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Ordens sufis

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Na prática o Sufismo abriga diferentes Irmandades ou Ordens, chamadas Tariqas. São inúmeras essas Tariqas, consta que são 97 ordens e muitas outras desconhecidas ─ e estão espalhadas em diferentes países do norte e do leste da África, como Somália, Etiópia, Mauritânia e, ainda, na Indonésia e Malásia, Afeganistão, Paquistão, Bangladesh, Índia, Curdistão, Rússia, Turcomenistão e nos Bálcãs.

São algumas destas ordens mais destacadas:

Ordem Chishti: [do mestre Haj Mu’in al-Din Chishti, afegão radicado na Índia].

Ordem Mevlevi: atua na Turquia e Bálcãs [região sudeste da Europa que inclui Albânia, Bósnia-Herzegóvina, Kosovo, Bulgária, Grécia, República da Macedônia, Montenegro, Sérvia]. Em seus exercícios de zhikr [meditação] utilizam intensamente a música e a dança. São os conhecidos Dervixes Rodopiantes.

Ordem Rifa’i [Rifaiyyah]: presente no Egito, na Síria, em Kosovo e Albânia, mas, também, em países do Ocidente: EUA, Austrália, Venezuela, Itália além de Marrocos, África do Sul, Argélia, Paquistão.

Ordem Naqshbandi: muito atuante nos EUA, Europa ocidental, Ásia Central, Índia, Sudoeste Asiático e Brasil.

Ordem Tijaniya: Muito atuante em Senegal, Argélia, Espanha e iniciando a divulgação no Brasil em parceria com a Associação Estrada da Harmonia. O primeiro passo da Iniciação do sufista é a submissão à disciplina imposta pelos mestres e professores.

Seja qual for a classe social ou poder econômico do candidato, começara provando sua humildade e fortalecendo sua capacidade para a disciplina, cuidando de tarefas domésticas, fazendo trabalhos do dia a dia e louvando a Deus a todo o tempo em seu íntimo.

Esse homem é um Sufi, um Dervixe exercitando sua humildade. O Sufi, assim como aconselham os mestres e professores, começa seu treinamento submetendo as vontade,desejos do corpo e das emoções à Vontade e poder da Mente Inteligente.

O Ser Divino (erroneamente chamado Eu ou Ego Superior) que passa a ser o Líder Espiritual Interno do Ser Humano; a Consciência (erroneamente chamada de Ego ou Eu Superior) deve comandar inteiramente a persona, que é mera personalidade condicionada e que serve de referência para esta vida, um piscar de olhos na Eternidade.

As Práticas voluntárias dos sufis, que fazem parte da disciplina pessoal do discípulo ou Adepto, incluem: Preces durante a noite, a lembrança de Deus (Zikr ou Dhikr), o jejum, a busca do conhecimento e assim por diante

Ao mesmo tempo, é importante que esses atos sejam realizados com absoluta sinceridade um trabalho interior constante de meditação, de recitação dos nomes de Deus e de permanente vigilância sobre si mesmo e toda a realidade à sua volta. Este estado de vigília alerta é uma forma de devoção a Deus (consciente da presença de Divina).

Lutar para avançara no trabalho progressivo de purificação da alma e da consciência da realidade Divina.

Práticas Específicas ou Coletivas ─ Zikr: é a lembrança de Deus. Uma ação devocional que consiste em se manter desperto, consciente da Onipresença do Criador. As cerimônias Zikr têm uma liturgia que, conforme a regra da Ordem Sufista, consiste em: meditação, recitação [de textos sagrados, audição de parábolas, aforismo de todos os tempos e culturas], canto, execução música instrumental, o incenso, o movimento rítmico, o êxtase…

 

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Os mistérios egípcios – Múmias egípcias

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Ó Keb! Gênio da Terra, poderoso Senhor do Mundo, sublime protetor das veneráveis múmias no país en-solarado de Kem… Salve!

Que escutam meus ouvidos? Ó Deuses do Amen-Rá! Ainda ressoa no fundo de todas as idades o verbo inefável de Hermes Trismegistro, o três vezes grande Deus Íbis de Toth.

Um vapor de antiguidade pesa sobre os antiquíssimos mistérios da Esfinge do deserto e as almas do Amenti aspiram uma nova manifestação Netuniano-Amentina.

Nestes momentos, vem à minha memória uma reencarnação egípcia. Certamente, eu nasci e vivi ali durante a dinastia do Faraó Kefrén.

Ainda que minhas palavras possam parecer enigmáticas e estranhas, em verdade digo a todos que meu corpo físico não morreu e sem dúvida desceu para o sepulcro.

Catalepsia? Sim. De que tipo? Impossível explicar porque agora ninguém entenderia. Ah, porém meu caso não foi uma exceção. Muitos outros hierofantes passaram para a sepultura em estado cataléptico . Que esse tipo especial de múmias continuem vivas e sem alimento algum, porém com todas as suas faculdades naturais em suspenso, é algo que de modo algum deve surpreender-nos.

Recordem que os sapos, durante o inverno, sepultados no lodo, jazem cadavéricos sem alimento algum, porém na primavera voltam à vida. Já ouviram falar de hibernação? Em Paris esse ramo científico está muito avançado. Um doutor amigo me informou que aqui no México também se ia estabelecer.

Qualquer organismo humano colocado em câmaras de hibernação, abaixo de zero graus dorme profundamente, parece um cadáver com todas as faculdades humanas suspensas. Disseram-nos que o primeiro homem que serviu de cobaia para tal experiência permaneceu nesse estado durante um século inteiro. Comentam que esse sujeito ainda vive.

A catalepsia egípcia vai muito mais longe. Ademais, está combinada com a magia e a Química Oculta.
Obviamente, minha alma escapou do corpo. Inquestionavelmente, este tipo especial de mumificação não foi obstáculo para continuar meu ciclo de reencarnações.

A alma de qualquer Hierofante egípcio tem quatro corpos:

1. A múmia
2. O Ká (corpo astral)
3. O Bá (corpo mental)
4. O Khu (corpo causal)

Eu me afastei da múmia. Melhor diríamos, minha alma emancipou-se daquele corpo mumificado. Minha alma vestida com seus veículos superiores continuou no Amenti e depois seguiu reencarnando-se em distintos lugares do mundo. Sem dúvida, ainda existe um fio simpático magnético que de alguma forma mantém certa relação entre minha alma e a múmia.

Às vezes, meu espírito mete-se em tal corpo, aparentemente morto, então este corpo sai de seu estado cataléptico. A minha personalidade humana atual não é obstáculo para essa classe de experimentos. Ninguém pode estorvar o espírito. Ele pode tirar a múmia da sepultura e submergi-la na quarta dimensão.

Eu me afastei da múmia. Melhor diríamos, minha alma emancipou-se daquele corpo mumificado.

Minha alma vestida com seus veículos superiores continuou no Amenti e depois seguiu reencarnando-se em distintos lugares do mundo. Ele pode abandonar a quarta dimensão e entrar neste mundo de três dimensões para visitar alguém. Ele conhece a região dos canais e das correntes, o lugar úmido, a antessala desta região química em que vivemos.

Ele sabe abrir a porta de Keb que da acesso à região do ar. Ele tem o poder para chamar os seres mágicos com os quais pode penetrar na região dos cinco sen-tidos para fazer-se visível e tangível diante de alguém.

Depois de tais experimentos, meu espírito pode fazer com que a múmia regresse ao seu sarcófago. Depois da minha morte, minha alma poderá se reincorporar definitivamente nessa múmia, se Tum assim o quiser. O corpo sairia de seu estado cataléptico definitivamente e minha alma vestida com essa carne poderia viver como qualquer pessoa, viajando de país em país.

Voltaria a comer, beber, viver sob a luz do sol etc. A múmia seria tirada definitivamente do sepulcro através da quarta dimensão.

Samael Aun Weor, Mistérios Egípcios

Os mistérios egípcios – Luz negra

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“OSÍRIS É UM DEUS NEGRO.” Palavras terríveis, espantosas. Insólita e misteriosa frase que era pronunciada secretamente, no sigilo dos templos, durante as cerimônias iniciáticas no ensolarado país de Kem. Bem sabem os Deuses e os Homens que Osíris-Numen, o Deus Egípcio, resulta no fundo absolutamente incompreensível para todos nós.

Isso que é mistério, isso que não entendemos, é negro para o intelecto humano. Depois desta explicação compreenderão nossos leitores a profunda significação daquela misteriosa frase.

No começo ou aurora de cada universo, a eterna Luz Negra ou obscuridade absoluta converte-se em Caos. Está escrito e com palavras de fogo em todos os livros sagrados do mundo que o Caos é o viveiro do Cosmos.

O Nada, o Caos, é o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim de todos os mundos que vivem e palpitam no infinito inalterável. No Aitareya Brahma, preciosa e magistral lição do Rig-Veda, fica, de fato, demonstrado até a saciedade a tremenda identidade que há entre essas luminosas idéias de brâmanes e pitagóricos, pois uns e outros se apoiam na matemática. No citado volume hindustânico alude-se com frequência ao fogo negro, à obscura sabedoria abstrata, luz absoluta incondicional e sem nome.

Esta Seidade abstrata é o ZERO-ASTER primitivo dos persas, o Nada saturado de vida, aquilo.., aquilo… aquilo… Deus em si mesmo, isto é, o Exército da Voz, o Verbo, a Grande Palavra, morre quando chega o Grande Pralaya, a noite cósmica, para renascer terrivelmente divino na aurora do Mahavântara.

O ZERO ABSOLUTO RADICAL em aritmética transcendente, o espaço abstrato em geometria, a incognoscível Seidade (não se confunda com Deidade que é diferente), não nasce, não morre e nem se reencarna.

Desse modo incognoscível ou zero radical, emana a Mônada Pitagórica ao começar qualquer universo sideral, o Pai-Mãe gnóstico, o Purusha-Prákriti hindu, o Osíris-Ísis egípcio, o Protogonos Dual ou Adam- Kadmon cabalista, o Teos-Chaos da teogonia de Hesíodo, o Ur-Anas ou fogo e água caldeu, o Iod-Heve semítico, o Zero-Ama persa, o Uno-Único, o Aunadad-Ad budista, o Ruach Elohim ou Divino Espírito do Senhor flutuando sobre as águas genesíacas do primeiro instante.

Na noite profunda somente as trevas enchiam o todo sem limites, pois Pai, Mãe e Filho eram, uma vez mais, UNOS. O Filho não tinha ainda despertado para a roda e para sua peregrinação nela.

Depois dessas palavras, oremos… meditemos… adoremos. Vamos agora ao mais profundo de nosso Ser e na ausência do Eu busquemos com infinita humildade.

Lá… muito dentro… além do corpo, além dos afetos e da mente, encontraremos o menino Hórus, o Espírito Divino, nosso Real Ser, nos braços de sua Divina Mãe Kundalini, Ísis, a quem nenhum mortal levantou o véu. Ela, na verdade, é o aspecto feminino de Osíris o Pai Secreto.

Este, em si mesmo, é a fase masculina de Ísis. Ambos são o Iod-Heve dos hebreus. Jan- Hovah ou Je-Hovah que os judeus destes tempos de Kali-Yuga confundiram intencionalmente com Javé, o qual como diz Saturnino de Antioquia é o Gênio do Mal, o Diabo.

Que me escutem os Deuses e que me entendam os homens! Assim como do profundo mar surgem com ímpeto tremendo as furiosas ondas que se espraiam na arenosa margem, assim também do seio infinito de Saraswati, a eterna Mãe Espaço, se levanta e se manifesta dentro de nós, a serpente ígnea de nossos mágicos poderes, nossa mãe cósmica particular.

O Senhor está ainda mais dentro e como diz HPB, há tantos Pais no céu quanto homens na terra, porém todos eles são emanações de Brahma, o oceano da grande vida. Osíris, Ísis e Hórus, vos três, dai-nos um sinal e vinde a nós. Pai, Mãe e Filho, divina Trimurti inefável e divina, três aspectos de nosso autêntico Ser. Na aurora de cada Mahavântara, o Filho, o menino Hórus, o Espírito Divino de cada um, deve enviar a essa vale de lágrimas o melhor de si mesmo, sua essência, com o propósito de se Autorrealizar.

A batalha é terrível, Hórus, o Íntimo, o Espírito Particular de cada um, deve vencer os diabos vermelhos (o Eu Pluralizado), se quer de verdade ter Alma-Diamante. Imaginem por um momento o Andrógino Divino Rasit ou Brasit, o Pai-Mãe gnóstico já provido de Alma-Diamante. Assim são aqueles que já conseguiram a libertação final. Porém, nem todo Andrógino Divino tem Alma Diamante. Em verdade, em verdade digo a todos que muitas chamas estão sem Autorrealização.

Certamente, Hórus é o veículo de Iod-Heve, o instrumento indispensável para a Autorrealização. Osíris e Ísis fracassam quando Hórus é derrotado nas batalhas durante sua peregrinação na roda fatal do Samsara (vale de lágrimas). Quando Hórus sai vitorioso nas batalhas contra os diabos vermelhos, a Trindade Imortal provida de Alma-Diamante submerge para sempre na felicidade inefável do espaço abstrato absoluto.

Os mistérios egípcios – As sete eternidades e sendas da felicidade

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O espaço abstrato absoluto é a causa causarum de tudo o que é, foi e será. O espaço profundo e ditoso é certamente a incompreensível Seidade, a mística raíz inefável dos sete Cosmos, a origem misteriosa de tudo isso que conhecemos como espírito, matéria, universos, sóis, mundos etc. “Aquilo” não tem dimensão alguma e, em verdade, é o que é, o que sempre foi e o que sempre será, a vida que palpita intensamente em cada átomo e em cada sol.

Falemos agora sobre o grande oceano do espírito. Como defini-lo? Certamente ele é Brahma, a primeira diferenciação de “Aquilo”, diante de quem tremem os Deuses e os homens. ”Aquilo” é espírito? Em verdade digo a todos que não é. Isso é matéria? Certamente, digo a todos que não é. ”Aquilo” é a raiz do espírito e da matéria, mas não é nem um e nem outro. ”Aquilo” transcende as leis de número, medida e peso, lado por lado, quantidade, qualidade, frente, verso, em cima, em baixo etc.

“Aquilo” é isso que tem realidade além do pensamento, do verbo e da ação. “Aquilo” não é do tempo e está além do silêncio, do som e dos ouvidos para percebê-lo. ”Aquilo” é imutável em profunda abstração divinal. Luz que jamais foi criada por qualquer Deus ou por qualquer homem. “Isso” não tem nome. Brahma é espírito, porém ”Aquilo” não é espírito. O Absoluto, o Imanifestado, é luz incriada.

Onde estava a matéria-prima da Grande Obra? Evidentemente, ela repousava antes da aurora da criação no seio profundo do Espaço Abstrato Absoluto. A sabedoria antiga diz que Brahma, o Pai, o oceano do espírito universal da vida, ao chegar a Grande Noite (isso que os hindus chamam de Pralaya ou dissolução do universo), submerge no Espaço Abstrato Absluluto durante sete eternidades. As sete eternidades significam evos ou períodos de tempo totalmente definidos, claros e precisos.

Foi-nos que um Mahakalpa, grande idade, Dia Cósmico, tem certamente um total de 311.040.000.000.000 de anos. Obviamente, uma Noite Cósmica, Mahapralaya, equivale à mesma quantidade de tempo. O espaço está cheio de universos, enquanto alguns sistemas de mundos saem da noite profunda, outros chegam ao ocaso. Aqui berços, ali sepulcros. Antes de que amanhecesse este Grande Dia no qual vivemos, nos movemos e temos nosso Ser, o que existia?

O Rig Veda responde:

“Não existia algo, nem existia nada;
O resplandecente céu não existia’
Nem a imensa abóbada celeste se estendia no alto;
O que cobria tudo? O que o cobria?
O que o ocultava?
Era o abismo insondável das águas?
Não existia a morte, porém nada havia de imortal.
Não existiam limites entre dia e noite.
Só o UNO respirava inanimado e por si,
Pois nenhum outro que Elo’ jamais houve.
Reinavam as trevas e todo o princípio estava velado.
Obscuridade profunda; um oceano sem luz.
O Germe até então oculto no involucro faz brotar uma natureza do calor.
Quem conhece o segredo? Quem o revelou?
De onde surgiu esta multiforme criação?
Aquilo de onde toda esta imensa criação procedeu, por bem sua vontade criou. O mais elevado vidente, no mais alto céu o conhece, ou quem sabe tampouco Ele ainda o saiba.
Contemplando a Eternidade.
Antes que fossem lançados os cimento da terra, Tu eras.
E quando a chama subterrânea rompa sua prisão e devore a forma,
Ainda serás Tu, como eras antes.
Sem sofrer mudança alguma quando o tempo não exista.
Ó infinita inteligência divina.
Divina Eternidade.

As Sete Sendas da Felicidade

Dentro desse intrincado e confuso labirinto de teorias pseudo-esotéricas e pseudo-ocultistas, certamente muito se fala e se discute com relação aos sete Raios de Ação Cósmica. Máquinas humanas com línguas viperinas que dizem maravilhas! Gente que dorme sobre a face da terra! Bípedes tricerebrados ou tricentrados que não somente ignoram, como ainda ignoram que ignoram. Máquinas que passam, vão e vêm, falam, discutem se vos agrada, porém em verdade vos digo que nada sabem…

Experiência mística direta, isso é saber. Em verdade, a vivência esotérica, o êxtase, é só para homens de CONSCIÊNCIA DESPERTA. Querem deixar de ser máquinas? Em boa hora vos felicito, porém comecem a despertar.

Ah!… se as pessoas despertassem, se deixassem de ser máquinas.., que diferente seria a vida. Parece incrível, mas com 10% de consciência desperta, desapareceriam as guerras e reinaria a paz neste vale de lágrimas. Saibam soberanos e vassalos, próceres e mendigos, que vossas miseráveis existências são só um tecido de sonhos. No desconhecido pélago, o navio segue ao azar o ímpeto de uma ave. Onde vais? Nem sequer o navegante genovês sabe, pois dorme.

Dentro da trágica consciência que levamos em nós, há tristezas que reanimam e alegrias que empalidecem, há regozijos que choram e sofrimentos que cantam. O animal intelectual sempre mata o que mais adora. Consciência que dorme, quão diferente serias se despertasses. Conhecerias as sete sendas da felicidade e a luz de teu amor brilharia por todas as partes. As aves se regozijariam no mistério dos bosques, resplandeceria a luz do espírito e os elementais da natureza alegres a ti cantariam seus versos de ouro.

Uma noite qualquer, não importa qual, não importa o dia nem a hora, eu conversava com um Adepto da Irmandade Branca no universo paralelo da quinta dimensão. O diálogo, suave e delicioso, corria lentamente como um rio de ouro sob a selva espessa do sol. De repente, sob a folhagem sublime da árvore da vida o interpelei assim: “Você tem corpo físico? Você está consciente?” Obviamente, as respostas deixaram-me plenamente satisfeito. “Sim, estou desperto, tenho corpo físico, porém nestes momentos sinto que a minha consciência começa a adormecer gradualmente, lentamente, pouco a pouco, conforme o veículo denso me atrai para isso que chamam de estado de vigília.

O mais interessante foi aquele momento inefável em que o Adepto, flutuando extático no ambiente sideral, juntou beatificamente seus pes de tal forma que as plantas deles fizeram contrato entre si, então pareceu fortalecer-se e sua consciência recobrou a lucidez.

Imitei seu exemplo e o Adepto explicou-me a chave dizendo: “Com este segredo, tu podes resistir à atração magnética do corpo denso e assim permanecer fora dele todo o tempo que tu quiseres. Resulta ostensível, palpável e claro que só tais Adeptos, homens de verdade, conscientes e despertos, sabem o que são os sete caminhos.

Na noite cósmica, as sete sendas da felicidade não existem e somente o UNO respira inanimado e por si. Antes de que o coração do sistema solar começasse a palpitar intensamente, as causas da dor não existiam porque não havia quem as produzisse e fosse aprisionado por elas.

Os mistérios egípcios – O papiro Nebseni

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Como Hierofante egípcio, o VM Samael Aun Weor ensina:

Quero terminar o presente capítulo transcrevendo e até comentando brevemente cada versículo da Confissão Egípcia, Papiro Nebseni:

1 – Ó tu, espírito que marchas a grandes passadas e que surges em Heliópolis, escuta-me! Eu não cometi ações perversas. (É claro que aquele que fora capaz de feitos mal intencionados deixou de existir. Somente o Ego comete tais atos. O Ser do defunto ainda em corpo vivo nunca realizaria nada maligno.)

2 – Ó tu, espírito que te manifestas em Ker-ahá e cujos braços estão rodeados de um fogo que arde! Eu não tenho agido com violência. (Ressalta, com inteira clareza, que a violência é dona de mil facetas. O Ego quebra leis, vulnera honras, profana, força mentes alheias, rompe, deslustra e intimida o próximo. O Ser sempre respeita o livre arbítrio de nossos semelhantes; é sempre sereno e tranquilo.)

3 – Ó tu, espírito que te manifestas em Hermópolis e que respiras o alento divino. Meu coração detesta a brutalidade. (O Ego, certamente grosseiro, é torpe, incapaz, amigo da leviandade, bestial por natureza e por instinto animal. O Ser é distinto, refinado, sábio, capaz, divinal e docemente severo.)

4 – Ó tu, espírito que te manifestas nas fontes do Nilo e que te alimentas sobre as sombras dos mortos! Eu não roubei. (Ao Ego agrada o furto, a rapina, o saque, a pilhagem, o rapto, o seqüestro, a fraude, a estafa, tomar emprestado e não devolver, abusar da confiança dos outros e reter o alheio, explorar o próximo, dedicar-se ao peculato. O Ser goza dando e até renunciando aos frutos da ação, é serviçal, desinteressado, caritativo, filantropo e altruísta.)

5 – Ó tu, espírito que te manifestas em Restau e cujos membros apodrecem e engrangrenam! Eu não matei meus semelhantes. (O assassinato é o ato de corrupção mais hediondo existente no mundo. Não somente apaga a vida alheia com revólveres, gases, espadas, venenos, pedras, paus, mas também aniquila a vida de nossos semelhantes com palavras duras, olhares violentos, atos de ingratidão, infidelidade, traição, gargalhadas. Muitos pais e mães de família talvez ainda existissem se seus filhos não lhes tivessem tirado a vida mediante más ações. Multidões de esposas ou de esposos todavia ainda respirariam sob a luz do sol se um dos cônjuges houvesse permitido. Recordemos que o ser humano mata o que mais quer. Qualquer sofrimento moral pode adoecer-nos e levar-nos ao sepulcro. Todas as enfermidades têm origem no psiquismo.)

6 – Ó tu, espírito que te manifestas no céu sob a dupla forma do leão. Eu não diminuí o salamim de trigo. (O Ego altera o peso dos víveres.)

7 – Ó tu, espírito que te manifestas em Letópolis e cujos dois olhos ferem como punhais! Eu não cometi fraude. (O Ser jamais cometerá delito.)

8 – Ó tu, espírito da deslumbrante máscara que andas lentamente para trás! Eu não subtraí o que pertencia aos deuses. (Agrada ao Ego saquear os sepulcros dos grandes iniciados; profanar as sagradas tumbas; roubar as relíquias veneráveis, saquear as múmias em suas moradas, buscar nas entranhas da terra as coisas santas para profaná-las.)

9 – Ó tu, espírito que te manifestas em Herakleópolis e que golpeias e torturas os ossos! Eu não menti. (O Ego satisfaz-se com o embuste, o engano, a falsidade, a mentira, a vaidade, o erro, a ficção, o aparente. O Ser é diferente, jamais mente, sempre diz a verdade, custe o que custar.)

10 – Ó tu, espírito que te manifestas em Mênfis e quer fazer surgir e crescer as chamas. Eu não roubei o alimento de meus semelhantes. (Ao Ego apraz separar a comida de seus semelhantes, negociar ilicitamente com o alimento alheio, subtrair, extrair mesmo que seja uma parte do que não lhe pertence, levar a fome aos povos e aos grupos de pessoas, ocultar os víveres, encarecê-los, tirar deles absurdos lucros, roubar, negar um pão ao faminto.)

11 – Ó tu, espírito que te manifestas no Amenti, divindade das duas fontes do Nilo! Eu não difamei. (Ao Ego agrada a calúnia, a impostura, a murmuração, a maledicência, desacreditar nos outros, denegrir, injuriar, ao passo que o Ser prefere calar ao invés de profanar o Verbo).

12 – Ó tu, espírito que te manifestas na região dos lagos e cujos dentes brilham como o sol! Eu não sou agressivo. (O Ego é por natureza provocador, cáustico, irônico, mordaz, insultante, pulsante, aprecia o ataque, o assalto, a arremetida; fere com o sorriso sutil de Sócrates e mata com a gargalhada estrondosa de Aristófanes. No Ser, sempre sereno, equilibram-se a doçura e a severidade.)

13 – Ó tu, espírito que surges junto ao cadafalso e que, voraz, te precipitas sobre o sangue das vítimas! Sabei: eu não matei os animais do templo. (Os animais consagrados à divindade; porém o Ego fere e assassina as criaturas dedicadas ao Eterno. Somente o Ser sabe abençoar, amar e fazer todas as coisas perfeitas.)

14 – Ó tu, espírito que te manifestas na vasta sala dos trinta juízes e que te nutres de entranhas de pecadores! Eu não defraudei. (Ao Ego compraz, usurpar, roubar, frustrar, alterar, desbaratar.)

15 – Ó tu, Senhor da ordem universal, que te manifestas na Sala da Verdade-Justiça, aprende! Eu não monopolizei os campos de cultivo. (A terra é de quem a trabalha; o obreiro trabalha, lavra, sua. Mas os poderosos, os usurpadores, retêm, absorvem os terrenos cultivados. Assim é o Ego.)

16 – Ó tu, espírito que te manifestas em Bubastis e que marchas retrocedendo, aprende! Eu não escutei atrás das portas. (O Ego é curioso e perverso, por natureza e por instinto. Dizem que as sebes, muros ou paredes têm ouvidos e as portas também. O Ego encanta-se, intrometendo-se na intimidade do próximo. Mefistófeles ou Satã é sempre intruso, intrometido.)

17 – Ó tu, espírito Asti, que apareces em Heliópolis! Eu não pequei jamais pelo excesso de palavras. (O Eu é charlatão, conversador, falador, loquaz. O Ser fala o estritamente necessário, jamais brinca com a palavra.)

18 – Ó tu, espírito Tatuf, que apareces em Ati! Eu não pronunciei maldições, quando me causaram danos. (O Ego gosta de maldizer, denegrir, abominar, destratar. O Ser apenas sabe abençoar, amar e perdoar.)

19 – Ó tu, espírito Uamenti, que apareces nas covas de tortura! Eu não cometi adultério. (O Ego é mistificador, corrompido, viciado, falso, satisfaz-se justificando o adultério, sublimando-o, dando-lhe de si mesmo e dos demais; adorna-o com normas legítimas e cartas de divórcios; legaliza-o com novas cerimônias nupciais. Aquele que cobiça a mulher alheia é, de fato, adúltero, mesmo que jamais copule com ela. Em verdade vos digo que o adultério nas profundezas do subconsciente das pessoas mais castas, tem múltiplas facetas.)

20 – Ó tu, espírito que te manifestas no templo de Ansu e que olhas cuidadosamente as oferendas que te levam! Sabe, não cessei jamais de ser casto. (A castidade absoluta somente é possível quando o Ego está bem morto. Muitos anacoretas que alcançaram no mundo físico a pureza, a virgindade da alma, a honestidade e a candura quando foram submetidos às provas nos mundos supra-sensíveis fracassaram, delinqüiram, caíram como Amfortas, o Rei do Graal, entre os impudicos braços de Kundry, Gundrígia, aquela loura tempestuosa que chamavam Herodias.)

21 – Ó tu, espírito que apareces em Hehatu, chefe dos antigos Deuses! Eu nunca atemorizei as pessoas. (O Ego gosta de horrorizar, horripilar, espantar, intimidar os outros, ameaçar, derrubar moralmente o próximo, prostrá-lo, abatê-lo, assustá-lo. As casas comerciais costumam enviar lembretes, às vezes muito finos, aos seus clientes morosos, porém sempre ameaçadores.)

22 – Ó tu, espírito destruidor que te manifestas em Kauí! Eu jamais violei a ordem dos tempos. (O Ego arbitrariamente muda os horários e altera o calendário. É útil recordarmos a autêntica ordem dos sete dias da semana: 1º dia: Lua, domingo; 2º dia: Mercúrio, segunda-feira; 3º dia: Vênus, terça-feira; 4º dia: Sol, quarta-feira; 5º dia: Marte, quinta-feira; 6º dia: Júpiter, sexta-feira; 7º dia: Saturno, sábado. Os pseudo-sábios alteraram esta ordem.)

23 – Ó tu, espírito que apareces em Urit, e de quem escuto a voz monótona! Eu jamais me entreguei à cólera. (O Ego está sempre disposto a deixar-se levar pela ira, o asco, o enfado, a irritação, a fúria, a exasperação, o desafio.)

24 – Ó tu, espírito que apareces na região do lago Hekat, sob a forma de um menino! Eu jamais fui surdo às palavras da Justiça. (O Ser ama sempre a eqüidade, o direito. É imparcial, reto, justo. Quer a legalidade, o que é legítimo, cultiva a virtude e a santidade; é exato nas suas coisas, cabal, completo; deseja a precisão e a pontualidade. Em contrapartida, o Ego trata sempre de justificar e desculpar seus próprios delitos. Jamais é pontual, deseja o suborno, é dado a aconselhar e corromper os tribunais da justiça humana.)

25 – Ó tu, espírito que apareces em Unes e cuja voz é tão penetrante! Eu jamais promovi querelas. (O Ego aprecia a mágoa, a discórdia, a disputa, a demanda, a briga. É amigo de politicalhas, contendas, pleitos, litígios, discussões. Por antítese diremos que o Ser é diferente: ama a paz, a serenidade, é inimigo das palavras duras; se aborrece com as alterações, as falcatruas. Diz o que tem a dizer e logo guarda silêncio, deixando aos seus interlocutores completa liberdade para pensarem, aceitarem ou recusarem; depois retira-se.)

26 – Ó tu, espírito Basti, que apareces nos Mistérios! Eu não fiz meus semelhantes derramarem lágrimas. (O pranto dos oprimidos cai sobre os poderosos como um raio de vingança. O Ego promove lamentos e deploráveis situações. O Iniciado bem morto, embora tenha vivo o seu corpo, onde quer que passe deixa centelhas de luz e de alegria.)

27 – Ó tu, espírito cujo rosto está na parte posterior da cabeça, e que deixas tua morada oculta! Eu jamais pequei contra a natureza com os homens. (Os infrassexuais de Lilith, homossexuais, pederastas, lesbianas, afeminados, são sementes degeneradas, casos perdidos, sujeitos que de nenhuma maneira podem se auto-realizar. Para esses serão as trevas exteriores, onde se ouve somente o pranto e o ranger de dentes.)

28 – Ó tu, espírito com a perna envolta em fogo e que sais de Akhekhu! Eu jamais pequei pela impaciência. (A intranqüilidade, o desassossego, a falta de paciência e de serenidade são obstáculos que impedem o trabalho esotérico e a auto-realização íntima do Ser. O Eu é por natureza impaciente, intranqüilo, tem sempre tendência a alterar-se, enfadar-se, arder, enojar-se. Não sabe esperar e por isso fracassa.)

29 – Ó tu, espírito que sais de Kenemet e cujo nome é Kenemti! Eu jamais injuriei a qualquer pessoa. (O iniciado bem morto, que já dissolveu o Ego, tem somente dentro de si o Ser e este é de natureza divina, incapaz de injuriar o próximo. O Ser não ofende a ninguém, é perfeito em pensamento, palavra e obra. O Ego fere, maltrata, danifica, insulta, ultraja, agrava.)

30 – Ó tu, espírito que sais de Saís, e que levas em tuas mãos tua oferenda. Eu não fui querelador. (Ao Ego agradam as broncas, alvoroços, grosserias.)

31 – Ó tu, espírito que apareces na cidade de Djefit e cujas faces são múltiplas! Eu não agi precipitadamente. (O Eu tem sempre a marcada tendência a desesperar-se. É arrebatador, inconsiderado, imprudente, temerário, irreflexivo, deseja correr, andar depressa, não tem precaução. O Ser é muito diferente, profundo, reflexivo, prudente, paciente, sereno.)

32 – Ó tu, espírito que apareces em Unth e que estás cheio de astúcia! Eu não faltei com o respeito aos deuses. (Durante este presente Ciclo tenebroso do Kali-Yuga as pessoas zombam dos deuses santos, Prajapatis ou Elohim bíblicos. As multidões da futura Sexta Raça voltarão a venerar os inefáveis.)

33 – Ó tu, espírito adornado de chifres e que sais de Santiú! Em meus discursos nunca usei de palavras excessivas. (Observemos os charlatães das diversas emissoras radiofônicas! Assim também é o Eu; sempre palrador.)

34 – Ó tu, Nefer-Tum, que sais de Mênfis! Eu não defraudei nem obrei com perversidade. (A fraude tem muitos coloridos de tipo psicológico. Sentem-se defraudadas as noivas enganadas; os maridos traídos; os pais e mães abandonados ou feridos moralmente por seus filhos; o trabalhador despedido injustamente de seu emprego; o menino que não recebeu o prêmio prometido; o grupo esotérico abandonado por seu guia. Interessa ao Eu defraudar, perverter, corromper, infeccionar tudo quanto toca.)

35 – Ó tu, Tum Sep, que sais de Djedu! Eu não tenho jamais injuriado o rei. (Os chefes de Estado são os veículos do Karma; por isso não devemos amaldiçoá-los.)

36 – Ó tu, espírito, cujo coração é ativo e que sais de Debti! Eu jamais poluí as águas. (Seria o cúmulo do absurdo que um iniciado com o Ego bem morto cometesse o crime de emporcalhar as águas dos rios e dos lagos. Mas apraz ao Eu realizar tais crimes, porque não sente compaixão pelas criaturas; não quer entender que ao infectar o elemento líquido prejudicam tudo o que tiver vida.)

37 – Ó tu, Hi, que apareces no céu! Saiba: minhas palavras jamais foram altaneiras. (O Ego é altivo por natureza, soberbo, orgulhoso, arrogante, imperioso, depreciativo, desdenhoso. Ele esconde seu orgulho sob a túnica de Arístipo – vestimenta cheia de buracos e remendos. Dá-se até ao luxo de falar com fingida mansietude e poses piedosas, mas através dos buracos de sua roupa nota-se a sua vaidade.)

38 – Ó tu, que ordenas aos iniciados! Eu não amaldiçoei os deuses. (As pessoas perversas abominam e denigrem os deuses, anjos e devas.)

39 – Ó tu, Neheb-Nefert, que sais do lago! Eu não fui jamais impertinente nem insolente. (A impertinência e a insolência fundamentam-se na falta de humildade e paciência. O Ego gosta de pisar, magoar, é irreverente, inoportuno, disparato, grosseiro, precipitado, torpe.)

40 – Ó tu, Nehebe-Kau, que sais da cidade. Eu não intriguei jamais, nem me fiz valer. (O Ego quer subir, galgar o cimo da escada, fazer-se sentir, ser alguém na vida. O Eu é farsante, embrulhão, enredador, maquinador, obscuro e perigoso.)

41 – Ó tu, espírito, cuja cabeça está santificada e que logo sais de teu esconderijo! Saiba: eu não enriqueci de modo ilícito. (O Ego vive em função do “mais”. O processo acumulativo do Eu é horripilante: mais dinheiro, não importando os meios, ainda que seja estafando, enganando, defraudando, intimando, trapaceando. Mefistófeles é perverso, malvado, assim tem sido sempre Satã, o Mim Mesmo.)

42 – Ó tu, espírito que sais do mundo inferior e levas ante ti teu braço cortado. Eu jamais desdenhei os deuses da minha cidade. (Essas divindades inefáveis, anjos protetores das povoações, espíritos familiares, etc, merecem nossa admiração e respeito. Eles são os Deuses Penates dos antigos tempos. Cada cidade, povo, metrópole ou aldeia, tem seu reitor espiritual, seu Prajapati. Não existe família que não tenha seu próprio regente espiritual. O Ego despreza os pastores da alma.)

Samael Aun Weor, O Parsifal Desvelado

A partícula de Deus

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Quem disse que o espaço era a fronteira final não conhecia a capacidade do ser humano de ir mais além, que o homem tenta entender e explicar tudo, e que por isso não podemos especificar nossos limites.

Cientistas podem ter descoberto a “partícula de Deus”

A notícia recebeu grande destaque no Times de Londres, foi publicada com grandes títulos na imprensa americana, inclusive no New York Times, e mereceu a primeira página no Los Angeles Times. Não é para menos: se os fatos forem confirmados oficialmente, estará sendo aberto um mundo totalmente novo para a física, abrindo horizontes jamais imaginados, nem mesmo depois da Teoria da Relatividade.

A notícia foi dada inicialmente pelo Times, que publicou um texto com o interessante com o título: “A Semana Passada Mudou Tudo”. Durante mais de 20 anos, cientistas de todo o mundo estiveram procurando por uma partícula invisível que determinaria as propriedades básicas da matéria.

Conhecida como bóson de Higgs, acredita-se que ela seja uma parte vibratória do vácuo invisível que permeia todo o Universo.

Físicos do famoso Centro de Estudos e Pesquisas Nucleares (Cern) de Genebra, Suíça, anunciaram há poucos dias terem localizado os primeiros sinais de existência do bóson de Higgs. As evidências, segundo eles, ainda não são conclusivas, entretanto, a descoberta é considerada crítica para a física – não só por encerrar um capítulo da ciência, mas também por abrir uma porta para uma realidade completamente desconhecida pela Humanidade.

Há um mundo totalmente novo lá fora

“O bóson de Higgs não é apenas uma partícula”, disse o físico John March-Russell, do Cern. “Sua descoberta indica que existe um mundo totalmente novo lá fora.” Assim que os físicos conseguirem entender como ele atua no universo, eles serão capazes de responder a uma pergunta fundamental para a qual os antigos pensadores jamais ousaram tentar encontrar uma resposta: por que a matéria tem massa?

A descoberta de Genebra deve ser confirmada como uma das maiores conquistas da ciência em todos os tempos. O vácuo estrutura tudo o que existe no Cosmos e mantém a matéria sob sua influência. E o bóson Higgs – visto hoje mais como um campo que como uma partícula – é parte fundamental desse imenso “nada”.

Ele é como a água para os peixes, um ingrediente fundamental para o Universo. Tão fundamental que alguns físicos o chamam de “Partícula de Deus”.

Indícios desse bóson foram detectados, segundo a equipe de cientistas do Cern, no interior do acelerador de partículas de 30 quilômetros conhecido por LEP, durante um processo de colisão de partículas a altas velocidades. No começo de outubro, algumas trilhas, sugerindo a possível presença do bóson, deixaram excitados os físicos do Cern. Mas elas apareciam e desapareciam. No início do mês, entretanto, as evidências acumuladas foram suficientes para convencer os físicos.

Ainda há muitos céticos na comunidade científica, em relação à anunciada descoberta. Entretanto, se realmente o bóson de Higgs tiver sido descoberto, seu estudo poderá mostrar que o Universo é um lugar totalmente diferente do que se pensava até agora.

Blocos do universo

Bósons são apenas um tipo entre as quase inimagináveis pequenas partículas atômicas que, de acordo com a Física Teórica, são os blocos primordiais do Universo. Geralmente descritos como uma espécie de substância gelatinosa, os bósons de Higgs alteram as propriedades da matéria que viaja através deles. O que implica na existência da massa. Até pouco tempo atrás, a massa era considerada uma propriedade tão básica da matéria que os cientistas sequer ousavam perguntar de onde ela vinha – existia, e pronto.

A influência invisível dos bósons afetam o modo como as coisas se movem. Na verdade, dizem os físicos, a própria observação de que as coisas têm massa confirma que os bósons de Higgs existem. O problema, existente pelo menos até agora, era detectar sua presença em aceleradores de partículas e estudar suas propriedades. Para esse estudo, será necessário esperar a construção do acelerador maior e mais aprimorado, o LHD (Large Hadron Collider). Só com ele será possível observar melhor as “partículas de Deus” e vislumbrar, como dizem os físicos, “coisas incríveis num universo jamais imaginado”. Para quem já esperou tantos séculos, não custa esperar mais uns poucos anos.

Finalmente, a Partícula de Deus Foi Descoberta?

O bóson de Higgs ganhou este pomposo nome, “partícula de Deus”, no início dos anos 1990, após um físico, Leon Lederman (Nobel de 1988) lançar seu livro intitulado The God Particle (a partícula de Deus, em inglês), com a finalidade de explicar a teoria sobre o bóson Higgs para o público não especializado em ciência.

A nova partícula tem características “consistentes” com o bóson de Higgs, mas os físicos ainda não afirmam com certeza absoluta de que se trata realmente da “partícula de Deus”. Portanto, haverá mais pesquisas de coleta para novas evidências de que a partícula se comporta com as características esperadas.

As conclusões foram baseadas em dados obtidos no Grande Colisor de Hádrons (LHC, em inglês), acelerador de partículas construído pelo Cern ao longo de 27 quilômetros debaixo da terra, na fronteira entre a França e a Suíça.

Considerada a mais poderosa do mundo, foi construída especificamente para estudos de física de partículas, e a descoberta desta quarta é a mais importante que já foi feita lá até o momento.

Visão Esotérica do Átomo

Segundo o grande clarividente Charles Leadbeater, eminente membro da Sociedade Teosófica, ainda há muito o que pesquisar acerca da constituição interna da matéria, especificamente do átomo. Em seu imperdível livro Os Chakras, a última fronteira, segundo o Mestre Leadbeater, a última fronteira física do átomo seria o que pode chamar de Átomo Físico Ultérrimo. Vejamos o que esse Mestre ensina:

O átomo em si não é mais que a manifestação de uma energia. O Logos quis alojar a Sua energia numa forma determinada, a que chamamos de Átomo Físico Ultérrimo, e pelo esforço de Sua vontade se mantêm na referida forma uns 14 bilhões de borbulhas. Convém ressaltar o fato de que do esforço de vontade do Logos depende inteiramente a coesão das borbulhas em tal forma, de modo que se por um instante o Logos retirasse Sua vontade, se separariam as borbulhas, e todo o mundo físico cessaria de existir em espaço menor que o da duração de um relâmpago.

Eis por que, mesmo deste ponto de vista, o mundo inteiro não passa de uma ilusão, sem contar que as borbulhas constituintes do átomo são agulheiros no koilon, ou verdadeiro éter do espaço.

Portanto, a vontade do Logos continuamente exercida mantém em coesão os átomos, e ao examinar a ação desta energia volitiva, vemos que não penetra no átomo de fora, mas que surge de seu interior, o que significa que se infunde no átomo procedente de dimensões superiores.

O crânio do menino das estrelas

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Em 1930, uma garota americana foi levada por seus pais de origem mexicana a uma visita a parentes em um vilarejo na região montanhosa do estado de Chihuahua, no México. Em um dos passeios, os mais antigos disseram a essa jovem que havia umas cavernas sagradas onde ninguém podia visitar.A menina desobedeceu esse tabu local e passou a explorar as cavernas e poços que abundam toda a área.

Em uma dessas minas, ela fez uma descoberta surpreendente: no chão havia um esqueleto humano quase completo. Escavando o restante desse esqueleto, a menina descobriu que esse não era o único esqueleto, e um deles se tratava de um ser menor que o tamanho normal de uma criança, apesar de sua cabeça desproporcional. Também as mãos desse estranho ser eram disformes em relação ao todo.

Ela então removeu os crânios dessa mina e levou como souvenir para os Estados Unidos, onde as guardou até sua morte no início de 1990. Esses crânios então foram doados para um amigo da família, que os manteve guardados por cinco anos, não sabendo o que fazer com eles, mas pensando, como a proprietária anterior, que o crânio “estranho” seria apenas uma deformidade natural.

Esse homem doou o crânio a um casal, Ray e Melanie Young, de El Paso, no Texas. Melanie havia sido enfermeira neonatal durante vários anos e estava bastante familiarizada com todos os tipos de deformidade humana.

Ela logo percebeu que a “deformidade” desse crânio desafiava todas as regras das deformidades conhecidas. A regra mais significativa era a demasiada simetria nesse pequeno crânio, tão simétricos quanto os de seres humanos típicos, muito distinta dos crânios deformados já vistos.

Além do mais, Melanie e seu marido eram simpatizantes da ufologia e frequentavam eventualmente os eventos da instituição ufológica Mufon, de grande prestígio mundial. Ambos conjecturaram que esse crânio exibia todas as características clássicas do crânio de um alien do tipo gray.

Percebendo isso, determinados a ter o crânio cientificamente testado para determinar a sua herança genética, eles empreenderam uma árdua tarefa para determinar se o crânio em seu poder era de um ET grey ou se era de uma criança que morreu com deformidades.

Foi nesse período de pesquisas que o casal entrou em contato com o pesquisador Lloyd Pye por causa de seu livro sobre as origens controversas da Humanidade. A experiência desse especialista em antropogênese fez com que ele concluísse rapidamente que o crânio “deformado” de propriedade do casal Young não tinha nenhuma relação com os ossos humanos contemporâneos ou pré-históricos.

A conclusão de Lloyd Pye é de que esse crânio pode ser nada menos que o crânio de um extraterrestre.

Quer ver mais imagens sobre este estranho caso? Acesse nosso Banco de Imagens no Flickr/GnosisOnline.

Introdução aos estudos gnósticos

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“A Gnose é um ensinamento cósmico que aspira restituir dentro de cada um de nós a capacidade de viver consciente e inteligentemente.” Samael Aun Weor

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Gnose: Conceito e Origem

“Os princípios básicos da Grande Sabedoria Universal são sempre idênticos. Tanto Buda quanto Hermes Trismegisto, Quetzalcóatl ou Jesus de Nazaré, o Grande Cabir etc., entregam uma mensagem; cada uma destas mensagens do Alto, em si mesma, contém os mesmos princípios cósmicos de tipo completamente impessoal e universal. O corpo de doutrina que estamos entregando agora é revolucionário no sentido mais completo da palavra, mas contém os mesmos princípios que o Buda ensinou em segredo a seus discípulos ou os que o Grande Cabir Jesus entregou, também em segredo, a seus discípulos. É o mesmo corpo de doutrina, só que agora está sendo entregue de forma revolucionária de acordo com a nova Era de Aquário.” (Samael Aun Weor: Diálogo entre Mestre e discípulos)

Saber quem se é, de onde se vem e para onde se vai tem sido sempre uma aspiração fundamental do homem. A Gnose responde a esta necessidade primordial.

Cinzelado na pedra viva, no frontispício do Templo de Delfos, reza um antigo adágio: Gnothi Seauton (Homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses).

Desde os tempos mais remotos, o homem sempre buscou desenvolver suas possibilidades, conhecer-se a si mesmo e conhecer seu destino material e espiritual.

Está escrito que “A glória de Deus consiste em esconder seus mistérios e a do homem em descobri-los”.

Encontrar por si mesmo a solução exata para todos os arcanos da Natureza não pode ser nunca, portanto, uma heresia ou um desatino, sendo sim este o mais digno e exaltado direito que possui toda criatura humana.

Chegou a hora de autoexplorar-nos para conhecer-nos realmente. Viver por viver, sem saber nada sobre nós mesmos, sem saber quem somos nem de onde viemos, nem para que existimos, realmente não vale a pena.

Necessitamos encontrar a resposta para todas essas interrogações e para isso, amigo investigador, nasceram os estudos gnósticos.

Gnose é o Conhecimento dos Mundos Divinos trazido por todos os autênticos Mestres da Fraternidade Sagrada, que visa ao ser humano relembrar e retornar à sua origem

É bom saber que, etimologicamente, o vocábulo Gnosis provém do grego e significa CONHECIMENTO; contudo, é evidente que não se trata de um conhecimento comum. GNOSE se refere a uma Sabedoria superior, transcendental para o ser humano.

Esse saber universal e atemporal do qual emanou a enorme similitude teológica, filosófica, artística e simbólica das grandes civilizações do passado, é testemunho de haverem bebido todas na mesma fonte original.

A “Jana”, “Yana”, “Gnana” ou “Gnosis” é a ciência de Jano, ou seja, a ciência do Conhecimento Iniciático, a ciência de Enoichion, ou do Vidente.

A palavra “jina”, da qual vem o termo “Gnosis”, não é senão a castelhanização [ou aportuguesamento] de tal palavra; sua verdadeira escrita deriva do parsi e do árabe, e não é “jina” mas “djin” ou “djinn”, e assim a vemos empregada por muitos autores.

Assim, é evidente que nenhuma pessoa culta cairia hoje, como antigamente, no erro simplista de fazer surgir as correntes gnósticas de alguma latitude espiritual exclusiva.

Se é certo que devemos ter em conta em qualquer sistema gnóstico seus elementos helenísticos e orientais, incluindo Pérsia, Mesopotâmia, Síria, Índia, Tibete, Palestina, Egito, etc., nunca deveríamos esquecer os princípios gnósticos perceptíveis nos sublimes cultos dos nahuas, toltecas, astecas, zapotecas, maias, incas, chibchas, quechuas etc., da América índia.

Portanto, resulta caduco pensar na Gnose como uma simples corrente metafísica introduzida no seio do Cristianismo. A Gnose constitui uma ATITUDE EXISTENCIAL com características próprias, enraizada na mais antiga, elevada e refinada aspiração esotérica de todos os povos, cuja história, lamentavelmente, não é bem conhecida pelos antropólogos modernos.

Falando muito francamente e sem rodeios, diremos: “A Gnose é uma atividade muito natural da consciência; uma PHILOSOPHIA PERENNIS ET UNIVERSALIS”.

Inquestionavelmente, Gnose é o conhecimento iluminado dos Mistérios Divinos, reservado a uma elite.

A palavra “Gnosticismo” encerra, em sua estrutura gramatical, a ideia de sistemas ou correntes dedicadas ao estudo da Gnose.

Este Gnosticismo implica em uma série coerente, clara, precisa, de elementos fundamentais, verificáveis mediante a experiência mística direta:

A Maldição desde um ponto de vista científico e filosófico
O Adão e Eva do Gênese Hebraico
O Pecado Original e a saída do Paraíso
O Mistério de Lúcifer-Nahuatl
A Morte do Mim Mesmo
Os Poderes Criadores
A Essência do Salvator Salvandus
Os Mistérios Sexuais
O Cristo Íntimo
A Serpente Ígnea de Nossos Mágicos Poderes
A Descida aos Infernos
O Regresso ao Éden
O Dom de Lúcifer.

Só as doutrinas gnósticas que impliquem os fundamentos ontológicos, teológicos e antropológicos acima citados formam parte do Gnosticismo autêntico.

Pré-Gnóstico é aquilo que, de forma concreta, evidente e específica, apresenta alguma característica de certa maneira detectável nos sistemas Gnósticos, mas sendo esse aspecto integrado em uma concepção in totum alheia ao Gnosticismo revolucionário – um pensamento que certamente não é e entretanto é Gnóstico.

Protognóstico é todo sistema gnóstico em estado incipiente e germinal; movimentos dirigidos por uma atitude muito similar à que caracteriza as correntes gnósticas definidas.

O adjetivo “gnóstico” pode e até deve ser aplicado inteligentemente tanto a concepções que de uma ou outra forma se relacionem com a Gnose como ao Gnosticismo.

O termo “gnostizante”, inquestionavelmente, se encontra muito próximo a “pré-gnóstico” em sua significação, já que o vocábulo, em realidade, stricto sensu,  se relaciona com aspectos intrínsecos que possuem certa similaridade com o Gnosticismo Universal, mas integrados em uma corrente não definida como Gnose.

Estando firmemente estabelecidos esses esclarecimentos semânticos, passemos agora a definir com inteira claridade meridiana o Gnosticismo.

Não é demais esclarecer de forma enfática neste tratado que o Gnosticismo é um processo religioso muito íntimo, natural e profundo. Esoterismo autêntico de fundo, desenvolvendo-se de instante em instante, com vivências místicas muito particulares… Doutrina extraordinária que adota fundamentalmente a forma mítica e às vezes a mitológica. Liturgia mágica inefável com viva ilustração para a Consciência Superlativa do Ser…

O Movimento Gnóstico

“A Ciência Secreta dos sufis e dervixes dançantes está na Gnose; a Doutrina Secreta do budismo e do taoismo está na Gnose; a Magia Sagrada dos nórdicos está na Gnose; a Sabedoria de Hermes, Buda, Confúcio, Maomé, Quetzalcóatl etc. está na Gnose; a Doutrina do Cristo é a mesma Gnose. Na Gnose está toda a sabedoria antiga, já totalmente “mastigada” e “digerida”. (Samael Aun Weor: Grande Manifesto Gnóstico)

Seja-nos permitido informar que o MOVIMENTO GNÓSTICO INTERNACIONAL não é uma escola a mais, mas sim o veículo através do qual se manifesta a Gnose de ontem, de hoje e de sempre.

A eterna Gnose, como Sabedoria de todas as idades, se reveste, em cada época e lugar, de uma forma e um simbolismo particular, para transmitir, em cada momento, a mesma Verdade impessoal e atemporal.

O Movimento Gnóstico é, em pleno século 20, a forma ou o veículo de expressão desse conhecimento ancestral.

O Cristo Íntimo é nosso autêntico e único “SALVADOR QUE SALVA”

As instituições gnósticas são, hoje em dia, instituições esotéricas, científicas e culturais de âmbito internacional, integrada por pessoas das mais diferentes atividades profissionais, todas interessadas em investigar e trazer para a atualidade os grandes ensinamentos gnósticos do passado.

O Movimento Gnóstico e suas Escolas proporcionam, gratuitamente, métodos ou sistemas especiais para que cada um de nós verifique esses ensinamentos universais que prometem conduzir o homem até limites insuspeitados.

A Instituição Gnóstica, portanto, não tem fins lucrativos, a fim de que todas as pessoas, sem distinção de nível social ou econômico, possam beneficiar-se do resultado de suas investigações.

Ainda que a Associação Gnóstica estude, entre muitos outros aspectos da cultura humana, as diferentes religiões que existiram no mundo, a Gnose não é evidentemente uma religião nem uma seita. A Associação Gnóstica respeita as crenças individuais de seus filiados e a seus cursos comparecem pessoas dos mais diversos credos e filosofias.

Concluiremos afirmando, solenemente e em honra à verdade, que a Associação Gnóstica tem um único e exclusivo propósito: entregar e compartir com nosso irmão, o homem, com seriedade e rigor científico, a Gnose de todos os tempos, esse conhecimento que permite ao homem moderno formar uma visão de sua existência mais humana, mais consciente e, em consequência, mais transcendente.

Gnosticismo Prático e as Teorias

“O estudante procura aqui e ali, lê e relê todo livro de ocultismo e magia que cai em suas mãos, mas o que consegue o pobre aspirante é só encher-se de terríveis dúvidas e confusões intelectuais. Existem milhões de teorias e milhares de autores. Uns repetem ideias de outros, aqueles refutam a estes, todos contra um, um contra todos. Os colegas se ironizam e se combatem mutuamente, uns contra outros e todos realmente contra todos. Alguns autores aconselham o devoto a ser vegetariano, outros lhe dizem que não seja.

Uns aconselham a praticar exercícios respiratórios, outros dizem para não praticá-los. O resultado é espantoso para o pobre buscador. Não sabe o que fazer. Quer luz, suplica, clama, e nada, absolutamente nada.” (Samael Aun Weor: O Matrimônio Perfeito)

No terreno da vida prática cada pessoa tem seu critério, sua forma mais ou menos rançosa de pensar.

Inquestionavelmente, cada cabeça é um mundo, e em todos e em cada um de nós existe uma espécie de dogmatismo pontifício e ditatorial que quer fazer-nos crer que nossos conceitos são iguais à realidade.

Em todo caso, as pessoas nunca se sentem equivocadas, cada um de nós pensa que seu critério é o melhor.

O mais grave de toda esta questão é que milhões de critérios equivalem a milhões de normas putrefatas e absurdas.

Os “ignorantes ilustrados” são os mais difíceis, pois, em realidade, falando desta vez em estilo socrático, diremos: “não só não sabem como também ignoram que não sabem”.

Essas pobres pessoas são autossuficientes, presunçosas com seu vão intelectualismo, pensam que vão pelo caminho reto e nem remotamente suspeitam que se encontram em um beco sem saída.

A brilhante procissão de ideias ofusca o velhaco do intelecto e lhe dá certa autossuficiência tão absurda a ponto de rechaçar tudo o que não cheire a pó de biblioteca e tinta de universidade.

O delirium tremens dos bêbados alcoólicos tem sintomas inconfundíveis, mas o dos ébrios de teorias se confunde facilmente com a genialidade.

Essas pobres pessoas intelectuais querem colocar o oceano dentro de um copo de vidro, supõem que a universidade pode controlar toda a sabedoria do universo e que todas as leis do cosmos estão obrigadas a se submeter às suas velhas normas acadêmicas.

Pretendem, os amantes da razão, esquadrinhar os arcanos da Natureza com a pobre faculdade do intelecto. Não poderíamos negar que a mente e a razão são úteis, no terreno da vida prática, para realizar certas tarefas cotidianas, mas pretender, com o intelecto, analisar e resolver os grandes mistérios da vida e da morte é como pretender observar as estrelas com o microscópio ou as bactérias com o telescópio.

Em esoterismo gnóstico se diz que “bom” é o que está em seu lugar e “mau” é o que está fora de lugar. Poderíamos afirmar que o intelecto, dentro de sua órbita, é bom; mas, fora dela, nos prejudica terrivelmente.

Infelizmente, os “ignorantes ilustrados”, metidos nos subterfúgios de suas difíceis erudições, não conhecem essas coisas e nem sequer têm tempo para se ocupar de nossos estudos seriamente.

Hoje em dia os sabichões riem dos conhecimentos esotéricos, não os aceitam, ainda que no fundo nem remotamente tenham alcançado a felicidade.

Está escrito que “aquele que ri do que não conhece está a caminho de ser idiota”.

Depois de haver envelhecido no meio do pó de sua biblioteca, Fausto exclamou: “Estudei tudo com viva ansiedade, e hoje sou só um pobre louco com uma psique infeliz. O que é que sei? A mesma coisa que já sabia. A única coisa que aprendi é que não sei nada”.

As teorias encheram o mundo de confusão e problemas. O caos em que se encontra a humanidade é fruto do intelecto.

Francamente, devo dizer-lhes que a erudição sem experimentação só nos leva ao conflito e à luta das antíteses.

Não podemos negar que hoje, precisamente, existem duas tendências no mundo que lutam mortalmente pela supremacia. Em primeiro lugar, temos a corrente espiritualista, formada por todas as religiões, escolas e crenças. De outra parte, temos a corrente materialista, com sua dialética etc.

A corrente espiritualista pensa que ela, absolutamente ela, tem a verdade. A corrente materialista, ateísta, também supõe possuir a verdade. A corrente espiritualista rende culto ao Deus-Espírito, não importa que nome se lhe dê: Alá, Brahma, Deus etc. A corrente materialista rende culto ao Deus-Matéria, não importa também o nome que lhe dermos.

São duas correntes. A espiritualista se fundamenta em suas teorias; a materialista nas suas. Quem tem razão? Os da direita ou os da esquerda? Sem querer ferir delicadas suscetibilidades, diremos que nem uns nem outros conhecem realmente isso que é a Verdade.

Os fanáticos do espiritualismo e do materialismo encheram o mundo de teorias, hipóteses e suposições que jamais foram experimentadas.

“O homem que não põe em prática sua metafísica é como um asno carregado de livros”, dizia Maomé.

As teorias já se tornaram cansativas, e até se vendem e revendem no mercado… E então, como ficamos?

Os autores se contradizem a si mesmos em suas obras. O pobre leitor tem que beber da taça amarga da dúvida. As teorias só servem para ocasionar-nos preocupações e amargurar-nos a vida.

Realmente, informação intelectual não é vivência. Erudição não é experiência. O ensaio, a prova, a demonstração exclusivamente tridimensional não é unitotal, não é íntegra.

Existem, latentes em nosso interior, faculdades superiores à mente, independentes do intelecto, capazes de dar-nos conhecimento e experiência direta sobre qualquer fenômeno.

Devemos compreender que as opiniões, conceitos, teorias, hipóteses, não significam verificação, experimentação, consciência plena sobre tal ou qual fenômeno.

Sem orgulho de nenhuma espécie, devemos asseverar que os estudos gnósticos constituem um bálsamo para o insaciável buscador da luz entre tantas trevas.

Amigo leitor, a Gnose oferece as chaves e os procedimentos para que você experimente, por si mesmo e de forma científica, cada um dos elementos que integram essa Sabedoria Universal.

As teorias não servem para nada. Necessitamos ser práticos e conhecer por vivência própria o objetivo de nossa existência.

Com justa razão disse Goethe: “Toda teoria é cinza, e só é verde a árvore de frutos dourados que é a vida”.

As Quatro Grandes Colunas do Conhecimento Gnóstico

“Investigamos nas fontes da China, nas obras sânscritas da Índia, nos velhos manuscritos tibetanos… Nos preocupamos pelo estudo das peças arqueológicas, investigamos profundamente muitos códices, analisamos a sabedoria das antigas civilizações, realizamos estudos comparativos entre o México, Egito, Índia, Tibete, Grécia etc., e chegamos à conclusão de que a Sabedoria Universal é sempre a mesma, só mudam seus aspectos, de acordo com os povos, nações e línguas.” (Samael Aun Weor, na conferência: Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos?)

A sabedoria gnóstica é provinda dos Mundos Superiores, da Inteligência Divina, e é entregue periodicamente à Humanidade, de acordo com suas características idiossincráticas, de acordo com seu processo “evolutivo”. Os grandes Instrutores da Fraternidade Branca guiam os seres humanos, ensinando-o de forma didática e precisa, por meio de uma das seguintes expressões:

A humanidade nunca está desamparada, nós só precisamos estar “abertos” para as influências divinas

A Filosofia

Realmente a Gnose, como filosofia, implica sempre uma mensagem, uma orientação, um ensinamento dirigido sempre para a Consciência do ser humano, que convida o homem à reflexão consciente. A filosofia gnóstica busca sempre, mediante uma reflexão serena, elevar o homem às alturas do Real Ser (o divino que existe em cada criatura humana).

O gnóstico filósofo ama a sabedoria e busca sem descanso a verdade que existe em suas profundezas mais íntimas.

Quando se fala de filosofia, é um grave erro referir-se apenas à filosofia dos antigos gregos, à filosofia de um Platão, um Sócrates ou um Sólon.

Realmente, como filosofia, a Gnose é uma atividade muito natural da Consciência e brota, como já afirmamos, de diversas latitudes. Aqueles que pensam que sua origem está unicamente na Grécia, na Pérsia, no Iraque ou na Palestina, ou na Europa medieval, estão equivocados; a Gnose, como “Philosophia Perennis et Universalis”, se encontra em qualquer obra hindu, em qualquer pedra arqueológica, etc.

Chegou a hora de compreender que em todos os países do mundo palpita a sabedoria oculta. Chegou a hora de entender que sob as pirâmides do Egito floresceu a sabedoria dos hierofantes. Chegou o momento de saber que nas pirâmides de Teotihuacan ainda se escuta o Verbo que ressoa dos antigos mestres de Anahuac…

Em nome da verdade, temos que dizer que a sabedoria cósmica vibra e palpita em tudo o que foi, é e será.

Através do tempo, distintos hierofantes do saber resplandeceram na noite profunda de todas as idades; ora Hermes Trismegisto, o Três Vezes Grande Deus Íbis de Toth, gravando sua sapiência na Tábua Esmeraldina; ora os grandes sábios da antiga Grécia, ensinando às multidões nos Mistérios de Elêusis; ora os sacerdotes Incas, que brilharam como sóis resplandecentes no Alto Cusco do Peru; ora a sapiência soberana dos grandes iniciados de Anahuac.

Sim, por aqui, lá e acolá resplandece a sabedoria de todas as idades, a sabedoria oculta.

Este é um momento de confusão; a humanidade se encontra em estado caótico, há crise mundial e bancarrota de todos os princípios éticos e morais. As pessoas se lançaram à guerra, uns contra outros e todos contra todos.

Nestes momentos, não nos resta mais remédio que aprofundar-nos na sabedoria do passado, extrair dos códices a orientação precisa para guiar-nos no momento presente, beber na fonte tradicional da augusta sabedoria da natureza, buscar as vertentes originais da sapiência cósmica.

Este, amigo leitor, é o propósito da Antropologia Gnóstica. Mediante um estudo amplo, a Antropologia Gnóstica busca redefinir aqueles PRINCÍPIOS ÉTICOS que constituem a pedra fundamental das grandes culturas do passado.

A Antropologia Gnóstica é uma Antropologia Psicanalítica. Podemos, por meio da psicanálise, extrair de cada peça (nicho, pirâmide, tumba etc.), os princípios psicológicos contidos em tais peças.

Através da Antropologia Gnóstica, conhecemos os distintos cenários do mundo, esquadrinhando neles os arcanos ou segredos que, de forma transcendente, lancem luz sobre os controvertidos enigmas da existência.

Chegou o momento em que devemos voltar a estudar os ensinamentos do passado, mas com a visão correta, sabendo extrair, da letra morta, o espírito que dá vida.

É evidente, contudo, que sem uma prévia informação sobre Antropologia Gnóstica, será mais que impossível o estudo rigoroso das diversas peças antropológicas das culturas asteca, tolteca, maia, egípcia etc.

Em questões de “antropologia profana” (desculpem-me a similitude), se se quer conhecer resultados, deixe-se um macaco, símio ou mico em plena liberdade dentro de um laboratório e observe-se o que acontece.

Os códices mexicanos, papiros egípcios, tijolos assírios, pergaminhos do Mar Morto, estranhos pergaminhos, templos antiquíssimos, monólitos sagrados, velhos hieróglifos, pirâmides, sepulcros milenares, etc., oferecem, em sua profundidade simbólica, um sentido gnóstico que, definitivamente, escapa à interpretação literal e que nunca teve um valor explicativo de índole exclusivamente intelectual.

O racionalismo especulativo dos antropólogos e historiadores modernos, em vez de enriquecer a linguagem, a empobrece terrivelmente, já que os relatos gnósticos, escritos ou alegorizados em qualquer forma artística, orientam-se sempre para o SER.

E é nesta interessantíssima linguagem da Gnose, semifilosófica e semimitológica, onde se apresentam uma série de invariantes extraordinárias, símbolos com um fundo esotérico que falam à Consciência em silêncio. Bem sabem os Divinos e os humanos que “o silêncio é a eloquência da Sabedoria”.

A Arte

Existem dois tipos de arte: primeiro, a arte subjetiva que a nada conduz; segundo, a Arte Régia da Natureza, a arte objetiva, real, transcendental.

Obviamente, esta última arte contém em si mesma preciosas verdades cósmicas… Esta, amigos, é a arte gnóstica, a arte que encontramos em todas as peças antigas, nas pirâmides e nos velhos obeliscos, nos hieróglifos e nos baixos-relevos do Egito dos Faraós, em todas as obras do México antigo, nas relíquias arqueológicas dos maias, astecas, zapotecas, toltecas etc.; nos velhos pergaminhos da Idade Média, nas pinturas e esculturas de Michelangelo; na música de Beethoven, Mozart, Lizst, Richard Wagner, nas obras da literatura universal, a Ilíada de Homero, a Divina Comédia de Dante etc.

Indubitavelmente, a arte gnóstica baseia-se na “Lei do Sete”, na “Lei do Eterno Heptaparaparshinock” (a lei que põe em ordem todo o criado: os sete dias da semana, as sete cores do prisma, as sete notas musicais etc.).

Quando se descobre qualquer relíquia, qualquer peça arqueológica, normalmente se pode observar certas inexatidões intencionais, pequenas rupturas que quase sempre são atribuídas à picareta dos trabalhadores. Em todo caso, qualquer inexatidão dentro da “Lei do Sete” foi colocada intencionalmente, como para indicar-nos que ali, naquela peça, se transmite à posteridade um ensinamento, uma doutrina, uma verdade cósmica.

Com as pinturas acontece a mesma coisa; a “Lei do Sete” domina todas essas pinturas antigas. Todas as gravuras e desenhos dos astecas, maias, egípcios, fenícios etc., transmitem preciosos ensinamentos. Também encontramos belas representações de grandes ensinamentos em todos esses velhos quadros medievais, nas catedrais góticas etc.

Recordemos a “Gioconda”, por exemplo. Nessa magna obra podemos ver a Divina Mãe, “Stella Maris”, como diziam os alquimistas medievais, a Virgem do Mar, que guia sabiamente os trabalhadores da Grande Obra. Entre os astecas ela é Tonantzin, entre os gregos é a casta Diana, entre os egípcios é Ísis, a Mãe Divina, a quem nenhum mortal levantou o véu… Não é demais aclarar de forma enfática que cada um de nós tem sua própria Mãe Divina particular, individual.

Realmente devemos afirmar que a Arte Régia da Natureza é um meio transmissor dos ensinamentos cósmicos.

As danças sagradas, por exemplo, eram verdadeiros livros informativos que transmitiam deliberadamente certos conhecimentos cósmicos transcendentais.

Os dervixes dançantes não ignoravam as “sete tentações” mutuamente equilibradas dos organismos vivos.

Os dançarinos antigos conheciam as sete partes independentes do corpo e sabiam muito bem o que são as sete linhas distintas do movimento. Os dançarinos sagrados sabiam muito bem que cada uma das sete linhas do movimento possui sete pontos de concentração dinâmica.

Os dançarinos da Babilônia, da Grécia e Egito não ignoravam que tudo isto cristalizava no átomo dançarino e no planeta gigantesco que dança ao redor de seu centro de gravitação cósmica.

Se pudéssemos inventar uma máquina que imitasse com plena exatidão todos os movimentos dos sete planetas de nosso sistema solar ao redor do sol, descobriríamos com assombro o segredo dos dervixes dançantes. Realmente, os dervixes dançantes imitam, com perfeição, todos os movimentos dos planetas ao redor do sol.

As danças sagradas dos templos do Egito, Babilônia, Grécia, etc., vão ainda mais longe, transmitindo tremendas verdades cósmicas, antropogenéticas, psicobiológicas, matemáticas etc.

O sábado, o dia do teatro, o dia dos Mistérios, foi muito popular nos antigos tempos. Então se apresentavam dramas cósmicos maravilhosos.

O drama serviu para transmitir aos iniciados valiosos conhecimentos. Por meio do drama, transmitiu-se aos iniciados diversas formas de experiência do Ser e manifestações do Ser.

Entre os dramas, o mais antigo é o do Cristo Cósmico. Os iniciados sabiam muito bem que cada um de nós deve converter-se no Cristo de tal drama, se é que de verdade aspiramos o Reino do Super-Homem.

Os dramas cósmicos se baseiam na “Lei do Sete”. Certos desvios inteligentes de tal lei, como dissemos, foram sempre utilizados para transmitir ao neófito conhecimentos transcendentais.

Em música, é bem sabido que certas notas podem produzir alegria no centro pensante, outras podem produzir tristeza no centro sensível e, por último, outras podem produzir religiosidade no centro motor.

Realmente, os velhos Hierofantes jamais ignoraram que o conhecimento íntegro somente pode ser adquirido com os três cérebros; um só cérebro não pode dar informação completa.

A dança sagrada e o drama cósmico, sabiamente combinados com a música, serviram para transmitir aos neófitos tremendos conhecimentos arcaicos de tipo cosmogenético, psicobiológico, físico-químico, metafísico etc.

Cabe aqui mencionar também a escultura. Esta foi grandiosa em outros tempos. Os seres alegóricos cinzelados na dura pedra revelam que os velhos Mestres não ignoraram nunca a “Lei do Sete”.

Recordemos a Esfinge de Gizé, no Egito. Ela nos fala dos quatro elementos da natureza e das quatro condições básicas do Super-Homem.

Contudo, conforme o ser humano se precipitou pelo caminho da involução e da degeneração, conforme foi se tornando cada vez mais e mais materialista, seus sentidos também foram se deteriorando e degenerando, e o amor pela verdadeira sabedoria, como é lógico, foi desaparecendo.

Depois da Segunda Guerra Mundial nasceram a filosofia e a arte existencialistas. Quando vimos os atores existencialistas em cena, chegamos à conclusão de que são verdadeiros doentes, maníacos e perversos.

Os artistas de cada nova geração se converteram em verdadeiros apologistas da dialética materialista. Todo alento de espiritualidade desapareceu da arte ultramoderna.

Está comprovado pela observação e experiência que a ausência de valores espirituais produz degeneração.

Os artistas modernos já nada sabem sobre a “Lei do Sete”, nada sabem de Dramas Cósmicos, nada sabem sobre as Danças Sagradas dos antigos Mistérios.

A pintura atual, a música, a escultura, o drama etc., não são senão o produto da degeneração.

Já não aparecem no cenário os iniciados de outros tempos, as dançarinas sagradas, os verdadeiros artistas dos grandes tempos. Agora só aparecem nos palcos autômatos doentes, cantores degenerados, rebeldes sem causa.

Os teatros ultramodernos são a antítese dos teatros sagrados dos grandes mistérios do Egito, Grécia, Índia etc.

A arte atual é tenebrosa, é a antítese da Luz, e os artistas modernos são tenebrosos.

A pintura surrealista e marxista, a escultura ultramoderna, a música afro-cubana e as bailarinas modernas são o resultado da degeneração humana.

Os rapazes e moças das novas gerações recebem, por meio de seus três cérebros degenerados, dados suficientes para converterem-se em estelionatários, ladrões, assassinos, bandidos, homossexuais, prostitutas etc.

Ninguém faz nada para acabar com a arte ruim e tudo caminha para uma catástrofe final por falta de uma Revolução da Dialética…

A Ciência

Quando falamos em ciência, pensamos na Ciência Pura, não nessa podridão de teorias que hoje abundam por toda parte; ciência pura como a da Grande Obra, a ciência dos alquimistas medievais; ciência pura como a de um Paracelso ou a de um Paulo de Tarso; ciência pura como a que utilizaram Jesus ou Moisés para realizar prodígios.

A ciência pura é experiência direta, vívida e real. A ciência pura é ética superior, análise posta a serviço do SER.

A ciência destes tempos é uma ciência falsa, uma ciência cheia de interesses personalistas; uma ciência que não respeita os interesses espirituais do ser humano; uma ciência onde o fim justifica os meios, ainda que estes incluam o sofrimento físico e psicológico de qualquer criatura vivente; uma ciência para a qual a palavra “progresso” serve para justificar as mais terríveis atrocidades.

Além disso, a ciência de hoje em dia é uma ciência que afirma dogmaticamente uma tese e amanhã, com essa soberba que a caracteriza, afirma totalmente o contrário. Uma ciência cheia de contradições, que paradoxalmente diz acreditar só no que vê e, não obstante, sustenta com firmeza hipóteses absurdas que nunca foram comprovadas. Esta é a ciência moderna…

Atualmente, estão sendo feitos certos comentários muito simpáticos. A ciência materialista inventa todos os dias novas hipóteses. Estabeleceu-se uma cadeia curiosa e ridícula por excelência com relação aos nossos possíveis antepassados. Como rei dessa cadeia aparece o tubarão, do qual descendem, segundo dizem os antropólogos, os lagartos. Teoria que chega a ser ridícula, não?

Depois, prosseguem com o famoso oposum, criatura similar ao crocodilo, um pouquinho mais evoluída segundo enfatizam. Daí passam, seguindo o curso da grande cadeia de maravilhas, para certo animalzinho ao qual se tem dado muita importância. Refiro-me de forma enfática aos lêmures. Atribuem-lhes uma placenta discoidal, questão que é refutada pelos zoólogos.

Contradições gigantescas são encontradas nos labirintos da falsa ciência, que prossegue dizendo que dos lêmures, que podem ter existido há uns 150 milhões de anos, descende por sua vez o macaco e, por fim, o gorila. Nessa fantástica cadeia, o gorila é o nosso antecessor imediato, o predecessor do homem.

Alguns antropólogos não deixam de encaixar nestas questões o pobre rato, e até querem inclui-lo nesta cadeia. Como? De que maneira? Procuram semelhanças, querem fazer crer que a forma da cabeça e da boca do tubarão dá origem a outros mamíferos, entre eles o irmão rato.

Isso de que certos traços do rosto se parecem não pode servir de base para a hipótese de uma possível descendência. Isso é no fundo tão empírico como supor que o homem foi feito de barro, no sentido literal, sem perceber que a frase tem um sentido simbólico.

Onde estão os elos? Como é possível que do esqualo, sem mais nem menos, da noite para o dia ou através de uns quantos séculos, apareça o lagarto? Milhões de anos se passaram e os tubarões continuam tranquilos. Nunca se viu nascerem novos lagartos de uma espécie de tubarão, seja no Atlântico ou no Pacífico.

Contudo, não são eles por acaso os senhores da ciência materialista, que dizem que não acreditam senão no que veem, que não aceitam nada que não hajam visto? Que terrível contradição! Acreditam em suas hipóteses e nunca as viram.

São esses mesmos cientistas modernos os que se opõem a essa questão das dimensões superiores da natureza e do cosmos. A que se deve isso? Simplesmente a que suas mentes estão decrépitas, degeneradas, não conseguem ver além de seus narizes, isso é óbvio.

Que existe uma quarta coordenada, uma quarta vertical, é inegável, mas isso incomoda os materialistas. No entanto, Einstein aceitou a quarta dimensão.

Em matemática, ninguém pode negar a quarta vertical. Mas os materialistas desta época nem sequer consideram que possa existir outra dimensão ou dimensões superiores na natureza. Querem, à força, que nos encerremos ou nos autoencerremos todos no mundo tridimensional de Euclides. E, devido a essa falsa posição absurda, o avanço da física está completamente paralisado.

A estas horas, já deveriam existir naves cósmicas capazes de viajar através do infinito, mas tal aspiração não seria possível enquanto a física continue engarrafada no dogma tridimensional de Euclides.

Não está longe o dia em que estas dimensões da Natureza poderão ser vistas através de sofisticados aparelhos de ótica. Mas até esse dia chegar, seguramente nós, os antropólogos gnósticos, teremos que suportar a mesma zombaria que Pasteur suportou quando falava de seus micróbios.

Mas um dia essas dimensões serão perceptíveis por meio da ótica e então a zombaria acabará. Já estão sendo feitas experiências para transformar as ondas sonoras em imagens e, quando isto for feito, poderemos ver todos os processos evolutivos e involutivos da Natureza. Então o Anticristo da falsa ciência será desnudado diante do veredicto solene da consciência pública.

Assim, existem dois tipos de ciência: a ciência profana e a ciência pura. Na ciência pura não existem teorias, mas fatos. Se eu dissesse a vocês que o Conde Saint-Germain viveu durante os séculos 15, 16, 17, 18, 19 e que ainda vive, vocês me achariam louco. Conheço o Conde Saint-Germain, e dou testemunho disso. Vive sim, sustentado por uma ciência que vocês não conhecem, a ciência pura, a ciência do Super-Homem, a ciência que conhecem os extraterrestres que viajam através do espaço infinito, a ciência dos senhores da vida e da morte, a ciência daqueles que abriram a Mente Interior…

Aqueles que ainda não abriram sua Mente Interior se baseiam somente em teorias, em hipóteses que não comprovaram. Por que teríamos que aceitar todas as utopias materialistas? Por que teríamos que aceitar o dogma da evolução, o dogma tridimensional? Por que teríamos nós que viver dentro do mundo das hipóteses?

O cientista gnóstico tem sistemas diferentes para a investigação; temos disciplinas especiais que permitem ao ser humano pôr em atividade certas faculdades latentes no cérebro, certos sentidos de percepção completamente desconhecidos para a ciência materialista e que permitem verificar diretamente todas estas interrogações…

A Religião/Mística

Se fizermos um estudo comparativo das grandes religiões, descobriremos que todas elas descansam sobre os mesmos pilares.

RELIGIÃO provém do termo “RELIGARE”, ou seja, o objetivo fundamental de todo princípio religioso é “re-ligar-se”, voltar a se unir com sua própria Divindade, regressar ao ponto de partida original, ao SER da filosofia experimental.

Realmente, de fato, somente existe UMA só RELIGIÃO, ÚNICA E CÓSMICA. Esta religião assume diferentes formas religiosas segundo os tempos e as necessidades da humanidade.

Portanto, as lutas religiosas são absurdas, porque no fundo todas são unicamente modificações da RELIGIÃO CÓSMICA UNIVERSAL.

Isso que estamos afirmando tem seu máximo expoente na enorme semelhança simbólica e teológica de todas as religiões.

É evidente o amor que todas as instituições místicas do mundo inteiro sentem pelo Divino: Alá, Brahma, Tao, Zen, I.A.O., Inri, Mônada, Ser, Deus etc.

Os Mártires, Santos, Virgens, Anjos e Querubins são os mesmos Deuses, Semideuses, Titãs, Sílfides, Cíclopes e Mensageiros da mitologia pagã.

A trimurti cristã, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, tem seu expoente em todas as trimurtis religiosas: Osíris, Ísis e Hórus, no Egito; Brama, Vishnu e Shiva, na Índia; Kether, Chokmah e Binah, na Cabala etc.

Todos os cultos têm seus Céus (dimensões superiores, Aeons da Cabala hebraica) e sua contraparte, os Infernos, conhecidos também como Averno (romano), Tártaro (grego), Patala (indiano), Mixtlán (asteca), Xibalbá (maia) etc.

Entre os Persas, Cristo é Ormuzd, Ahura-Mazda, o terrível inimigo de Ahrimã (o Satã que levamos dentro de nós). Entre os hindus, Krishna é o Cristo. O evangelho de Krishna é muito semelhante ao de Jesus de Nazaré. Entre os egípcios, Cristo é Osíris, e todo aquele que O encarnava era, de fato, um Osirificado. Entre os chineses é Fu-Hi, o Cristo Cósmico, que compôs o I-Ching, O Livro das Leis, e nomeou ministros dragões. Entre os gregos, o Cristo chamava-se Zeus, Júpiter, O Pai dos Deuses. Entre os astecas é Quetzalcoatl, o Cristo mexicano. Nos Eddas germânicos é Balder, o Cristo que foi assassinado por Hoder, Deus da Guerra, com uma flecha de agárico. Assim, poderíamos citar o Cristo Cósmico em milhares de livros arcaicos e velhas tradições que vêm de milhões de anos antes de Jesus.

Maria, a Mãe de Jesus, é a mesma Ísis, Juno, Deméter, Ceres, Maya, Tonantzin etc., que recebem seu filho em uma imaculada concepção. Fo-Hi, Quetzalcóatl, Buda e muitos outros são o resultado de imaculadas concepções, que são realmente abundantes em todos os cultos antigos.

Maria Madalena é, fora de qualquer dúvida, a mesma Salambô, Matra, Ishtar, Astarte, Afrodite e Vênus de todas as religiões. Maria Madalena, a pecadora arrependida, é a mesma Gundrígia, a Kundri do drama wagneriano.

Todos os cultos antigos tentaram conduzir o homem à ÚNICA GRANDE VERDADE, e por isto é assombrosa a grande semelhança entre todas as formas religiosas, a repetição de símbolos, ideias etc.

Frases como: “Eu estou com a verdade” ou “minha religião é a única que serve” denotam soberba e uma supina ignorância.

Contudo, seguindo esta ordem de ideias, temos que levar em conta uma coisa extremamente importante: todos os preceitos, ensinamentos ou indicações dos cultos religiosos de nada servem, se não os experimentamos em nós mesmos…

Por isso, em questões de religião, estudamos a religiosidade em sua forma mais profunda. A Gnose estuda a Ciência das Religiões.

A religiosidade que possuímos é altamente científica. A Gnose não se conforma com aceitar a existência de um Deus sentado em um trono, julgando os vivos e os mortos. O gnóstico cria a fé a partir da experiência, da vivência, da comprovação, não de teorias.

Nos tempos atuais, a religião se divorciou da ciência e a ciência da religião. Uns lutam contra outros e outros contra uns. Todos se sentem de posse da verdade, ninguém se sente equivocado.

Contudo, a religião que despreza a ciência é uma religião oca, cem por cento fanática e dogmática. A ciência que rejeita a religião é uma ciência materialista, ateísta, carente totalmente de valores e princípios.

O bálsamo procurado por quem quer a verdade não está nos opostos. Tese e antítese devem tender à síntese; devemos entrar em um espiritualismo científico e uma ciência espiritual. É necessário deixar de lado o dualismo conceitual, é urgente e inadiável filiar-nos a um monismo transcendental, é necessária uma ciência religiosa e uma religião científica.

Samael Aun Weor, o Pai da Antropologia Gnóstica

“A palavra AVATARA significa mensageiro, ou seja, aquele que entrega uma mensagem. Como me correspondeu a tarefa de entregar esta mensagem por ordem da Loja Branca, sou chamado de MENSAGEIRO, ou, em sânscrito, Avatara. Um mensageiro ou Avatara é, em síntese, um recadeiro, é o homem que entrega um recado, um servidor ou servo da Grande Obra do Pai. Que esta palavra não se preste a equívocos, pois está especificada com inteira clareza.

Assim, meus caros leitores, a palavra Avatara não deve conduzir-nos jamais ao orgulho, pois significa apenas isso, nada mais que isso: recadeiro, criado ou mensageiro, simplesmente um servidor que entrega uma mensagem, isso é tudo. Sou então um criado, servidor ou mensageiro, e estou entregando uma mensagem. Uma vez, disse que sou o cargueiro de uma carga cósmica, pois estou entregando o conteúdo de uma carga cósmica.” (Samael Aun Weor: Perguntas e Respostas)

Existem três princípios fundamentais que definem o Conhecimento Gnóstico e que também o diferenciam de outras doutrinas; princípios que, se vividos integramente pelo ser humano, lhe permitem despertar sua Consciência íntima e unir-se com seu Real Ser (o divino e verdadeiro que existe nele).

Samael Aun Weor, o Grande Mensageiro da Era de Aquárius

Estes três princípios, ou Fatores, são:

– A autoaniquilação psicológica disso que não é Real em nós, isto é, todo o conjunto de elementos mentais indesejáveis que constituem o Ego, o Mim Mesmo, a viva personificação de todos os nossos erros, defeitos, bloqueios, traumas, medos, complexos, vícios etc.

– O desenvolvimento harmonioso das faculdades superiores que estão adormecidas em nós e a criação de certas estruturas corpóreas com as quais podem ser percebidas as grandes realidades desta e das outras dimensões.

– O exercício desinteressado e constante em favor da humanidade, sacrificando os interesses particulares em prol de nosso irmão, o homem.

É necessário saber que não foram muitos os personagens que, ao longo de toda a história, tiveram a ousadia de viver cada dia, com o esforço e a vontade que isso implica, estes três grandes fatores da liberação do homem.

Jesus, o Cristo, Buda, Quetzalcóatl, Saint Germain, Cagliostro, Fulcanelli etc., são o exemplo de alguns destes grandes homens e o testemunho vivo da transformação transcendente que pode acontecer na natureza humana.

Em pleno século 20, Samael Aun Weor, insigne escritor, filósofo, sociólogo e esoterista, com a ousadia que leva a eliminar da psique todos os fatores da discórdia, juntou-se a esta lista de “Iluminados”, escapando da relatividade ilusória na qual todos vivemos para estabelecer-se definitivamente no reino do Absoluto e Verdadeiro.

O desenvolvimento de uma faculdade chamada, em termos metafísicos, de “Intuição Prajna Paramita”, permitiu a este grande sábio converter-se no guia de muitos que, como nós, buscam incansavelmente dar uma resposta ao porquê da existência.

Samael Aun Weor é, nesta época conhecida como “Era de Aquário”, e por vontade de todas aquelas esclarecidas inteligências divinas, origem de todo o criado, o Mensageiro ou Avatara encarregado de entregar o mapa preciso para que ninguém possa extraviar-se na confusão de tantas teorias.

Com este único fim, Samael Aun Weor cria, com grande acerto, o veículo que têm hoje em dia os Princípios Gnósticos para manifestarem-se a esta humanidade; nos referimos, evidentemente, aos grupos gnósticos, espalhados por todos os rincões do planeta Terra, com diversas denominações institucionais…

Todos os estudos que esta instituição hoje oferece se baseiam no singular desvelamento que este grande humanista faz dos enormes e enriquecedores Mistérios, através de suas mais de sessenta obras, às quais deve-se acrescentar centenas de conferências, manifestos, epístolas e diálogos com seus discípulos.

Assim, sem cair em fanatismo de nenhuma espécie, diremos ao ávido leitor que, a partir destes momentos, terá a excepcional oportunidade de aproximar-se do legítimo esoterismo que nutriu todas essas notáveis inteligências do Saber Oculto e que foi resgatado do pó dos séculos, sintetizado em forma prática, sem complicações intelectuais de nenhuma espécie e entregue pública e desinteressadamente à humanidade por este humilde e transcendental Homem: Samael Aun Weor.

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Cientistas a ponto de dominar a quarta dimensão

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Físicos da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, deram um grande passo para derrubar o muro que separa o microcosmo da mecânica quântica do mundo macro da vida cotidiana e da tecnologia. Conseguiram unir os destinos – ainda que por uma fração de segundo – de trilhões de átomos separados no espaço.

A recompensa para a ciência, caso consiga dar muitos outros passos nessa direção, virá na forma de computadores muito superiores aos atuais. E, quem sabe, na forma do teletransporte, um velho sonho da ficção científica.

Brian Julsgaard e dois colegas de Aarhus foram capazes de induzir uma estranha propriedade em duas amostras compostas por cerca de 1 trilhão de átomos de césio cada – o fenômeno conhecido como entrelaçamento. Embora já tenha sido obtido com poucas partículas, é a primeira vez que um objeto macroscópico é levado a esse estado.

O trabalho está publicado na revista britânica Nature (http://www.nature.com).

O Fantasma de Einstein

quarta-dimensao-gnosisonlineEm 1935, Albert Einstein, Boris Podolsky e Nathan Rosen haviam publicado um trabalho com a intenção de desmascarar a Teoria da Mecânica Quântica, que consideravam maluca demais para ser levada a sério.

Partindo de preceitos teóricos, mostraram que seria possível duas partículas se “entrelaçarem”, de modo que a determinação de certa característica em uma delas imediatamente seria transposta para a outra, não importando a distância entre elas.

Mas o próprio Einstein definiu o entrelaçamento como uma “fantasmagórica ação a distância”. Acontece que os partidários da mecânica quântica estavam corretos, e o fenômeno de partículas entrelaçadas realmente existe.

Em 1997, cientistas da Universidade de Innsbruck, na Áustria, levaram o entrelaçamento às manchetes ao anunciar que haviam usado a técnica para teletransportar um fóton (partícula de luz) instantaneamente de um ponto a outro de uma sala. O experimento envolvia apenas três partículas.

Agora, o número de elementos envolvidos na manipulação quântica sobe para a casa dos trilhões com o feito de Julsgaard. Ele disparou um laser (feixe organizado de fótons) sobre duas amostras de césio, fazendo com que elas ficassem entrelaçadas.

O entrelaçamento valeu para todas as partículas da amostra, mas durou apenas meio milissegundo (metade de um milésimo de segundo). Conforme os átomos das amostras interagiam com outros elementos, como por exemplo os recipientes que os guardavam, iam perdendo o caráter entrelaçado, até ele se desfazer totalmente.

Além de ser o primeiro experimento a envolver um conjunto grande de partículas entrelaçadas, ele tem outro diferencial: a criação do entrelaçamento foi obtida sem que as amostras precisassem interagir uma com a outra, sendo o fenômeno induzido apenas pelo disparo do laser.

“Essa característica significa que o entrelaçamento pode ser obtido a distâncias consideráveis, o que é obviamente importante para a comunicação quântica”, disse a um jornal Eugene Polzik, um dos colegas de Julsgaard envolvidos no experimento.

Comunicação quântica é a idéia de usar o entrelaçamento para transmitir informações. Suponha que Alice e Bob queiram trocar mensagens usando a “fantasmagórica ação a distância” (Alice e Bob são os nomes preferidos dos físicos para dar exemplos). Cada um deles ganha uma partícula entrelaçada. Se Alice altera o estado da sua partícula, a outra é automaticamente modificada, e Bob imediatamente fica sabendo. Se mensagens forem codificadas em estados quânticos de partículas, é possível trocar informações.

Xerox Atômico

Da mesma maneira funcionariam outras, e mais audaciosas, idéias, como o teletransporte  – algo semelhante a um xerox atômico a distância.quarta-dimensao2-gnosisonline

Para transportar uma pessoa, por exemplo, seria preciso colocar no local de destino um conjunto de átomos representativo da composição do indivíduo e entrelaçá-lo com as partículas da própria pessoa.

“Teríamos a mesma quantidade dos mesmos tipos de átomo em cada um dos locais e transferiríamos o estado quântico dos átomos do local um para o local dois. Como átomos no mesmo estado quântico são indistinguíveis, é como se os tivéssemos transportado do ponto um ao dois”, diz Polzik.

Embora o entrelaçamento de trilhões de átomos já seja bastante significativo, ainda está longe o momento em que alguém sairá por aí dizendo “Beam me up, Scotty”, como o capitão Kirk fazia no seriado Jornada nas Estrelas para ser levado de volta à nave.

“O teleporte de qualquer objeto quântico complexo, mesmo de uma bactéria, iria exigir transferir o estado descrito por zilhões de parâmetros, como posição e momento de todos os elétrons etc. Isso é uma enorme quantidade de informação e será muito difícil de fazer. Por ora estamos pensando em teleportar apenas um parâmetro de uma amostra atômica, e isso já é suficientemente difícil.”

A equipe agora trabalha para melhorar ainda mais o grau de entrelaçamento de suas amostras e tentar o teletransporte atômico.

A Mãe do Mundo como símbolo e como fato

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Por Charles Leadbeater

Será melhor que eu comece com uma declaração definida sobre o que eu pessoalmente sei a respeito da Mãe do Mundo, tratando dos fatos como eles são, e da maneira como eles nos interessam e influem no trabalho que temos de fazer – deixando de lado por ora todos os mitos que se agruparam em Seu redor.

A Mãe do Mundo, então, é um Ser grandioso que está à testa de um grande departamento da organização e governo do mundo. Em verdade Ela é um poderoso Anjo, tendo sob Suas ordens uma vasta falange de Anjos subordinados, a quem Ela mantém perpetuamente empregados no trabalho que Lhe cabe particularmente.

Este trabalho tem tantas e tão maravilhosas ramificações que não é fácil darmos sequer a ideia mais geral dele em poucas frases. Por enquanto bastará dizer que num sentido muito real Ela tem sob Sua responsabilidade todas as mulheres do mundo, e especialmente no tempo de sua provação maior, quando elas exercem a função suprema que Deus lhes confiou, ao tornarem-se mães.

MÃE NATURA - A Mãe do Mundo expressando-se como a Grande Arquiteta da Natureza
MÃE NATURA – A Mãe do Mundo expressando-se como a Grande Arquiteta da Natureza

Contam-se muitas histórias, especialmente entre os camponeses, de mulheres que viram a Mãe do Mundo ao seu lado naquelas horas cruciais, e muitas que não tiveram o privilégio de vê-La mesmo assim sentiram a ajuda e a força que Ela derrama.

Por que A veriam os camponeses, e não as pessoas mais intelectualizadas? Exatamente porque aqueles que se desenvolveram intelectualmente muitas vezes mergulharam naquela parte de sua consciência que exclui grande parte da impressionabilidade preservada pelos outros que vivem mais próximos da Natureza.

Não obstante, às vezes também os mais desenvolvidos A veem. Uma dama da nobreza inglesa me contou que sob circunstâncias similares ela também viu ao lado de seu leito um grande Anjo, que maravilhosamente provocou nela uma espécie de inconsciência, a fim de amenizar a dor em certos momentos.

Talvez seja esta Sua maior e mais impressionante função; mas Ela também tem uma outra que A leva para a mais estreita relação com a humanidade, pois Ela tornou parte de Sua obra tentar mitigar o sofrimento do mundo, agir como Consoladora, Confortadora, Auxiliadora de todos os que estão em atribulação, tristeza, necessidade, doença ou qualquer outra adversidade.

Para aqueles que são alheios a esta linha de idéias eu recomendaria a consulta de uma tocante história intitulada Consolatrix Afflictorum, no livroThe Light Invisible, do Monsenhor R. H. Benson, e também o livreto The Call ofthe Mother, de Lady Emily Lutyens.

DEVI KUNDALINI - A Mãe Divina Íntima, que todos trazemos em nosso mundo ígneo-eletrônico
DEVI KUNDALINI – A Mãe Divina Íntima, que todos trazemos em nosso mundo ígneo-eletrônico

Todos os estudiosos de Teosofia estão a par da existência da poderosa e gloriosa Hierarquia que constitui o Governo interno e espiritual do mundo. Quem deseja entender algo sobre esta organização faria bem em consultar um diagrama muito claro e útil que aparece como a Figura 118 em First Principies of Theosophy, de C. Jinarajadasa.

Deste diagrama vemos que enquanto o Rei Espiritual, o Senhor do Mundo, é supremo acima de todos, e o Senhor Buddha é Seu imediato como Líder espiritual do Segundo Raio, os outros cinco Raios (embora cada um seja governado por seu próprio Regente ou Chohan especial) estão todos reunidos sob a direção de um alto Oficial chamado Mahachohan.

Vemos então que o Senhor Manu Vaivasvata, o Senhor Bodhisattva Maytreia e nosso Senhor o Mahachohan atuam em um certo nível bem definido como representantes dos Três Aspectos do Logos Solar, até onde interessa ao trabalho nos planos inferiores; não conhecemos nenhum outro Grande Ser que esteja naquele nível exceto algum que, tendo desempenhado alta função no passado, agora trabalha em outro lugar.

Ficando assim esclarecidos os degraus da Hierarquia, e tabulado o arranjo dos diferentes Raios e seus Líderes ou Chohans, de imediato se verá que o trabalho da Mãe do Mundo não poderia ser incluído nesta lista, pois este trabalho não pertence a Raio nenhum em especial, mas atua de uma maneira protetora para as mulheres nativas de todos os Raios. Além disso, a lista dada aqui nos indica apenas as linhas de atividade do que podemos chamar de parte humana da Hierarquia.

Mas lembremos que o Senhor Maitreya é o Mestre dos Anjos assim como dos homens, e exatamente do mesmo modo o grande Senhor do Mundo é o Rei Espiritual não apenas da evolução humana, mas também do reino Angélico deste planeta. Sabemos que existe uma seção Angélica da Hierarquia, mas ainda não temos nenhuma informação que nos possibilite compilar para ela uma tabela semelhante.

Sabemos que assim como os Adeptos dividiram o mundo em paróquias, de modo que todas as nações têm algum tipo de orientação Adepta, igualmente cada nação tem um Deva ou Anjo presidente.

Sabemos, além disso, que os Anjos têm uma parte verdadeiramente grande na direção da evolução – que eles também presidem sobre certos distritos, e que há uma elaborada distribuição de Devas menores e maiores, chegando até o espírito local que atua como guardião para um bosque, um vale, um lago. Mas nosso conhecimento ao longo destas linhas é limitado e fragmentário, e a geografia política do mundo sob a ótica da Hoste Angélica ainda está para ser escrita.

MÃE INSTINTIVA - Adorada em todas as tradições e épocas como a Rainha do Centro Instintivo e das Forças Instintivas da Natureza
MÃE INSTINTIVA – Adorada em todas as tradições e épocas como a Rainha do Centro Instintivo e das Forças Instintivas da Natureza

Portanto, provavelmente seja temerário tentarmos uma comparação entre as pessoas altamente evoluídas de ambas as evoluções; mas imagino que não erraremos muito se considerarmos a Mãe do Mundo, Nossa Senhora da Luz, como igual em dignidade aos Chohans que são Líderes de Raios.

Temo que na maioria dos países de língua inglesa a principal dificuldade que devemos encontrar no caminho de tentarmos explicar o ofício e trabalho da Mãe do Mundo será o preconceito extraordinariamente acirrado e irracional do Protestante comum contra a doutrina Católica da Bendita Virgem Maria.

Inevitavelmente seremos acusados de tentarmos introduzir a Mariolatria, de tentarmos secretamente influenciar nossos leitores na direção do ensino da Igreja Romana, pois há uma vasta quantidade de equívocos ligados a este assunto. As Igrejas Romana e Grega envolvem o nome da Santa Virgem em profunda reverência, embora muitos de seus membros saibam pouco sobre o real significado do belo e poético simbolismo ligado a este nome.

A Igreja da Inglaterra limitou um pouco a reverência devida a Ela, enquanto que os outros Cristãos que não pertencem a esta comunhão usualmente consideram que é idolatria cultuar uma mulher -uma atitude mental que é o mero resultado da obtusidade e ignorância.

Se nestes assuntos realmente queremos entender a verdade, devemos começar libertando nossas mentes de todo o preconceito, e o primeiro ponto a compreender é que ninguém jamais cultuou uma mulher (ou um homem) no sentido em que o Protestante ultrajado usa a palavra.

Ele é incapaz de compreender – não quer compreender – a atitude Católica em relação a Nossa Senhora ou aos Santos. Nós que somos estudantes de Teosofia, contudo, devemos adotar uma posição melhor do que esta, e tentarmos descobrir o que de fato constitui a posição Católica antes de condená-la.

Citemos a Catholic Encyclopaedia (verbete ‘Culto’), que pode ser tomada como uma declaração aprovada e abalizada da Igreja Romana sobre o assunto:

“Há diversos graus de culto; se ele é dirigido diretamente a Deus, é culto superior, absoluto, supremo, ou culto de adoração, ou, de acordo com o termo teológico consagrado, um culto de latria. Este culto soberano é devido a Deus somente; endereçado a uma criatura, se tornaria idolatria.

“Quando o culto é dirigido a Deus, mas só indiretamente – isto é, quando o seu objeto é a veneração de Mártires, Anjos, ou Santos, é um culto secundário, dependente do primeiro, e relativo, pois ele honra a criatura de Deus por causa de suas relações especiais com Ele. Os teólogos denominam este como um culto de dulia, um termo de denota servidão, e implica, quando usado para significar nosso culto a ilustres servos de Deus, que seu serviço para Ele é o que constitui seu mérito para nossa veneração.

4

“Como a Santa Virgem tem uma posição separada e absolutamente principal entre os Santos, o culto a Ela dedicado se chama hyperdulia”.

Isto me parece tornar todo o assunto admiravelmente claro, e apresentar uma atitude correta e defensável. Já surgiu muita confusão derivada da tradução destas palavras gregas, com suas delicadas nuances de significado, pelo termo único “culto”. Acho que este erro, conjugado à completa ignorância da maioria das pessoas a respeito das sutilezas das distinções teológicas, e sua rapidez fatal em considerar mal a quem delas discorde, tem sido responsável por muitos mal-entendidos e seu consequente ódio.

Sugiro que entre nós e em nossa literatura façamos a distinção claramente, traduzindo como “culto” somente a latreia (aqui temos a versão grega real da palavra, a Encyclopedia usa a forma latina medieval); a douleia (igualmente esta é a forma grega real) poderia ser traduzida como “reverência” ou “veneração”, e hyperdouleia (o mesmo caso das outras palavras gregas) como “reverência profunda”.

Mas o ponto que devemos manter em mente é que nenhuma pessoa instruída jamais, em qualquer lugar ou tempo, confundiu a reverência devida e adequadamente oferecida a todos os grandes e santos Seres com aquele culto superior que só pode ser oferecido a Deus. Sobre isso não haja erro.

Já se falou muitas bobagens sobre idolatria, principalmente de parte de pessoas que são ansiosas demais por impor sua própria crença sobre os outros para terem ou tempo ou inclinação para tentarem entender o ponto de vista de pensadores mais sábios e tolerantes. Se eles soubessem o suficiente de etimologia para perceberem que a palavra “ídolo” significa “imagem” ou “representação”, talvez eles pudessem perguntar a si mesmos do que esta coisa é uma imagem, e se aquela Realidade não estará por trás daquilo que tantos selvagens mal compreendidos cultuam, em vez da madeira ou pedra de que os missionários falam tanto.

A imagem, a pintura, a cruz, o lingam dos shivaítas, o livro sagrado dos sikhs – todas estas coisas são símbolos, e não os objetos de culto em si mesmas, mas são veneradas por aqueles que entendem exatamente porque elas são designadas para nos recordar de algum aspecto de Deus, para voltarmos nossa atenção para Ele.

Na índia estes aspectos são chamados de inúmeros nomes diferentes, e os missionários se apressam em condenar os Hindus como politeístas, mas o serviçal que trabalha em seu jardim poderia lhes dizer que não há senão um Deus, e que todos aqueles são apenas aspectos d’Ele, são linhas para nos aproximarmos d’Ele, divididas e materializadas a fim de trazer a infinitude um pouco mais para dentro da compreensão de nossas mentes muitíssimo finitas.

Há muita necessidade de caridade, de compreensão, e de uma atitude simpática em relação aos outros que estão trilhando outra estrada até os pés do Deus em que todos acreditamos igualmente – o Pai amoroso de que nos fala Cristo, o Deus único e verdadeiro que disse através de uma outra de Suas manifestações: “Todo o culto verdadeiro chega a Mim, por diferente que possa ser seu nome”, e “Por qualquer via que os homens se aproximem de Mim, nesta mesma via Eu os encontro, pois todos os caminhos que os homens trilham são Meus”.

Não exista nada além de Deus, e para quem quer que sinta reverência, adoração, amor, é para o Deus manifesto através dele (em qualquer extensão em que isso ocorra) que esta reverência, adoração ou amor são oferecidos. “Tenho muitas ovelhas que não pertencem a este rebanho; estas também Eu reunirei, e elas ouvirão a Minha voz, e então haverá um só rebanho e um só pastor”.

Tendo assim tentado subir acima do miasma da ignorância e intolerância para o ar puro da justiça e da compreensão, neste espírito abordemos a consideração da bela e maravilhosa manifestação do poder e amor divinos que está por trás do nome da Mãe do Mundo.

Não penso que alguém com nossa educação ocidental considere fácil entender a pletora de simbolismo que é usado nas religiões orientais, e as pessoas esquecem que o cristianismo é uma religião oriental, assim como o budismo, o hinduísmo e o zoroastrismo.

Cristo assumiu um corpo judeu – um corpo oriental; e aqueles a quem Ele falou tinham métodos orientais de pensamento, e não os nossos. Em todas aquelas religiões eles têm um método de simbolismo muito elaborado e maravilhoso, e deleitam-se muito com seus símbolos; eles os movem e combinam, e tratam deles com amor na poesia e na arte.

Mas nossa tendência é mais em direção ao que chamamos de praticidade, e somos propensos a materializar estes ideais todos e, por conseguinte, os degradamos grandemente.

Jamais esqueçamos que nossa religião veio do Oriente, e que se queremos entendê-la devemos primeiro olhar para ela como um oriental olharia, sustando nossas modernas teorias científicas até que sejamos capazes de ver se são adequadas.

Elas podem ser tornadas adequadas, mas a menos que saibamos como somos mais sujeitos a confundir tudo, e corremos o sério risco de presumirmos que o povo que elaborou a alegoria não sabia de nada e estava irremediavelmente errado.

Eles não estavam errados. Aqueles belos e antigos mitos veiculam o significado sem necessariamente apresentar os fatos científicos crus diante daqueles que ainda não desenvolveram suas mentes para compreendê-los daquela forma. Isso era bem entendido na Igreja primitiva.

Há sempre muito mais por trás daqueles pensamentos originais e poéticos dos homens de antanho do que crê a maioria das pessoas. É tolice nos mantermos cheios de preconceito ignorante, muito melhor é tentarmos entender. O que quer que tenha sido artístico ou de ajuda em qualquer religião sempre teve por trás de si uma verdade. Cabe-nos desentranhar esta verdade, cabe-nos retirar as crostas dos séculos e deixar brilhar a verdade.

MÃE CÓSMICA - Senhora e Rainha do Universo Insondável
MÃE CÓSMICA – Senhora e Rainha do Universo Insondável e do Grande Abismo

Isso vale para o belo símbolo Cristão da Bendita Virgem Maria. Há três ideias diferentes envolvidas no pensamento usual a Seu respeito:

– A história da mãe do discípulo Jesus; o que Ela era e o que se tornou depois.
– O mar da matéria virgem, o Grande Abismo, a água sobre cuja face se moveu o Espírito de Deus.
– O aspecto feminino da Deidade.

Estas ideias no decurso dos séculos se confundiram, degradaram e materializaram até o formato em que hoje a história se apresenta, e se tornaram inacreditáveis para qualquer pessoa pensante. Mas não seria assim se analisássemos e entendêssemos seu real significado, se separássemos o mito e o símbolo da crônica da pessoa viva.

A Igreja Romana ensina seus fiéis sobre o Nascimento Virgem de Jesus e sobre a Imaculada Conceição da própria Virgem em Sua mãe, Santa Ana. O primeiro destes eventos é contrário às leis da Natureza (que são as leis de Deus, expressões de Sua vontade) e portanto é impossível que tenha acontecido.

O segundo, imagino, usualmente é tomado (pelo menos por quem não teve maior instrução em teologia) como significando que Nossa Senhora foi concebida, assim como Seu Filho divino, pela sombra do Espírito Santo; mas consultando publicações Romanas autorizadas vi que não é assim, pois o ensinamento é que Ela foi concebida na maneira usual, como o resto da humanidade, sendo seus pais São Joaquim e Santa Ana.

É explicado que a doutrina da Imaculada Conceição significa somente que a mítica culpa prima do que eles chamam de pecado original (que se supõe herdado de Adão) não foi imposta por Deus sobre o embrião de Nossa Senhora.

Desejo ser absolutamente justo em minha exposição desta doutrina notável, mas devo admitir que ela me parece uma invenção teológica desnecessária e mesmo fantasiosa. Jamais encontrei a menor evidência histórica sobre a grotesca história de Adão e Eva e a maçã, e creio que toda a teoria sobre o pecado original é simplesmente um meio tosco de declarar o fato de que o homem traz consigo, de seus nascimentos anteriores, certa quantidade de karma.

Se tentarmos interpretar ao longo desta linha, talvez esta doutrina da Imaculada Conceição possa ser tomada como confirmação da declaração de que Nossa Senhora já havia esgotado todo o Seu karma negativo, e consequentemente entrou em Sua vida na Palestina praticamente sem karma algum. Mas não tenho dados sobre isso.

É um erro apresentar estas ideias como ocorrências factuais na vida de uma mulher judia; não poderia ter sido assim, e por isso não é verdade. Mas se as entendermos como símbolos de certo estágio no processo da Criação, da evolução de um sistema solar, elas encontram seu lugar naturalmente, e são vistas como belas e significativas. Despida delas, a história da vida se torna coerente e crível.

A mesma Igreja tem a Festa da Assunção como comemorativa da elevação de seu corpo físico para o céu – mais uma vez uma impossibilidade patente; mas quando percebemos que isso é só uma descrição poética da entrada de um Adepto triunfante no Reino Angélico, vemos de imediato a adequação de tudo que já se escreveu a respeito, e das maravilhosas pinturas que já inspirou.

Primeiro de tudo, então, consideremos a vida física de Nossa Senhora da Luz, e as consequências que a seguiram e A conduziram a aceitar ao Ofício em que Ela hoje atua.

Deve ser entendido que o discípulo Jesus nasceu exatamente como nascem os demais humanos. Esta estranha doutrina da Imaculada Conceição, uma tentativa de explicar a história da fertilização da Santa Virgem pelo Espírito Santo – todo este grupo de ideias se refere a um mito, a um símbolo; tem um significado real e uma bela interpretação, que logo tentarei demonstrar, mas não tem nada a ver com o corpo físico do discípulo Jesus.

A mãe daquele corpo físico era uma dama judia de berço nobre, mas, segundo a tradição, de parcos recursos. Não precisamos pensar em José (que também, lembremos, era da estirpe de Davi) como carpinteiro, pois isso é parte do simbolismo, e não da história.

Neste simbolismo José representa o Guardião da Santa Virgem, que é a alma do homem. Ele representa a mente, e porque a mente não é o criador da alma, mas apenas seu mobiliador e decorador, José não é um pedreiro, como o Grande Arquiteto do Universo, mas um carpinteiro.

Não precisamos imaginar Nosso Senhor trabalhando em uma carpintaria; isso é só um exemplo da confusão e materialização introduzidas por aqueles que não entendem o símbolo.

A mãe de Jesus, então, era uma nobre dama da Judeia, uma descendente da casa real de Davi. Verdadeiramente Ela, que foi escolhida para uma honra tão alta, deve ter sido pura e verdadeira e de caráter impecável – uma grande Santa, pois ninguém mais poderia ter dado à luz um corpo tão puro, tão maravilhoso e tão glorioso.

Ela levou uma vida santa e divina, de terrível sofrimento (que Ela suportou com maravilhosa paciência e nobreza de alma), mas com suas consolações igualmente estupendas. Sabemos pouco sobre seus detalhes, só ocasionalmente vislumbramos algum na resumida narrativa de seus contemporâneos, mas foi uma vida que faríamos bem em imaginar para nós mesmos, um exemplo pelo qual podemos muito bem agradecer a Deus.

Esta vida A levou até grandes alturas – alto o bastante para tornar possível um curioso e formosíssimo desenvolvimento ulterior, que agora devo explicar.

Estudiosos da vida interna sabem que quando uma pessoa chega ao fim da parte puramente humana de sua evolução – quando o passo seguinte a elevará à condição super-humana de Adepto, para dentro de um reino tão definitivamente acima da humanidade quanto o homem está acima do reino animal, quando ela tiver atingido o propósito pelo qual foi tornada humana -abrem-se diante dela diversas linhas de crescimento, e ela pode escolher qual irá seguir.

Ocasionalmente, também, há condições em que esta escolha pode ser em certa medida antecipada. Não é o local de discutirmos as opções; basta aqui dizer que uma das possibilidades é se tornar um grande Anjo ou mensageiro de Deus – unir-se à evolução Dévica, como é chamada na índia. E esta foi a linha escolhida por Santa Maria, quando Ela atingiu o nível em que a encarnação humana já não Lhe era necessária.

Um vasto número de Anjos jamais foi humano porque sua evolução segue em uma outra linha, mas há Anjos que foram homens, e que em certo estágio de seu desenvolvimento escolheram seguir a linha Angélica, e esta é uma linha muito gloriosa, magnífica e auxiliadora. Assim Ela, que há dois mil anos carregou o corpo de Jesus a fim de que mais tarde ele pudesse ser assumido por Cristo, agora é um poderoso Anjo.

Muito de formoso entusiasmo e devoção foram derramados aos Seus pés ao longo dos séculos, milhares e milhares de monges e freiras, milhares e milhares de homens e mulheres sofredores, achegaram-se a Ela e expressaram sua dor, e oraram para que Ela por Sua vez apresentasse suas súplicas ao Seu Filho.

Este último tipo de prece é um equívoco, porque Aquele que é o Eterno Filho de Deus e ao mesmo tempo o Cristo dentro de nós não precisa de ninguém que interceda por nós junto a Ele. Ele sabe, antes de sequer falarmos, o que é melhor para nós. Nós estamos nEle, e fomos feitos através d’Ele, e sem Ele não teria sido criado nada do que foi criado, nem mesmo a menor partícula de pó de todo o universo.

Ele está mais perto que a respiração, mais perto do que as mãos e os pés.
Ele está mais perto que a respiração, mais perto do que as mãos e os pés

Quem entende não reza pela intercessão de grandes Anjos, porque sabe que Ele, em quem vivem e se movem e têm seu ser todos os Anjos, já está fazendo o melhor que pode ser feito por cada um de nós. Mas assim como alguém pode pedir ajuda a um amigo encarnado – como alguém pode, por exemplo, pedir o encorajamento de seu pensamento – da mesma forma alguém pode pedir ajuda do mesmo amigo humano quando ele tiver deixado sua vestimenta de carne; e da mesma forma alguém pode pedir o mesmo tipo de ajuda a estes grandes Espíritos em seu nível superior.

Não há nada de irracional ou anticientífico nisso. Eu mesmo já recebi cartas de pessoas que sabem que eu estudei estes assuntos, contando que em tal e tal momento eles estariam sob alguma dificuldade – talvez uma operação cirúrgica, ou alguma outra provação – e pediram que eu pensasse neles naquele momento, e enviasse pensamentos de auxílio.

Naturalmente sempre o fiz. E como sei que não existe efeito sem causa, e exatamente da mesma forma não pode haver causa que não produza seu efeito, sei que se eu (ou qualquer um de vocês) tiver o trabalho de fixar o pensamento sobre alguém com problemas ou em dificuldades, e tentar enviar-lhe ideias auxiliadoras, tentar colocar diante dele algo que o fortaleça em seus problemas, podemos ficar perfeitamente certos de que a força-pensamento produzirá seu efeito, que ela viajará e agirá sobre aquela pessoa.

A extensão em que ela pode fazê-lo depende da receptividade da pessoa, da força do pensamento, e de várias outras circunstâncias; mas que produzirá algum efeito podemos ficar absolutamente certos. E assim, quando enviamos um pedido por pensamento amável, auxiliador e fortalecedor para um destes Grandes Seres – seja ele um Santo encarnado, ou já desencarnado, ou um dos grandes Anjos – seguramente aquela ajuda nos chegará, e nos fortalecerá.

Este é o caso da Mãe do Mundo, mas há aqueles que nos querem fazer acreditar que todo aqueles esplêndidos bons sentimentos, todo aquele amor e completa devoção, foram desperdiçados e foi tudo inútil. Por incrível que isso possa parecer a alguém acostumado a pensar em linhas mais largas e sãs, realmente imagino que em sua estranha ignorância eles são o pior dos inimigos da Igreja hoje em dia.

Eles vão ainda além, e dizem que é errado, mau e blasfemo para um homem sentir tal amor e devoção por Ela! Soa como loucura, mas temo que seja verdade que existam tais pessoas.

É claro que a verdade é que nenhuma devoção, nenhum amor, nenhum bom sentimento jamais foram errados, para quem quer que os tenha enviado. A devoção e o afeto muitas vezes têm sido prodigalizados sobre objetos indignos, mas isso não foi um erro de parte do doador -apenas uma falta de discernimento; sempre é bom para ele que se derrame em amor, pois com isso ela desenvolve sua alma.

Lembremos que se amamos qualquer pessoa, é o Deus interior nela a quem amamos; Deus em nós reconhece Deus nela; as profundezas clamam uma pela outra, e o reconhecimento da Divindade é sinônimo de felicidade.

O amante muitas vezes vê no amado qualidades que ninguém mais consegue ver; mas estas qualidades estão nele em estado latente, porque o Espírito de Deus está em todos nós, e a funda confiança e forte afeto do amante tende a invocar à manifestação aquelas qualidades latentes no amado. Aquele que idealiza outrem tende a fazer com que aquela outra pessoa se torne como ele imagina que ela seja.

Poderíamos então supor que toda a maravilhosa e bela devoção endereçada à Mãe do Mundo foi desperdiçada? Qualquer pessoa que pensa assim deve entender bem pouco da economia divina. Nenhum sentimento verdadeiro e santo jamais foi desperdiçado desde que o mundo começou, ou será até que ele acabe; pois Deus, que nos conhece a todos, dispôs que o menor toque de devoção, o menor sentimento de compreensão, o menor pensamento de culto, sejam sempre recebidos e atuem sempre até o máximo de suas possibilidades, e sempre tragam d’Ele uma resposta.

Neste caso Ele, em Sua benevolência, indicou a Mãe de Jesus como o grande Anjo que iria receber estas preces – para ser um canal para elas, para aceitar esta devoção, e encaminhá-la a Ele. Portanto a reverência que oferecemos a Ela, e o amor derramado a Seus pés, jamais nem por um momento foram desperdiçados; eles trouxeram seu resultado, fizeram seu trabalho.

Século após século os mais ricos tesouros da arte tiraram sua inspiração da beleza de Sua divina maternidade; Suas glórias têm sido postas na música mais magnífica; Sua sabedoria tem inspirado os maiores doutores e instrutores da Igreja, pois Ela é o Coração da Sabedoria, a Mãe do amor justo, da paciência e da perseverança e da santa esperança – Ela que guarda todas as palavras de Jesus em Seu coração.

7

Se tentamos entender, veremos o quanto a realidade é maior do que a estreita concepção de que todo pensamento elevado, todo o culto, todo o louvor não dirigido a algum Nome em particular deva se perder inevitavelmente. Por que Deus limitaria a Si mesmo por causa de nossos enganos a respeito de Seus nomes? Ele olha dentro do coração, e não para as palavras.

As palavras são condicionadas pelas circunstâncias externas – pelo lugar de nascimento, por exemplo. Somos Cristão porque aconteceu de nascermos na Inglaterra, ou na América, ou em algum outro país Cristão – e não porque examinamos e comparamos todas as religiões e deliberadamente escolhemos o Cristianismo. Somos Cristãos porque esta era a fé em meio à qual nos encontramos, e assim a aceitamos.

Já lhes ocorreu que se tivéssemos nascido na índia seríamos Hindus ou Islamitas de um modo igualmente natural, e derramaríamos nossa devoção a Deus sob o nome de Shiva, Krishna ou Allah em vez do nome de Cristo? Se tivéssemos nascido no Ceilão ou em Burma seríamos budistas ardorosos. O que estas considerações de local importam para Deus? É sob Sua lei de perfeita justiça, sob o seu esquema de evolução, que uma de Suas criaturas nasce na Inglaterra e outra na índia ou no Ceilão, de acordo com suas necessidades e merecimentos.

Quando qualquer homem derrama sua devoção, Deus a recebe através do canal que Ele indicou para aquele homem, e assim todos se satisfazem e é feita justiça. Seria uma injustiça grosseira e flagrante se a devoção honesta fosse perdida ou rejeitada. Jamais a menor fração dela foi rejeitada. Os caminhos de Deus são diferentes dos nossos, e Sua compreensão destas coisas é muito maior e mais vasta do que a nossa. Como Faber escreveu:

Pois tornamos Seu amor estreito pela falsa limitação nossa, e magnificamos Seu rigor com um zelo que Ele não mostra.

As histórias que ouvimos sobre a Mãe do Mundo podem bem ter seu fundo de verdade. Ouvimos sobre Ela aparecendo em vários lugares para várias pessoas – para Joana dArc, por exemplo. É muitíssimo provável que Ela ou Ele (pois em tão excelsas alturas não há nada semelhante a algo que pudéssemos chamar de gênero sexual) o tenha feito – que este grande Anjo de fato Se tenha mostrado. Não há nenhuma impossibilidade prévia nisso, e é altamente improvável que todas as pessoas que testemunharam estas aparições estivessem iludidas ou hipnotizadas, ou caído em algum estranho engano.

Todos os estudantes sabem que um intenso pensamento sobre qualquer assunto produz fortes formas-pensamento que permanecem muito próximas do limite da visibilidade; já foram criadas milhares de tais formas-pensamento da Senhora da Luz, e podemos estar certos de que Ela jamais deixou de responder e animá-las completa e eficazmente. É certo que, além disso, sob circunstâncias favoráveis algumas se tornam visíveis fisicamente, e mesmo quando permanecem astrais, as pessoas sensíveis muitas vezes podem vê-las. A terrível e inaudita tensão e ansiedade originadas pela Guerra Mundial tornou muitas pessoas sensíveis a impressões psíquicas que antes jamais perceberam. Assim acontece de ouvirmos tantas histórias de aparições bem agora, e as visões ou manifestações da Mãe do Mundo ocupam entre elas um lugar proeminente.

Diz-se ainda que através da fé n’Ela têm-se produzido curas maravilhosas em Lourdes e outros lugares. Provavelmente isso é fato. Não há nada de anticientífico nisso, supô-lo não cai fora do razoável e do bom-senso. Sabemos perfeitamente bem que uma forte efusão de força mesmérica produz certas curas; não temos conhecimento nenhum sobre os limites deste poder, mas é bom lembrarmos que todas estas coisas têm uma verdade por trás.

Assim, pois, foi Ela, a Senhora da Luz, quem enviou através de nossa Presidente (da Sociedade Teosófica) aquele maravilhoso Apelo às Mulheres do Mundo. Em A Fraternidade de Homens e Anjos Geoffrey Hodson escreve sobre Ela:

Ela trabalha sempre pela causa da maternidade humana, e agora mesmo está empregando toda a Sua imensa força e chamando toda a Sua corte Angélica para trabalhar em prol da elevação da maternidade em todo o mundo.

Através de Seus Anjos mensageiros Ela mesma está presente em cada nascimento humano – invisível e ignorada, mas em verdade bastaria que as pessoas abrissem seus olhos e Ela se revelaria. Ela envia sua mensagem aos homens através da Fraternidade:

Em Nome d’Aquele a quem carreguei há muito tempo,
Eu venho em vosso socorro.
Tomei cada mulher em meu coração, para ali ter parte com ela,
para que através disso eu possa auxiliá-la em seu tempo de necessidade.
Elevai as mulheres de vossa raça até que as vejam, como Rainhas,
e para tais Rainhas cada homem seja um Rei,
para que possam ambos se honrar mutuamente,
percebendo a realeza um do outro.

Que toda casa, por menor que seja, se torne uma corte, cada filho seja um cavaleiro, cada infante seja um pajem.
Que todos se tratem mutuamente com cavalheirismo,
honrando um no outro a filiação régia, seu nascimento augusto,
pois há sangue real em todo homem:
SOMOS TODOS FILHOS DO REI!

Agora nos resta considerar como podemos nos valer deste privilégio de servi-La que Ela nos oferece; e também, tratar dos aspectos simbólicos da Mãe do Mundo.