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O simbolismo do Natal

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É claro que este é um evento maravilhoso, sobre o qual urge meditar profundamente…

O Sol realiza a cada ano uma viagem elíptica que começa no dia 25 de dezembro, e então regressa ao polo sul, até a região da Antártica; exatamente por isto vale a pena refletirmos em seu significado profundo. Nesta época começa o frio aqui no norte, devido exatamente ao fato de que o Sol vai se afastando para as regiões austrais e, no dia 24 de dezembro, terá atingido o ponto máximo de sua viagem na direção sul.

Se o Sol não avançasse rumo ao norte do dia 25 de dezembro em diante, morreríamos de frio. A Terra inteira se converteria em um bloco de gelo e realmente pereceriam todas as criaturas, tudo o que tem vida.

Assim, vale a pena refletir sobre o acontecimento do Natal. O Cristo-Sol deve avançar para dar-nos vida, e, no equinócio da Primavera, se crucifica na Terra; então amadurecem a uva e o trigo.

É precisamente na Primavera que o Senhor deve passar por sua vida, paixão e morte, para logo ressuscitar; a Semana Santa é na Primavera no Hemisfério Norte.

O Sol físico nada mais é que um símbolo do Sol Espiritual, do Cristo-Sol. Quando os antigos adoravam o Sol, quando lhe rendiam culto, não se referiam exatamente ao Sol físico; rendia-se culto ao Sol Espiritual, ao Sol da Meia-Noite, ao Cristo-Sol.

Inquestionavelmente, é o Cristo-Sol quem deve guiar-nos nos Mundos Superiores de Consciência Cósmica. Todo místico que aprende a funcionar fora do corpo físico à vontade é guiado pelo Sol da Meia-Noite, pelo Cristo Cósmico.

É preciso aprender a conhecer os movimentos simbólicos do Sol da Meia-Noite; é ele quem guia o Iniciado, quem nos orienta, ele é que nos indica o que devemos e não devemos fazer. Estou falando no sentido esotérico mais profundo, levando em conta que todo Iniciado sabe sair do corpo físico à vontade, que isto de não saber sair à vontade é próprio de principiantes, gente que ainda está dando os primeiros passos nesses estudos.

Se alguém está na Senda, tem que saber guiar-se pelo Sol da Meia-Noite, pelo Cristo-Sol, aprender a reconhecer seus sinais, seus movimentos. Se o vemos, por exemplo, desaparecer no ocaso, o que é que isto nos indica ? Simplesmente que algo deve morrer em nós. Se o vemos surgir do Oriente, o que é que isto nos diz ? Que alguma coisa deve nascer em nós.

Quando nos saímos bem nas provas esotéricas, ele brilha em sua plenitude no horizonte. O Senhor nos orienta nos Mundos Superiores, e temos de aprender a reconhecer seus sinais.

Dupuis e muitos outros estudaram o maravilhoso acontecimento do Natal; não há dúvida, e isto o reconhece Dupuis, de que todas as religiões da antiguidade celebraram o Natal.

Assim como o Sol físico avança para o norte para dar vida a toda a criação, também o Sol da Meia-Noite, o Sol do Espírito, o Cristo-Sol, nos dá vida se aprendemos a cumprir com seus mandamentos. Nas Sagradas Escrituras se fala, obviamente, do acontecimento solar, e há que saber entender isto nas entrelinhas. A cada ano se vive no Macrocosmos todo o Drama Cósmico do Sol; cada ano, repito.

Leve-se em conta que o Cristo-Sol deve crucificar-se cada ano no mundo, viver todo o drama de sua vida, paixão e morte, para logo ressuscitar em tudo o que é, foi e será, quer dizer, em toda a criação. Assim, pois, é como todos nós recebemos a vida do Cristo-Sol. Também é certo que cada ano o Sol, ao afastar-se para a região Austral, nos deixa tristes aqui no norte, pois vai dar vida a outras partes. As noites longas de inverno são fortes. Na época do Natal os dias são curtos e as noites longas.

Vamos refletindo sobre tudo isto, e convém que entendamos o que é o Drama Cósmico. É necessário que também em nós nasça o Cristo-Sol, ele deve nascer em nós. Nas Sagradas Escrituras se fala claramente de Belém e de um estábulo onde ele nasce; esse estábulo de Belém está dentro de cada um aqui e agora; precisamente nesse estábulo interior moram os animais do desejo, todos esses “eus ” passionais que carregamos em nossa psique, isto é óbvio.

“Belém” mesmo é um nome esotérico; nos tempos em que o grande Cabir veio ao mundo, a aldeia de Belém não existia, de modo que isto é inteiramente simbólico. Bel é uma raiz caldeia que significa Torre do Fogo, de modo que, propriamente dito, Belém é Torre do Fogo. Quem poderia ignorar que Bel é um termo caldeu que corresponde precisamente à Torre de Bel, à Torre do Fogo ? Assim, o termo Belém é totalmente simbólico.

Quando o Iniciado trabalha com o Fogo Sagrado, quando elimina completamente de sua natureza íntima os agregados psíquicos, quando de verdade está realizando a Grande Obra, indubitavelmente há de passar pela Iniciação Venusta; a descida do Cristo ao coração do homem é um acontecimento cósmico e humano de grande transcendência; tal evento corresponde na verdade à Iniciação Venusta.

Infelizmente, não se compreendeu realmente o que é o Cristo; muitos supõem que o Cristo foi exclusivamente Jesus de Nazaré, e estão equivocados. Jesus de Nazaré, como homem – ou, melhor dizendo, Jeshuá ben Pandirá – recebeu, como homem, a Iniciação Venusta, encarnou o Cristo, mas não é o único a ter recebido tal Iniciação.

Hermes Trimegisto, o três vezes grande Deus Íbis de Toth, também O encarnou. João Batista, a quem muitos consideravam como o Christus, o Ungido, inquestionavelmente recebeu a Iniciação Venusta, encarnou-O. Os Gnósticos Batistas asseguravam na Terra Santa que o verdadeiro Messias era João, e que Jesus era somente um Iniciado que havia querido seguir a João. Havia naquela época disputas entre Batistas, Gnósticos, Essênios e outros.

Devemos entender o Cristo tal qual é, não como uma pessoa, como um indivíduo. O Cristo está mais além da Personalidade, do Eu e da Individualidade. Cristo em esoterismo autêntico é o Logos, o Logos Solar representado pelo Sol. Agora compreenderemos porque os Incas adoravam o Sol, os Nahuas lhe rendiam culto, os maias, os egípcios, etc. Não se trata da adoração a um sol físico, mas ao que se oculta atrás deste símbolo físico; obviamente, adorava-se o Logos Solar, o Segundo Logos. Este Logos Solar é unidade múltipla perfeita. A variedade é unidade. No mundo do Cristo Cósmico a individualidade separada não existe; no Senhor somos todos um…

Vem à minha memória certa experiência, digamos, esotérica, realizada há muitos anos. Então, submergido em profunda meditação, obtive certamente o Samadhi, o estado de Manteia, o Êxtase, como é chamado no esoterismo ocidental. Naquela ocasião eu desejava saber algo sobre o batismo de Jesus, o Cristo, pois bem sabemos que João o batizou. Foi profundo o estado de abstração, obtive o perfeito Dharana, ou seja, concentração, o Dhyana, ou meditação, e por fim consegui o Samadhi; me atreveria a dizer que foi um Maha-Samadhi, porque abandonei perfeitamente os corpos Físico, Astral, Mental, Causal, Búdico e até o Átmico. Consegui, pois, reabsorver minha consciência de forma íntegra no Logos.

Assim, nesse estado logoico, como um Dragão de Sabedoria, fiz a correspondente investigação. De imediato me vi na Terra Santa, dentro de um templo; mas, coisa extraordinária, vi a mim mesmo convertido em João Batista, com uma vestimenta sagrada; vi quando traziam a Jesus com sua veste branca, sua túnica branca.

Dirigindo-me a Ele, disse: “Jesus, despe tua túnica, tua vestimenta, pois vou batizar-te”. Depois retirei de um recipiente um pouco de azeite de oliva, conduzi-O ao interior do Santuário, ungi-O com o óleo, despejei água sobre Ele e recitei os mantras e ritos. Depois, o Mestre sentou-se em sua cadeira à parte; eu guardei tudo novamente, pus os objetos em seus lugares e dei por terminada a cerimônia. Mas vi-me transformado em João!

É claro que, uma vez passado o Êxtase, o Samadhi, pensei: “Mas como é possível que eu seja João Batista? Nem remotamente, eu não sou João Batista! Fiquei bastante perplexo e pensei: “Vou fazer agora outra concentração, mas agora não vou me concentrar em João, vou concentrar-me em Jesus de Nazaré”. Então escolhi como motivo da concentração o Grande Mestre Jesus.

O trabalho foi longo e árduo, a concentração foi se fazendo cada vez mais profunda; logo passei do Dharana – concentração -, ao Dhyana – meditação -, e deste ao Samadhi, ou Êxtase. Fiz um esforço supremo que me permitiu despir-me dos corpos Físico, Astral, Mental, Causal, Búdico e Átmico, até introverter minha consciência, absorvendo-a no mundo do Logos Solar, e, em tal estado, querendo saber sobre o Cristo Jesus, vi a mim mesmo convertido em Cristo Jesus, fazendo milagres e maravilhas na Terra Santa, curando os enfermos, dando vista aos cegos etc., e, por último, me vi vestido com as vestes sagradas chegando ante João naquele Templo. Então João se dirigiu a mim e disse: “Jesus, retira tua vestimenta, pois vou batizar-te”. Trocaram-se os papéis, já não me vi transformado em João, mas em Jesus, e recebi o batismo de João.

Passado o Samadhi, regressando ao corpo físico, vim a constatar perfeitamente, com toda a clareza, que no mundo do Cristo Cósmico somos todos um. Se eu tivesse querido meditar em qualquer um de vocês, lá no mundo do Logos, me teria visto transformado em um de vocês, vivendo sua vida, já que lá não há individualidade, não há personalidade nem Eu; ali somos todos o Cristo, ali somos todos João, ali todos somos o Buda, ali somos todos um; no mundo do Logos não existe a individualidade separada.

O Logos é Unidade Múltipla Perfeita, é uma energia que se move e palpita em todo o criado, que subjaz em todo átomo, em todo elétron, em todo próton, e se expressa vivamente através de qualquer homem que esteja devidamente preparado.

Bem, este esclarecimento teve como objetivo explicar melhor o acontecimento de Belém. Quando um homem está devidamente preparado, passa pela Iniciação Venusta – mas, esclareço, deve estar devidamente preparado – e na Iniciação Venusta consegue a encarnação do Cristo Cósmico em si mesmo, dentro de sua própria natureza.

Inutilmente teria Jesus nascido em Belém se não nascesse em nosso coração também. Inutilmente teria morrido e ressuscitado na Terra Santa, se não morre e ressuscita em nós também. Esta é a natureza do “Salvátor Salvandus”. O Cristo Íntimo deve salvar-nos, mas salvar-nos desde dentro, a todos nós. Aqueles que aguardam a vinda de Jesus de Nazaré para um futuro remoto estão equivocados; o Cristo deve vir agora desde dentro, a segunda vinda do Senhor é desde dentro, desde o próprio fundo da Consciência.

Por isto está escrito o que Ele disse: “Se ouvires alguém dizendo na praça pública que é Cristo, não o creiais, e se disserem “Ele está ali no Templo predicando”, não o creiais”. É que o Senhor não virá desta vez de fora mas de dentro, virá desde o próprio fundo de nosso coração, se nós nos prepararmos. Paulo nos esclarece dizendo: “De sua virtude tomamos todos, graça por graça”.

Então, está documentado; se estudarmos cuidadosamente Paulo de Tarso, veremos que raramente alude ao Cristo histórico; cada vez que Paulo de Tarso fala sobre Jesus Cristo, refere-se ao Jesus Cristo Interior, ao Jesus Cristo Íntimo que deve surgir do fundo de nosso Espírito, de nossa Alma. Enquanto um homem não O tenha encarnado, não se pode dizer que possua a Vida Eterna, só Ele pode tirar nossa Alma do Hades, só Ele pode verdadeiramente dar-nos vida, e em abundância. Assim, pois, devemos ser menos dogmáticos e aprender a pensar no Cristo Íntimo, isto seria grandioso…

Todo o simbolismo relacionado com o nascimento de Jesus é alquímico e cabalístico. Diz-se que três Reis Magos vieram adorá-lO, guiados por uma estrela; este trecho não pode ser compreendido, falando francamente, se não se for versado em alquimia, porque é alquímico. Que são essa estrela e esses Reis Magos? E eu vos digo que essa estrela não é outra coisa que o Selo de Salomão, a estrela de seis pontas, símbolo do Logos Solar.

O triângulo superior representa obviamente o Enxofre, ou seja, o Fogo. E o inferior, o que representa em Alquimia? O Mercúrio, a Água; mas a que tipo de água se referem os Alquimistas? Dizem eles: “A Água Que Não Molha as Mãos, o Úmido Radical Metálico”, em outras palavras, o Exiohehari, o Esperma Sagrado.

Sem dúvida, é por meio da transmutação das secreções sexuais que se elabora essa Água extraordinária, as águas puras de Amrita, o Mercúrio da Filosofia Secreta. Vale a pena meditarmos no Selo de Salomão; aí temos o triângulo superior, representação vívida do Enxofre. Ou seja, o Fogo Sagrado, o Fogo do Espírito Santo, deve fecundar o Mercúrio da Filosofia Secreta. Sem dúvida, é um pouco difícil entender a questão da Estrela de Belém se não recorremos ao Selo de Salomão e à Alquimia.

Repito, o Mercúrio é a Alma Metálica do Esperma Sagrado; o Enxofre é o Fogo Sagrado do Kundalini no ser humano. Isto posto, podemos esclarecer mais: o Enxofre deve fecundar o Mercúrio; com o Mercúrio fecundado pelo Enxofre podemos fabricar os Corpos Existenciais Superiores do Ser. De modo que, se não compreendêssemos isto, não compreenderíamos tampouco o Selo de Salomão ou a estrela que apareceu aos Reis Magos.

Aqui temos, para melhor compreensão, os Três Mercúrios:

1. Este é o que os Alquimistas denominam “Azogue em bruto”, ou seja, o Esperma Sagrado propriamente dito.
2. O segundo Mercúrio é precisamente a Alma Metálica do primeiro. Mediante a transmutação o Esperma se converte em Energia; essa Energia Sexual é denominada Alma Metálica do Esperma.
3. O mais importante, que é precisamente o Mercúrio fecundado pelo Enxofre.

Isto é um pouco complicado e difícil de entender, mas, se vocês prestarem atenção, poderão formar uma idéia do que se trata. Se querem que lhes explique o Natal, devo explicá-lo como é, ou não explicá-lo. Inquestionavelmente, a primeira coisa que temos é o Mercúrio bruto, o Esperma Sagrado; a segunda, a Energia Sexual, resultado da Transmutação do Esperma; a terceira, o Mercúrio fecundado pelo Enxofre, ou, em outras palavras, a Energia Sexual já fecundada pelo Fogo Sagrado, mescla de Energia e Fogo que sobe pela espinha dorsal até levar-nos à Autorrealização Íntima do Ser.

Este terceiro Mercúrio é o Arché dos gregos; (de modo que) no Arché há Sal, há Enxofre e há Mercúrio, isto é óbvio. “Lá em cima”, no Macrocosmos, nas nebulosas, por exemplo, compõe-se de Sal, Enxofre e Mercúrio; é o Arché dos gregos, do qual saem as unidades cósmicas. “Aqui embaixo” nós precisamos fabricar o Arché. Como? Mediante a transmutação. E desse Arché, que será composto de Sal, Enxofre e Mercúrio, nascerão os Corpos Existenciais Superiores do Ser. Se alguém possui os corpos Astral, Mental e Causal, se converte em um Homem de verdade, isto é óbvio, e recebe seus princípios anímicos e espirituais.

É claro que, de início, temos apenas o Azougue bruto e há que transmutá-lo, ou seja, temos as secreções sexuais e é preciso transmutá-las, sublimá-las e convertê-las em energia; esta energia é denominada Mercúrio, “Alma Metálica do Esperma”.

Essa energia sobe pelos cordões espermáticos até o cérebro. Posteriormente, essa mesma energia une seus pólos positivo e negativo no CÓCCIX, perto do Tribeni, e então surge o Fogo. O Fogo fecunda a energia. O Fogo mesclado com a energia sobe pela medula espinhal até o cérebro; o excedente desse Mercúrio fecundado pelo Enxofre vem a cristalizar-se nos Corpos Existenciais Superiores do Ser.

Primeiro se formará o Corpo Astral, a seguir o Corpo Mental e em terceiro lugar, o Corpo Causal. Quando alguém possui os corpos Astral, Mental e Causal, recebe os princípios anímico-espirituais (ou seja, Alma e Espírito), quer dizer, se converte num homem, no Homem Verdadeiro. Assim, isto é indispensável. Mas criar os Corpos Existenciais Superiores do Ser é uma coisa, e levá-los à perfeição é outra coisa diferente.

Inquestionavelmente, o Sal, o Enxofre e o Mercúrio perfazem tudo; onde quer que haja matéria, há sal; toda matéria se reduz a sal e todo sal pode ser convertido em Ouro. Assim, os Corpos Existenciais Superiores do Ser vêm a ser uma mescla de Sal, Enxofre e Mercúrio. O Sal presente em qualquer desses corpos se converte em Ouro pela ação combinada do Enxofre e do Mercúrio. Converter tais corpos em Ouro, em veículos de Ouro Puro, é o indicado, esta é a Grande Obra.

Não se poderia realizar tal prodígio sem uma ajuda especial. Essa ajuda maravilhosa é o Natal do Coração: o Cristo deve nascer no coração do Homem para que se possa realizar essa obra gigantesca de transformar os Corpos Existenciais Superiores do Ser em veículos de Ouro Puro.

Situemo-nos em qualquer desses veículos, o Corpo Astral, por exemplo, investiguemos uma pessoa que possui Corpo Astral; alguém sabe que possui Corpo Astral quando pode usá-lo, mover-se com ele conscientemente e positivamente, viajar com ele de um planeta a outro.

Como deve proceder uma pessoa que tem Corpo Astral e quer trabalhar para convertê-lo num veículo de Ouro Puro, quer dizer, para aperfeiçoá-lo? Isto se faz através da eliminação do Mercúrio Seco, isto é, os “eus”, ou do Enxofre Arsenicado, ou seja, dos átomos sanguinolentos da luxúria.

Evidentemente, tal pessoa necessitará de ajuda. Se conseguir eliminar o Mercúrio Seco e o Enxofre Arsenicado ou enxofre venenoso, então seu Corpo Astral se converterá em um veículo de Ouro Puro. Isto é difícil; felizmente, o Cristo Interno intervém e ajuda a eliminar todo esse Mercúrio Seco e esse Enxofre venenoso ou Arsenicado e, ao fim, como resultado desses trabalhos, o veículo astral se converterá num Corpo de Ouro.

Mas, antes que o Corpo Astral venha a converter-se num veículo de Ouro precioso, terá forçosamente que passar por várias etapas.

A primeira etapa é simbolizada pela cor negra, pelo Corvo Negro, e governada por Saturno. Por que? Porque o iniciado irá entrar num afã infinito nesses trabalhos; evidentemente terá de eliminar, destruir, desintegrar todos os elementos inumanos que leva em seu Corpo Astral, até conseguir a cor branca, que é fundamental.

Esta cor branca é simbolizada pela Pomba Branca; os iniciados egípcios envergavam a veste de linho branco para representar a castidade, a pureza.

O terceiro símbolo é a Águia Amarela, o iniciado obtém o direito de usar a túnica amarela.

Na quarta fase do trabalho o iniciado receberá a púrpura; ao atingir este estágio seu Corpo Astral já estará convertido em um veículo de Ouro Puro da melhor qualidade.

O chefe deste trabalho alquímico é precisamente o Cristo Interno.

Os sábios dizem que o Sal, o Enxofre e o Mercúrio são os instrumentos passivos da Grande Obra; o mais importante, dizem eles, é o Magnésio Interior. Este Magnésio, citado por Paracelso, não é outra coisa que o Cristo Íntimo – é Ele quem deve verdadeiramente realizar a Grande Obra.

Citei como exemplo o Corpo Astral, mas é preciso realizar trabalho idêntico com cada um dos Corpos Existenciais Superiores do Ser. Sem este Magnésio Interior da Alquimia, tal labor seria absolutamente impossível; por isto é que, ao começar a Grande Obra, deve-se inquestionavelmente encarnar o Cristo Íntimo.

Ele nasce no estábulo de nosso próprio corpo dentro do qual temos todos os animais do desejo, das paixões inferiores. Ele tem que crescer, desenvolver-se ascendendo pelos diversos graus até converter-se num Homem entre os homens, tomar a seu cargo todos os nossos processos mentais, volitivos, sexuais, emocionais, etc., passar por um homem comum. Mesmo sendo o Cristo um Ser tão perfeito, um Homem que não peca, ainda assim deve viver como um pecador entre pecadores, um desconhecido entre outros desconhecidos; esta é a crua realidade dos fatos.

Mas (o Cristo) vai crescendo, vai-se desenvolvendo à medida que elimina em si mesmo os elementos indesejáveis que levamos dentro. É tal sua integração conosco que lança toda a responsabilidade sobre seus ombros. Converteu-se num pecador como nós, não sendo Ele um pecador – sentindo em carne e osso as tentações, vivendo como um homem qualquer.

E assim, pouco a pouco, à medida que vai eliminando os elementos indesejáveis de nossa Psique, não como algo alheio ou estranho mas como algo próprio Dele, vai se desenvolvendo no interior de nós mesmos; isto precisamente é o maravilhoso. Se não fosse assim, seria impossível realizar a Grande Obra. É Ele quem tem de eliminar todo esse Mercúrio Seco, todo esse Enxofre venenoso, para que os Corpos Existenciais Superiores do Ser possam converter-se em veículos de Ouro Puro, Ouro da melhor qualidade.

Os Três Reis Magos que vieram adorar o Menino representam as cores da Grande Obra

A primeira cor é o Negro, quando estamos aperfeiçoando o corpo. Isto, repito, simboliza o Corvo Negro da Morte, é a Obra de Saturno simbolizada pelo Rei Mago de cor negra; então passamos por uma morte, a morte de nossos desejos, paixões, etc., no Mundo Astral.

A seguir vem a pomba Branca, isto é, o momento em que já desintegramos todos os Eus do Mundo Astral; adquirimos então o direito de usar a túnica de linho branco, a túnica do Phtah egípcio, a túnica de Ísis.

Evidentemente esta cor é simbolizada pela Pomba Branca; este é ainda o segundo dos Reis, o Rei Branco.

Já bastante avançado no aperfeiçoamento do Corpo Astral, apareceria a cor Amarela, ou seja, conquistaria o direito à túnica Amarela; então aparece a Águia Amarela, o que nos recorda o terceiro dos Reis Magos, que é da raça amarela.

Finalmente, a coroação da Obra é a Púrpura. Quando um corpo, seja o Astral, o Mental ou o Causal, já se tornou de Ouro Puro, recebe a púrpura dos Reis, porque triunfou. Assim, como podem ver, os Três Reis Magos não são três indivíduos, como muitos acreditam, mas símbolos das cores fundamentais da Grande Obra, e o próprio Jesus Cristo vive dentro. Jesus em hebraico é Jeshuá; Jeshuá significa Salvador, e, como Salvador, nosso Jeshuá particular tem de nascer neste estábulo que temos dentro de nós para realizar a Grande Obra; Ele é o Magnésio Interior do Laboratório Alquimista. O grande Mestre deve surgir no fundo de nossa Alma, de nosso Espírito.

O mais duro para o Cristo Íntimo, após seu nascimento no coração do Homem, é precisamente o Drama Cósmico, sua Via-Crúcis. No Evangelho as multidões aparecem pedindo a crucificação do Senhor; essas não são multidões de ontem, de um passado remoto, como se supõe, de algo que ocorreu há 1975 (ano em que este texto foi escrito) anos.

Não, senhores, essas multidões estão dentro de nós mesmos, são nossos famosos “Eus”; dentro de cada pessoa moram milhares de pessoas, o “Eu do ódio”, o “Eu tenho ciúmes”, o “Eu sinto inveja”, o “Eu da cobiça”, ou seja, todos os nossos defeitos, e cada defeito é um “Eu” diferente. É claro que essas multidões que trazemos dentro de nós, que são nossos famosos “Eus”, são os que gritam: “Crucifiquem-nO, crucifiquem-nO!”.

Quanto aos Três Traidores, já sabemos que no Evangelho Crístico são Judas, Pilatos e Caifás. Quem é Judas? O Demônio do Desejo. Quem é Pilatos? O Demônio da Mente. Quem é Caifás? O Demônio da Má Vontade.

Mas é preciso esclarecer isto, para que se possa compreendê-lo melhor. Judas, o Demônio do Desejo, troca o Cristo Íntimo por trinta moedas de prata : 30 (3 – 0), 3, esta é a alusão cabalística, ou seja, troca-O pelas coisas materiais, pelo dinheiro, pela bebida, pelo luxo, pelos prazeres animais etc.

Quanto a Pilatos, é o Demônio da Mente; este sempre “lava as mãos”, nunca tem culpa, para tudo encontra uma evasiva ou justificativa, jamais se sente responsável.

Realmente, estamos sempre justificando todos os defeitos psicológicos que temos em nosso interior, jamais nos julgamos culpáveis.

Muita gente me diz: “Acredito ser uma boa pessoa; eu não mato, não roubo, sou caridoso, não sou invejoso”, ou seja, são todos cheios de virtude, perfeitos, segundo eles próprios; “ignoto”, é o que tenho a dizer ante tanta perfeição.

Assim, olhando as coisas como são, em seu cru realismo, esse Pilatos sempre lava as mãos, nunca se considera culpado.

Quanto a Caifás, francamente o considero o mais perverso de todos. Pensem no que representa Caifás: muitas vezes o Cristo Íntimo nomeia um Sacerdote, um Mestre ou Iniciado para que guie suas ovelhas e as apascente, lhe entrega a autoridade e o põe à frente de uma congregação, e o tal Sacerdote, Mestre, Iniciado etc., em vez de guiar seu povo sabiamente, vende os Sacramentos, prostitui o Altar, fornica com as devotas etc., ou seja, trai o Cristo Interno, isto é o que faz Caifás.

É doloroso isso? É claro, é horrível, é uma traição do tipo mais sujo que há, e não há dúvida de que muitas religiões se prostituíram e muitos sacerdotes traíram o Cristo Íntimo; não me refiro a nenhuma seita em particular, mas a todas as religiões do mundo. É possível que haja grupos esotéricos dirigidos por verdadeiros Iniciados, e que estes, muitas vezes traidores, tenham traído o Cristo Íntimo.

Tudo isso é doloroso, infinitamente doloroso. Caifás é o que há de mais sujo. Estes três traidores levam o Cristo Íntimo ao suplício.

Pensem por um instante no Cristo Íntimo no mais profundo de cada um de vocês, senhor de todos os processos mentais e emocionais, lutando por salvá-los, sofrendo terrivelmente; os próprios Eus de vocês protestando contra Ele, blasfemando, pondo-Lhe a coroa de espinhos, açoitando-O. Bem, esta é a crua realidade dos fatos, este é o Drama Cósmico vivido interiormente.

Finalmente, este Cristo Íntimo subiria ao Calvário, isto é óbvio, e baixa ao sepulcro, com sua morte mata a morte, isto é a última coisa que faz. Posteriormente ressuscita no Iniciado e o Iniciado ressuscita n’Ele.

Então a Grande Obra está realizada, “consummatum est”. Assim têm surgido através dos séculos Mestres Ressurrectos; lembremos um Hermes Trismegisto, um Moria, grande Mestre da Força do Tibet, lembremos o Conde Cagliostro, que ainda vive, e Saint-Germain, que em 1939 visitou outra vez a Europa. Este Saint-Germain trabalhou ativamente nos séculos 17, 18 e 19 e, entretanto, continua a existir fisicamente, é um Mestre Ressurrecto.

Por que são Mestres Ressurrectos? Porque, graças ao Cristo Íntimo, obtiveram a Ressurreição. Sem o Cristo Íntimo, a Ressurreição não seria possível.

Aqueles que supõem que pelo simples fato de morrer fisicamente alguém já tem direito à Ressurreição dos Mortos são realmente dignos de compaixão; falando outra vez em estilo socrático, não apenas ignoram mas, o que é ainda pior, ignoram que ignoram.

A Ressurreição é algo pelo qual se tem de trabalhar, e trabalhar aqui e agora, e é preciso ressuscitar em carne e osso (e ao vivo). A Imortalidade deve-se conseguí-la agora mesmo, pessoalmente; assim se deve considerar todo o Mistério Crístico.

Todo o Drama Cósmico é em si mesmo extraordinário, maravilhoso, e se inicia realmente com o Natal do Coração.

O que vem a seguir relacionado com o Drama, a fuga para o Egito, quando Herodes manda matar todos os meninos e Ele tem de fugir, tudo é simbólico, totalmente simbólico.

Dizem (num Evangelho Apócrifo) que Jesus, José e Maria tiveram de fugir para o Egito, tendo permanecido vários dias vivendo sob uma figueira, e que desta figueira saiu um manancial de água puríssima – é preciso saber compreender isto : esta figueira representa sempre o sexo; dizem ainda que se alimentavam do fruto desta figueira, os frutos da Árvore da Ciência do Bem e do Mal. A água que corria puríssima, que saía desta figueira, é nada menos que o Mercúrio da Filosofia Secreta.

Quanto à decapitação dos inocentes, muito se tem escrito sobre isso. Nicolas Flamel deixou gravadas nas portas do cemitério de Paris cenas retratando a degola dos inocentes. Por que essa cruel degola dos inocentes? Não obstante, isto é também muito alquímico, todo Iniciado tem de passar pela decapitação.

Mas o que é que o Cristo Íntimo tem de decapitar em nós? Simplesmente deve degolar o Ego, o Eu, o Si Mesmo, e o sangue que emana da decapitação é o Fogo, é o Fogo Sagrado pelo qual o Iniciado tem de purificar-se, limpar-se, branquear-se; tudo isso é profundamente esotérico, nada pode ser tomado “ao pé da letra”.

A seguir vêm os feitos milagrosos do grande Mestre. Caminhava sobre as águas, [como] sobre as Águas da Vida tem de caminhar o Cristo Íntimo. Abrir a visão dos que não veem, predicando a palavra para que vejam a luz; abrir os ouvidos dos que não querem ouvir, para que escutem a palavra.

Quando o Senhor já cresceu no Iniciado, tem de tomar a palavra e explicar a outros o que é o caminho, limpar os leprosos; não há ninguém que não esteja leproso, essa lepra é o Eu pluralizado, essa é a epidemia que todos levam dentro de si, a lepra da qual devemos ser limpos.

Os que estão paralíticos não caminham ainda pela Senda da Autorrealização, o Filho do Homem deve curar os paralíticos para que andem rumo à montanha do Ser.

Há que compreender tudo isto de forma mais íntima, mais profunda; isto não corresponde a um passado remoto, é para ser vivido dentro de nós mesmos aqui e agora.

Se começamos a amadurecer um pouquinho, saberemos apreciar melhor a mensagem que o Grande Kabir Jesus trouxe à Terra. Em todo caso, precisamos passar por Três Purificações, à base de ferro e fogo –- este é o significado dos Três Cravos da Cruz. E a palavra INRI diz muito. Já sabemos que INRI esotericamente é o Fogo; necessitamos passar pelas Três Purificações à base de ferro e fogo antes de conseguir a Ressurreição, do contrário seria impossível lográ-la.

Aquele que ressuscita se transforma radicalmente, se converte num Deus-Homem, é um Hierofante da estatura de um Hermes, um Quetzalcóatl ou um Buda.

Mas é necessário fazer a Grande Obra. Realmente, não se poderia entender os quatro Evangelhos se não se estudasse Alquimia e Cabala, porque (os Evangelhos) são alquimistas e cabalistas, isto é óbvio.

Os judeus tinham três livros sagrados. O primeiro é o corpo da doutrina, a Bíblia. O segundo é a alma da doutrina, o Talmude, no qual está a alma nacional judaica. E o terceiro é o espírito da doutrina, o Zohar, onde está toda a Cabala dos rabinos.

A Bíblia, o corpo da doutrina, está escrita sob chave. Se queremos estudar a Bíblia “compaginando versículos”, procedemos de forma ignorante, empírica e absurda.

Prova disto é que todas as seitas mortas que, até a época atual, se nutriram da Bíblia interpretada de forma empírica, não puderam entrar em acordo. Se existem milhares de seitas baseadas na Bíblia, quer dizer que nenhuma delas a compreendeu.

As chaves para a interpretação estão no Zohar, escrito por Shimon ben Yoshai, o grande rabino iluminado. Aí encontramos as chaves para interpretar a Bíblia. Então, é necessário “abrir” o Zohar.

Se quisermos saber algo sobre o Cristo, sobre o Filho do Homem, devemos estudar a Árvore da Vida…

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O simbolismo esotérico do Natal

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O Simbolismo Esotérico do Natal
O Simbolismo da Árvore de Natal
A Magia Prática do Natal
O Pai-Nosso Esotérico – Pai Nosso em Hebraico

É claro que este é um evento maravilhoso, sobre o qual urge meditar profundamente…

O Sol realiza a cada ano uma viagem elíptica que começa no dia 25 de dezembro, e então regressa ao polo sul, até a região da Antártida; exatamente por isto vale a pena refletirmos em seu significado profundo.

Nesta época começa o frio aqui no norte, devido exatamente ao fato de que o Sol vai se afastando para as regiões austrais e, no dia 24 de dezembro, terá atingido o ponto máximo de sua viagem na direção sul. Se o Sol não avançasse rumo ao norte do dia 25 de dezembro em diante, morreríamos de frio.

A Terra inteira se converteria em um bloco de gelo e realmente pereceriam todas as criaturas, tudo o que tem vida.

Assim, vale a pena refletir sobre o acontecimento do Natal. O Cristo-Sol deve avançar para dar-nos vida, e, no equinócio da Primavera, se crucifica na Terra; então amadurecem a uva e o trigo.

É precisamente na Primavera que o Senhor deve passar por sua vida, paixão e morte, para logo ressuscitar; a Semana Santa é na Primavera no Hemisfério Norte.

O Sol físico nada mais é que um símbolo do Sol Espiritual, do Cristo-Sol. Quando os antigos adoravam o Sol, quando lhe rendiam culto, não se referiam exatamente ao Sol físico; rendia-se culto ao Sol Espiritual, ao Sol da Meia-Noite, ao Cristo-Sol. Inquestionavelmente, é o Cristo-Sol quem deve guiar-nos nos Mundos Superiores de Consciência Cósmica. Todo místico que aprende a funcionar fora do corpo físico à vontade é guiado pelo Sol da Meia-Noite, pelo Cristo Cósmico.

É preciso aprender a conhecer os movimentos simbólicos do Sol da Meia-Noite; é ele quem guia o Iniciado, quem nos orienta, ele é que nos indica o que devemos e não devemos fazer. Estou falando no sentido esotérico mais profundo, levando em conta que todo Iniciado sabe sair do corpo físico à vontade, que isto de não saber sair à vontade é próprio de principiantes, gente que ainda está dando os primeiros passos nesses estudos.

Se alguém está na Senda, tem que saber guiar-se pelo Sol da Meia-Noite, pelo Cristo-Sol, aprender a reconhecer seus sinais, seus movimentos. Se o vemos, por exemplo, desaparecer no ocaso, o que é que isto nos indica ? Simplesmente que algo deve morrer em nós. Se o vemos surgir do Oriente, o que é que isto nos diz ? Que alguma coisa deve nascer em nós.

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Quando nos saímos bem nas provas esotéricas, ele brilha em sua plenitude no horizonte. O Senhor nos orienta nos Mundos Superiores, e temos que aprender a reconhecer seus sinais.

Dupuis e muitos outros estudaram o maravilhoso acontecimento do Natal; não há dúvida, e isto o reconhece Dupuis, de que todas as religiões da antiguidade celebraram o Natal.

Assim como o Sol físico avança para o norte para dar vida a toda a criação, também o Sol da Meia-Noite, o Sol do Espírito, o Cristo-Sol, nos dá vida se aprendemos a cumprir com seus mandamentos.Nas Sagradas Escrituras se fala, obviamente, do acontecimento solar, e há que saber entender isto nas entrelinhas. A cada ano se vive no Macrocosmo todo o Drama Cósmico do Sol; cada ano, repito.

Leve-se em conta que o Cristo-Sol deve crucificar-se cada ano no mundo, viver todo o drama de sua vida, paixão e morte, para logo ressuscitar em tudo o que é, foi e será, quer dizer, em toda a criação. Assim, pois, é como todos nós recebemos a vida do Cristo-Sol.

Também é certo que cada ano o Sol, ao afastar-se para a região Austral, nos deixa tristes aqui no norte, pois vai dar vida a outras partes. As noites longas de inverno são fortes. Na época do Natal os dias são curtos e as noites longas.

Vamos refletindo sobre tudo isto, e convém que entendamos o que é o Drama Cósmico. É necessário que também em nós nasça o Cristo-Sol, ele deve nascer em nós. Nas Sagradas Escrituras se fala claramente de Belém e de um estábulo onde ele nasce; esse estábulo de Belém está dentro de cada um aqui e agora; precisamente nesse estábulo interior moram os animais do desejo, todos esses “eus ” passionais que carregamos em nossa psique, isto é óbvio.

“Belém” mesmo é um nome esotérico; nos tempos em que o grande Cabir veio ao mundo, a aldeia de Belém não existia, de modo que isto é inteiramente simbólico. Bel é uma raiz caldéia que significa Torre do Fogo, de modo que, propriamente dito, Belém é Torre do Fogo. Quem poderia ignorar que Bel é um termo caldeu que corresponde precisamente à Torre de Bel, à Torre do Fogo ? Assim, o termo Belém é totalmente simbólico.

Quando o Iniciado trabalha com o Fogo Sagrado, quando elimina completamente de sua natureza íntima os agregados psíquicos, quando de verdade está realizando a Grande Obra, indubitavelmente há de passar pela Iniciação Venusta; a descida do Cristo ao coração do homem é um acontecimento cósmico e humano de grande transcendência; tal evento corresponde na verdade à Iniciação Venusta.

Infelizmente, não se compreendeu realmente o que é o Cristo; muitos supõem que o Cristo foi exclusivamente Jesus de Nazaré, e estão equivocados. Jesus de Nazaré, como homem – ou, melhor dizendo, Jeshuá ben Pandirá – recebeu, como homem, a Iniciação Venusta, encarnou o Cristo, mas não é o único a ter recebido tal Iniciação. Hermes Trismegisto (Saiba mais, clique aqui), o três vezes grande Deus Íbis de Thot, também O encarnou. João Batista, a quem muitos consideravam como o Christus, o Ungido, inquestionavelmente recebeu a Iniciação Venusta, encarnou-O.

Os Gnósticos Batistas asseguravam na Terra Santa que o verdadeiro Messias era João, e que Jesus era somente um Iniciado que havia querido seguir a João. Havia naquela época disputas entre Batistas, Gnósticos, Essênios e outros.

Devemos entender o Cristo tal qual é, não como uma pessoa, como um indivíduo. O Cristo está mais além da Personalidade, do Eu e da Individualidade. Cristo em esoterismo autêntico é o Logos, o Logos Solar representado pelo Sol. Agora compreenderemos porque os Incas adoravam o Sol, os Nahuas lhe rendiam culto, os Maias, os Egípcios, etc. Não se trata da adoração a um sol físico, mas ao que se oculta atrás deste símbolo físico; obviamente, adorava-se o Logos Solar, o Segundo Logos. Este Logos Solar é unidade múltipla perfeita. A variedade é unidade. No mundo do Cristo Cósmico a individualidade separada não existe; no Senhor somos todos um…

Me vem à memória certa experiência, digamos, esotérica, realizada há muitos anos. Então, submergido em profunda meditação, obtive certamente o Samadhi, o estado de Manteia, o Êxtase, como é chamado no esoterismo ocidental. Naquela ocasião eu desejava saber algo sobre o batismo de Jesus, o Cristo, pois bem sabemos que João o batizou.

Foi profundo o estado de abstração, obtive o perfeito Dharana, ou seja, concentração, o Dhyana, ou meditação, e por fim consegui o Samadhi; me atreveria a dizer que foi um Maha-Samadhi, porque abandonei perfeitamente os corpos Físico, Astral, Mental, Causal, Búdico e até o Átmico. Consegui, pois, reabsorver minha consciência de forma íntegra no Logos. Assim, nesse estado logoico, como um Dragão de Sabedoria, fiz a correspondente investigação.

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De imediato me vi na Terra Santa, dentro de um templo; mas, coisa extraordinária, vi a mim mesmo convertido em João Batista, com uma vestimenta sagrada; vi quando traziam a Jesus com sua veste branca, sua túnica branca.

Dirigindo-me a Ele, disse: “Jesus, despe tua túnica, tua vestimenta, pois vou batizar-te”. Depois retirei de um recipiente um pouco de azeite de oliva, conduzi-O ao interior do Santuário, ungi-O com o óleo, despejei água sobre Ele e recitei os mantras e ritos. Depois, o Mestre se sentou em sua cadeira à parte; eu guardei tudo novamente, pus os objetos em seus lugares e dei por terminada a cerimônia. Mas vi-me transformado em João!

É claro que, uma vez passado o Êxtase, o Samadhi, pensei: “Mas como é possível que eu seja João Batista? Nem remotamente, eu não sou João Batista! Fiquei bastante perplexo e pensei: “Vou fazer agora outra concentração, mas agora não vou me concentrar em João, vou concentrar-me em Jesus de Nazaré”. Então escolhi como motivo da concentração o Grande Mestre Jesus.

O trabalho foi longo e árduo, a concentração foi se fazendo cada vez mais profunda; logo passei do Dharana – concentração, ao Dhyana – meditação, e deste ao Samadhi, ou Êxtase. Fiz um esforço supremo que me permitiu despir-me dos corpos Físico, Astral, Mental, Causal, Búdico e Átmico até introverter minha consciência, absorvendo-a no mundo do Logos Solar, e, em tal estado, querendo saber sobre o Cristo Jesus, me vi a mim mesmo convertido em Cristo Jesus, fazendo milagres e maravilhas na Terra Santa, curando os enfermos, dando vista aos cegos etc., e, por último, me vi vestido com as vestes sagradas chegando ante João naquele Templo. Então João se dirigiu a mim e disse: “Jesus, retira tua vestimenta, pois vou batizar-te”. Trocaram-se os papéis, já não me vi transformado em João mas em Jesus, e recebi o batismo de João.

Passado o Samadhi, regressando ao corpo físico, vim a constatar perfeitamente, com toda a clareza, que no mundo do Cristo Cósmico somos todos um. Se eu tivesse querido meditar em qualquer um de vocês, lá no mundo do Logos, me teria visto transformado em um de vocês, vivendo sua vida, já que lá não há individualidade, não há personalidade nem Eu; ali somos todos o Cristo, ali somos todos João, ali todos somos o Buda, ali somos todos um; no mundo do Logos não existe a individualidade separada.

O Logos é Unidade Múltipla Perfeita, é uma energia que se move e palpita em todo o criado, que subjaz em todo átomo, em todo elétron, em todo próton, e se expressa vivamente através de qualquer homem que esteja devidamente preparado.

Bem, este esclarecimento teve como objetivo explicar melhor o acontecimento de Belém. Quando um homem está devidamente preparado, passa pela Iniciação Venusta – mas, esclareço, deve estar devidamente preparado – e na Iniciação Venusta consegue a encarnação do Cristo Cósmico em si mesmo, dentro de sua própria natureza.

Inutilmente teria Jesus nascido em Belém se não nascesse em nosso coração também. Inutilmente teria morrido e ressuscitado na Terra Santa, se não morre e ressuscita em nós também. Esta é a natureza do Salvátor Salvandus. O Cristo Íntimo deve salvar-nos, mas salvar-nos desde dentro, a todos nós. Aqueles que aguardam a vinda de Jesus de Nazaré para um futuro remoto estão equivocados; o Cristo deve vir agora desde dentro, a segunda vinda do Senhor é desde dentro, desde o próprio fundo da Consciência.

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Por isto está escrito o que Ele disse: “Se ouvires alguém dizendo na praça pública que é Cristo, não o creiais, e se disserem “Ele está ali no Templo predicando”, não o creiais”. É que o Senhor não virá desta vez de fora mas de dentro, virá desde o próprio fundo de nosso coração, se nós nos prepararmos. Paulo nos esclarece, dizendo: “De Sua virtude tomamos todos, graça por graça”.

Então, está documentado; se estudarmos cuidadosamente Paulo de Tarso, veremos que raramente alude ao Cristo histórico; cada vez que Paulo de Tarso fala sobre Jesus Cristo, refere-se ao Jesus Cristo Interior, ao Jesus Cristo Íntimo, que deve surgir do fundo de nosso Espírito, de nossa Alma.

Enquanto o homem não O tiver encarnado, não se pode dizer que possua a Vida Eterna, só Ele pode tirar nossa Alma do Hades, só Ele pode verdadeiramente dar-nos Vida, e em abundância. Assim, pois, devemos ser menos dogmáticos e aprender a pensar no Cristo Íntimo, isto seria grandioso…

Todo o simbolismo relacionado com o nascimento de Jesus é alquímico e cabalístico. Diz-se que três Reis Magos vieram adorá-lo, guiados por uma estrela; este trecho não pode ser compreendido, falando francamente, se não se for versado em alquimia, porque é alquímico. Que são essa estrela e esses Reis Magos? E eu vos digo que essa estrela não é outra coisa que o Selo de Salomão, a estrela de seis pontas, símbolo do Logos Solar.

O triângulo superior representa obviamente o Enxofre, ou seja, o Fogo. E o inferior, o que representa em Alquimia? O Mercúrio, a Água; mas a que tipo de água se referem os Alquimistas? Dizem eles: “A Água Que Não Molha as Mãos, o Úmido Radical Metálico”, em outras palavras, o Exiohehari.

Ele nasce no estábulo de nosso próprio corpo dentro do qual temos todos os animais do desejo, das paixões inferiores. Ele tem que crescer, desenvolver-se ascendendo pelos diversos graus até converter-se num Homem entre os homens, tomar a seu cargo todos os nossos processos mentais, volitivos, sexuais, emocionais, etc., passar por um homem comum. Mesmo sendo o Cristo um Ser tão perfeito, um Homem que não peca, ainda assim deve viver como um pecador entre pecadores, um desconhecido entre outros desconhecidos; esta é a crua realidade dos fatos.

Mas (o Cristo) vai crescendo, vai-se desenvolvendo à medida que elimina em si mesmo os elementos indesejáveis que levamos dentro. É tal sua integração conosco que lança toda a responsabilidade sobre seus ombros. Converteu-se num pecador como nós, não sendo Ele um pecador – sentindo em carne e osso as tentações, vivendo como um homem qualquer.

E assim, pouco a pouco, à medida que vai eliminando os elementos indesejáveis de nossa Psique, não como algo alheio ou estranho mas como algo próprio Dele, vai se desenvolvendo no interior de nós mesmos; isto precisamente é o maravilhoso. Se não fosse assim, seria impossível realizar a Grande Obra. É Ele quem tem de eliminar todo esse Mercúrio Seco, todo esse Enxofre venenoso, para que os Corpos Existenciais Superiores do Ser possam converter-se em veículos de Ouro Puro, Ouro da melhor qualidade.

Os Três Reis Magos que vieram adorar o Menino representam as cores da Grande Obra.

A primeira cor é o Negro, quando estamos aperfeiçoando o corpo. Isto, repito, simboliza o Corvo Negro da Morte, é a Obra de Saturno simbolizada pelo Rei Mago de cor negra; então passamos por uma morte, a morte de nossos desejos, paixões etc., no Mundo Astral.

A seguir vem a pomba Branca, isto é, o momento em que já desintegramos todos os Eus do Mundo Astral; adquirimos então o direito de usar a túnica de linho branco, a túnica do Ptah egípcio, a túnica de Ísis; evidentemente, esta cor é simbolizada pela Pomba Branca; este é ainda o segundo dos Reis, o Rei Branco.

Já bastante avançado no aperfeiçoamento do Corpo Astral, apareceria a cor Amarela, ou seja, conquistaria o direito à túnica Amarela; então aparece a Águia Amarela, o que nos recorda o terceiro dos Reis Magos, que é da raça amarela.

Finalmente, a coroação da Obra é a Púrpura. Quando um corpo, seja o Astral, o Mental ou o Causal, já se tornou de Ouro Puro, recebe a púrpura dos Reis, porque triunfou. Assim, como podem ver, os Três Reis Magos não são três indivíduos, como muitos acreditam, mas símbolos das cores fundamentais da Grande Obra, e o próprio Jesus Cristo vive dentro.

Jesus em hebraico é Jeshuá; Jeshuá significa Salvador, e, como Salvador, nosso Jeshuá Particular tem de nascer neste estábulo que temos dentro de nós para realizar a Grande Obra; Ele é o Magnésio Interior do Laboratório Alquimista. O grande Mestre deve surgir no fundo de nossa Alma, de nosso Espírito.

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O mais duro para o Cristo Íntimo, após seu nascimento no coração do Homem, é precisamente o Drama Cósmico, sua Via-Crúcis. No Evangelho as multidões aparecem pedindo a crucificação do Senhor; essas não são multidões de ontem, de um passado remoto, como se supõe, de algo que ocorreu há 1975 (ano em que este texto foi escrito) anos.

Não, senhores, essas multidões estão dentro de nós mesmos, são nossos famosos “Eus”; dentro de cada pessoa moram milhares de pessoas, o “Eu do ódio”, o “Eu tenho ciúmes”, o “Eu sinto inveja”, o “Eu da cobiça”, ou seja, todos os nossos defeitos, e cada defeito é um “Eu” diferente. É claro que essas multidões que trazemos dentro de nós, que são nossos famosos “Eus”, são os que gritam: “Crucifiquem-nO, crucifiquem-nO…”

Quanto aos Três Traidores, já sabemos que no Evangelho Crístico são Judas, Pilatos e Caifás. Quem é Judas? O Demônio do Desejo. Quem é Pilatos? O Demônio da Mente. Quem é Caifás? O Demônio da Má Vontade.

Mas é preciso esclarecer isto, para que se possa compreendê-lo melhor. Judas, o Demônio do Desejo, troca o Cristo Íntimo por 30 moedas de prata: 30 (3 + 0 = 3), esta é a alusão cabalística, ou seja, troca-O pelas coisas materiais, pelo dinheiro, pela bebida, pelo luxo, pelos prazeres animais etc.

Quanto a Pilatos, é o Demônio da Mente; este sempre “lava as mãos”, nunca tem culpa, para tudo encontra uma evasiva ou justificativa, jamais se sente responsável.

Realmente, estamos sempre justificando todos os defeitos psicológicos que temos em nosso interior, jamais nos julgamos culpáveis.

Muita gente me diz: “Acredito ser uma boa pessoa; eu não mato, não roubo, sou caridoso, não sou invejoso”, ou seja, são todos cheios de virtude, perfeitos, segundo eles próprios; “ignoto”, é o que tenho a dizer ante tanta perfeição.

Assim, olhando as coisas como são, em seu cru realismo, esse Pilatos sempre lava as mãos, nunca se considera culpado.

Quanto a Yousef Caifás, francamente o considero o mais perverso de todos. Pensem no que representa Caifás: muitas vezes o Cristo Íntimo nomeia um Sacerdote, um Mestre ou Iniciado para que guie suas ovelhas e as apascente, lhe entrega a autoridade e o põe à frente de uma congregação, e o tal Sacerdote, Mestre, Iniciado etc., em vez de guiar seu povo sabiamente, vende os Sacramentos, prostitui o Altar, fornica com as devotas etc. Ou seja, trai o Cristo Interno, isto é o que faz Caifás.

É doloroso isso? É claro, é horrível, é uma traição do tipo mais sujo que há, e não há dúvida de que muitas religiões se prostituíram e muitos sacerdotes traíram o Cristo Íntimo; não me refiro a nenhuma seita em particular, mas a todas as religiões do mundo. É possível que haja grupos esotéricos dirigidos por verdadeiros Iniciados, e que estes, muitas vezes traidores, tenham traído o Cristo Íntimo.

Tudo isto é doloroso, infinitamente doloroso. Caifás é o que há de mais sujo. Estes três traidores levam o Cristo Íntimo ao suplício.

Pensem por um instante no Cristo Íntimo no mais profundo de cada um de vocês, senhor de todos os processos mentais e emocionais, lutando por salvá-los, sofrendo terrivelmente; os próprios Eus de vocês protestando contra Ele, blasfemando, pondo-Lhe a coroa de espinhos, açoitando-O. Bem, esta é a crua realidade dos fatos, este é o Drama Cósmico vivido interiormente.

Finalmente, este Cristo Íntimo subiria ao Calvário, isto é óbvio, e baixa ao sepulcro, com sua morte mata a morte, isto é a última coisa que faz. Posteriormente ressuscita no Iniciado e o Iniciado ressuscita n’Ele.

Então a Grande Obra está realizada, consummatum est. Assim têm surgido através dos séculos Mestres Ressurrectos; lembremos um Hermes Trismegisto, um Moria, grande Mestre da Força do Tibet, lembremos o Conde Cagliostro, que ainda vive, e Saint-Germain, que em 1939 visitou outra vez a Europa. Este Saint-Germain trabalhou ativamente nos séculos 17, 18 e 19 e, entretanto, continua a existir fisicamente, é um Mestre Ressurrecto.

Por que são Mestres Ressurrectos? Porque, graças ao Cristo Íntimo, obtiveram a Ressurreição. Sem o Cristo Íntimo, a Ressurreição não seria possível.

Aqueles que supõem que pelo simples fato de morrer fisicamente alguém já tem direito à Ressurreição dos Mortos são realmente dignos de compaixão; falando outra vez em estilo socrático, não apenas ignoram mas, o que é ainda pior, ignoram que ignoram.

A Ressurreição é algo pelo qual se tem de trabalhar, e trabalhar aqui e agora, e é preciso ressuscitar em carne e osso (e ao vivo). A Imortalidade deve-se consegui-la agora mesmo, pessoalmente; assim se deve considerar todo o Mistério Crístico.

Todo o Drama Cósmico é em si mesmo extraordinário, maravilhoso, e se inicia realmente com o Natal do Coração.

O que vem a seguir relacionado com o Drama, a fuga para o Egito, quando Herodes manda matar todos os meninos e Ele tem de fugir, tudo é simbólico, totalmente simbólico.

Dizem (num Evangelho Apócrifo) que Jesus, José e Maria tiveram de fugir para o Egito, tendo permanecido vários dias vivendo sob uma figueira, e que desta figueira saiu um manancial de água puríssima – é preciso saber compreender isto : esta figueira representa sempre o sexo; dizem ainda que se alimentavam do fruto desta figueira, os frutos da Árvore da Ciência do Bem e do Mal. A água que corria puríssima, que saía desta figueira, é nada menos que o Mercúrio da Filosofia Secreta.

Quanto à decapitação dos inocentes, muito se tem escrito sobre isso. Nicolas Flamel deixou gravadas nas portas do cemitério de Paris cenas retratando a degola dos inocentes. Por que essa cruel degola dos inocentes? Não obstante, isto é também muito alquímico, todo Iniciado tem de passar pela decapitação.

Mas o que é que o Cristo Íntimo tem de decapitar em nós? Simplesmente deve degolar o Ego, o Eu, o Si Mesmo, e o sangue que emana da decapitação é o Fogo, é o Fogo Sagrado pelo qual o Iniciado tem de purificar-se, limpar-se, branquear-se; tudo isso é profundamente esotérico, nada pode ser tomado “ao pé da letra”.

A seguir vêm os feitos milagrosos do grande Mestre. Caminhava sobre as águas, [como] sobre as Águas da Vida tem de caminhar o Cristo Íntimo. Abrir a visão dos que não veem, predicando a palavra para que vejam a luz; abrir os ouvidos dos que não querem ouvir, para que escutem a palavra.

Quando o Senhor já cresceu no Iniciado, tem de tomar a palavra e explicar a outros o que é o caminho, limpar os leprosos; não há ninguém que não esteja leproso, essa lepra é o Eu pluralizado, essa é a epidemia que todos levam dentro de si, a lepra da qual devemos ser limpos.

Os que estão paralíticos não caminham ainda pela Senda da Autorrealização, o Filho do Homem deve curar os paralíticos para que andem rumo à montanha do Ser.

Há que compreender tudo isto de forma mais íntima, mais profunda; isto não corresponde a um passado remoto, é para ser vivido dentro de nós mesmos aqui e agora.

Se começamos a amadurecer um pouquinho, saberemos apreciar melhor a mensagem que o Grande Kabir Jesus trouxe à Terra.
Em todo caso, precisamos passar por Três Purificações, à base de ferro e fogo – este é o significado dos Três Cravos da Cruz. E a palavra INRI diz muito. Já sabemos que INRI esotericamente é o Fogo; necessitamos passar pelas Três Purificações à base de ferro e fogo antes de conseguir a Ressurreição, do contrário seria impossível lográ-la.

Aquele que ressuscita se transforma radicalmente, se converte num Deus-Homem, é um Hierofante da estatura de um Hermes, um Quetzalcóatl ou um Buda.

Mas é necessário fazer a Grande Obra. Realmente, não se poderia entender os quatro Evangelhos se não se estudasse Alquimia e Cabala, porque [os Evangelhos] são alquimistas e cabalistas, isto é óbvio.

Os judeus tinham três livros sagrados. O primeiro é o corpo da doutrina, a Bíblia. O segundo é a alma da doutrina, o Talmude, no qual está a alma nacional judaica. E o terceiro é o espírito da doutrina, o Zohar, onde está toda a Cabala dos rabinos.

A Bíblia, o corpo da doutrina, está escrita sob chave. Se queremos estudar a Bíblia “compaginando versículos”, procedemos de forma ignorante, empírica e absurda.

Prova disto é que todas as seitas mortas que, até a época atual, se nutriram da Bíblia interpretada de forma empírica, não puderam entrar em acordo. Se existem milhares de seitas baseadas na Bíblia, quer dizer que nenhuma delas a compreendeu.

As chaves para a interpretação estão no Zohar, escrito por Shimon ben Yochai, o grande rabino iluminado. Aí encontramos as chaves para interpretar a Bíblia. Então, é necessário “abrir” o Zohar.

 

Se queremos saber algo sobre o Cristo, sobre o Filho do Homem, devemos estudar a Árvore da Vida

Samael Aun Weor

Os deuses penates – Os anjos da guarda coletivos

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Assim como existe uma Parte de nosso Ser Divino chamada Anjo da Guarda, ou Intercessor, também existem os Anjos Guardiães coletivos: de vilarejos, aldeias, cidades, estados, países e até planetários, como veremos no texto a seguir:

Ensina o VM Samael Aun Weor que existem diversas categorias de Regentes, desde os superuniversos e supersóis, passando pelas galáxias, sistemas solares etc. Temos também os Regentes interplanetários e os Regentes de cada planeta, cada lua, cometas e gametas etc. Ensina o Mestre sobre os Regentes regionais:

Um sopor de incontáveis séculos pesa sobre os antigos Mistérios e os Deuses Penates continuam existindo nos Universos Paralelos.

Os hierofantes podem conversar com esses Deuses Penates, regentes de cidades, povos, aldeias e lugares, nos mundos suprassensíveis das dimensões superiores do espaço.

O bendito Patrono de um povo é o seu Deus Penate ou Santo Anjo da Guarda. O Reitor Secreto de qualquer cidade é sua deidade especial. O Espírito protetor de qualquer família é seu diretor espiritual…

Todos os Gênios ou Jinas misteriosos das raças, famílias, nações, tribos, clãs… constituem os Deuses Penates dos tempos antigos que continuam existindo nos mundos superiores.

Muitas vezes temos conversado com esses Deuses Penates, regentes de antigas cidades clássicas, os quais alguns padecem o indizível, pagando terríveis dívidas kármicas.

Geoffrey Hodson, eminente clarividente da Sociedade Teosófica, ensina também sobre esse tema dos Deuses Penates:

“Toda raça humana é presidida por um excelso Arcanjo, que exerce continuamente uma influência espiritualizante sobre os Íntimos de todos os homens. Este Arcanjo da raça humana unifica-se no nível da Vontade Espiritual, ou Atman, com cada Alma humana.

E emprestando a cada um o seu poder Átmico, muito mais altamente desenvolvido, lhes intensifica a influência de sua própria Mônada e do Raio desta. O grau dessa intensificação e da correspondente resposta do homem varia através de milhares de séculos, de acordo com o efeito da progressão cíclica e da culminação e coincidência dos ciclos componentes.

Não obstante, supõe-se que esse ministério continue ininterrupto através de todo o período mundial, cuja duração, em termos de tempo físico, tem-se dito ser pelo menos de 50 milhões de anos.

Cada nação bem estabelecida é presidida, de modo semelhante, por um Anjo Nacional ou Arcanjo Potentado. Esta excelsa inteligência está mais particularmente associada com as Almas de todos os cidadãos da nação. Ele se unifica com cada um e continuamente intensifica a força e a vida espirituais do Ser.

Algumas vezes também envia um impulso até a personalidade para ela agir da maneira que melhor contribua para o preenchimento do dharma e da evolução até a estatura do ‘homem perfeito’.

Um Anjo Nacional pode ser estudado sob dois pontos de vista distintos. De acordo com um aspecto, ele pode ser encarado como um membro das mais elevadas ordens da Hierarquia Angélica, designado para esse alto cargo.

O trabalho do Anjo Nacional é estimular a evolução de sua nação e inspirar seus líderes a tomarem decisões no sentido de auxiliar o preenchimento do dharma nacional.

Ele procura reduzir ao mínimo os efeitos dos erros e exercer uma influência moderadora, de sorte que a nação não se afaste indevidamente do caminho que a conduz ao seu mais alto destino, ou fracasse em tomar o seu lugar designado na família das nações.

Como já foi dito anteriormente, acima dos Anjos Nacionais do mundo há um Ser ainda mais elevado, que auxilia toda a raça humana neste planeta, de maneira análoga àquela em que o Anjo Nacional ajuda o seu povo particular.

Superiores a este Oficial existem, com toda probabilidade, Anjos Interplanetários, que auxiliam a totalidade da humanidade em uma Ronda, Cadeia ou Esquema Planetário.

Não há dúvida de que esse sistema hierárquico se estende até incluir Sistemas Solares, e mesmo Cósmicos, todos ligados entre si por seres angélicos de crescente estatura espiritual.

Quer nos parecer que um método hierárquico algo similar é empregado pelos membros mais avançados da raça humana, que constituem a Grande Fraternidade Branca dos Adeptos, que velam pela humanidade.

A reação adversa ou favorável resultante da conduta, isto é, os maus-tratos da população indigente de países colonizados produz karma adverso, enquanto o auxílio prestado a povos necessitados gera karma favorável.

Desde que ambos são educativos, todo karma, em última análise, é benéfico.

Tal é, em resumo, a natureza e a atividade de um Anjo Governador. A tradição oculta assinala à Deusa Palas Ateneia, pelo menos até o fim da Idade de Ouro, o encargo de Governadora Arcangélica da nação grega.”

O poderoso Deva que rege e guia o progresso dos povos islâmicos em geral e árabes em particular encontra-se no mundo causal, sobre o monumento sagrado chamado Caaba (do grego Cubo, ou Pedra Cúbica de Yesod). Esse é o Deus que abençoa, guia e ilumina a todos que oram em direção à Caaba

As 8 virtudes da Kundalini

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Sidarta Gautama (cujo nome sagrado do seu Ser Interno é Amitaba), ensinou que a nossa Verdade Interior pode ser despertada positivamente por meio do Caminho do Meio. Este Caminho, ou Senda Esotérica, é formado por oito fatores simultâneos que permitem, ao casal tântrico, a ascensão positiva da Kundalini.

Para que a Kundalini se desenvolva e desperte, necessita-se trabalhar com a Magia Sexual Branca e, paralelamente, com os méritos do coração. Isso de “méritos do coração” inicia-se com oito princípios fundamentais para o reto viver, para que nossa vida cotidiana entre em ressonância com o correto Trabalho Interno.

A Kundalini é governada pelos méritos do coração, onde se manifesta a Magia da Luz, ou Clara Luz do Ser. Quem não trabalha com as virtudes da Kundalini, mesmo praticando a “castidade” cai, pois o Ego, a mente, toma conta das energias transmutadas e nos faz adquirir mais karma do que já temos, afastando-nos de nosso Ser Interno.

É necessário compreender os aspectos ocultos do desenvolvimento da Energia Sagrada, para que Ela não se torne a Serpente Tentadora do Éden, que é a antípoda da Serpente de Luz.

Esse óctuplo sendeiro, segundo ensinamentos do venerável mestre gnóstico Samael Aun Weor, é um caminho de vida formado pelos cascos dos cavalos da morte. Isso deve ser profundamente compreendido pelos “caminhantes da Senda”.

As oito virtudes podem ser interpretadas da seguinte maneira:

1ª Virtude (Reto Pensar): para que a serpente ascenda pela nossa coluna vertebral devemos aprender a usar os pensamentos correta e positivamente. Isso significa que devemos nos conectar com a nossa Mente Interior (Lógica Superior), e não com a mente sensorial (ou sensual), ou seja, com a mente racional.

A lógica racional fundamenta-se na lógica formal, enquanto a lógica superior se fundamenta na Consciência. Todos os pensamentos negativos (luxúria, ambição, cobiça etc.) devem ser desligados do corpo, para gerar uma mente pura que sinta e que diga a Verdade, como ela é, e não como queremos que ela seja. A Kundalini não sobe ou atua com uma mente mecânica, subjetiva.

2ª Virtude (Reto Agir): é a forma de se agir interna e externamente. Na convivência familiar e social não sabemos nos comportar adequadamente. De nosso reto agir depende nosso êxito ou fracasso, tanto social quanto esotericamente. Ser decentes, amáveis, sinceros, mas sem fingir. Devemos combinar perfeitamente os eventos externos e os internos, evitar atuações hipócritas, falsos sorrisos, apenas para mantermos a autoimagem. Devemos aprender a viver sem sermos vítimas das circunstâncias.

3ª Virtude (Reto Falar): São Tiago dizia: “A língua é pequena, mas muda os destinos do homem”. Se controlarmos a palavra, o verbo, também poderemos controlar o corpo. Para se dominar o cavalo, também se necessita controlar sua boca. Devemos falar, porém, saber falar. A palavra ofensiva mata. Devemos sempre falar a verdade, porém, devemos saber como falar essa verdade. Ferir cruelmente, insultar, gritar, rir, consomem nosso Fogo Criador.

Se falharmos com o nosso verbo, também falharemos com o nosso Pai. É fundamental compreender que o chacra laríngeo está intimamente relacionado com o chacra sexual. É tão prejudicial calar quando se deve falar como falar quando se deve calar. Nisso deve haver muita sabedoria, pois senão, pode-se incorrer em “fornicação verbal”.

4ª Virtude (Amor e Paz): trata-se de uma virtude essencial. Essa virtude se relaciona especialmente com o Amor Consciente. Significa sentir e viver consciente, dando às pessoas de nosso relacionamento a Medicina do Amor. Por outro lado, a paz chega ao coração tranquilo através das mudanças na forma de viver. Essas virtudes são importantes porque a Mãe Divina é Amor. Ódios e rancores impedem o avanço na Senda Iniciática.

Hermes Trismegisto (clique aqui) disse: “Dou-te amor, que está contido dentro de si o sumo da sabedoria, porém Amor Consciente”.

A paz não é um estado que se consegue por meio de esforços, cursos, leituras. A paz é uma expressão de nosso Ser Divino, portanto, só a alcançaremos quando criarmos uma conexão com o Ser por meio da meditação, da oração e, essencialmente, com a morte dos desequilíbrios mentais que, dentro dos estudos gnósticos, chama-se Ego. A paz desce a nós por meio do absoluto e radical Silêncio Interior.

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5ª Virtude (Compreensão): esta é uma faculdade da Consciência. Devemos compreender as outras pessoas para que elas nos compreendam. O Trabalho Esotérico sem sua profunda compreensão nada ou pouco vale. A meditação e o trabalho com o lado direito do cérebro são imprescindíveis para desenvolvermos esta virtude.

6ª Virtude (Vontade): a Vontade não pode ser compreendida como desejo. Este último é uma manifestação egoica, que tem seu próprio corpo, o de Desejos. Por outro lado, pode ser também uma expressão da Consciência. Para prevalecer nossa Consciência por meio da Vontade, é imprescindível trabalhar com nossas “paixões interiores e exteriores”. Aqueles volúveis, que constantemente mudam de posição, não desenvolvem a Vontade Consciente. Essa virtude da Kundalini está diretamente ligada ao processo esotérico da Continuidade de Propósitos do esoterista iniciante dos estudos gnósticos. O Trabalho interno e externo deve ser sempre exercido com boa vontade.

7ª Virtude (Reta Maneira de Ganho de Vida): o correto é se ganhar o pão de cada dia honestamente, com sacrifício, para adquirir alimento, abrigo e refúgio. O homem vulgar se apega à matéria. O asceta renega a matéria. Já o sábio usa inteligentemente a matéria… Outra questão nessa virtude são os benefícios ou malefícios do trabalho em relação ao nosso Ser, ao nosso corpo e à sociedade. Não é admissível, por exemplo, o Iniciado exercer profissões como, por exemplo, em matadouros, venda de bebidas alcoólicas, vendas de armas, lotéricas, boates, danceterias, comércio de carne suína, jornalismo de fofocas etc.

8º Virtude (Reto Esforço): o reto esforço significa nos esforçarmos corretamente, sem esforços inúteis e/ou desgastantes. Há diferença entre esforços conscientes e esforços mecânicos. Há grande diferença entre fazer e fazer corretamente.

Ali Onaissi – Jornalista, escritor e coordenador do Portal GnosisOnLine

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Os 7 corpos: Anatomia oculta do homem

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O Conhecimento Oculto afirma que o Homem é potencialmente a criação mais maravilhosa e complexa que Deus criou no universo.

Dentro de nós manifestam-se todas as leis cósmicas, todos os princípios elementais e todos os anseios de autorrealização da Mãe Natureza. As virtudes mais sublimes e o fôlego da Eternidade suspiram em nossos ouvidos tentando nos relembrar de nossas Origens. Apesar de nosso corpo físico ser uma das obras primas da natureza, ele é apenas uma pequena peça de um todo muitíssimo mais fantástico e complexo.

Os sete Arcanjos da Presença vibram no mais profundo da Alma na forma de átomos de Amor, Poder e Vida em nossas sete igrejas apocalípticas (os Chacras).

A santa Fraternidade Branca interna ressoa nos átomos mais sublimes de nosso cérebro.

A ternura onipotente da Mãe Divina ilumina cada célula de nosso coração.

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E o que dizer de nossos íntimos elementais atômicos? Os gnomos internos de nossos ossos e músculos, as ondinas do sangue e líquidos sexuais, os silfos trabalhando intensamente em nossos ares vitais (pulmões, pensamentos etc.) e as salamandras atômicas, dando-nos aquela sensação de calor e ânimo de viver.

Um grande mago moderno, dr. Jorge Adoum (Adonai), dizia que o ser humano é um rei da natureza, porém, um rei sem cetro, cujo reino ainda espera ansioso para ser domado.

Os Sete Corpos

De acordo com as leis sagradas do Sete e do Quatro, as composições químicas e energéticas do corpo e da alma se agrupam em níveis de densidade que vão do mais grosseiro ao mais sutil, do corpo tridimensional de carne e osso ao Espírito da Vida. As sete estruturas, ou corpos, do homem, à semelhança do Universo inteiro, são:

1. Físico
2. Etérico (ou Vital)
3. Astral (ou de Desejos)
4. Mental
5. Causal (ou da Vontade; Alma Humana)
6. Consciência (ou Alma Divina)
7. Íntimo (ou Espírito)

O grande mestre e médico de almas Paracelso os designava assim:

1. Limbus
2. Múmia
3. Archaous
4. Sideral
5. Adech
6. Aluech
7. Corpo do Íntimo

luz2Os distintos sete corpos dessa Anatomia Oculta interligam-se, influenciando-se e afetando-se mutuamente. Quando ocorre um desequilíbrio de um dos corpos acima citados, os outros ressentem, ocorrendo então uma desarmonia ou doença.

Enquanto a saúde do corpo onde primeiro ocorreu o desequilíbrio não for totalmente restabelecida, não haverá o radical processo de cura. Ou seja, todo o conjunto permanecerá doente (com exceção dos dois corpos mais sutis, a Consciência e o Espírito, pois estes somente influenciam).

Poderes que Divinizam o Homem

Quando nos damos conta da existência daquela parte divina dentro de cada um de nós; quando descobrirmos com a emoção mais profunda do coração que essa divindade íntima quer que desvendemos as esferas superiores de nossa Consciência; enfim, quando em nossas viagens internas começamos a responder à inteligência do Pai Íntimo, então sim, como filhos pródigos poderemos nos considerar um Deus, em potencial.

A investigação de nossa Alma nos faz crer que existem poderes que levariam nossa vida a uma mudança tão radical que os limites de nosso cotidiano se confundiriam com o Ilimitado. Com o uso de sons vocálicos, mântricos, podemos conquistar nossa herança mágica, perdida num passado longínquo.

Mantras são invocações sonoras que o mago utiliza para harmonizar seu corpo e seus Centros com as forças mais sutis da Natureza (sobre esse tema trataremos em outro texto do GnosisOnline).

Os homem possui ao todo 12 poderes, ou sentidos. Cinco sentidos físicos (olfato, audição, paladar, tato e visão) e sete suprafísicos, atrofiados na grande maioria de nós. Eventualmente um ou outro sentido suprafísico se manifesta, dando-nos a certeza de que eles existem. Esses poderes são:

1. Clarividência
2. Clariaudiência
3. Intuição
4. Telepatia
5. Viagem Astral
6. Recordação de Vidas Passadas
7. Polividência

 

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1. Clarividência: É a Terceira Visão. Com este poder, apresenta-se ante nosso olho interior todo o universo oculto, as dimensões superiores e inferiores, os elementais e os anjos, os corpos sutis, os desencarnados e as formas-pensamento. Desenvolve-se a clarividência despertando o chacra frontal (entre as sobrancelhas) e trabalhando-se a Ira. As virtudes são paciência, serenidade e Imaginação consciente (não confundir com Fantasia). A cor deste chacra é azul com matizes de rosa. O mantra para seu despertar é INRI

2. Clariaudiência: É o chamado Ouvido Interno ou Oculto. Com este sentido podemos escutar a voz dos desencarnados, dos Mestres, a Música das Esferas, compreender cada palavra pronunciada, valorizar a virtude do amor à Verdade e compreender as Leis de Causa e Efeito. O chacra deste sentido é o Laríngeo, situado na base da garganta. Suas cores são índigo e prata. O mantra é ENRE

3. Intuição: É a voz divina que nos fala por meio do Cárdias, o chacra do coração. Com este sentido captamos o profundo significado das coisas e ficamos sabendo com antecedência o que fazer. Os místicos afirmam que este chacra desenvolvido nos dá também o poder da levitação (Jinas). A virtude para este chacra é o Amor. E a cor é o dourado. O mantra é ONRO

4. Telepatia: Quando andamos pela rua, pensamos em alguém e logo passamos por ele; isso se chama captação de pensamento, e é despertado com as virtudes do respeito a tudo e a todos, a discrição, o não julgar a ninguém. O chacra é o do plexo solar, na altura do umbigo. É chamado de Solar por ser o acumulador dos átomos ígneos que vêm do Sol. Aclaramos que a Transmissão das ondas de pensamento se faz por meio do chacra frontal e a captação pelo solar. As cores são o verde e o amarelo. O mantra é UNRU

5. Viagem Astral: Todos, sem exceção, saímos do corpo físico nas horas de sono. Nossos sonhos são vivências (quase sempre inconscientes) de fatos ocorridos no mundo astral, ou quinta dimensão. Quem de nós, em um dado momento, estando relaxados, de repente pensamos em alguma coisa e nosso corpo sente um leve choque, como que assustados? Na verdade, sem o saber, estivemos saindo gradativamente do corpo físico e voltamos bruscamente. Quando um indivíduo domina relativamente esse poder, consegue conversar com os mestres e todos os desencarnados, penetrar nos templos das igrejas elementais, viajar a qualquer lugar do mundo, acima e sob a terra.

Quando todos os chacras, especialmente o cardíaco, prostático e hepático, estão em perfeita sintonia com as forças sutis do Cosmos, a saída astral se torna mais consciente. A virtude é a Vontade e os defeitos a serem trabalhados são a preguiça, o medo e a gula. A cor é o azul celeste. O mantra é FARAON

6. Recordação de Vidas Passadas: Essa função depende de um sistema nervoso equilibrado, ou seja, um cérebro e uma coluna vertebral carregados de energias transmutadas. Porém, os chacras ligados a esse poder são os pulmonares, que se situam na parte superior das costas. A virtude requerida para o despertar desse centro é a Fé consciente e serena. Trabalhando-se com os chacras pulmonares conseguimos absorver a experiência e o conhecimento acumulado de vidas passadas. A cor é o violeta. O mantra é ANRA

7. Polividência: É a virtude dos atletas da meditação, dos adeptos do Êxtase espiritual. O chacra coronário, o do topo da cabeça, é a porta de entrada e saída da Essência. A polividência é a capacidade da nossa consciência, ou Essência, desligar-se completamente de seus sete corpos e penetrar na Realidade Única, na essência profunda e na razão de ser das coisas. Todas as sete cores ao mesmo tempo. O mantra sagrado é TUM

 

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Ali Onaissi – Jornalista, escritor e coordenador do Portal GnosisOnLine

Hidrogênio Si-12 – O fundamento da transmutação sexual

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Tocar, dentro do terreno médico, as questões mais profundas dos Mistérios do Sexo, equivale quase a desatar, como Ulisses, os odres nos quais Eolo encerrara os ventos.”

É absolutamente claro, a todas as luzes, que o próton é o núcleo básico do hidrogênio, quer dizer, a parte mais central do mais leve e mais simples de todos os elementos conhecidos, o hidrogênio. O cientista Prout, em seu tempo, já admitia que os diferentes elementos da Natureza são formados por condensações do mais simples, o hidrogênio.

Existem 12 hidrogênios fundamentais, que correspondem a 12 categorias de matérias contidas no Universo, desde o Absoluto até os Mundos Infernos, simbolizados por Dante em sua Divina Comédia e que estão situados dentro do Reino Mineral Submerso no interior da Terra.

É urgente saber que existem 12 hidrogênios básicos fundamentais no Universo, que estão escalonados de acordo com as 12 categorias de matéria. As 12 categorias de matéria existem em toda a Criação; recordemos os 12 Sais do Zodíaco, as 12 esferas de vibração cósmicas dentro das quais deve desenvolver-se uma humanidade solar.

Dos 12 hidrogênios básicos derivam todos os hidrogênios secundários, cujas variadas densidades vão desde o 6 até o 12.283. Este termo tem um significado muito extenso no Gnosticismo. Qualquer elemento simples é realmente um hidrogênio de certa densidade.

O hidrogênio 384 encontra-se na água, o 192 no ar, o 96 está depositado sabiamente no magnetismo animal, nas emanações do corpo humano, nos raios X, hormônios, vitaminas etc.

Os Irmãos do Movimento Gnóstico já estão muito familiarizados com os hidrogênios 48, 24, 12 e 6, devido a que os estudamos em nossas passadas Mensagens de Natal. O hidrogênio 48 corresponde ao cloro (Cl), peso atômico 35,5; o hidrogênio 24 corresponde ai flúor (Fl), peso atômico 19; o hidrogênio 12 corresponde ao hidrogênio da química (H), peso atômico 1. O carbono (C), o nitrogênio (N) e o oxigênio (O) têm pesos atômicos de 12, 14 e 16. O hidrogênio 96 corresponde ao bromo (Br), peso atômico 80; o hidrogênio 192 corresponde ao Iodo (I), peso atômico 127.

Este interessantíssimo tema dos hidrogênios pertence ao ramo da Química Oculta ou Química Gnóstica e, como é um assunto demasiado difícil, para o bem dos nossos estudantes gnósticos, vamos estudá-lo pouco a pouco, em cada uma de nossas Mensagens de Natal.

Passemos, agora, a estudar o famoso Hidrogênio Sexual Si-12, o maravilhoso hidrogênio criador, que é sabiamente elaborado na fábrica do organismo humano.

A comida passiva do prato passa dentro do organismo humano por muitas transformações, refinamentos e sutilizações, que se processam dentro da escala musical: Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá e Si. Quando estamos mastigando o alimento, o qual está em sua fase mais dura, ressoa o Dó; ao passar pela laringe, dá o Ré; depois ao descer para a região do estômago, dá o Mi; quando já começam os processos do fígado e do baço, dá o Fá da Criação; a nota Sol vem com a atividade do pâncreas e dos intestinos; a nota Lá surge quando os princípios vitais entram na corrente sanguínea; o Si, que é a nota mais elevada, surge quando já se elabora este elixir de energia maravilhosa que está nas glândulas sexuais, a Ens Seminis, o Hidrogênio Sexual Si-12, o Azougue em bruto.

É inquestionável que o citado Hidrogênio Sexual Si-12 representa o produto final das transformações dos alimentos dentro do maravilhoso laboratório do organismo humano.

Como Einstein já demonstrou que a matéria é suscetível de se transformar em energia e que a energia pode se transformar em matéria (E = mc2), ninguém hoje em dia estranhará que a Entidade Seminal, na qual se encontra o Hidrogênio Sexual Si-12, possa converter-se em energia.

Vejam um poço de água no caminho, na estrada, com o calor do Sol esta água vai se evaporando, até se converter em nuvens e, em última síntese, em energia, em raios e trovões. Todas as águas dos mares e dos rios convertem-se em nuvens e, por último, em raios e trovões, isto é, em energia. A mesma coisa acontece com a Ens Seminis.

O que se entende por Ens Seminis? A entidade do sêmen, o licor seminal ou, em outras palavras, o Esperma Sagrado! Hoje em dia tem-se a tendência a considerar o esperma simplesmente como uma substância secretada por nossas glândulas endócrinas sexuais. Contudo, o esperma é sagrado, porque no esperma está contida nossa verdadeira identidade.

Os Alquimistas medievais viam no esperma o Vitriol. Esta palavra é um acróstico derivado da frase Visita interiore terrae, rectificando invenies occultum lapidem (Visita o interior da nossa Terra que, retificando, encontrarás a Pedra Oculta).

Mas, que Pedra precisamente se referiam os Alquimistas medievais? À famosa Pedra Filosofal! Tal Pedra deve ser fabricada. Não há dúvida que existem fórmulas para sua fabricação, certamente estas fórmulas baseiam-se em saber transmutar a Libido Sexual, quer dizer, converter o esperma em energia.

Se com a Ens Seminis podemos dar vida a um filho, se podemos reproduzir a espécie, encher o mundo com milhões de seres, é certo e de toda verdade que com a Entidade do Sêmen podemos, ainda que pareça incrível, dar vida a nós mesmos e nos convertermos em verdadeiros Super-Homens, no sentido mais completo da palavra.

Falando de um ponto de vista estritamente científico, diremos que o Esperma Sagrado, ao não ser ejaculado, se converte nisso que se chama “nodo”. Os “nodos” são energia (eletricidade transcendente).

A Energia Sexual, então, ascende até o cérebro por determinados canais ultrassensíveis da espinha dorsal, que se relacionam com o Vago e o Simpático. O cérebro dinamiza-se com esse tipo de energia, que se desenvolve e se dilui na massa cerebral, abrindo-se, com essa força, o Poder que se encontra na psique.

Mediante a transmutação da Libido Sexual, certamente conseguiríamos aquilo que alguns chamaram de “cerebrizar o sêmen e seminizar o cérebro”, pois, como é do conhecimento dos homens da ciência que nem todas as áreas do cérebro estão atualmente trabalhando.

Hoje em dia, a medicina sabe que apenas uma mínima parte do nosso cérebro está trabalhando, ou exercendo suas funções. Inquestionavelmente, muitas áreas do cérebro estão inativas.

Se, com o pouquinho do cérebro que está ativo, conseguimos criar foguetes atômicos que viajam à Lua, conseguimos criar bombas atômicas como as que destruíram Hiroshima e Nagasaki, aviões supersônicos que viajam a velocidades extraordinárias, que tal se nós regenerássemos o cérebro, se puséssemos em atividade todas as partes do cérebro, se a totalidade da massa encefálica estivesse trabalhando? Então poderíamos transformar este mundo, mudá-lo, torná-lo maravilhoso…

Mas é preciso regenerá-lo, seminizá-lo, “cerebrizar o sêmen e seminizar o cérebro”. Aí está a chave! É possível seminizar o cérebro!

Os grandes músicos de antigamente, Beethoven, por exemplo, também Mozart, Chopin ou Liszt, foram homens que tiveram o cérebro seminizado, homens que deram a seu cérebro capacidades extraordinárias, que utilizaram uma porcentagem maior das áreas cerebrais.

Mas, hoje em dia a coisa, é muito diferente, o cérebro humano degenerou muito e não nos damos conta disso…

Se estivermos satisfeitos no meio de uma farra, se estamos de acordo com a “última onda”, em pleno rock’n’roll, e de repente alguém tira o disco e coloca a Nona Sinfonia de Beethoven, como vocês se sentiriam? Por certo não continuariam na festa. É claro que vocês não iriam insultar o dono da casa, mas muito decentemente se retirariam, não é? Por quê?

Na Idade Média e depois, por exemplo, quando o cérebro ainda não havia degenerado tanto como agora, a coisa era diferente: dançava-se a pura valsa, ao compasso da música clássica, em plena refeição estavam os músicos, fazendo vibrar as mais deliciosas sinfonias, Beethoven, Mozart, Liszt, Chopin estavam na moda. Isso era na Idade Média e depois, senhores, mas agora não estamos na mesma Idade Média. Se colocarem agora uma música dessas em plena festa, simplesmente nos despedimos e vamos embora. Por quê? Porque ficamos aborrecidos. E por quê?

Sejamos analíticos, estamos aqui para analisar. Simplesmente porque o cérebro está degenerado, há certas áreas que já não podem apreciar a boa música. E por que o cérebro se degenerou? Simplesmente porque há vários séculos estamos extraindo de nosso organismo a Entidade do Sêmen!

E não o extraímos unicamente para dar a vida a outras criaturas, não. Nós o extraíamos porque gostamos, porque é um prazer, isso é tudo. Por isso temos gostado tanto da luxúria, dos leitos de prazer, gozando “mil maravilhas”. Mas o “Paganini” foi o cérebro, ele é que teve de “pagar o pato”. E agora acontece que muitas áreas não estão trabalhando. É possível regenerar o cérebro, mas para regenerá-lo há que transmutar a Entidade do Sêmen e convertê-la em energia.

Só assim poderemos “seminizar o cérebro”. Quando o esperma sagrado se transforma em energia, são produzidas mudanças psicossomáticas extraordinárias. Bem sabemos o que são esses vasos hormonais de nossas gônadas, como trabalham, como passam os hormônios de vaso em vaso, e como, por último, chegam até a próstata, através dos cordões espermáticos. Bem sabemos como a próstata é valiosa, ali se produzem as maiores transformações na Entidade do Sêmen, e por último, os hormônios entram na corrente sanguínea.

A palavra hormônio vem de uma raiz grega que significa “Ânsia de Ser, Força de Ser”. Os hormônios foram estudados por nossos homens de ciência, são maravilhosos. Os hormônios sexuais, por exemplo, quando entram na corrente sanguínea realizam prodígios.

Quando os hormônios tocam as glândulas endócrinas (seja a tireoide ou a paratiroide, as suprarrenais, o timo etc.) as estimulam, fazendo com que esses pequenos microlaboratórios produzam mais hormônios por todas as glândulas em geral, enriquecendo a corrente sanguínea de forma extraordinária; então desaparecem as doenças e as enfermidades.

Vocês sabem realmente o que é a velhice? Possivelmente pensam que ela está relacionada com os anos, com o tempo. Contudo, isso que se chama “tempo” não é mais que uma ilusão da mente. Um dia vamos ao campo, vemos o nascer do Sol e dizemos que são seis horas da manhã. Quando o Sol se põe dizemos que se passaram 12 horas.

Mas onde estão essas doze horas? Pergunto a mim mesmo e a vocês, de onde as tiramos? Gostaria que alguém colocasse essas horas em um laboratório para serem examinadas, para ver de que são feitas, se de ferro ou de cobre ou de que materiais são feitas essas tais horas… De onde as tiramos? De que substâncias são feitas? São redondas ou quadradas? Gostaria de conhecê-las, de poder vê-las…

Realmente, esse tal tempo não existe, é uma invenção da mente. O que aconteceu foram os processos de nascer e do pôr do sol e, entre um fenômeno e outro, colocamos nossas tão cacarejadas horas. Isso não passa de uma invenção da mente. Esses dois fenômenos acontecem dentro de um instante eterno…

Portanto, esse tal tempo não existe; o tempo é completamente subjetivo, não tem uma fonte objetiva, real, não passa de uma invenção da mente. A mesma coisa acontece com esta questão da velhice. Nós dizemos “tenho 80 anos e, portanto, sou velho”, mas mostrem esses 80 anos, onde estão?

Eu gostaria que colocassem esses tão cacarejados 80 anos em um laboratório para ver de que são feitos.

A crua realidade, meus caros irmãos, é que houve uma sucessão de fenômenos no nosso organismo, células novas se transformaram em células velhas. Devido a processos equivocados de assimilação e eliminação, as células novas tornaram-se velhas, isto é, deterioraram-se e foram eliminadas.

Por último, prevalecem no organismo as células em vias de eliminação, células desgastadas; então dizemos que há aí processos mecânicos defeituosos. Agora, tenha-se em conta, e é bom que vocês saibam, que os hormônios mais poderosos do organismo humano estão nas glândulas sexuais de secreção interna.

Pensem, por um momento, no que são os hormônios sexuais, os espermatozoides. Os testículos têm três capas ou camadas; a primeira camada testicular tem células que nos permitem viver e que manifestam sua atividade muito especialmente durante os 7 primeiros anos da infância, quando passamos pela regência da Lua. Mais tarde, dos 7 aos 14 anos, sob a regência de Mercúrio, entra em atividade a segunda camada testicular, que define muito bem o sexo do menino. E muito mais tarde, dos 14 aos 21 anos, sob a regência de Vênus, entra em atividade a terceira camada testicular, que produz abundantes espermatozoides.

Estes espermatozoides, que são produzidos na terceira camada testicular, ascendem pelo testículo adjacente e seguem pelo cordão espermático rumo às vesículas seminais, até chegar à próstata.

É interessantíssimo saber que, conforme os espermatozoides vão subindo pelos cordões espermáticos, vão se eletrificando, se carregando de grande eletricidade, e o mais curioso e interessante é que se imantam de sul a norte, isto é, funcionam como uma bússola, também se orientam de sul a norte, eletrificados, imantados…

É interessantíssimo vê-los subindo pelos cordões espermáticos, passando de um canalículo a outro até chegar realmente às vesículas seminais, onde o esperma se purificará e eletrificará mais ainda…

Assim, esses espermatozoides ficam mais depurados, até chegarem à próstata. Aí existe um chakra importante, o Swadhistana, que é fundamental no magistério da transmutação sexual. A transmutação sexual tem como fundamento a próstata. O chakra prostático é importantíssimo, ali o esperma purifica-se totalmente, torna-se completamente radioativo, sutil, eletromagnético etc., se transformando em energia com a transmutação.

Os espermatozoides decompõem-se em hormônios. Esses passam através das membranas entrando na circulação sanguínea e estimulando ativamente as glândulas de secreção interna. Colocam-nas para trabalhar com uma intensidade extraordinária. Depois continuam seus cursos ascendentes até chegar ao cérebro.

Aí colocam em atividade áreas do cérebro que já não trabalham, que estão degeneradas; dinamizam todas as áreas cerebrais e colocam em ação determinados poderes latentes do homem etc. Desgraçadamente, e isso é que é grave, meus caros irmãos, as pessoas estão degeneradas.

Os homens comuns e correntes não deixam sequer os espermatozoides ir até a próstata, os eliminam quando ainda estão nas vesículas seminais, para satisfazer seus impulsos brutais. Nestas circunstâncias, o cérebro se degenera terrivelmente por falta de hormônios, não recebe os hormônios sexuais e perde sua capacidade de ação.

As faculdades latentes no homem atrofiam-se porque não há o estímulo suficiente dos hormônios sexuais que, como já disse, são muito poderosos, têm o poder de colocar em atividade todas as glândulas de secreção interna, para fazê-las produzir hormônios de todo tipo, que dinamizam o organismo vivo.

Também temos de levar em conta outros fatores. A força sexual é a que produz no feto o fenômeno da mitose, a divisão das células com o propósito da gestação humana ou animal, ou o que seja. A presença da energia criadora faz com que a célula original, que como já se sabe, tem 48 cromossomos e se divide em duas, que se divide em quatro, as quatro em oito etc., formando assim os tecidos, os órgãos etc.

Esse é o processo de gestação, de formação das criaturas no ventre materno. Agora, se levamos isso ao campo da transmutação sexual, veremos que os hormônios sexuais ativos dentro do sangue, carregados de eletricidade e magnetismo, vão produzir no organismo humano vivo do adulto os processos de mitose, isto é, novas divisões de células, formação de novos tecidos etc. É assim que, do ponto de vista biológico, se consegue a completa regeneração e o rejuvenescimento do organismo humano.

Qual é, por exemplo, a diferença entre os jovens da “nova onda” e os velhos antiquados e retardatários? É que a terceira camada testicular de um jovem está produzindo hormônios sexuais em quantidades alarmantes, espermatozoides aos montes. Todos esses espermatozoides, transformados em hormônios, vão até ao cérebro e o renovam, por isso os jovens têm uma maneira de pensar revolucionária, se abrem ao novo etc.

Por outro lado, os pobres velhos, que já gastaram o esperma sagrado, degeneraram pelo abuso sexual, estão francamente “amolecidos”, e a terceira camada testicular produz pouquíssimos espermatozoides. Gastam dias, 20 dias, um mês ou mais acumulando espermatozoides suficientes para conseguir uma ereção fácil e, quando a conseguem, vem o coito e eliminam esses espermatozoides.

Quando enfim os têm, vão imediatamente desperdiçá-los para a satisfação passional de um momento; assim vão passando a vida até que morrem. É claro que, não tendo como produzir espermatozoides em grandes quantidades, a terceira camada testicular vai se atrofiando até não produzir nenhum. A segunda camada produz células e hormônios, mas, devido à atrofia, esses não passam a outra etapa; surgem então certas inflamações e inchaços entre a segunda e a terceira camadas e, o que é pior, como consequência, isso afeta a próstata.

Esses pobres velhos degenerados são sempre operados da próstata devido a esses abusos, isto é claro, e quero que vocês o entendam de forma específica e definida. Os pobres velhos, ao não produzirem grandes quantidades de espermatozoides na terceira camada, já não têm ideias novas, porque suas células cerebrais já estão atrofiadas; determinadas áreas do cérebro já não trabalham, ficam com o que aprenderam no passado e se convertem em velhos retardatários que já não admitem nada novo, continuam com suas ideias antiquadas, lerdas e rançosas do ontem.

Claro que eles entram em choque com a juventude, porque ela está produzindo espermatozoides novos, têm ideias novas, abrem-se ao novo; então vêm os choques entre o novo e o velho. Essa é a diferença entre os jovens da “nova onda” e os homens velhos, é uma diferença completamente biológica, sexual, e quero que entendam bem isso.

O que faltaria nesta palestra é dizer como se transforma o Esperma em Energia. Terei muito prazer em explicar-lhes um artifício muito singular que os alquimistas medievais ensinavam aos seus discípulos. O artifício que vou ensinar a vocês também foi ensinado por cientistas como Brown-Sequard, nos Estados Unidos. O doutor Krumm-Heller, coronel médico de nosso glorioso Exército mexicano, o ensinou; Jung também o ensinou, e o ensinam as escolas asiáticas do Tantrismo Oriental.

Não é coisa minha, particular, eu aprendi isso de todos esses sábios e agora comunico a vocês, não como um artigo de fé ou um dogma inquebrantável. Não, se vocês querem aceitar, aceitem. Se não querem aceitar, que não aceitem. Muitas escolas aceitaram, muitas escolas rejeitaram; cada qual é livre para pensar como quiser, estou unicamente dando minha modesta opinião. O doutor Krumm-Heller dava a fórmula em latim, que dizia assim: INMISIUM MEMBRUM VIRILI IN VAGINAE FEMINA, SINE EJACULATIO SEMINIS.

Em síntese, definíramos o artifício assim: “Conexão do Lingam-Yoni sem derramar jamais o Ens Seminis”. Que se entende por Lingam? É o órgão sexual masculino, o Phalus grego. Que se entende por Yoni? É o órgão sexual da mulher. Assim, pois, na união do Lingam-Yoni, mas sem ejaculação da Entidade do Sêmen, encerra-se a chave.

Alguns cientistas modernos aceitaram-na. A Sociedade Oneida, nos Estados Unidos, experimentou essa fórmula, fizeram o seguinte: colocaram 25 casais, homens e mulheres, para trabalhar com o sexo. Durante certo tempo foi-lhes ordenado copular, mas sem ejacular a Entidade do Sêmen. Depois eram submetidos a estudos clínicos. Puderam observar a seminização completa do cérebro, o aumento de hormônios no sangue, uma melhora geral do organismo, o fortalecimento da potência sexual etc., e muitas enfermidades desapareceram.

Quando os cientistas resolviam que era necessário que tivessem filhos, davam então a liberdade para a cópula com ejaculação seminal e se obtinha a reprodução. Assim se fizeram muitas experiências na Sociedade Oneida.

Em todo caso, o interessante desse artifício, que constitui o secretum secretorum dos Alquimistas medievais, consiste em que as glândulas sexuais nunca chegam a degenerar. Já dissemos que, quando as glândulas sexuais degeneram, também as glândulas de secreção interna degeneram, todo o Sistema Nervoso passa por processos de degeneração; então vem a decrepitude e a morte.

Agora, por meio desse refinado artifício, conexão do Lingam-Yoni sem ejaculação da Ens-Seminis (como dizem médicos famosos como Arnold Krumm-Heller e Brown-Sequard), é possível conservar as glândulas sexuais ativas por toda a vida.

O chakra Svadishtana, ou prostático/uterino, nos dá potência, saúde, longevidade e controle sobre as Águas da Vida

Isso significa que um homem que praticasse com tal sistema chegaria à idade de 90 ou 100 anos ainda com capacidade de copular e de gozar livremente do prazer sexual, o que é um prazer legítimo do homem, que não é um “pecado”, que não é um tabu, que não deve ser motivo de vergonha ou dissimulação, mas é, repito, um direito legítimo do homem.

Com a transmutação pode-se deleitar do prazer sexual sem enfraquecer-se. Normalmente, depois da cópula, a pessoa se sente esgotada, mas, se não ejacula o sêmen, depois da cópula fica com vontade de repeti-la milhões de vezes e, sempre alegre e feliz; gozar sem jamais se debilitar.

Enriquecer o sangue com hormônio não é nenhum delito. Isso foi ensinado pela Sociedade Oneida dos Estados Unidos, foi ensinado também por Jung e pelos melhores sábios, em todos os lugares da Terra… Além disso, mediante a transmutação da Entidade do Sêmen em Energia, realizam-se mudanças psicológicas extraordinárias, desenvolve-se a glândula pineal.

Essa glândula já foi ativa em outros tempos, em tempos antiquíssimos da História; então os seres humanos possuíam aquele Olho que nos falou Homero em sua Odisseia, o Olho dos Lacertídeos, o Olho que viu naquele terrível gigante que queria devorá-los. Esse Olho dos Lacertídeos não é uma mera lenda sem fundamento algum… Mediante a transmutação sexual, essa glândula se desenvolve, entra em uma nova atividade. Esse é o olho que nos permite perceber o “ultra” de todas as coisas.

Nosso mundo não tem apenas três dimensões, como creem os “ignorantes ilustrados”; nosso mundo existe em uma Quarta Vertical. E ainda mais: podemos assegurar, com grande ênfase, que existe uma Quinta, Sexta e uma Sétima Vertical. Isso significa que nós não vemos nosso mundo como verdadeiramente é, e não o vemos porque nossos cinco sentidos estão degenerados, nossa glândula pineal está atrofiada.

Em nós existem também outros sentidos de percepção, mas que estão completamente degenerados. Se conseguirmos regenerá-los, poderemos perceber o mundo como ele é, com suas sete dimensões. Assim, a crua realidade dos fatos é que, mediante a Transmutação Sexual, se pode regenerar a pineal e outros sentidos que se encontram atrofiados. Assim teríamos acesso a um mundo de conhecimentos extraordinários, assim teríamos acesso às Dimensões Superiores da Natureza e do Cosmo, assim poderíamos ver, ouvir, tocar ou apalpar as grandes realidades da Vida e da Morte.

Poderíamos apreender, capturar, todos os fenômenos cósmicos em si mesmos, tal e qual são, e não como aparentemente são. Então, o importante é aproveitar toda a potencialidade sexual para seminizar o cérebro e desenvolver a glândula pineal, a hipófise e outras. Assim se conseguirá uma transformação orgânica maravilhosa.

Transmutação é a chave. Mudar o esperma, modificá-lo em energia, aí está o fundamental. Chegou a hora de compreender tudo isso a fundo, integralmente. Se um homem se propusesse a cumprir com essa fórmula tão simples, com esse artifício ensinado por Brown-Sequard, Krumm-Heller e por todos os alquimistas medievais, poderia dizer-lhes com grande ênfase e absoluta segurança, que esse homem, a longo prazo, se transformaria em um Super-Homem.

Todos necessitamos, sentimos a necessidade de nos converter em algo diferente, isto é, se não somos reacionários, porque o conservador, o retardatário, não deseja mudar. Mas, quando alguém é revolucionário de verdade, quer ser diferente, quer mudar fundamentalmente, transformar-se em algo distinto, converter-se em um Super-Homem, fazendo da doutrina de Nietzsche uma realidade.

É possível mudar, mediante a transmutação sexual. A força sexual nos colocou na existência, e isso vocês não podem negar. Nós existimos, vivemos, graças a que tivemos um pai e uma mãe. Em última síntese, a raiz de nossa própria vida está na cópula de um homem e uma mulher. Portanto, se a força sexual teve poder para colocar-nos na existência, é óbvio que é a única força que tem autoridade de verdade para transformar-nos radicalmente.

No mundo há muitas ideologias, no mundo há muitas crenças e cada qual é livre para acreditar no que quiser, mas a única força que tem autoridade para transformar-nos é a que nos criou, a que nos fez existir. Refiro-me de forma enfática à força sexual. Aprender a manejar essa energia maravilhosa do sexo significa fazer-se senhor da criação. O psicossomático está inteiramente relacionando com o sexual. Uma suprassexualidade implica, de fato, algo suprassexual dentro do psicossomático.

Por isso eu diria a vocês, com inteira clareza, que homens como Hermes Trismegisto, Quetzalcóatl, Buda, ou como o próprio Jeshua ben Pandirá (que não é outro que o grande Cabir Jesus), foram suprassexuais. E suprassexual é o super-homem de Nietzsche.

Alguém pode alcançar a estatura de um super-homem entrando no terreno da suprassexualidade, sabendo gozar com o amor, sabendo gozar com a mulher, sabendo viver com a alegria, com mais emoção e menos raciocínios inúteis. A emoção é o que conta e isso vale mais que tudo. Assim, de um ponto de vista revolucionário, podemos nos converter em verdadeiros Homens-Deuses, se assim o quisermos.

Bastaria que regenerássemos as áreas do cérebro, que puséssemos todas elas a trabalhar, e então assim faríamos um mundo melhor. Em todo caso, creio que é indispensável saber que a chave dada para a transmutação significa também a chave para a regeneração…

Samael Aun Weor

Supra e infrassexualidade na visão gnóstica

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Quando um casal se une com amor, as energias se manifestam em suas formas mais puras e o posicionamento pessoal é perdido. É eliminada a separação entre o homem e a mulher, do que penetra e do que é penetrado, e um complementa o outro.

A célula original do corpo físico é tanto masculina como feminina, e, quando a união se realiza com amor, é possível sentir esta realidade acontecendo em cada um dos milhões de células existentes.

Independentemente do corpo que se tenha, os dois princípios se encontram nele. E a união sexual ocorre pela necessidade da fusão destes princípios, porque é nessa fusão que se encontra a base de todo o processo energético.

Em nossa caminhada pelo infinito, já tivemos variados corpos e repertórios sexuais, e todos eles estão registrados em nossa existência atual. Às vezes, em razão de algum choque, trauma ou mesmo insatisfação, pode ocorrer que nosso inconsciente tente recriar e repetir sensações de experiências passadas para o corpo atual, que pode ser diferente do corpo que viveu essas experiências.

Quando isso acontece, sempre surgem confusões e equívocos no posicionamento e na expressão sexual. É preciso compreender que não se deve julgar ou questionar os comportamentos sexuais existentes, pois nos refletimos um no outro e somos partes de um mesmo Todo.

Com a união sexual consciente entre o homem e a mulher, é possível corrigir essa confusão e obter o reequilíbrio e a harmonia do corpo que atualmente possuímos.

(Eydher Floriano, Sexo, Tarô e Magia)

Estudo da Sexologia Gnóstica

Podemos estudar a Sexologia sob dois ângulos diferentes. O primeiro é sob o ponto de vista da ciência oficial, ensinado nas faculdades de medicina. O outro é sob o ponto de vista gnóstico, e é por este último que a iremos estudar.

Devemos relembrar que a palavra Gnose significa Conhecimento. Em nome da verdade, devemos afirmar que Sigmund Freud, com sua psicanálise, iniciou uma era de transformações extraordinárias no campo da sexologia, e esta renovação foi continuada por vários de seus discípulos, entre os quais se destaca Jung.

Devemos compreender que o sexo em si é o centro de todas as atividades humanas, em volta dele giram todos os aspectos sociais da vida. Por exemplo, num baile, numa festa, tudo gira em volta do sexo, os homens vão ao baile porque lá existem muitas mulheres e vice-versa, isso ocorre em todos os lugares, tudo sempre girando em torno do sexo, de forma consciente ou inconsciente.

Hoje em dia o sexo voltou a ser estudado com propósitos transcendentais, o que era comum nas antigas civilizações serpentinas do Egito, Grécia, Índia, China, astecas, maias… nessas civilizações, em seus períodos áureos obviamente, o sexo era algo sagrado, diferentemente do que ocorre hoje em dia.

Yab-Yum, o casal tântrico, na tradição tibetana. Representa o Yin-Yang, o dualismo macrocósmico, porém também uma indicação da relação sexo-espiritualidade
Yab-Yum, o casal tântrico, na tradição tibetana. Representa o Yin-Yang, o dualismo macrocósmico, porém também uma indicação da relação sexo-espiritualidade

Hoje vemos a mídia e a propaganda usando o sexo para vender qualquer coisa, o corpo se tornando algo barato e vil, a pornografia está em todo lugar, e o sexo, que deveria ser tratado como algo sagrado, é desviado para a sensualidade materialista, e isso tudo provoca a degeneração sexual que podemos ver nos dias atuais.

Existem três classes de sexo: o sexo normal, comum e corrente, o infrassexo e o suprassexo.

Sexo Normal é aquele que leva à reprodução da espécie.

A infrassexualidade é diferente, e existem duas classes de infrassexuais:

Lilith – aqui estão os homossexuais, as lésbicas, os monges e monjas que odeiam o sexo e o reprimem, os pederastas, os masoquistas e sádicos, o bestialismo, os masturbadores e todas as pessoas que odeiam o sexo e o acham algo degenerado, achando que para alcançar a Divindade devem praticar o celibatarismo.

Nahemah – aqui estão os abusadores do sexo, os pornográficos, aqueles que se entregam à luxúria sem freios, os adúlteros, os conquistadores nos estilos casanova, donjuan ou diabo (este último tem seu exemplo clássico na figura de Rasputin).

Já o sexo normal serve para a reprodução da espécie, em relação com o deleite sexual em si mesmo, pois este é um direito legítimo do ser humano, não sendo um pecado, nem tabu nem motivo de vergonha; estes que assim pensam estão equivocados, pois é um direito por natureza que todo ser humano tenha o desfrute sexual.

Já o suprassexo, a suprassexualidade, inquestionavelmente, esta é para os gênios, para os homens transcendentais, para as mulheres inefáveis etc. Suprassexuais foram um Jesus de Nazaré, um Buda, um Hermes Trismegisto, um Maomé, um Lao-tsé na China, um Quetzalcóatl para os mexicanos, um Pitágoras etc.

Todos nós poderíamos entrar no Reino da Suprassexualidade, mas, antes de tudo, deve-se ter o sexo normal. Os infrassexuais, as lésbicas, os homossexuais, os pederastas, os masturbadores, não estão preparados para entrar no Reino da Suprassexualidade.

Para esses, é difícil a regeneração, então eles devem primeiro voltar ao sexo normal, e uma vez isto ocorrido, pode-se ir em frente no caminho para o suprassexo.

Aqueles que abusam tendo vários parceiros ou realizando vários coitos consecutivos, também são infrassexuais.

Já o sexo normal ocorre segundo os interesses da natureza, onde nós somos uma máquina que capta forças cósmicas, a Terra é um organismo que se alimenta da energia dos seus seres, assim, os animais e os vegetais captam a energia, assim ocorre também conosco, assim servimos para a economia da Natureza, sendo o prazer sexual um direito legítimo de todo ser humano, dentro, bem compreendido, do matrimônio entre um homem e uma mulher.

Já a Suprassexualidade tem efeitos extraordinários, como disse Nietzsche em sua obra Assim Falava Zaratustra: “Chegou a hora do Super-Homem. O homem é uma ponte colocada entre o animal e o Super-Homem, um perigoso passo no caminho, um perigoso olhar para trás. Tudo nele é perigoso. Chegou a hora do Super-Homem”.

Adolf Hitler interpretou essa teoria a seu jeito, achando ser possível criar uma raça superior de seres humanos e eliminando os que ele achava inferiores, o resultado foi a Segunda Guerra Mundial e o terrível Holocausto.

Concluiremos falando que a Transmutação ocorre no casal, homem e mulher, quando não se perdem as energias, ou seja, sem o derramamento do sêmen no homem, sem chegar no orgasmo, tanto no homem quanto na mulher.

(Samael Aun Weor, Supra e Infrassexualidade)

Do namoro à união tântrica

68

Não há nada mais delicioso que a aventura do encontro de duas almas que se amam. A emoção que invade o coração do homem e da mulher enamorados é de importância vital para o êxito do relacionamento tântrico alquímico.

Os homens que influíram nos destinos da humanidade, que desenvolveram grande sensibilidade e que chegaram a alcançar grandes triunfos, sempre tiveram, em suas vidas íntimas, musas inspiradoras que os estimulavam a criar uma metafísica erótico-espiritual refinada, que incluía encontros secretos, doces poesias, anelos transcendentais, juramentos, olhares furtivos, a ânsia de união das almas e muito mais…

Esses componentes altamente estimuladores que conduzem o ato sexual ao êxtase, convertendo-se numa grande celebração da alma e do corpo, estão comprometidos, em plena extinção, talvez pelo ritmo alucinante da vida moderna, ou simplesmente pelo processo decadente da humanidade.

Radha e Krishna, o casal sagrado da Índia, que personifica o ideal de todos os casais
Radha e Krishna, o casal sagrado da Índia, que personifica o ideal de todos os casais

É realmente irônico e paradoxal que justo agora que se vive um clima de liberdade sexual sem precedentes na história da humanidade, o sexo de uma forma geral está sendo absurdamente mecanizado e desfigurado com relação à sua origem sagrada.

Viver momentos de êxtase prolongado com descontração paradisíaca, viver momentos de paz nos braços da mulher amada ou é coisa do passado ou no mínimo ocorre de maneira fugaz, sem profundidade, sem magia, excessivamente fácil. Os beijos e carinhos se banalizaram tanto que quase já não produzem assombro.

Sem dúvida, a mídia e outros meios de comunicação modernos, têm contribuído muito para a robotização do amor. Parece que há uma constante busca de modelos humanos perfeitos. Homens que se apresentam sempre fortes, simpáticos, sorridentes, musculosos, vencedores, altamente sedutores, infalíveis, super-homens que deixam as mulheres fascinadas, mergulhadas nas mais absurdas fantasias eróticas e românticas. Elas sonham em ter um homem desses, mas, na verdade, só existe nas telas de TV e nos cérebros dos seus inventores.

O mito de perfeição com relação à mulher é maior ainda. Não há comercial nem programa de TV de sucesso sem a presença de uma musa perfeita, sensual, provocante, bonita, que promete delírios e projeta tremendas fantasias nas mentes masculinas. Essas fantasias significam enormes gastos de energia intelectual, emocional e sexual que efetivamente reduzem as possibilidades de êxito no relacionamento amoroso.

Os chamados símbolos sexuais são responsáveis pelas grandes desilusões do homem e da mulher. Eles diminuem a capacidade de transcendência na união. Escravizam os sentidos com relação ao mundo das formas, que está em constante metamorfose, fazendo da beleza física algo efêmero e passageiro.

Essa excessiva identificação com o mundo das formas dificulta a percepção da beleza da alma, que sendo imortal deveria ser o elo principal da união amorosa.

Uma das chaves mais simples para se compreender os dramas conjugais se encontra no fato de que os egos se odeiam enquanto as almas se adoram.

Nos relacionamentos modernos é praticamente impossível fazer prevalecer a alma. Quem impera, aliena e escraviza é sempre o ego.

Quantos casais se unem levados pela chama ardente do amor que nasce do fundo da alma, se adoram e acreditam que nada nem ninguém poderá separá-los ? Quando menos esperam são traídos pelo inimigo secreto, o ego, essa legião de agregados psicológicos que destrói a beleza do amor puro e inocente. Essa é a consequência da saída do Éden espiritual, terrível sequela deixada da nossa inconsciência, resultado de termos abandonado no passado a sabedoria dos Deuses.

O tantrismo branco, o Kriya Shakty, é o alicerce, o fundamento básico da sabedoria milenar dos Deuses. Para o êxito no amor tântrico, necessita-se de elevada sensibilidade física e psíquica, de capacidade de entraga total, muita renúncia, ausência de tensões e máscaras psicológicas que inibem e reduzem o prazer e impossibilitam a vivência do êxtase.

Por motivos já antes considerados, homens e mulheres recebem continuamente através dos meios massivos de comunicação centenas de impressões que provocam uma ansiedade que gera incerteza no êxito da relação sexual, uma insegurança fatal que reduz a sensibilidade e o desempenho sexual.

A prática da magia sexual branca é frutífera quando há muita confiança e intimidade entre os amantes. Também é preciso muita amizade, respeito mútuo, admiração, entusiasmo e carinho pelo parceiro. O encontro das almas será tanto mais profundo e duradouro quanto menor for a ingerência do ego.

O clima propício para a magia, que é física e de almas, se consegue com muito diálogo, uma convivência parcimoniosa sem exageros, e um saudável namoro.

Não há normas a seguir e deve-se evitar os programas preestabelecidos pela mente que nos torna frios calculistas, verdadeiros autômatos. O grande comandante deverá ser sempre o velho coração, essa voz silenciosa que encontra a medida certa, o momento adequado e cria as circunstâncias apropriadas para a celebração desta grande festa do amor.

Para se criar um elo de ligação entre os primeiros encontros, o namoro e a união física completa, em vários textos tântricos tradicionais se recomenda ao casal a prática do método Diana.

O termo Diana, origina-se do nome da deusa grega da castidade e trata-se de um método de adaptação através do qual o casal aumenta consideravelmente o seu magnetismo e ao mesmo tempo cria uma intimidade especial, superando-se aquele estresse acompanhado de temores e angústias tão comum nos primeiros relacionamentos físicos, nas primeiras uniões sexuais.

Um dos maiores obstáculos para o casal alcançar a plenitude amorosa e o êxtase sexual é, sem dúvida, a expectativa criada no período que antecede a cópula física.

As fantasias sexuais, as incertezas com relação à consumação do ato dentro dos padrões desejados, a possibilidade de não agradar seu parceiro, etc, normalmente consomem uma considerável quantidade de energias.

Na prática do método Diana, os parceiros usufruem de contatos corporais íntimos, repletos de carícias e estímulos eróticos, sem a conexão dos órgãos sexuais e evidentemente sem a perda das energias, mas sim transmutando-as intensamente. De comum acordo, os parceiros, ao praticarem o método Diana, estarão aliviando consideravelmente a carga emocional do primeiro ato fazendo desaparecer a preocupação pelo desempenho.

O elemento surpresa vai diminuindo pouco a pouco. O homem vai paulatinamente descobrindo o corpo da sua companheira e vice-versa. Isso permite que o início da prática tântrica propriamente dita se realize sem traumas, de uma forma natural e espontânea.

O método Diana vitaliza o organismo, aviva o fogo criador e o fogo da mente. O corpo irradia magnetismo por todos os poros. Esse magnetismo preservado pela ausência do orgasmo fisiológico se multiplica e reorganiza todas as células do organismo.

É evidente que esse método deve ser usado temporariamente, como um processo preventivo de adaptação, até que o casal sinta segurança e serenidade para a conexão sexual.

Quando houver um excesso de excitação da libido sexual, recomenda-se a realização de exercícios respiratórios especiais com a finalidade de acelerar o processo de transmutação das energias.

Cláudio Carone, instrutor gnóstico e autor de diversas obras de cunho tântrico-gnóstico.

A Divina Mãe Kundalini

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Ó musa… Inspira-me para que meu estilo não desdiga da natureza do assunto.

Ó Divina Mãe Kundalini… Tu és Vênus, minha Senhora, tu és Eva, Ísis, Sophia Achamoth, Parvati, Uma, Tonantzin, Reia, Cibele, Maria, ou melhor dizendo, tu és RAM-IO.

Ó Devi Kundalini! Tu és Adshanti, Rajeswari, Tripurusundari, Maha Lakshmi, Maha Saraswati, Isoberta, Adonia…

Sem ti, ó Mãe Adorável, seria impossível a manifestação do prana, da força magnética, da gravitação cósmica, da eletricidade e da coesão molecular.

Tu és Matripadma, a Devamatri! Aditi ou Espaço Cósmico, a Mãe dos Deuses.

Ó eterna Mãe-Espaço! Tu tens três luminosos aspectos durante a manifestação cósmica e duas antíteses.

Que me escutem os homens! Está dito que cada vivente tem sua própria Devi-Kundalini, sua Divina Mãe Particular.

Na verdade, seria absolutamente impossível a eliminação do Ahamkrita Bhava, a condição egóica de nossa Consciência, se cometêssemos o crime de nos esquecer de nossa Divina Kundalini.

O animal intelectual, equivocadamente chamado homem, não é mais que um composto de agregados que cedo ou tarde deve virar poeira cósmica.

A única coisa eterna que há em nós é o Buda Íntimo. No entanto, ele se encontra além do corpo, da mente e dos afetos.

Eliminar os vãos e perecedores agregados, é algo cardeal e definitivo para o despertar da Consciência.

Esses agregados ou Eus tenebrosos são entidades que habitam nos cinco centros da máquina humana. Em nossas passadas Mensagens de Natal, já foi dito e explicado que os cinco cilindros da máquina são: Intelecto, Emoção, Movimento, Instinto e Sexo.

Resumindo: os Eus-Diabos constituem o Ego (o Eu Pluralizado) e dentro de cada um deles dorme a nossa consciência. Eliminar esses Eus, essas entidades, esses agregados, que personificam nossos defeitos, é vital para o despertar da consciência e para a obtenção do Atman-Vidya, a completa Iluminação.

Compreensão profunda e perfeita consciência do defeito que queremos extirpar são fatores fundamentais, porém não significa tudo. Precisamos eliminá-lo e isto só é possível com a ajuda da Mãe Kundalini.

A mente não pode alterar nada fundamentalmente. A única coisa que faz é rotular, esconder e passar os defeitos para outros níveis. Eliminar defeitos é outra coisa bem diferente, a qual seria absolutamente impossível sem Devi-Kundalini, a serpente ígnea de nossos mágicos poderes.

Uma noite qualquer, não vem ao caso nem o dia nem a hora, viajando em corpo astral pelo Universo Paralelo da quinta dimensão, embriagado de certa voluptuosidade espiritual, cheguei extático diante do misterioso umbral dos Duas-Vezes-Nascidos.

O Guardião dos Grandes Mistérios, hierático e terrível como sempre, estava na porta e quando quis entrar aconteceu algo fora do comum.

Olhando-me fixamente, disse-me ele com um tom de voz severo: De um grupo de irmãos que trabalharam na Nona Esfera e que, após terem trabalhado nessa região, se apresentaram neste templo, tu és o mais adiantado, mas agora estancaste o progresso.

As palavras do guardião, proferidas com tanta severidade no umbral do mistério, deixaram-me perplexo, confundido, indeciso, não me ocorrendo mais que perguntar: Por quê? E o Hierarca, respondendo, exclamou: Porque te falta amor!

Como? – repliquei – amo a humanidade, estou a trabalhar por todos os seres humanos. Não entendo o que me dizes. Em que consiste essa falta de amor?

Te esqueceste de tua Mãe. És um filho ingrato, explicou o guardião e a forma como entoou tais palavras, confesso que, além de dor, causaram-me pavor.

Acontece que não sei onde ela está, faz tanto tempo que não a vejo, expliquei pensando que ele fazia referência a minha genitora, de quem tive de me afastar quando era ainda muito jovem.

Como é possível que um filho não saiba onde está a sua Mãe?, refutou o guardião, que continuou admoestando: Digo para o teu bem que estás te prejudicando.

Confesso que somente depois de vários dias de inúteis pesquisas para localizar a minha mãe terrena no mundo eu pude por fim entender as enigmáticas palavras do guardião do templo. Ah… o caso é que a literatura de tipo pseudoesoterista e até pseudo-ocultista, que tanto abunda no mercado, nada diz a respeito.

Se tivesse sabido antes! Enfim, pensei tantas coisas e rezei.

Orar é conversar com Deus e eu rezei, em segredo ao Eterno Feminino, a Deus-Mãe. Então, soube que cada um tem sua própria Mãe Divina Particular, foi quando até o seu nome secreto eu conheci.

Claro que naquela época sofria o indizível na luta pela dissolução do Eu, trabalhando para reduzi-lo a poeira cósmica.

O mais terrível de tudo era que tinha chegado ao Segundo Nascimento e compreendia muito bem que se não conseguisse morrer em mim mesmo fracassaria, estaria me convertendo em um aborto da Mãe Cósmica, em um Hanasmussen, um duplo centro de gravidade.

Meus esforços pareciam inúteis. Fracassava nas provas e se tivesse continuado assim, naturalmente que o fracasso teria sido inevitável.

Felizmente! Graças a Deus! O guardião do templo soube me advertir e aconselhar.

O trabalho foi terrível. Os fracassos indicaram com exatidão onde estavam as falhas. Cada prova bastava para me indicar, para me assinalar, o defeito básico, o erro.

A meditação sobre cada erro é suficiente para a sua compreensão, ainda que existam graus e graduações, conforme pude evidenciar.

O Ego se disfarça de Eu Superior e Eu Inferior
O Ego se disfarça de Eu Superior e Eu Inferior

Nisto de compreensão, há muito de elástico e dúctil. Muitas vezes cremos ter compreendido de maneira integral um defeito de tipo psicológico e, somente mais tarde, descobrimos que realmente não o compreendêramos.

Eliminar é outra coisa. Alguém pode compreender um defeito qualquer sem que com isso consiga extirpá-lo. Se excluirmos a Divina Mãe Kundalini, o trabalho termina ficando incompleto e a eliminação dos defeitos torna-se impossível.

Eu, francamente, me converti em inimigo de mim mesmo. Resolvi equilibrar a compreensão e a eliminação. Todo defeito compreendido foi eliminado com o poder da Divina Mãe Kundalini.

Por fim, um dia revisei meu trabalho no Tártaro, no Averno, no reino mineral submerso, nessas dimensões infradimensionais ou Universos Paralelos submersos. E navegando na barca de Caronte pelas águas do Aqueronte, cheguei na outra margem para revisar o trabalho.

Então, vi milhares de Eus-Diabos, meus agregados, partes de mim mesmo vivendo nessas regiões.

Quis reviver algo, uma figura que simbolizava o meu próprio Adão do pecado e que jazia como um cadáver nas lamacentas águas do rio. Contudo, minha Mãe Divina, vestida de luto como uma dolorosa, disse-me com uma voz cheia de infinito amor: Isso está bem morto, já nada tenho para tirar.

Todas as grandes culturas sagradas reverenciaram algum dos infinitos aspectos maternos de Deus

Certamente, Ela tinha extraído de mim toda a legião de Eus-Diabos, todo o conjunto de entidades das trevas que personificam nossos defeitos e que constituem o Ego. Eis como consegui a dissolução do Eu Pluralizado. Eis como consegui reduzir a pó todos esses agregados que formam o Mim Mesmo.

Samael Aun Weor

Mistérios esotéricos do sexo, por Jorge Adoum

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A força criadora pertence ao Cosmo e não ao indivíduo; à raça e não à pessoa: portanto, deve ser devolvida ao Cosmo e à raça.

Não deves materializar teus pensamentos divinos se quiseres evitar a queda; deves, ao contrário, espiritualizar toda sensação, para poderes entrar novamente no Éden. Não deves vender toda a tua vida por um minuto de prazer, nem tua primogenitura por um prato de lentilhas.

… Já sabes quais são as Provas que o aspirante deve sofrer…

Deves, contudo, entregar-te ao Fogo, mas não te exponhas a ele. Para rasgar o Véu é necessário que tua alma seja excitada pelo fogo, esse fogo que deve queimar tudo o que for impuro e indesejável para chegares a ver Deus face a face.

A Castidade é a porta da Iniciação, pela qual o homem pode passar a seu mundo interno, onde permanece uma comunicação constante com as inteligências que possuem a memória da Natureza.

Quando a energia criadora, por meio da castidade, invade a medula espinhal, sintoniza todos os centros do homem para abrir caminho para o Reino da Realidade.

O Cristo em ti tem de ir ao Pai, para abrir-te o caminho. Para encurtar o tempo de duração de tuas provas, temos de colocar-te à beira de um precipício… Temos de nos valer de alguém para acender em ti o fogo do altar; esse fogo produz luz e fumaça, mas és tu que deves escolher entre uma ou outra.

Esse fogo, uma vez aceso em teu sangue gasoso, te porá em contato com a alma do mundo “e é nesse estado que deves receber a Iniciação”.

Tudo depende de tua imaginação e de tua força de vontade. Atualmente és o Filho do Homem; porém, pelo fogo, serás o Filho de Deus e um sacerdote da Ordem de Melquisedeck.

Tu necessitas da mulher para divinizar-te, mas… “cuidado com a mulher!”

Busca a mulher para que acenda em ti o Fogo Sagrado, porém procura a mulher que tem o poder de apagá-lo.

Ama-a sem desejo e adora-a sem profanação, e então serás digno da Grande Iniciação.

A mulher te conduz para o Cristo (Hamsa) que está em ti, porém, pode também conduzir-te ao demônio, que também está em ti.

O fogo aceso pela mulher consumirá todo obstáculo que se encontre entre ti e teu Salvador, mas a fumaça pode cegar-te.

Esse fogo deve subir a teu cérebro, mas nunca deve sair pelos teus órgãos sexuais.

Meu filho, tens de acender em ti a Sarça de Horeb para que possas falar com Deus…

À luz desse fogo podes aprender os Mistérios da Natureza, que não se acham nos livros. E todos esses Mistérios se encontram na própria mulher. Ama-a e protege-a de ti mesmo.

No ventre da mulher se acha oculta a máxima sabedoria; porém, essa sabedoria se encontra no fundo de um abismo escuro e perigoso.

Tens de descer com luz; pelo contrário, a fumaça te fará perder a razão e podes despedaçar-te no fundo do precipício. Serás sempre bendito se vires sempre Deus no ventre da mulher.

Os anjos te trarão do céu o pólen da árvore da vida, cuja semente não é, nem deve ser, masculina ou feminina, mas sim possuir as duas naturezas. Para voltares à Divindade, “deves ter uma mulher em ti e não uma mulher para ti”.

Que era a “Luz” na “Luz” e a “Luz” no “sexo” era O Todo que contém tudo.

Que todas as religiões têm a mesma origem e a origem de tudo o que existe está na Luz e no fogo, e a Luz e o fogo estão no sexo.

Que Deus, o criador, manifesta, pelos órgãos criadores, o fogo sagrado e a luz, que criaram o Cosmo e todas as coisas visíveis e invisíveis.

Que essa luz é a imortalidade da alma.

Que este Mistério é a chave da Iniciação Interna, é a porta do céu.

Que a Luz é a panaceia da saúde, da felicidade e da santidade.

Que o homem e a mulher formam a divindade uma, binária e trina.

Que para ver Deus e falar com Ele, devem ser unidos por Ele e Nele.

Que quando se unem, Ele e Ela, pelo pensamento e pela sensação, forma-se a criação.

Que o verdadeiro Deus reside na luz do Fogo Sagrado e que a adoração a Deus deve ser neste Fogo.

Que todas as religiões, não podendo conservar a Luz do Fogo, procuraram simbolizá-lo por meio de milhares de símbolos e invenções mentais.

Que a verdadeira religião não está naquilo que o homem pode ver ou ouvir, mas sim naquilo que pode sentir sem os sentidos. E aquele que quiser chegar a Deus deve buscar o caminho da sensação e não o caminho da oração.

Que o único ser que pode dar ao homem a sensação é a mulher.

Que o homem, ao adorar a Deus, intuitivamente adora também a mulher, e esta o homem. O homem adora a mulher para produzir a sensação e a mulher adora o homem para gerar o pensamento.

Que o sexo é a força sensitiva que gera o mundo, o homem e a ação, para depois, pelo pensamento, regenerar o mundo e o homem, imortalizando sua alma.

Que o Universo se sustém e mantém pelo Fogo – Luz do sexo, como também pode ser destruído por ele.

Que o sexo condena e salva, regenera e destrói, segundo o uso, seja para a salvação ou destruição.

Que o salvador do homem ou do mundo é o sexo, assim como também é a perdição ou o demônio de ambos, mas o homem tem a liberdade de escolher entre a salvação e a condenação.

Que todas as religiões, ao adorarem Deus, sem o saberem, o estão adorando sob uma forma sexual e, como já foi dito, o sexo é o produtor do Fogo e da Luz, nas cerimônias, ritos e símbolos.

E o propósito de todas elas é manter sempre aceso o fogo até obter a luz; os símbolos externos, com suas cerimônias, têm por objeto auxiliar a sensação e o pensamento, ambos debilitados pelos sentidos externos.

Que o instinto sexual é o impulso da Divindade Criadora, o pensamento apenas modula a criação em harmonia ou desarmonia, em bem ou mal, em anjo ou demônio.

Que a maior desgraça do homem e do mundo está na degeneração do impulso criador e divino pelo pensamento. Por esse motivo, o homem que se fez Deus no Éden morreu.

Que assim como o sexo é a origem de todas as religiões, é também a base de todo esforço, afeto, amor, fé, caridade, compaixão, santidade, arte, poesia e de todas as coisas sublimes que a mente humana pode criar.

Que todo reino, poder e domínio nascem no impulso criador e, por sua ausência, se extinguem.

Que o céu é a Luz do sexo, o inferno é sua fumaça e a vida é seu fogo.

Que o amor é uma manifestação do sexo e Deus é amor.

Que sem sexo não há amor e sem amor Deus não existe nem pode existir.

Que o sexo, em sua fonte de manifestação, é puro como a luz; porém, como gratificação baixa, é ignóbil, e a nobreza reside no pensamento.

Que o sexo é a fonte de tudo o que é criado pelo amor. Porém, o amor não pode existir na impotência, nem a imortalidade na degeneração. Porque na degeneração não há aspiração, sem esta não há geração e sem geração não há regeneração.

Com a pureza do sexo, o homem pode conceber o amor que o conduz a Deus, ao passo que, com sua impureza, fabrica um Deus que tem os mesmos desejos do homem.

Os deuses vingativos, os deuses que castigam pelo pecado e pelo mal, são deuses impotentes, obra dos homens, que chegaram à impotência sexual, e quem chega à impotência não pode ver a realidade única.

Que cada Salvador é a personificação da Luz do Pai e todo homem, para salvar-se e ser Salvador, deve chegar à estatura do Cristo, isto é, chegar à fonte da Luz.

Todos os elementos do mal desencadearam-se contra os deuses, filhos do homem- Deus: fogo, ar, terra e água (o Dilúvio) se encontram no corpo, que se salvou graças à Arca de Noé (útero da mulher).

A primeira coisa que Noé fez, ao sair da arca, foi acender o fogo sobre um altar para dar graças a Deus (acender o fogo sagrado no altar da mulher, para cumprir a missão de Deus).

Que o mistério da Iniciação, com todos os seus símbolos, é o mistério do fogo e da luz, que traz o homem iluminado ou identificado com o Sol, isto é, que recebeu a luz e se converteu em Padre, como se intitulam os sacerdotes, ou Padres Sagrados. Pelo Fogo Sagrado todos os homens são filhos de Deus e, portanto, irmãos.

Que o batismo da água é a imersão do homem na mulher, pela geração, e o batismo do Fogo é a retenção do fogo em si para fazê-lo acender e produzir a regeneração; a imortalidade consciente é a Iluminação do Espírito Santo.

O Pão é o símbolo do Sol ou Fogo-Luz do homem e o vinho no cálix é a mulher-mãe.

O primeiro desce da espinha dorsal e o segundo se acha na matriz sagrada.

E quando o Iniciado toma o vinho e o pão com seus discípulos internos, o Fogo do Espírito Santo invade todo o corpo e o filho sobe ao Pai, origem da Luz.

Que o falo é o signo da aliança entre Deus e o homem, por meio do rito da circuncisão.

Que quando o homem lança, vã e estupidamente, sua “semente”, nunca pode conhecer o Reino dos Céus, porque perde a substância sagrada para a produção do Fogo Criador, que o conduz a Deus por regeneração.

Que, sendo o homem templo do Deus vivo, dentro deste templo deve habitar o Fogo do Inefável.

Jorge Adoum, no livro Adonai