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Transformação das impressões e o trabalho interno

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Este tema está relacionado com a questão da Transformação de Si Mesmo. Em nossos passados diálogos, muito dissemos sobre a importância que a vida em si mesma tem. Dissemos também que um homem é o que é sua vida e que esta é como um filme que, ao desencarnarmos, nós a levamos para revivê-la (de forma retrospectiva) no Mundo Astral, e que ao retornarmos, a trazemos para projetá-la outra vez sobre o tapete do Mundo Físico.

É claro que a Lei da Recorrência existe e que todos os acontecimentos se repetem, que tudo volta realmente a ocorrer tal como aconteceu, mais as consequências boas e más, e isso é óbvio.

Bem, agora o importante é conseguirmos a transformação da vida, e isso é possível se nos propomos, profundamente…

“Transformação” significa que uma coisa muda em outra coisa diferente. É lógico que tudo está submetido a mudanças.

Existem transformações muito conhecidas da matéria; ninguém poderia negar, por exemplo, que o açúcar se transforma em álcool e que o álcool (por sua vez) se converte em vinagre pela ação dos fermentos (esta é a transformação de uma substância molecular em outra substância molecular). Sabe-se, pela nova química dos átomos e elementos, que o Rádio, por exemplo, se transforma lentamente em chumbo.

Os alquimistas da Idade Média falavam da “Transmutação do chumbo em ouro”. Sem embargo, não aludiam sempre à questão metálica meramente física. Normalmente queriam indicar, com tais palavras, a transmutação do Chumbo – o da Personalidade – no Ouro do Espírito. Assim, pois, convém que reflitamos em todas essas coisas…

Nos Evangelhos, a ideia do homem terreno, comparado a uma semente capaz de crescimento, tem a mesma significação, como a tem também a ideia do renascimento, de um homem que “nasce outra vez”. Sem embargo, é óbvio que se o grão não morre, a planta não nasce; em toda transformação existe morte e nascimento, ou morte e ressurreição.

Já se sabe que na Gnosis consideramos o homem como uma fábrica de três pisos que absorve, normalmente, três alimentos.

O alimento comum normalmente corresponde ao piso inferior da fábrica (nessa questão do estômago). O ar, naturalmente, está no segundo piso, pois está relacionado com os pulmões. E as impressões, indubitavelmente, estão associadas ao cérebro, o terceiro piso (isso é questão de “observação”, não é verdade, irmãos?).

O alimento que comemos sofre sucessivas transformações (isto é inquestionável). O processo da vida, em si mesma, por si mesma, é a transformação. Cada criatura do Universo, meus estimados irmãos, vive mediante a transformação de uma substância em outra. Um vegetal, por exemplo, transforma o ar, a água e os sais da terra em novas substâncias vitais, em elementos úteis para nós, como, por exemplo, as nozes, as frutas, as batatas, ou os limões, os feijões, as ervilhas etc. Assim, pois, tudo é TRANS-FOR-MA-ÇÃO.

Pela ação da luz solar, obtemos os variados fermentos da natureza. É inquestionável que o sensível filme da vida, que normalmente se estende sobre a face da terra, conduz toda a Força Universal rumo ao interior do mundo planetário em que vivemos.

Prém, cada planeta, cada inseto, cada criatura (e o próprio animal intelectual equivocadamente chamado homem) absorve, assimila, determinadas forças cósmicas e logo as transforma e retransmite (inconscientemente) às camadas inferiores do organismo planetário.

Tais forças, transformadas, estão intimamente relacionadas com a economia deste organismo planetário em que vivemos. Cada criatura, segundo sua espécie, transforma determinadas que, logo, retransmite ao interior da terra, para economia do mundo. Também as demais criaturas, as distintas espécies (as plantas etc.) cumprem a mesma função.

Sim, em tudo existe transformação. Assim, pois, a epiderme da terra é um órgão em transformação…

Quando comemos o alimento, tão necessário para a nossa subsistência, este é transformado (é claro, etapa após etapa) em todos esses elementos vitais, tão indispensáveis para a nossa própria existência.

Quem realiza dentro de nós esse processo de transformação das substâncias? O Centro Instintivo! Quão sábio é esse Centro! Realmente, nos assombramos com a sabedoria de dito Centro.

A digestão em si mesma, meus estimados irmãos, é transformação. Todos podem ver que o alimento inferido pelo estômago (ou seja, a parte inferior dessa fábrica de três pisos, que é o organismo humano) se transforma.

Se um alimento, por exemplo, passasse pelo estômago e não se transformasse, o organismo não poderia assimilar seus princípios (suas vitaminas, suas proteínas). Isso seria, simplesmente, uma indigestão. Assim, pois, conforme vamos refletindo nessa questão, chegamos a compreender a necessidade de passar por uma Transformação.

Está claro que os alimentos físicos se transformam. Mas há algo que nos convida muito à reflexão: não existe uma transformação, por exemplo, adequada das Impressões. Para o propósito da Natureza propriamente dita, não há nenhuma necessidade de que o animal intelectual, equivocadamente chamado homem, transforma realmente as impressões.

Porém, um homem pode transformar suas impressões por si mesmo, se possui, naturalmente, o conhecimento de fundo, esotérico, e compreende o porquê dessa necessidade (resultaria magnífico transformar as impressões).

No terreno da vida prática, a maioria das pessoas crê que este mundo físico vai lhe dar exatamente o que anseia e busca, e eis aí, meus estimados irmãos, um tremendo equívoco. A vida, em si mesma, entra em nós, em nosso organismo, na forma de meras impressões.

O primeiro que realmente devemos compreender é o significado deste Trabalho Esotérico, relacionado intimamente com a questão das impressões. Que necessitamos transformar a vida? É verdade! E não se poderia realmente transformar sua vida se não se transformam as impressões que lhe chegam à mente. É urgente, pois, que os que leiam esta cátedra reflitam no que aqui estamos dizendo…

Não existe, realmente, tal coisa como a “vida externa” – e vejam vocês que estamos falando de algo muito revolucionário, pois todo mundo crê que o físico é o real, porém se formos um pouquinho mais a fundo, o que realmente estamos recebendo, a cada instante, a cada momento, são meramente IMPRESSÕES.

Vemos uma pessoa que nos agrada ou que nos desagrada, e o primeiro que obtemos são impressões dessa natureza, não é verdade? Isso não o podemos negar.

A vida é, digamos, uma sucessão de impressões (e não como creem muitos ignorantes ilustrados: uma coisa sólida, física, de tipo exclusivamente material): a realidade da vida são suas impressões, claro está que a ideia que estamos emitindo através desta gravação resulta certamente difícil de se capturar, de se apreender. Constitui-se num trabalhoso ponto de intersecção.

É possível que você que me estejam lendo tenha a certeza de que vida que têm exista como tal, e não como suas impressões. Estão tão sugestionados pelo mundo físico que obviamente pensam assim.

A pessoa que vemos sentada, por exemplo, em uma cadeira, com tal ou qual traje de cor, aquele que nos sorri mais além, ou aquele outro que está tão sério etc., são para nós coisas reais, não é verdade? Porém se meditamos profundamente em tudo o que vemos chegaremos à conclusão de que o real são as impressões.

Estas, como já disse, chegam à mente através, é claro, das “janelas” dos cinco sentidos. Se não tivéssemos, por exemplo, olhos para ver ou ouvidos para ouvir, nem tato para tocar, nem olfato para cheirar, ou nem sequer paladar para saborear os alimentos que entram em nosso organismo, por acaso existiria para nós isso que se chama mundo físico? Claro que não, absolutamente não!

Então, pois, a vida nos chega na forma de impressões, e é aí onde existe a possibilidade de trabalhar sobre nós mesmos.

Ante tudo – se é isso que queremos fazer –, pois, deve-se compreender o trabalho que devemos fazer. Se não fizéssemos esse trabalho de forma correta, como poderíamos conseguir uma transformação psicológica em nós mesmos? É óbvio que o trabalho que iremos realizar sobre nós mesmos deve ser sobre as impressões que estamos recebendo a cada instante, a cada momento.

E a menos que o apreendamos, que o capturemos etc., nunca ninguém compreenderia o significado do que no Trabalho é chamado de PRIMEIRO CHOQUE CONSCIENTE.

O Choque relaciona-se com essas impressões que são tudo quanto conhecemos do mundo exterior, que estamos recebendo, que tomamos como se fossem as verdadeiras coisas, as verdadeiras pessoas.

Necessitamos, então, transformar nossa vida, e esta é INTERNA. Ao querer transformar esses aspectos psicológicos de nossa vida, obviamente necessitamos trabalhar sobre as impressões – que entram em nós, é claro.

Por que nós chamamos ao trabalho sobre a transformação das impressões de Primeiro Choque Consciente? Por um motivo, meus queridos irmãos gnósticos, por um só motivo: porque, simplesmente, é algo que de nenhuma maneira poderíamos efetuar de forma meramente mecânica!

Isso jamais acontece mecanicamente. Necessita-se de um esforço autoconsciente. Está claro que um aspirante gnóstico que comece a compreender essa classe de trabalho, começa obviamente também a deixar de ser um homem mecânico, que serve exclusivamente aos interesses da Natureza; uma criatura absolutamente adormecida, que simplesmente não é mais que um “empregado da Natureza”, para os fins econômicos da mesma, os quais não servem, de modo algum, aos interesses de nossa própria Autorrealização Íntima.

Se vocês começam, agora, a compreender o significado de tudo quanto lhes está sendo ensinado neste texto… se pensam, agora, no significado de tudo quanto lhes é ensinado a fazer, digamos pela vida do esforço próprio (começando com a OBSERVAÇÃO DE SI MESMOS), sem dúvida verão, meus queridos irmãos gnósticos, que no lado prático do Trabalho Esotérico tudo se relaciona com a transformação das impressões e o resultado, naturalmente, das mesmas.

O trabalho, por exemplo, sobre as emoções negativas, sobre os estados de humor irritadiços, sobre a questão da Identificação, sobre a Autoconsideração, sobre os Eus sucessivos, sobre as Autojustificativas, sobre as desculpas e sobre os estados inconscientes em que nos encontramos… relacionam-se em tudo com a transformação das impressões e o que resulta disso.

Assim, convém, meus queridos irmãos gnósticos, que de certo modo o trabalho sobre si mesmo se compara com a dissecação, no sentido de que é uma transformação. Quero que vocês reflitam profundamente nisso, que compreendam, pois, o que é o Primeiro Choque Consciente. É preciso formar um “instrumento de mudança” no lugar de entrada da impressões; não esqueçam isso.

Se mediante a compreensão do trabalho você podem aceitar a vida como um Trabalho (realmente esotérico), então estarão em um estado constante de Recordação de Si Mesmos. Este estado de consciência de si mesmo os levará, naturalmente, ao terreno vivente da transformação das impressões, e assim normalmente (ou supranormalmente, melhor dizendo), ao de uma vida distinta, no que a vocês naturalmente diz respeito.

Ou seja, que a vida já não trabalhará mais sobre todos vocês, meus queridos irmãos, como o fazia antes. Vocês começarão a pensar e a compreender de uma nova maneira, e este é o começo, naturalmente, de sua própria transformação. Porque enquanto vocês seguires pensando da mesma maneira, tomando a vida da mesma maneira, é claro que não haverá nenhuma mudança em vocês.

Transformar as impressões da vida é transformar-se a si mesmo, meus queridos irmãos gnósticos, e só uma maneira de pensar inteiramente nova é que pode efetua-lo. Todo esse trabalho, pois, dirige-se rumo a uma forma radical de transformação. Se não nos transformamos, nada se consegue.

Compreenderão vocês que a vida nos exige continuamente reagir. Todas essas reações forma nossa vida, nossa vida pessoal. Cambiar a vida não é cambiar as circunstâncias meramente externas. É cambiar realmente as próprias reações.

Porém, se não vemos que a vida exterior nos chega como meras impressões que nos obrigam incessantemente a reagir – de uma forma, digamos, mais ou menos estereotipada –, não veremos de onde começa o ponto que realmente possibilite o câmbio, e de onde é possível trabalhar.

As reações, que formam nossa vida pessoal, são quase todas de tipo negativo. Então, também nossa vida será negativa, não será mais que uma série sucessiva de reações negativas, que se dão como resposta incessante às impressões que chegam à mente.

Logo, nossa tarefa consiste em transformar as impressões da vida, de modo que não provoquem esse tipo de reações negativas a que estamos tão acostumados.

Porém, para consegui-lo, é necessário estarmos nos AUTO-OBSERVANDO de instante em instante, de momento em momento. Assim, as impressões não chegam de um modo mecânico, e isso equivale a começar a viver mais conscientemente.

Um indivíduo pode permitir, dar-se ao luxo, de que as impressões lhe cheguem mecanicamente, porém se não se comete semelhante erro, se transforma suas impressões, então começa a viver conscientemente. Por isso se diz que este é o Primeiro Choque Consciente.

O Primeiro Choque Consciente radica, precisamente, na transformação das impressões que chegam à mente. Se se consegue transformar as impressões que chegam À mente, no próprio momento de sua entrada, sempre se pode trabalhar no resultado das mesmas. Está claro que ao transformá-las, evitamos que produzam seus efeitos mecânicos que sempre resultam ser desastrosos no interior de nossa psique.

Um estado de consciência de si mesmo nos levará, naturalmente, ao terreno vivente da transformação das impressões

Isso exige um sentimento definido, uma vibração definida do trabalho, uma valorização do ensinamento, o que significa que este trabalho esotérico deve ser levado até o ponto, por assim dizer, por onde entram as impressões, e desde onde são distribuídas – mecanicamente – a seu lugar de costume (pela personalidade), para evocar as antigas reações.

Quero que vocês vão entendendo um pouco mais. Vou tratar, digamos, de simplificar, a fim de que vocês possam entender. Porei um exemplo: se jogamos uma pedra a um lago cristalino, no lago vemos que se produzem impressões, e é a resposta às impressões dadas pela pedra (são as reações).

Estas se manifestam em ondas que vão desde o centro até a periferia, não é verdade? Bem, agora levem vocês, meus queridos irmãos gnósticos, este exemplo à mente. Imaginem-se, por um momento, como um lago. De pronto, aparece a imagem de uma pessoa e então a mente reage – as impressões são as que produzem a imagem que chega à mente; as reações são a resposta a tais impressões.

Se vocês jogam uma bola contra um muro, o muro recebe a impressão e vem a reação, que consiste em que, inconscientemente, a bola regressa a quem a enviou. Bem, pode ser que não chegue diretamente, porém de qualquer maneira a bola rebate e isso é reação, correto?

Bem, há impressões que não são muito agradáveis. Por exemplo, as palavras de um insultador não são, por certo, muito boas que se diga, não? Claro que poderíamos, digamos, transformar essas palavras do insultador.

Porém, sim, as palavras são como são, e então o que poderíamos fazer? Transformar as impressões que tais palavras nos produzem? Sim, isso é possível, e o ensinamento gnóstico nos ensina a cristalizar a Segunda Força (ou seja, o Cristo em nós), mediante um postulado que diz:

“Há que se receber com agrado as manifestações desagradáveis de nossos semelhantes.”

Eis aqui, pois, o modo de transformar as impressões que produzem em nós as palavras de um insultador: “Receber com agrado as manifestações desagradáveis de nossos semelhantes”.

Este postulado nos levará, naturalmente, à cristalização da Segunda Força (ou seja, o Cristo em nós), fará com que o Cristo venha a tomar forma em nós. É um postulado sublime, esotérico em 100%.

Agora, se do mundo físico não conhecemos senão as impressões, então o mundo físico propriamente não é tão externo como creem as pessoas. Como justa razão Immanuel Kant disse: “O exterior é o interior”. Então, pois, se o interior é o que conta, devemos transformar o interior: as impressões são interiores.

Assim, todos os objetos, as coisas, tudo o que vemos, existe em nosso interior na forma de impressões. Se, por exemplo, não transformamos as impressões, nada munda em nós. A luxúria, a cobiça, o ódio, o orgulho etc. existem na forma de impressões – dentro de nossa psique – e vibram incessantemente.

O resultado mecânico de tais impressões são todos esses elementos inumanos que levamos dentro e que normalmente os temos chamado de Eus (os eus, que em seu conjunto constituem-se no mim mesmo, no si mesmo, não é?).

Suponhamos que um indivíduo vê uma mulher provocativa e não transforma suas impressões. O resultado será que as mesmas – de tipo naturalmente luxurioso – exigem dele, pois, um desejo de possuí-la.

Tal desejo vem a ser o resultado mecânico da impressão recebida, e se plasma, vem a cristalizar, a tomar uma forma em nossa psique, converte-se em um agregado mais, ou sja, em um elemento inumano, em um novo eu de tipo luxurioso que vem a se agregar à soma já existente de elementos inumanos que, em sua totalidade constituem o Ego, o mim mesmo, o si mesmo.

Porém, vamos seguir refletindo: em nós existem a ira, a cobiça, a luxúria, a inveja, o orgulho, a preguiça e a gula: ira por quê? Porque muitas impressões chegaram a nós, a nosso interior, e nunca as transformamos.

O resultado mecânico de tais impressões, pois, foi a ira, foram os eus que ainda existem, que vivem em nossa psique, e que constantemente, pois, nos fazem sentir coragem.

A cobiça: indubitavelmente, muitas coisas despertaram em nós a cobiça; o dinheiro, as joias, as coisas materiais de todo tipo etc. Esses objetos chegaram a nós na forma de impressões.

Nós cometemos o erro de não haver transformado essas impressões, por exemplo, em outra coisas diferente: em uma admiração pela beleza, ou em altruísmo, ou em alegria pelo proprietário de tais ou quais coisas, enfim… e aí? Pois que tais impressões não transformadas, naturalmente, se converteram em eus de cobiça que agora carregamos em nosso interior.

No caso da luxúria, já disse que distintas formas de luxúria nos ferem na forma de impressões, e surgem, no interior de nossa mente, imagens digamos de tipo erótico, cuja reação foi a luxúria.

Como queira que então não transformamos essas ondas luxuriosas, essas vibrações luxuriosas, essas impressões, esse sentir luxurioso, esse erotismo malsão, ou não bem entendido – porque bem entendido, eu já disse que o erotismo é saudável –, naturalmente que o resultado não se faz esperar: foi completamente mecânico, nasceram novos eus dentro de nossa psique, de tipo mórbido, é claro.

Assim, hoje em dia nos cabe trabalhar sobre as impressões de ira, de luxúria, de inveja, de orgulho, de preguiças, de gula etc. (e outras tantas coisas). Também temos, dentro, os resultados mecânicos de tais impressões: feixes de eus briguentos e gritões que agora necessitamos compreender e E-LI-MI-NAR.

Todo o trabalho de nossa vida versa, pois, em saber transformar as impressões e também em saber eliminar, digamos, os resultados mecânicos das impressões não transformadas no passado.

As coisas, as pessoas, não são mais que impressões dentro de nós, dentro de nossa mente.
Se transformamos essas impressões, transforma-se a vida

O mundo exterior, propriamente, não existe; o que existe é o interno. As impressões são interiores e as reações – com tais impressões – são de tipo completamente interior. Quem poderoa dizer que está vendo uma árvore em si mesma? Não; estará vendo a “imagem da árvore”, porém não “a” árvore. A “coisa em si”, como dizia Immanuel Kant, ninguém a vê; vê-se a imagem da coisa, ou seja, surgem em nós as impressões sobre uma árvore, sobre uma coisa.

Estas são internas, são de dentro, são da mente. Se alguém, por exemplo, não faz uma modificação de suas próprias impressões internas, o resultado mecânico não se deixa esperar: é o “nascimento de novos eus” que vêm escravizar ainda mais nossa Essência, nossa Consciência; que vêm intensificar o sono em que vivemos.

Quando se compreende que realmente tudo o que existe dentro de si mesmo (com relação ao mundo físico), não são mais que impressões, compreende também a necessidade de transformar essas impressões, e ao fazê-lo, produz-se uma transformação total de si mesmo.

Não há coisa mais doa, por exemplo, do que a calúnia, ou as palavras de um insultador. Porém, se a pessoa for capaz de transformar as impressões que são produzidas em alguém tais palavras, estas ficam então como um cheque sem fundo.

Certamente, as palavras de um insultador não têm mais valor que o que lhe dá o insultado. Se o insultado não dá valor a essas palavras, as mesmas ficam se valor (repito: ainda que me seja cansativo, ficam como um cheque sem fundo).

Quando se compreende isso, transforma então as impressões de tais palavras, por exemplo, em algo distinto: em amor, em compaixão pelo insultador, e isso naturalmente significa TRANS-FOR-MA-ÇÃO.

Assim, então, necessitamos estar transformando incessantemente as impressões, não só as presentes, mas também as passadas. Dentro de nós existem muitas impressões – que cometemos o erro, no passado, de não haver transformado – e muitos resultados mecânicos das mesmas, que são os tais eus que agora há que se desintegrar, aniquilar, a fim de que a Consciência fique livre e desperta.

Quero que vocês reflitam profundamente no que estou dizendo: as coisas, as pessoas, não são mais que impressões dentro de vocês, dentro de sua mente. Se transformam essas impressões, transforma-se a vida de vocês.

Quando há, por exemplo, orgulho, isso tem por base a ignorância. De que se pode sentir orgulho uma pessoa? De sua posição social, de seu dinheiro ou do quê? Porém, se a pessoa, por exemplo, pensa que sua posição social é uma questão meramente mental, é uma série de impressões que chegaram à sua mente, impressões sobre seu estado social ou seu dinheiro.

Quando pensa que tal estado não é mais que uma questão mental, ou quando analisa a questão do dinheiro e se dá conta de que isso só existe na mente, na forma de impressões, as impressões que o dinheiro produz, é claro.

Se analisamos isso a fundo, se compreendemos realmente que o dinheiro e a posição social, e ademais não são mais que impressões internas da mente, pelo fato de compreender que são somente impressões da mente, há transformação das mesmas. Então, o orgulho por si mesmo cai, se colapsa, e nasce de forma natural, em nós, a humildade.

Continuando com esses processos de transformação das impressões, direi algo mais. Por exemplo, a imagem de uma mulher luxuriosa chega à mente, surge na mente. Tal imagem é uma impressão, obviamente. Poderíamos transformar essa impressão luxuriosa mediante a compreensão. Bastaria com que pensássemos em que a citada imagem é perecível, em que essa beleza é, portanto, ilusória.

Se nos lembrarmos por alguns instantes de que essa mulher vai morrer e que seu corpo se tornará pó no cemitério; se com a imaginação víssemos seu corpo em estado de desintegração, dentro da sepultura, isso seria mais que suficiente como para transformar essa impressão luxuriosa em Castidade. Assim, transformando-a, não surgiriam na psique mais eus de luxúria. Então, convém que mediante a compreensão transformemos as impressões que surgem na mente.

Creio que os estimados irmãos estão compreendendo que o mundo exterior não é tão exterior como normalmente se crê. É interior, pois, tudo o que nos chega do mundo; não são mais que impressões internas. Ninguém poderia enfiar uma árvore dentro de sua mente, ou uma cadeira, uma casa, ou um palácio ou uma pedra.

Ali, tudo, em nossa mente, não é mais que impressão, e isso é tudo. Impressões de um mundo que chamamos “exterior”, porém, realmente não é tão exterior como se pensa. Convém, então, que todos nós transformemos as impressões mediante a compreensão.

Outro exemplo: se alguém nos adula. Como transformaríamos as Vaidade que tal adulador poderia provocar em nós? Obviamente, os louvores, as adulações, não são mais que impressões que chegam à mente, e esta reage na forma de vaidade, porém se se transformam tais impressões, a vaidade se faz impossível.

Como se transformariam, pois, as palavras de um adulador, essas impressões de louvores, de que forma? Mediante a Compreensão! Quando se compreende realmente que não se é mais que uma infinitesimal criatura em um rincão do universo, de fato transforma, pois, tais impressões de louvor, ou de lisonja, em algo distinto.

Converte tais impressões, digamos, no que são: pó, poeira cósmica, porque compreende sua própria posição.

Já sabemos que nosso planeta Terra é um grão de areia no espaço. Pensemos na galáxia em que vivemos, composta de bilhões de mundos… O que é a Terra? É uma mísera partícula de pó neste Infinito… E nós, somos o quê? Micro-organismos dentro dessa partícula… E aí? O que conseguiríamos com essas reflexões? MUDAR, é claro, e isso obviamente produziria uma transformação das impressões que se relacionam com a lisonja, com a adulação, com o louvor, e não reagiríamos, como resultado, na forma de orgulho, não é verdade?

Tanto mais refletimos nisso, veremos mais e mais a necessidade de uma transformação completa das impressões…

Tudo que vemos no externo é interior!

Logo, se não trabalhamos sobre o interior, iremos pelo caminho do erro, porque não modificaríamos então nossa vida. Se quisermos ser distintos, necessitamos nos transformar integralmente, e se quisermos nos transformar, devemos começar por transformar as impressões.

AÍ ESTÁ A CHAVE PARA A TRANSMUTAÇÃO RADICAL DO INDIVÍDUO!

Na própria Transmutação Sexual há transformação das impressões. Transformando as impressões animais, bestiais, em elementos de devoção, então surge em nós a transformação sexual: a Transmutação.

Creio que vocês me compreenderam. Por hoje chegaremos até esta parte de nosso discurso.

Espero que os que leiam este texto tenham a amabilidade de analisá-lo, de compreendê-lo!!!

SAMAEL AUN WEOR – A TRANSFORMAÇÃO DAS IMPRESSÕES

Perguntas e respostas sobre a eliminação do Ego

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Pergunta: Mestre, o senhor poderia, por favor, nos esclarecer com relação ao que seja a morte de momento em momento? Nos momentos em que alguém anda pela rua e tem necessidade de pedir pela morte de um “Eu”, terá de se pôr a meditar na rua, ou qual é o sistema?
Samael Aun Weor: Bem, a rua não é exatamente uma das sete maravilhas do mundo como lugar para entregar-se à meditação. O que se pode fazer é tomar nota do defeito psicológico que o assediou na rua e, já em casa, ou à noite, na hora de se deitar, entregar-se à meditação.

Já em sua cama, bastará relaxar o corpo físico, deitado de barriga para cima, respirando ritmicamente, imitando a respiração dos bebês recém-nascidos, e então, submerso assim em concentração perfeita e meditação profunda, reconstruirá a cena em que aquele defeito surgiu.

Então, analisará o defeito cuidadosamente, sinceramente, sem escapatórias, sem justificativas de nenhuma espécie, e, uma vez que o tenha compreendido, então se entregará à oração.

Não se esqueçam daquela frase latina que diz o seguinte: “Bene Orasse Est Bene Laborasse”, isto é, quem bem ora, bem trabalha (bem labora, orar é trabalhar)…

Submersos em profunda Oração, pediremos a Devi Kundalini Shakty, a Mãe Divina particular, individual, pois cada um tem a sua própria, que desintegre aquele agregado que já compreendeu em todos os níveis da mente. E deve prosseguir com uma série de sucessivos trabalhos, até que o agregado psíquico em questão desapareça. Este é o caminho óbvio a seguir… Alguma outra pergunta?

P: Mestre, por ex., um Ego pode apresentar-se de diversas formas nos diversos centros; então deve-se pedir à Divina Mãe que destrua o Ego como um só ou em várias subdivisões de um mesmo Ego?
SAW:
Qualquer agregado psíquico indesejável tem três formas fundamentais de comportamento, porque no Centro Intelectual se expressa de uma forma, no Emocional de forma emotiva e no Motor-Instintivo-Sexual assume outra forma. Mas é o mesmo. Não quero com isso dizer que um defeito está personificado em um só agregado. Obviamente, para cada defeito há múltiplos agregados.

De modo que se o defeito continua de alguma outra forma, temos de voltar a estudá-lo, para novamente voltar a suplicar a Devi Kundalini Shakty sua desintegração final.

Muitas vezes, um defeito conta com uma ou mais dúzias de elementos psíquicos indesejáveis, que reveste múltiplas características, mas se formos pacientes no Trabalho, se não abandonamos a luta, se mantivermos continuidade de propósitos, pouco a pouco iremos desintegrando todos os elementos que personificam tal defeito.

P: Mestre, qual é o centro que vamos utilizar para descobrir as 49 regiões?
SAW:
Bom, está fazendo uma pergunta muito difícil de responder. E eu quero que os aqui presentes me respondam o seguinte: “Qual de vocês está preparado para contar as 49 regiões e estudá-las cuidadosamente? Se há alguém, gostaria de saber… Sinceramente, algum de vocês poderia conhecer as 49 regiões e falar delas? Não há ninguém!

À medida que alguém for avançando no Trabalho, irá descobrindo essas regiões. Antes, é como querer colocar o carro na frente dos bois.

Como disse Jesus Cristo, “De que serviria ao homem conseguir todos os tesouros do mundo se perde a sua Alma? Mais lhe valeria não haver nascido, ou pendurar uma pedra de moinho no pescoço e lançar-se ao fundo do mar”… São palavras do Nazareno. Isto é, quem não trabalha sobre si mesmo perde sua Alma, submerge-se nos Mundos Infernos até a Segunda Morte, é um caso perdido…

Não desejo para vocês tal sorte, é a maior desgraça que pode acontecer a alguém. Mais vale possuir nossa Alma. E só podemos possuí-la quando a cristalizamos em nós mesmos. Alguma outra pergunta?

O Ego é múltiplo, complexo e profundo, e por meio da Auto-observação, Meditação, Compreensão e Oração à Mãe Divina, este vai sendo eliminado, originando a Iluminação autêntica

P: Com relação a nossos defeitos, devido às emoções negativas… O senhor poderia nos dizer alguma forma de equilibrar o Centro Emocional, com relação ao Intelectual ou ao Motor?
SAW:
Sem dúvida, as emoções negativas são muito prejudiciais. Quem é vítima das emoções negativas se torna mentiroso, criminoso, caluniador e perverso.

Suponhamos que alguém diz a um homem que sua mulher está tendo relações amorosas com outro homem. Então, ele se deixa levar por uma emoção negativa e vai tratar de matar a mulher e o outro cavalheiro.

Suponhamos que a notícia seja falsa e que a pobre mulher tinha apenas uma amizade com aquele senhor. Talvez falasse com ele, mas nunca pensou em amores e namoricos, nem em ser infiel ao seu marido. Então, o marido, além de assassino, é caluniador e perverso.

Assim, as emoções negativas tornam uma pessoa malvada. Como fazer para controlar as emoções negativas? Não resta mais que um remédio, cultivar as emoções superiores do Centro Intelectual.

O Centro Intelectual tem a parte Emocional Superior, a parte Motora Superior e a Inteligência da Inteligência. Cultivemos a emoção superior do Centro Intelectual. A música harmônica, a música bela, a música feliz, a pintura, a arte, a beleza, os estudos superiores, a mística inefável, o esoterismo, a Gnose, e assim vamos pouco a pouco controlando as emoções inferiores.

Mas isso não é tudo. Necessitamos por último eliminar os agregados psíquicos do Centro Emocional Inferior. Temos de descobri-los, como trabalham, como se manifestam, como diante de uma notícia falsa nos enchemos de emoções, fazemos um alvoroço, vamos ao fracasso… Há que ir eliminando todos esses agregados.

Temos um amigo aqui no México, por certo um bom amigo… Infelizmente, alguém lhe trouxe uma notícia bastante desagradável. Disseram-lhe que sua irmã havia sido vítima de um roubo.

O homem acreditou ao pé da letra e se encheu de grande ira. Como consequência, está agora em estado de coma, teve uma embolia cerebral. E era um homem muito capaz, muito inteligente e por certo até gnóstico.

Infelizmente, não havia eliminado os agregados psíquicos do Centro Emocional. E, por certo, a notícia era falsa. Foi vítima de uma notícia falsa.

Que caluniou outras pessoas… que havia se enganado sobre sua irmã (este era um homem honrado) e, além disso, prejudicou a si mesmo, praticamente cometeu suicídio. Vejam até onde podem nos levar as emoções negativas.

Por isso é que temos de eliminar os agregados psíquicos das emoções negativas. Agregados psíquicos como os do temor, agregados psíquicos como os da ira, agregados psíquicos como os do ódio, tudo isso é das emoções negativas. Se conseguirmos eliminá-los, já não seremos mais vítimas dessas emoções inferiores. Assim, isso é o que tenho de dizer com relação às emoções negativas.

P: Mestre, o que é que realmente nos ajuda a observar-nos, são os Eus gnósticos que observam ou é o sentido de auto-observação que vai se desenvolvendo pouco a pouco em nós?
SAW:
Pois é a própria Essência a que auto-observa seus processos, assim é.

P: Mestre, poderá existir em nós o Boddhicitta se ainda existem alguns agregados psíquicos?
SAW:
Não é possível!

P: Não pode existir nem um só?
SAW:
Para que o Boddhicitta exista totalmente em nós, necessita-se a eliminação total de todos os elementos psíquicos que carregamos em nosso interior. No entanto, quem os está eliminando começa a dar forma ao Boddhicitta.

O Boddhicitta não poderia surgir da noite para o dia, vai se formando em nós pouco a pouco, à medida que vamos eliminando os elementos psíquicos indesejáveis. Mas para existir cabalmente e de forma total, só quando todos os elementos indesejáveis da psique tenham sido aniquilados.

Por isso se disse no budismo ortodoxo muito rigoroso que “é preciso passar pela aniquilação budista”, palavra que assusta muitos pseudoesoteristas e pseudo-ocultistas.

P: Como nos foi dito, criamos os Egos por não saber digerir as impressões. Poderia nos explicar como digerir essas impressões de forma positiva?
SAW:
É claro que qualquer impressão não digerida se converte em Ego. Se alguém vem e lhe diz que um irmão seu foi enganado, que alguém lhe roubou um dinheiro, e você fica cheio de muita ira e diz: “Vou atrás desse malvado…” Mas se você digere a impressão conscientemente, não se forma nenhum agregado e você não vai atrás de ninguém.

Mas para digerir essa impressão nefasta que lhe trouxeram, você não deve esquecer de si mesmo. Se você esquece de si mesmo e se identifica com o que estão lhe dizendo, não poderá digerir a impressão.

Mas se você não se identifica com o que estão lhe dizendo (devido a que você não esqueceu de si mesmo), então poderá digerir o que estão lhe contando, poderá digerir a notícia e não se formarão novos agregados. Mas se você não digerisse a notícia, poderia se formar um forte agregado de ira.

P: Mestre, ao estudar um defeito, sabemos que tem diferentes agregados; quando vamos destruí-lo e sabemos quais agregados são, o que destruímos primeiro, o defeito ou os agregados?
SAW:
É que o agregado é o defeito, e o defeito é o agregado. Chamamos de “agregados” os demônios vermelhos de Seth; no velho Egito dos faraós, assim se qualificavam os agregados, de “demônios”. Cada demônio é um defeito, cada defeito é um demônio.

P: Com relação aos agregados, existem outros que se desprendem dele?
SAW:
Bom, muitos “compadres”, e isso é natural… Um defeito está associado com outro, e este, por sua vez, está associado com outro. Vejamos uma cena de ciúmes. Um homem tem uma noiva e de repente, um dia qualquer, a encontra na rua, quando menos esperava, em namoricos com outro sujeito, etc.

Qual a primeira coisa que sente? Terríveis ciúmes mortais. A segunda, uma ira tão horrível que poderia matar os dois. A terceira, seu amor próprio ferido…

Aqui mesmo na capital do México aconteceu que o filho aí de um amigo encontrou sua noiva com um conhecido, sacou a pistola e atirou nos dois. Agora está na penitenciária pagando seu delito, 40 anos de cadeia.

Combinaram-se vários elementos. Um Eu de grande ira, que cometeu o homicídio, o Eu dos ciúmes, o Eu do amor-próprio ferido, e isso provocou a tragédia. Esses três estão associados.

Se esse jovem quisesse desintegrar os atores dessa cena, teria de desintegrar todos os três, um por um. De modo que qualquer defeito está associado a outro, isso é óbvio.

(Samael aun Weor, da conferência O Que É a Alma)

Rompendo com os processos mecânicos da vida

6

Meus caros irmãos, nós penetraremos a fundo sobre isso que se chama Consciência.

Muitos acreditam que por meio da Lei da Evolução pode-se chegar à Autorrealização Íntima do Ser, o que não deixa de ser um erro gravíssimo.

Não negamos a Lei da Evolução, é claro que ela existe. O absurdo é atribuir-lhe os aspectos psicológicos que ela não contém. É ostensível que toda subida tem uma descida, é inconcebível uma subida infinita. Se subirmos numa montanha e chegarmos até o cume, inevitavelmente vamos encontrar descida ao vale. Assim são as Leis da Evolução e Involução, meus queridos irmãos.

Observem vocês o que acontece com uma planta, é claro que quando a semente germina, a Lei da Evolução está atuando, ela continua na planta, produzindo as flores, os frutos e as sementes para poder reproduzir-se. Mais tarde, através do tempo, a planta inicia o seu processo involutivo, as folhas vão murchando, até que, por último, a planta maravilhosa se converte num monte de lenha. Essa é a força da Lei involutiva.

Veja o que acontece com os seres humanos, é claro que existem no útero da mulher os processos evolutivos, quando está gestando. Quando a criança nasce ela está em evolução. Conforme passa pelos processos de crescimento, infância, adolescência, juventude, maturidade, ainda está em processo de Evolução, mas logo após começa o processo de involução, e, pouco a pouco, a pessoa vai envelhecendo, num processo de deterioração, igual ao da árvore, e, por último, envelhece e morre.

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Essa é a crua realidade, mas atribuir à Lei da Evolução e Involução os aspectos psicológicos que ela não possui é um equívoco, um absurdo.

O que necessitamos, caríssimos irmãos, é nos separarmos dessas leis mecânicas da Natureza, nos apartarmos da Lei de Evolução e Involução, que constitui o eixo mecânico de toda essa maquinaria que chamamos de Natureza, pois se nós não nos separarmos dessas leis mecânicas, continuaremos metidos dentro do Samsara, ou seja, dentro dessa Roda Trágica de vidas e  mortes…

Precisamos nos colocar na Senda da Revolução da Consciência, esse Caminho que nos tira das Leis da Evolução e Involução…

A Senda da Revolução da Consciência foi ensinada pelo Divino Mestre: “O Caminho  curto, estreito e difícil é o que conduz à Luz, e muito poucos conseguiram caminhar por ele…”

Jesus Cristo não  prometeu o Reino a todo mundo. Se estudarmos cuidadosamente os Quatro Evangelhos, podemos ver que o Mestre dá ênfase às dificuldades para se entrar no Reino. Está escrito: “Muitos serão chamados e poucos serão os escolhidos.”

Mas quando se trata de falar dos “escolhidos”, muitas pessoas se julgam escolhidas, os protestantes acreditam que eles são os escolhidos, os católicos julgam que eles é que os são, cada um que está afiliado a qualquer religião ou seita acha que é escolhido!

Não, devemos ser um pouco mais amadurecidos para entender as palavras do nosso Mestre Jesus Cristo. Para ser escolhido, há que se passar pelo Segundo Nascimento, tal qual Ele deu a Nicodemus, quando lhe disse: “Mestre Jesus, se vê que és um enviado de Deus, senão não poderia fazer tais milagres”.

E Jesus responde a Nicodemus: “É necessário que nasças de novo para poder entrar no Reino dos Céus”. Nicodemus não entendeu e Jesus lhe esclareceu: “És Mestre em Israel e não sabes dessas coisas? Em verdade, em verdade, vos digo, que aquilo que nasce da carne é da carne; e aquilo que nasce do Espírito, Espírito é. É necessário que nasças de novo para poderes entrar  no Reino dos Céus”.

Ou seja, se não chegarmos ao Segundo Nascimento, tampouco poderemos entrar no Reino dos Céus, e para tal não se consegue com teorias ou à base de crenças intelectuais. Necessita-se algo mais…

A Natureza fala por si só. Veja as plantas, todas as criaturas, o nascimento é algo natural e o Segundo Nascimento se baseia nas mesmas forças da Natureza.

Temos falado muitas vezes, de maneira ampla, sobre o que são os Três Fatores da Revolução da Consciência.

MORRER: Sim, é necessário morrer, o Ego deve morrer em si mesmo.

NASCER: É óbvio que se necessita nascer, devem nascer em nós os Corpos Solares, porque só assim poderemos encarnar o Ser.

SACRIFÍCIO PELA HUMANIDADE: É Amor, sacrifício por milhões de seres que povoam este mundo. Esses são os Três Fatores.

Jesus disse isto, sintetizando: “Aquele que quiser vir depois de mim: que negue a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”.

NEGAR A SI MESMO significa dissolver o Ego.

TOMAR A CRUZ e carregá-la nos nossos ombros significa trabalhar na Forja dos Ciclopes, na Nona Esfera, porque a Cruz é eminentemente fálica.

SEGUIR O CRISTO é sacrificar-se pelos nossos semelhantes.

JESUS SEGUE-ME

Necessitamos trabalhar intensamente com os Três Fatores, e só assim será possível se chegar à Autorrealização Íntima do Ser. Mas as pessoas acreditam que unicamente por meio da Evolução chegarão à Autorrealização. Isso é completamente equivocado, porque a Autorrealização não pode ser um produto mecânico da Natureza, ainda que seja de tipo evolutivo.

Muitos acreditam que, por exemplo, através de inúmeras reencarnações se chega à Perfeição, e isso é falso! Muitas pessoas não sabem distinguir a Reencarnação do Retorno.

A reencarnação  foi conhecida na Índia pelo Senhor Krishna, que viveu uns mil anos antes de Jesus. Krishna disse que nem todos os seres reencarnam, e que somente os Deuses, os Devas, os Semideuses, os Titãs etc., são os chamados a reencarnar-se.

Isso poderá parecer estranho a muitos, mas assim o é. Para reencarnar-se, necessita-se de uma Individualidade definida e os seres humanos não a possuem, pois se os observarmos cuidadosamente perceberemos que estão cheios de terríveis contradições.

Cada um sabe que dentro de si leva muitas contradições, e trata de escondê-las naturalmente com desculpas. Mas se pudéssemos nos ver como somos, de corpo inteiro, num espelho, nos encheríamos de vergonha ao contemplar as nossas íntimas contradições. Os motivos destas, a causa primeira, é a Multiplicidade dos Eus, dentro de cada um.

Dentro de cada um dos Cilindros da nossa máquina orgânica temos diferentes Eus. Por exemplo, o Eu do Intelecto diz: “Eu vou estudar um pouco”. Mas entra em choque com o Eu do movimento que diz: “Não, eu tenho vontade de caminhar um pouco”. E logo surge um terceiro na disputa, o Eu da Fome, que diz: “não, eu prefiro comer”. Vejam quantas contradições temos dentro de nós!

Quando um deles chega a se sobrepor sobre os demais, controla o cérebro e os Centros Capitais da máquina orgânica e então, vemos que o indivíduo se apaixona por uma ideia ou por uma pessoa do sexo oposto etc.

Mas logo veremos que aquele eu que havia jurado amor eterno ou lealdade a uma causa se retira, deixando todas as pessoas perplexas e atônitas…

O corpo humano é uma máquina controlada por múltiplos Eus. Seria um absurdo imaginar que esses Eus reencarnam. Quando chega a hora da morte, o que continua além do cemitério, é uma Legião de Demônios-Eus que personificam os nossos erros. Depois de certo tempo, esses Eus-Diabos retornam regressam, se reincorporam  num organismo, e ao retornarem repetem exatamente todas as ações de suas vidas anteriores… essa é a Lei da Eterna Recorrência.

Assim é que a Lei do Retorno ou Recorrência governa toda a Humanidade. Como então se pode falar de Reencarnação nesse sentido? Ela é para os indivíduos que já não possuem Ego, para os indivíduos que são puro Espírito, para os indivíduos Sagrados.

A reencarnação foi confundida com a Lei do Eterno Retorno: todos retornam, mas nem todos reencarnam, porque não são indivíduos Sagrados. Se quiser reencarnar, necessita-se morrer de instante a instante, eliminando o Ego, para que a Essência, que está presa entre esses múltiplos “Eus-diabos” que carregamos dentro nós se liberte.

Conforme cada Eu  se desintegra, a Essência vai se tornando cada vez mais livre, começando a tomar uma forma definitiva e estabelecer dentro de nós a Pérola  Seminal da qual nos fala o TAO. Mais tarde, através do tempo, a pérola seminal se transforma num “Embrião Áureo”, que vai se desenvolvendo cada vez mais e mais, conforme os Eus vão sendo desintegrados.

Quando o Embrião Áureo se estabelece em nós,  desenvolvemos um equilíbrio completo entre o Material e o Espiritual, dando-nos uma individualidade definida. Quando todo o Ego tiver sido pulverizado, a nossa Consciência despertará, tornando-se iluminada e resplandecente, podendo mover-se livremente pelo Espaço Infinito.

O importante é que esse trabalho de “Morrer” faz vocês reduzirem o Ego a cinzas.

É muito importante que vocês também aprendam a manejar a Energia Criadora, lembram vocês que nos Mistérios Gnósticos, sempre aparecem as figuras do CÁLICE e da LANÇA. O Cálice representa o Yoni feminino e a lança, a força masculina.

Os grandes sábios da Antiguidade aproveitavam o Sahaja Maithuna para aniquilar os Eus, para reduzi-los a cinzas… Fala-se sempre da Cópula Metafísica e que durante o momento supremo se pode pedir à Divina Mãe Kundalini, para que Ela use a Lança, ou seja, a Força Sexual, para reduzir a cinzas esses Eus que controlam o organismo humano.

E conforme vai se desintegrando, vai se estabelecendo dentro de nós a Pérola Seminal, que mais tarde se converte numa Flor Áurea ou no Embrião Áureo. Esse é o mistério que temos de entender a fundo…

Quanto às pessoas que não têm conjugue, sejam mulheres, sejam homens, devem compreender o erro que vão eliminar, e uma vez bem entendido, então se suplica à Mãe Kundalini, para que elimine o Eu que personifica o tal erro psicológico.

A diferença entre os solteiros e os casados é que os últimos, como dispõem da Força da Lança, podem destruir esse Eus mais rapidamente.

Agora, os solteiros podem destruir os Eus, pedindo à Mãe Kundalini. No entanto, quando se trata de destruir, por exemplo, os Três Traidores ou ir mais longe, a eliminar, por exemplo, o Dragão das Trevas, e muitos outros elementos subjetivos malvados que o ser humano carrega nas suas profundezas do INFRACONSCIENTE, necessita terminantemente do Poder da Lança, durante o Sahaja Maithuna.

A luta contra nosso Ego sempre foi representada por todos os mitos, religiões e simbologias esotéricas. Exemplo dessa luta: a decapitação da Medusa, a morte de Golias, a expulsão dos mercadores do Templo, a morte dos Infiéis e a morte do Minotauro, entre outros
A luta contra nosso Ego sempre foi representada por todos os mitos, religiões e simbologias esotéricas. Exemplos dessa luta INTERNA: a decapitação da Medusa, a morte do gigante Golias, a expulsão dos mercadores do Templo, a morte dos Infiéis e a morte do Minotauro, entre outros

O processo de Morrer é bastante profundo, mas quanto ao processo de Nascer, é óbvio que temos de trabalhar com os Hidrogênios e isso é coisa do Maithuna, que mediante um choque especial, como expliquei já tantas vezes, se faz passar as notas musicais, Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá e Si, que depois de saturar as células, vai cristalizando o nosso Corpo Astral.

E quando faz passar o Hidrogênio Sexual a uma terceira Oitava superior, então se fabrica, através das notas Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá e Si,  o Corpo Mental.

Quando se eleva o Hidrogênio Sexual a uma Quarta Oitava superior, passando novamente pelas sete notas musicais, se cristaliza o Corpo Causal, ao chegar à esta altura podemos encarnar isso que se chama de “Alma Humana ou Causal”, o terceiro aspecto da tríada “Atman-Buddhi-Manas”. Aí teremos então, um Homem  autêntico.

Pergunta: Mestre, li algo sobre a Roda do Samsara que dizia que a Alma passa por diferentes etapas, começando por Áries e seguindo sucessivamente por todos os signos do Zodíaco, o que poderia nos dizer à respeito?
Samael Aun Weor: É claro que os seres humanos nascem sob um ou outro signo zodiacal; tudo depende da Lei do Karma individual. Quando o iniciado se liberta da Lei da Recorrência, ele pode escolher o Signo Zodiacal à vontade. A sabedoria hindu nos fala das “12 Nidanas”, as 12 causas da existência, que estão relacionadas com os 12 Signos Zodiacais. Nos Mundos Superiores existe o Templo do Zodíaco, com os seus 12 Santuários.  Quando o Iniciado quer tomar um novo corpo físico, entra no Santuário desejado. Isso é o que eu tenho para dizer a vocês, é bom que eliminem de suas mentes esse Dogma da Evolução, porque conduz muitas pessoas ao erro.

P: Mestre, é sobre a Lei da Recorrência, sobre a repetição de tudo o que nós fizemos anteriormente, mas me parece que deve haver algumas variações.
SAW: Existem repetições exatas e pequenas variações, como você afirma. Conforme se vai despertando Consciência, se vai ficando livre dessa Lei da Recorrência. E quando desperta totalmente, se liberta dessa Lei.

Mas existem, em alguns lugares do mundo, pessoas que repetem exatamente toda a sua vida anterior, nos mínimos detalhes; gente que nasce no mesmo povo, se casa na mesma idade, organiza a sua vida economicamente da mesma maneira.

Essas pessoas às vezes se fazem proféticas e dizem que, “ quando tiver 20 anos terei um negócio de tal forma, quando tiver 40 anos terei tantos filhos e minha vida será desta maneira…” E mais tarde, pode-se comprovar que essas profecias dessas pessoas se cumpriram exatamente como previam…

Então, se não temos suficiente compreensão, chega-se a pensar que essas gentes são intuitivas ou proféticas. Mas não é nada disso: o que acontece é que essas pessoas, como repetem sempre a mesma coisa já sabem o seu papel de memória.

Dissolver o Ego, por só assim despertaremos a Consciência, e desta forma nos libertaremos da Lei da Recorrência.

P: Mestre, quando se fabricam os Corpos Solares e não se desperta a Consciência, nesses casos o que acontece?
SAW: Não há dúvida que muitas pessoas fabricam os Corpos Solares e não dissolvem o Ego, e ao não dissolvê-lo tampouco despertam a Consciência e se convertem num “Hanasmussen”, com duplo centro de gravidade, um fracasso cósmico.

O trabalho deve ser completo, é necessário eliminar o Ego e fabricar os Corpos Solares. Com a mesma força sexual que se constroem os Corpos Solares, se dissolve o Ego. Quem aprende a manejar a Lança, ou seja, a Força de Eros, pode com tal poder eliminar o Ego. O importante é que durante a cópula alquímica há que se dirigir toda a força sexual para dentro e para cima, através da Divindade, à Divina Mãe Kundalini.

Nesses instantes se roga a Kundalini, pedindo-lhe para que empunhe a Lança de Eros e reduza a cinzas o defeito compreendido, e assim vamos morrendo pouco a pouco, e quando conseguirmos a morte total dos nossos agregados psicológicos, virá o despertar da nossa Consciência Cósmica.

Um Hasnamussen é um ser que tem duplo centro de gravidade, são duas entidades, por uma parte é o Ego diabólico, terrível e perverso, e por outra parte é o Mestre Secreto, vestido com os Corpos Solares; tem dentro de si um Mestre Branco e outro Negro, um aborto da Mãe Cósmica! Eu não quero que vocês venham a fracassar, compreendam a fundo o que têm de fazer…

P: Mestre, fale-nos sobre as 108 vidas e os 3 mil ciclos da Roda de Samsara.
SAW: Toda Mônada Divina tem 3 mil oportunidades, e cada ciclo inclui não somente as evoluções através do Mineral, do Vegetal e do Animal, como também as 108 Vidas humanas. É claro que se essas 108 Vidas não são devidamente utilizadas, vem o fracasso. Então, a Consciência inicia o processo involutivo, ingressando nos Mundos Infernais, retrocede no tempo, passando pelos processos animais, vegetais e minerais…

Quando chega ao estado fóssil, ou mineral, os Eus se reduzem a pó cósmico e aí a Essência sai novamente à Luz do Sol, desnuda, limpa, pura, para iniciar um novo ciclo, que começará da pedra ao vegetal, dele ao animal, e por último conquistará o estado humano que outrora perdeu.

Ao entrar outra vez neste novo estado humano, dão-lhe o mesmo que antes, 108 Vidas, e se as utiliza bem, maravilhoso! Se não a utiliza adequadamente, repete o processo.

De maneira que os 3 mil ciclos é o que se dá à Mônada Divina para a sua Autorrealização Íntima do Ser. Mas se ela não souber usar os 3 mil ciclos, se fracassar, as oportunidades se fecharão e então ela é absorvida no Seio do Espírito Universal da Vida para sempre.

É uma Mônada  que gozará da felicidade como todas elas, mas não será uma Mônada Mestre, terá fracassado nas suas tentativas de conseguir a Maestria.

A Mônada não é Atman, Budhi ou Manas dos quais a Teosofia fala, ela está mais dentro, é o Ancião dos Dias e dentro d’Ele está o Cristo e a Força Sexual que é o Espírito Santo… Essa é a Mônada. Ela tem de mandar a Essência tomar um corpo, uma forma no Laboratório da Natureza, com o objetivo de transformar-se em Alma, em Consciência Desperta.

Quando o ser humano triunfa, quando a Consciência se autorrealiza, se liberta da Mente, penetrando em Atman, no Inefável, e muito mais tarde, no Ancião dos Dias, e assim se autorrealiza.

E muito mais tarde é absorvido por ISHWARA, aquele Raio de onde saiu o Ancião dos Dias, convertendo-se num LOGOS.

Desta forma, liberta-se do Sistema Solar, com direito de viver nos Mundos do “Parama-Pada”, enquanto chega a Noite Cósmica profunda.

Ao chegar a Noite Cósmica, ou Grande Pralaya, é absorvido no Espaço Abstrato Absoluto e ali viverá durante Sete Eternidades em felicidade inconcebível…

Depois, num futuro Mahavântara, é óbvio que terá de voltar e entrar numa nova atividade, para Ciclos ou Idades Transcendentais do  Espírito, de Ordem Superior, sobre o qual falarei depois,  pois este não é o momento indicado.

Paz Inverencial!

Samael Aun Weor

Disfunções no trabalho do Centro Instintivo

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“O corpo planetário ou corpo físico às vezes se encontra doente, às vezes são e assim sucessivamente. Cremos sempre ter algum conhecimento de nosso corpo físico, mas, na realidade, nem os melhores cientistas do mundo sabem muita coisa sobre o corpo de carne e osso. Não há dúvida de que o corpo físico, dada sua tremenda e complexa organização, está muito além de nossa compreensão.

Pode acontecer o caso concreto de que estejamos equivocadamente relacionados com o corpo físico e, em consequência disso, ficamos doentes.

Quando uma pessoa se dá o “choque da recordação de si”, produz-se realmente uma mudança milagrosa em todo o trabalho do corpo, de modo que as células recebem um alimento diferente.

O Átomo do Inimigo Secreto invade nossa psique primeiro pelo Centro Instintivo
O Átomo do Inimigo Secreto invade nossa psique primeiro pelo Centro Instintivo

O centro de gravidade deste cilindro encontra-se na parte inferior da espinha dorsal, entretanto, sua influência abarca todo o organismo humano.

As funções específicas do Centro Instintivo não devem ser confundidas com as do Centro Motor, pois são diferentes, mesmo quando, conjuntamente com o Centro Sexual, estão destinadas a trabalhar coordenada e harmoniosamente.

Por isso, no Gnosticismo Universal fala-se dos TRÊS CÉREBROS, a saber: Cérebro intelectual, Cérebro Emocional e Cérebro Motor-Instintivo-Sexual.

Deve-se ter em conta, no entanto, que as funções motrizes são adquiridas, devem ser aprendidas, ao passo que as funções instintivas são inatas.

Algumas funções do Centro Instintivo: respiração, circulação sanguínea, digestão e, em geral, todo trabalho interno do organismo, além dos reflexos, que também pertencem a ele.

O Centro Instintivo recebe ordens das forças cósmicas e telúricas (superiores ou inferiores), e em seguida esse mesmo Centro regerá os movimentos hormonais (essa é uma das causas das influências cósmicas sobre nossos temperamentos).

O instinto sexual, o instinto de conservação da vida e outras funções instintivas normais estão lamentavelmente adulteradas. O Centro Instintivo trabalha de forma independente e possui, em si mesmo, as condições necessárias para enfrentar a vida.

Esta é a representação hindu do chacra Muladhara, ou Básico, que é a Chave para se influenciar o Centro Instintivo

A Consciência deveria manejar as funções instintivas, pois tem poder para fazê-lo, porém, nas atuais condições do “humanoide”, essas funções realizam-se sem a intervenção da Vontade e da Consciência. Convém assinalar que toda enfermidade física é provocada pelo trabalho equivocado em todos os Centros, pelo domínio que sobre eles exerce o Eu da psicologia experimental.

Os impactos do Eu adoecem o Corpo Vital e o danificam, com repercussão imediata em todos os Centros, muito particularmente no Instintivo.

À medida que esse e todos os Centros vão ficando a serviço da Essência, toda possibilidade de enfermidade desaparecerá. Trabalhar esotericamente sobre o Centro Instintivo implica auto-observar as sensações, questão esta de suma importância, dado que as impressões chegam até nós pela via dos cinco sentidos.

Ao Centro Instintivo corresponde o papel principal na ciência da transformação das impressões. Em outras palavras, o trabalho equivocado dos Centros não pode ser corrigido se não se estudam, se compreendem e se eliminam as atividades errôneas do Centro Instintivo, o que de fato exige um saber adequado e um método que permita seu desenvolvimento harmônico.

Nos momentos de inconsciência total, as funções normais do Centro Instintivo entram em um processo involutivo, descendente, infranormal, e as impressões que se recebem do mundo exterior não são transformadas. Ao tratar de se adaptar às condições desfavoráveis para a vida, este Centro traz à existência alguns Eus Infrainstintivos, terrivelmente negativos.

O estudante gnóstico que almeja estabelecer o equilíbrio deste Centro deverá trabalhar na eliminação de certas formas bestiais, infra-humanas e infraconscientes, como a brutalidade instintiva, os instintos criminosos, o ódio, a luxúria, as psicopatias etc.

Qualquer ego pode ocasionar graves danos em algum dos cilindros, porém, os que provocam explosões difíceis de controlar são precisamente os “agregados” que se situam no Centro Instintivo, o qual é 30 mil vezes mais rápido que o Centro Intelectual.

Os eus instintivos são a representação real da parte animalesca de cada um de nós, vale dizer, são entidades que se desenvolvem no estado de Eikásia, ou sono absoluto da Consciência. Por isso, os sonhos relacionados com este Centro são demasiado confusos, quase impossíveis de decifrar.

Algumas dessas entidades ou eus provocam, ao se manifestarem, os crimes mais espantosos: estupros, paixões sangrentas, serial killers, pedofilia, desejos bizarros e infrassexuais etc.

Tais defeitos psicológicos, que tergiversam os instintos normais do ser humano, têm sua origem no Órgão Kundartiguador, inserido precisamente no Centro Instintivo. Resta dizer que o estudo da função instintiva, assim como o dos outros Centros, escapa sempre às análises normais do racionalismo especulativo e aos métodos intelectuais da psicologia ocidental.

O Centro Instintivo rege os Sistemas Simpático e Parassimpático
O Centro Instintivo rege os sistemas autômatos do Simpático e do Parassimpático

Nunca devemos esquecer, neste sentido, que o autoconhecimento, ou autognose, é um atributo da Consciência Superlativa do Ser.

Num passado remoto, a humanidade possuía a Razão Objetiva, elaborava seus conceitos com os dados da Consciência, que, por sua vez, utilizava um Centro Instintivo absolutamente perfeito. Então, não existia o Ego, e o Ser percebia o mundo e seus fenômenos através de uma Consciência iluminada e desperta.

Restituir essa pureza original é o objetivo do trabalho sobre os cinco Centros da máquina orgânica, muito especialmente do Instintivo. A degeneração dos cinco sentidos, somada ao fato de que o animal intelectual elabora seus conceitos a partir das percepções externas, explica por que foram adulteradas as diferentes manifestações da Ciência, da Arte, da Filosofia e da Religião.

O SENTIDO DE NOVIDADE, a CAPACIDADE DE ASSOMBRO, o OLHAR tudo de uma maneira nova, ou seja, em estado de PERCEPÇÃO-ALERTA, é um auxílio extraordinário para a percepção correta do mundo físico.

Obviamente, quando aprendemos a olhar a vida sem nenhum tipo de associações, as impressões são transformadas e atingem diretamente a Consciência. O trabalho correto sobre o Centro Instintivo consiste, então, em capturar as impressões sem traduzi-las.

Há que se aprender a ver, degustar, ouvir, cheirar e apalpar em estado de profunda concentração, em estado de “Recordação de Si”, o que somente é possível observando o ponto por onde entram as impressões e utilizando, como já dissemos, o Primeiro Choque Consciente.

A ação do Ego através do Centro Instintivo se dá mediante nas sensações e a satisfações dos desejos. Primeiro vem a sensação, ou seja, o impacto do mundo externo através dos cinco sentidos. A seguir vem o desejo, produzido pela identificação do sujeito com o objeto.

O eu pluralizado busca sempre aquelas sensações que lhe possam dar a tão almejada satisfação. O Ego deseja riquezas, poder luxo. O Ego busca, sobretudo, sensações e satisfações instintivo-sexuais.

Quando uma pessoa aprende a se dividir entre observador e observado, pode então conhecer a causa dos desejos.

Para autocomprazer-se, o Ego busca sensações cada vez mais fortes: drogas, paraquedismo, corridas de automóveis etc., o que sem dúvida o fortalece terrivelmente e degenera ainda mais o Centro Instintivo. O estudante gnóstico deve autoexplorar seu próprio Ego, a fim de compreender o que são os desejos e as vontades enfrascados nos Eus.

Essas vontades nos obrigam a satisfazer os desejos, convertendo-nos em criaturas impotentes, fracas, miseráveis, incapazes de se sobrepor às circunstâncias.

Por outra parte, as condições inadequadas e desumanas nas quais se devolve a vida moderna, os alimentos artificiais e contaminados com produtos químicos, o empilhamento nas grandes metrópoles, a fumaça, o escasso contato com a Natureza etc., fazem difícil a regeneração definitiva e profunda do Centro Instintivo.

No entanto, mediante um processo de seleção das impressões, ingestão de alimentos puros e ar igualmente puro é possível criar as energias necessárias ao bom funcionamento do Centro Instintivo.

Para Saber Mais:
Os cinco centros e suas disfunções
Disfunções no trabalho do centro intelectual
Disfunções no trabalho do centro emocional
Disfunções no trabalho do centro motor
Disfunções no trabalho do centro sexual
Como acessar o centro emocional superior

Liberdade e autognose

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Um dos principais ensinamentos que o venerável mestre Samael Aun Weor, líder mundial das instituições gnóstico-esotéricas, deixou gravadas com fogo no fundo de minha Consciência foi o de encarnar o “espírito de liberdade e de ter uma livre maneira de pensar.

A obra psicológica que o VM Samael construiu em mim foi a de me formar como homem livre, no sentido mais completo da palavra. Por essa mesma razão é que em todas as partes do mundo me chamam de “formador de homens livres”.

Ter fortes asas de liberdade constitui uma das principais heranças de sabedoria que o Mestre Samael me deixou. É esta joia mental que quero compartilhar com todos aqueles que desejam ter em sua psique os “átomos libertadores”, tão admirados e promulgados por Samael, que é a Força Libertadora de Deus em ação.

Quero transcrever trechos de uma magna obra, escrita por Samael. Não quero mencionar o título da mesma, ou o capítulo, a fim de motivar o leitor a investigar este texto por meio da meditação profunda. O VM Samael ensina:

“A humanidade quer pôr um abismo entre o humano e o divino, e aí está precisamente o erro do homem, porque dentro de si mesmo está o Divino, o Íntimo – AUTOGNOSIS –, que quer se atualizar mediante a Senda da Vida Diária. No entanto, o homem – e o estudante gnóstico também – busca escapatórias. Com todas as suas crenças – a interpretação pessoal da doutrina de Samael –, o que o homem faz é afastar-se de si mesmo.”

O homem que se afilia a escolas materialistas ou espiritualistas – até às mesmas instituições gnósticas – busca somente escapatórias; quer eludir o conflito ou tirar o corpo fora. Sente medo e preguiça de conhecer a si mesmo para resolver seus próprios conflitos. As escolas, crenças e filosofias são formas fictícias de consolo.

A verdade não consiste em ser materialista ou espiritualista, mas em ser realista, ou seja, realizar-se a fundo, abordar a si mesmo, ajuizar sua personalidade sem orgulho de virtudes (porque todo mundo sente orgulho de ser virtuoso), sem hipocrisias, sem poses falsas ou piedades fingidas… sentando nossa personalidade no banco dos acusados para julgá-la sem consideração alguma, severamente.

Assim, o homem deve traçar uma disciplina moral e ética para acabar com as raízes mais íntimas de seus próprios conflitos, porque estes são filhos de sua própria ignorância – falta de autognosis.

Esses conflitos individuais somados redundam nos conflitos sociais – e até mesmo dentro das instituições gnósticas, maçônicas, teosóficas etc.

Hoje, mais que nunca, é necessário que o homem comece a pensar por si mesmo – a livre maneira de pensar, que o VM ensina em seu livro Educação Fundamental. As pessoas não querem usar seu critério, preferem se acomodar ao alheio e opinam como pensam seus chefes.

O problema da massa é o problema do indivíduo. Enquanto este não aprender a resolver seus próprios problemas, a humanidade estará cheia de incertezas, sofrimentos e calamidades que, em vão, seus líderes políticos tentam solucionar, porque eles mesmos estão cheios de problemas para tentar resolver os dos outros.

Hoje, as massas decepcionadas aspiram à catástrofe porque estão martirizadas. Deste modo pretendem sair rapidamente de sua desesperação. Por isso, diariamente, ouvimos frases como esta: “Antes de ser colhido, é melhor cair!” Isso dá uma ideia clara do desespero das massas e da magnitude da catástrofe.

A mente do homem terá de se libertar das trevas do desejo, dos apetites, da vida fácil, das ânsias de acúmulo, e do egoísmo, porque tudo isso faz a mente reagir, incapacitando-a a discernir entre o real e o ilusório, o mutável e o permanente, o útil do inútil – como é o caso concreto dos estudantes gnósticos que caem na rede dos falsos profetas.

A mente do homem atual é como um barco que vai de porto em porto, e cada porto é uma escola, uma teoria, uma crença, uma seita, um partido político, um conceito de bandeira, uma filosofia, uma religião. Enquanto a mente se ancore nesses fundos mentais, então, ela se encerra dentro deles para agir e reagir incessantemente, com seus preconceitos estabelecidos.

Uma mente assim está incapacitada para compreender a vida livre em seu movimento. Uma mente assim é escrava do Ego animal e das energias estancadas da vida, onde existem conflitos, lutas de classe, fome e dor.

A mente do homem necessita se libertar do batalhar das antíteses que a dividem e a incapacitam como instrumento do Íntimo.

O homem racional, por meio da escolha mental, comete o erro de dividir a si mesma. Disso resulta a ação equivocada e o esforço inútil (onde surgem o conflito e a amargura). Se quisermos resolver, por nós mesmos, nossos problemas individuais, temos de aprender o uso e o manejo da mente.

A meditação é o Pão diário da Sabedoria do gnóstico.
A meditação é o Pão diário da Sabedoria do gnóstico, pois nos conecta com a Fonte da Vida, o Ser Divino

O pensamento deve fluir integralmente, sem o processo da opção que divide a mente em opiniões tão opostas. A mente deve fluir serena, inteira, como o doce fluir do pensamento guiada unicamente pela intuição, que é a voz do Íntimo e a flor da inteligência. Disso resulta a reta ação, o reto esforço e a plenitude perfeita.

A chama evocadora da Nova Era é a Luz do Pensamento. O homem não vive o presente, mas em meio a experiências do passado e a preocupações do amanhã. Vê o presente através do colorido das experiências do passado. Por conseguinte, mira um presente desfigurado. Ele não percebe a realidade presente, e obstinadamente, chama a si mesmo de “homem prático”.

O Novo Mundo não será um mundo de conquistas militares, ou de linhas fronteiriças, mas sim de um novo estado de consciência, que já está nascendo à margem de todas as limitações. As bandeiras estão cheias de danos ancestrais e tudo isso pertence ao passado, ao que já deu seu fruto.

Desde já, ressoarão os sinos da Páscoa da Ressurreição de Aquário. Quando a Grande Chama do Entendimento iluminar a terra, fará com que todos os problemas do mundo desapareçam e não haverá senão Felicidade.

O Amor é a base d vida e é conveniente falar de amor à luz da Ciência Oculta. É necessário um Conhecimento mais profundo (Gnose) sobre a vivência íntima do Amor!

Ali Onaissi – Jornalista, escritor e coordenador do Portal GnosisOnLine

A origem do Eu sob a luz da Gnose

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O mais importante é o despertar da Consciência. A humanidade primogênita e paradisíaca estava desperta. Desgraçadamente, devido a erros de certos indivíduos sagrados, o cometa Condoor chocou-se com o planeta Terra e como resultado, as capas geológicas da Terra ficaram instáveis. Terremotos e maremotos sacudiram as entranhas do continente Um, ou Lemúria, trazendo perigo para a vida orgânica terrestre.

Foi então quando chegou ao nosso mundo uma comitiva de indivíduos sagrados, entre eles se encontrava o mui respeitável e venerável Arcanjo Sakáki. Eles estudaram o problema e chegaram à conclusão de que se deveria dar à humanidade o Abominável Órgão Kundartiguador, uma espécie de apêndice da coluna vertebral, tal como vemos hoje nos macacos, orangotangos, gorilas etc.

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O nosso organismo é uma máquina e, como tal, absorve energias cósmicas do Megalocosmo e as transforma automaticamente, retransmitindo-as para as capas geológicas da Terra. Desta forma, a Terra se alimenta, como um organismo vivente, de todos os tipos e subtipos de energias cósmicas.

Não há dúvida de que as plantas também servem de canal para as energias que vêm do universo. O mesmo pode ser dito sobre as distintas espécies bicerebradas e unicerebradas, entretanto, os tipos de energia recolhidos pelos tricerebrados são mais úteis para as entranhas da nossa Terra.

Quando fizeram uma modificação orgânica, modificaram-se também as forças que penetravam no organismo humano. Nós nos tornamos lunares devido ao Abominável Órgão Kundartiguador, e consequentemente se estabilizaram as capas geológicas da Terra, cessando assim os espantosos terremotos e maremotos do fundo do Pacífico que eram tão frequentes naquela época.

Mas não faltaram equívocos. Se a colisão de mundos se deu devido os equívocos de certos “Indivíduos Sagrados”, não menos equivocado também foi o Arcanjo Sakáki e sua altíssima comitiva, pois se equivocaram com suas matemáticas transinfinitas em relação ao tempo de duração do Órgão Kundartiguador.

O nosso respeitável Arquisserafim Looisos percebeu a questão e tentou intervir para eliminar da humanidade o tão nefasto órgão, mas já era demasiadamente tarde… E esse equívoco nefasto tornou a humanidade doente; quando esse órgão desapareceu da anatomia humana, vieram as consequências dos mesmos nos cinco cilindros da máquina orgânica (que são os centros intelectual, emocional, motor, instintivo e sexual).

O centro intelectual encontra-se localizado no crânio, dentro do cérebro intelectivo. O emocional, no coração e nos centros nervosos do grande simpático. O motor se encontra situado na parte superior da coluna vertebral. O instintivo se encontra na parte inferior da própria coluna, na região lombar. O centro Sexual se encontra localizado nos órgãos de geração.

Vejam vocês as consequências do citado órgão, foram se cristalizando nos centros da máquina humana os chamados agregados psíquicos! O Ego em si mesmo e por si mesmo é a soma de todos esses agregados, consequência do Abominável Órgão Kundartiguador. Tais agregados psíquicos estão devidamente classificados na psicologia experimental e que os principais são: Ira, Cobiça, Luxúria, Avareza, Preguiça, Orgulho e Gula.

É claro que se fizéssemos uma verdadeira lista, nos assustaríamos, como bem disse o poeta Virgílio, de Mântua: “Ainda que tivéssemos mil línguas para falar e palato de aço, não alcançaríamos enumerar todos os nossos defeitos literalmente”. Tais defeitos ou agregados psíquicos eram conhecidos no Egito dos faraós com o nome de “Demônios de Seth”.

Se antes a Consciência se achava desperta integralmente cem por cento, motivo pelo qual gozava do estado paradisíaco ou edênico, ao cair presa se tornou condicionada e caiu no processo hipnótico do sonho. Hoje, na verdade, os seres humanos se encontram submetidos à “Hipnose Coletiva”, quero dizer de forma enfática que a Força Hipnótica da natureza influencia a todos os seres humanos. Infelizmente nos damos conta do hipnotismo só quando a força hipnótica se manifesta numa sessão de hipnose.

O certo é que o hipnotismo flui em todas as direções. Nos antigos tempos, representou-se o Galo dos Abraxas com uma dupla pata de serpente, e isto nos convida a pensar no Ob e no Od do distinto cavalheiro Reichenbach.

“Existem duas Serpentes”, diz Eliphas Levi, uma é a que ascende pela Vara de Esculápio, o Deus da Medicina, e a outra é a horrível serpente Píton, de sete cabeças, aquela que se arrastava pelo lodo da terra e que Apolo, irritado, a feriu com suas flechas.

Na linguagem rigorosamente bíblica, diríamos que a primeira é a Serpente de Bronze que curava os israelitas no deserto, aquela que se enroscara no Lingam Gerador ou no Tao bíblico de Moisés. A segunda é a Serpente Tentadora do Éden. Assim é que quando ela ascende pela coluna vertebral, nos ilumina, transforma e revive totalmente na luz, como também sabemos que o nosso Cristo, o nosso Redentor Íntimo, de acordo com a Filosofia do Salvator Salvandus, o Adorável, nada poderá fazer sem a Serpente; ela é o resultado das transmutações da libido, que tanto preocupou o pai da Psicanálise, o senhor Sigmund Freud.

No seu aspecto negativo, a Serpente Ígnea de nossos poderes mágicos é a tentadora Serpente do Éden, o Abominável Órgão Kundartiguador, a horrível Serpente Píton…

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Nos tempos antigos lemúricos, a Serpente Sagrada ascendia vitoriosa pela Árvore da Vida e isto se encontra representado em nosso organismo pela coluna vertebral do asceta gnóstico. Sem dúvida, através dos rituais nefastos, misturados com o pecado original, desenvolveu-se, cada vez mais, a Píton, dentro do osso cóccix até os mundos infernais do homem. Entretanto, se isso não houvesse acontecido, as péssimas consequências dessa abominação, teríamos hoje a Consciência Objetiva Desperta.

Essa pobre humanidade foi vítima dos equívocos de alguns indivíduos sagrados e isso é lamentável. É claro que eles terão de sofrer as consequências de seus erros num futuro Mahavântara para cancelarem suas dívidas.

Eles não são perversos, nada disso, tenha-se em conta que o mui respeitável e venerável Arcanjo Sakáki é um dos Quatro Tetrassustentadores da nossa humanidade. Lamentamos que não houvesse tido tempo para corrigir o estrago, pois a sorte desta humanidade seria outra…

Bem, hoje temos de aceitar as coisas como são, na verdade é que a nossa Consciência se encontra dormindo e presa nos Egos, e isto é terrível. Os habitantes da Terra são anormais, têm uma psique subjetiva, incoerente e imprecisa. Agora vocês podem deduzir as consequências…

Dificilmente seria possível a um casal humano (marido e mulher) ser feliz; dificilmente seria possível que reinasse a paz entre as nações, dificilmente seria possível que as pessoas tivessem uma conduta reta, movida pela ética e pelo amor. O estado de inconsciência humana é espantoso, e sua anormalidade é total.

Temos citado os sete pecados capitais, observem vocês o desequilíbrio que os mesmos originam.

Observem cuidadosamente um sujeito irado: os olhos saltam, pronunciam-se palavras incoerentes, dizendo palavrões, apertando os punhos das mãos, com trincar dos dentes. Inquestionavelmente, um sujeito assim, num mundo avançado seria levado não à cadeia, mas a uma clínica, o que é diferente, pois ele é um enfermo mental, um anormal.

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Observem um avarento, ele deseja de forma desmesurada um punhado de dinheiro, talvez uma casa maior; com o tempo pensa em se tornar muito rico… Ou deseja um pedaço de terra sem função social; é um anormal, é comum entre eles a preocupação quanto ao trabalho, e deseja avidamente obter promoções em algumas grandes empresas e com tal estresse adquire no seu organismo úlceras estomacais e fica apavorado ante a possibilidade de não realizar uma venda, ou de perder tudo…

Olhem agora um luxurioso, que atua como as bestas e talvez pior ainda, porque vocês nunca viram um touro buscar sexualmente a sua fêmea quando ela está desenvolvendo o seu mênstruo universal. O luxurioso é capaz de tudo isso e mais ainda. Pode converter-se num violentador, e neste caso é pior que os brutos, é algo impossível de descrever com palavras um demente satírico, produto de tais criaturas que sempre vão ao fracasso.

No terreno da literatura temos Satíricon, obra que Petrônio escrevera na época da decadência romana. Uma vez estudei tal livro, não de forma total, cheguei até a metade e o joguei com grande asco. Sem dúvida, essa obra foi muito apreciada nas épocas de Nero e pelos retóricos de Roma.

O que diremos dos invejosos? Quanto eles sofrem para adquirir o bem alheio! Se tiver um automóvel, choram e desesperam-se quando veem que um vizinho seu tem um carro melhor; se a sua casa é humilde, sofrem o indizível se um amigo tem uma casa melhor. Sempre questionam como é possível que seu amigo tenha uma mansão mais bela, se ele foi seu companheiro de escola. Por que ele tem muita sorte, “e aí vem a calúnia”, provavelmente andou fazendo algo não respeitável para adquirir mais do que eu etc.

Quando penetrei nos Arquivos Akáshicos, mencionados por Leadbeater, Annie Besant e Blavatsky, entre os muitos homens encontrei um que na vida foi conhecido com o nome de Napoleão Bonaparte. Entretanto, aquele homem morava na Região dos Sacramentos, vestia-se com seu manto de Imperador e, imponente, caminhava com um olhar de sonâmbulo, convencido de que governava.

E perguntei-lhe: “Quem és tu?” Resposta: “Eu sou o Imperador Napoleão Bonaparte, o Imperador da França e Rei de Roma…” O seu orgulho era insuportável, sem dúvida, naquele espaço psicológico o orgulho lhe fazia parecer ridículo no sentido mais completo da palavra.

O orgulhoso pode ser ferido mortalmente pelo justo; cai estrepitosamente o orgulhoso ante a palavra do justo; o pior inimigo do orgulho se chama “justiça”.

O orgulhoso é um anormal, vê todo mundo de “cima”, seu comportamento estranho é ridículo, acredita que é muito importante quando na realidade é extremamente insignificante. Tudo é orgulho nas suas atitudes, o seu modo de caminhar e o seu modo de proceder com seus semelhantes, ele delira e acredita que é colossal, para o orgulhoso isso é perfeitamente normal.

O que diremos do preguiçoso? É também um anormal, não quer trabalho, adora a inércia, não faz nada para viver. No terreno da agricultura não faz nada; nos lugares onde os agricultores são preguiçosos, há fome e desolação; em todos os campos da sua vida prática há estancamentos.

Ainda que surge uma atividade, prefere a sua rede de descanso, não faz nada quando deveria fazer; quer comer sem trabalhar; quer existir, mas não faz nada para a sua própria existência. É algo que tem e não tem vida, algo que pesa sobre os ombros da sociedade, um parasita que se nutre das vidas dos outros, é um anormal.

E o glutão, o que diríamos dele? Observem vocês essas pessoas demasiadas obesas, muito gordas (salvo algumas exceções devido às questões das tireoides), comem e comem incessantemente; olham nos espelhos e não se dão contas de que estão espantosamente feios e seguem comendo, eis aqui o glutão.

Citei os sete pecados capitais e percebam que é o Ego que nos faz anormais. A psique humana é anormal; a consciência presa entre os agregados psíquicos não consegue se manifestar, isso é óbvio, o que é que precisamos fazer urgentemente?

Sem dúvida que antes de tudo devemos despertar, mas para tal precisamos eliminar os agregados psíquicos. O animal intelectual, chamado equivocadamente de homem, tem só 3% de consciência desperta, há pessoas que nem sequer têm 1%. Isto é lamentável. A morte do corpo físico resolveria esse problema? Pensam vocês que algum credo religioso, com suas promessas post-mortem, poderia despertar a Consciência mais além? Categoricamente tenho de lhe dizer que isso não é possível.

Os valores pessoais continuam no espaço psicológico, eles são positivos e negativos, os agregados psíquicos positivos poderiam até ser qualificados de “bons”, mesmo que as boas ações conduzam sempre ao erro…

Os agregados negativos podem ser qualificados como “maus”, e no estado post-mortem, se atraem e se repelem de acordo com a Lei da Imantação Universal. Depois, de acordo com a grande Lei do Retorno, regressam e se incorporam num novo organismo humano, neste Mundo Tridimensional de Euclides. Desta forma, repetem-se todos os mesmos acontecimentos da vida anterior, de acordo com a Lei da Recorrência; aparecem em cena todas as comédias, dramas e tragédias de sempre.

Isso nos leva a entender que estamos repetindo a nossa vida anterior. Todos aqui presentes que estão me escutando, que vieram aqui para me ouvir, será, por acaso, isto uma manifestação da Lei da Recorrência? Sem dúvida que sim! Entendam vocês que nas suas existências passadas também escutaram, não neste mesmo lugar, mas em qualquer outro lugar, o que estamos falando; assim é a Lei da Recorrência, de maneira que o Retorno e a Recorrência trabalham conjuntamente.

As vidas de todos vocês são recorrências, isso é grave. Por que vocês não se lembram de mim? A que se deve isso? Poderia alguém me dar uma reposta satisfatória?

Pergunta da plateia: Por que temos a Consciência adormecida?
Samael Aun Weor: Claro que sim! Se a tivessem desperta me teriam reconhecido; possivelmente ao me reconhecer, me abraçariam, ou talvez se precipitaria uma retirada. Existem certos acontecimentos daquela época que eram – o que está falando aqui era um bodhisatva caído – ensinados de uma forma mais tosca, mas ensinava sem dúvida, e isso é o que interessa.

Não lhes estou falando agora em fenomenologia, o que eu lhes falei foi de suas existências passadas. Agora os convido ao Despertar. Quero que vocês despertem, e se possível aprendam a perfurar, a desintegrar algo em vocês; algo deve morrer em vocês e algo deve nascer em vocês.

Vocês devem aprender a manejar o Raio da Kundalini, e para isto se realizar, vocês necessitam de certa disciplina interior, ou seja, conhecer a técnica da meditação. É urgente desenvolver o sentido da Auto-Observação Psicológica. Lembrem-se de que órgão que não usa se atrofia.

Vocês têm o tal sentido, mas está latente, se encontra atrofiado; devem desenvolvê-lo e isso só é possível mediante a auto-observação diária. O Sentido da Auto-Observação Psicológica é algo extraordinário.ego-auto-observacao-gnosisonline

Hoje vou entregar para vocês uma chave: “Acostumem-se à observação de si mesmos”.

Nunca devem se esquecer de que através da relação com as pessoas, os nossos familiares em casa, no trabalho, no campo etc. afloram espontaneamente os defeitos que levamos escondidos dentro de nós mesmos, por isso devemos estar alertas e vigilantes como o vigia na época de guerra.

Defeito descoberto deve ser trabalhado. Quando um defeito aparece, devemos abri-lo com o bisturi da autocrítica para ver o que ele tem de verdade.

Devemos submetê-lo à Autorreflexão do Ser. Devemos compreendê-lo integralmente em todos as áreas da mente. Uma vez que vocês o tenham compreendido, estarão preparados para a desintegração.

A Mente por si só não pode alterar nenhum dos nossos defeitos. Podem rotulá-lo com diferentes adjetivos ou nomes, substantivos, mas não poderão alterá-los. Necessita-se de um poder maior e que seja superior à Mente. Afortunadamente, esse poder existe em cada um de nós, quero referir-me à Serpente Ígnea dos nossos poderes mágicos. Não importa o nome que lhe damos, os alquimistas a chamam de Stella Maris (a Virgem do Mar); os egípcios intitularam-na de Ísis; os hebreus de Marah; os hindus a chamam de Kundalini; os antigos náhuas de Tonantzin etc.

Só Ela pode reduzir a cinzas qualquer elemento psíquico indesejável. É claro que temos de nos dirigir a Devi Kundalini Shakti com plena espontaneidade, da forma como nós nos dirigimos à nossa mãe terrena.

Não são necessárias fórmulas para se dirigir à autora dos nossos dias, só bastará o coração tranquilo e Ela nos auxiliará, desintegrando aquele agregado psíquico que nós temos compreendido, previamente em todos os níveis da Mente.

Quanto este se torna pó, se libertará a porcentagem da Consciência que ali está presa. Por este caminho, trabalhando com Devi Kundalini, um dia quebraremos a totalidade dos elementos psíquicos indesejáveis, e aí a nossa Consciência despertará.

Quando a nossa Consciência estiver desperta, poderemos ver, ouvir, tocar e sentir todos os Mistérios da Vida e da Morte. Quando a nossa Consciência estiver desperta, poderemos lembrar das nossas existências anteriores e ver, por antecipação mediante a Meditação no Akasha Puro as nossas vidas futuras. Quando a nossa Consciência estiver desperta, estaremos preparados para o Sunyata, a experiência direta do Vazio Iluminador.

No Oriente a nossa Consciência, absolutamente desperta e desenvolvida, recebe como nome uma palavra em sânscrito, que é substantiva e adjetiva, que é Bodhicitta.

O Bodhicitta deve ser criado dentro de nós, aqui e agora. Antes que alguém consiga se tornar uma Bodhisatva, deverá primeiro converter-se em Bodhicitta.

Bodhisatva, obviamente, é algo muito grande. No mundo Oriental se conhecem duas classes de Indivíduos Sagrados, o primeiro são os Budas Pratyekas e Srávakas, e o segundo é o dos Bodhisatvas da Compaixão.

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Os Budas Pratyekas nunca trabalham pela humanidade, só se preocupam pelo seu desenvolvimento interior e não seriam capazes de subir, jamais, ao patíbulo para entregar a própria vida pela espécie humana.

Os Sravakas são meros aspirantes a Budas Pratyekas. Os Bodhisatvas são diferentes, eles se sacrificam pela humanidade, dão a sua vida por todos os seres que vivem. Lançam-se entre as multidões para levar a palavra da Verdade. Em nosso Movimento Gnóstico, os missionários seguem o Caminho dos Bodhisatvas, dão preferência ao Terceiro Fator que se chama “Sacrifício pela Humanidade”.

Os Bodhisatvas, através de sucessivos Mahavântaras, sacrificam-se pelas humanidades planetárias, e, finalmente, recebem um dia a Iniciação Venusta. É certo que através dessa Iniciação o Bodhisatva encarna o Cristo Íntimo.

Mas os Budas Pratyekas e os Sravakas (os aspirantes) nunca O encarnaram. É bom saber que aquele que O encarna se torna cristificado. “Somente pronunciará a palavra de Poder aquele que O tem encarnado…”

Vale a pena seguir o Caminho dos Bodhisatvas. Mas antes que o Bodhisatva surja dentro de nós, necessita-se criar o Bodhicitta, ou seja, precisamos despertar a nossa Consciência…

Paz Inverencial!

(Samael Aun Weor, Conferência intitulada A Origem do Eu Sob a Luz da Gnose)

Philokália – A psicologia dos cristãos do Oriente

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“Nos antigos tempos, a Psicologia ocultava-se inteligentemente
nas formas graciosas das dançarinas sagradas,
no enigma dos estranhos hieróglifos, nas belas esculturas,
na poesia, na tragédia e até na música deliciosa dos Templos.

(Samael Aun Weor)

A Psicologia Gnóstica, ou Psicologia da Nova Era Aquariana, é radicalmente diferente de tudo quanto antes se conheceu com esse nome. Desde os antigos tempos, nos distintos cenários do teatro da vida, a verdadeira Psicologia representou sempre seu papel, disfarçada inteligentemente com a roupagem da Filosofia.

Às margens do Ganges, na Índia sagrada dos Vedas, desde a noite aterradora dos séculos, existem formas de Yôga que no fundo vêm a ser a pura Psicologia Experimental dos altos vôos. Os Sete Yôgas sempre foram descritos como procedimentos psicológicos.

No mundo árabe, os sagrados ensinamentos dos súfis, em parte metafísicos, em parte religiosos, são de ordem totalmente psicológica. Na velha Europa, até finais do século 19, a Psicologia disfarçou-se com o traje da Filosofia para poder passar despercebida. A Filosofia, apesar de todas as suas divisões e subdivisões, como a lógica, a teoria do conhecimento, a ética, a estética etc., é, fora de toda dúvida, e em si mesma, cognição mística da Consciência, do Ser, um funcionalismo cognoscitivo da consciência desperta.

Enfim, qualquer estudo profundo e sério das religiões comparadas vem demonstrar-nos que na literatura sagrada, ortodoxa, de diversos países e épocas, existem maravilhosos tesouros da ciência psicológica. Investigações de fundo no terreno do gnosticismo permitem-nos achar uma maravilhosa compilação de autores gnósticos que vêm dos primeiros tempos do cristianismo e que se conhece com o título de Philokália.

Sem nenhuma dúvida, podemos afirmar que a Philokália é essencialmente psicologia experimental. Antes que a Ciência, a Arte, a Filosofia e a Religião se separassem para viver independentes, a Psicologia reinou soberana em todas as antiquíssimas Escolas de Mistérios.

Quando os Colégios Iniciáticos fecharam suas portas ao mundo devido a esta Era de grande materialidade, chamada no Oriente de Kali-Yuga, ou Idade Negra em que ainda estamos vivendo, a Psicologia sobreviveu entre o simbolismo das diversas escolas esotéricas e muito especialmente no esoterismo gnóstico.

Quando todos compreendermos integralmente e em todos os níveis mentais o quão importante é se estudar o homem sob o ponto de vista da Psicologia Gnóstica, entenderemos então que a Psicologia é nada menos que o estudo dos princípios, leis e fatos intimamente relacionados com a transformação radical do indivíduo.

Bases da Philokália

As verdadeiras bases da Philokália residem em controlar os pensamentos por meio de uma grande paz e tranquilidade, a fim de evitar os obstáculos exteriores.

O homem deverá, então, combater, talhar no bloco dos pensamentos negativos que o rodeiam e impulsionar-se até Deus sem ceder ante a vontade de seus pensamentos, senão que, ao contrário, em meio a suas dispersões, reunir os pensamentos malvados com os naturais.

O Ser, sob o peso do Ego, avança como que um rio que passa através de um canavial, como através de uma espessura de arbustos e sarças. Aquele que quiser atravessar esses obstáculos deve estender as mãos e, penosamente, separar à força os obstáculos que o aprisionam. Assim, os pensamentos do “Poder Inimigo” envolvem a Consciência. É necessário, pois, um grande zelo e uma extensa atenção de espírito para reconhecer os pensamentos intrusos do Poder Inimigo.

O Espírito é uma coisa e a Alma outra? O corpo tem diferentes membros e, sem embargo, se diz: Um homem. Igualmente a Psique possui vários membros: o Espírito, a Consciência, a Vontade, os Pensamentos…

Tudo isso está unido em um mesmo pensamento, e os membros da psique constituem o Homem Interior. Como os olhos do corpo percebem de longe os espinhos, assim o espírito prevê os enganos do Inimigo e previne a psique.

Sobre a Oração pela Respiração
(Ou, a Invocação Incessante do nome de Jesus)

Existe, na vida das Igrejas do Oriente, e da Igreja Ortodoxa Russa em particular, uma prática espiritual de oração muito profunda: a Oração de Jesus, ou Oração do Coração.

A mesma foi introduzida na Rússia por volta do século 14 e São Sérgio, o fundador do monaquismo russo, a conhecia e a praticava, assim como seus discípulos. Entre eles, Niil da Sora é um dos mais destacados. Outro monge muito conhecido, Paisij Velitchkovsky, a difundiu e a popularizou no século 18.

Porém, através das Igrejas do Oriente, esta prática remonta-se à tradição dos padres bizantinos Gregório Palamas, Simeón o Novo Teólogo, Máximo o Confessor, e Diádoco de Fótice, assim como os Padres do Deserto dos primeiros séculos Macário e Evágrio. Alguns chegam a vincular esta Oração aos próprios Apóstolos. Leiamos o que a Philokália diz: “Esta Oração nos vem dos Santos Apóstolos. Servia-lhes para orar sem interrupções, seguindo a exortação de São Paulo aos cristãos gnósticos de orar sem cessar”.

Esta tradição espiritual teve seus principais focos nos monastérios do Sinai a partir do século 15, e no Monte Athos (Grécia), especialmente no século 14. Desde fins do século 18 expandiu-se fora dos monastérios graças a uma obra, chamada Philokália, publicada em 1782 por um monge grego, Nicodemo o Hagiorita, e editada em russo pouco depois, por Velitchkovsky. Outra obra mais recente, Relatos de um Peregrino Russo, a popularizou no fim do século 19. Esse livro está extensamente difundido por toda a Rússia.

A Oração de Jesus é uma corrente da espiritualidade oriental. Porém, alguns veem nela uma tipo especial de mística esotérica psicológica.

Esta Oração apoia-se nas exortações apostólicas: “Orai sem cessar…” (Tes. I, 1: 17); “Fazei a todo tempo, mediante o Espírito, toda classe de orações…” (Ef. 6:18); e “… é necessário orar sempre sem descanso” (Luc. 18:1). As palavras da fórmula desta Oração podem variar, porém recomenda-se aplicar uma fórmula breve e fixa. Isso toma o nome de Oração Monológica.

A Philokália continua: “Que vossa Oração ignore toda multiplicidade. Uma só palavra basta ao publicano e ao filho pródigo para obterem o perdão de Deus. Que não exista afetação nas palavras de vossa oração: Quantas vezes o balbucio simples e monótono dos bebês comove seus pais! Não vos lanceis em longos discursos para não dissipar o vosso espírito na busca de palavras. Uma só palavra do publicano comoveu a misericórdia de Deus, uma só palavra cheia de fé salvou o ladrão. A prolixidade na oração a miúdo enche o espírito de imagens e o dissipa, enquanto uma só palavra tem por efeito recolhê-lo”.

A Respiração do Nome de Jesus

A respiração serve de suporte e de símbolo espiritual à Oração. “O nome de Jesus é um perfume que se expande” (Cant, 1:4) e que adoramos respirar. O sopro de Jesus é espiritual, cura, afasta os demônios, comunica o Espírito Santo (João 20: 2). O Espírito Santo é Sopro Divino (spiritus, spirare), expiração de amor no seio do Mistério Trinitário.

A Respiração de Jesus, como a pulsação do coração, deveria estar ligada sem cessar a esse mistério de amor, como também aos suspiros da criatura (Mat, 7: 34; 8: 12) e às aspirações que todo coração humano leva em si. “O mesmo Espírito intercede dentro de nós por gemidos inefáveis.” (Rom, 8: 26)

A função respiratória, essencial para a vida do organismo, está ligada à circulação do sangue, ao ritmo do coração, às fibras mais profundas de nosso Ser. A respiração profunda do Nome de Jesus é vida para a criatura: “O que dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas… Nele temos a vida, o movimento e o Ser” (Atos, 17: 25 a 28). “Em lugar de respirar o Espírito Santo – diz Gregório Sinaíta – estamos transbordados pelo sopro dos elementos psicológicos indesejáveis.”

Adequando a oração ao ritmo respiratório, o espírito se acalma, encontra repouso (repouso = Hesychia; do grego, daí o nome Hesicaísmo, dado a esta corrente espiritual da oração). O espírito libera-se da agitação do mundo exterior, abandona a multiplicidade e a dispersão, purifica-se do movimento desordenado dos pensamentos, das imagens, das representações, das ideias. Interioriza-se e se unifica ao mesmo tempo que ora com o corpo e se encarna. Na profundidade do coração, o espírito e o corpo reencontram sua unidade original e o ser humano recobra sua “simplicidade”. Convém buscar o silêncio do espírito, evitar todos os pensamentos, inclusive aqueles que parecem lícitos, fixar-se constantemente nas profundidades do coração e dizer: “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de mim”.

A eliminação da distração e a recordação constante dos nomes de Deus são armas poderosas para o despertar da Consciência

“Recitando atentamente essa Oração, permanecerás sentado ou de pé, ou, inclusive, acostado, retendo a respiração, na medida do possível, para não respirar demasiadamente. Invoca o Senhor Jesus com um desejo fervoroso e em uma paciente expectativa, e abandona todo pensamento…

Se vês a impureza dos maus espíritos, ou seja, os pensamentos, encerrando o espírito no coração, invoca o Senhor Jesus sem cessar e sem distrações, e eles fugirão, invisivelmente queimados pelo Nome Divino. A hesychia consiste em buscar o Senhor em teu coração, ou seja, guardar seu coração na oração e encontrar-se constantemente no interior deste último…”

A noção de mérito está ausente da teologia oriental. Não vos inquieteis pelo número de orações a recitar. Que vossa única preocupação seja que a oração brote de vosso coração, vivente como uma fonte de água viva. Arrojai inteiramente de vosso espírito a ideia de quantidade. Trata-se de um exercício, certamente sustentado, que é chamado de “atenção”, ou inclusive de “sobriedade” ou “trabalho espiritual”, ou ainda, “guarda do coração”. É uma vigilância da oração que quer ser e advir incessante e penetrantemente na próprias fontes do coração.

A Oração do Coração

A Oração de Jesus é também chamada de Oração do Coração. Esta noção do coração é essencial na espiritualidade oriental e, em particular, na russa. Pode-se distinguir – e opor – o coração à cabeça. A cabeça seria o domínio do cerebral, do mental, do intelectual, do lógico, do racional… Porém, não deve ser reduzido unicamente ao domínio do afetivo, do sentimento. É um homem de coração, se diz às vezes, ou melhor, é uma mulher de cabeça. O coração é uma dimensão espiritual, onde tanto o corpo quanto a alma entremesclam suas raízes. O coração é a fonte vital do Ser.

“O coração é o amo e o rei de todo o organismo corporal, e quando a graça se apodera dos ‘pastos do coração’, reina sobre todos os membros e todos os pensamentos da alma, e é dali que ela espera o bem.” Alguns colocam o espírito no cérebro, como se fosse uma Acrópole, outros lhe atribuem a região central do coração, aquele que está livre de todo alento animal. Já o coração é designado como o centro do ser humano, a raiz das faculdades ativas do intelecto e da vontade.

A Iluminação do Coração

Quando a Oração de Jesus se converte na Oração do Coração, seu primeiro efeito é a iluminação psicológica. Não nos esqueçamos de que ela é o grito suplicante do cego para obter a cura (Lucas, 18: 38), ao que Jesus responde abrindo os olhos do enfermo e dando-lhe Luz. Os olhos do coração abrem-se à Luz Divina. O coração ilumina-se e, logo, todo o Ser (Mateus, 6: 22). “Quando a inteligência e o coração estão unidos na oração, e os pensamentos da alma não estão dispersos, o coração se amorna com um calor espiritual e a Luz de Cristo resplandece nele, enchendo de paz e alegria o homem interior.”

A iluminação, aportada pela Oração do Coração, vem somente da Graça de Deus. “Só a Graça Divina possui em si mesma a faculdade de comunicar a deificação aos seres de uma maneira analógica. Então, a natureza resplandece com uma luz sobrenatural e se encontra transportada por cima de seus próprios limites por uma sobreabundância de glória.”

Porém, a iluminação não se produz sem trabalho. Ela, às vezes, só é dada ao término de uma prolongada espera, de uma longa pena. Isso se deve a que o coração é também o domínio do pecado, do obscuro, das trevas. Lembremo-nos agora o sentido das palavras da Oração: “Senhor Jesus, tem piedade de mim, pecador”. É necessário forçar essa obscuridade pela contrição e o verdadeiro arrependimento se possível com lágrimas.

É a graça pelo enternecimento a que imprime na mirada e no rosto dos místicos do Oriente uma doçura semelhante. Na atmosfera do coração, uma vez purificado dos sopros dos espíritos maus (os eus) é impossível (foi dito) que não brilhe a Luz Divina de Jesus. Sempre, é claro, que não se encha de orgulho, vaidade e presunção.

Essa iluminação do coração procede de uma ação do Terceiro Logos (o Espírito Santo), que é Luz. Porém, é necessário não confundi-la com as aspirações, as visões, as “luzes” espirituais ou sensíveis. De fato, os Iniciados são unânimes em recomendar que não se busquem tais coisas. Não é necessário dedicar-se a elas, nem se deixar distrair por elas, pois se deve guardar uma grande sobriedade. A verdadeira Oração de Jesus é sempre a “oração pura”.

Oração Centrante da Philokália

Seguindo a sugestão de Jesus de que o pecado ou o mal começa com nossos pensamentos, Evágrio categoriza oito tipos de pensamentos: aqueles sobre o Desejo – Gula, Concupiscência, Avareza –, e aqueles de aversão ou irritabilidade – Tristeza, Raiva, Vanglória e Orgulho.

O oitavo é Acedia, ou a Apatia, que é considerado o mais sério tipo de pensamento, pois envolve a tentação de desistir da jornada espiritual.

Evágrio reconhece que os obstáculos à nossa total consciência de Deus, de estar em Paz em Deus, começa com os pensamentos, que nos retiram de nosso centro e de nosso completo descanso em Deus.

Aprendendo a controlar os pensamentos, não dando Atenção ou colocando a Intenção neles, estes perdem seu poder sobre nós. Com o passar do tempo, começamos a atingir graus no estado de Apatheia (não a apatia que conhecemos, como um estado de não desejo, de não comprometimento com langor, mas o desapego/desprendimento, a não identificação em relação às coisas criadas), que é o estado de calma, tranquilidade ou paz, fruto da liberdade das paixões e inquietações.

Aqueles que rezam atingem a liberdade, permitindo que pensamentos nasçam e desapareçam sem que estes atinjam o patamar do desejo (de, por exemplo, realizar o pensamento).

Esta é uma compreensão que é chave para o entendimento do caminho da paz e da liberdade. Para Evágrio, isso é o portal, e apenas o portal para o exercício pleno da Fé, que é dar o nosso radical consentimento à Presença e Ação de Deus em nós. Mas esta é uma grande compreensão psicológica e espiritual em relação à libertação, tanto do pecado como dos nossos estados emocionais.

A auto-observação e a Oração no Coração de Jesus são a base do Pensamento Cristão Oriental.

Ambos se iniciam com pensamentos. Quanto mais conscientes estamos dos pensamentos, mais podemos fazer nossas escolhas entre nossos pensamentos, selecionar aqueles aos quais damos volição (aqueles nos quais nos deleitamos, desejamos ficar com), bem como arcar com as consequências dos mesmos. Discernimos se os pensamentos nos levam à paz e a Deus, ou para longe da paz e maior desarmonia com a Presença de Deus dentro de nós. Também chegamos ao estado de puro Ser, que é abaixo, acima, e além do Conhecimento.

A “prática”, então, conduz à apatheia – Apatia –, que, por sua vez, conduz a um grande desejo para o amor de Deus, que conduz à intencionalidade e ao consentimento radical da entrega, de abandonar a nós mesmos, nossas vidas, nossa vontade a Deus que habita em nós.

O segundo elemento da prática é o de buscar através de imagens e do mundo natural os significados internos da Criação. Este é o modo catafático, o caminho da reflexão, que busca de modo encarnacional e intelectual um estado de maior devoção e compromisso com o caminho espiritual, mantendo a mente fixa em Deus. Então, de certa forma, o apego aos pensamentos é substituído por pensamentos relacionados à busca de Deus.

O terceiro elemento da prática é a contemplação de Deus, ou oração pura. Este é o caminho apofático da oração sem imagens, que as duas primeiras práticas preparam. É então o abandono de todos os pensamentos que preparam a pessoa como um vaso, pronto a receber o presente da contemplação, que é a consciência direta da Presença Divina. “Feliz é o espírito que atinge a perfeita ausência de formas na hora de sua oração… Feliz é o espírito que atinge a completa não-consciência de toda experiência sensível na hora da oração.” (Evágrio Pôntico)

A prática de rezar com uma palavra ou frase das Escrituras foi levada ao monasticismo ocidental na prática da Lectio Divina, que permanece até hoje. Santo Isaías o Solitário, um monge do deserto da Palestina, confirmou que na prática da “lembrança de Deus”, que é um despertar para ou um descobrir a Presença Divina que habita no interior do homem, os pensamentos tornam-se um obstáculo a essa plena realização. Interessante observar que ele usa um termo para oração, “lembrança de Deus”, usada pelos súfis na prática do Zikr (“Recordação”, que são os cantos repetitivos, como por exemplo, La Illah illa Allah, Não há outro Deus senão Deus, ou Allah Hai, Deus é a Verdade).

Contudo, ele não formula uma metodologia para manter essa prática. João Cassiano, importantíssimo Padre do Deserto, em cujos relatos (São Bento mais tarde basearia sua Regra dos Monges nos ensinos dele), do monasticismo egípcio, na Conferência Dez, detalha o uso de uma fórmula de oração usada como recurso para focalizar a concentração na oração. Ele relata como os monges do deserto incorporaram uma palavra ou frase da Escritura como sua Palavra de Oração. Usando uma “Palavra de Salvação” na oração, ou no dar uma Palavra de Salvação nos Ensinamentos e Bênçãos, era então prática comum.

Ele recomenda a frase de um salmo: “Ó Deus, venha em meu auxílio; Ó Senhor, apressai-vos em socorrer-me”.

Ele vê essa repetição consciente, não mecânica, como uma fórmula de oração continuada a ser usada e incorporada na consciência, de maneira que se torne o “orar sem cessar” (de que nos fala São Paulo).

Ele não receita ou dá instruções sobre como lidar com os pensamentos, mas, ao contrário, focaliza na “intenção” pela qual o devoto retorna incessantemente à sua fórmula de oração, direcionando todos os pensamentos e desejos para Deus (note aí o início da Oração Centrante). O deleite derivado dessa oração permite ao devoto voltar-se de pensamentos e prazeres que distraem e direcioná-los para Deus somente.

O fim dessa transformação pessoal é habitar no Amor. “Então, será realizado em nós o que nosso Salvador rezou quando falava a Seu Pai: “Que o Amor que Tu me tens esteja neles e eles em nós”.

A Oração de Cassiano permanece como invocação primeira na liturgia das horas até hoje. Em seguida a Cassiano, houve um aprofundamento maior em relação à oração na tradição do deserto. Talvez o mais importante desenvolvimento desse período, que continua na tradição Ortodoxa Oriental até nossos dias, foi o da Oração de Jesus, como uma poderosa e onipresente forma de “lembrança de Deus”.

Pensava-se no poder da palavra “Jesus”, que, em si mesma, continha um efeito “salvífico” e purificador, além do auxílio psicológico no desapego de pensamentos perturbadores.

A tradição oriental da oração do deserto é talvez mais bem expressa por João Clímaco, um monge que viveu perto do Sinai por volta do ano 600. Ele pregava a oração de uma frase, chamada monologistos. Ele acrescentou a dimensão de harmonizar a palavra com a respiração. Em sua obra Escada da Ascensão Divina, ele dá maiores dimensões da prática contemplativa ortodoxa oriental. A prática assim é apresentada, um passo após o outro:

1. Aquietar os pensamentos (apothesis).
2. A lembrança de Jesus unida à respiração, conduzindo a apreciação da Quietude (hesychia). A fase inicial é o deixar de lado as distrações na prática do monologistos, a fase mediana é a concentração no que está sendo dito, e a conclusão que é o arrebatamento em Deus. O resultado dessa prática é a conversão de todo desejo em um único desejo, Deus. “Conheço hesicaístas cujo ímpeto inflamado por Deus é sem-limites. Eles geram fogo por fogo, amor por amor, desejo por desejo.” (João Clímaco)

O uso da Oração de Jesus, ou Oração do Coração, passa por maior desenvolvimento na tradição oriental, até o presente. E Philotheus do Sinai, em seus Escritos da Philokalia, sobre a Oração do Coração, também estende na psicologia dos pensamentos, pecado e vícios.

Ele descreve a habilidade da mente em resistir ou desapegar-se de pensamentos e, consequentemente, encontrar maior liberdade. Ele descreve o processo de enredar-se (prender-se) em pensamentos como se segue.

1. Impacto: o primeiro estágio quando o pensamento ou imagem é produzido na mente.
2. Identificação: quando a mente se engaja com algum ato da vontade ou interesse no pensamento ou imagem, apego, em vez de desapego.
3. Mesclando-se ou fundindo-se com o pensamento: o envolvimento da vontade e da ação com o pensamento ou imagem escolhida.
4. Aprisionamento: a imagem ou pensamento tornam-se ativos em uma escolha consciente na direção da ação ou dependência, ou completo envolvimento no pensamento ou imagem de um modo inarmônico com a busca de Deus. Essa compreensão é consistente com as teorias cognitiva/afetiva e cognitiva/comportamental da Psicologia contemporânea.

Em resumo, nos relatos dos Padres e Madres do Deserto monástico, estes buscaram aprofundar sua busca da experiência de Deus. Na sua busca e descobertas temos o essencial do que conhecemos ser uma bem formulada prática da Oração Centrante.

Estas incluem, em primeiro lugar, a teologia da Presença Divina em nós e a afirmativa que a promessa dos Evangelhos de Jesus serão cumpridas em nosso despertar para e em nosso consentimento à Presença e Ação de Deus dentro de nós.

Outro ensinamento essencial é que há um método simples, um modo de consentir e obter a vitória sobre os obstáculos de nossos próprios pensamentos, nossa parcela da condição humana, a paz mais profunda, alegria e completa transformação em Deus, ao rezarmos no silêncio e na quietude no centro mais profundo de nosso Ser.

Podemos facilitar o processo com um simples fundamento numa Palavra Sagrada, que é nosso Símbolo do consentimento radical à Presença e ação transformativa de Deus em nós.

Com o tempo nossa Intenção é purificada e fortalecida, de modo que perpassa toda a nossa prática de oração, toda a nossa vida, conduzindo a um maior abandono a Deus. E, ao final, os frutos dessa transformação em Deus levam a uma maior capacidade de amar a Deus, a nós mesmos, uns aos outros e o mundo onde vivemos e a servir ao mundo com paz e justiça.

Apotegmas dos Iniciados do Deserto

Evágrio: “Suprime as relações numerosas se não quiseres que teu espírito divague e turve tua soledade (hesychia)”.

Cronios: “Que a alma pratique a sobriedade, afasta-te das distrações e renuncia às suas vontades; então, o Espírito de Deus se aproximará a ela”.

Poimen: “Temos necessidade de uma só e única coisa, que é uma alma sóbria”. “O princípio de todos os males é a distração.”

Recomendações Finais

Se você quer realmente render culto à Grande Realidade (Deus), mantenha no segredo de seu coração uma pregação ininterrupta, e assim sua alma chegará a Ser, ainda antes da morte, igual aos anjos.

Nosso corpo, privado da alma, está morto e cheira mal. Assim é a alma indolente ao Ensinamento, está morta, é miserável e mal cheirosa.

A cada uma de vossas respirações, agregue a sobriedade do espírito e o Nome de Jesus, a meditação sobre a morte e a humildade.

Fale de Deus com mais frequência, mais do que você usa para comer algum alimento.

Dedique-se a pensar em Deus mais do que você respira.

É mais necessário recordar a Deus do que respirar.

Ali Onaissi (Jornalista, escritor e coordenador do Portal GnosisOnLine)

Os 3 traidores do Cristo Íntimo

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Lembrem-se do selo de Salomão: os seus dois triângulos entrelaçados que juntam e separam o amor, sem dúvida alguma, estão enlaçados. (São as duas lançadeiras com que tece e destece o tear de Deus.)

O triângulo superior simboliza Kether, o Pai que se encontra em segredo; Chokmah, o Filho; e Binah, o Espírito Santo de cada homem. O triângulo inferior representa os três traidores de Hiram Abiff. Esses três traidores estão dentro de nós mesmos.

O primeiro traidor é o demônio do desejo e vive dentro do corpo astral. O segundo traidor é o demônio da mente e vive no corpo mental. O terceiro traidor é o demônio da má vontade, e vive dentro do corpo da vontade ou corpo causal.

A Bíblia cita estes três traidores no Apocalipse de São João. Vejamos os versículos 13 e 14 do capítulo 16: “E vi sair da boca do Dragão, da boca da Besta e da boca do Falso Profeta três espíritos imundos, semelhantes a rãs”. (vers. 13) “Porque são espíritos de demônios que fazem sinais para ir aos reis da terra e de todo o mundo, para os congregar para a batalha daquele grande dia, do Deus Todo-Poderoso.” (vers. 14)

Os três traidores são o Ego reencarnante, o Eu Psicológico, o Satã que deve ser dissolvido para encarnarmos o Cristo Interno, constituído por Kether, Chokmah e Binah. O triângulo superior é o Resplandecente Dragão de Sabedoria. O triângulo inferior é o Dragão Negro.

No centro dos triângulos acha-se o Signo do Infinito ou a cruz Tau. Ambos signos são fálicos.

A alma está entre os dois triângulos e tem de se resolver pelo Dragão Branco ou pelo Dragão Negro. O problema é absolutamente sexual.

A chave encontra-se na serpente. As patas do galo dos Abraxas formam uma dupla cauda de serpente. Existe a serpente tentadora do Éden e a serpente de cobre de Moisés, entrelaçada no Tau, isto é, no Lingam sexual. (Lingam é o falo e Yoni é o útero.)

A serpente normalmente está encerrada no chacra Muladhara, Igreja de Éfeso. Ela dorme nesse centro do cóccix enroscada três vezes e meia e deve sair de sua Igreja inevitavelmente. Se sobe pelo canal medular, convertemo-nos em anjos, mas se desce para os infernos atômicos do homem, transformamo-nos em demônios.

Agora compreenderam por que a serpente do Caduceu é sempre dupla. A força sexual é o FIO dos gnósticos. Quando o estudante derrama o vaso de Hermes, durante suas práticas com o Arcano AZF, comete o crime dos nicolaítas. Eles usavam este sistema para fazer baixar a serpente. Eis como o homem converte-se em demônio.

Somente trabalhando com a Pedra Filosofal dentro do laboratório sexual do alquimista prático, consegue-se o desenvolvimento completo e positivo da serpente.

O triângulo superior é o centro do Microcosmo e do Macrocosmo alquimistas. No centro do triângulo, não pode faltar o signo do mercúrio da filosofia secreta, a ens seminis. O homem e a mulher devem trabalhar com o sol e a lua, com o ouro e a prata (símbolos sexuais), para realizar a Grande Obra. Sem dúvida, o trabalho costuma ser difícil porque o Bode de Mendes, o Dragão Negro, trata de fazer cair sexualmente o alquimista.

No entanto, urge trabalhar com os quatro elementos da alquimia para a realização da Grande Obra. O Macrocosmo alquímico está iluminado pela luz, este é o triângulo superior do Selo de Salomão. O Microcosmo alquímico está em sombras na região onde as almas lutam contra o Dragão Negro.

É precisamente no microcosmo, representado também pelo triângulo inferior, onde devemos realizar todo o trabalho do laboratório alquimista. A gravura maravilhosa do Microcosmo e Macrocosmo alquimistas (ilustração de Chimica Basilica Philosophica) representa o homem e a mulher trabalhando com o sol e com a lua, símbolos do falo e do útero.

“Macrocosm und Microcosm”, Chimica Basilica Philosophica, Johann Daniel Mylius, 1618

Nesse quadro medieval não aparecem duas mulheres, tampouco dois homens. Esse crime contra a Natureza origina o vampiro imundo. Os tenebrosos justificam os crimes contra Natureza e a Lei os castiga, separando-os do Triângulo Superior. Então, rodam no Abismo.

Os mistérios do Lingam-Yoni são terríveis e divinos, não podendo jamais ser alterados. O Lingam pode unir-se apenas com o Yoni. Esta é a lei da Santa Alquimia. As bodas alquímicas significam, de fato, Matrimônio Perfeito. O alquimista não deve somente matar o desejo, como até a sombra da árvore horrível do desejo.

Nos Mistérios de Elêusis, utilizavam-se as danças sagradas entre homens e mulheres. O amor e a música sagrada servem para encantar e despertar a serpente. Os dançarinos do templo estavam limpos do veneno asqueroso do desejo.

Todo pecado será perdoado, menos o pecado contra o Espírito Santo (aquele que fornica, peca contra seu próprio corpo. Vers. 18, cap. 6, Coríntios I). Não somente se fornica com o corpo físico, como também com o pensamento, com a emoção, com a palavra e com as sensações animais.

Nos Mistérios de Elêusis, os casais dançavam para magnetizarem-se mutuamente. Os homens dançando com as mulheres chegavam ao êxtase. O intercâmbio bioeletromagnético entre homens e mulheres não pode ser substituído por nada. Que poder gigantesco, terrivelmente divino, grandioso!!!

Deus resplandece sobre o casal perfeito! Se tu queres a Autorrealização Íntima, recorda este aforismo alquimista: “Há de se imitar a natureza em tudo. A natureza gosta da natureza. A natureza domina a natureza”.

Buscar o saber antigo e oculto e realizar a Grande Obra em seu laboratório sexual, eis a tarefa do alquimista. A Grande Obra é difícil, significa muitos anos de experiências, sacrifícios terríveis e tremendas dificuldades.

Existe o agente transmutador (a Pedra dos Filósofos), uma influência celestial (religiosidade cósmica), diversas influências astrais (astrologia esotérica), além de influências de letras, números, correspondências e simpatias (cabala).

Os princípios sagrados da alquimia são:

1 – Unidade.

2 – Par de opostos: homem e mulher.

3 – Trindade: ativo, passivo e neutro.

4 – Elementos: fogo, ar, água e terra.

Essa é a Tetráktis de Pitágoras

No selo de Salomão reúne-se todo o trabalho da Grande Obra. As seis pontas da estrela são masculinas e as seis fundas entradas, que existem entre ponta e ponta, são femininas. Total, a estrela-de-Salomão tem doze raios, sendo seis masculinos e seis femininos. A estrela-de-Salomão é o símbolo perfeito do Sol Central.

No selo-de-Salomão acham-se resumidas as medidas zodiacais. Nele, esconde-se toda a gênese sexual do Zodíaco e ainda encontramos a íntima relação que existe entre o Zodíaco e o invisível Sol Central. Os 12 raios da brilhante estrela cristalizam-se por meio da alquimia das 12 constelações zodiacais.

Quando o estudante penetra no interior do Templo da Esfinge, pode estudar ali o grande Livro da Natureza, onde estão escritas as leis cósmicas.

Realmente, são muito poucos aqueles que podem abrir o livro e estudá-lo. A Prova do Santuário aterroriza e muito poucos seres humanos conseguiram passar por esta prova. Todo aquele que passa vitorioso a Prova do Santuário recebe uma joia preciosa, o selo-de-Salomão. Trata-se de um anel cheio de luz inefável. Perde-o, inevitavelmente, o neófito que o toca com a mão esquerda.

Outro significado do selo de Salomão: em cima, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Embaixo, o poder que governa (o Íntimo), o poder que delibera (a mente) e o poder que executa (a personalidade). Quando o poder que delibera e o poder que executa se insubordinam contra o governador, se rebelam contra o Íntimo, o resultado é o fracasso.

Diferença Entre um Mediador e um Médium

Os três traidores sabem como se apoderar dos poderes que deliberam e executam. Os bodhisatvas sabem, muitas vezes, receber mensagens dos mundos superiores. Os ignorantes confundem os bodhisatvas com os médiuns do espiritismo.

Existe o médium e o mediador. O médium é negativo e o mediador, positivo. O médium é o veículo da serpente tentadora do Éden. O bodhisatva mediador é o veículo da Serpente de Cobre que curava no deserto aos israelitas.

Os Grandes Mestres sabem ditar mensagens com os lábios de seus bodhisatvas. As pessoas não entendem e confundem os medianeiros com os simples médiuns do espiritismo. As pessoas deixam-se levar pelas aparências.

No selo de Salomão estão representadas as forças positivas e negativas do magnetismo universal.

Nos trabalhos de Alta Magia, é necessário traçar um círculo ao redor, o qual seria totalmente fechado se não estivesse interrompido pelo selo de Salomão.

Os irmãos gnósticos devem fabricar o selo de Salomão com os sete metais. Pode-se fazer anéis e medalhões com o selo de Salomão. Deve-se utilizar o selo de Salomão em todos os trabalhos de invocação e em práticas com os elementais, como ficou ensinado no Arcano IV [Nota GnosisOnline: pesquise mais sobre o Arcano 4 do Tarô egípcio].

Arcano 4. O Imperador Arcano 6. A Indecisão ou
O Enamorado

Os elementais da Natureza tremem diante do Selo do Deus Vivo. O Anjo do Sexto Selo do Apocalipse está agora reencarnado em um corpo feminino, sendo uma especialista na ciência sagrada dos Jinas.

O Arcano VI é O Enamorado do Tarô. O homem entre o vício e a virtude. O Arcano VI é encadeamento, equilíbrio, união amorosa de homem e mulher. Luta terrível entre o amor e o desejo, enlaçamento.

No Arcano VI estão os mistérios do Lingam e do Yoni, bem como a luta entre os dois ternários. O Arcano VI é a suprema afirmação do Cristo Interno e a suprema negação de Satã.

Orai e vigiai.

(Samael Aun Weor, Curso Esotérico de Tarô – Arcano 6)

A consciência

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As pessoas confundem a Consciência com a Inteligência ou com o Intelecto e à pessoa muito Inteligente ou muito Intelectual, dão-lhe o qualificativo de muito Consciente. Nós afirmamos que a CONSCIÊNCIA no homem é, fora de toda dúvida e sem temor a nos enganar, uma espécie muito particular de Apreensão de conhecimento interior totalmente independente de toda atividade mental.

A Faculdade da Consciência nos permite o Conhecimento de nós mesmos.

A Consciência nos dá Conhecimento Integro do que é, de onde está, pelo que realmente se sabe, pelo que certamente se ignora.

A Psicologia Revolucionária ensina que só o homem mesmo pode chegar a Conhecer si mesmo.

Só nós podemos saber se formos Conscientes em um momento dado ou não. Só a gente mesmo pode saber, de sua própria consciência, e se esta existir em um momento dado ou não.

O homem mesmo e ninguém mais que ele, pode dar-se conta, por um instante, por um momento, de que antes desse instante, antes desse momento, realmente, não era Consciente, tinha sua Consciência muito adormecida, depois esquecerá essa experiência ou a conservará como uma lembrança, como a lembrança de uma forte experiência.

É urgente saber que a Consciência no Animal Racional não é algo contínuo, permanente.

Normalmente, a Consciência no Animal Intelectual chamado homem, dorme profundamente.

Raros, muito raros são os momentos em que a Consciência está acordada; o Animal Intelectual trabalha, dirige carros, casa-se, morre, etc., com a Consciência totalmente adormecida e só em momentos muito excepcionais desperta.

A Vida do ser humano é uma Vida de Sonho, mas, ele acredita que está Acordado e jamais admitiria que está Sonhando, que tem a Consciência adormecida.

Se alguém chegasse a Despertar, se sentiria espantosamente envergonhado consigo mesmo, compreenderia imediatamente sua palhaçada, sua ridicularidade.

Esta Vida é espantosamente ridícula, horrivelmente trágica e raramente sublime.

Se um boxeador chegasse a despertar imediatamente em plena briga, olharia envergonhado a todo o honorável público e fugiria do horrível espetáculo, ante o assombro das adormecidas e inconscientes multidões.

Quando o ser humano admite que tem a Consciência Adormecida, podem estar seguros de que já começa a Despertar.

As Escolas reacionárias de Psicologia Antiquada que negam a existência da Consciência e até a inutilidade de tal término, acusam um Estado de Sonho mais profundo. Os sequazes de tais Escolas dormem muito profundamente em um estado virtualmente infraconsciente e Inconsciente.

Quem confunde à Consciência com as Funções Psicológicas; pensamentos, sentimentos, impulsos motrizes e sensações, realmente, estão muito Inconscientes, dormem profundamente. Quem admite a existência da Consciência, mas nega os seus os distintos Graus Conscientivos, acusa falta de Experiência Consciente, Sonho da Consciência. Toda pessoa que, por alguma vez, tenha despertado momentaneamente, sabe muito bem, por experiência própria, que existem distintos Graus de Consciência observáveis nas próprias pessoas:

Primeiro: TEMPO. Por quanto tempo permanecemos conscientes?.

Segundo: FREQUÊNCIA. Quantas vezes despertamos consciência?

Terceiro: AMPLITUDE E PENETRAÇÃO. Do que se era consciente?

A Psicologia Revolucionária e a antiga Philokália afirmam que, mediante grandes superesforços de tipo muito especial, se pode Despertar Consciência e fazê-la contínua e controlável.

A Educação Fundamental tem por objetivo despertar consciência. De nada servem dez ou quinze anos de estudos na escola, no colégio e na universidade, se, ao sair das salas-de-aula, são Autômatos adormecidos.

Não é exagero afirmar que, mediante algum grande esforço, pode o Animal Intelectual se conscientizar de si mesmo tão somente por um par de minutos.

É claro que nisto costuma haver hoje raras exceções que temos que procurar com a Lanterna do Diógenes, esses casos raros estão representados pelos Homens Verdadeiros: Buda, Jesus, Hermes, Quetzalcóatl etc.

Estes fundadores de religiões possuíram Consciência Contínua, foram Grandes Iluminados.

Normalmente, as pessoas não são conscientes de si mesmas. A ilusão de ser conscientes em forma contínua, nasce da Memória e de todos os processos do pensamento.

O homem que pratica um exercício retrospectivo para recordar-se de toda sua vida, pode, na verdade, rememorar, recordar quantas vezes se casou, quantos filhos engendrou, quais foram seus pais, seus mestres, etc., mas, isto não significa Despertar Consciência, isto é simplesmente recordar atos inconscientes e isso é tudo.

É necessário repetir o que já dissemos em precedentes capítulos. Existem quatro estados de consciência.

Estes são: Sonho, Estado de Vigília, Autoconsciência e Consciência Objetiva.

O pobre Animal Intelectual, equivocadamente chamado Homem, só vive em dois destes estados. Uma parte de sua vida transcorre no Sonho e a outra no mal chamado estado de Vigília, o qual também é Sonho.

O homem que dorme e está sonhando, acredita que está acordado pelo fato de retornar ao estado de vigília, mas, em realidade, durante este estado de Vigília, continua Sonhando.

Isto é semelhante ao amanhecer, ocultam-se as estrelas devido à luz solar, mas, elas continuam existindo embora os olhos físicos não as percebam.

Na vida normal comum, o ser humano nada sabe da autoconsciência e muito menos da Consciência Objetiva.

Entretanto, as pessoas são orgulhosas e todo mundo se acredita Autoconsciente, o Animal Intelectual acredita firmemente que tem Consciência de Si mesmo e, de maneira nenhuma, aceitaria que lhe dissesse que é um adormecido e que vive Inconsciente de Si mesmo.

Existem momentos excepcionais em que o Animal Intelectual Acorda, mas, esses momentos são muito raros, podem apresentar-se em um instante de perigo supremo, durante uma intensa emoção, em alguma nova circunstância, em alguma nova situação inesperada, etc.

É, verdadeiramente, uma desgraça que o pobre Animal Intelectual não tenha nenhum domínio sobre esses estados fugazes de Consciência, que não possa evocá-los, que não possa fazê-los contínuos.

Entretanto, a Educação Fundamental afirma que o homem pode obter o controle da Consciência e adquirir Autoconsciência.

A Psicologia Revolucionária tem métodos, procedimentos científicos para Despertar Consciência.

Se quisermos despertar consciência precisaremos começar por examinar, estudar e logo eliminar todos os obstáculos que nos apresentam no Caminho. [Nós] ensinamos o caminho para despertar Consciência começando dos mesmos bancos da escola.

Samael Aun Weor – Educação da Consciência

Milarepa, o santo tibetano do Nirvana

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Jetsun Milarepa nasceu no século 11 e é um dos mais famosos yogues e poetas tibetanos. Foi discípulo do grande mestre Marpa (um dos iluminados que difundiram o budismo no Tibet). Diz que Milarepa foi o primeiro tibetano que alcançou a iluminação, portanto, o primeiro “santo budista do Tibet”.

Os inúmeros fatos místicos de sua vida são popularmente conhecidos graças às tradições esotéricas dos lamas tibetanos. Muito conhecidos popularmente entre os tibetanos, os dados de sua biografia são muito discutidos entre os estudiosos de budismo tibetano, pois os dados biográficos misturam-se com lendas e histórias fantásticas.

Na obra O Mistério do Áureo Florescer, Samael Aun Weor comenta um pouco mais sobre o famoso santo tibetano Milarepa:

Milarepa foi uma dessas almas que se impressionam profundamente ao compreender a natureza transitória da mundana existência e os sofrimentos e misérias nos quais os seres se acham imersos.

Parecia-lhe que a existência, desde esse ponto de vista, era como uma enorme fogueira onde as criaturas viventes se consumiam.

Ante tal desconcertante dor, sentiu em seu coração que era incapaz de perceber algo da celestial felicidade desfrutada por Brahma e Indra nos céus, porém, muito menos sentia os gozos terrenais e as delícias próprias do mundo profano.

Por outra parte, sentiu-se profundamente cativado pela visão de imaculada pureza e casta beatitude, descritas no estado de liberdade perfeita e onisciência, alcançável no Nirvana, a tal punto que ele não podia malgastar sua vida à procura de algo que desde longo tempo havia deixado, dedicando-se, com plena fé, profundidade da mente e coração cheio do onipenetrante Amor e à simpatia de todas as criaturas.

“Havendo obtido conhecimento transcendental no controle da natureza etérea e espiritual da mente, sentiu-se capaz de dar demonstrações disso, e por tal efeito pôde voar pelo céu, caminhar e descansar no ar.

Foi capaz, também de produzir chamas e fazer surgir água de seu corpo, transformando-se no objeto que desejasse, demonstrações que foram capazes de convencer os descrentes e levá-los para os sendeiros religiosos.

Milarepa foi perfeito na prática dos quatro estados de meditação, e mediante eles pôde projetar seu corpo sutil até o extremo de estar presente presidindo concílios yogues em 24 lugares distintos, nos quais se celebravam assembleias de deuses e anjos igual a nuvens de espiritual comunhão.

Foi capaz de dominar Deuses e Elementais, colocando-os a seu imediato comando no cumprimento de seus deveres.

Perfeito Adepto de sobrenaturais poderes tátwicos, teve a graça de poder atravessar e visitar inumeráveis paraísos sagrados e céus dos Budas, onde pela virtude de seus oniabsorventes atos e nunca superada devoção, os Budas e Bodhisatvas que regem esses sacros lugares lhe favoreceram, permitindo-lhe expressar-se acerca do Dharma, santificando-lhe seu retorno pela visão desses mundos celestiais e permanência em tais moradas.

Pergunta: Mestre, em sua obra O Mistério do Áureo Florescer, o senhor disse que Milarepa estava em 24 lugares ao mesmo tempo…
Samael Aun Weor: Sim, é certo. Milarepa teve poderes muito grandes, e ao final e ao cabo o Nirvana o tragou. Deixemo-lo de lado, pois cada qual é livre para escolher o Caminho que for. Eu, da minha parte, não sigo esse Caminho, eu sigo o Caminho Direto, o dos Homens que renunciam à felicidade para ficar trabalhando aqui, com a humanidade… Na Direta, que esta é a melhor.

A Canção de Milarepa

Desde que a Graça do meu Senhor entrou em minha mente, Minha mente jamais se perdeu em distrações.

Acostumado a contemplar longamente o Amor e a Piedade,

Esqueci-me das diferenças entre mim e os outros.

Acostumado a meditar longamente sobre o meu Guru como uma auréola sobre minha cabeça,

Esqueci-me de tudo o que governa pela força e pelo prestígio.

Acostumado a meditar longamente sobre os meus Deuses Guardiões como inseparáveis de mim mesmo,

Esqueci-me da forma carnal inferior.

Acostumado a meditar longamente sobre as Seletas Verdades Sussurradas,

Esqueci-me de tudo o que é dito nos livros escritos e impressos.

Acostumado, como estou, ao estudo da Ciência Elementar,

Perdi o Conhecimento da Ignorância enganosa.

Acostumado, como fiquei, a contemplar os Três Corpos como inerentes a mim,

Esqueci-me de pensar na esperança e no medo.

Acostumado, como fiquei, a meditar sobre esta vida e a vida futura como uma só,

Esqueci-me do medo do nascimento e da morte.

Acostumado a estudar longamente, por mim mesmo, minhas próprias experiências,

Esqueci-me da necessidade de buscar as opiniões dos amigos e dos irmãos.

Acostumado longamente a aplicar cada nova experiência ao meu próprio crescimento espiritual,

Esqueci-me de todos os credos e dogmas.

Acostumado a meditar longamente sobre o Incriado, o Indestrutível e o Permanente,

Esqueci-me de todas as definições deste ou daquele Objetivo particular.

Acostumado a meditar longamente sobre todos os fenômenos visíveis como o Dharmakaya,

Esqueci-me de todas as meditações feitas pela mente.

Acostumado por muito tempo a manter minha mente no Estado Incriado de Liberdade,

Esqueci-me dos costumes convencionais e artificiais.

Acostumado por muito tempo à humildade, de corpo e de mente,

Esqueci-me do orgulho e das soberbas maneiras do poderoso.

Acostumado a olhar longamente o meu corpo carnal como o meu eremitério,

Esqueci-me do ócio e do conforto dos retiros nos mosteiros.

Acostumado por muito tempo a conhecer o sentido do Inexprimível,

Esqueci-me do modo de traçar as raízes dos verbos e a origem das palavras e das frases…

Possas tu, ó sábio, esboçar essas coisas em livros comuns.