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Quadrado mágico de Saturno

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Características saturnianas: gnomos da terra; cores branca, preta e cinza; assuntos ligados a questões e problema de terras, ecologia, agronomia, doenças de pele, minas, terremotos, depressões, desejos de suicídio, karmas a serem resgatados, trabalho e desemprego etc.; Seres saturnianos: (plantas) melissa, hortelã-menta, pinheiros, cipreste, quaresmeira, salgueiro-chorão (Salix alba L.), bardana, inhame, cenouras, batatas e outros tubérculos, ipê, laranjeira, romãzeira, jabuticabeira; (animais) urubus, abutres, tatus e toupeiras, hienas, aranhas, minhocas, borboletas e mariposas; (minerais) ônix, chumbo, urânio e outros radiativos, ágata, magnetita, rochas vulcânicas etc.

Quadrado Mágico de Saturno

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(Leia os textos dos Exorcismos dos 4 Elementos neste mesmo site.)

Quadrado Mágico da Lua
Quadrado Mágico de Mercúrio
Quadrado Mágico de Vênus
Quadrado Mágico do Sol
Quadrado Mágico de Marte
Quadrado Mágico de Júpiter

saturno-esotera

A História de José, o Carpinteiro

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Narrada por Jesus a seus apóstolos

Esta é a história da morte de José, conforme foi narrada pelo Senhor Jesus a seus apóstolos. Escrita no Egito, por volta do século 4º d.C., chegou até os tempos atuais apenas em uma versão copta e outra árabe, com algumas poucas diferenças.

Neste texto, o Senhor Jesus conta a história de José, o carpinteiro, cujo ofício era o de manufaturar arados e cangas. Fala de seus sentimentos, quando da aproximação da morte, avisado que foi por um anjo.

A narração da agonia e da morte de José é enriquecida por detalhes interessantes, como o da aproximação da morte, juntamente com seu séquito, inclusive com a presença do diabo.

Alguns detalhes importantes são apresentados, como o nome dos filhos e a idade de José, quando de seu casamento com Maria, enquanto que outros, como episódios da infância de Cristo, confirmam o que é apresentado nos Evangelhos de Pedro, Tiago e Tomé, sobre a Infância do Salvador. Importante alusão, no final do texto, é feita ao Anticristo, cuja vinda convulsionará todas as nações.

Quando nosso Salvador contou a vida de José, o Carpinteiro, a nós, os apóstolos, reunidos no Monte das Oliveiras, escrevemos sua palavras e depois guardamo-las na biblioteca de Jerusalém. Além disso, deixamos consignado que o dia no qual o santo ancião separou-se do seu corpo: foi do dia 26 de Epep, na paz do Senhor. Amém.

Jesus Fala a Seus Apóstolos

Estava um dia nosso bom Salvador no Monte das Oliveiras, com os discípulos a sua volta e dirigiu-se a eles com estas palavras:

– Meus queridos irmãos, filhos de meu amado Pai, escolhidos por Ele entre todos do mundo! Bem sabeis o que tantas vezes vos repeti: é necessário que eu seja crucificado e que experimente a morte, que ressuscite dentre os mortos e que vos transmita a mensagem do Evangelho para que vós, de vossa parte, o pregueis por todo o mundo.

Farei descer sobre vós uma força do alto, a qual vos impregnará com o Espírito Santo, para que vós, finalmente, pregueis para todas as pessoas desta maneira: fazei penitência! Porque vale mais um copo d’água na vida vindoura do que todas as riquezas deste mundo. Vale mais pôr somente o pé na casa de meu Pai que toda a riqueza deste mundo.

Mais ainda: vale mais uma hora de regozijo para os justos que mil anos para os pecadores, durante os quais hão de chorar e lamentar, sem que ninguém preste atenção nem console seus gemidos. Quando, pois, meus queridos amigos, chegue a hora de ir-vos, pregai, que meu Pai exigirá contas com Balança Justa e Equilibrada e examinará até as palavras inúteis que possais haver dito.

Assim como ninguém pode escapar à mão da morte, da mesma maneira ninguém pode subtrair-se de seus próprios atos, sejam eles bons ou maus. Além disso, vos tenho dito muitas vezes, e, repito agora, que nenhum forte poderá salvar-se por sua própria força e nenhum rico, pelo tamanho da sua riqueza. E agora, escutai, que narrar-vos-ei a vida de meu pai José, o abençoado ancião carpinteiro.

Viuvez de José

Havia um homem chamado José, que veio de Belém, essa vila judia que é a cidade do rei Davi. Impunha-se pela sua sabedoria e pelo seu ofício de carpinteiro. Este homem, José, uniu-se em santo matrimônio com uma mulher que lhe deu filhos e filhas: quatro homens e duas mulheres, cujos nomes eram: Judas, Josetos, Tiago e Simão. Suas filhas chamavam-se Lísia e Lídia.

A esposa de José morreu, como está determinado que aconteça a todo homem, deixando seu filho Tiago ainda menino de pouca idade. José era um homem justo e dava graças a Deus em todos os seus atos. Costumava viajar para fora da cidade com frequência para exercer o ofício de carpinteiro, em companhia de dois de seus filhos mais velhos, já que vivia do trabalho de suas mãos, conforme o que estabelecia a Lei de Moisés.

Esse homem justo, de quem estou falando, é José, meu pai segundo a carne, com quem se casou na qualidade de consorte, minha mãe, Maria.

Maria no Templo

Enquanto meu pai José permanecia viúvo, minha mãe, a boa bendita entre as mulheres, vivia por sua parte no Templo, servindo a Deus em toda a santidade.

Havia já completado 12 anos. Passara os seus três primeiros anos na casa de seus pais e os nove restantes no templo do Senhor.

Ao ver que a santa donzela levava uma vida simples e plena de temor a Deus, os sacerdotes conservaram entre si e disseram:

– Busquemos um homem de bem e celebremos o casamento com ele, até que chegue o momento de seu matrimônio. Que não seja por descuido nosso que lhe sobrevenha o período da sua purificação no Templo, nem que venhamos a incorrer em um pecado grave.

Bodas de Maria e José

Convocaram, então, as tribos de Judá e escolheram entre elas 12 homens, correspondendo ao número das 12 tribos. A sorte recaiu sobre o bom velho José, meu pai, segundo a carne.

Disseram os sacerdotes a minha mãe, a Virgem:

– Vai com José e permanece submissa a ele, até que chegue a hora de celebrar teu matrimônio.
José levou Maria, minha mãe, para sua casa. Ela encontrou o pequeno Tiago na triste condição de órfão e o cobriu de carinhos e cuidados. Esta foi a razão pela qual a chamaram Maria, a mãe de Tiago.

Depois de tê-la acomodado em sua casa, José partiu para o local onde exercia o ofício de carpinteiro. Minha mãe Maria viveu dois anos em sua casa, até que chegou o feliz momento.

A Encarnação

No décimo quarto ano de idade, Eu, Jesus, vossa vida, vim habitar nela por meu próprio desejo. Aos três meses de gravidez o solícito José voltou de suas ocupações. Ao encontrar minha mãe grávida, preso à turbação e ao medo, pensou secretamente em abandoná-la.

Foi tão grande o desgosto que não quis comer nem beber naquele dia.

Visão de José

Eis, porém, que durante a noite, mandado por meu Pai, Gabriel, o arcanjo da alegria, apareceu-lhe numa visão e lhe disse:

– José, filho de Davi, não tenhas cuidado em admitir Maria, tua esposa, em tua companhia. Saberás que o que foi concebido em seu ventre é fruto do Espírito Santo. Dará, então, à luz um filho, a quem tu porás o nome de Jesus. Ele apascentará os povos com o cajado de ferro.

Dito isso, o anjo desapareceu. José, voltando do sono, cumpriu o que lhe havia sido ordenado, admitindo Maria consigo.

Viagem a Belém

Então o imperador Augusto fez proclamar que todos deveriam comparecer ao recenseamento, cada um conforme seu lugar de origem. Também o bom velho se pôs a caminho e levou Maria, minha virgem mãe, até a sua cidade de Belém.

Como o parto já estava próximo, ele fez o escriba anotar seu nome da seguinte maneira:
– José, filho de Davi, Maria, sua esposa, e seu filho Jesus, da tribo de Judá.

Maria, minha mãe, trouxe-me ao mundo quando retornava de Belém, perto do túmulo de Raquel, a mulher do patriarca Jacó, a mãe de José e Benjamim.

Fuga para o Egito

Satanás deu um conselho a Herodes, o Grande, pai de Arqueleu, aquele que fez decapitar meu querido parente João. Ele me procurou para tirar-me a vida, porque pensava que meu reino era deste mundo. Meu Pai manifestou isso a José, numa visão, e este pôs-se imediatamente em fuga levado consigo a mim e a minha mãe, em cujos braços eu ia deitado.

Salomé também nos acompanhava. Descemos até o Egito e ali permanecemos por um ano, até que o corpo de Herodes foi presa da corrupção, como castigo justo pelo sangue dos inocentes que ele havia derramado e dos quais já nem se lembrava.

Retorno à Galileia

Quando o iníquo Herodes deixou de existir, voltamos a Israel e fomos viver em uma vila da Galiléia chamada Nazaré. Meu pai José, o bendito ancião, continuava exercendo o ofício de carpinteiro, graças a que podíamos viver.

Jamais poder-se-á dizer que ele comeu seu pão de graça, mais sim que se conduzia de acordo com o prescrito na lei de Moisés.

Velhice de José

Depois de tanto tempo, seu corpo não se mostrava doente, nem tinha a vista fraca, nem havia sequer um só dente estragado em sua boca. Nunca lhe faltou a sensatez e a prudência e sempre conservou intacto o seu sadio juízo, mesmo já sendo um venerável ancião de cento e onze anos.

Obediência de Jesus

Seus dois filhos Josetos e Simão casaram-se e foram viver em seus próprios lares. Da mesma forma, suas duas filhas casaram-se, como é natural entre os homens, e José ficou com o seu pequeno filho Tiago. Eu, da minha parte, desde que minha mãe trouxe-me a este mundo, estive sempre submisso a ele como um menino e fiz o que é natural entre os homens, exceto pecar.

Chamava Maria de minha mãe e José de meu pai. Obedecia-os em tudo o que me pediam, sem ter jamais me permitido replicar-lhes com uma palavra, mas sim mostrar-lhes sempre um grande carinho.

Frente à Morte

Chegou, porém, para meu pai José, a hora de abandonar este mundo, que é a sorte de todo homem mortal.

Quando seu corpo adoeceu, veio um de Deus anjo anunciar-lhe:

– Tua morte dar-se-á neste ano.

Sentindo sua alma cheia de turbação, ele fez uma viagem até Jerusalém, entrou no templo do Senhor, humilhou-se diante do altar e orou desta maneira:

Oração de José

– Ó Deus, pai de toda misericórdia e Deus de toda carne, Senhor da minha alma, de meu corpo e do meu espírito! Se é que já se cumpriram todos os dias da vida que me deste neste mundo, rogo-te, Senhor Deus, que envies o Arcanjo Michael para que fique do meu lado, até que minha desditada alma saia do corpo sem dor nem turbação. Porque a morte é para todos causa de dor e turbação, quer se trate de um homem, de um animal doméstico ou selvagem, ou ainda de um verme ou um pássaro.

Em uma palavra, é muito dolorosa para todas as criaturas que vivem sob o céu e que alentam um sopro de espírito para suportar o transe de ver sua alma separada do corpo. Agora, meu Senhor, faz com que o teu anjo fique do lado da minha alma e do meu corpo e que esta recíproca separação se consuma sem dor.

Não permitas que aquele anjo que me foi dado no dia em que saí de teu seio volte seu rosto irado para mim ao longo deste caminho que empreendi até vós, mas sim que ele se mostre amável e pacífico.
Não permitas que aqueles cujas faces mudam dificultem a minha ida até vós. Não consintas que minha alma caia em mãos do cérbero e não me confundas em teu formidável tribunal.

Não permitas que as ondas deste rio de fogo, nas quais serão envolvidas todas as almas antes de ver a glória de teu rosto, voltem-se furiosas contra mim. Ó Deus, que julgais a todos na Verdade e na Justiça, oxalá tua misericórdia sirva-me agora de consolo, já que sois a fonte de todos os bens e a ti se deve toda a glória pela eternidade das eternidades! Amém.

Doença de José

Aconteceu que, ao volar a sua residência habitual de Nazaré, viu-se atacado pela doença que havia de levá-lo ao túmulo. Esta apresentou-se de forma mais alarmante do que em qualquer outra ocasião de sua vida, desde o dia em que nasceu.

Eis aqui, resumida, a vida de meu querido pai José: ao chegar aos quarenta anos, contraiu matrimônio, no qual viveu outros quarenta e nove.

Depois que sua mulher morreu, passou somente um ano. Minha mãe logo passou dois anos em sua casa, depois que os sacerdotes confiaram-na com estas palavras:

– Guarda-a até o tempo em que se celebre vosso matrimônio.

Ao começar o terceiro ano de sua permanência ali – tinha nessa época quinze anos de idade – trouxe-me ao mundo de um modo misterioso, que ninguém entre toda a criação pode conhecer, com exceção de mim, de meu Pai e do Espírito Santo, que formamos uma unidade.

O Início do Fim

A vida de meu pai José, o abençoado ancião, compreendeu cento e onze anos, conforme determinara meu bom Pai. O dia em que se separou do corpo foi no dia 26 do mês de Epep.

O ouro acentuado de sua carne começou a desfazer-se e a prata da sua inteligência e razão sofreu alterações. Esqueceu-se de comer e de beber e a destreza no desempenho de seu ofício passou a declinar.

Aconteceu que, ao amanhecer do dia 26 de Epep, enquanto estava em seu leito, foi tomado de uma grande agitação. Gemeu forte, bateu palmas três vezes e, fora de si, pôs-se a gritar dizendo:

Lamentos de José

– Ai, miserável de mim! Ai do dia em que minha mãe trouxe-me ao mundo! Ai do seio materno do qual recebi o germe da vida! Ai dos peitos que me amamentaram! Ai do regaço em que me reclinei! Ai das mãos que me sustentaram até o dia em que cresci e comecei a pecar! Ai de minha língua e de meus lábios que proferiram injúrias, enganos, infâmias e calúnias! Ai dos meus olhos, que viram o escândalo! Ai dos meus ouvidos que escutaram conversações frívolas! Ai das minhas mãos que subtraíram coisas que não lhes pertenciam!

Ai do meu estômago e do meu ventre que ambicionaram o que não era deles! Quando alguma coisa lhes era apresentada, devoravam-na com mais avidez do que poderia fazê-lo o próprio fogo! Ai dos meus pés que fizeram um mau serviço ao meu corpo, já que o levaram por maus caminhos! Ao do meu corpo todo que deixou a minha alma reduzida a um deserto, afastando-a de Deus que a criou! Que farei agora? Não encontro saída em parte alguma! Em verdade é que pobres dos homens que são pecadores! Esta é a angústia que se apoderou de meu pai Jacob em sua agonia, a qual veio hoje a ter comigo, infeliz. Mas, ó Senhor, meu Deus, que és o mediador de minha alma e de meu corpo e de meu espírito, cumpre em mim a tua divina vontade.

Jesus Consola seu Pai

Quando terminou de dizer estas palavras, entrei no local onde ele se encontrava e, ao vê-lo agitado de corpo e de alma, disse-lhe:

– Salve, José, meu querido pai, ancião bom e abençoado.

Ele respondeu, ainda tomado por um medo mortal:

– Salve mil vezes, querido filho. Ao ouvir tua voz, minha alma recupera sua tranquilidade. Jesus, meu Senhor! Jesus, meu verdadeiro rei, meu salvador bom e misericordioso! Jesus, meu libertador! Jesus, meu guia! Jesus, meu protetor! Jesus, em cuja bondade encontra-se tudo! Jesus, cujo nome é suave e forte na boca de todos! Jesus, olho que vê e ouvido que ouve verdadeiramente: escuta-me hoje, teu servidor, quando elevo meus rogos e verto meus lamentos diante de ti.

Em verdade tu és Deus. Tu és o Senhor, conforme tem-me repetido muitas vezes o anjo, sobretudo naquele dia em que suspeitas humanas se aninharam em meu coração, ao observar os sinais de gravidez da Virgem sem mácula e eu havia decidido abandoná-la. Mas, quando eu estava pensando nisto, um anjo apareceu-me em sonhos e me disse: José, filho de Davi, não tenhas receio em receber Maria como esposa, pois o que há de dar à luz é fruto do Espírito Santo. Não guardes suspeita alguma a respeito de sua gravidez. Ela trará ao mundo um filho e tu dar-lhe-ás o nome de Jesus.

Tu és Jesus Cristo, o salvador da minha alma, de meu corpo e de meu espírito. Não me condenes, teu servo e obra de tuas mãos.

Eu não sabia nem conhecia o mistério de teu maravilhoso nascimento e jamais havia ouvido que uma mulher pudesse conceber sem a obra de um homem e que uma virgem pudesse dar à luz sem romper o selo de sua virgindade. Ó, meu Senhor! Se não tivesse conhecido a lei desse mistério, não teria acreditado em ti, nem em teu santo nascimento, nem rendido honras a Maria, a Virgem, que te trouxe a este mundo. Recordo ainda aquele dia em que um menino morreu, por causa da mordida de uma serpente. Seus familiares vieram a ti, com intenção de entregar-te a Herodes.

Mas tua misericórdia alcançou a pobre vítima e devolveste-lhe a vida para dissipar aquela calúnia que te faziam, como causador da sua morte. Pelo que houve uma grande alegria na casa do defunto. Então eu te peguei pela orelha e disse-te: não sejas imprudente, meu filho. E tu me ameaçaste desta maneira: se não fosses meu pai, segundo a carne, dar-te-ia a entender que é isso o que acabas de fazer. Sim, pois, ó meu Senhor e Deus, esta é a razão pela qual vieste em tom de juízo e pela qual permitiste que recaíssem sobre mim estes terríveis presságios.

Suplico-te que não me coloques diante do teu tribunal para lutar comigo. Eis que eu sou teu servo e filho de tua escrava. Se houveres por bem romper meus grilhões, oferecer-te-ei um santo sacrifício, que não será outro senão a confissão da tua divina glória, de que tu és Jesus Cristo, filho verdadeiro de Deus e, por outro lado, filho verdadeiro do homem.

Aflição de Maria

Quando meu pai disse essas palavras, eu não pude conter as lágrimas e pus-me a chorar, vendo como a morte vinha apoderando-se dele pouco a pouco e ouvindo, sobretudo, as palavras cheias de amargura que saíam da sua boca.

Naquele momento, meus queridos irmãos, veio-me ao pensamento a morte na cruz que haveria de sofrer pela vida de todo mundo. Então Maria, minha querida mãe, cujo nome é doce para todos os que me amam, levantou-se e disse-me, tendo seu coração inundado na amargura:

– Ai de mim, filho querido! Está à morte o bom e abençoado ancião José, teu pai querido e adorado?

Eu lhe respondi:

– Minha mãe querida, quem entre o humanos ver-se-á livre da necessidade de ter de encarar a morte? Esta é dona de toda a humanidade, mãe bendita! E mesmo tu hás de morrer como todos os outros homens. Nem tua morte nem a de meu pai José, porém, podem chamar-se propriamente morte, mas vida eterna ininterrupta. Também eu hei de passar por este transe por causa da carne mortal com a qual estou revestido. Agora, mãe querida, levanta-te e vai até onde está o abençoado ancião José para que possas ver o lugar que o aguarda lá no alto.

As Dores de José

Levantou-se, entrou no local onde ele se encontrava e pôde apreciar os sinais evidentes da morte que já se refletiam nele. Eu, meus queridos, postei-me em sua cabeceira e minha mãe aos seus pés. Ele fixava seus olhos no meu rosto, sem poder sequer dirigir-me uma palavra, já que a morte apoderava-se dele pouco a pouco.

Elevou, então, seu olhar até o alto e deixou escapar um forte gemido. Eu segurei suas mãos e seus pés durante um longo tempo e ele me olhava, suplicando-me que não o abandonasse nas mãos dos seus inimigos.

Eu coloquei minha mão sobre seu peito e notei que sua alma já havia subido até a sua garganta para deixar seu corpo, mas ainda não havia chegado o momento supremo da morte. Caso contrário, não teria podido aguentar mais.

Não obstante, as lágrimas, a comoção e o abatimento que sempre a precedem já faziam presentes.

A Agonia

Quando minha mãe querida viu-me apalpar o seu corpo, quis ela, de sua parte apalpar, os pés e notou que o alento havia fugido juntamente com o calor.

Dirigiu-se a mim e disse-me ingenuamente:

– Obrigada, filho querido, pois desde o momento em que puseste tua mão sobre seu corpo, a febre o abandonou. Vê, seus membros estão frios como o gelo.

Eu chamei os seus filhos e filhas e lhes disse:

– Falai agora com o vosso pai, que este é o momento de fazê-lo, antes que sua boca deixe de falar e seu corpo fique hirto.

Seus filhos e filhas falaram com ele, mas sua vida estava minada por aquela doença mortal que provocaria sua saída deste mundo. Então, Lísia, filha de José, levantou-se para dizer aos seus irmãos:

– Juro, queridos irmãos, que esta é a mesma doença que derrubou a nossa mãe e que não voltou a aparecer por aqui até agora. O mesmo acontece com o nosso pai José, para que não voltemos a vê-lo senão na eternidade.

Então os filhos de José irromperam em lamentos. Maria, minha mãe, e eu, de nossa parte, unimo-nos ao seu pranto pois, efetivamente, já havia chegado a hora da morte.

A Morte Chega

Pus-me a olhar para o sul e vi a morte dirigir-se a nossa casa. Vinha seguida de Amenti, que é seu satélite, e do Diabo, a quem acompanhava uma multidão de esbirros vestidos de fogo, cujas bocas vomitavam fumaça e enxofre.

Ao levantar os olhos, meu pai deparou-se com aquele cortejo que o olhava com rosto colérico e raivoso, do mesmo modo que costuma olhar todas as almas que saem do corpo, particularmente aquelas que são pecadoras e que considera como propriedade sua.

Diante da visão desse espetáculo, os olhos do bom velho anuviaram-se de lágrimas. Foi neste momento em que meu pai exalou sua alma com um grande suspiro, enquanto procurava encontrar um lugar onde se esconder e salvar-se. Quando observei o suspiro de meu pai, provocado pela visão daquelas forças até então desconhecidas para ele, levantei-me rapidamente e expulsei o Diabo e todo seu cortejo. Eles fugiram envergonhados e confusos.

Ninguém entre os presentes, nem mesmo minha própria mãe Maria, apercebeu-se da presença daqueles terríveis esquadrões que saem à caça de almas humanas.

Quando a morte percebeu que eu havia expulsado e mandado embora as potestades infernais, para que não pudessem espalhar armadilhas, encheu-se de pavor. Levantei-me apressadamente e dirigi esta oração a meu Pai, o Deus de toda misericórdia:

Oração de Jesus

– Meu Pai misericordioso, Pai da Verdade, olho que vê e ouvido que ouve, escuta-me, que eu sou teu filho querido! Peço-te por meu pai José, a obra de vossas mãos. Envia-me um grande corpo de anjos, juntamente com Michael, o administrador dos bens, e com Gabriel, o bom mensageiro da luz, para que acompanhem a alma de meu pai José até que se tenha livrado do sétimo Aeon tenebroso, de forma que não se veja forçado a empreender esses caminhos infernais, terríveis para o viajante por estarem infestados de gênios malignos e saqueadores e por ter de atravessar esse lugar espantoso por onde corre um rio de fogo igual às ondas do mar. Sede, além disso, piedoso para com a alma de meu pai José, quando ela vier repousar em vossas mãos, pois é este o momento em que mais necessita da tua misericórdia.

Eu vos digo, veneráveis irmãos e abençoados apóstolos, que todo homem que, chegando a discernir entre o bem e o mal, tenha consumido seu tempo seguindo a fascinação dos seus olhos, quando chegue a hora de sua morte e tenha de libertar o passo para comparecer diante do tribunal terrível e fazer sua própria defesa, ver-se-á necessitado da piedade de meu bom Pai.

Continuemos, porém, relatando o desenlace de meu pai, o abençoado ancião.

José Expira

Quando eu disse amém, Maria, minha mãe, respondeu na língua falada pelos habitantes do céu. No mesmo instante Michael, Gabriel e anjos, em coro, vindos do céu, voaram sobre o corpo de meu pai José.

Em seguida, intensificaram-se os lamentos próprios da morte e soube, então, que havia chegado o momento desolador. Sofria meu pai dores parecidas com as de uma mulher no parto, enquanto que a febre o castigava da mesma maneira que um forte furacão ou um imenso fogo devasta um espesso bosque.

A morte, cheia de medo, não ousava lançar-se sobre o corpo de meu pai para separá-lo da alma, pois seu olhar havia dado comigo, que estava sentado a sua cabeceira, com as mãos sobre suas têmporas.
Quando me apercebi de que a morte tinha medo de entrar por minha causa, levantei-me, dirigi meus passos até o lado de fora da porta e encontrei-a só e amedrontada, em atitude de espera.

Eu lhe disse:

– Ó tu, que vens do Meio-dia, entra rapidamente e cumpre o que ordenou-te meu Pai. Porém, guarda José como a menina dos teus olhos, posto que é meu pai segundo a carne e compartilhou a dor comigo, durante os anos da minha infância, quanto teve de fugir de um lado para outro por causa das maquinações de Herodes e ensinou-me como costumam fazer os pais para o proveito dos seus filhos.
Então Abbadon entrou, tomou a alma de meu pai José e separou-a do corpo no mesmo instante em que o sol fazia sua aparição no horizonte, no dia 26 do mês de Epep, em paz.

A vida de meu pai compreendeu cento e onze anos. Michael e Gabriel pegaram cada qual em um extremo de um pano de seda e nele depositaram a alma de meu querido pai José depois de tê-la beijado reverentemente.

Enquanto isso, nenhum dos que rodeavam José havia percebido a sua morte, nem sequer minha mãe Maria. Eu confiei a alma do meu querido pai José a Michael e Gabriel, para que a guardassem contra os raptores que saqueiam pelo caminho e encarreguei os espíritos incorpóreos de continuarem cantando canções até que, finalmente, depositaram-no junto a meu Pai no céu.

Luto na Casa de José

Inclinei-me sobre o corpo inerte de meu pai. Cerrei seus olhos, fechei sua boca e levantei-me para contemplá-lo. Depois disse à Virgem:

– Ó Maria, minha mãe, onde estão os objetos de artesanato feitos por ele desde sua infância até hoje? Neste momento todos eles passaram, como se ele não tivesse sequer vindo a este mundo.
Quando seus filhos e filhas ouviram-me dizer isto a Maria, minha mãe virginal, perguntaram-me com vozes fortes e lamentos:

– Será que nosso pai morreu sem que nós nos apercebêssemos?

Eu lhes disse:

– Efetivamente, morreu, mas sua morte não é morte, porém vida eterna. Grandes coisas esperam nosso querido pai José. Desde o momento em que sua alma sai do seu corpo, desapareceu para ele toda espécie de dor. Ele se pôs a caminho do reino eterno. Deixou atrás de si o peso da carne, com todo este mundo de dor e de preocupações, e foi para o lugar de repouso que tem meu Pai nesses céus que nunca serão destruídos.

Ao dizer a meus irmãos que o nosso pai José, o abençoado ancião, havia finalmente morrido, eles se levantaram, rasgaram suas vestes e o choraram durante um longo tempo.

Luto em Nazaré

Quando os habitantes de Nazaré e de toda a Galiléia inteiraram-se da triste nova, acudiram em massa ao lugar onde nos encontrávamos. De acordo com a lei dos judeus, passaram todo o dia dando sinais de luto até que chegou a nona hora.

Despedi, então todos, derramei água sobre o corpo de meu pai José, ungi-o com bálsamo e dirigi ao meu Pai amado, que está nos céus, uma oração celestial que havia escrito com meus próprios dedos, antes de encarnar-me nas entranhas da Virgem Maria.

Ao dizer amém, veio uma multidão de anjos. Mandei que dois deles estendessem um manto para depositar nele o corpo de meu pai José para que o amortalhassem.

Bênção de Jesus

Pus minhas mãos sobre o seu corpo e disse:

– Não serás vítima da fetidez da morte. Que teus ouvidos não sofram corrupção. Que não emane podridão de teu corpo. Que não se perca na terra a tua mortalha nem a tua carne, mas que fiquem intactas, aderidas ao teu corpo até o dia do convite dos dois mil anos. Que não envelheçam, querido pai, esses cabelos que tantas vezes acariciei com minhas mãos. E que a boa sorte esteja contigo. Aquele que se preocupar em levar uma oferenda ao teu santuário no dia de tua comemoração, eu o abençoarei com afluxos de dons celestiais. Assim mesmo, a todo aquele que der pão a um pobre em teu nome, não permitirei que se veja agoniado pela necessidade de quaisquer bens deste mundo, durante todos os dias de sua vida.

Conceder-te-ei que possas convidar ao banquete dos mil anos a todos aqueles que no dia de tua comemoração ponham um copo de vinho na mão de um forasteiro, de uma viúva ou de um órfão. Hei de dar-te de presente, enquanto vivam neste mundo, a todos os que se dediquem a escrever o livro da tua saída deste mundo e a consignar todas as palavras que hoje saíram de minha boca.

Quando abandonarem este mundo, farei com que desapareça o livro no qual estão escritos seus pecados e que não sofram nenhum tormento, além da inevitável morte e do rio de fogo que está diante do meu Pai, para purificar toda a espécie de almas. Se acontecer que um pobre, não podendo fazer nada do que foi dito, ponha o nome de José em um de seus filhos em tua honra, farei com que naquela casa não entre a fome nem a peste, pois o teu nome habita ali de verdade.

A Caminho do Túmulo

Os anciãos da cidade apresentaram-se na casa enlutada, acompanhados daqueles que procediam ao sepultamento à maneira judia. Encontraram o cadáver já preparado para o enterro. A mortalha se havia aderido fortemente ao seu corpo, como se houvessem atado com grampos de ferro e não puderam encontrar sua abertura, quando removeram o cadáver.

Em seguida, passou-se a conduzir o morto até seu túmulo. Quando chegaram até ele e estavam já preparados para abrir sua entrada e colocá-lo junto aos restos de seu pai, veio-me à mente a lembrança do dia em que me levou até o Egito e das grandes preocupações que assumiu por mim.

Não pude deixar de atirar-me sobre o seu corpo e chorar por um longo tempo, dizendo:

Exclamações de Jesus

– Ó morte, de quantas lágrimas e lamentos és causa! Esse poder, porém, vem d’Aquele que tem sob o seu domínio todo o universo. Por isso tal reprovação não vai tanto contra a morte senão contra Adão e Eva. A morte não atua nunca sem uma prévia ordem de meu Pai. Existem aqueles que viveram mais de novecentos anos e outros ainda muito mais tempo. Entretanto, nenhum deles disse: eu vi a morte ou a morte vinha de tempos em tempos atormentar-me.

Senão que ela traz uma só vez a dor e, ainda assim, é meu bom Pai quem a envia. Quando vem em busca do homem, ela sabe que tal resolução provém do céu. Se a sentença vem carregada de raiva, a morte também se manifesta colérica para cumprir sua incumbência, pegando a alma do homem e entregando-a ao seu Senhor.

A morte não tem atribuições para atirar o homem ao inferno nem para introduzí-lo no reino celestial. A morte cumpre de fato a missão de Deus, ao contrário de Adão, que ao não submeter-se à vontade divina, cometeu uma transgressão. Ele irritou meu Pai contra si, por haver preferido dar ouvidos a sua mulher, antes de obedecer à sua missão. Assim, todo ser vivo ficou implacavelmente condenado à morte.

Se Adão não houvesse sido desobediente, meu Pai não o teria castigado com esta terrível sina. O que impede agora que eu faça uma oração ao meu bom Pai para que envie um grande carro luminoso para elevar José, a fim de que não prove das amarguras da morte e que o transporte ao lugar de repouso, na mesma carne que trouxe ao mundo, para que ali viva com seus anjos incorpóreos? A transgressão de Adão foi a causa de sobreviverem esses grandes males sobre a humanidade, juntamente com o irremediável da morte. Embora eu mesmo carregue também esta carne concebida na dor, devo provar com ela da morte para que possa apiedar-me das criaturas que formei.

O Enterro

Enquanto dizia essas coisas, abraçado ao corpo de meu pai José e chorando sobre ele, abriram a entrada do sepulcro e depositaram o cadáver junto ao de seu pai Jacob. Sua vida foi de cento e onze anos, sem que ao fim de tanto tempo um só dente tivesse estragado em sua boca ou sem que seus olhos se tornassem fracos, senão que todo o seu aspecto assemelhava-se ao de um afetuoso menino.

Nunca esteve doente, senão que trabalhou continuamente em seu ofício de carpinteiro, até o dia que sobreveio a doença que haveria de levá-lo ao sepulcro.

Contestação dos Apóstolos

Quando nós, os apóstolos, ouvimos tais coisas dos lábios de nosso Salvador, pusemo-nos em pé, cheios de prazer e passamos a adorar suas mãos e seus pés, dizendo com o êxtase da alegria:

– Damos-te graças, nosso Senhor e Salvador, por te haveres dignado a presentear-nos com essas palavras saídas de teus lábios. Mas não deixamos de admirar, ó bom Salvador, pois não entendemos como, havendo concedido a imortalidade a Elias e a Enoch, já que estão desfrutando dos bens na mesma carne com que nasceram, sem que tenham sido vítimas da corrupção, e agora, tratando-se do bendito ancião José, o Carpinteiro, a quem concedeste a grande honra de chamá-lo teu pai e de obedecê-lo em todas as coisas, a nós mesmos nos encarregaste:

quando fordes revestidos da mesma força, recebereis a voz de meu Pai, isto é, o Espírito Paráclito, e sereis enviados para pregar o evangelho e pregai também ao querido pai José. E ainda: consignai estas palavras de vida no testamento de sua partida deste mundo e lê as palavras deste testamento nos dias solenes e festivos e quem não tiver aprendido a ler corretamente, não deve ler este testamento nos dias festivos.

Finalmente, quem suprimir o adicionar algo a estas palavras, de maneira a fazer-me embusteiro, será réu de minha vingança. Admira-nos, repetimos, aquele que, havendo chamado teu pai segundo a carne, desde o dia em que nasceste em Belém, não lhe tenhas concedido a imortalidade para viver eternamente.

Resposta de Jesus

Nosso Salvador respondeu, dizendo-nos:

– A sentença pronunciada por meu Pai contra Adão não deixará de ser cumprida, já que este não foi obediente aos mandamentos. Quando meu Pai destina a alguém ser justo, este vem a ser imediatamente o seu eleito. Se um homem ofende a Deus por amar as obras do demônio, acaso ignora que um dia virá a cair em suas mãos se seguir impenitente, mesmo se lhe concederem longos dias de vida?

Se, ao contrário, alguém vive muito tempo, fazendo sempre boas obras, serão exatamente elas que o farão velho. Quando Deus vê que alguém segue o caminho da perdição, costuma conceder-lhe um curto prazo de vida e o faz desaparecer na metade dos seus dias. Quanto aos demais, hão de ter o exato cumprimento das profecias ditadas por meu Pai acerca da humanidade e todas as coisas hão de suceder de acordo com elas. Haveis citado o caso de Enoch e Elias.

Eles, dizeis, continuam vivendo e conservam a carne que trouxeram a este mundo. Por que, então, em se tratando de meu pai, não lhe permiti conservar seu corpo? Então eu digo que, mesmo que houvesse chegado a ter mais de dez mil anos, sempre incorreria na mesma necessidade de morrer.

Mais ainda, eu asseguro que sempre que Enoch e Elias pensam na morte, desejariam já havê-la sofrido a verem-se assim, livres da necessidade que lhes é imposta, já que deverão morrer num dia de turbação, de medo, de gritos, de perdição e de aflição.

Pois haveis de saber que o Anticristo há de matar esses homens e de derramar seu sangue na terra como água de um copo por causa das incriminações que lhe imputarão, quando os acusarem.

Epílogo

Nós respondemos, dizendo:

– Nosso Senhor e Deus, quem são esses dois homens, dos quais disseste que o filho da perdição matará por um copo de água?

Jesus, nosso Salvador e nossa vida, respondeu: “Enoch e Elias”.

Ao ouvir essas palavras da boca de nosso Salvador, se nos encheu o coração de prazer e de alegria. Por isso lhe rendemos homenagens e graças como nosso Senhor, nosso Deus e nosso Salvador, Jesus Cristo, por meio de quem vão para o Pai toda a glória e toda a honra juntamente com Ele e com o Espírito Santo vivificador, agora, por todo o tempo e pela eternidade das eternidades.

A mulher gnóstica no período menstrual

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Antropologia gnóstica – origem da menstruação Surgimento na Lemúria quando a humanidade ainda era andrógina e continuou na separação dos sexos… Obviamente não é carma, não é fornicação, é tão somente um fenômeno biológico de regulação e depuração física e energética.

Como ocorre a menstruação? Vesícula do Graf, Trompas de Falópio, Endométrio, glândula hipófise, chacras pituitária e pineal, temperatura vai de 37 para 38 graus.

Por que os órgãos sexuais femininos são internos e os masculinos externos? Isso está baseado nos princípios do dualismo harmonioso do Yin-Yang. Alquimicamente, os princípios vitais devem ser gestados na obscuridade, não devem estar expostos aos profanos.

O que a mulher perde no orgasmo? Licor seminal; o chamado pelos alquimistas “vidro líquido, flexível e maleável” – energia para criar corpos solares.

Para não engravidar Observar a tabela e práticas para fechar a matriz.

Desregramento Não usar anticoncepcionais. Os contraceptivos não são aceitos na Iniciação, são invenções da mente e luxúria dos cientistas.

Ginecologistas Optar por uma médica. O Mestre Samael condena a citologia vaginal, se surgir uma doença, deve ser curada com medicamentos naturais. A prevenção deve ser feita com a boa alimentação, depuração do corpo, exercícios e higiene psicofísica, porém nos tempos atuais a citologia vaginal já é aceita pelas mestras devido ao grau de doenças sérias que nem sempre a medicina natural cura.

Discrição no período menstrual Interiorizar-se quando possível, orar à Mãe Divina para que depure seu corpo físico e corpos internos nesse período.

Cuidados durante as regras menstruais

1)       Não transmutar.

2)       Lavar apenas as genitais com água morna nos três primeiros dias das regras (ovários se enrijecem e causam coágulos, o sangue contrai).

3)       Não andar descalça. Evitar molhar o ventre e os pés nos afazeres domésticos.

4)       Não beber gelado ou tomar sorvetes, refrigerantes, apimentados, sacarose.

5)       Evitar amargos e frutas ácidas porque são adstringentes.

6)       Evitar comer carne, principalmente a vermelha, e se o fizer, comer com verduras. Evitar também excesso de ovos na alimentação, pois isso ataca os ovários, como já demonstrado cientificamente.

7)       Cuidar da alimentação, ingerir comida integral; a falta de ferro desregula a menstruação, falta de vitamina C faz com que venha em excesso, evitar muito sal.

8)       Controlar estados nervosos que fazem o sangue ir com mais intensidade à cabeça.

9)       Pôr uma pitada de enxofre por baixo do absorvente. Usar essências de proteção.

10)    Não queimar incensos em casa, isso deve ser feito por algum homem da casa.

11)    Se dispor no centro das correntes (ou cadeias) sem vocalizar os mantras (estado receptivo, místico somente).

12)    Não fazer runas, mantras de transmutação, pranayamas e outras práticas dinâmicas.

13)    A mulher pode fazer meditação, orações e integração com a Mãe Divina.

14)    As demais atividades sociais devem ser feitas normalmente.

Benefícios da Transmutação

  1. Regula a menstruação e com o tempo, nota-se sua considerável diminuição.
  2. Domínio sobre a matriz e o centro sexual (fortalece esfíncteres).
  3. Desperta poderes ocultos.
  4. Cura com a ajuda do Espírito Santo e a Mãe Divina.
  5. Irradia amor e compreensão ao redor.
  6. Ensina a conjurar forças negativas.
  7. Dá otimismo, rejuvenescimento, vontade, coragem, santidade etc.

Imagens dos Mestres e Iniciados da Loja Branca

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Yehoshua ben Pandirah, Jesus o Cristo, o chefe de todos os Mestres da Grande Fraternidade Branca

Samael, Grande Mestre de Mistérios Maiores da Loja Branca

Litelantes, mestra do Raio da Justiça Divina e esposa de Samael

Jorge Elias Adoum, médico, escritor e mestre maçom. Mestre da Loja Branca, bodhisatva do Anjo Adonai

Arnold Krumm-Heller (VM Huiracocha), arcebispo da Santa Igreja Gnóstica

Tenzin Gyatsu, Sua Santidade o Dalai-Lama (bodhisatva do Buda da Compaixão, Avalokiteshvara)

Eliphas Lévi, mestre da Loja Branca, grande especialista em Alta Magia

George I. Gurdjieff, grande Iniciado do 4º Caminho

Helena Blavatsky, grande Mestra e fundadora da Sociedade Teosófica

Rudolf Steiner – Grande clarividente e fundador da Sociedade Antroposófica

Ouspensky, Iniciado do 4º Caminho

Leadbeater, Besant e Krishnamurti

Joaquin E. Amortegui Valbuena, bodhisatva do Mestre da Justiça, Rabolu

Eugene Canseliet, discípulo e amigo do mestre ressurrecto, Fulcanelli

Marquês de Saint Yves D’Alveydre, ocultista que escreveu sobre o Rei do Mundo e Seu Reino, Agartha

Franz Hartmann, escritor e Bispo da Santa Igreja Gnóstica da Alemanha e Áustria

Eduard Bullwer-Lyton, ocultista, maçom e um dos principais discípulos de Eliphas Levi. Autor das obras Zanoni e Vril, a Raça Futura

Antoni Ferdynand Ossendowski, escritor e explorador, escreveu a obra Bestas, Homens e Deuses, sobre o Rei do Mundo

Nikolai Rerikh (ou Nicholas Roerich), explorador do Oriente e pintor, escreveu a obra Shamballa, sobre o Rei do Mundo

Victor Hugo. Escritor, maçom e historiador, autor da obra O Colar da Rainha

Francisco A. Propato (VM Luxemil), médico argentino, escritor e Mestre da Loja Branca

Discípulos de Samael

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Samael e seus primeiros discípulos

Rafael Ruiz Ochoa e V. M. Samael
(O Mestre Samael sempre afirmava que tinha muitos seguidores, mas poucos amigos. Um desses amigos do peito do mestre Samael foi o senhor Rafael Ruiz Ochoa, primeiro secretário particular do mestre. Por meio desta foto, que todos os gnósticos que amam verdadeiramente o mestre Samael, de todo coração e de toda alma, recebam aqui nossa humilde homenagem.)



V. M. Samael e sua esposa
D. Arnolda (V. M. Litelantes)
esposa do V. M. Samael

Joaquim Henrique Amortegui Valbuena
(V. M. Rabolú)

Júlio Medina Viscaino (V. M. Gargha Kuichines)
(esse mestre ao ganhar a 5a. iniciação de mistérios
escolheu a senda Nirvânica – o caminho espiral)
Uma pequena homenagem aos
principais discípulos do Mestre Samael:
RABOLÚ e GARGHA KUICHINES,
nossos mais sinceros agradecimentos a vocês,
grandes paladinos da Gnose Moderna.
Que seus anelos e amor ao Mestre Samael
nos sirvam de exemplo e guia.

Valentino de Alexandria

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São Valentino (Valentim) foi um filósofo religioso egípcio fundador da escola Gnóstica de Roma e Alexandria, em torno do 2° século depois de Cristo. Um sistema de dualismo religioso (acredita em deidades rivais representando as forças evolutivas e involutivas da Natureza) com uma doutrina de salvação pela autognose, ou conhecimento esotérico.

As comunidades Valentianas fundadas pelos seus discípulos trouxeram o maior desafio à teologia Cristã vigente do segundo e terceiro séculos.

Valentino estudou filosofia em Alexandria. Seus discípulos clamavam que ele foi educado por Theodas, um pupilo designado pelo Apóstolo Paulo e foi batizado como cristão. Passou muitos anos (136-160 d.C.) em Roma, onde aspirava tornar-se bispo e ensinar os verdadeiros Mistérios Iniciáticos, que começavam a se perder. Com o fracasso do seu esforço, ele se tornou contra a igreja romana.

Por sua visão profundamente revolucionária, foi excomungado em Roma devido a esses ensinamentos.

Ao abandonar Roma por Chipre em 160 d.C. ou possivelmente Alexandria, Valentino continuou a desenvolver seu sistema de filosofia derivada de uma religião místico-iniciática.

O Sistema Valentiniano desenvolveu-se em formas ocidentais e orientais de grande complexidade, apesar da estrutura básica ser similar a teologia mística de Paulo, com ênfase no instrumento da morte e ressurreição do Cristo Interno.

“Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa do Cristo.” (Efésios 4:13)

A teologia de Paulo tinha suas raízes no misticismo judaico.

“E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo(tradução original: de acordo com o Aeon deste Cosmo), segundo o príncipe das potestades (tradução original: segundo o Arconte, ou Archon, dos poderes) do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também.” – Efésios 2:1-3

Aeon (ou Eon) tem muitos significados em Grego, incluindo idade, espaço, ou um ser espiritual governando um vasto espaço ou dimensão tanto nos céus (Pleroma) ou abaixo.

De acordo com a escola Valentiniana de teologia (na qual herdou os ensinamentos de Paulo), o Aeon deste cosmos se refere às Hostes Criadoras, os Elohim, chamados de Demiurgo (do grego: artífice ou fabricante).

Archon (ou Arconte) é a palavra Grega para tirano, e o poder dos ares (a energia egóica na mente) identificado como o mal pelos teólogos Valentianos. O Archon que governa o mal foi conhecido durante o primeiro e segundo século com diversos nomes, incluindo Ialdabaoth ou Saclas. (leia: The Christian Conspiracy: The Orthodox Suppression of Original Christianity)

“Mas se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto. Nos quais o deus deste aeon (século, significando período cósmico ou Era) cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.” (2Coríntios 4:3-4).

Ou seja, todo este conhecimento entregue secretamente por Jesus, Paulo e Valentino, entre outros, teve que se manter em segredo, por isso causava escândalo e espanto aos profanos. Daí esses grandes revolucionários do espírito e do intelecto não serem aceitos em sua época e não serem compreendidos nos séculos seguintes.

Valentino foi o mais intelectual dos líderes Gnósticos e desenvolveu um gnosticismo atraente o suficiente para ganhar seguidores tanto no Oriente como no Ocidente. Os Valentianos (ou Valentinianos) Orientais eram Docetistas, afirmando que Cristo tinha um corpo “pneumático” totalmente sujeito à influência do Espírito.

Os Valentinianos Ocidentais ensinavam um Docetismo modificado, atribuindo a Cristo um corpo “físico”, não totalmente “gnóstico”, mas capaz da salvação através do conhecimento (ou seja, a simples teorização do cristianismo esotérico). É justamente a degeneração desse Valentianismo ocidental que se transformou no tão conhecido Catolicismo. Hippolytus de Roma, Irenaeus (ou Irineu) e Tertuliano refutaram esse aspecto involutivo do Gnosticismo Valentiano.

Gnosticismo

Gnosticismo é um termo derivado da palavra grega (gnosis) e significa conhecimento. Sua aplicação está na representação de um movimento religioso que influenciou o mundo Mediterrâneo desde o primeiro século antes de Cristo até o terceiro século depois de Cristo. O Gnosticismo se expressou como uma variedade de formas pagãs, judias e Cristãs, mas era na verdade muito mais que isso.

Seu nome é derivado do fato que esta prometia a auto-salvação através de um conhecimento secreto ou entendimento da realidade que era possuída pelos seus devotos.

Conhecida previamente pelos escritos de seus oponentes pseudocristãos, o gnosticismo pode ser estudado agora através de uma coleção de documentos originais encontrados perto da cidade egípcia de Nag-Hammadi,em 1945.

A despeito da complexa diversidade dos grupos gnósticos e seus ensinos, as doutrinas básicas do gnosticismo formaram um mosaico identificável de credos, dogmas, doutrinas e ritos. Um dualismo está sempre presente no pensamento gnóstico. Bem e mal, luz e escuridão, verdade e falsidade, espírito e matéria estão em oposição na experiência humana como ser e não-ser, ou seja, essa relatividade dualística, conhecida no Oriente como Yin e Yang, que deve ser transcendida, para se atingir a Unidade do Tao.

Como diz o VM Samael Aun Weor, sobre a ilusão da separatividade: “A pior heresia é a heresia da separatividade”. O universo criado e a experiência humana foram caracterizados por uma separação entre o espiritual e o físico. Esta ilusória separação é resultado de uma tragédia cósmica, descrita como uma variedade de maneiras pela mitologia gnóstica.

O homem e a natureza podem ser libertos somente pelo conhecimento que foi revelado para uma elite espiritual por mensageiros transcendentais de um mundo espiritual, identificados geralmente como Sete (os famosos sete Ameshaspent da tradição gnóstico-zoroastriana, ou os sete Logói planetários), dos quais Jesus, ou algum outro personagem-herói solar, seria seu representante supremo.

A renúncia de desejos físicos e o asceticismo estrito, combinados com rituais místicos da iniciação e purificação foram concebidos para libertar as almas imortais dos crentes de uma prisão de existência física. Reunião com uma realidade divina era alcançada após uma jornada da alma através de sistemas intrigados de poderes externos e psicológicos (internos) hostis.

Associados erroneamente em legenda com Simão, um mago samaritano mencionado em Atos 8:9-24, gnosticismo provavelmente originou-se no Oriente Médio como uma síntese de ideias Orientais e Gregas antes do advento do Cristianismo. Esta alcançou o ápice de sua influência como uma visão esotérica cristã na metade do século segundo depois de Cristo, quando foi representada pelos professores egípcios Basilides e Valentino.

Como a ortodoxia cristã foi se definindo no período que se seguiu, o gnosticismo entrou em um estado de profundo hermetismo gradualmente foi colocado na periferia do mundo cristão ou levado à obscuridade com a perseguição de líderes religiosos. Algumas tendências se degeneraram, sobrevivendo mais tarde sob a forma de monasticismo cristão, enquanto outros sobreviveram entre os Mandaeanos e os adeptos do Maniqueísmo.

Acadêmicos modernos continuam estudando os documentos de Nag-Hammadi para entenderem o gnosticismo. Alguns enfatizam a espiritualidade carismática e o radicalismo transcendental, enquanto outros a veem como um amálgama caótico de mitos escapistas e especulação histórica. Poucos entretanto poderiam negar sua influência direta na formação da vida do Cristianismo primitivo e o seu impacto, tanto no judaísmo como no Cristianismo como parte da formação de uma identidade cultural, que influenciaram estas religiões e o mundo medieval e contemporâneo.

Rotas para a Salvação

“Alguns professores acreditavam que um estado de êxtase provocava iluminação divina, enquanto outros defendiam o jejum e a meditação.” (Ancient Wisdow and Secret Sects)

“Vivendo num mundo no qual é sentido subjetivamente e experimentado como um ‘lugar podre’ (um termo Gnóstico), clama por salvação. A maneira como esta Salvação começa está no corpo material. Ela nos chama para lugares mais altos (refere-se a um plano emocional e intelectual), até que o homem alcance seu lugar divino no Pleroma. Isto é, transbordar-se completamente.

Este Pleroma, esteja no homem ou em qualquer lugar do espaço cósmico, é a contrapartida Gnóstica para o lugar terreno ‘podre’. Dois caminhos podem ser trilhados para deixar este lugar ‘podre’: para evitá-lo ou suprimi-lo (o conceito ascético); ou para dissolver completamente vivenciando-o (à maneira sensual). Isso é melhor entendido nos termos budistas Mahayana e Hinayana (respectivamente Grande e Pequeno Veículos, ou seja, duas visões distintas da mesma Realidade, que em síntese querem dizer: fugir deste mundo vivendo-o profundamente, ou, estar neste mundo sem pertencer a ele).

Fotos arqueoufológicas – parte 2

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Pintura em Caverna Australiana (5 mil anos)

Objeto Luminoso na Inglaterra (1783)

Templo de Abydos -Egito

O Hino da Pérola

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Esse Hino, atribuído a Bardesanes, influente poeta do gnosticismo cristão do século 2º, oferece uma excepcional oportunidade para percebermos a profundidade do misticismo nos primórdios de nossa tradição interna. O Hino apresenta um comovente relato da peregrinação da alma, que culmina com a sua ‘salvação’, representada pela aquisição da ‘pérola’ (a Gnosis), e o consequente retorno ao reino da Casa do Pai, num estreito paralelo com a parábola do Filho Pródigo. Deixemos que a mensagem celestial de esperança penetre em nossos corações, pois a estória que será narrada é a história de nossa vida:

“Quando eu era criancinha, demasiado novo para falar, e morava no Reino da Casa de meu Pai, deleitando-me na riqueza e no esplendor daqueles que me nutriam, meus pais me enviaram do Oriente, nosso lar, numa missão, equipado com suprimentos para a jornada. Das riquezas de nossos tesouros eles me deram um grande carregamento, mas que era leve, para que eu pudesse carregá-lo sozinho.
A carga consistia de ouro das terras altas, prata dos grandes tesouros, jóias de esmeraldas da Índia e ágatas de Kushan. E cingiram-me com diamantes. Retiraram a minha veste cravejada de joias e adornada de ouro que, por seu amor, haviam feito para mim, e meu manto de púrpura, confeccionado na minha exata medida.

E fizeram um pacto comigo, gravando-o em meu coração para que eu não pudesse esquecê-lo, dizendo isto: ‘Se tu fores ao Egito e dali trouxeres a pérola que se encontra no meio do mar, envolta pela serpente voraz, então colocarás outra vez a veste cravejada de joias e, por cima, o manto que tanto aprecias e serás um herdeiro de nosso reino, juntamente com teu irmão, o segundo em nossa hierarquia.

Deixei o Oriente e parti acompanhado de dois guias, pois o caminho era difícil e perigoso e eu era jovem para uma tal viagem. Atravessei as fronteiras de Maishan, o lugar de encontro dos mercadores orientais, cheguei à Terra de Babel e entrei pelas muralhas de Sarbug. Continuei e, chegando ao Egito, meus acompanhantes separaram-se de mim.

Incontinente procurei a serpente, estabelecendo-me próximo de sua morada, aguardando a ocasião em que ela ficasse sonolenta e fosse dormir, para então tirar-lhe a pérola. Como estava sozinho e me mantinha à parte, parecia um estranho para meus companheiros de hospedagem. Entretanto, lá eu vi um homem livre, meu parente da terra da Alvorada, um jovem formoso e bem favorecido, filho de Nobres. Ele veio e juntou-se a mim.

Fi-lo meu parceiro predileto, um parceiro para minhas jornadas. Como constante companheiro alertou-me sobre os egípcios, para que evitasse misturar-me com os impuros. Pois, havia me vestido como eles, para que não pudessem imaginar que eu era estrangeiro e tinha vindo de longe para apossar-me da pérola e pudessem assim incitar a serpente contra mim.

Mas por alguma razão, eles souberam que eu não era de seu país. Com suas artimanhas, apresentaram-se a mim e ofereceram-me seus alimentos para comer. Ao prová-los, esqueci-me que era filho de um Rei e tornei-me um servo do rei deles. Esqueci completamente a pérola para a qual meus Pais me haviam enviado e, com o peso de seus alimentos, mergulhei num sono profundo
Meus Pais percebiam tudo aquilo que estava acontecendo, e ficaram ansiosos.

Foi feita então uma proclamação em nosso Reino: que todos se apresentassem rapidamente no Pórtico. E então os reis e chefes de Partia e todos os nobres do Levante decidiram que eu não deveria ficar no Egito. Escreveram-me uma carta e nela todos os nobres assinaram seu nome:

“De parte de teu pai, o Rei dos Reis, de tua mãe, Senhora do Levante, e de nosso segundo, teu irmão, ao nosso filho no Egito, saudações! Acorda e desperta de teu sono. Ouve as palavras de nossa carta! Lembra-te que és filho de um rei; vê a quem serviste em tua escravidão. Pensa outra vez sobre a pérola, a razão pela qual viajastes ao Egito. Lembra-te de tua veste gloriosa e de teu esplêndido manto, para que possas outra vez vesti-los e usá-los como ornamentos, e para que teu nome possa ser lido no Livro dos Heróis, e com nosso sucessor, teu irmão, possas ser herdeiro em nosso reino.”

A carta, que o Rei havia lacrado com sua mão direita, era como um mensageiro contra a ameaça dos filhos de Babel e dos rebeldes demônios do Labirinto. Ela voou na forma de uma águia, a rainha de todas as aves; voou até pousar ao meu lado, transformando-se num discurso inteiro. Com sua voz e o som de sua asas, levantei-me, despertando de meu sono profundo. Tomei-a, beijei-a, parti seu lacre e a li. As palavras de minha carta estavam redigidas como as que estavam escritas em meu coração.

Lembrei-me naquele momento que eu era filho de rei e que minha alma, nascida livre, tinha saudade daqueles da mesma natureza. Lembrei-me novamente da pérola, pela qual eu havia sido enviado em missão ao Egito. E comecei a cativar a terrível e ruidosa serpente. Encantei-a para dormir, cantando para ela o nome de meu Pai, o nome de nosso segundo e o de minha mãe, a Rainha do Oriente.

Apoderei-me, então, da pérola e parti em direção à casa de meu Pai. Retirei as vestimentas sujas e impuras, deixando-as em seu país de origem. Dirigi-me para o caminho pelo qual havia vindo, a estrada que leva à Luz de nossa casa, o Oriente. No caminho, encontrei diante de mim a mensagem que havia me despertado. E assim como ela havia me despertado com sua voz, agora me orientava com sua luz que brilhava à minha frente; com sua voz vencia meu temor, e com seu amor me conduzia.

Eu segui adiante… Vislumbrava, às vezes, as vestes reais de seda, brilhando diante de mim. Segui adiante; passei pelo Labirinto; deixei a Terra de Babel à esquerda; e cheguei a Maishan, o lugar de encontro dos mercadores, que se localiza na costa.

Meus pais enviaram-me a Veste de Glória que eu havia despido e o Manto que a cobria. Enviaram-nos das alturas de Hyrcânia, pelas mãos de seus distribuidores de tesouros, pois que, por sua lealdade, a eles podiam ser confiados. Sem me lembrar de seu esplendor, pois a havia deixado na Casa de meu Pai na minha infância, ao vê-la, imediatamente a Veste pareceu-me como a imagem de mim mesmo.

Percebi nela todo o meu ser e, por meio dela, reconheci-me e percebi-me. Pois, apesar de termos sido originados da mesma unidade, éramos parcialmente divididos e, no entanto, éramos também unos em semelhança. Também, os tesoureiros que a haviam trazido do alto para mim, vi que eram dois seres, mas havia uma única forma em ambos, um único símbolo real consistindo de duas metades. E traziam meu dinheiro e minha riqueza em suas mãos e deram-me minha recompensa.

A gloriosa veste reluzente, enfeitada com brilhante esplendor de cores: com ouro, pérolas e também com pedras preciosas de diferentes cores. Para realçar sua grandeza estava cingida com diamantes. (Além disso) a Imagem do Rei dos Reis estava estampada inteiramente nela; pedras de safiras tinham sido afixadas na gola com lindo efeito.

Percebi que movimentos de Gnosis abundavam em toda sua extensão, e que estava se preparando como que para falar. Ouvi o som de sua música, que sussurrava ao descer: ‘Sou eu que pertence àquele que é mais forte do que todos os seres humanos e para o qual fui indicada pelo próprio Pai. E percebi em mim como minha estatura aumentava com sua atividade’.

E (agora), com seus movimentos reais, ela vinha em minha direção, como que apressada nas mãos de seus doadores, para que eu pudesse (tomá-la e) recebê-la. E de minha parte, também, meu amor instava-me a correr ao seu encontro e tomá-la. Estendi-me para recebê-la; com sua beleza colorida vesti-me e enrolei-me em meu manto de cores resplandecentes.

Vestido dessa forma, ascendi ao Portal das Boas Vindas e da Reverência. Inclinei minha cabeça e prestei homenagem à glória do Pai que a havia enviado, cujas ordens eu havia cumprido, e que, de sua parte, também havia feito o que prometera. Ele recebeu-me com alegria, e fiquei com Ele em seu Reino, e todos seus súditos estavam cantando hinos com vozes reverentes. Ele permitiu-me também ser levado à corte do Rei em sua companhia, para que com a pérola eu pudesse comparecer diante do Rei.”

A história começa quando uma alma demasiado nova para falar (exercer seus poderes) é enviada, por seus pais, do mundo espiritual para o mundo material, numa missão que representa a grande peregrinação da alma. O oriente é onde nasce a luz do sol físico e, no sentido figurativo, é a origem da Luz espiritual primordial. A alma é enviada com suprimentos para a jornada, que são a substância de todos os planos pelos quais o peregrino deve passar.

As riquezas do tesouro do pai, joias e metais preciosos, referem-se aos poderes espirituais, que possuem grande valor e nenhum peso, podendo ser carregados facilmente pela alma. O ouro das terras altas simboliza a mais elevada sabedoria espiritual e a prata a compreensão espiritual; o diamante, a pedra mais preciosa, simboliza a essência espiritual do universo e sua expressão no homem como coragem intrépida e vontade indomável (a pedra mais dura que risca todas as outras); a safira representa a sabedoria.

Para encetar a viagem o jovem deve retirar sua veste real e seu manto de púrpura. Temos aqui a descrição do processo involutivo, a penosa descida do espírito à matéria. A alegoria da retirada das vestes espirituais refere-se à desativação dos poderes espirituais no espírito encarnante que deve recobrir-se com roupagens cada vez mais grosseiras, culminando na colocação de vestes que, por suas vibrações pesadas, são consideradas como impuras, o corpo astral e o físico.

Segue-se, então, o curioso pacto feito por seus pais, que é gravado no coração do peregrino, no âmago de seu ser, para que nunca mais possa ser esquecido. Esse pacto simboliza a missão do homem no mundo, que encerra a promessa de seu retorno triunfal às glórias celestiais. O conhecimento interior desse pacto explica a insatisfação latente que aflora no homem em determinados momentos, quando experimenta um sentimento de carência, uma saudade inexplicável que o persegue, até que entende que as coisas externas deste mundo não atendem aos profundos anseios da alma. Começa, então, a busca do verdadeiro tesouro, quando se dá a compreensão de que vivemos em desterro neste mundo distante.

O pacto envolve a ida ao Egito, onde deverá recuperar a pérola preciosa que se encontra escondida no meio do mar, guardada pelas forças da matéria, simbolizadas pela terrível serpente. Essa pérola representa a gnosis, termo grego que significa conhecimento, porém não um conhecimento qualquer, mas o conhecimento último da Realidade, que é vivencial e não meramente intelectual.
O mar é o símbolo tradicional do plano emocional, onde se produzem as paixões e os desejos.

A serpente, sobre a qual quase nada é dito no Hino, simboliza a tremenda força telúrica que, como desejo sexual, é a força da procriação, mas que quando sublimada e dirigida para o alto torna-se o poder da criação espiritual. Insinuada como um monstro terrível, a serpente é na verdade o fogo serpentino, chamado no oriente de kundalini, que deve ser despertada e elevada cuidadosamente até o centro da cabeça, onde se encontra com a força espiritual que desce pelo chacra coronário para conferir a iluminação ou gnosis, simbolizada pela pérola.

O curioso é que o prêmio por essa realização extremamente difícil é o retorno ao estado inicial. Em paralelo com outras tradições, percebe-se aqui que os universos passam por infindáveis ciclos de manifestação e retração. Em cada ciclo a consciência divina desce progressivamente à matéria, num processo de involução, seguido por uma etapa evolutiva em que vai se sutilizando, desprendendo-se progressivamente do jugo da matéria, até manifestar plenamente sua natureza divina original.

O nobre filho parte do Oriente, da terra da luz, acompanhado de dois guias. Esses, são provavelmente aqueles seres divinos chamados de Arcanjos, Elohim ou Sefirotes cuja missão é facilitar a descida da emanação das Mônadas dos planos da plenitude celestial até o corpo físico.

Segue-se um relato da passagem do jovem por diferentes lugares. A denominação desses locais deve corresponder à realidade histórico-geográfica da época em que o hino foi escrito e vela o seu significado interno. Atravessar as fronteiras de Maishan significa a passagem da alma pelos limites do mundo celestial, ou a ponte entre o mundo espiritual e o material, chamada no oriente de anthakarana, e na Cabala referida como a sephira Tiphereth.

É nesta esfera que os seres de luz se ‘misturam’ com os seres materiais, o lugar de encontro dos mercadores orientais. Esse local, ou melhor dito, plano de consciência, parece simbolizar o ponto de transição entre a mente superior e a inferior, onde os conceitos abstratos são cambiados por conceitos concretos utilizados neste mundo. Chegam, então, à Terra de Babel, que tradicionalmente expressa a confusão dos sons, ou seja, das vibrações do plano dos desejos, das emoções e das paixões.

Entram pelas muralhas de Sarbug, também referida como o Labirinto, simbolizando os inextricáveis meandros da Providência, que determina o destino dos homens, provavelmente uma alusão ao plano etérico em que uma complexa rede de ligações energéticas determina a conformação e as tendências dos corpos humanos. Ao chegarem ao Egito, símbolo do corpo físico, seus acompanhantes, tendo cumprido sua missão, retornam a seu mundo de origem.

Nosso aventureiro estabelece-se numa hospedaria, ou seja, no corpo físico em que veio ao mundo (para os gnósticos, o corpo humano era considerado como uma hospedaria da alma, expressando a ideia da impermanência). Ele parece um estranho aos seus companheiros, pois, enquanto o peregrino estiver consciente de sua missão divina, apesar de estar vestido como os egípcios (encarnado), será de alguma forma diferente dos outros, na medida em que seu comportamento e suas motivações estarão pautados por interesses que não são deste mundo.

O viajante, porém, alia-se a um ‘homem livre, filho de nobres da terra da Alvorada’. Esse, ‘jovem formoso e bem favorecido,’ representa o guia, ou instrutor espiritual, que sempre aparece quando o peregrino está em busca do supremo tesouro, e sua orientação e ajuda são inestimáveis para que o buscador possa realizar sua missão.

O nobre amigo do nosso herói aconselha-o a não se misturar com os impuros. Os egípcios, porém, com suas artimanhas, apresentam-se ao viajante e oferecem-lhe seus alimentos. No caso, mais do que alimentos físicos, trata-se de alimentos para as emoções e as paixões, para o orgulho e a ambição, que mantêm a mente constantemente direcionada para atividades ligadas às coisas deste mundo.

Com isso, o filho do Rei esquece-se de sua missão e torna-se súdito do rei local, ou seja, passa a atender aos interesses materiais, mergulhando num profundo esquecimento das coisas espirituais.

Seus Pais percebiam tudo o que se passava e ficaram ansiosos. A ansiedade dos Pais é um véu, pois sabiam desde o início a natureza difícil da missão de seu filho e o longo tempo que deveria durar. Porém, chegado o momento apropriado na longa jornada da alma, que só a providência divina conhece, a corte divina envia uma mensagem em que cada membro da hierarquia celeste assina seu nome. Assinar o nome significa colocar seus poderes à disposição do destinatário.

A carta lembra uma referência similar existente no livro A Voz do Silêncio, onde é dito que o guia é a voz interior, a expressão da consciência divina, que só pode ser percebido quando há total silêncio interior e, portanto, quando o indivíduo não mais está voltado para as coisas do mundo.
A carta voa como uma águia e, ao pousar ao lado do destinatário, transforma-se num discurso. A águia, a ave mais poderosa que voa em direção ao sol (o Logos) e desce para tomar pequenos quadrúpedes como presa (a personalidade quaternária), simboliza a natureza divina no homem que é enviada como mensageiro ao peregrino na terra distante.

A águia representa o Cristo interior, a intuição espiritual, que ao pousar traz a verdade espiritual para o plano da mente concreta. Esse é um lindo simbolismo para a mensagem enviada pelo Pai e a corte celestial que, na realidade, já se encontra no interior da alma, no âmago do ser. O vôo representa a elevação de consciência que permite a percepção do mundo sutil além dos interesses mundanos.
A graça divina permite que o atribulado aventureiro possa ouvir a voz do silêncio, a mensagem da carta, e assim ele se levanta, despertando de seu sono profundo.

O buscador regozija-se com a dádiva recebida, a lembrança de sua verdadeira natureza, e agradece a seus Pais, beijando a carta, ou seja, absorvendo a mensagem de seu Eu Superior à sua consciência usual. O beijo é usado com frequência na linguagem sagrada para expressar a união, nesse caso a união da consciência superior (a mensagem do plano intuitivo simbolizado pela águia) com a consciência inferior (o jovem peregrino). O viajante percebe, então, que a carta já estava escrita em seu coração desde o princípio.

Ela é a mensagem da Vida Una, que reverbera nos planos sutis desde o princípio da manifestação. Essa idéia é também expressa por Paulo: “Nossa carta sois vós, carta escrita em nossos corações, reconhecida e lida por todos os homens. Evidentemente, pois, uma carta de Cristo, entregue ao nosso ministério, escrita não com tinta, mas com o Espírito de Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, nos corações!” (II Cor 3, 2-3)

Ao receber a mensagem da carta, o buscador desperta e parte para cumprir sua missão. A estória não dá maiores detalhes sobre como é obtido o tesouro, além da informação de que o jovem começou ‘a cativar a serpente, encantando-a para dormir, cantando para ela o nome de seu Pai’. Está implícito o poder dos nomes sagrados da divindade, usados na Cabala como mantras.

O peregrino invoca o nome do Pai, da Mãe e de toda a hierarquia celestial, mobilizando toda a força divina dos Arcanjos para despertar e utilizar os tremendos poderes da serpente adormecida, a kundalini, elevando-a até a cabeça onde ocorre a iluminação libertadora, a gnosis, simbolizada pela pérola. Esse processo tem um estreito paralelo com a Cabala, em que a consciência é elevada pelo pilar central, usando a força armazenada na base, na sephira Yesod, valendo-se então da intermediação do redentor Tipheret, para finalmente alcançar a sephira oculta, Daath, que significa Conhecimento, ou seja, gnosis.

Uma vez obtida a pérola preciosa, o peregrino está livre do Egito e parte em direção à casa do Pai, deixando para trás as vestimentas impuras. Isso parece indicar que, tendo obtido a iluminação, o buscador liberta-se do mundo da matéria e, simbolicamente, descarta seus corpos grosseiros. Caso deseje mais tarde voltar numa missão de misericórdia para ajudar outros buscadores adormecidos no Egito, poderá adquirir veículos, ou vestimentas, apropriados para esse tipo especial de missão que, apesar de serem idênticos aos usados pelos moradores da terra, não são sujos nem impuros, pois foram especialmente confeccionados para o nobre, agora um Mestre de Compaixão e Sabedoria.

Nosso herói retorna pelo caminho pelo qual viera. A direção do oriente simboliza a direção de onde vem a luz, portanto, a alma dirige-se para as alturas espirituais, o que também significa, voltar-se para o seu interior.

Ocorre agora uma aparente contradição. O herói encontra, no caminho diante de si, a mensagem que o havia despertado. É como se houvesse um segundo encontro com a mensagem. Como o herói está liberto das limitações do corpo físico, agora pode perceber o que se encontra no recôndito de seu ser. A expansão de consciência, que inicialmente despertou a sua audição sutil, agora desperta também a sua visão espiritual.

Essa parece ser a tendência da maior parte dos aspirantes na Senda, primeiramente a audição espiritual é desperta e só mais tarde a visão. Segue adiante, portanto, reconfortado pela voz amorosa do mestre interior e por visões diáfanas das vestes reais do mundo celestial. A Voz é o aspecto feminino do poder, e a Luz, o masculino, que guia, controla e ordena. A Voz e a Luz também podem ser interpretadas como sendo a Verdade Eterna, como nas Odes de Salomão. Ele vê as vestes mas ainda não pode vesti-las, pois não entrou no mundo da luz.

A crescente expansão de consciência que nosso nobre experimenta é descrita como uma viagem. Assim, é dito que ele deixa para trás o Labirinto e a Terra de Babel, chegando a Maishan, o lugar de intercâmbio entre os mundos espiritual e material. Uma vez transposto esse limite, expresso como ‘a costa’ onde se localiza a Maisham simbólica, aparecem os distribuidores do tesouro portando a Veste de Glória que havia sido deixada na casa do Pai. Mais uma surpresa: a veste se parece como a imagem dele mesmo. O reencontro consigo mesmo, o reconhecimento de sua imagem primordial e a união com ela significam o verdadeiro momento da salvação.

O fato de a veste parecer-se com seu dono é de grande importância em todas as tradições esotéricas. O conhecimento de nossa verdadeira natureza só pode ser realmente obtido através da gnosis, quando então percebemos todas as implicações de sermos a centelha divina interior, unos com o Pai e, portanto, com todos os seres.

Os tesoureiros apresentam-se como dois seres com uma única forma, representando a verdade oculta de que, no mundo da manifestação, toda unidade apresenta-se de forma dual. Cada ser de luz é completo trazendo em si os dois aspectos da totalidade, masculino e feminino, força e forma. Os dois tesoureiros também representam o Mestre instrutor, que até então havia guiado ocultamente o jovem nobre, e o Grande Hierofante que concede a Iniciação, ou seja, a Veste de Luz que simboliza a iluminação suprema.
Os fiéis depositários dos tesouros do Rei finalmente entregam a recompensa prometida ao herói, a veste gloriosa.

A veste cravejada de joias, os tesouros espirituais, tem estampada a Imagem do Rei dos Reis, ou seja, é uma expressão do Supremo. Ele, então, percebe que ‘movimentos de gnosis abundavam em toda a extensão (da veste) que estava se preparando como que para falar.’ A consciência da unidade faz com que a gnosis suprema seja concedida, desvelando a verdade sobre todas as coisas diretamente à mente.
Pelas palavras da veste fica claro que o conquistador recebeu a iniciação final que o torna um super-homem, um Mestre de Compaixão e Sabedoria. Isso é confirmado pelo Nobre que diz: ‘E percebi em mim como minha estatura aumentava com sua atividade.’

O próximo passo é a cerimônia de posse da veste, que simboliza o grande esplendor que deve ser a cerimônia de iniciação de um Mestre. A beleza colorida da veste e o manto de cores resplandecentes expressam o fato de que ao tornar-se Uno com o Todo, o Adepto tem a seu alcance os poderes dos sete raios, simbolizados pela profusão de cores.

Finalmente o vencedor coloca a veste de luz e o manto de poder, ascende ao ‘Portal das Boas Vindas e da Reverência’, onde inclina-se e presta homenagem à glória do Pai. Esse o recebe com alegria, da mesma forma como o Pai agiu na parábola do filho pródigo, e todos os súditos do Reino participam das comemorações, pois mais um Filho de Deus, ou um raio do Sol Espiritual, retornou à fonte depois de cumprida sua missão.

Pitágoras

5

Sabemos que Pitágoras foi um Iniciado nos Mistérios Maiores, e que se dedicou aos campos da ciência e da educação.

Pitágoras nasceu na ilha de Samos, mais ou menos uns seiscentos anos antes de Cristo e morreu em Metaponte, no ano de 490 a.C. Foi seu pai Menesarco de Samos, que lhe proporcionou a mais sólida instrução, chamando para serem seus professores, os melhores daquela época. Aprendeu filosofia, matemáticas, poesia, música e ginástica.

Na Antigüidade, a instrução integral era recebida nos Templos, e aquele que aspirasse a verdadeira sabedoria deveria iniciar-se nos antigos Mistérios – que eram verdades sublimes – onde, sob aspecto científico ou filosófico, davam em síntese a chave da doutrina secreta e preparavam o iniciado aos mais altos destinos.

Pitágoras, desejoso de se aprofundar nesses conhecimentos e de adquirir uma vasta cultura, começou a frequentar esses templos iniciáticos, recebendo ensinamentos ocultos.

Depois deter permanecido algum tempo em Creta, visitou as principais cidades da Grécia.

Fez a sua iniciação órfica e absorveu-as nas harmonias musicais das Esferas, cujo ritmo misterioso e divino fizeram-no conceber a bela doutrina filosófica que hoje conhecemos como pitagórica.

Esteve no Egito, onde aprofundou a ciência esotérica das matemáticas sagradas, que foram a luz de sua doutrina.

O segredo da evolução do mundo foi-lhe revelado. Assistiu a revolta que convulsionou o Egito naquela época, e viu com angústia a destruição material do país, vassalado pela soldadesca de Cambises. Depois de cativo, levaram-no para a Babilônia. Fez-se íntimo dos sacerdotes caldeus e dos magos persas, que o iniciaram nas antigas religiões da Índia e da Pérsia.

A astronomia e a terapêutica oculta foram-lhe reveladas. Mais tarde voltou a Samos, indo residir em Crótona, uma colônia grega na Itália. Fundou o Instituto de Crôtona, cuja influência foi extraordinária no ânimo dos seus discípulos. Pregou como apóstolo os mais belos ideais de aperfeiçoamento moral. Dizem os seus biógrafos que permaneceu nos templos, fazendo a sua gloriosa iniciação, por vinte anos!

Pitágoras era de elevada estatura, mas, admiravelmente bem proporcionado. Sua beleza e nobreza de maneiras eram incomparáveis. Possuía uma voz penetrante, olhar dominador e meigo ao mesmo tempo. De sua pessoa irradiava unia extraordinária influência magnética bondosa, que impunha veneração. Nas suas preleções evitava palavras inúteis. Era de uma eloqüência arrebatadora. Quando falava transformava o ânimo exaltado das turbas. Dizem que o seu primeiro discurso em Crótona converteu a mais de dois mil cidadãos Reformou as instituições políticas e os magistrados confiaram-lhe a obra da educação da juventude.

Pitágoras exerceu também extraordinária influência na formação dos dois gênios gregos: Sócrates e Platão.

Em nossos dias, seus ensinamentos estão influindo no ânimo de uma nova plêiade que surge, ansiosa de espiritualidade, desejosa de uma vida sã, anelante de conhecimentos profundos, como os que eram dados outrora nos templos iniciáticos.

Os magníficos Versos de Ouro, de Pitágoras, divulgados em diversas línguas são um admirável evangelho de perfeição moral.

As obras de Fabre d’Olivet, Dacier, Paul Carton, Chaignet e Dano Vellozo são procuradíssimas porque tratam da vida desse grande filósofo, que tão benéfica influência vem exercendo nas almas desejosas de perfeição.