em pleno estábulo: seu próprio Nível de Ser atrai sua própria vida. Se tiramos a vaca do estábulo e a levamos ao nosso quarto, se lhe damos uma camareira, a penteamos muito bem, a enchemos de talco, a perfumamos, nem por isso ela deixará de ser uma vaca; continuará com seus costumes de vaca, e fará então de nosso belo quarto um estábulo; não mudará, porque o Nível de Ser de cada qual atrai sua própria vida…

Se tiramos do meio da multidão um mendigo esfarrapado e o levamos ao Palácio de Buckingham para que viva ali, ao lado da rainha Elizabeth, no princípio será atendido por muitos criados, será considerado um “grande senhor”.

Mas seu Nível de Ser atrairá sua própria vida; logo, os criados verão nesse mendigo costumes muito diferentes dos do Palácio, verão que é avaro, que guarda o dinheiro de forma terrível, que não gastará jamais um cêntimo, nem para ajudar um amigo; verão sua irritabilidade, sua falta de escrúpulos, se darão conta de suas intrigas, se vingará dos inimigos, o “disse que disse” etc., até chegar o momento em que ele se verá só, em pleno Palácio.

Terá de rogar aos criados para que levem ao menos um prato de comida, porque eles já não vão querer atendê-lo, o abandonarão; e dentro do próprio Palácio de Buckingham, ainda que se vista da melhor forma possível, continuará sendo o que é: um mendigo!

O Nível de Ser de cada qual atrai sua própria vida; um homem é o que é sua vida…

Muitos se preocupam por ter enormes quantidades de dinheiro. Dizem: “Se eu ganhasse na loteria, como minha vida seria diferente! Com a ‘Acumulada’, mudaria radicalmente”… Mas isto é falso, completamente falso, porque o Nível de Ser atrai sua própria vida. Um homem, repito, é o que é sua vida…

Convém refletirmos sobre todas essas questões. Não é conseguindo enormes quantidades de dinheiro que vamos mudar nossa própria vida, não! O que necessitamos é passar a um Nível Superior de Ser.

Coloquemo-nos, por um momento, em algum desses lugares estranhos da cidade, em uma dessas cidades perdidas, em algum desses terrenos onde os “paraquedistas” (Nota do GnosisOnline: os sem-terra ou gente que invade terrenos) e associados formam existências, diríamos, coletivas, infra-humanas, para que vejamos melhor a questão do Nível de Ser…

Lembro-me de haver observado um grupo de pessoas paraquedistas vivendo em um terreno desses. Brigavam entre si diariamente, embebedavam-se, feriam-se, matavam-se, e aquele bairro, que antes vivia tranquilo, teve de passar por surpresas inauditas: diariamente as patrulhas de polícia soavam por ali suas sirenes, ouviam-se gritos de dor, de ódio, de ira etc. E aqueles infelizes continuavam como sempre, sofrendo terrivelmente. Obviamente, seu Nível de Ser atraía sua própria vida)…

Se, por um momento, alguma dessas pessoas houvesse refletido, ainda que fosse por um instante, se houvesse se proposto a estudar a si mesmo, se houvesse descoberto seus defeitos psicológicos e ousado entrar pela Senda Vertical Revolucionária da Psicologia, obviamente teria podido eliminar alguns defeitos; talvez a ira, possivelmente o ódio, o egoísmo, a maledicência etc.

Conclusão, mudaria de Nível de Ser, e mudando de Nível de Ser, se refinaria em seus costumes. Indubitavelmente, então já não poderia se entender com aquelas pessoas que o rodeavam; essas pessoas tampouco se entenderiam com ele. Veria a necessidade de fazer novas amizades e, simplesmente pela Lei de Afinidades Psicológicas, faria essas novas amizades.

Como resultado, ao mudar de Nível de Ser, mudaria sua vida. Possivelmente, essas novas amizades lhe trariam novas oportunidades, e mediante a inter-relação, mudaria o aspecto econômico de sua própria existência, conseguiria um trabalho diferente, melhoraria notavelmente.

Assim, o Nível de Ser de cada qual atrai sua própria vida, e um homem é o que é sua vida…

Na Senda Vertical temos a possibilidade de mudar nosso próprio Nível de Ser. Se assim fazemos, se eliminamos de nós mesmos os defeitos psicológicos, o resultado será extraordinário, porque ao mudar nosso próprio Nível de Ser, mudará também toda a nossa vida, e quando alguém muda radicalmente, muda também tudo o que o rodeia.

As circunstâncias incômodas da existência, as circunstâncias nada agradáveis da vida, não são senão meras projeções do que em nosso interior ocorre. Se em nosso interior nós mudamos, as circunstâncias externas mudarão também. Mas se não mudamos interiormente, a circunstâncias exteriores tampouco mudarão.

Já disse Immanuel Kant, o Filósofo de Koenigsberg: “O exterior é o interior”. Em outras palavras, vamos aclarar, dizendo: “O exterior não é mais que o reflexo do que interiormente somos”.

Se somos pessoas iracundas, se odiamos, se somos ciumentos, invejosos, perversos, as circunstâncias que nos rodeiam serão perversas, fatais, sinistras.

E se somos pessoas decentes, se vivemos em harmonia com o Infinito, se respiramos paz, se irradiamos amor, felicidade, contentamento, as circunstâncias que emanarão de nós mesmos serão belas, teremos relações belíssimas, haverá harmonia com todos que nos rodeiam…

São muitos os que me escrevem contando seus problemas. Diz a mulher: “Meu marido se foi com outra mulher”; e o marido: “Minha mulher já não quer viver comigo, se foi com outro homem”; e também: “Como vou fazer”, e “Como vou resolver o problema?”; que “me devem e não querem pagar”, que “entraram com uma ação judicial e agora como vou resolver”, que “me ajude a resolver a questão” etc.

Cada caso em geral é complicado, difícil; todos querem que se resolvam os seus problemas; todos querem viver em paz, ter uma harmonia extraordinária, com felicidade e sem problemas.

Mas não querem se dar conta, os que assim me escrevem, de que a raiz de todos os problemas está em seu interior, de que esses problemas não são mais que as projeções de seu interior; que de seu interior estão saindo os problemas, porque um homem é o que é sua vida e nada mais que isso, o que é sua vida.

Se não muda seu próprio Nível de Ser, se não muda sua vida interior, não mudará nada; o exterior não é mais que a projeção do interior… Chegou a hora de entender isto.

Querem felicidade, mas de onde vão tirá-la? Não querem admitir que os erros ou as causas, melhor dizendo, de tudo o que lhes está ocorrendo, estão dentro de vocês mesmos. Sim, cada qual leva as causas de seus sofrimentos dentro de si mesmo, e enquanto as causas não se dissolverem, os sofrimentos tampouco se dissolverão. Todo efeito tem sua causa, toda causa provoca seu efeito.

Auto-Observação e Autorreflexão Evidente do Ser

Assim, quando nos metemos a andar pela Senda Vertical, antes de tudo, propomo-nos ao autodescobrimento, a conhecer nossos próprios erros para extirpá-los, para tirá-los de nós mesmos, porque só assim poderemos mudar fundamentalmente…

Um homem é o que é sua vida, e se um homem não trabalha a própria vida, sem dúvida estará perdendo o tempo miseravelmente.

A vida é como um filme, que conclui aparentemente com a morte. A morte é o regresso ao ponto de partida original, com a possibilidade de voltar a projetar sobre a tela do mundo a mesma vida…

No budismo se fala das “vidas sucessivas”, mas eu digo, em verdade, que não há vidas sucessivas. O que há, o que realmente existe são existências sucessivas, porque a vida é a mesma.

Quando chega a hora da morte, termina o filme, o enrolamos e o levamos para a Eternidade, e ali o revivemos em forma retrospectiva.

Não se esqueçam de que assim como há um espaço tridimensional, visível e tangível, também existe um espaço psicológico, e isto é inegável, inquestionável, axiomático.

No espaço psicológico continua nossa própria vida; ali a revivemos de forma retrospectiva. Mais tarde retornamos, regressamos no Tempo, nos reincorporamos em um novo organismo (essa é a Lei do Eterno Retorno de todas as coisas). E regressamos para voltar a projetar nossa mesmíssima vida, para projetá-la outra vez sobre a tela deste mundo.

Assim, não são vidas sucessivas o que existe, realmente o que há são as existências sucessivas. Distinga-se entre vidas sucessivas e existências sucessivas. Vida, não há mais que uma, a que levamos e que trazemos, a que tornamos a levar e que voltamos a trazer, sempre a mesma…

Existências sim; a cada Alma se concedem 108 existências…

Estou fazendo essas afirmações porque estou diante de um auditório muito especial, formado por pessoas do Movimento Gnóstico Internacional, por pessoas revolucionárias, rebeldes, dispostas, em verdade, a seguir pela Senda Vertical, pela senda das transformações, pelo caminho que há de nos conduzir ao Super-Homem.

Chegou o instante de refletirmos sobre nossa própria vida. Se não mudamos este “filme” da vida (este que levamos e que voltamos a trazer), se não o modificamos, continuará sempre se repetindo e se repetirá através de 108 existências. E, se apesar de tudo não mudamos, teremos de ir, como se diz, “com nossa música a outro lugar,” teremos de levar nossa vida ao Reino Mineral Submerso…

Que tal reino é uma realidade, ninguém pode negar, pois estamos vivendo sobre a epiderme desta pobre Terra que viaja conosco através do espaço infinito.

Que Dante Alighieri, em sua Divina Comédia, tenha situado seu Infernus dentro do Reino Mineral Submerso, nada tem de estranho, e isto sabem os divinos e os humanos…

Obviamente, aqueles que fracassam na transformação de sua própria vida, aqueles que não são capazes de eliminar seus defeitos psicológicos, terão de involuir no Tempo, dentro dos Nove Círculos Dantescos, até a Segunda Morte. E não é nada agradável involuir no Tempo. Eu, pessoalmente, não tenho medo do Inferno…

Nos Mundos Infernos se desintegra o Ego, o Eu, o Mim Mesmo, esse Eu da Psicologia Experimental, esse Eu que estudam todos os psicólogos deste planeta. No Reino Mineral Submergido passamos sempre pela Segunda Morte.

Mas em verdade não é nada agradável desenvolver-se involutivamente dentro dos Nove Círculos de Dante Alighieri, não recomendaria a vocês passar pelo Mictlán, com suas provas tão terríveis… Precisamente aqui, em nosso querido México, nossos antepassados de Anáhuac falavam sobre o Mictlán.

Esse Mictlán não é outra coisa senão os Mundos Infernos de Dante, com seus Nove Círculos Infernais, e ali estão todas as provas tremendas de que falaram os antigos Iniciados; ali está a Sabedoria que nos mostrara o florentino Dante; ali está a Sabedoria pintada por Virgílio, o autor da Eneida

Passam por inenarráveis amarguras os que entram na involução submersa dos Mundos Infernos, portanto, não é aconselhável involuir no Tempo.

Obviamente, os que passam por essas tremendas provas, depois da Segunda Morte ingressam nos Paraísos Elementais da Natureza. Posteriormente, evoluem nos quatro Reinos para voltar a alcançar o estado humano que outrora perderam.

Dissolver o Eu é fundamental, e é melhor fazer isso aqui e agora… Nestes momentos, vem-me à memória uma passagem de Maomé. Já estando muito velho e a ponto de morrer, junto à fonte cristalina de um oásis, dirigiu-se às multidões e disse: “Se a alguém devo algo, que me cuspa no rosto…” Certamente, um homem avançou até ele e lhe cuspiu no rosto. Aquele homem sábio (Maomé) lavou o rosto na fonte cristalina daquele oásis e exclamou: “Mais vale pagar tudo de uma vez, em vida, e não depois da morte”.

É que os sofrimentos pelos quais se tem de passar no Mictlán dos astecas são certamente dolorosos… Por todos esses motivos, temos de refletir…

Há Almas que preferem liberar-se de uma vez para sempre, e que ingressam, como diz a Sabedoria de nossos antepassados de Anáhuac, no Tlalocán. São regiões inefáveis, vivamente representadas por Tláloc, o Deus da Chuva.

Existem regiões inefáveis no Mundo Molecular, governadas por Huehueteotl, o Deus do Fogo, ou pelo Deus Morcego etc., vivas representações do esoterismo antigo, vivas representações de mística cristã e asteca, transcendente e transcendental.

Em todo caso, enquanto alguém não dissolver o Ego, tampouco tem o direito de entrar nessas regiões inefáveis de que nos falaram as religiões antigas. Enquanto alguém não dissolver o Eu mesmo, enquanto não tenha se elevado pela linha Vertical, onde estão os distintos Níveis de Ser, tampouco terá direito a que sua Consciência superlativa e transcendental ingresse nos paraísos moleculares.

Aqueles que de verdade quiserem alcançar a autêntica felicidade deverão começar por entrar pelo Caminho Vertical.

Na Vertical nos é ensinado claramente que não somos ainda Indivíduos Sagrados, que cada um de nós é uma pessoa-máquina e que dentro de nossa pessoa há muitas pessoas…

Dentro de nós há muitas pessoas psicológicas. Temos o Eu da Ira, temos o Eu do Ódio, também temos o Eu da Inveja, temos o Eu dos Ciúmes, temos o Eu da Maledicência, temos o Eu da Ambição, temos o Eu da Astúcia etc.

Todos esses Eus que temos não são mera ficção, são uma tremenda realidade para quem tenha desenvolvido o sentido da auto-observação psicológica.

Todos estes Eus-Pessoas entram e saem de nosso corpo físico à vontade. Todos esses eus-Ppssoas têm também três cérebros. Cada Eu-Pessoa tem um Cérebro Intelectual, um Cérebro Emocional e um Cérebro Motor-Instintivo-Sexual. Cada Eu-Pessoa é, por si mesmo, uma entidade completa.

Assim, dentro de nossa pessoa vivem muitas pessoas que entram e saem livremente de nosso organismo. Agora vocês entenderão por que em verdade nós não temos um critério completo, por que estamos cheios de terríveis contradições: em um momento dizemos uma coisa, em outro momento afirmamos o contrário.

O Espelho Psicológico

Se pudéssemos nos ver em um espelho tal como somos, se pudéssemos nos ver de corpo inteiro (psicologicamente falando), posso dizer-lhes, em nome da Verdade, que ficaríamos loucos, que fugiríamos apavorados, que trataríamos de escapar de nós mesmos.

Se fôssemos uma pessoa responsável, se cada um de nós fosse um Indivíduo Sagrado, se fosse íntegro, tudo seria diferente. Mas nós não somos íntegros, pois não possuímos isso que se chama “unicidade”.
Somos uma multiplicidade, desordenada e caótica; acreditamos que estamos vivos, mas estamos mortos. Dentro de nós vivem muitos espectros da morte, o “Eu odeio”, o “Eu tenho ciúmes”, o “Eu tenho inveja”, o “Eu sou luxurioso”, o “Eu sou iracundo” etc.

Todos estes Eus-Pessoas, repito, entram e saem de nosso corpo; dentro de cada Eu-Pessoa está, em verdade, engarrafada um fração de nossa própria Consciência. Assim, nossa Consciência está engarrafada em toda essa multiplicidade de Eus que constituem o mim mesmo; nossa Consciência engarrafada funciona em virtude de seu próprio condicionamento, isto é, temos a Consciência adormecida…

De todos os fenômenos físicos que acontecem ao nosso redor (e enfatizo, físicos), só podemos perceber uma milionésima parte. Isto é, existe uma multiplicidade extraordinária de fenômenos físicos que acontecem ao nosso redor e que não somos capazes de perceber.

Estamos adormecidos, mas acreditamos estar despertos, não admitimos estar adormecidos, e até nos ofendemos quando alguém nos diz isso, mas, em verdade, necessitamos despertar.

Os quatro Evangelhos insistem na necessidade de despertar. Se estivéssemos despertos, poderíamos ver, ouvir, tocar e palpar as grandes realidades dos Mundos Superiores, e se estivéssemos despertos, a vida para nós seria totalmente diferente. Não seríamos vítimas das circunstâncias, poderíamos dirigi-las à vontade. Mas nós, em verdade, não estamos despertos, estamos profundamente adormecidos, dormimos profundamente, ignoramos que ignoramos…

Chegou a hora de nos preocuparmos pelo despertar. Quando despertarmos, poderemos perceber perfeitamente isso que é a Verdade, isso que não é do Tempo, isso que está além do corpo, das emoções e da mente…

Quando alguém experimenta o Real também experimenta um elemento que transforma radicalmente. Nós necessitamos experimentar esse “elemento”, com o propósito de trabalhar intensamente sobre nós mesmos.
Temos de arrancar nossas máscaras para nos vermos como somos realmente.

É necessário, antes de tudo, dissolver essas personalidades vãs que carregamos em nosso interior, com o objetivo precisamente de despertar Consciência.

Quando um Eu psicológico, seja de ira, ou de ódio etc., é desintegrado, a Consciência ali engarrafada também fica emancipada, liberada; então vem o despertar…

Normalmente, as pessoas têm 3% de Consciência desperta, mas, se trabalhamos sobre nós mesmos, se eliminamos todos esses Eus-Pessoas que moram em nosso interior, elevaremos nossa porcentagem de Consciência pouco a pouco.

Se as pessoas tivessem sequer 10% de Consciência desperta, poderíamos dizer, em verdade, que as guerras sobre a face da Terra desapareceriam para sempre; se as pessoas chegassem a ter 50% de Consciência desperta, a Terra seria um Paraíso.

Agora, chegar a ter 100% de Consciência desperta é só questão de Iniciados, de Super-Homens, como um Moisés, um Buda Gautama, o Cristo etc. Necessitamos trabalhar muito, dissolver esses Eus que carregamos em nosso interior, para poder mudar nossa própria vida, para poder despertar Consciência, para chegar à Iluminação, para experimentar, em verdade, isso que não é do Tempo, isso que é a Verdade…

Antes de tudo, como já disse, quando alguém entra pela Senda Vertical, quando admite que tem uma Psicologia, começa a se auto-observar. Quando alguém descobre que tem o Eu da Ira, deve trabalhá-lo. Em princípio, só deve limitar-se a observá-lo. E depois compreendê-lo através da análise, através da meditação profunda, através dos estudos diretos. Uma vez compreendido que temos tal ou qual eu-defeito, então passamos à terceira fase: desintegração, eliminação…

A mente, por si só, não poderia eliminar nenhum defeito psicológico; a mente só pode rotulá-lo com distintos nomes, passá-lo de um nível ao outro, escondê-lo de si mesma e dos demais etc., condená-lo ou justificá-lo, mas jamais alterá-lo radicalmente. Necessitamos de um Poder que seja superior à mente, de um Poder que possa realmente desintegrar qualquer eu-defeito.

Felizmente, todos possuímos esse Poder dentro de nós mesmos, aqui e agora. Quero me referir, de forma enfática, ao Poder Serpentino anular que se desenvolve no corpo do asceta gnóstico; esse poder extraordinário que os orientais denominam Kundalini e que os Alquimistas medievais denominavam Stella Maris.

Stella Maris, em verdade, é uma variante de nosso próprio Ser, mas derivado. Stella Maris, a Cobra Sagrada, o “Poder Serpentino da Kundalini”, como é chamada na Índia e no Tibete, pode desintegrar instantaneamente qualquer defeito de tipo psicológico.

É óbvio que todos temos pleno direito de invocar o poder de Devi Kundalini-Shakti. Este poder se multiplica, se desenvolve, quando trabalhamos extraordinariamente na Forja Acesa de Vulcano, na Nona Esfera…

Os solteiros também podem invocar Devi Kundalini quando queiram eliminar tal ou qual erro psicológico. Mas em verdade temos de afirmar, enfaticamente, que o poder maravilhoso de Devi Kundalini-Shakti se multiplica extraordinariamente na Nona Esfera. Com esse poder milagroso podemos desintegrar qualquer defeito.

Devi-Kundalini, Ísis, Adônia, essa variante de nosso próprio Ser, esse aspecto de Deus-Mãe em nós, pode eliminar de nós mesmos o defeito que tenhamos compreendido integralmente, em todos os níveis da mente…

Chegou a hora de entender a fundo essa questão, de ir morrendo de instante em instante: “Só com a morte advém o novo”; “se o grão não morre, a planta não nasce”… É necessário que nos resolvamos todos a morrer, se é que queremos de verdade nascer espiritualmente.

Recordemos aquele parágrafo de Jesus e de Nicodemo. Jesus exclamou, dizendo: “É necessário que morras para poder entrar no Reino dos Céus!”

Nós necessitamos morrer, aqui mesmo e agora, se é que queremos entrar nos Mundos Superiores de Consciência Cósmica, completamente despertos, totalmente iluminados, transformados radicalmente.

Assim como estamos não servimos para nada, somos um fracasso total; assim como estamos não somos senão Egos. O Eu psicológico não pode criar uma Nova Idade, o Eu psicológico não pode iniciar a Era de Aquário no augusto troar do pensamento, o Eu Psicológico não pode fazer a Idade de Ouro.

Aqueles profetas falsos que dizem que no ano 2001 ou 2007 começará a era da fraternidade e do amor, a Idade de Ouro cantada por Virgílio, o poeta de Mântua, em sua colossal Eneida, se equivocam, mentem, porque de que maneira poderia o Ego inventar uma Idade de Ouro? Vocês acreditam que o Eu da Psicologia Experimental, esse Eu tenebroso, esse Eu do ódio, esse Eu da guerra, das invejas etc., poderia criar de verdade a Idade de Ouro?

Obviamente, necessitamos morrer em nós mesmos, aqui e agora, se é que queremos em verdade criar a futura Idade, criar uma nova civilização, criar uma nova cultura!

Chegou o momento de entender que não somos felizes; chegou a hora de compreender que somos uns desventurados e não devemos nos enganar, achando-nos muito autoimportantes, perfeitos, “Soberanos”, “Deuses”, “Homens” e não sei o que mais…

Coloquemo-nos no plano das cruas realidades. Cada um de nós tem de lutar para existir, tem de lutar para viver, e não é feliz… mudar é o fundamental.

Em meus livros, falei muito sobre o sexo, disse bastante sobre a Forja Acesa de Vulcano, sobre a Alquimia Sexual. Obviamente, mediante a transmutação da libido genética (citada tantas vezes por Santo Agostinho) é possível criar os Corpos Existenciais Superiores do Ser para converter-nos em Homens.

Mas, de que serviria converter-nos em Homens autênticos, no sentido mais completo da palavra, no sentido mais extraordinário, se não eliminamos o Ego? Quem possui os Corpos Existenciais Superiores do Ser e não elimina o Ego se converte, de fato e por direito próprio, em um Hanasmussen com duplo centro de gravidade, em um fracasso, em um aborto da Mãe Cósmica.

Assim, trabalhar na Forja dos Ciclopes é necessário, mas se não eliminamos o Ego fracassamos rotundamente…

Que nenhum de nós se julgue perfeito, porque perfeito só o Pai que está nos Céus. Todos nós, começando por mim, que sou o que está dando esta aula, aqui diante de vocês, me considero (e nos devemos considerar) imperfeitos…

Todos nós temos facetas negativas, chamadas gnosticamente de Eus Psicológicos.

É lamentável que no Movimento Gnóstico haja ainda personalidades, diríamos, que se julguem perfeitas, é lamentável que no Movimento Gnóstico ainda haja mitômanos, pessoas que se sentem “sublimes” e “hierárquicas”.

Eu, como presidente-fundador deste Grande Movimento, jamais me sentiria perfeito, porque estou perfeitamente convencido de que só Ele, o Senhor, o Pai, é perfeito.

Mas no Movimento Gnóstico se veem às vezes incongruências que assombram. Pessoas cheias de erros que se julgam “sapientes”, pessoas que se sentem muito “santas”, quando suas mãos estão cheias de carvão; pessoas que se sentem muito “elevadas hierarquicamente”, transformadas em Hierofantes, quando em realidade de verdade nem sequer começaram a percorrer a Senda Vertical Revolucionária…

Temos de situar-nos no plano das mais cruas realidades. De modo algum vim aqui com o propósito de ser pessimista, tampouco me proponho a encher o coração de vocês de pessimismo: só quis pôr sobre o tapete das realidades o estado psicológico em que todos e cada um de nós se encontra.

Enquanto não tivermos eliminado de nosso interior todos esses eus-defeitos que carregamos, nossa Consciência estará profundamente adormecida; morreremos sem saber a que hora; nasceremos sem saber como nem por quê; continuaremos no Além como sonâmbulos, como fantasmas. Assim foi nossa vida. Assim foi e assim será, enquanto não eliminarmos de nosso interior os eus-defeitos.

Contudo, tenho de dizer-lhes que nem tudo, como se crê, é mera intelectualização. Não quero dizer que a intelecção iluminada não sirva; o que quero é aclarar que “se a água não ferve a cem graus, não se dissolve o que se deve dissolver e não se cozinha o que há que se cozinhar…”

Assim também afirmo, em forma enfática, que “se nós não passamos por fortes crises emocionais, intencionais, conscientes, não eliminamos o que necessitamos eliminar, e não cristalizamos em nós mesmos, o que necessitamos cristalizar…”

Portanto, nem tudo é mero intelecto; neste trabalho só é possível avançar à base de trabalhos conscientes e padecimentos voluntários…

Nem tudo é intelecto. Necessitamos passar por grandes crises emocionais…

Nem tudo é intelecto, o Cérebro Emocional deve valorizar o Trabalho Psicológico que nos conduz à transformação de fundo. A emoção deve trabalhar mais que o intelecto, a emoção deve fazer-se ativa em nós, e assim, pelo caminho das Emoções Autênticas, chegaremos ao Despertar da Consciência.

Em verdade, eu só uso o intelecto quando estou falando com vocês, quando tenho de dirigir-me à Humanidade, ao mundo; em minha vida privada não o uso, em minha vida privada só existe o Sentimento, o Amor, a Consciência, a Música, a Beleza, e isso é tudo. Mas devo usar o intelecto nestes instantes para poder me entender com vocês, porque, como disse ao princípio: “Vocês vieram aqui para escutar-me e eu vim aqui para falar-lhes, e entre vocês e eu deve haver mútua compreensão”; por isso me vi obrigado a usar o intelecto esta noite…

Em nome da Verdade tenho de lhe dizer, antes de tudo, que é urgente, que se faz inadiável a desintegração do mim mesmo. Quando o eu psicológico é desintegrado em sua totalidade, quando se reduz a cinzas, quando o ego animal deixa de existir, a Consciência fica totalmente iluminada; pode ver os Elohim, pode conversar com eles cara a cara, pode ver, tocar e palpar as grandes realidades dos Mundos Superiores, pode visitar o Nirvana, o Paranirvana e o Mahaparanirvana etc.

Mas enquanto a Consciência estiver adormecida, nós não passaremos de meros animais intelectuais condenados à pena de viver, e isso é tudo.

Chegou a hora das grandes revoluções, a hora em que temos de nos decidir pelo Ser ou o Não Ser da Filosofa, a hora em que temos de nos levantar em armas contra nós mesmos, contra o mundo, contra a Natureza, contra o Cosmo, contra tudo e contra todos.

Chegou a hora em que devemos romper grilhões e abandonar esta prisão de miséria onde vivemos (tal “prisão” se chama “Ego”). E enquanto não destruirmos esta prisão miserável, esta masmorra imunda, nossa Consciência continuará ali enfrascada, funcionando em virtude de seu próprio condicionamento, adormecida, inerte…

Agora vocês compreenderão por que me interesso tanto, por que disse esta noite que o principal é morrer. Assim é, assim será e assim deve ser!

Infelizmente, o ego exerce uma fascinação extraordinária sobre nossa própria Consciência. Ao escutar-me, muitos de vocês dirão que sou demasiado pessimista, porão a mão no coração para dizer: “Bom, eu consegui algum avanço…” Cada qual buscará alguma justificativa para seu comportamento, para seu modo de ser etc., porque ninguém quer reconhecer a verdade, reconhecer que é um infeliz.

Fizeram-nos muitas promessas, cada qual promete maravilhas, os políticos prometem dar felicidade ao mundo etc. E aí? O mundo continua andando com suas amarguras e continuará andando, e a dor continuará dia após dia, até que eliminemos as causas da dor. Essas causas não estão fora de nós mesmos, essas causas estão dentro de nós mesmos, aqui e agora.

Necessitamos rebelar-nos, já disse, contra nós mesmos, contra a Natureza e contra o Cosmo; necessitamos levantar-nos em armas contra tudo o que existe, se é que queremos a Emancipação, a Liberação Final.

Sinceridade é o que necessitamos, não nos enganar mais miseravelmente uns aos outros. Infelizmente, falta muita sinceridade no mundo. Todos se julgam “perfeitos”, todos se creem “justos”, todos se creem “santos”, todos se julgam “sábios”…

Nas distintas escolas de tipo pseudoesotérico e pseudo-ocultista, não há ninguém que se julgue ignorante, todos creem que já “agarraram Deus pelas barbas”. Ignoram, e o pior de tudo é que não apenas ignoram, mas também ignoram que ignoram… Isso é o mais grave!

Chegou a hora das grandes decisões, chegou a hora em que nós devemos nos meter pela Senda da Revolução em Marcha, pelo caminho estreito e difícil que conduz à Luz, pelo caminho Vertical Revolucionário, pelo caminho da Revolução da Consciência, pelo caminho que conduz ao Super-Homem.

Infelizmente, agora não somos mais que animais intelectuais condenados à pena de viver, e para ser Homens é necessário haver dissolvido o ego e haver criado os Corpos Existenciais Superiores do Ser. E mais ainda, haver se sacrificado intensamente pela Humanidade.

É duro o que estou dizendo aqui esta noite. Estou afirmando de forma enfática que nós ainda não chegamos ao estado humano, que somos tão só meros animais intelectuais. Faz-se necessário primeiramente alcançar o estado humano e, mais tarde, posteriormente, chegaremos ao Super-Homem.

Estudando um de nossos manuscritos de Anáhuac, li algo extraordinário. Afirmam nossos antepassados astecas o seguinte: “Os Deuses criaram os homens da madeira, os fabricaram da madeira, e depois de havê-los fabricado da madeira os fundiram com a Divindade”. Mas, em seguida, conclui, dizendo: “Nem todos os Homens conseguem fundir-se com a Divindade”.

É claro que se nos convertemos em Homens, pelo fato de haver criado os Corpos Existenciais Superiores do Ser, mediante o cumprimento do Dever Parlock, nem por isso podemos dizer que tenhamos triunfado; para o triunfo total, é necessário conseguir a integração com a Divindade.

Quem alcança o Estado Humano autêntico e verdadeiro, deve, antes de tudo, submeter-se à Dissolução do Ego, porque se um Homem verdadeiro não dissolve o ego, converte-se em Hanasmussen com duplo centro de gravidade, em um aborto da Mãe Cósmica, em um fracasso…

Assim, só eliminando a totalidade de nossos defeitos psicológicos, só morrendo em nós mesmos, conseguiremos em verdade a integração com o Logos, com a Divindade; então nos converteremos em Kummaras, no sentido mais completo da palavra.

Um Kummara é um Super-Homem; um Kummara é um Logoi encarnado; um Kummara tem poder sobre o Fogo, sobre o Ar, sobre as Águas e sobre a Terra; nós devemos converter-nos em Kummaras, em Homens autênticos, em Seres Divinos, Inefáveis, em Indivíduos Sagrados. Mas assim como estamos, em verdade, não somos mais que meros “animais intelectuais” condenados à pena de viver…

Convido todos os aqui presentes a conhecerem a si mesmos, a estudar-se, a indagar, inquirir, buscar, a mergulhar nas profundidades para poder chegar a saber o que lhes sobra e o que lhes falta. Quando alguém compreende tudo isso, entra pelo Caminho que conduz ao Super-Homem.

A hora chegou, a hora terrível em que grandes cataclismos se aproximam. Treme a terra na Guatemala, treme na Nicarágua, continuarão tremores em todas as partes, aqui mesmo, em nossa cidade capital haverá um tremor muito grande; se multiplicarão os terremotos em toda a redondeza da Terra; grandes eventos cósmicos se avizinham…

Necessitamos com urgência dissolver o Ego. Seria lamentável que desencarnássemos sem haver dissolvido o mim mesmo…

(Conferência proferida a um grupo de estudantes gnósticos da América Central, por Samael Aun Weor, e que serve, também, de introdução aos estudos gnósticos.)

Conjurações para autodefesa psíquica

108

Leia atentamente os sintomas de desequilíbrio energético motivado por mau-olhado, magia negra ou intoxicação psíquica, no link Formas de Ataque dos Tenebrosos. Caso haja alguns ou todos, não custa nada realizar as orações e conjurações sagradas para um reequilíbrio psicofísico.

Essas conjurações são antiquíssimas e eficazes e têm como finalidade descarregar os corpos internos de todas as larvas astrais e mentais, influências negativas, más impressões, fixações egoicas etc., tanto externas quanto internas. Etc.

Fadiga excessiva, dores de cabeça intermitentes, calafrios, tonturas, perturbações no apetite, sensação de estar sendo observado ou atacado (especialmente de noite), dores inexplicáveis, perda de memória, tristeza, depressão, hematomas que surgem repentinamente sem causas físicas, ansiedade, medo de ficar sozinho e outros medos inexplicáveis, e muito especialmente os terríveis pesadelos.

oracao1-gnosisonline

As orações que ensinamos nos estudos gnósticos são poderosas, pois movimentam terríveis energias astrais, mentais e até mesmo divinas, e podem gerar uma reorganização física e energética.

Em seguida, algumas orações sagradas para nossa harmonia interna e defesa psíquica (não somente de nosso corpo, mas de toda a nossa casa, se for o caso).

Conjuração dos 4 do Sábio Salomão

Esta Conjuração consiste de uma poderosa oração mágica capaz de nos dar proteção, iluminação da aura e equilíbrio dos elementais atômicos de nossos corpos internos (chamados 4 corpos de pecado, ou seja: físico, etérico, astral e mental). Esses elementais atômicos pertencem aos 4 Reinos da Naureza: os gnomos da Terra, as ondinas da Água, os silfos do Ar e as salamandras do Fogo. Para termos mais saúde e equilíbrio psicofísico, devemos controlar esses elementais.

Sabemos por experiência direta que certas abomináveis criaturas do Aquelarre acostumam jogar-se sobre os corpos de suas vítimas, ora para morder seu corpo, formando horríveis máculas em sua pele, ora para sacá-los da forma densa a Alma e levá-las a qualquer lugar do mundo, ou melhor, para atormentá-las de qualquer modo.

Nesses casos, aconselhamos a orar, com grande veemência, recitando a a Conjuração dos Quatro, conforme ensinado acima, ou a Conjuração dos Sete do Sábio Salomão. Esse tipo de orações é de eficácia extraordinária para a defesa mental e física. Com essas conjurações, as horripilantes harpias fogem, deixando-nos em paz.

Os clarividentes, quando estudam alguém recitando a Conjuração dos Quatro, observam raios, relâmpagos e chispas de energia passando por todo o seu corpo astral, e daí para o ambiente ao redor. Obviamente, quanto mais energia interna armazenada o “exorcista”, ou recitador dessas conjurações, tiver, mais poderosos serão seus efeitos magnéticos e ígneos.

A energia sexual transmutada, quando canalizada por meio da recitação das orações de defesa, opera verdadeiros prodígios em nossa vida.

Praying Woman

Conjuração dos 4

Caput mortum, imperet tibi dominus per vivum et devotum serpentem!
Cherub, imperet tibi dominus per Adam Jotchavah!
Aquila errans, imperet tibi dominus per alas tauri.
Serpens, imperet tibi dominus tetragramaton per Angelum et leonem.
Michael, Gabriel, Rafael, Anael, fluat udor per spiritum Elohim.
Maneat terra per Adam Jotchavah. Fiat firmamentum per iahuvehu-Sabaoth.
Fiat judicium per ignem in virtute Michael.
Anjo dos olhos mortos, obedece ou dissipa-te com esta água santa. (+)
Touro alado, trabalha, ou volta à terra, se não queres que te fira com esta espada. (+)
Águia encadeada, obedece ante este signo (+), o retira-te ante este sopro (+).
Serpente móvel arrasta-te a meus pés ou serás atormentada pelo fogo sagrado e evapora-te com os perfumes que eu queimo.
Que a água volte à água, que o fogo arda, que o ar circule, que a terra caia sobre a terra, pela virtude do pentagrama que é a estrela matutina e em nome do tetragrama que está escrito no centro da cruz de luz. Amém, Amém, Amém…

Para uma melhor compreensão, eis a tradução do texto em latim:

Cabeça de morto, que o senhor te ordene pela viva e devota serpente.
Querubim, que o senhor te ordene por Adão Jot-chavah.
Águia errante, que o Senhor te ordene pelas asas do touro.
Serpente, que o senhor Tetragrammaton te mande, pelo Anjo e pelo Leão.
Michael…
Flua a umidade pelo espírito dos Elohim,
Permaneça na terra por Adão-Jotchavah. Faça-se o Firmamento pelo Exército de Yod-He-Vau-He…
Faça-se o juízo pelo fogo, em virtude de Michael.

Todas as práticas, orações, rituais e conjurações feitos na Natureza nos dão profundo bem-estar, pois somos auxiliados pela Mãe Natureza, pelos Anjos e Elementais.
Todas as práticas, orações, rituais e conjurações feitos na Natureza nos dão profundo bem-estar, pois somos auxiliados pela Mãe Natureza, pelos Anjos e Elementais.

Conjuração dos 7 do Sábio Salomão

Esta Conjuração é maravilhosa, equilibrando nossos 7 chacras, nossos 7 corpos e nossa relação energética com os 7 planetas principais do Sistema Solar, nos ajudando a atrair somente a polaridade positiva desses planetas.

Em nome de Michael, que Jeová te mande e te afaste daqui, Chavajoth.
Em nome de Gabriel, que Adonai te mande e te afaste daqui, Bael.
Em nome de Rafael, desaparece ante Elial, Samgabiel.
Por Samael-Sabaoth e em nome do Elohim Guibor, afasta-te, Andrameleck.
Por Zakariel e Sachiel-Melek, obedece ante Elvah, Sanagabril.
No nome divino e humano de Shadai e pelo signo do Pentagrama que tenho na mão direita, em nome do Anjo Anael e pelo poder de Adão e Eva, que são Jot-Chavah, retira-te, Lilith. Deixa-nos em paz, Nahemah.
Pelos santos Elohim e em nome dos gênios Cashiel, Sehaltiel, Afiel e Zarahiel, e ao mandato de Orifiel, retira-te, Moloch. Nós não te daremos nossos filhos para que os devores.
Amém… Amém… Amém…

Conjuração das 7 Potências

É para conjurar em caso de sentir um real perigo astral. Devemos fazer sempre que necessitarmos de ajuda dos mestres em qualquer aspecto astral. Também quando formos nos iniciar em nossos trabalhos mágicos.

Muerissiranca… Muerissiranca… Muerissiranca…
Sete potências, sete potências, sete potências…
Sete mestres, sete mestres, sete mestres.
Em nome do Cristo, pela majestade do Cristo, pela glória do Cristo…
Ajudai-me, ajudai-me, ajudai-me…

Essa conjuração não tem nada de espantoso na hora de recitá-la. Pode-se e deve-se recitar várias vezes: pelo menos três vezes em caso de fazermos uma prática. E, no caso de perigo, recitá-la até que o perigo desapareça. Essas 7 Potências (e seu mantra de invocação “Muerissiranca”) são 7 poderosos Devas do Fogo, com poderes sobre as salamandras ígneas. Não se deve menosprezar este conjuro poderosíssimo.

oracao5-gnosisonline
As bênçãos da Mãe Divina são maravilhosas e profundas e devem ser invocadas constantemente.

Oração à Mãe Cósmica

Ó Ísis! Mãe do Cosmo, raiz do amor, tronco, capulho, folha, flor e semente de tudo o que existe.
A ti, força naturalizante, conjuramos.
Chamamos a Rainha do Espaço e da Noite… E beijando seus olhos amorosos, bebendo o orvalho de seus lábios, respirando o doce aroma de seu corpo, nós exclamamos:
Ó, Nuit! Tu, eterna seidade do céu, que és a Alma Primordial, que és o que já foste e o que serás.
Ísis, a quem nenhum mortal levantou o véu.
Quando tu estiveres sob as estrelas irradiantes do noturno e profundo céu do deserto, com pureza de coração e na chama da serpente, nós te chamamos:

RRRAMMM-IIIIOOOO… RRRAMMM-IIIIOOOO… RRRAMMM-IIIIOOOO…

A Mãe Divina é a origem e a irradiadora do Amor, em sua expressão mais sublime, poderosa e libertadora.

Todas as pessoas, especialmente o casal gnóstico que desejarem espalhar as rosas do amor em seu lar devem realizar esta oração suplicando que a Santidade, a Cura, o Amor, a Sabedoria e a Proteção da Mãe Sagrada predominem no lar.

Com essa oração à Mãe Divina também se pode quebrar qualquer encanto, quaisquer desentendimentos, mágoas, divergências  que atrapalhem o Caminho Interno entre os casais. Pode-se imaginar rosas de luz no coração dos contendores e vê-los se enchendo com o Amor Materno de Ram-io…

——-

COMO EFETUAR O SINAL DA CRUZ GNÓSTICA

(+) Esse sinal no meio das Conjurações indica que devemos realizar o sinal da Cruz Gnóstica, que é relativamente distinto do sinal que os católicos usam…

Esta cruz deve ser efetuada da seguinte maneira: a mão esquerda deve estar tocando o umbigo (como sinal de “fechamento de aura”), e com a mão direita realizamos o sinal da cruz assim:

  • Tocamos a testa e dizemos (ou simplesmente pensamos): Em nome do Pai;
  • Tocamos a região logo acima dos órgãos genitais e dizemos: Em nome do Filho;
  • Em seguida tocamos o ombro esquerdo e depois o ombro direito e dizemos: E em nome do Espírito Santo… Amém…
  • E finalmente, também com a mão direita, traçamos um círculo no ar tocando novamente a testa, movimentando a mão e o braço direitos no seguinte sentido: testa, ombro esquerdo, barriga, ombro direito e testa novamente.
  • Ao girarmos a mão e o braço direitos conforme o item anterior, dizemos: Em em nome do Tetragrammaton…

SAIBA MAIS, CLIQUE NA IMAGEM ABAIXO:

As representações mentais e seus danos

8

Nas palestras anteriores, viemos estudar os diferentes aspectos relacionados com a Mente, e acredito que devemos seguir nos aprofundando no terreno prático, nos fatos interessantes que consistem na eliminação dos agregados psíquicos, que são bastante difíceis, mas que é possível eliminá-los. Entretanto, existe algo que devemos vigiar, que são exatamente as representações da mente.

Na Mente existem muitas representações mentais, suponhamos que temos na nossa Mente a representação de um amigo a quem estimamos e que alguém muito importante fala mal desse nosso amigo, levantando contra ele toda classe de calúnias, ofensas etc. Nós “damos ouvidos” a toda esta conversa e então a Imagem que temos do nosso amigo, a representação, fica alterada.

Antes era a imagem de um sujeito muito amável e que agora esta imagem assume, em nosso entendimento, a figura que o outro lhe tem dado, possivelmente de um bandido, um falso amigo etc.

impressoes-gnosisonlineDentro da nossa Mente existem milhares de representações que podem ser alteradas, se dermos ouvidos às conversações negativas, às calúnias, ouvir o que “ouvi dizer” etc.

De maneira que, não somente os agregados psíquicos, vivas representações dos nossos defeitos psicológicos, que levamos dentro do nosso ser, constituem um fardo pesado que carregamos, mas não devemos nunca esquecer essa questão das Representações da Mente.

Caminhantes do Sendeiro que deram ouvido às conversações negativas, por estarem em corredores onde somente se escutam frases negativas, tendem a se deformar em muitas Representações da Mente. É que elas são verdadeiros demônios que criam uma série de obstáculos intransponíveis para o despertar da Consciência.

É grave carregar tais elementos inimigos dentro de si mesmo, na nossa própria Mente. O melhor é não ter Efígies de tipo negativo, por isso é necessário apelar ao Poder Serpentino, que se desenvolve no corpo do gnóstico, Devi Kundalini Shakti, para que elimine tais representações de tipo negativo.

Na realidade, não deveríamos ter representações negativas ou positivas na nossa Mente… A Mente tem de se tornar serena e à disposição do Ser, para isso a personalidade humana deve ser passiva. Uma personalidade passiva recebe as mensagens que vêm das Partes mais elevadas do Ser, que passam através dos Centros Superiores do Ser, antes de entrar na Mente.

Por isso temos de eliminar os elementos pesados, os agregados difíceis, relacionados com o Mundo de 96 Leis, ou seja, a Região do Tártaro, para termos uma personalidade passiva…

A personalidade ativa é controlada pelos agregados de ódio, orgulho, inveja, luxúria, os abomináveis amores, o egoísmo, a vaidade perante os nossos semelhantes, por isso esquecemos que somos simples vermes no lodo da terra.

Se eliminarmos da nossa psique todos esses elementos psicológicos tão pesados, nossa personalidade humana torna-se passiva e a Mente se volta receptiva para as mensagens que descem das Partes mais elevados do Ser, através dos Centros Superiores do nosso Ser.

Compreenderam agora, meus irmãos, a necessidade de eliminar esses elementos que tenho citado? Com Devi Kundalini Shakti, ou seja, a Serpente Ígnea dos nossos mágicos poderes, pode-se eliminar, de fato, esses elementos pesados. Se continuarmos dando alimento às diferentes representações, é claro que a Mente não será serena, jamais será uma Mente projetista que está acondicionada no tempo e na dor.

Analisando a fundo, vê-se que devemos não só eliminar os agregados psíquicos indesejáveis, mas também as Representações, que são um problema difícil para a Iluminação Interior.

As representações e os diversos agregados acondicionam de tal forma a Consciência que a mantêm presa dentro de um trilho, nada agradável da subconsciência, da infraconsciência ou da inconsciência. No mundo oriental se fala muito em síntese, aliás já falamos sobre isso, no Budismo Zen-Chan se diz que: “Temos de conseguir a Quietude da Mente, o Silêncio da Mente, com o propósito de chegar, um dia, a entrar no Vazio Iluminador”.impressoes2-gnosisonline

Nós estamos sempre, na vida prática, na batalha das teses e antíteses, nessa luta terrível dos opostos nunca existe paz numa Mente assim…

Madame Blavatsky, no seu livro A Voz do Silêncio, tem uma frase que gosto muito, que diz:

“Antes que a Chama de Ouro possa arder com a Luz Serena, a lâmpada deve ser bem cuidada, estar ao abrigo de todos os ventos e dos pensamentos, que devem cair mortos na porta do Templo…”

Conforme formos estudando as pregas da Mente, percebemos que a quietude, silêncio total da Mente é possível se ela não estiver ocupada com os agregados psíquicos e as representações.

Não devemos carregar em nossa Mente coisas que não são do nosso Ser. Poderiam me contestar, dizendo que existem representações louváveis, claras, magníficas, maravilhosas etc., tudo isso é aceitável, mas o mais importante em nós é o Ser. Enquanto nosso Templo estiver cheio de elementos estranhos, coisas de fora, animais, representações, agregados, pode-se dizer que existe um sono profundo na Consciência. Se existir inconsciência, há de ter sonhos vagos, mórbidos, néscios, incoerentes, imprecisos etc.

Já dizia Platão: “Conhece-se o homem por seus sonhos”. Realmente, a vida dos sonhos é uma consulta importantíssima, porque os sonhos de cada um dizem o que cada um é… Feliz o dia em que nós deixaremos de sonhar…, aí teremos triunfado! Enquanto existirem os sonhos na Mente, sonhos imprecisos e absurdos, isto nos indica que vamos muito mal. O verdadeiro Iluminado não tem sonhos, os sonhos são para os adormecidos.

O Verdadeiro Iluminado vive nos Mundos Superiores, fora do corpo físico, em estado de intensificada vigília, sem sonhar jamais, está desperto no Espaço Psicológico. Por isso, reflitam sobre a necessidade de se conseguir a Quietude ou o Silêncio da Mente.

Expliquei na vez passada sobre os três alimentos, disse que o primeiro alimento é do corpo físico, falamos também sobre o segundo alimento, que é a respiração, mais importante do que aquele do estômago, que não vou acrescentar nada hoje sobre eles, mas há um terceiro alimento que eu já disse a vocês, o das Impressões.

Ninguém pode viver sem as impressões. Vocês enxergam através das impressões, assim também me escutam, a mente de vocês está percebendo o quê? Uma série de impressões, que vem a vocês numa figura vestida com uma indumentária Sagrada da Ordem dos Cavaleiros do Santo Graal etc. Tudo isto chega a vocês através das Impressões…

Infelizmente, o ser humano não sabe selecionar as suas impressões, o que diriam vocês se agora, estando aqui neste salão, abríssemos a porta para que ladrões entrassem aqui? É claro que o Guardião não cometeria esse um absurdo e todos eles fugiriam… Mas não fazemos o mesmo com as Impressões, abrimos as portas para as Impressões Negativas do mundo, elas penetram em nossa psique e fazem o diabo lá dentro, transformando-se em agregados psíquicos e desenvolvendo o Centro Emocional Negativo.

Conclusão, elas chegam do lodo e nós abrimos as portas… É correto isso? É correto que uma pessoa que está cheia de emoções negativas, emanando do seu Centro Emocional Negativo, seja acolhida por nós? É certo que abramos as portas a essa pessoa?

Parece que não sabemos selecionar as Impressões e isso é grave! Temos de aprender a abrir e fechar as portas da nossa psique às Impressões; abrir as portas às impressões nobres, limpas e fechar às Impressões Negativas e absurdas.

Vejam o que faz uma pessoa estando na multidão; eu lhes asseguro que ninguém agora se atreveria a sair à rua para lançar pedras contra ninguém, certo? Entretanto, se alguém está dentro de uma grande manifestação pública, e esteja apaixonado pelo entusiasmo, se a multidão lança pedras, ele também acabará lançando pedras, ainda que diga depois para si mesmo: “Por que eu as lancei?”

Aqui no Distrito Federal, há uns 15 anos, vimos professores muito decentes, cultos, dignos, mas que na multidão pegavam pedras e as lançavam contra os vidros das janelas, contra as pessoas, contra tudo o que podiam. Esses professores de escolas nunca fariam essas coisas sozinhos, mas só em grupos.

Isso acontece porque se abrem as portas às impressões negativas e acaba-se fazendo o que nunca se faria sozinho, por isso é necessário que aprendamos a ser cuidadosos com as impressões.

impressoes3-gnosisonline

Se abrirmos as portas às impressões negativas para uma pessoa cheia de Ira, porque alguém lhe causou um mal, terminamos aliados dessa pessoa contra aquela que lhe proporcionou o dano, e terminamos também cheios de ira, sem ter parte alguma no processo. Se abrirmos as portas às impressões negativas de um bêbado numa diversão, terminaremos aceitando um copo de bebida, nos associaremos ao bêbado.

Da mesma forma com o sexo oposto, terminamos também fornicando com todas as classes de delito. Assim é que os seres humanos se contagiam uns aos outros dentro de ambientes negativos, os bêbados contagiam os bêbados; os ladrões transformam outros em ladrões; os drogados se contagiam entre si etc.

Selecionemos as Impressões! Se alguém nos traz emoções positivas de luz e harmonia, de beleza, de sabedoria, de amor, de poesia e de perfeição, abramos os nossos corações…

Se alguém nos trouxer emoções negativas, não devemos abrir as portas do nosso coração a essas pessoas. Fechemos as portas às Impressões negativas! Desintegrado o Ego, termina a dor, a raiz da dor está no Ego, e quando este termina, fica somente a Beleza do Ser em nós, que se transforma em Amor e Felicidade.

Para se chegar a isso, a Mente deve estar quieta, em silêncio, não projetar, deve ser uma Mente que não se ofende, não reaja por nada, só receba as mensagens que vêm das Partes Superiores do Ser, é uma Mente cheia de plenitude. Repito: temos de eliminar os agregados psíquicos e também as Representações da Mente, tanto as positivas como as negativas.

Precisamos limpar o Templo da Mente de toda essa sujeira, necessitamos que a Luz brilhe dentro do Templo da Mente para que a Chama de Ouro possa arder com a Luz serena dentro do templo, pois quando a Mente está quieta, em absoluto silêncio, advém o novo…

Dizer que é impossível ter a Mente quieta, em silêncio, quando vivemos num mundo cheio de problemas e dificuldades, é um absurdo! Porque desintegrando os agregados inumanos que em nosso interior carregamos, assim como as Representações Mentais, os problemas e as dificuldades terminam.

A Mente deve estar clara, limpa, deve ser um Templo solitário e luminoso, onde arda, unicamente, a Chama de Prájña, ou seja, a Chama do Ser