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A arte de conservar um casamento feliz – Dicas para as mulheres

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Texto do Dr. JORGE ADOUM:

O que é o Matrimônio?

O dicionário o define assim: é a união legal do homem e da mulher.

Para nós, essa definição é vaga. Os que sabem amar verdadeiramente definem melhor desta maneira: O Matrimônio é a união de dois seres de diferentes sexos para formar uma só unidade. “OS DOIS SERÃO UM SÓ CORPO”, disse Jesus.

Entre os animais, o macho busca indistintamente todos as fêmeas, e as fêmeas se submetem a todos os machos. Só o homem está feito para amar a uma só mulher, e a mulher digna se conserva para um só homem.

Os libertinos são meros animais.

O verdadeiro amor é a manifestação da Divindade na alma, porque é por si mesmo divino, ou então não existe. O verdadeiro amor é o caminho da alma para a eternidade. A mulher adora Deus no homem que ama e que a fecunda, e cria nela a coroa de todas as ambições: o filho. Logo, o Matrimônio é a união de duas almas que se tornam UMA e que devem completar-se com uma terceira.

“O HOMEM É ÚNICO EM TRÊS AMORES, COMO DEUS EXISTE EM TRÊS PESSOAS.” (Eliphas Levy)

Amar é ter encontrado Deus na criatura. As almas vivem de verdade e de amor. Senhora, tu amas assim a teu marido? Sê franca contigo mesma e responde, mentalmente, a essa pergunta. O inferno na alma é o “não poder amar”, e a maioria da humanidade está condenada a essa tortura, porque ela não sabe distinguir entre a paixão e o amor.

O casal feliz é aquele constituído por um que ama mais e por outro que ama melhor

Don Juan Tenório ia de uma decepção à outra, na busca do amor, e por fim morreu sufocado pelos braços de um espectro de pedra. O verdadeiro amor é a imortalidade da alma. O homem que deseja mais do que uma mulher e a mulher que obedece aos desejos de mais de um homem são animais, não são dignos de conhecer o amor.

A mulher pura e recatada é o ideal do homem, o homem digno e delicado é o sonho ideal da mulher. Logo, o casamento é o verdadeiro amor, e não é somente uma união legal segundo as leis humanas.

Uma mulher que ama a um homem e se casa com outro a quem não ama é indigna de chamar-se esposa. Um casamento de conveniência é concubinato legalizado pelas leis humanas.

Casar-se com uma mulher que pertenceu por amor a outro, sem ser abandonada por ele, é desposar a mulher do próximo. 0 verdadeiro amor nunca pode estar em contradição com o dever; a paixão sempre pede satisfação.

Escuta, senhora, porque a ti estão dedicadas estas linhas: o homem atual perdeu muito de sua dignidade, e seu único remédio está em tuas mãos. Tu podes curá-lo, mas, para triunfares em teu intento, deves sacrificar-te até dez vezes ao dia durante toda a vida para salvar a teu esposo. O homem está enfermo, o matrimônio cambaleia e a sociedade está em destruição.

TU ÉS A MULHER: CONSOLADORA DOS AFLITOS, CURADORA DOS ENFERMOS, REFÚGIO DOS PECADORES, PORTA DO CÉU etc.

Em tuas mãos está a salvação da Humanidade. Socialmente, a mulher tem o direito de abandonar o marido que a engana, e se não tem filhos torna-se livre ante a natureza; porém, se for mãe, perde o direito de abandonar seu filhos e desonra-se a seus olhos. Então será preciso o sacrifício e que se resigne ao heroísmo da cruz materna, considerando-se viúva no matrimônio e consolando-se das dores no carinho da mãe.

Sem embargo, estas linhas não foram escritas para consolar as esposas abandonadas, e sim para o coração digno do verdadeiro amor, com a intenção de lutar e reconquistar o esposo perdido. Ao escrever não justifico de forma alguma o homem, contudo posso assegurar que em muitas ocasiões a mulher é demasiado culpada pela destruição do lar.

Porém, se erramos às vezes, isso não deve significar que não podemos corrigir o erro. Mãos à obra, senhora, levanta-te e prepara-te para o ataque, com a arma do AMOR, para reconquistar teu marido, o pai de teus filhos.

Casaste por amor? Medita e examina em teu coração, e responde com franqueza e lealdade a ti mesma, porque o amor nem engana nem pode ser enganado:

– O que esperavas da vida matrimonial?

– Tens contribuído sempre para criar a felicidade no lar?

– Tens aliviado as dificuldades da vida doméstica?

– Tu te sacrificas para que teu marido tenha o que deseja?

– Tens procurado criar sempre, com teu próprio esforço e abnegação, os atrativos que renovam os encantos da vida matrimonial?

– Tens procurado aliviar a tristeza de teu marido, ou crês que só ele que tem a obrigação de aliviar a tua?

– Tens recebido sempre teu marido, quando ele volta para casa depois do trabalho, como o recebias quando eras sua noiva e ele ia te visitar?

– Tens cuidado de sua tranquilidade e bem-estar no lar?

– Tens estudado seus gostos para satisfazê-lo quando necessário?

– Muitas perguntas devo dirigir-te, prezada senhora, mas, por enquanto, estas são suficientes. Estou esperando as respostas…

O matrimônio é um estado cheio de dificuldades que têm de ser enfrentadas na busca da felicidade conjugal. É impossível oferecer um método único que seja aplicável a todos os casos e circunstâncias.

Nestas linhas ponho à tua disposição a série de conhecimentos que podem capacitar-te a formares teu próprio método.

As informações adquiridas por experiências e aqui contidas podem ser como um guia racional que ajuda a toda mulher casada a encontrar na vida conjugal uma grande parte dos momentos ditosos com que sonhou.

A Felicidade e o Amor


O homem é mente que pensa; a mulher é intuição que inspira; pensar é ter cérebro, intuir é ter coração.

A Vontade Superior plantou na natureza humana o desejo de perpetuar-se em carne e em espírito, e para conseguir tal condição o homem e a mulher sentem uma mútua atração que os incita a desejarem-se e a buscarem um no outro o que necessitam para satisfazer aos fins da natureza.

Satisfazer o desejo que permite alcançar tal finalidade constitui a dita no amor que exige condições: satisfazer os apetites materiais e encher as necessidades morais.

O homem é uma metade de Deus e necessita de sua outra metade para o cumprimento dessas finalidades; logo, o homem ao casar crê haver encontrado a pessoa que lhe inspira o encanto, a beleza, a harmonia, o saber, a cobiça pelo dinheiro, a ânsia da superação. O varão busca sua contraparte na mulher, e esta nele.

Mas o homem é o executor das inspirações da mulher e por isso ele busca nela a luz que o guia a adquirir a satisfação dos apetites materiais e das necessidades espirituais.

O homem sente que os Mistérios da Divindade estão encerrados no coração da mulher amada, e ao amar a mulher, está amando, através dela, o próprio Deus.

O homem é mente que pensa; a mulher é intuição que inspira; pensar é ter cérebro, intuir é ter coração.

O cérebro trabalha, o coração adivinha.

O homem é a força e o poder, e por tal motivo busca na mulher o conselho e a previsão. A força vence, mas o conselho convence.

O homem é o Fogo Sagrado e a mulher é quem mantém este fogo divino nele.

O homem se diviniza na mulher e ela manifesta a Divindade dele.

O homem, corno cérebro qual dínamo, fabrica força; a mulher, como coração, produz amor; a força mata, o amor ressuscita.

A mulher é a divina arte que não imita, é a lei da beleza.

Senhora, tens sido luz para teu marido?

Tens sido seu conselho e previsão?

Tens mantido aceso o seu Fogo Sagrado ou o tens apagado?

Tens divinizado teu marido ou o tens animalizado?

Tens sido para ele uma inspiração superior?

Talvez me dirás que és ignorante e que não sabes fazê-lo; pois bem, a ignorância é uma desculpa, mas esta desculpa não te justifica, porque o ignorante deve aprender.

Aprender o quê? Aprender a amar, a amar, a amar, porque o amor é o saber máximo que te guia a adivinhar as necessidades e os desejos de teu marido.

Mas como deve ser o amor? Acaso eu não o amo? Estude o “Decálogo do Amor da Esposa para com o Marido”, e depois poderás responder a ti mesma aquela pergunta.

Este decálogo exige:

1 Fidelidade ao lar e ao marido.
2 Abnegação sem limites.
3 Prudência em palavras e atos.
4 Diligente na vida doméstica.
5 Delicada em todos os gostos.
6 Sempre alegre com o marido.
7 Constante nos afetos.
8 Recatada na vida social.
9 Terna e compreensiva na vida conjugal.
10 Honesta e digna nas relações íntimas.

Essas são as qualidades que o homem busca na esposa, a qual, ao proporcioná-las ao marido, este obrigatoriamente deve corresponder e contribuir, por sua vez, com seu decálogo, que consiste nas qualidades que fascinam a mulher, e são as seguintes:

1 Generoso no lar.
2 Valente no perigo.
3 Constante no trabalho.
4 Completo em suas obrigações.
5 Inteligente nas iniciativas.
6 Firme nas decisões.
7 Verdadeiro nas palavras.
8 Tolerante em seu comportamento.
9 Fogoso em seus desejos.
10 Pleno na vida íntima.

De tudo o que ficou dito, se depreende que O AMOR TEM UMA ARTE E UMA CIÊNCIA QUE SE DEVEM APRENDER E PRATICAR para a ventura do matrimônio e a felicidade do lar.

Agora, senhora esposa, podemos dirigir-te as seguintes perguntas, para respondê-las mentalmente em TEU ÍNTIMO:

– Tens sido sempre abnegada com a família? Foste sempre fiel ao lar e ao marido? Quantas vezes por dia te queixas de tua sorte?

– Tens sido prudente em aconselhar teu marido ou tens querido dar-lhe ordens?

– Quantas vezes ao dia gritas com ele, ou na hora de comer?

– Tens sido sempre alegre com ele ou tu tens te portado como uma criança que perdeu seu brinquedo?

– Quantas vezes tens chorado tua desgraça matrimonial ante ele, alegando que na casa de teus pais eras uma rainha?

– Quantas vezes gritas por dia com a cozinheira, a criada e os filhos?

– Tens sido constante em teus afetos ou somente quando tens uma necessidade psíquica ou física?

– E, POR ÚLTIMO, QUANTAS VEZES FERISTE TEU MARIDO COM PALAVRAS OU GESTOS?

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Carta aberta aos seguidores de Gurdjieff

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George Ivanovich Gurdjieff ou, simplesmente, Mestre G, trouxe fragmentos de uma doutrina terrivelmente revolucionária. Seus anelos o levaram a muitos lugares, onde se instalaram temporal e circunstancialmente Centros de Saber e Poder. Seu aprendizado, que durou muitas décadas, o habilitou a iniciar um trabalho sobre si mesmo, por meio das técnicas psicológicas fundamentais entregues pelos verdadeiros Mestres de Sabedoria.

Portanto, podemos afirmar que Gurdjieff era um verdadeiro gnóstico, um Buscador do Conhecimento Superior que leva à Iluminação… Entretanto, Gurdjieff conheceu a totalidade do Conhecimento? Foi-lhe passado tudo o que se deveria adquirir para uma realização plena de um Homem? E tudo o que ele passou a seus discípulos e ao público, era tudo o que ele sabia?

Quem sabe a resposta esteja na última frase, proferida por ele, em seu leito de morte, para seus seguidores: “Deixo vocês num beco sem saída”.

Esta Carta Aberta tem como finalidade reafirmar o que o Grande Sheikh disse a um seguidor de Gurdjieff, que o Ensinamento nunca esteve apartado da vida do ser humano, ela esteve e está sempre ao alcance dos que realmente querem alcançá-lo. Para nós, estudantes gnósticos, o Conhecimento de Gurdjieff, por mais grandioso que tenha sido, não se extinguiu com sua morte. Ao contrário, ela está tão ou mais presente hoje do que na época do Mestre G e outros Iniciados.

Observe, caro leitor, como a humanidade foi preparada durante todo o século 20. Vieram grandes luminares e entregaram um fragmento da Sabedoria Divina. Temos como exemplos o próprio Gurdjieff, HP Blavatsky e sua Teosofia, Jorge Adoum, Krishnamurti e outros tantos, mais ou menos conhecidos regional e mundialmente. Se analisarmos suas contribuições, veremos que cada linha do Trabalho forneceu uma peça de todo esse gigantesco quebra-cabeças chamado Esoterismo ou, melhor, Autoconhecimento.

A contribuição de Gurdjieff, a nosso ver, foi oferecer ao mundo ocidental um sistema de trabalho psicológico, uma “nova” visão do homem, como um ser integral, e também do Universo. Um dos Sheikhs de Gurdjieff afirmou que a doutrina do 4º Caminho (nome dado ao sistema psicológico de Gurdjieff) foi um teste para se saber como a mentalidade ocidental reagiria a esta visão revolucionária. Parece-nos que a aceitação, a reação foi pouco positiva, fazendo com que essa sabedoria fosse momentaneamente deixada de lado.

Porém, outro fator, além da não aceitação desse sistema psicológico de gurdjieffiano, foi que o Mestre G não tinha o conhecimento completo do trabalho de autorrealização. Seu ensinamento, o 4º Caminho de Gurdjieff possuía muitos buracos, muitos vácuos. Muitas partes e detalhes do Ensinamento eram incompletos ou foram interpretados erroneamente, ou, ainda, foram suprimidas intencionalmente (pelos próprios mestres de Gurdjieff). Por isso se afirma nas fileiras gnósticas que o Ensinamento de Gurdjieff deu muito poucos frutos.

Obviamente, um dos fatores que levaram a isso era que Gurdjieff não tinha a totalidade do Conhecimento Iniciático. Sua doutrina veio fragmentada do Oriente e, mais ainda, foi misturada com sistemas psicológicos em voga na Europa do início do século 20. Não diríamos que Gurdjieff fracassou totalmente em sua doutrina, o que houve é que ela era simplesmente estéril. O ensinamento de Gurdjieff, apesar de portentoso, de ser maravilhoso sob muito pontos de vista, era incipiente, principalmente aos olhos de quem estuda uma doutrina muitíssimo mais abrangente.

Numa análise relativamente rigorosa, vê-se uma série de falhas nos princípios do Ensinamento do 4º Caminho Gurdjieffiano. Eis pontos interessantes para reflexão:

Cosmologia: Gurdjieff posiciona o homem dentro de uma escala de sistemas cósmicos, do Absoluto à Lua. Cada sistema abrange outros menores. Temos o primeiro sistema, que é o Absoluto, ou, como queiram, Deus. Depois, vêm: todos os mundos, nossa galáxia, nosso sistema solar, nosso planeta, o homem, a Lua. Ou seja, tudo isso formando sete sistemas de coisas indicando a posição do homem no Universo. O ensinamento gnóstico vê alguns pontos incompletos nesse diagrama cósmico. O mais importante é o último sistema, ou Tritocosmo, que não é a Lua. O sétimo cosmo vem a ser precisamente as dimensões inferiores da natureza, chamadas pelas religiões de Infernos. E essas dimensões inferiores, ou infernais, encontram-se dentro de cada planeta, em nosso não seria exceção. Portanto, o último sistema, que Gurdjieff afirmou ser a Lua, é na verdade, o Inferno dentro de nosso planeta.

A doutrina do Eu: O ser humano realmente possui uma grande multiplicidade de fatores mentais, desejos, vontades, gostos, hábitos etc. Cada um desses elementos é regido por uma unidade mental fragmentária chamada Eu Psicológico ou Agregado Psíquico. Na doutrina de Gurdjieff e, posteriormente, defendida por seu discípulo Ouspenski, visa-se na psicologia do 4º Caminho de Gurdjieff uma interação de todos o Eus, formando-se um Eu coeso, íntegro. Ouspenski vai mais longe ainda, defendendo que um único Eu pudesse ser o dominador, controlando os outros Eus. A doutrina gnóstica afirma que não se deve melhorar, nem reprimir, nem fundir, nem renegar etc., a esses Eus.

Existe algo mais além da mente, do Eu e do tempo, que é a Essência Espiritual, esse fragmento de Deus dentro de nós, que se encontra preso, enfrascado, dentro de cada um desses Eus. Essa Essência deve reinar soberana, sem nenhuma manifestação ou existência desses Eus Psicológicos. Resumindo: o trabalho supremo do Buscador é precisamente a eliminação total e definitiva de todo e qualquer Eu.

A Kundalini: Gurdjieff, lamentavelmente, confundiu a sagrada Kundalini com sua manifestação negativa, chamada por ele de Kudabüffer, ou Kundartiguador. Ele renegou, obviamente por pura ignorância, essa energia sagrada e ainda a confundiu com sua canalização negativa (representada pelo rabo dos demônios). Isso representou tirar das mãos dos seguidores de Gurdjieff a arma suprema para a erradicação absoluta do Ego, dos Eus, de nossa constituição anímica.

O Corpo Astral: Gurdjieff o chama de corpo Kedsjan. O Mestre G afirma que esse corpo também morre, porém bem depois do corpo físico (ou corpo planetário). Essa explicação é certa, porém em parte. A que corpo astral Gurjieff e refere? O corpo astral de um iluminado, de um Mestre, de um ser que encarnou a luz em seu interior? Esse tipo de indivíduo possui um verdadeiro, um autêntico, corpo astral, eterno, consciente, manipulável pela consciência.

Já o nosso corpo astral, melhor dizendo, nosso corpo de desejos, não passa de um fantasma, sem energia, frio, inconsciente, sem força sequer para permitir uma movimentação do indivíduo fora do corpo físico. As viagens astrais de alguém comum e corrente como a maioria de nós são inconscientes, cheias de fantasias, desequilíbrios, projeções etc. Isso acontece ao longo das muitas reencarnações (chamadas pelos gnósticos de Retorno mecânico), sem trazermos à memória nossas experiências fora do corpo.

Quanto à morte do corpo astral, isso ocorre quando se completam precisamente 108 encarnações (ou retornos). A consciência da pessoa que terminou seus 108 retornos a este mundo físico involui, passa a uma dimensão inferior da natureza (as dimensões infernais) e, ao cabo de muitos milhares de anos, esse corpo astral lunar e frio vai se desintegrando. A Essência, ao final desse processo fantástico e doloroso, libera-se dos corpos inferiores, do Ego, dos veículos astral, mental etc., e passa a experienciar de novo todo um processo de evolução imposta pelas forças da natureza.

Finalmente, queremos dizer que a doutrina psicológica de Gurdjieff é maravilhosa. Infelizmente ela sofreu – e ainda continua sofrendo – alterações, adaptações e adulterações e, com o passar do tempo, vai-se distanciando cada vez mais da chama do conhecimento primeiro que alimentou Gurdjieff.

Convidamos o caro leitor a aprofundar-se em seus estudos de autoconhecimento bebendo de uma fonte superior, completa, e que leva indiscutivelmente o Buscador àquela tão almejada autorrealização espiritual. Aquela Escola, Aquele Centro de Conhecimento, já está mais perto do que você imagina, o Conhecimento é mais simples e singelo do que pensamos, embora sua praticidade seja complexa. Por que complexa? Porque o Trabalho Espiritual é uma verdadeira arte, como aquela Ars Magna dos Alquimistas medievais. A Grand Art, ou seja, a Autorrealização Espiritual, requer muita paciência, muita arte, muito empenho, porém nada é impossível.

Caso você tenha interesse em conhecer este ensinamento sagrado, divulgado nos últimos tempos pelo Grande Mestre Gnóstico Samael Aun Weor, leia o texto abaixo escrito por Ele, o qual nos explica, sinteticamente, a Essência, o Fundamento de sua “tríplice” Doutrina:

“Ainda que se espantem os fracos e os covardes, é urgente dizer que o Caminho que conduz os valentes à Autorrealização Íntima é espantosamente revolucionário e terrivelmente perigoso. Este é o caminho da Revolução da Consciência! Esta é a senda difícil; a via que os perversos da raça lunar tanto odeiam.

O caminho é oposto à vida comum e corrente de todos os dias. Baseia-se em outros princípios e está submetido a outras leis; nisto consiste o seu poder e o seu significado.

A doutrina de todos os Avataras tem suas raízes nos Três Fatores de Revolução da Consciência: Nascer, Morrer e Sacrificar-se pela Humanidade. O grande Cabir Jesus sintetizou magistralmente a doutrina da Revolução da Consciência quando disse: ‘É necessário que o Filho do Homem padeça muitas coisas e que seja rejeitado pelos anciões e príncipes, sacerdotes e escribas; que seja entregue à morte e que ressuscite no terceiro dia… E acrescentou: Em verdade vos digo que alguns não verão a morte, até que vejam por si mesmos o reino de Deus’.

Primeiro Fator: Nascer

“O Filho do Homem nasce na Nona Esfera; o Filho do Homem nasce da água e do fogo.” Vocês sabem muito bem que a Revolução da Consciência tem três fatores: Nascer, Morrer e Sacrifício. Nascer é um problema completamente sexual. No morrer, também entra em função o sexo, e sacrifício pela humanidade é amor. É claro que o sacrifício se cumpre através do trabalho esotérico em benefício de todo o mundo.

Comecemos com o primeiro fator: Nascer. Certamente, o homem é um ser não realizado. Todas as criaturas nascem completas, menos o ser humano. Um cão nasce como cão e como cão está completo. Uma águia nasce como águia, dispõe de grandes asas e uma visão maravilhosa que lhe permite caçar até as serpentes mais distantes; nasce completa. Porém, o pobre animal intelectual equivocadamente chamado homem não nasce completo.

Acontece que ele nasce sem os veículos que deveria ter. Nasce sem o Corpo Astral, sem o Corpo Mental e sem o Corpo Causal. Então, o que é que nasce? Nasce um corpo físico, um “corpo planetário”, com a base vital e nada mais. O que há mais além disso? O Ego, que é de natureza animal. E possui uma Consciência o pobre animal intelectual? Sim, ele a tem, mas está engarrafada no Ego; isso é tudo. Uma CONSCIÊNCIA ADORMECIDA, uma Consciência, diríamos, condicionada ao seu próprio engarrafamento.

Então, resumindo, ele nasce incompleto. O germe penetra em uma matriz para se desenvolver convenientemente e, pelo fato de ter nascido, não significa de modo algum que tenha terminado completamente os seus processos de desenvolvimento. O germe que se gestou num ventre materno e que nasceu, que veio ao mundo, é um germe incompleto em todo o sentido da palavra, porque não possui os CORPOS EXISTENCIAIS SUPERIORES DO SER. Por outro lado, não terminou sequer de desenvolver o próprio corpo físico.

O desenvolvimento total do corpo físico processa-se através das várias idades: 7, 14, até os 21 anos. Graças à ENERGIA CRIADORA, o corpo físico pode ser gerado no ventre materno. Graças à ENERGIA CRIADORA, o corpo físico pode continuar seu desenvolvimento através dos 7, 14 e 21 anos de idade. De maneira que o próprio corpo físico, pelo fato de ter nascido, não está completo; precisa se desenvolver. Infelizmente, vemos como os adolescentes já estão fornicando, sem ainda terem completado seu processo de desenvolvimento.

Isto é manifestamente absurdo, porque essa energia criadora que eles estão desperdiçando é necessária, indispensável, para completar o desenvolvimento do corpo físico. De maneira que, honradamente, a função sexual deveria começar aos 21 anos de idade e não antes, porque antes o germe que entrou no ventre materno não completou ainda seus processos de desenvolvimento. Submetê-lo à cópula é algo absurdo.

Observando bem todas estas coisas, meus estimados irmãos, vale a pena refletir um pouco. Dos 21 anos em diante, a energia sexual está livre para outras atividades. Antes dos 21 anos a energia sexual só tem um objetivo: completar o desenvolvimento físico do germe que nasceu, isto é, completar o desenvolvimento do corpo físico. Após os 21 anos a energia fica livre.

Depois dos 21 anos de idade, poderíamos usar a energia criadora para fabricar os Corpos Existenciais Superiores do Ser e chegar ao Segundo Nascimento. Infelizmente, as pessoas não sabem usar a energia criadora, essa energia que as fecundou no ventre materno, que permitiu o desenvolvimento do feto, seu nascimento e crescimento pelas idades dos 7, 14 e 21 anos. As pessoas não sabem utilizar essa energia quando fica livre. Em vez de utilizá-la para a sua Realização, completando assim sua construção, já que o ser humano nasce incompleto, a eliminam do seu organismo. Bem sabemos que as pessoas extraem do seu organismo o Exiohehari, isto é, o esperma sagrado. Isto é gravíssimo…

Ao tocarmos nesta questão relacionada com o “nascimento”, o Primeiro Fator da Revolução da Consciência, devemos salientar que a humanidade, em todos os sentidos, anda involutivamente. Bem sabemos que os adolescentes não somente gastam o material sexual, a energia criadora ou ESPERMA SAGRADO, com a cópula, mas ainda adquirem vícios como o da masturbação. Este vício, infelizmente, tornou-se hoje em dia mais comum do que lavar as mãos. Os jovens, sejam eles rapazes ou moças, adquirem esse desgraçado vício e assim arruínam miseravelmente seus cérebros; se idiotizam. Quantas vontades teriam sido maravilhosas e se esgotaram! Quantos rostos bonitos murcharam… E tudo isso por falta de instrução…

Realmente, tanto rapazes como moças não recebem nas escolas ou colégios a devida instrução sobre a questão sexual e, claro, o impulso sexual faz com que sintam a necessidade de fazerem uso do sexo. Como não têm orientação, em geral trocam ideias, os jovens com seus amiguinhos e as jovens com suas amiguinhas, e por aí começa o vício repugnante da masturbação. Esta é a desgraça da nossa época, além de outros vícios que, infelizmente, também se tornaram comuns, tais como o homossexualismo e o lesbianismo. Obviamente, os homossexuais são sementes degeneradas que não servem para nada. As lésbicas, igualmente, são sementes degeneradas que jamais poderão germinar (esotericamente falando).

Portanto, os vícios que existem atualmente em relação ao sexo são insuportáveis. Se os rapazes e as garotas pudessem crescer limpos, com uma educação sexual perfeita e completa, tudo seria diferente. Se na verdade os jovens, homens e mulheres, pudessem chegar até a idade dos 21 anos respeitando o sexo, com pureza real, seria algo admirável e teríamos uma nova geração de seres melhores. Infelizmente, a pobre humanidade não recebe a educação sexual no momento em que mais necessita.

Se recebessem, chegariam saudáveis à idade dos 21 anos e isso seria maravilhoso. Se aos 21 anos, no momento em que a energia sexual fica liberada para qualquer tipo de atividade, a usassem com o propósito de criar os Corpos Existenciais Superiores do Ser, isso seria formidável.

Obviamente, creio que vocês já conhecem a chave da alquimia: não ignorar o adágio latino que diz: Imnisium membrum virilis in vaginam faemina sine ejaculatio seminis. Em síntese, diríamos: união do “lingam-yoni” sem derramar jamais a Taça de Hermes Trismegisto, o Três Vezes Grande Deus Íbis de Toth. Como vocês veem, estou dando a chave, simples e clara, porém em linguagem decente, porque ao instruir os estudantes e falar dos Mistérios do Sexo, deve-se fazê-lo com modéstia e de forma viva, jamais em estilo vulgar. Isto seria muito grave para nós, seria uma infelicidade, se formariam conceitos errôneos sobre os nossos ensinamentos. Obviamente, o desejo refreado transmutará completamente o esperma sagrado em energia criadora.

Bem, é conveniente que vocês saibam que a energia sexual, da qual tanto se fala hoje em dia na fisiologia, psicologia, psicanálise etc., é o mesmíssimo Mercúrio dos alquimistas medievais. Essa energia criadora transmutada é o mesmo Mercúrio dos Sábios. Obviamente, tal mercúrio vem a condensar-se ou a cristalizar-se, mediante as notas DÓ, RÉ, MI, FÁ, SOL, LÁ, SI, em uma oitava superior com a forma maravilhosa e esplêndida do Corpo Astral.

Assim, o Corpo Astral não é um implemento necessário para a vida do ser humano. As pessoas vivem sem Corpo Astral. O Corpo Vital assegura ou garante completamente a vida do corpo físico; não há necessidade de se possuir um Corpo Astral. O Corpo Astral é um luxo que é dado a poucos. No entanto, bem que vale a pena dar-se a esse luxo. Alguém sabe que tem um Corpo Astral quando pode usá-lo, quando pode caminhar com ele, quando pode movimentar-se no espaço com ele. Tal veículo dá a imortalidade no mundo astral; torna alguém imortal nessa região.

Em uma segunda oitava, um pouco mais acima, com as notas DÓ, RÉ, MI, FÁ, SOL, LÁ, SI, o Mercúrio dos Sábios vem a se cristalizar no famoso e esplêndido Corpo Mental. Quando se possui um Corpo Mental, recebe-se a iluminação diretamente… Com um Corpo Mental, podemos aprender, captar, todos os ensinamentos do universo. Um pouco mais além temos o Corpo da Vontade Consciente.

Ninguém nasce com o Corpo da Vontade Consciente, porém mediante a transmutação da libido sexual, em uma oitava mais elevada, com as notas DÓ, RÉ, MI, FÁ, SOL, LÁ, SI, o Mercúrio dos Sábios vem a se cristalizar na forma extraordinária do Corpo da Vontade Consciente ou Corpo Causal. Quando alguém já tem os veículos físico, astral, mental e causal, é óbvio que poderá receber os princípios anímicos e espirituais para se converter em homem.

O primeiro nascimento, de onde vocês vieram, foi o do corpo planetário ou corpo físico. O Segundo Nascimento é o nascimento do Filho do Homem, o nascimento do homem, falando concretamente.

De maneira que um dos fatores da Revolução da Consciência é nascer; nascer como homem. No primeiro caso, quem nasce é o animal intelectual; no segundo nascimento, nasce o homem, o Filho do Homem, o verdadeiro homem. Diz-se que o homem verdadeiro é o Homem Causal. Por que se chama o homem verdadeiro de Homem Causal? Simplesmente porque fabricou o Corpo Causal, que é o último dos corpos necessários para que alguém se torne homem. Então, seu centro de gravidade fica estabelecido no Mundo Causal; vive ali, nessa região.

O Mundo Causal tem uma tonalidade azul profunda, intensa, elétrica. Esta é a cor fundamental ou básica do éter, ou akash, akasha puro. Ali se descobre que tudo flui e reflui, vai e vem, sobe e desce, cresce e decresce. No Mundo das Causas Naturais conhecemos todo o encadeamento de causas e efeitos, de efeitos e causas. Toda causa tem um efeito, todo efeito se converte por sua vez em causa. Cada palavra dita, pode dar origem a muitos efeitos, a toda uma série de efeitos.

Em certa ocasião, estando no Mundo Causal, escutei um homem que dava uma palestra. Intencionalmente, interrompi aquele homem para fazer uma objeção a uma palavra sua. Aquele Homem Causal guardou silêncio e agiu muito bem. Mas em seguida vi como apareceu o resultado das minhas palavras, da minha objeção. Aquela reunião terminou de imediato porque o Homem Causal se retirava. Ao terminar aquela reunião, cada um saiu dizendo algo… seu conceito e os conceitos, por sua vez, produziram outros resultados. E esses resultados produziram outros resultados e a outros mais…

Portanto, percebi que a interrupção que eu havia provocado tinha dado origem a uma série de consequências. Eu havia agido intencionalmente com o propósito de investigar a Lei de Causa e Efeito e o resultado fora aquele. No Mundo das Causas Naturais é que se vem a conhecer o que é a Lei de Causa e Efeito. Claro, ali se movem os Senhores da Lei com seus pesos e balanças; estão sempre ativos anotando nos Arquivos Akáshicos os débitos e os créditos da cada um de nós.

Em algumas reuniões no Mundo das Causas Naturais, é de causar assombro ver nela reunidos aos diferentes Adeptos encarnados todos vestindo trajes civis, tais quais os que usamos aqui no mundo físico. Não quero dizer com isto que seja sempre assim. Claro que dentro dos templos os Adeptos usam suas vestes sagradas. Porém, em certas reuniões ou assembleias, todos esses Mestres, que têm corpo no mundo físico, assistem-nas vestidos como civis, como cavalheiros, decentemente, como se estivessem no mundo físico.

Usam gravata, roupas bem ajustadas, apresentam-se de relógio no pulso e outras tantas coisas… A que se deve isso? É que essa é a região do Homem, do Homem Real, do Homem Verdadeiro; a região do Homem Causal. De modo que o Segundo Nascimento é nascer como Homem Causal, como homem verdadeiro. Este é, portanto, o primeiro fator da Revolução da Consciência: Nascer.

Segundo Fator: Morrer

“Se alguém consegue passar pela aniquilação budista, se consegue morrer radicalmente, desperta absolutamente, aqui e agora.” Assim como a vida representa um processo gradual e sempre mais completo de exteriorização ou extroversão, da mesma forma a morte do Ego é um processo de interiorização gradativa, no qual a Consciência individual, a essência pura, se despoja de suas inúteis vestimentas, como Ishtar em sua simbólica descida, até ficar inteiramente nua e desperta em si mesma diante da grande realidade da vida livre em seu movimento.

Indubitavelmente, para que a luz, que constitui a essência anímica agora engarrafada no Ego, comece a brilhar, a cintilar e a resplandecer, deve se libertar. Porém, em verdade vos digo, que isto só é possível para quem passa pela terrível aniquilação budista, para quem dissolve o eu e morre em si mesmo. Se o germe não morre, a planta não nasce. É necessário morrer, isto é, o Ego animal deve deixar de existir em nós, em nossa psique, se é que queremos gozar da autêntica iluminação.

Normalmente, os irmãos gnósticos, os aspirantes, nossos afiliados, sofrem muito por falta de iluminação. Eles gostariam de se mover nas regiões inefáveis, visitar o Nirvana, o Maha-paranirvana, escutar a Música das Esferas etc. Mas, ao se verem presos, escravizados nesta região tridimensional de Euclides, ao não poderem perceber todas essas maravilhas dos mundos superiores, sofrem o indizível. É claro que seus sofrimentos são lógicos; têm razão em sofrer.

Uns querem se adiantar aos fatos. Falando em linguagem vulgar, diria que alguns querem pôr a sela antes de trazer o cavalo ou ordenhar a vaca antes de comprá-la; querem ser exploradores do espaço sem terem ainda adquirido as faculdades para isso. Às vezes, metem-se no espiritismo e terminam convertidos em médiuns etc., cujas práticas conduzem à epilepsia. Todos os epiléticos que investigamos foram médiuns do espiritismo em passadas existências. De maneira que não é nada agradável tornar-se epilético; isso é muito duro, muito ruim.

Continuando, direi a vocês que a iluminação não é possível se não se desintegra o Ego. Normalmente a Consciência, aliás anormalmente, porque não se pode dizer que isso é normal, está engarrafada no Mim Mesmo, no Eu da psicologia experimental. É claro que enquanto a Consciência continuar engarrafada no Ego, enfrascada no Mim Mesmo, estará adormecida, funcionando em função de seus próprios condicionamentos. Será subjetiva, incoerente e imprecisa.

Escutei o que me informaram em relação aos ataques de tenebrosos em Guadalajara e o que lhes respondi? Que tudo isso se devia ao subjetivismo do Ego. Que alguns irmãos sejam possuídos por demônios, que as bruxas da meia-noite, montadas em suas vassouras, venham atormentar os bons irmãozinhos, que os ataquem incessantemente, que os ameacem de morte e muitas outras incoerências, parece-me bem mais coisas da seita dos vudu! Na verdade, no fundo, isso me parece nefasto. Porém, nenhuma dessas questões tão incoerentes, tão imprecisas e tão vagas, de bruxas, de vampiros e de cinquenta mil coisas mais, aconteceria se os aspirantes não tivessem Ego. Tudo isso se deve ao Ego.

Quando foi que vocês ouviram falar que um Gautama Sakyamuni foi atacado por bruxas, que o tenham invadido, que se tenham apossado dele? E que Gautama depois tenha ferido de morte uma outra pessoa gritando: te mato, te mato, vim te matar? Isso jamais se viu entre Iniciados!

De modo que tudo isso acontece entre pessoas que têm Ego. Não havendo Ego, não há nada disso, porque quando destruímos o Ego, quando passamos pela aniquilação budista, a Consciência então se emancipa, se libera, fica autodesperta, se torna objetiva; as incoerências terminam. Não vem senão a iluminação total, limpa, sem manchas, sem vacuidades de nenhum tipo. Quando temos mente objetiva, Consciência objetiva, a única coisa que reina em nós é a claridade meridiana do espírito.

Então, nos movemos no mundo das matemáticas e das perfeições. Mas isso não seria possível se antes não passássemos pela aniquilação budista.

Poderia sintetizar para vocês a didática, diríamos, da aniquilação budista em poucas palavras: Precisamos viver alertas como a sentinela em tempo de guerra. É no terreno da vida prática, no relacionamento com nossas amizades, em casa, na rua, no trabalho, que os defeitos que levamos escondidos afloram de forma espontânea.

Defeito descoberto deve ser imediatamente julgado, submetido de imediato à análise. Mediante a Autorreflexão Evidente do Ser, podemos conhecer diretamente qualquer defeito. Tendo compreendido tal ou qual erro psicológico, indubitavelmente poderemos nos dar ao luxo de desintegrá-lo.

Chegamos ao ponto crítico, difícil, desta palestra que damos aqui. Gurdjieff, Ouspenski, Nicoll e muitos outros autores da quarta via, gnósticos também como nós (porque também somos da quarta via ou quarto caminho), pensaram que poderiam desintegrar qualquer agregado psíquico inumano, isto é, qualquer defeito, qualquer eu, através da simples compreensão criadora e nada mais.

Gurdjieff cometeu um erro imperdoável, com o qual, naturalmente, lançou um grave karma sobre si. Este erro foi ter se pronunciado contra a Divina Mãe Kundalini. Que o fez por ignorância, não o nego. Assim foi! Porém, de qualquer modo, a ignorância da lei não exclui seu cumprimento. Ele confundiu a serpente sagrada Kundalini com o abominável órgão kundartiguador e atribuiu à Devi Kundalini os efeitos sinistros e tenebrosos do abominável órgão kundartiguador.

Para que vocês entendam melhor, lhes direi que há duas serpentes: a que sobre e a que desce. A serpente de bronze que curava os israelitas no deserto, enroscada no lingam gerador, no Tao, e a serpente Píton, com sete cabeças, que se arrastava no lodo da terra e que Apolo, irritado, feriu com seus dardos. A serpente que subia pela vara de Esculápio, o deus da medicina, e a serpente que se arrastava no lodo, a serpente tentadora do Éden.

Eis aqui a dupla pata do galo dos Abraxas, dos gnósticos. Portanto, a serpente que sobre é sagrada, é a Kundalini, e a que desce é o Kundartiguador. O erro de Gurdjieff foi atribuir à serpente ascendente os efeitos hipnóticos, tenebrosos e abomináveis da serpente descendente. Foi aí que Gurdjieff falhou.

No México, existe o Instituto para o Desenvolvimento Harmonioso do Homem. Esta é a Escola de Gurdjieff. Porém, pergunto: Quem dentre eles conseguiu eliminar os eus? Qual o estudante que conseguiu libertar a sua Consciência radicalmente? Qual deles chegou à iluminação objetiva? Nenhum! Porque a mente por si mesma não pode alterar fundamentalmente nenhum defeito. Pode, sim, rotulá-lo com diferentes nomes, justificá-lo, condená-lo, buscar evasivas ou escapatórias para evitá-lo; pode escondê-lo de si mesma e dos outros, mas nunca poderá desintegrá-lo. Precisamos de um poder que seja superior à mente e Gurdjieff não aplicou este procedimento sobre si.

Lamento que Gurdjieff tenha desviado o sentido do ensinamento que eu mesmo lhe dei porque Gurdjieff é meu discípulo. Lamento que tenha cometido esse grave erro. Deixou-se influir por outras mentalidades e isso é lamentável…

Assim, olhando as coisas de frente, precisamos de um poder que seja superior à mente e este não é outro que a Kundalini, a serpente ígnea de nossos mágicos poderes. Somente ela pode pulverizar qualquer agregado psíquico inumano, seja este de ira, cobiça, luxúria, inveja etc. Naturalmente, primeiro temos de descobrir o defeito que queremos eliminar. Como segundo requisito, há que trabalhá-lo, compreendê-lo e, como terceiro, eliminá-lo. E podemos eliminá-lo com o poder da Divina Mãe Cósmica, com o poder da Divina Mãe Kundalini.

Porém, há que se apelar à Kundalini, a Devi Kundalini Shakti. Apelar naquele momento em que necessitamos eliminar o agregado psíquico que tenhamos descoberto e compreendido. Sim, há que se apelar a Ela, rogar-lhe que pulverize o tal defeito e Ela o fará.

Agora, o poder máximo da víbora sagrada, da Divina Cobra dos templos, encontra-se na Forja dos Ciclopes. Se um casal invocar de verdade a víbora divina em pleno trabalho na Forja dos Ciclopes, em pleno trabalho sexual espiritual, certamente obterá resposta.

Deve-se, pois, apelar a esse poder transcendental e maravilhoso da cobra dos antigos mistérios divinos. E quem não tem companheira? E a mulher que não tem cônjuge? Também podem apelar à Cobra Sagrada! De qualquer maneira, ela trabalhará para desintegrar os defeitos. No entanto, estou afirmando que o máximo de seu poder está na Forja dos Ciclopes, na Forja Acesa de Vulcano.

Falo a vocês nesta linguagem serpentina porque são irmãos que já fizeram o Curso de Missionários. Portanto, têm de estar preparados para entender este idioma porque quando se fala dos mistérios sexuais, deve-se falar com decência, com dignidade, jamais numa linguagem vulgar, sempre numa linguagem esotérica, edificante e essencialmente dignificante.

Se conseguirem passar pela aniquilação budista, se conseguirem morrer radicalmente, despertarão absolutamente, aqui e agora. Far-se-ão conscientes da vida nos mundos superiores. Mas é necessário morrer para despertar! Repito: aqui e agora! Quando alguém desperta verdadeiramente, o problema do desdobramento deixa de existir, a pessoa fica consciente tanto no mundo físico como nos mundos superiores. Esteja o corpo dormindo ou desperto, se estará sempre consciente.

O problema do desdobramento astral desaparecerá de forma definitiva e para sempre porque se seu corpo dorme, manterá a Consciência e consciente estará no mundo astral. Ali viverá consciente, agirá conscientemente e regressará à vontade ao seu corpo físico quando quiser. Então, onde fica o problema do desdobramento? Como problema, ele deixa de existir. O importante é despertar… Com a morte se mata a morte por toda uma eternidade!

Terceiro Fator: Sacrifício pela Humanidade

Jesus Cristo disse: “Se vos amardes uns aos outros, provareis que sois meus seguidores”. Jamais conseguiremos cumprir esse preceito cristão enquanto continuarem dentro de nós os eus do ressentimento e do amor próprio. É urgente, improrrogável, inadiável, eliminar de nossa psique tais elementos indesejáveis. O eu do ressentimento ou do desejo revanchista sempre deu origem aos grandes fracassos no mundo.

O terceiro fator é o sacrifício pela humanidade. Precisamos amar nossos semelhantes, porém temos de demonstrar nosso amor com fatos concretos, claros e definitivos. Não basta dizer que amamos nossos semelhantes, não! Há que se demonstrar isso com fatos. Há que estar disposto a subir ao altar do supremo sacrifício pela humanidade. Temos que levantar a tocha da sabedoria para iluminar o caminho dos demais. Há que estar disposto a dar até a última gota de sangue por todos os nossos semelhantes, com verdadeiro amor, desinteressado, puro…

De maneira que o terceiro fator de Revolução da Consciência é o sacrifício por nossos semelhantes. Nascer, morrer e sacrifício pela humanidade são os três fatores que nos convertem em verdadeiras encarnações do Cristo Cósmico. Esses três fatores terminam nos convertendo em deuses, ainda que tenhamos corpos de homens. Esses três fatores terminam fazendo de nós algo diferente: transformam-nos em deidades, em deuses inefáveis, Elohim, Daimons etc.

Se trabalhamos com o primeiro e o segundo fatores, nascer e morrer, mas não amamos nossos semelhantes, nada estaremos fazendo para levar a luz do conhecimento a outras pessoas, povos e nações. Cairíamos num egoísmo espiritual muito refinado que nos impediria todo avanço interior. Se somente nos preocupamos conosco e nada mais e nos esquecemos de tantos milhões de seres que povoam o mundo, inquestionavelmente nos autoencerramos em nosso próprio egoísmo. Dessa forma, o eu do egoísmo não permitirá a iluminação.

O egoísmo pode se apresentar sob formas sumamente refinadas que temos de eliminar. Enquanto tivermos o egoísmo dentro de nós mesmos, não será possível a iluminação. O egoísmo está formado por múltiplos eus dentro dos quais se encontra enfrascada a Consciência. É verdade que há que se desintegrar essa multiplicidade de eus egoístas, pois, se não o fizermos, a Consciência continuará engarrafada, condicionada, aprisionada, limitada… E qualquer possibilidade de iluminação estará anulada.

Devemos compreender que toda a humanidade é uma grande família. Infelizmente, estamos engarrafados em muitos afetos e consideramos unicamente como família a umas poucas pessoas que nos rodeiam. Isto é egoísmo, porque todos os seres humanos, sem exceção de raça, credo, casta ou cor, constituem uma só família. Essa família chama-se humanidade. Se só vemos como irmãos aos que nos rodeiam desde o berço, vamos muito mal. Se unicamente queremos redimir essas pessoas que se dizem nossos familiares, agimos de forma egoísta.

Torna-se indispensável ver em cada pessoa um irmão. Não digo isso por mero sentimentalismo, mas porque em verdade somos todos irmãos. Não é uma frase meramente sentimentalista. É real, tal como se escuta! Somos uma família, uma só grande família que não deveria estar dividida. Uma enorme família que povoa a Terra e que se chama humanidade.

A esses nossos irmãos, necessitamos levar o conhecimento; mostrar-lhes a senda, para que algum dia eles também possam trilhá-la e chegar à liberação final. Se queremos ser felizes, precisamos lutar pela felicidade dos outros. Quanto mais se dá, mais se recebe. Mas quem nada dá, até o que tem lhe será tirado.

Como poderíamos alcançar a autêntica felicidade nirvânica ou paranirvânica, aqui e agora, se não trabalhássemos pela felicidade dos outros? A autêntica felicidade do Ser não pode ser egoísta, a conseguimos apenas através do sacrifício por nossos semelhantes.

Assim, quem conseguiu os estágios mais elevados do Ser, quem ingressou nos mundos paranirvânico, mahaparanirvanico, monádico, ádhico ou quem enfim conseguiu fundir-se com o Eterno Pai Cósmico Comum, obviamente sacrificou-se no mundo, de alguma forma, por seus semelhantes e isso lhe deu méritos suficientes para conseguir em verdade a felicidade que não tem limites nem margens jamais.

Para se fazer curso de missionário, deve-se pensar no bem comum; que devemos amar, sim, de uma forma extraordinária a todos os seres que povoam a superfície da Terra. Amar não apenas os que nos amam, porque isso qualquer um faria, mas também os que nos odeiam; os que nos amam porque nos compreendem e os que nos odeiam porque não nos compreendem.

Não deve existir em nós isso que se chama ódio. Há pessoas que destilam e bebem seu próprio veneno e sofrem o indizível… Isso é grave! Não se deve ser tão tonto. Aquele que está destilando e bebendo o seu próprio veneno é um tonto. Aquele que forjou um inferninho em seu entendimento é um néscio; precisa pensar que o melhor mesmo é amar, pois se fizer de sua mente um inferno, jamais será feliz. As pessoas estão todas cheias de ressentimentos. Isso é gravíssimo! Onde quer que exista o eu do ressentimento, o amor não poderá florescer. Não há quem não tenha ressentimentos. Todo mundo guarda em seu coração palavras, fatos ou acontecimentos dolorosos, acompanhados naturalmente de suas consequências ou corolários, que são os já mencionados ressentimentos.

Que ganhará quem carrega tudo isto? Nesse sentido, não sabe amar. É revanchista, não sabe amar. Aquele que odeia está muito perto da maldição. É necessário saber compreender os outros, aprender a olhar do ponto de vista alheio, se é que queremos saber amar. As pessoas são incompreensíveis, não querem entender às outras, simplesmente porque não sabem ver do ponto de vista alheio. Se alguém se situa no ponto de vista alheio, aprende a perdoar, aprende a amar. Porém, se não é capaz de perdoar ninguém, não sabe amar.

Agora, perdoar de forma mecânica não serve para nada. Alguém poderia perdoar simplesmente porque aprendeu na doutrina gnóstica que deve perdoar. Isso seria automático, não serve! No fundo, continuará com o mesmo ressentimento, com o mesmo ódio e até com o mesmo desejo revanchista, sufocado e reprimido.

Quando se diz PERDOAR, isso implica uma eliminação. Ninguém poderá perdoar se não eliminar o eu do ressentimento, se não anular o eu do rancor, se não reduzir a poeira cósmica o eu do revanchismo, o eu que quer tirar o cravo etc. Enquanto tais eus não tenham sido eliminados através da compreensão e com o auxílio de Kundalini Shakti, não será possível perdoar de verdade. Se perdoa, isso será automático e perdão automático não é perdão.

Temos de ser sinceros com nós mesmos, se queremos saber amar. Se alguém não é sincero consigo mesmo, não poderá amar jamais… Amar implica em um trabalho, trabalho dispendioso sobre si mesmo. Como alguém poderia amar aos outros se não trabalha sobre si mesmo, se não elimina do seu interior os elementos da discórdia, do revanchismo, do ressentimento, do ódio etc.? Quando tais elementos infra-humanos moram em nossa psique, fica anulada toda a nossa capacidade de amar. Necessitamos amar todos os nossos semelhantes, mas repito: isto implica em um trabalho. Não é possível amar enquanto os elementos do ódio existirem em nós mesmos.

Se queremos amar, devemos ser sinceros. Necessitamos nos autoexplorar, nos autoinvestigar, para descobrir esses elementos que nos incapacitam de amar. Existe muito amor fingido nas diferentes escolas de tipo pseudoesotérico e pseudo-ocultista. Nós, gnósticos, não devemos aceitar o amor fingido; devemos ser exigentes com nós mesmos. Vamos ou não amar nossos semelhantes? Sejamos sinceros! Não se trata de nos deixarmos levar por sentimentalismos sublimes. Poderíamos crer que amamos quando na realidade não estamos amando.

O amor é algo muito sublime. Vou lhes dar um exemplo ou alguns exemplos sobre o amor. O fundador da cidade de Nova York era um homem muito inteligente; tinha uma esposa muito distinta… Quando fundou Nova York, aquilo parecia um paradoxo: ali nada mais havia do que vegetação, árvores, montanhas etc. Ele concebeu a ideia de uma grande cidade ao contemplar aquela região. No entanto, era a época dourada, a época em que nos Estados Unidos as pessoas tinham sede de ouro; coisa que sempre tiveram. Mas, naquela época, era muito mais manifesta a cobiça pelo ouro físico, pelas minas de ouro etc. Indo-se pelo mundo, cometeu um erro que considerou muito sério: abandonou sua esposa em plena montanha. Não a abandonou por nenhuma outra mulher, não, apenas pelo ouro, para buscar as minas… Um dia soube dela, alguém disse-lhe que ela tinha morrido.

Não se preocupou muito com isso porque não tinha senão ânsias, sede insaciável por ouro. Mais tarde, encontrou uma mulher e casou-se com ela. Construiu uma estrada de ferro e estabeleceu bancos. Quando se tornou um grande homem, falando diante de um auditório, de repente descobriu entre as pessoas que ali estavam aquela que ele havia abandonado. Aquele homem já não pôde mais falar. Tratou de se segurar, ficou confuso porque julgava que ela estivesse morta. Ela, por sua vez, fora informada que ele havia se casado outra vez e que tinha seis filhos… No auditório, quando se encontraram, ambos levaram a mão à boca… Ele não sabia o que fazer. Foi ela quem falou: “Não te preocupes, sei que estás casado”. Ele estava perplexo, claro, porque recordava seu primeiro amor. Ele a amava, só que sua sede pelo ouro fizera com que a abandonasse… Ele não sabia o que fazer, quando ela continuou: “Podes ir, segue teu caminho”. Ela também o adorava. Ele tentou se afastar e percebeu que não podia, sentiu que era difícil se desprender dela. Porém, ela deu-lhe coragem: “Não olhes para trás, segue em frente, não te detenhas por mim. Tu deves triunfar. Te amo muito e desejo teu triunfo…”

Ele se foi caminhando como um sonâmbulo até que ela partiu. Ela o amava muito… Ele poderia ter deixado a outra mulher imediatamente e ir-se com ela, mas ela preferiu a felicidade dele à própria. Isso é amor! Qual de vocês se sente capaz de fazer isso? Ser capaz de renunciar ao que mais ama pela felicidade do ser amado? É que o amor não quer recompensa; ele é dádiva por si mesmo, ele é trabalho com renúncia aos frutos. O amor não quer senão o bem dos outros, ainda que isso lhe custe a própria felicidade.

Pretender definir o amor é um tanto difícil. Se o definimos, o desfiguramos. Ele é bem mais como uma emanação surgida, diríamos, do fundo da própria Consciência. Ele é uma função do Ser. Temos de entender, temos de compreender a necessidade de amar nossos semelhantes, porque mediante o amor podemos nos transformar. É amando que distribuímos bênçãos, levamos o ensinamento a todos os povos da Terra e encaminhamos os outros com o máximo de paciência. Devemos saber perdoar os defeitos alheios.

Inquestionavelmente, ao levarmos o ensinamento aos outros, encontraremos muita resistência; choverão pedras em muitas ocasiões, porém há que saber amar, perdoar a todos e não reagir.

As pessoas vivem reagindo diante dos impactos que provêm do mundo exterior. Há sempre uma tendência a reagir. Quero me referir às mesas diretoras dos Lumisiais. Em plena assembleia alguém diz algo relacionado a outra pessoa e nunca falta a reação imediata do aludido. Algumas vezes com ira, outras com impaciência, porém de alguma forma sempre reage. Raras vezes tenho visto uma mesa diretora onde algum sujeito permaneça impassível; sem reagir ao que os outros digam. Essa tendência de reagir contra todo o mundo existe em todos. Mas que engraçadas são as pessoas! Basta que se mova um botão para que trovejem e soltem relâmpagos. Se outro botão se move, sorriem docemente.

Os humanoides são máquinas que todo o mundo controla como quer. São como um instrumento musical onde cada um toca sua própria canção. Se alguém quiser que vocês sorriam, basta que lhes diga umas palavras doces, que lhes dê umas palmadinhas no ombro, e sorrirão docemente. Se quiser que se irritem, basta que lhes diga umas quantas palavras duras e já estarão com o cenho franzido e reagindo imediatamente. Aqui mesmo, eu estou conversando com vocês e os vejo um pouco sorridentes. Se neste momento lhes lançasse uma descompostura, que aconteceria? Mudariam de imediato e já não estariam tão sorridentes, as sobrancelhas se mostrariam franzidas… Isso é triste, mas assim é. Por quê?

Porque são máquinas; instrumentos que todo o mundo toca, como um violão. Quem quiser vê-los contentes lhes dirá umas quantas palavras doces e já estarão felizes. Quem quiser vê-los furiosos lhes dirá umas palavras duras e já estarão terríveis.

De maneira que dependemos dos outros. Não temos liberdade. Não somos donos de nossos próprios processos psicológicos. Cada um faz de nós o que bem quiser. Umas quantas palavrinhas elogiosas e imediatamente – ah! – somos tomados de autoimportância. Outras palavrinhas humilhantes e que tristes e pequenos nos sentimos. Se cada um faz de nós o que quer, então onde está a nossa autonomia? Quando deixaremos de ser máquinas?

É óbvio que para se aprender a amar, há que se adquirir autonomia, porque se alguém não é dono de seus próprios processos psicológicos jamais poderá amar. Como? Se os outros são capazes de nos tirar do estado de paz e nos pôr em estado de discórdia, como poderíamos amar? Enquanto dependermos psicologicamente dos outros, não seremos capazes de amar. A dependência obstaculiza o amor. Precisamos acabar com a dependência e nos fazer amos de nós mesmos, donos de nossos próprios processos psicológicos.

Quando estive reencarnado como Tomás de Kempis, escrevi o livro Imitação de Cristo. Naquela antiga obra, há uma frase que diz: “Eu não sou mais porque me louvam nem menos porque me vituperam, já que eu sempre sou o que sou…” De maneira que devemos permanecer impassíveis diante do louvor e do vitupério, diante do triunfo e da derrota; sempre serenos, impassíveis, sempre donos de nós mesmos, de nossos próprios processos psicológicos.

Assim, por esse caminho, estaremos sempre estáveis nisso que se chama amor. Necessitamos nos estabelecer no reino do amor, mas não o conseguiremos fazer se não formos donos de nossos próprios processos psicológicos. Pois se os outros são capazes de nos enraivecer cada vez que quiserem, se os outros são capazes de fazer com que sintamos ódio, se os outros são capazes de fazer com que sintamos desejo de revanchismo, obviamente não somos donos de nós mesmos e, nessas condições, jamais poderemos estar estabelecidos no reino do amor. Estaríamos no reino do ódio, da discórdia, do egoísmo, da violência, porém jamais no reino disso que se chama amor.

Devemos permanecer estáveis no reino do amor. Temos que nos tornar donos de nossos próprios processos psicológicos. Se batemos numa porta, por exemplo, para dar o ensinamento gnóstico e nos recebem a pedradas, se nos afastamos dali com desejos de vingança ou terrivelmente confundidos, não servimos para ser missionários gnósticos. Se chegamos a um povoado para predicar a palavra, o senhor cura nos corre e nos enchemos de terror, por acaso serviremos para ser missionários gnósticos?

O medo nos incapacita de amar. Do que temos medo? Da morte? Porque, se nascemos para morrer? Que morramos uns dias antes ou uns dias depois, qual a diferença? Sempre teremos que morrer! Do que temos medo? Além do mais, a morte é tão natural quanto o nascimento! Se temos medo da morte, devemos ter também do nascimento, já que são os dois extremos do mesmo fenômeno que se chama vida. Ter medo da morte? Por que? Se tudo o que nasce tem de morrer? As plantas nascem e morrem, os mundos nascem e morrem. A nossa própria Terra nasceu e um dia será um cadáver, ficará convertida em uma outra Lua.

Portanto, por que temer a morte? A morte é a coroa de todos e por certo é até muito bela. Jamais se deve olhar a morte com horror; mas vê-la como ela é. Ver um cadáver em um caixão no meio de uma sala não é ter compreendido o mistério da morte. O mistério da morte é muito sagrado. Jamais poderíamos compreender a origem da vida, o mistério da vida, se antes não tivéssemos compreendido a fundo o mistério da morte. Quando alguém entende de verdade o que são os mistérios da morte, entende os mistérios da vida. A morte nos proporciona momentos deliciosos; com ela vem a paz.

Bem vale a pena não se ter medo ao morrer. Se alguém morre no cumprimento do seu dever, trabalhando pela humanidade, esse alguém será recompensado com créditos nos mundos superiores. Dar a vida por seus semelhantes é algo sublime. Foi isso que fez o Divino Rabi da Galileia. É o que fizeram todos os santos e todos os mártires: Santo Estevão, apedrejado por ensinar a palavra, Pedro, crucificado de cabeça para baixo e pernas para cima, indicando com isso o trabalho na Forja dos Ciclopes. Esses são os verdadeiros mártires. Esses são os que se sobressaem mais tarde, no Mahavântara, como deuses.

Assim, temer é absurdo. Que mais poderia nos acontecer? Que nos levassem a um paredão de fuzilamento? E daí? No final, morre-se uns dias antes ou uns dias depois. Isso é algo que não tem a menor importância!

Vale a pena que pensemos em todas essas coisas. Por temor, os homens se armam para matar os outros, por temor há guerra entre as nações… Cada nação teme que outra a invada e por isso se arma; depois vem o desastre. Por temor existem os ladrões, os quais têm medo da vida. Por temor existem as prostitutas, as quais têm medo da fome. Por temor um homem mata o outro. O temor é, pois, a raiz de muitas maldições sobre a Terra.

Temos de acabar com o eu do medo. Devemos deixar o medo no umbral do templo. Infelizmente, há diferentes tipos de medo. Quem tem medo, jamais poderá enfrentar a prova do guardião da imensa região. Como poderia enfrentá-la, se teme? Quem tem medo, ao ver-se fora do corpo físico fica chiando. Até parece que se esqueceu que já deixou sua mamãe, seu papai, seus irmãozinhos, seu avô… E agora, que faço?

Vocês podem ficar seguros que estamos sós, cada um de nós está só e a única família que temos se chama humanidade. Depois da morte, qualquer um tem de chegar à conclusão de que está só. A boa reputação do papai e da mamãe, o carinho dos irmãos e amigos, tudo isso fica para trás. Descobre-se que se é apenas uma criatura da natureza e isso é tudo; sem nome nem sobrenome, terrivelmente só. E o papai, e a mamãe e os irmãozinhos? São tão somente a fascinação de um dia! Nada disso temos, estamos espantosamente sós.

Ao longo do tempo, a única coisa que temos de buscar dentro de nós é o Pai que está em segredo, nossa Mãe Eterna e sempre Divina, a Kundalini, e o Senhor Cristo. E a família? São todos os milhões de seres humanos! Não me refiro somente aos da Terra, mas aos de todos os mundos do espaço. Esta é a realidade!

O que estou lhes dizendo é uma realidade descarnada, mas é a realidade. Descarnada porque vocês querem muito a seus familiares, não é verdade? Agora, se alguém não tivesse família, vocês diriam: Bom, se não a tem, que lhe importa, pois? Não, eu também tenho família e me dou conta de que isso é vão! Não quero dizer que não gosto de meus familiares. Sim, eu gosto deles, como vocês gostam dos seus. Só que eu já experimentei diretamente a realidade da minha própria família e cheguei à conclusão de que família é toda a humanidade.

Não guardo ressentimentos contra a minha família. Não acreditem que estejam ouvindo alguém ressentido, não! Quando falo que experimentei a realidade do que é a família, estou me referindo de forma transcendental ao ensinamento. Fora do corpo físico, ensinaram-me os mistérios da vida e da morte. Em certa ocasião, fizeram com que sentisse a morte por antecipação. Fizeram com que saísse do corpo físico e já fora da forma física fizeram com que me adiantasse no tempo para que eu me visse morto. O que vi? Um cadáver. O que havia naquele ataúde? Um corpo. Qual? O meu. Quem estava diante do ataúde na sala cheia de flores e coroas de defunto? Meus familiares. Entre eles, ali estava minha mãe.

Aproximei-me d’Ela, beijei Sua mão e disse: Agradeço pelo corpo que me deste, muito me serviu esse corpo, seu resultado foi maravilhoso. Muito obrigado! Aproximei-me de todos os outros familiares, despedindo-me deles. Abandonei aquela moradia e submergi no seio da natureza, convencido de que estava desencarnado… E o que havia? A natureza: vales profundos, montanhas, oceanos, nuvens, ar e sol. E meus familiares? Tinham ficado no passado, já não tinha mais familiares. Nomes, títulos, minha linhagem, meu povo, minha língua… o que havia restado? Coisas do passado! Agora estava submerso na natureza selvagem. E minha querida família? Somente pude exclamar: Já não tenho família!

E os seres que me eram próximos? Isso foi no passado, agora estou só, espantosamente só. Sou tão somente uma criatura da natureza, natureza selvagem. O que há são uns vales, umas montanhas, uma terra úmida de chuva… E minha casa? Que casa? Já não tenho casa. E bens? Muito menos bens terrenais; de onde os vou tirar? Então, quem sou? Uma partícula da natureza, de uma natureza selvagem, que nada tem que ver com questões familiares.

Conclusão: minha família é toda a humanidade ou todos os humanoides; todos os mundos, as humanidades planetárias e isso é tudo! No entanto, senti um pouco de tristeza ao perceber que o cordão de prata ainda não se havia rompido. Quisera tê-lo rompido, mas permanecia intacto. Não me restou outro remédio a não ser regressar. Eu pensava que já estava desligado completamente da forma física mas tinha que voltar outra vez. Voltei e entrei novamente em meu corpo.

Esta é, pois, a realidade com relação aos familiares, aos parentes, primos, irmãos, tios, sobrinhos, netos, bisnetos, tataranetos, etc. Enfim, tudo isso, no fundo, nos fascina. Necessitamos elevar um pouco o coração com a frase sursum corda: PARA CIMA, CORAÇÕES! E saber que todos nós somos uma grande família. Precisamos ver em cada pessoa um irmão, sentir cada um de nossos irmãos como carne de nossa carne, como sangue de nosso sangue. Jamais ver os outros como estranhos, como gente diferente, porque isso é absurdo. Todos são uma enorme, uma imensa família que se chama humanidade.

Devemos nos sacrificar por essa imensa família com verdadeiro amor. Se assim o fazemos, seguimos com o 3º fator de Revolução da Consciência em plena forma. Trabalhando pelos outros também somos recompensados. Ainda que renunciemos aos frutos da ação, sempre somos recompensados. Trabalhando pelos outros podemos cancelar o velho karma que trouxemos de existências anteriores.

Conheci muita gente que sofria vários problemas na vida. Por exemplo, econômicos. Aqueles que têm problemas econômicos, inquestionavelmente causaram prejuízos econômicos a outras pessoas no passado e agora colhem daquilo que semearam, bebem do seu próprio chocolate. No entanto, queixam-se, protestam, blasfemam etc. Querem melhorar sua situação econômica, mas não reparam o mal que fizeram, não tomam parte em alguma ação cooperativa, não são capazes de partir seu pão para dar a metade ao faminto, não são capazes de tirar uma camisa para com ela vestir um desnudo, não são capazes de dar um consolo a ninguém, etc. Contudo, querem melhorar economicamente. Claro, solicitam serviços, pedem que os ajudemos no trabalho para mudar sua situação, mas não se preocupam em ajudar ninguém; são parasitas que vivem sob o sol…

Dessa forma, como poderiam melhorar economicamente? Toda causa traz seu efeito. O karma é o efeito de uma causa anterior. Se queremos anular o efeito, há que começar por anular a causa que o produziu. Anula-se a causa que o produziu com inteligência, sabendo-se anulá-la.

Vocês irão se encontrar com todas essas coisas pelo caminho. Uns quererão que vocês os curem, porém eles jamais se preocupam em curar alguém. Encontrarão muitos com gravíssimos problemas econômicos e que nunca pensaram em cooperar de alguma forma com alguém. Cada um tem seus problemas e quem cria os problemas é o Ego. Não há nada mais infeliz que o Ego! Poderemos anular todos os problemas se não tivermos Ego. Quando não se tem Ego, não há problemas. Por quê? Porque não há quem reaja dentro de nossa mente. Não há um revanchista que complique a situação, não há ninguém que odeie em nós ou através de nós. Então, não há problemas. Quem cria os problemas é o Ego e nada mais do que o Ego.

Trabalhando-se em favor dos demais, cancela-se velhos karmas. Quem serve aos outros, serve a si próprio. Quem dá, recebe e quanto mais dá, mais recebe; esta é a lei. Ao Leão da Lei se combate com a balança. Se no pratinho da balança, pratinho do bem, pudéssemos pôr boas obras, a balança se inclinaria a nosso favor e o karma ficaria anulado. Na verdade, há que se ser duro com a balança diante do Leão da Lei. Esta é a chave para vencer o karma.

Como dizem os Senhores da Lei: Quem faz boas obras tem com que pagar suas dívidas. Quem tem com o que pagar, paga e se sai bem nos negócios, mas quem não tem com que pagar, terá que ir para a prisão e perder todos os seus bens. Há que se fazer, pois, muito bem para se pagar as velhas dívidas. Com o capital das boas obras, podemos pagar o velho karma sem necessidade de sofrer; não há necessidade de amargurarmos nossa vida.

Conheço um sujeito que sofre o indizível, está sempre em má situação econômica, sempre na miséria. Em quantos negócios já fracassou? Não há negócio em que se meta que não fracasse. Tem mulher, filhos, e com eles briga incessantemente. Ele é do signo de leão e ela também. Não deviam brigar, mas parece que os leões são assim: não estão contentes e brigam incessantemente. Eu os vi no jardim zoológico de Chapultepec, onde não paravam de brigar. Leão com leão parece não se entenderem… Bem, o curioso do caso é que esse sujeito, cujo nome não menciono, sempre pede que o ajudem no setor econômico, que trabalhemos por ele no mundo das causas e efeitos. Porém, nunca o vi fazer nada em favor de seus semelhantes. Pede, mas não dá. Pede, pede e pede, mas jamais dá. Com que direito pede, se não dá? Como querer que perdoem suas dívidas se não é capaz de perdoar seus semelhantes?

Todos repetem na oração do Pai-Nosso: Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores… Porém, se não perdoa seus devedores, seus inimigos, com que direito pede ao Pai que o perdoe? Que direito o assiste para pedir perdão, quando não é capaz de dar perdão? Com que direito pede piedade, quando não é capaz de entregar piedade? Com que direito pede caridade, se não é capaz de fazê-la? Assim são todos: pedem, mas não dão. Isso é gravíssimo!

O missionário gnóstico deve dar. O que vai dar? Sabedoria e amor aos seus semelhantes. É isso que ele vai dar. Vai assistir, auxiliar etc., porém, sempre com amor. Podemos ajudar aos nossos semelhantes com as Cadeias Mágicas. As cadeias são maravilhosas tanto para irradiar amor como para curar enfermos. Com as cadeias, podemos invocar os Mestres da Ciência para que eles assistam aos enfermos. Com as cadeias, podemos invocar, por exemplo, Rafael, que é um grande curador universal. Ele é o mesmo que curou o patriarca Jó, o mesmo que curou Tobias. Ele é isso: um grande curador mundial ou universal, um grande médico… Com as cadeias, também se pode invocar médicos como Hipócrates, Galeno, Philipus Teofrastus Bombastus de Hohenheim, Aureola Paracelso etc.

Com as Cadeias, podemos invocar as Potências da Luz para que nos assistam em um dado momento; podemos conjurar as Potências das Trevas para que nos deixem em paz. As Cadeias Mágicas são formidáveis, com a esquerda se recebe e com a direita se dá. As cadeias formam circuitos de forças magnéticas extraordinárias. Com as Cadeias, pode-se fazer grandes obras…

O Movimento Gnóstico Cristão Universal marcha vitorioso em todos os campos de batalha. Ele está em todo o hemisfério ocidental e aglutina uns 5 milhões de pessoas. Nestes instantes, está se preparando para lançar-se à Europa e, claro, dentro em breve estará estabelecido na Europa. Posteriormente, se estabelecerá na Ásia. Temos que trabalhar pela humanidade. Uma vez que tenhamos feito nosso trabalho na Europa, iremos ao Japão para fazer o nosso trabalho em todo o continente asiático.

Estamos entregando à humanidade o Evangelho na Nova Era de Aquário. Haverá um grande cataclismo com a chegada de Hercólubus. Este é um mundo gigante, seis vezes maior que Júpiter e milhares de vezes maior que a Terra. Pertence ao Sistema Solar Tylar; todo um sistema que vem viajando em direção ao nosso Sistema Solar de Ors. É claro que esse mundo, Hercólubus, tem uma órbita enorme, imensa. Cada vez que se aproxima da Terra produz catástrofes. Quando se aproximou da Terra na época do continente Mu, produziu grandes terremotos; surgiram vulcões e no final a Lemúria afundou no Pacífico ao longo de 10 mil anos. Quando se aproximou na época da Atlântida, esta afundou no oceano que leva seu nome, o Oceano Atlântico. A Atlântida afundou com todos os seus milhões de habitantes.

Agora, Hercólubus vem outra vez e posso lhes assegurar que vai produzir uma revolução total no eixo da Terra. Quando estiver bastante próximo, atrairá com força o fogo líquido do interior do planeta e então brotarão vulcões em erupção por toda parte, acompanhados de terríveis terremotos. Lembrem-se do que disseram os antepassados de Anahuac, o que para nós, mexicanos, tem um grande valor: “Os filhos do 5º sol perecerão pelo fogo e os terremotos…”

Acaba de ocorrer um grande terremoto na Europa que deu como resultado uns 7 mil mortos (sepultados). O Distrito Federal daqui do México aguarda outro grande terremoto que o destruirá. Este terremoto também afetará todo o norte do nosso país e os mexicanos devem ficar preparados para este grande terremoto.

Assim, pois, haverá grandes acontecimentos no futuro. Quando Hercólubus chegar, o fogo brotará de qualquer parte. Os vulcões aparecerão e os terremotos acabarão com tudo o que existe atualmente. Esse será o dia do grande incêndio universal, profetizado por Pedro em sua Epístola aos Romanos, quando disse: “E os elementos ardendo serão desfeitos, e a Terra, e todas as obras que há nela serão queimadas…”
Posteriormente, a última coisa que Hercólubus fará, em sua suprema aproximação, será produzir a revolução do eixo da Terra. Os oceanos mudarão de leito, os mares serão deslocados, as terras atuais ficarão no fundo das águas; não restará nada, nada, nada, desta perversa civilização de víboras. Tudo será destruído!

Claro, haverá um pequeno grupo que será salvo das águas. Estamos trabalhando com esse objetivo, de organizar este pequeno grupo, e os missionários gnósticos têm o dever de seguir trabalhando. Este grupo será o Exército de Salvação Mundial e será selecionado em seu momento e em sua hora. Antes do cataclismo final, os irmãos do Tibete, entre os quais estou eu, minha insignificante pessoa, trabalharão em equipe para tirar desta horrível civilização de víboras os que tenham trabalhado sobre si mesmos, os que tenham alcançado, pois, a dignidade que lhe corresponde.

Nós os levaremos para um lugar secreto no Pacífico, um lugar onde nada lhes acontecerá. Nisso estamos de acordo, eu e os irmãos de alguns agrupamentos secretos dos Himalaias. Esses que serão levados àquela ilha se converterão no núcleo da futura humanidade. Por aqueles dias, depois do grande cataclismo, a Terra ficará envolta em fogo e vapor de água, e os poucos que formarão aquele núcleo terão de viver em meio à névoa. Poderão ser considerados como os Filhos da Névoa, como os Nibelungos dos tempos antigos. Quando um duplo arco-íris resplandecer no azul do céu, breve novas terras terão emergido do fundo dos mares. Nessas novas terras viverá uma nova humanidade, uma humanidade inocente e pura, uma humanidade perfeita. Então virá a Idade de Ouro anunciada por Virgílio, o poeta de Mântua, quando disse: “Já chegou a Idade de Ouro e uma nova progênie manda…”

Nós estamos trabalhando para criar o Exército de Salvação Mundial. Este é o nosso trabalho, este é o trabalho de todos os missionários. Abriremos Lumisiais por todas as partes com o propósito de ir criando esse Exército de Salvação Mundial. Os tempos do fim já começaram e estamos neles. Hercólubus está à vista de todos os observatórios do mundo. Temos um mapa particular na Associação Gnóstica do México. De onde saiu este mapa? Saiu de uma hemeroteca. Quem o traçou? Foram os astrônomos. Este é um assunto oficial que se conhece em todos os observatórios do planeta Terra. Então, se os senhores astrônomos não o publicam, a que se deve? À censura! Estão proibidos a fim de não levar os povos a um estado, diríamos, de desespero psicológico. Eles estão proibidos por lei, porém não ignoram, sabem de Hercólubus e têm mapas em seu poder. Portanto, o que estou falando é algo completamente oficial, que já se conhece.

Agora, vocês compreenderão os motivos pelos quais nos preocupamos tanto nesses instantes em levar o ensinamento. É claro que temos de cooperar com o Sol. O Sol vai acabar com esta raça e vai estabelecer sobre o mapa do mundo uma nova raça. Necessitamos cooperar com o Sol. Esta raça já deu seus frutos, já deu o que tinha que dar. Estamos na hora final, o relógio do destino está parado. O velho Saturno em forma de esqueleto, com sua gadanha na mão, está parado junto ao relógio. De um momento para o outro, a Catástrofe. Esta é a crua realidade dos fatos, meus estimados irmãos. Por agora, dou por concluída esta conferência com vocês.

Paz inverencial!

Samael Aun Weor

O Raio da Criação – Cosmologia Gnóstica

1

Bem, amigos, estamos aqui reunidos novamente, com o propósito de estudar o raio da criação.

É urgente, indispensável, inadiável conhecer, de forma clara e precisa, o lugar que ocupamos no raio vivíssimo da criação.

Antes de tudo, estimados cavalheiros, distintas damas, suplico-lhes seguir, encarecidamente, meu discurso com infinita paciência.

Quero que os senhores saibam que existem sete Cosmos, a saber:

Primeiro, Protocosmo.
Segundo, Ayocosmo.
Terceiro, Macrocosmo.
Quarto, Deuterocosmo.
Quinto, Mesocosmo.
Sexto, Microcosmo.
Sétimo, Tritocosmo.

1° – Inquestionavelmente, o primeiro é formado por múltiplos sóis espirituais, transcendentais, divinais. Muito se falou sobre o Sagrado Sol Absoluto e é óbvio que todo sistema solar é governado por um desses espirituais sóis. Isso quer dizer que nosso jogo de mundos possui seu Sagrado Sol Absoluto solar próprio, igualmente como todos os outros sistemas solares do inalterável infinito.

2° – A segunda ordem de mundos é formada, realmente, com todos os milhões de sóis e planetas que viajam através do espaço.

3° – O terceiro jogo de mundos é formado por nossa galáxia, por esta grande Via-Láctea, que tem como capital cósmica central o sol Sírio.

4° – A quarta ordem é representada por nosso Sistema Solar de ORS.

5° – A quinta ordem corresponde ao planeta Terra.

6° – A sexta ordem é o Microcosmo Homem.

7° – A sétima ordem está nos mundos infernos.

Ampliemos um pouco mais essa explicação. Quero que vocês, senhores e senhoras, entendam com plena claridade o que é, realmente, a primeira ordem de mundos. Sóis espirituais extraordinários, cintilantes, com infinitos esplendores no espaço. Radiantes esferas que jamais poderiam ser percebidas pelos astrônomos através de seus telescópios.

Pensai, agora, no que são os bilhões e trilhões de mundos e estrelas que povoam o espaço sem fim.

Recordai, agora, as galáxias; qualquer destas, tomada em separado, é, certamente, um Macrocosmo; e a nossa, a Via-Láctea, não é exceção.

Que diremos do Deuterocosmo? Inquestionavelmente, todo sistema solar, não importa a galáxia à qual pertença, seja esta de matéria ou de antimatéria, obviamente é um Deuterocosmo.

Terras do espaço são tão numerosas como as areias do imenso mar. Indubitavelmente, qualquer uma destas, todo planeta, não importa qual seja seu centro de gravitação cósmica, é, por si mesmo, um Mesocosmo.

Muito se tem dito sobre o Microcosmos Homem. Nós enfatizamos a ideia transcendental de que cada um de nós é um autêntico e legítimo Microcosmo. Não obstante, não somos os únicos habitantes do Infinito, é claro que existem muitos mundos habitados. Qualquer habitante do Cosmo ou dos Cosmos é um autêntico Microcosmo.

Por último, convém saber que dentro de todo planeta existe o reino mineral submerso, com seus próprios infernos atômicos. Estes últimos sempre se acham situados no interior de qualquer massa planetária e nas infradimensões da Natureza, debaixo da zona tridimensional de Euclides.

Entenda-se, pois, senhores e senhoras, que a primeira ordem de mundos é completamente diferente da segunda e que cada Cosmo é absolutamente desigual, radicalmente distinto.

A primeira ordem de mundos é infinitamente divinal, inefável; não existe nela nenhum princípio mecânico; é governada pela única Lei.

A segunda ordem é, inquestionavelmente, controlada pelas 3 Forças Primárias que regulam e dirigem toda a criação cósmica.

A terceira ordem de mundos, a nossa galáxia, e qualquer galáxia do espaço sagrado, é indubitável que é controlada por 6 leis.

A quarta ordem de mundos, o nosso sistema solar ou qualquer sistema solar do infinito espaço, sempre é controlada por 12 leis.

A quinta ordem, a nossa Terra ou qualquer planeta similar ao nosso, girando ao redor de qualquer sol, acha-se absolutamente controlada por 24 leis.

Na sexta ordem cósmica, qualquer organismo humano se encontra definitivamente controlado por 48 leis, e isto o vemos totalmente comprovado na célula germinal humana, constituída, como já é sabido, de 48 cromossomos.

Por último, a sétima ordem de mundos está sob o controle total de 96 leis.

Quero que vós saibais, de forma precisa, que o número de leis, nas regiões abismais, se multiplica escandalosamente.

É ostensível que o primeiro círculo dantesco está sempre sob o controle de 96 leis. Entretanto, no segundo se duplica essa quantidade, dando 192 leis; no terceiro se triplica; no quarto se quadruplica; de tal forma que se pode multiplicar a quantidade de 96 por 2, por 3, por 4, por 5, por 6, por 7, por 8 e por 9. Assim, pois, no nono círculo, multiplicando as 96 x 9, nos darão 864 leis.

Se refletirdes profundamente sobre o primeiro Cosmo, vereis que lá existe a mais plena Liberdade, a mais absoluta Felicidade, porque tudo é governado pela única Lei.

No segundo Cosmo ainda existe a plena dita, porque é completamente controlado pelos 3 leis primárias de toda a Criação.

Entretanto, no terceiro Cosmo já se introduz um elemento mecânico, porque estas 3 leis primitivas divinais, dividindo-se em si mesmas, convertem-se em 6. Obviamente, neste já existe certo automatismo cósmico. Já não são as 3 forças únicas as que trabalham, pois estas, ao se dividirem em si mesmas, originaram o jogo mecânico de qualquer galáxia.

Vejam os senhores o que é um sistema solar. É claro que, nele, já as 6 leis se dividiram novamente, para se converterem em 12, aumentando a mecanicidade, o automatismo, a complicação etc. etc.

Limitemo-nos, agora, a qualquer planeta do Infinito e muito especialmente ao nosso mundo terrestre. Obviamente, é mais heterogêneo e complicado, porque as 12 leis do sistema se converteram em 24.

Olhemos, agora, francamente, o Microcosmo Homem. Examinemos a célula germinal e encontraremos os 48 cromossomos, viva representação das 48 leis que controlam todo o nosso corpo.

Obviamente, ao se dividirem essas 48 leis em si mesmas, originam as 96 do primeiro círculo dantesco.

Quero, pois, que vocês, senhores e senhoras, compreendam o lugar que ocupamos no Raio da Criação.

Alguém disse que inferno vem da palavra infernus, que em latim significa região inferior. Assim, enfatizou a ideia de que o lugar que nós ocupamos na região tridimensional de Euclides é o Inferno, por ser, segundo ele, o lugar inferior do Cosmo.

Desgraçadamente, aquele que fez tão insólita afirmação desconhecia realmente o Raio da Criação. Se ele tivesse tido maior informação, se estivesse estudado os 7 Cosmos, ter-se-ia dado conta cabal de que o lugar inferior não é este mundo físico em que vivemos, senão o sétimo Cosmo, situado exatamente no interior do planeta Terra, nas infradimensões naturais, sob a zona tridimensional de Euclides.

Do Cristo Cósmico, o Sagrado Sol, nascem todos os Mundos, Dimensões e Seres de nosso Sistema Solar

Pergunta: Venerável Mestre, depois de escutar com toda atenção e paciência a científica exposição sobre o Raio da Criação, observamos que, ao se referir à primeira ordem, ou seja, ao Protocosmo, menciona que o movimento, a vida corresponde à primeira Lei, onde impera a liberdade absoluta. Foi-nos dito, seguindo as palavras do Grande Cabir Jesus: “Descobre a verdade e a verdade te fará livre”. Deve-se entender, seguindo a Lei das Analogias e das Correspondências, que, para sermos nós os homens que nos movemos e temos nosso Ser, na sexta ordem de mundos, ou seja, o Microcosmo, para vivenciarmos a verdade e, portanto, sermos completamente livres, devemos pugnar para chegarmos a ser habitantes desses mundos regidos pela única Lei?

Samael Aun Weor: Com o maior prazer darei resposta à pergunta que fez o cavalheiro.

Distintos senhores e senhoras. É indispensável compreender que com maior número de leis, maior o grau de mecanicidade e dor; com menor número de leis, menor o grau de mecanicidade e dor.

Inquestionavelmente, no Sagrado Absoluto Solar, no Sol Central Espiritual deste sistema solar no qual vivemos, nos movemos e temos o nosso Ser, não existe mecanicidade de nenhuma espécie e, portanto, é óbvio que ali reine a mais plena Bem-Aventurança.

Ostensivamente, devemos lutar de forma incansável por nos libertar das 48, 24, 12, 6 e 3 leis, para regressarmos realmente ao Sagrado Sol Absoluto do nosso sistema.

P: Mestre, deduz-se, pelo explicado anteriormente, que os mundos com mais leis são mais mecânicos e, portanto e logicamente, mais densos e materiais. Isso quer dizer que os mundos infradimensionais ou infernais ocasionarão maior sofrimento e que, por esta razão, os chamamos de “a região das penalidades e dos castigos”?

SAW: Essa pergunta do auditório me parece bastante interessante e é claro que me apresso a respondê-la com o maior agrado.

Distinto senhor! Quero que saiba o senhor e que todos entendam que em maior número de leis, maior o grau de mecanicidade e dor.

As 96 da primeira zona infernal resultam terrivelmente dolorosas. Sem dúvida, conforme tal número de leis se multiplica em cada uma das zonas infradimensionais, também se multiplicam a dor, a mecanicidade e o pranto.

P: Venerável Mestre, observamos que anteriormente nos fala o senhor dos nove círculos concêntricos na região das infradimensões, as quais correspondem aos nove círculos das supradimensões do Cosmo. Não obstante, ao se referir ao Raio da Criação somente enumera e explica sete Cosmos. Não há nisso alguma incongruência?

SAW: Honorável senhor. É indispensável que o senhor faça uma clara diferenciação entre os sete Cosmos, os nove céus e os nove círculos dantescos das infradimensões naturais.

Obviamente, os nove céus se encontram relacionados, como já dissemos, com as nove regiões submersas sob a epiderme da Terra. Isso o viu Enoque em estado de êxtase no Monte Moria, lugar onde edificara, mais tarde, um templo subterrâneo com nove pisos interiores, para alegorizar o realismo transcendental de sua visão.

É inquestionável que os nove céus se acham plenamente concretizados nas esferas da Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. E, claro, todos estes nove céus correspondem ao Deuterocosmo.

Fica, pois, esclarecido em sua mente o fato de que os sete Cosmos não são os nove céus?

P: Mestre, ao nos dizer o senhor que, conforme se vai baixando a maior número de leis, desde o primeiro Cosmo até as regiões infernais, a mecanicidade, o automatismo, a materialidade se faz cada vez maior, faz-nos pensar que, ao nos irmos afastando das 3 leis primárias, apartamo-nos, ao mesmo tempo, da vontade direta do Pai, ficando à nossa própria e miserável sorte. É este o caso?

SAW: Distinto cavalheiro. Honoráveis damas que neste auditório me escutam. Quero que os senhores saibam, de forma clara e precisa, que mais além de todo este jogo de mundos que formam nosso sistema solar, resplandece, glorioso, o Sagrado Absoluto Solar.

É indubitável que no Sol Central Espiritual, governado pela única Lei, existe a felicidade inalterável do Eterno Deus Vivo.

Desafortunadamente, conforme nos afastamos mais e mais do Sagrado Sol Absoluto, penetramos em mundos cada vez mais e mais complicados, onde se introduzem o automatismo, a mecanicidade e a dor.

Obviamente, no Cosmo de três leis, a dita é incomparável, porque a materialidade é menor. Nessa região, qualquer átomo possui, dentro de sua natureza interior, tão somente três átomos do Absoluto. Quão distinto é o terceiro Cosmo!

Lá, a materialidade aumenta, porque qualquer de seus átomos possui, em seu interior, seis átomos do Absoluto.

Penetremos no quarto Cosmo. Ali encontramos mais densa a matéria, devido ao fato concreto de que qualquer de seus átomos possui, em si mesmo, 12 átomos do Absoluto. Concretizemos um pouco mais. Se examinarmos cuidadosamente o planeta Terra, veremos que qualquer de seus átomos possui, em sua natureza íntima, 24 átomos do Absoluto.

Baixemos um pouco mais e entremos no reino da mais crua materialidade, nos mundos infernos, sob a crosta do planeta onde vivemos, e descobriremos que, na primeira zona infradimensional, a densidade aumentou espantosamente, porque qualquer átomo inumano possui, dentro de sua natureza íntima, 96 átomos do Absoluto.

Na segunda zona infernal, todo átomo possui 192 átomos; na terceira, todo átomo possui em seu interior 384 átomos do Absoluto etc. etc., aumentando, assim, a materialidade de forma espantosa e aterradora…

Ao nos submergir dentro de leis cada vez mais complexas, obviamente nos independentizamos, de forma progressiva, da vontade do Absoluto e caímos na complicação mecânica de toda esta grande Natureza. Se queremos reconquistar a Liberdade, devemos liberar-nos de tanta mecânica e de tantas leis e voltar ao Pai.

P: Querido Mestre, se não se faz a vontade divina no Microcosmo Homem, então por que se diz que não se move a folha de uma árvore sem a vontade de Deus?

SAW: Distinto cavalheiro. No Sagrado Absoluto Solar, como já dissemos, só reina a única Lei. No Cosmo das 3 leis ainda se faz a vontade do Pai, porque tudo é governado pelas três leis fundamentais.

Entretanto, no mundo das 6 leis já existe, fora de toda dúvida, uma mecanicidade que, em certo sentido, a faz independentemente da vontade do Absoluto. Pense o senhor, agora, nos mundos de 24, 48 e 96 leis.

É obvio que, em tais ordens de mundos, a mecanicidade se multiplica independentemente do Sagrado Absoluto Solar.

Isto, claro, daria espaço como para dizer que o Pai fica excluído de toda criação. Entretanto, é bom que todos saibam que toda mecanicidade é previamente calculada pelo Sagrado Sol Absoluto, já que não poderiam existir as distintas ordens de leis e os diversos processos mecânicos, se assim não tivesse sido disposto pelo Pai.

Este Universo é um todo dentro da inteligência do Sagrado Absoluto Solar, e estes fenômenos se vão cristalizando de forma sucessiva, pouco a pouco. Entendido?

P: Venerável Mestre, o senhor poderia nos dizer a razão pela qual relaciona o sete nas leis da Criação, no organismo humano e nos mundos? É uma tradição ou é realmente uma lei?

SAW: A pergunta que faz o cavalheiro merece resposta imediata. Quero que todos vocês, senhores e senhoras, compreendam com inteira claridade meridiana o que são as Leis do 3 e do 7. É urgente que saibam que os Cosmocratores, criadores deste Universo no qual vivemos, nos movemos e temos o nosso Ser, cada um, sob a direção de sua Divina Mãe Kundalini Cósmica Particular, trabalhou na aurora da Criação, desenvolvendo no espaço as Leis do 3 e do 7, a fim de que tudo tivesse vida em abundância. Só assim pôde existir o nosso mundo. Não é, pois, estranho que todo processo cósmico natural se desenvolva de acordo com as Leis do 3 e do 7. De modo algum nos deve parecer algo insólito que tais leis se achem relacionadas no infinitamente pequeno e no infinitamente grande, no Microcosmo e no Macrocosmo, em tudo o que, em tudo o que foi e em tudo o que será.

Pensemos, por um momento, nos sete chacras da espinha dorsal, nos sete mundos principais do sistema solar, nas sete Rondas de que fala a Teosofia antiga e moderna, nas sete raças humanas etc. etc.

Todos esses gigantescos processos setenários, toda sétupla manifestação de vida tem por base as três forças primárias: positiva, negativa e neutra. Entendido?

P: Mestre, por que, quando fala da criação dos mundos, seres ou galáxias, se expressa em termos tais como é claro, é indubitável, é óbvio, é natural etc.? Em que se baseia para dizê-lo com tal segurança?

SAW: Vejo ali, no auditório, que alguém fez uma pergunta bastante interessante e sinto agrado em responder-lhe.

Senhores e senhoras. Quero que vocês saibam, de forma concreta, clara e definitiva, que existem duas classes de razão. A primeira a denominaremos subjetiva; a segunda a qualificaremos como objetiva.

Inquestionavelmente, a primeira tem por fundamento as percepções sensórias externas. A segunda é diferente e só se processa de acordo com as vivências íntimas da Consciência.

É óbvio que, atrás dos termos citados pelo cavalheiro, encontram-se, realmente, os diversos funcionalismos de minha própria Consciência. Utilizo tais palavras da linguagem como veículos específicos de meus conceitos de conteúdo.

Com outras palavras, ponho certa ênfase para dizer ao cavalheiro e ao honorável auditório que me escuta o seguinte: jamais utilizaria as palavras citadas pelo senhor se antes não tivesse verificado, com meus poderes conscientivos, com minhas faculdades cognoscitivas transcendentais, a verdade de tudo o que estou afirmando. Gosto de usar termos precisos, com o propósito de fazer conhecer ideias exatas. Isso é tudo!

P: Venerável Mestre, o senhor mencionou, em sua anterior exposição, a Aurora da Criação. Poderia explicar-nos em que época funcionou e de quem foi a obra?

SAW: Distinto cavalheiro, Na Eternidade não há tempo. Quero que todos os que nesta noite assistiram à nossa conferência compreendam perfeitamente que o tempo não tem um fundo real, uma origem autêntica, legítima.

Certamente e em nome da Verdade, devo dizer-lhe que o tempo é algo meramente subjetivo, que não possui uma realidade objetiva, concreta e exata.

O que existe realmente é a sucessão de fenômenos. Sai o sol e exclamamos: “São 6 da manhã”. Oculta-se e dizemos: “São 6 da tarde. Transcorreram 12 horas”. Porém, em que parte do Cosmo estão essas horas, esse tempo? Podemos, acaso, agarrá-lo com a mão, pô-lo sobre uma mesa de laboratório?

De que cor é esse tempo, de que metal ou substância é feito? Reflitamos, senhores, reflitamos um pouco.

É a mente que inventa o tempo, porque o que verdadeiramente existe de forma objetiva é a sucessão de fenômenos naturais. Desgraçadamente, nós cometemos o erro de pôr tempo a cada movimento cósmico. Entre o sair e o ocultar-se o Sol, pomos nossas queridas horas. Inventamo-las, anotamo-las ao movimento dos astros; mas estas são uma fantasia da mente.

Os fenômenos cósmicos se sucedem uns aos outros, dentro do instante eterno da Grande Vida em seu movimento. No Sagrado Sol Absoluto, nosso Universo existe como um todo íntegro, unitotal, completo. Nele se processam todas as mudanças cósmicas dentro de um momento eterno, dentro de um instante que não tem limites.

Resulta palmário e manifesto que, ao se cristalizarem os distintos fenômenos sucessivos deste Universo, vem à nossa mente, desgraçadamente, o conceito tempo. Tal conceito é sempre posto entre fenômeno e fenômeno.

Realmente, o Logos Solar, o Demiurgo Arquiteto do Universo, é o verdadeiro autor de toda esta Criação. Não obstante, não podemos pôr uma data à sua Obra, à sua Cosmogênese, porque o tempo é uma ilusão da mente e isto está bem mais além de todo o meramente intelectivo. Inferno ou os mundos infernos existem desde toda a Eternidade. Recordemos aquela frase de Dante em sua Divina Comédia: “Por mim se vai à cidade do pranto; por mim se vai à eterna dor; por mim se vai à raça condenada; a Justiça animou meu Sublime Arquiteto; fizeram-me a Divina Potestade, a Suprema Sabedoria e o Primeiro Amor. Antes que eu, não teve nada criado, à exceção do Imortal, e eu duro eternamente. Ó vós, os que entrais, abandonai toda esperança!”

P: Venerável Mestre, segundo pude dar-me conta, o Mestre G coloca o mundo das 96 leis na Lua. Ao contrário, o senhor afirma que essa região se encontra debaixo da epiderme do organismo planetário em que vivemos. Poderia explicar-me a razão dessa divergência de conceitos?

SAW: Honorável senhor, apresso-me a dar resposta à sua pergunta. Certamente, o Mestre G pensa que o Raio da Criação termina na Lua; e eu afirmo, de forma enfática, que este conclui nos mundos submersos, no Inferno.

A Lua é algo diferente, distintos senhores, pertence ao passado Dia da Criação. É um mundo morto, é um cadáver. As viagens dos astronautas a nosso satélite vieram demonstrar, de forma contundente e definitiva, o fato irrefutável de que a Lua é um mundo morto. Não sei como o Mestre G se equivocou em seus cálculos. Qualquer lua do infinito espaço é sempre um cadáver. Desafortunadamente, o Mestre G acreditou firmemente que, em nosso sistema, a Lua era um mundo novo que surgia do Caos, que nascia.

Em um passado Dia Cósmico, a Lua teve vida em abundância, foi uma maravilhosa terra do espaço; porém, já morreu, e em um futuro haverá de desintegrar-se totalmente. Isso é tudo.

P: Querido Mestre, de acordo com o Mestre G, nosso satélite, a Lua, originou-se por um desprendimento de matéria terrestre, devido às forças magnéticas de atração tremendas, dentro das leis de gravidade, formando um mundo novo, onde seguramente ingressam as almas perdidas, para sofrerem nessas regiões infradimensionais do Averno. Quer dizer, Mestre Samael, que o Mestre G chegou a essa conclusão porque suas faculdades cognoscitivas eram pobres?

SAW: Escuto a pergunta do senhor e é claro que sinto prazer em responder-lhe. De modo algum quero subestimar as faculdades psíquicas do Mestre G. Obviamente, cumpriu uma missão maravilhosa e seu labor é esplêndido. Não obstante, o homem tem o direito de se equivocar. É possível que ele tomasse essa informação relacionada com Selene de alguma lenda, de alguma fonte, de alguma alegoria etc. etc. Em todo caso, nós afirmamos, de forma enfática, o que nos consta, o que pudemos verificar por nós mesmos, diretamente, sem menosprezar o labor de nenhum outro mestre.

Que de alguma colisão entre a Terra e outro planeta tenha partido a Lua ou que ela tenha emergido do Pacífico, como sustém outro respeitável mestre, são conceitos que respeitamos, porém que nós não evidenciamos praticamente.

Afirmo, de forma contundente e com certa ênfase, e me limito exclusivamente a expor, com minha Razão Objetiva, o que por mim mesmo pude ver, tocar e palpar.

Jamais, em todo o Cosmo, chegamos a saber que alguma lua se converta em um mundo habitável. Qualquer Iniciado bem desperto sabe, por experiência direta, que os mundos e as plantas e tudo o que existe nasce, cresce, envelhece e morre.

É ostensível que qualquer planeta que falece, de fato e por direito próprio, se converte em um cadáver, em uma lua. Nosso planeta Terra não será exceção e vocês podem estar seguros, senhores e senhoras, que, depois da 7ª Raça humana, se converterá também em uma nova lua.

Sejamos, pois, exatos. Eu sou matemático na investigação e exigente na expressão. Temos métodos, sistemas e procedimentos, mediante os quais podemos e devemos pôr-nos em contanto com esses mundos infernos; então reconheceremos o realismo da Divina Comédia de Dante, que situa o Inferno debaixo da epiderme do planeta Terra.

Samael Aun Weor: Sim Há Inferno, Há Diabo, Há Carma

 

A música na Bíblia

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Algumas passagens musicais bíblicas para estudo e reflexão.

Quem foi o primeiro músico: “E o nome de seu irmão foi Jubal, o qual foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta.” (Gênesis 4:21)

Quem foi o grande músico: Davi toca para Saul. “O espírito de Yah se apartou de Saul, e o atormentava um espírito mau da parte de Yah. E os criados de Saul lhe disseram: Eis agora, um espírito mau enviado da parte de Deus te atormenta. Diga pois, nosso senhor a teus servos diante de ti, que busquem algum que saiba tocar a harpa, para quando esteja sobre ti o espírito mau de Yah sobre ti, que toque y tenhas alivio.” (1 Samuel 16:14-16)

E quando o espírito mau da parte de Deus vinha sobre Saul, Davi tomava a harpa e tocava com suas mãos; e Saul tinha alívio e ficava melhor, e o espírito mau se afastava dele.” (1 Samuel 16:23)

Instrumentos

“E Davi e toda a casa de Israel dançavam diante de Yah* com toda classe de instrumentos de madeira; com harpas, saltérios, pandeiros, flautas e címbalos.” (2 Samuel 6:5)

A Arca

“Desta forma, levava toda Israel a Arca do Pacto com Yah, com júbilo e som de buzinas e trombetas e címbalos, e ao som de saltérios e harpas.” (1 Crônicas 15:28)

“Com eles a Heman e a Jedutun com trombetas e címbales para os que tocavam, e com outros instrumentos de música de Yah; e aos filhos de Jedutun para porteiros.” (1 Crônicas 16:42)

Levitas

“E os sacerdotes desempenhavam seu ministério; também os Levitas, com os instrumentos de música de Yah, os quais havia feito o Rei Davi para glorificar a Yah porque sua misericórdia é para sempre, quando Davi adorava por meio deles, e toda Israel estava em pé.” (2 Crônicas 7:6

“Pôs também aos Levitas na Casa de Yah com címbalos, saltérios e harpas, conforme o mandamento de Davi, de Gad, vidente do Rei, e do profeta Natan, porque aquele mandamento procedia de Yah por meio de seus profetas.” “Y os Levitas estavam com os instrumentos de Davi, e os sacerdotes com trombetas.” (2 Crônicas 29:25-26)

Salmos

“Alegrai-vos, ó justos, em Yah;
Nos íntegros é formosa a glorificação.
Cantai-lhe com saltério e harmonia.
Cantai-lhe cântico novo;
Fazei-o bem, tangendo com júbilo.
Porque reta é a palavra de Yah,
e toda sua obra é feita com felicidade.
Ele ama a justiça e o juízo;
Da misericórdia de Yah está cheia a terra.” (33: 1-5)”Cantai com gozo a Yah, fortaleza nossa;
Ao Deus de Jacó aclamai com júbilo.
Entoai canção e tangei o pandeiro,
a harpa deliciosa e o saltério.
Tocai a trombeta na Lua Nova,
no dia assinalado, no dia de nossa festa solene.
Porque estatuto é de Israel.” (81:1-4)”Bom é glorificar-te, ó Yah,
e cantar salmos a teu nome, ó Altíssimo;
Anunciar pela manhã tua misericórdia,
e tua fidelidade a cada noite,
na harmonia e no saltério,
em tom suave com a harpa.” (92:1-4)
“Meu coração está disposto, ó Yah;
Cantarei e entoarei salmos;
Esta é minha glória.
Desperta-te, saltério e harpa;
Despertarei a alva.
Te glorificarei, ó Yah, entre os povos;
A ti cantarei salmos entre as nações.
Porque maior que os céus é a tua misericórdia.
E até os céus é a tua verdade.” (108:1-4)150
Glorificai a Yah em Seu santuário;
Glorificai na magnificência
de seu firmamento.
Glorificai-o por suas proezas;
Glorificai conforme a
multidão de sua grandeza.
Glorificai ao som da buzina;
Glorificai com saltério e harpa.
Glorificai com pandeiro e dança;
Glorificai com cordas e Flautas.
Glorificai com címbalos ressonantes;
Glorificai com címbalos de júbilo.
Tudo o que respira glorifique a Yah.
Aleluia!

Sadrac, Mesac e Abednego

“Que ao ouvir o som da buzina, da flauta, do tamborim, da harpa, do saltério, da zampona e de todo instrumento de música, vos prostreis e adoreis a estátua de ouro que o Rei Nabucodonosor levantou; e qualquer que não se prostre e adore, imediatamente será jogado dentro de um forno de fogo ardendo.” Daniel 3:5-6

“Falou Nabucodonosor e lhe disse: É verdade, Sadrac, Mesac e Abednego, que vós não honrais a meu Deus, nem adorais a estátua de ouro que levantei?

Agora, pois estais dispostos que ao ouvir o som da buzina, a flauta, do tamborim, da harpa, do saltério, da zampona e de todo instrumento de música, vos prostreis e adoreis a estátua de ouro que eu fiz? Porque se não a adorardes, na mesma hora serão jogados em um forno de fogo ardendo; e que Deus será aquele que os livre de minhas mãos?

Sadrac, Mesac e Abednego responderam ao Rei Nabucodonosor, dizendo: Não é necessário que te respondamos sobre este assunto. Eis aqui que nosso Deus a quem servimos pode livrar-nos do forno de fogo ardendo; e de tua mão, ó Rei, nos livrará.” Daniel 3:14-17

Malvados

“E em seus banquetes há harpas, tamborins, flautas e vinho, e não miram a obra de Yah, nem consideram a obra de suas mãos. Portanto, meu povo foi levado cativo, porque não teve conhecimento; e sua glória pereceu de fome, e sua multidão se seco de sede.” Isaías 5:12-13

“Descendeu ao Seol tua soberba, e o som de tuas harpas; Vermes serão tua cama, e vermes te cobrirão.” Isaías 14:11

“Gorgeiam ao som da flauta, e inventam instrumentos musicais, como Davi; bebem vinho em taças, e se ungem com os ungüentos mais preciosos; e não se afligem pelo quebrantamento de José. Portanto, agora irão à cabeça dos que vão à catividade, e se acercará a dor dos que se entregam aos prazeres.” Amós 6:5-7

Vozes

“Certamente a coisas inanimadas que produzem sons, como a flauta ou a cítara, se não derem distinção de vozes, como se saberá o que se toca com a flauta ou com a cítara?

E se a trombeta der som incerto, quem se preparará para a batalha? Assim também vós, se pela língua não derdes palavra bem comprensível, como se entenderá o que dizeis? Porque falareis ao ar.” 1 Coríntios 14:7-9

O Leão de Judá

“E quando tomou o livro, os Quatro Seres Viventes e os 24 Anciães se prostraram diante do Cordeiro; todos tinham harpas, e cálices de ouro cheios de incenso, que são as orações dos santos; e cantavam um novo cântico dizendo: Digno és de tomar o Libro e abrir seus selos; porque tu foste imolado, e com teu sangue nos redimiste para Deus, de toda linhagem e língua e povo e nação; E nos fizeste para nosso Deus reis e sacerdotes, e reinaremos sobre a terra.” Apocalipse 5:8-10

*Lembramos ao estudante de esoterismo gnóstico que YAH é um poderoso mantra que nos conecta com nosso Real e Verdadeiro Ser.

Sufismo, o coração do Islã

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O sufismo (at-tasawwuf), o aspecto esotérico, ou (batin) do Islã, distingue-se do Islã exotérico ou “exterior” (zahir) do mesmo modo que a contemplação direta das realidades espirituais – ou divinas – se diferencia das leis que as refletem na ordem individual, em relação às condições de um determinado ciclo da humanidade.

Enquanto a via habitual dos crentes pretende a obtenção de um estado benéfico após a morte, acessível em virtude de uma participação indireta, e, pode-se dizer, simbólica, nas verdades divinas, através das obras prescritas, o sufismo tem seu fim em si mesmo, no sentido de que pode dar acesso ao conhecimento imediato do Eterno. Esse conhecimento, por ser uno com seu objeto, liberta da cadeia inevitável das existências individuais.

O estado espiritual de baqa, a que aspiram os contemplativos sufis, e cujo nome significa a “subsistência” pura, além de qualquer forma, é igual ao estado de moksha ou a “libertação”, de que falam as doutrinas hindus, da mesma forma que a “extinção” (al-fana) da individualidade, que precede a “subsistência”, é análoga ao nirvana, como ação negativa.

Para que o sufismo implique tal possibilidade, deve identificar-se com o “núcleo” (al-lubb) da forma tradicional que lhe serve de suporte. Não pode se sobrepor ao Islã, pois teria um caráter periférico em comparação com os meios espirituais deste último. Está, ao contrário, mais próximo à sua origem supra-humana do que o exoterismo religioso, e participa ativamente, ainda que de maneira completamente interior, na função renovadora que essa forma tradicional manifestou e que continua mantendo-a com vida.

sufismo1-gnosisonlineEsse papel “central” do sufismo no seio do mundo islâmico pode estar oculto aos espectadores do exterior porque o esoterismo, por ser consciente do significado das formas, é ao mesmo tempo intelectualmente soberano em relação a elas, de modo que pode assimilar, ao menos para sua exposição doutrinal, algumas noções ou símbolos que procedam de uma herança diferente de sua raiz tradicional peculiar.

Pode parecer estranho que o sufismo seja o “espírito” ou o “coração” do Islã (ruh al-islam ou qalb al-islam) e que ao mesmo tempo represente, dentro do mundo islâmico, o espírito mais livre em relação aos limites mentais deste mundo. (É importante não confundir esta verdadeira liberdade, completamente interior, com os movimentos rebeldes à tradição que não são intelectualmente livres em relação às formas que negam porque não as compreendem.)

Por isso, o papel do sufismo no mundo islâmico é semelhante ao do coração no homem, no sentido de que o coração é o centro vital do organismo e também, em sua realidade sutil, a “sede” de uma essência que transcende qualquer forma individual.

Os orientalistas, atentos em reduzir tudo ao plano histórico, quase nunca podem explicar esse duplo aspecto do sufismo, a não ser por influências alheias ao Islã; deste modo atribuíram a origem do sufismo, segundo suas diferentes preocupações, a fontes iranianas, hindus, neoplatônicas ou cristãs.

Mas essas atribuições divergentes terminaram por equilibrar-se reciprocamente, ainda mais se se leva em conta que não existe razão suficiente para pôr em dúvida a autenticidade histórica da filiação espiritual dos mestres sufis, filiação que, numa “cadeia” (silsilah) ininterrupta, remonta até o Profeta.

O argumento decisivo a favor da origem muhammadiana do sufismo reside, entretanto, em si mesmo. Se a sabedoria sufi procedesse de uma fonte situada à margem do Islã, os que aspiram a esta sabedoria – que, com segurança, não é de natureza livresca ou simplesmente mental – não poderiam apoiar-se, para realizá-la sempre de novo, no simbolismo alcorânico. Tudo que forma parte integrante do método espiritual do sufismo é extraído, de maneira constante e necessária, do Alcorão e dos ensinamentos do Profeta.

Os orientalistas, que sustentam a hipótese de uma origem não muçulmana do sufismo, em geral sublinham o fato de que a doutrina sufi não aparece nos primeiros séculos do Islã com todo o desenvolvimento metafísico que conterá mais tarde.

Mas esta observação, caso seja válida em relação a uma tradição esotérica – transmitida principalmente por meio de um ensino oral –, demonstra o contrário daquilo que se pretende, pois os primeiros sufis se expressavam com uma linguagem muito próxima do Alcorão e suas expressões concisas e sintéticas carregam em si mesmas o essencial da doutrina.

Se, posteriormente, esta vai se tornando mais explícita e elaborada, isto não é mais que um fato normal e característico de qualquer tradição espiritual: a literatura doutrinal aumenta, não tanto pelo aporte de novos conhecimentos quanto pela necessidade de pôr um freio nos erros e reanimar uma intuição que se vai debilitando.sufismo2-gnosisonline

Por outro lado, como as verdades doutrinais são suscetíveis de um desenvolvimento indefinido e a civilização muçulmana havia absorvido algumas heranças pré-islâmicas, os mestres sempre podiam, em seu ensino oral ou escrito, fazer uso de noções tomadas desses legados, desde que fossem adequados às verdades que era preciso tornar acessíveis às melhores mentes de sua época, verdades que o simbolismo sufi, no sentido estrito, já incluía de modo sucinto.

Desta forma, e em particular a cosmologia, ciência derivada da metafísica pura, que constitui o fundamento doutrinai indispensável do sufismo, se expressava, em sua maior parte, através de noções já definidas por antigos mestres, como Empédocles e Plotino.

Além disso os mestres sufis que tinham uma cultura filosófica não podiam ignorar a validade dos ensinamentos de Platão, e o platonismo que se lhes atribui é da mesma ordem que o dos Padres gregos, cuja doutrina continua, entretanto, essencialmente apostólica.

A ortodoxia do sufismo não se manifesta unicamente na conservação das formas islâmicas; se expressa igualmente por seu desenvolvimento orgânico a partir do ensinamento do Profeta e, em especial, por sua capacidade de assimilar qualquer forma de expressão espiritual que não seja essencialmente alheia ao Islã. Isto não se aplica apenas às formas doutrinais, mas também a questões secundárias que tenham relação com alguma arte.

Ainda que, seguramente, tenha havido contatos entre os primeiros sufis e os contemplativos cristãos – como demonstra a história do sufi Ibrahim ibn Addam –, certo parentesco entre o sufismo e o monaquismo do Oriente não se explica a priori apenas por interferências históricas. Tal como ‘Abd al-Karim al-Jili o explica, em seu livro Al-Insan al-Kamil (O Homem Universal), a mensagem de Cristo “descobre” alguns aspectos interiores – e, portanto, esotéricos – do monoteísmo de Abraão: os dogmas cristãos, que podem ser reduzidos em sua totalidade ao dogma das duas naturezas, divina e humana, de Cristo, de certa forma resumem, de forma “histórica”, tudo o que o sufismo ensinará sobre a união com Deus.

Por isso os sufis pensam que o Senhor Jesus (Sayydna ‘Issa) representa, entre os enviados divinos (rusut), o tipo mais perfeito do santo contemplativo: oferecer a face esquerda a quem nos bateu na direita é o desapego espiritual por excelência, a retirada voluntária para fora do jogo das ações e reações cósmicas.

Isso não quer dizer que, para os sufis, a pessoa de Cristo situe-se na mesma perspectiva que para os cristãos. Apesar de todas as semelhanças, a via dos sufis difere muito da dos contemplativos cristãos. Podemos nos referir aqui à imagem segundo a qual os diferentes caminhos tradicionais são como os raios de um círculo que se unem num único ponto: na medida em que os raios se aproximam do centro, também se aproximam entre si: nunca coincidem, a não ser no centro, onde cessam de ser raios.

Essa distinção dos caminhos evidentemente não impede a consciência de se situar, por antecipação intuitiva, no centro, para onde todos convergem.

Para precisar melhor a constituição interna do sufismo, acrescentamos que ele sempre compreende, como elementos indispensáveis, uma doutrina, uma iniciação e um método espiritual. A doutrina é como uma prefiguração simbólica do conhecimento que se trata de conseguir e também, em sua manifestação, um fruto deste conhecimento. A quintessência da doutrina sufi vem do Profeta; mas como não há esoterismo sem uma certa inspiração, a doutrina sempre se manifesta de novo pela boca dos mestres.

sufismo3gnosisonlineEm consequência, o ensinamento oral é superior, por seu caráter imediato e “pessoal”, ao que se possa obter dos escritos. Esses últimos desempenharam um papel secundário, como preparação, complemento ou ajuda para a memória e, por esta razão, a continuidade histórica do ensinamento sufi se subtrai, ocasionalmente, às investigações dos eruditos.

Quanto à iniciação sufi, consiste na transmissão de uma influência espiritual (barakah), que deve ser conferida por um representante da “cadeia”, que tem sua origem no Profeta. E em geral transmitida pelo mestre, que também comunica o método e proporciona os meios de concentração espiritual apropriados às atitudes do discípulo.

O marco geral do método é a Lei Islâmica, ainda que sempre tenha havido sufis isolados que, por causa do caráter excepcional de seus estados contemplativos, deixaram de participar do ritual ordinário do Islã.

Para prevenir qualquer objeção que se pudesse deduzir do que acabamos de dizer em relação à origem muhammadiana do sufismo, precisaremos que os suportes espirituais – que constituem seus principais meios – e que, em certas circunstâncias, podem substituir o ritual habitual do Islã – se apresentam como as “pedras angulares” de todo o simbolismo islâmico e, nesse sentido, foram dados pelo próprio Profeta.

A iniciação toma, comumente, a forma de um pacto (bay’ah) entre o candidato e o mestre espiritual (al-murshid), que representa o Profeta. Esse pacto implica a total submissão do discípulo ao mestre em tudo o que se refere à vida espiritual e não pode nunca ser anulado pela vontade unilateral do discípulo.

Os diferentes “ramos” da filiação espiritual do sufismo correspondem, de forma muito natural, aos diversos “caminhos” (turuq). Cada grande mestre, a partir do qual pode ser determinado o começo de uma cadeia particular, tem autoridade para adaptar o método às aptidões de uma determinada categoria de homens dotados para a vida espiritual.

Os diferentes “caminhos” correspondem, portanto, às diferentes “vocações” e estão orientados para o mesmo fim; não representam de modo algum cisões ou “seitas” no interior do sufismo, ainda que tenham podido se produzir incidentalmente desvios parciais que deram lugar a verdadeiras seitas.

O sinal exterior de uma tendência sectária será sempre o caráter quantitativo e “dinâmico” da propagação. O sufismo autêntico nunca pode chegar a ser um movimento, em razão de recorrer ao que há de mais “estático” no homem, o intelecto contemplativo.

Assinalaremos, a esse respeito, que se o Islã pôde manter-se intacto através dos séculos, apesar da natureza tão volúvel do psiquismo humano e das divergências étnicas dos povos que abarca, não é, a princípio, por causa de seu caráter relativamente dinâmico, que lhe é característico como forma coletiva, mas porque implica, desde a sua origem, e por destino, a possibilidade de uma contemplação que transcende a corrente das afetividades humanas.

Endocrinologia – Tiroide e paratiroides

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1. A GLÂNDULA TIROIDE

A glândula tiroide é de uma formosa cor vermelha escura. Ela possui dois lóbulos que os endocrinologistas conhecem muito bem. O biólogo se diverte contemplando esses dois formosos lóbulos unidos sabiamente por um maravilhoso istmo. Aparece aqui mais uma vez o Triângulo Perfeito.

Os dois lóbulos da glândula tiroide se encontram situados exatamente a cada lado dos pomos de Adão. A glândula tiróide está exposta a duas enfermidades fundamentais: hipertiroidismo e o hipotiroidismo. A primeira caracteriza-se por demasiada secreção e a segunda, por secreção deficiente.

O hipertiroidismo pode ser remediado pela cirurgia. O hipotiroidismo não pode de nenhuma maneira ser curado pela cirurgia. Só é possível sanar o hipotiroidismo administrando ao paciente a tiroxina. (princípio ativo da secreção da tiroide). Realmente, a tiroxina é um composto iódico muito importante na medicina.

A tiroxina está intimamente relacionada como todo o metabolismo do corpo físico do homem. Quando o paciente sofre de hipertiroidismo, o excesso de tiroxina aumenta de forma intensiva a combustão dos alimentos. O resultado é, uma sobrecarga do ritmo normal da respiração e do coração. No hipotiroidismo, o metabolismo torna-se mais lento.

Se uma criança encontra-se enferma de hipotiroidismo, todo o desenvolvimento do corpo e do cérebro retarda-se horrivelmente. Quando o hipotorodismo se apresenta num adulto, este se torna mentalmente retardado, suas unhas e cabelo crescem em forma lenta e anormal, qualquer esforço físico o fadiga terrivelmente, sua pele se torna seca, escamosa e um pouco grossa.

O iodo biológico desinfeta todo o organismo. Sem o iodo biológico da tiroide nosso organismo humano não poderia viver. Os médicos rosa-cruzes asseguram que a glândula tiroide está influenciada por Vênus e que as glândulas paratiroides estão influenciadas por Marte.

Assegurava o famoso médico Arnold Krumm-Heller, professor de Medicina da Universidade de Berlim, que entre Vênus e Marte havia uma luta terrível que se repetia nas glândulas tiroide e paratiroides.

Numa ocasião, um velho camponês que não sabia ler nem escrever, nos assegurava ter-se curado da enfermidade do bócio, ou papo, aplicando nele uma placa de chumbo. Contou-nos o camponês que numa placa de chumbo ele fez dois pequenos furos afim de utilizá-los para amarrar um cordão.

Com esse cordão ligou a placa de chumbo à sua garganta, ficando a placa superposta sobre a raiz do bócio ou papo. Usou-a durante três meses, ao fim dos quais curou-se radicalmente. Contou-nos que alguns familiares também haviam se curado com essa placa de chumbo.

A Metaloterapia está praticamente em estado embrionário. Não há dúvida alguma sobre as grandes possibilidades dessa ciência. Temos conhecido alguns camponeses sul-americanos que utilizam o sal e a saliva em jejum como único remédio contra o bócio. Misturam esses dois elementos quando a Lua está em minguante. Em seguida, aplicavam seu remédio e diziam que assim curavam essa horrível enfermidade.

A Biologia está disposta a estudar profundamente todos estes sistemas terapêuticos dos camponese porque estamos convencidos que muitas destas fórmulas de nossos avós salvaram em muitas ocasiões vidas de homens ilustres. Os yogues da Índia dizem que a raiz do chacra laríngeo sai da glândula tiróide.

O grande médico Sivananda, do Hindustão, assegura que este chacra tem 16 pétalas de lótus. Os cientistas ocidentais riem do que não conhecem, quando melhor seria que estudassem os fatos por eles considerados utópicos. Os sábios orientais admitem um superouvido capaz de registrar as ondas do Ultra. A esse superouvido chamam Clariaudiência.

O chacra laríngeo é o centro da Clariaudiência. O hipotiroidismo retarda a mente dos adultos. Isso nos está demonstrando a íntima relação da glândula tiróide com a Mente. Se a tiróide e a Mente se acham tão inter-relacionadas, por que não admitir a tese oriental sobre o chacra da tiróide e o Sintetismo conceitual? Os sábios da Índia dizem que desenvolvendo o chacra laríngeo obtemos o Sintetismo Conceitual. A Física aceita o Éter.

Os hindustanis dizem que o éter é tão somente a condensação do Tatwa Akasha. Os grandes yogues asiáticos dizem que a matéria é uma condensação do éter e que o éter por sua vez é uma condensação do Tattwa Akasha, no qual se encontra em última síntese a raiz primordial da matéria. Os hindustanis consideram  que Akasha é o Som Primordial e que seu instrumento no homem é a laringe criadora.

Assegura o médico Sivananda que com o desenvolvimento do chacra tiroidiano controlamos o Akasha e podemos viver mesmo durante as noites profundas do Grande Pralaya.

Diz ainda o médico Sivananda, eminente endocrinologista e yogue hindustani, que despertando o chacra da glândula tiroide adquirimos a clariaudiência. Se um yogue pratica meditação diária com o propósito de escutar a algum amigo distante, então no momento em que adormecer poderá escutar suas palavras.

Com a meditação interior se desperta a clariaudiência. A secreção das glândulas endócrinas encontra-se intimamente relacionada com toda a ordem e controle do sistema nervoso autônomo e dos assim chamados músculos involuntários.

 

As secreções glandulares governam com suma sabedoria fisiológico-cósmica todo o maravilhoso metabolismo do organismo físico. As secreções endócrinas controlam o crescimento e desenvolvimento de toda a grande comunidade celular.

A secreção das glândulas endócrinas controla totalmente as características da sexualidade. A glândula tiroide tem uma radiação áurica verdadeiramente maravilhosa.

 

Os chakras da garganta (Vishuddha) e da próstata/útero têm íntima ligação

 

2. AS GLÂNDULAS PARATIROIDES

As glândulas paratiróides não devem ser extraídas jamais, porque está devidamente comprovado que sobrevém terríveis convulsões e morte inevitável. Os dois pares de glândulas paratiroides regulam de maneira extraordinária todos os valores de cálcio que abundam nas células e no sangue. As secreções das quatro maravilhosas glândulas paratiroides têm de desempenhar todo este trabalho de controlar o cálcio das células e do sangue.

Essas glândulas são muito pequenas e estão situadas sobre cada ala das tiróides. Observando atentamente, os biólogos podem divisar um par de pequenos corpos do tamanho de uma fava.

A Astrologia sustenta que essas glândulas estão reguladas por Marte. A ciência oficial só vê as glândulas por um ponto de vista puramente materialista. A ciência dos sábios gnósticos vai mais além. Em todo átomo existe um trio de matéria, energia e consciência, do qual também é composta toda célula. Cada glândula de secreção interna é um verdadeiro laboratório microcósmico.

A inter-relação das glândulas endócrinas, o sábio intercâmbio de produtos bioquímicos, a perfeição infinita com que trabalham, nos está demonstrando à saciedade a existência de certas coordenadas inteligentes cuja raiz há que se buscar na Consciência Cósmica. Onde quer que haja vida, ali existe a consciência. A consciência é inerente à vida, como a umidade à água.

Na Rússia, atualmente, existem 15 milhões de mulçumanos. Isto está demonstrando de forma evidente que o materialismo de Marx está fracassado totalmente. Toda máquina está organizada segundo leis. Tem uma direção, uma alavanca de onde a governam e um piloto que a controla e dirige.

Por que há de ser uma exceção nosso organismo humano? O corpo humano é uma máquina perfeita construída nas oficinas da natureza pela Consciência Cósmica. Essa máquina tem deu timoneiro ou alavanca de onde pode ser governada.

Este leme é o sistema nervoso grande simpático. O piloto que controla essa máquina é o Íntimo (o Espírito). Assim, pois, o Íntimo, envolto em seu corpo astral por meio da alavanca do sistema nervoso grande simpático, controla todo o organismo e toda as secreções hormonais.

Lembre-se, caro leitor do GnosisOnline: A grande Virtude que desperta essas glândulas é a Verdade. Quem mente peca contra o Pai e se afasta d’Ele, e destrói o chacra laríngeo. Além do mais, o laríngeo está conectado direta e intimamente com as glândulas sexuais, segundo o grande clarividente Charles Leadbeater, da Sociedade Teosófica. Existem canais de energia que conectam diretamente os chacras laríngeo e prostático/uterino, portanto, o bom uso de um influencia a harmonia do outro…

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Origem da palavra “Gótico”

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“As catedrais góticas são templos onde os símbolos cristãos convivem lado a lado com antigas tradições cabalísticas, alquímicas, psicológicas e astrológicas, enfim, as catedrais góticas são eminentemente Gnósticas!”

Segundo a versão mais difundida, o termo “gótico” deriva de godos, o povo germânico que habitava a Escandinávia. Porém, em sua obra O Mistério das Catedrais, Fulcanelli nos apresenta outra versão. A palavra “gótico” seria uma deformação fonética de Argoth (Art Goth ou Argô), uma linguagem restrita utilizada somente por Iniciados em Ocultismo. Embora para os céticos essa versão seja incoerente, é uma visão aceita por Iniciados, maçons, teosofistas, gnósticos etc., e também de um grande Alquimista.

Confira o trecho do livro que disserta sobre essa possibilidade:

O Mistério das Catedrais – Cap. III

Alguns pretenderam erradamente que provinha dos godos, antigo povo da Germânia, e outros julgaram que se chamava assim a essa forma de arte, cujas originalidade e extrema singularidade provocam escândalo nos séculos 17 e 18, por zombaria, atribuindo-lhe o sentido de bárbaro: tal é a opinião da Escola Clássica, imbuída dos princípios decadentes do Renascimento.

A verdade, que sai da boca do povo, no entanto, manteve e conservou a expressão Arte Gótica, apesar dos esforços da Academia para substituí-la por Arte Ogival. Há ai uma razão obscura que deveria obrigar a refletir os nossos linguistas, sempre à espreita das etimologias. Qual a razão por que tão poucos lexicólogos acertaram? Simplesmente porque a explicação deve ser antes procurada na origem cabalística da palavra, mais do que na sua raiz literal.

Alguns autores perspicazes e menos superficiais, espantados pela semelhança que existe entre gótico e goético pensaram que devia haver uma estreita relação entre a arte gótica e a arte goética ou mágica.

Para nós, arte gótica é apenas uma deformação ortográfica da palavra argótica, cuja homofonia é perfeita, de acordo com a lei fonética que rege, em todas as línguas, sem ter em conta a ortografia, a cabala tradicional. A catedral é uma obra de art goth ou de argot. Ora, os dicionários definem o argot como sendo uma linguagem particular a todos os indivíduos que têm interesse em comunicar os seus pensamentos sem serem compreendidos pelos que o rodeiam.

É, pois, uma cabala falada. Os argotiers, os que utilizam essa linguagem, são descendentes herméticos dos argo-nautas, que viajavam no navio Argo, falavam a língua argótica – a nossa língua verde –, navegando em direção às margens afortunadas de Colcos para conquistarem o famoso Tosão de Ouro.

Ainda hoje se diz de um homem inteligente mas também muito astuto: “Ele sabe tudo, entende o Argot”. Todos os Iniciados se exprimiam em Argot, tanto os vagabundos da Corte dos Milagres – com o poeta Villon à cabeça – quanto os Frimasons ou franco-maçons da Idade Média, hospedeiros do bom Deus, que edificaram as obras-primas góticas que hoje admiramos. Eles próprios, esses Nautas Construtores, conheciam a rota do Jardim da Hespérides…

Ainda nos nossos dias os humildes, os miseráveis, os desprezados, os insubmissos, ávidos de liberdade e de independência, os proscritos, os errantes e os nômades falam argot, esse dialeto maldito, banido da alta sociedade, dos nobres que o são tão pouco, dos burgueses satisfeitos e bem pensantes, espojados no arminho da sua ignorância e da sua presunção.

Arte Gótica da Catedral de Amiens (França), nave central perspectiva superior

O argot permanece a linguagem de uma minoria de indivíduos vivendo à margem das leis estabelecidas, das convenções, dos hábitos, do protocolo, aos quais se aplica o epíteto de vadios, ou seja, de videntes e, mais expressivo ainda, de Filhos ou Descendentes do Sol. A arte gótica é, com efeito, a art got ou cot, a arte da Luz ou do Espírito.

Pensar-se-á que são apenas simples jogos de palavras. E nós concordamos de boa vontade. O essencial é que guiem a nossa fé para uma certeza, para a verdade positiva e científica, chave do mistério religioso, e que não a mantenham errante no labirinto caprichoso da imaginação. Aqui embaixo não existe acaso, nem coincidência nem relação fortuita; tudo está previsto, ordenado, regulado e não nos pertence modificar a nosso bel-prazer a vontade imperscrutável do Destino.

Se o sentido usual das palavras não nos permite qualquer descoberta capaz de nos elevar, de nos instruir, de nos aproximar do Criador, o vocabulário torna-se inútil. O verbo, que assegura ao homem a incontestável superioridade, a soberania que ele possui sobre tudo que vive, perde a sua nobreza, a sua grandeza, a sua beleza e não é mais do que uma aflitiva vaidade. Ora, a língua, instrumento do espírito, vive por ela própria, embora não seja mais que o reflexo da Ideia Universal.

Nada inventamos, nada criamos. Tudo existe em tudo. O nosso Microcosmo é apenas uma partícula ínfima, animada, pensante, mais ou menos imperfeita, do Macrocosmo. O que nós julgamos descobrir apenas pelo esforço da nossa inteligência existe já em qualquer parte. É a fé que nos faz pressentir o que existe; é a revelação que nos dá a prova absoluta. Muitas vezes passamos ao lado do fenômeno, até mesmo do milagre, sem dar por ele, cegos e surdos.

Quantas maravilhas, quantas coisas insuspeitadas descobriríamos se soubéssemos dissecar as palavras, quebrar-lhes a casca e libertar a o espírito, divina luz que eles encerram!

Jesus exprimia-se apenas por parábolas; poderemos nos negar a verdade que elas ensinam? E, na conversação corrente, não serão os equívocos, os pouco mais ou menos, os trocadilhos ou assonâncias que caracterizam as pessoas de espírito, felizes por escaparem à tirania da letra e mostrando-se, à sua maneira, cabalistas sem o saberem?

Acrescentemos, por fim, que o argot é uma das forças derivadas da Língua dos Pássaros, mãe e decana de todas as outras, a língua dos filósofos e dos diplomatas. É o conhecimento dela que Jesus revela aos seus apóstolos, enviando-lhes o seu espírito, o Espírito Santo.

É ela que ensina o mistério das coisas e desvenda as verdades mais recônditas. Os antigos incas chamavam-na Língua da Corte porque era familiar aos diplomatas, a quem fornecia a chave de uma dupla ciência: a ciência sagrada e a ciência profana.

Na Idade Média, qualificavam-na antes da edificação da torre de Babel, causa da perversão e, para a maioria, do esquecimento total desse idioma sagrado. Hoje, fora do argot, encontramos as suas características nalgumas línguas locais como o picardo, o provençal etc. e no dialeto dos ciganos.

A mitologia pretende que o célebre adivinho Tirésias tenha possuído perfeito conhecimento da Língua dos Pássaros, que Minerva lhe teria ensinado, como Deusa da Sabedoria. Ele partilhava-a, diz-se, com Tales de Mileto, Melampus e Apolônio de Tiana, personagens fictícios cujos nomes falam eloquentemente na ciência que nos ocupa e bastante claramente para que tenhamos necessidade de os analisar nestas páginas.

Fulcanelli – O Mistério das Catedrais (saiba mais sobre este livro, clique aqui)

 

A Verdadeira Beleza
(Santo Agostinho)

Interroga a beleza da terra,

interroga a beleza do mar,

interroga a beleza do ar difundida e diluída.

Interroga a beleza do céu,

interroga a ordem das estrelas,

interroga o sol, que com o seu esplendor ilumina o dia;

interroga a lua, que com o seu clarão modera as trevas da noite.

Interroga os animais que se movem na água, que caminham na terra, que voam pelos ares:

almas que se escondem, corpos que se mostram;

visível que se faz guiar, invisível que guia.

Interroga-os!

Todos te responderão:

‘Olha-nos, somos belos!

A sua beleza fá-los conhecer.

Quem foi que criou esta beleza mutável, a não ser a Beleza Imutável?’

O caminho da autorrealização

3

Chegou o momento de compreender, de forma séria, o Caminho que conduz à Autorrealização Íntima do Ser.

Muito se falou sobre os Três Fatores da Revolução da Consciência – Morrer, Nascer e Sacrifício pela Humanidade. Convém entender que todos os seres humanos levamos, dentro, uma criação equivocada. É necessário eliminar essa criação e fazer uma nova, porque só assim conseguiremos alcançar o milagre de nossa Cristificação.

Os velhos alquimistas medievais dizem, de forma enfática, que se deve eliminar o mercúrio seco. Isso, ao qual aludem os velhos sábios medievais, não é outra coisa que o conjunto de agregados psíquicos inumanos que personificam nossos erros e que levamos em nossa psique a cada hora, a cada momento. Desafortunadamente, a Essência, a Consciência, se encontra engarrafada nesses elementos inumanos.

Quando os mesmos forem erradicados de nossa psique, quando foram desintegrados, então a Essência, a Consciência, fica liberada e vem o despertar. Se isso não fosse assim, a Consciência não estaria adormecida.

É lástima que os seres humanos, por ignorância (que é o pior vício), andem pelas ruas com a Consciência adormecida. Chegou, pois, a hora de despertar, o mercúrio seco deve ser eliminado.

Da mesma forma, diz-se que se deve eliminar o enxofre vermelho, o enxofre arsenicado ou enxofre venenoso – sábias alegorias dos alquimistas medievais. O enxofre arsenicado, ou venenoso, de nosso corpo não é outra coisa senão o fogo animal que subjaz nos submundos animais desta criatura humanoide, equivocadamente chamada homem.

No caminho da Magia prática, diz-se textualmente que o fogo astral da Terra está representado sempre com o Selo Gnóstico: com a serpente com cabeça de touro, ou com cabeça de bode ou com cabeça de cachorro. Não há dúvida que esse fogo astral da Terra, simbolizado com a serpente com cabeça de bode, é uma alegoria (clara e específica) do fogo animalesco, da horrível serpente Píton etc., e representa sempre a Loja Negra.

A serpente, simbolizada com cabeça de touro, representa o verbo, a palavra, a luz (isso o sabem muito bem os cristãos). A serpente com cabeça de cão é uma alegoria viva do mercúrio da filosofia secreta, mediante o qual se pode realizar a Grande Obra.

Em síntese, há duas serpentes: a que sobe pela espinha dorsal e a que se precipita desde o cóccix até os infernos atômicos. A primeira é a Kundalini, a segunda é o Abominável Órgão Kundartiguador; a serpente de bronze que sanava os israelitas no deserto, no dia criador, e a serpente Píton (a de sete cabeças) que se arrastava pelo lodo da terra e que Apolo, irritado, feriu com seus dardos.

Então, meus queridos amigos, há uma dupla luz astral, e quero que ponham clara atenção nisso.

Chegou a hora de entender que a luz arsenical, de todos os alquimistas medievais, é a serpente tentadora do Éden, o Abominável Órgão Kundartiguador, a cauda pictórica de Satã, a víbora infernal. A outra, a serpente de bronze, é uma sábia alegoria do que devemos fazer.

Tal alegoria refere-se à serpente Kundalini, à serpente ígnea de nossos mágicos podperes. Porém, essa outra serpente que Apolo fere é, certamente, o fogo animalesco.

Alguém poderia fazer-se amo e senhor do fogo, se consegue eliminar, de sua natureza íntima, o enxofre arsenical, o fogo infernal. Como consegui-lo? Trabalhando na Grande Obra do Pai.

Michael tem o pé posto sobre o Dragão. Decifrando isso, direi: eliminando os Eus, os elementos inumanos, conseguiremos atravessar o Dragão para nos convertermos em reis e sacerdotes para sempre.

Assim, reunidos todos aqui, esta noite, devemos compreender o que é o Caminho da Iniciação.

Somente se pode descobrir os agregados psíquicos na inter-relação, na vida prática: na rua, na casa etc., permanecendo alertas e vigilantes como o vigia em época de guerra. Essa inter-relação nos permite descobrir nossos agregados psíquicos.

Defeito descoberto deve ser julgado profundamente e, depois, desintegrado. Mas isso não seria possível se não contássemos com um Poder superior à mente, pois, nunca se poderia eliminar um defeito se não fosse por esse Poder que reside no esperma sagrado. Esse poder é o de nossa Divina Mãe Kundalini, a serpente ígnea de nossos mágicos poderes.

Só Ela pode desintegrar os erros: rogando-Lhe, suplicando-Lhe, em meditação profunda, para que desintegre o defeito que tivermos descoberto.

É necessário morrer, e só morrendo advém o novo. Se o grão não morre a planta não nasce.

Chegou o momento de compreender que há necessidade de criar os Corpos Existenciais Superiores do Ser, mediante o cumprimento do Dever Cósmico. Quando aprendemos a transmutar o esperma sagrado em energia criadora, de fato trabalhamos de acordo com a filosofia secreta, e é com o mercúrio, meus queridos irmãos, que podemos criar os Corpos Existenciais Superiores do Ser. O mercúrio vermelho, fecundado pelo enxofre, se cristalizará no Corpo Astral; o mercúrio, fecundado pelo enxofre, se cristalizará no Corpo Mental. Etc.

Assim, é necessário transmutar para formar os Corpos Existenciais Superiores do Ser. Quando o tivermos conseguido, receberemos os princípios anímicos e espirituais. Então nos converteremos em verdadeiros Homens, em homens reais, pois do jeito que estamos, somos só animais intelectuais, equivocadamente chamados homens.

Sacrifício pela Humanidade: não poderíamos encarnar o Cristo Íntimo sem o Sacrifício pela Humanidade, sem o sacrifício por todos os seres humanos. É necessário levar o ensinamento a todos os rincões da Terra. Na medida em que dermos, nos será dado. Com a vara que medirmos, seremos medidos.

Trabalhem, irmãos, com os Três Fatores da Revolução da Consciência para se convertam em Homens Reais, verdadeiros, divinos e inefáveis.

Essa é a missão que estamos cumprindo: ensinando a criar Homens verdadeiros, divinos, reais.

Devemos cooperar com este Grande Experimento.

(Samael Aun Weor, conferência O Caminho da Autorrealização)

Mito e realidade do Inferno cristão

16

No interior da Terra vivem aqueles que já esgotaram as 108 existências, que não têm mais acesso a um corpo físico, que ingressaram  na involução submersa nos Mundos Inferiores, ali involuem até chegar à Segunda Morte…

O autor da Divina Comédia, Dante, discípulo de Virgílio, o poeta de Mântua, não estava louco quando descreveu esses Mundos Infernais de forma simbólica, porque na época não se podia falar como falamos nós, aqui.

Se tivesse falado na forma crua e realista, podem estar seguros de que ele teria sido queimado vivo nas fogueiras pela Inquisição da Igreja Católica. Ele nos  mostra como os condenados iam perdendo pedaços do corpo e se transformando em pó.

As religiões tampouco estão loucas, vocês acreditam que a religião cristã está ensinando o inferno por puro dogma? Ou acreditam que a religião muçulmana ou dos budistas, por besteira, ensinam o inferno? Digo que o Inferno existe! Mas os Mundos Infernos estão dentro de mundos, situados nas Nove Dimensões da Natureza, do Cosmo.

 

Um meio de comprovação é através do despertar da Consciência. Aí poderão visitar os Mundos Infernos se aprenderem a sair do corpo físico à vontade, como já lhes ensinei em outras palestras, podem dar-se o luxo de visitar esses mundos para poderem ver, verificar e tocá-lo…

Quando se esgotam as 108 Vidas, então se ingressa nessas regiões e se passa por um processo de “morte” até a total desintegração, esta é a Segunda Morte da qual nos fala o Mestre Jesus Cristo, da qual também fala o Apóstolo Paulo.

Depois da Segunda Morte, a Alma fica livre, sem o Ego sim senhores, sem o Ego, esses “Eus”, para se sair à Luz do Sol e ingressar no Paraíso dos Elementais da Natureza. Então, volta a passar pelos processos evolutivos, ascendendo desde o mineral até o vegetal, deste até o animal, para depois chegar ao homem, ao estado humano, e surgir mais uma nova oportunidade de viver mais 108 Vidas para que se autorrealize, para que chegue à Maestria, ao Estado Angélico.

Mas se fracassar, o processo se repete, pois afinal, existem 3 mil ciclos ou Idades. Se alguém rodou a Roda de 3 mil ciclos e não se converteu em Mestre, se não se fez Adepto da Fraternidade da Luz Interior, finalmente submerge com sua Alma, sem Ego, no Oceano da Grande Realidade. Torna-se uma Centelha de Deus, não será um Mestre, mas uma Centelha da Divindade…

Quero que saibam que podemos evitar a descida ao Mictlán, ao Averno, e isso é possível destruindo agora mesmo todos os Eus que levamos em nosso interior, e por isso necessitamos mudar radicalmente.

Um homem é o que é a sua vida, e se não muda a sua vida, se não a transforma, se não trabalha para modificar, estará perdendo o seu tempo miseravelmente. A morte é o regresso ao princípio, ao ponto de partida original.

Quando se morre, leva-se ao outro lada  a sua própria vida, e quando se volta, a traz novamente, projetando outra vez sobre o tapete da existência.

Assim é que se faz necessário saber que todos nós não fazemos outra coisa que retornar e repetir os mesmos fatos do passado.

Essa é a Lei do Retorno, a Lei da Recorrência, que tudo volta a ocorrer como aconteceu anteriormente. Isso tem uma explicação, e vou dizer-lhes:

Suponhamos que num bar tivemos uma briga, é claro que o Eu da Briga, a Ira, está vivo lá dentro de nós, e quando chega a hora da morte todos os Eus entram na Quinta Dimensão, e o eu da Briga também entra…

Quando se retorna, quando se volta a este mundo, ali estará o Eu da Briga; quando nasce, esse Eu entra no corpo depois de um tempo, e espera a idade que aconteceu a briga na existência passada para que se manifeste nessa vida.

Se a tal da briga aconteceu quando se tinha 30 anos, o Eu da Briga estará ali bem vivinho dentro de nós, aguardando para que chegue a idade em que tudo  aconteceu,  ou seja, espera “30 anos” para sair e  brigar novamente, ele  vai em busca do bar e do tipo com quem brigou.

Telepaticamente entra em contato com o Eu do tipo com o qual brigou na existência passada e voltam a se encontrar,  e a briga novamente se repete…

Se  aos 30 anos teve uma aventura amorosa com determinada dama, quando voltar a nascer, o Eu da Aventura, de volta à existência, aguarda no interior do ser a idade de 30 anos e telepaticamente vai buscar a mulher da aventura. O eu da mulher também faz o mesmo e  no fim se encontram e  repetem o mesmo processo… Essa é a Mecânica da Lei da Recorrência: tudo volta a ocorrer tal como aconteceu, trazendo de volta as consequências más ou boas.

A Lei da Recorrência existe, alguns escritores a têm citado, mas são poucos, ou melhor, raros são os que sabem descrever a mecânica da Lei da Recorrência.

Essa Lei existe, nós vivemos repetindo exatamente os mesmos erros, cometemos o erro de estar repetindo os mesmos erros que carregamos dentro de nós mesmos.

 

A vida está cheia de comédias, dramas e tragédias. Para cada uma necessita-se de “atores”: uns são atores dos amores, outros da cobiça, outros da inveja, outros do orgulho, mas se os atores morrerem, como ficarão as comédias, os dramas e as tragédias?

Se conseguirmos desintegrar esses atores, que são os Eus que carregamos dentro de nós, a repetição das cenas será impossível, e então nos libertaremos da Lei da Recorrência, tornar-nos-emos livres e soberanos, em Seres Inefáveis…

O ser humano possui uma gigantesca multiplicidade de personalidades. Muitos Eus são desta vida, outros são de vidas passadas

Por isso, necessitamos trabalhar sobre a nossa própria vida para transformá-la. A auto-observação psicológica permite que nos conheçamos para saber quem somos, e só assim poderemos realmente nos transformar.

Por estes tempos, em nome da Verdade, tenho de dizer, com o coração na mão, que certamente todos os seres que estão chegando ao final do seu ciclo de existência… algumas pessoas se encontram na 108ª, outras na 107ª, outras 106ª etc., ou seja, estão chegando aos momentos finais dos seus ciclos de existências.

Assim,  maciçamente, a humanidade chega ao final de seus ciclos de existências, inquestionavelmente entrará, em grandes quantidades, dentro do Reino Mineral Submergido.

Muito se tem falado, por exemplo, sobre o que existe mais além, certamente é que cada pessoa tem um Traço Psicológico característico definido. Na hora da morte, ou da vida, de acordo com o Traço Psicológico que possuímos,  nos acharemos situados no  mesmo país psicológico interior.

De maneira que vale a pena saber onde estamos situados. Nós sabemos que estamos aqui nesta casa, nesta cultura, que estamos entre pessoas cultas, isso nós sabemos. Mas falta-nos saber onde na realidade estamos situados psicologicamente.

É claro que o raivoso viverá no país da Ira, o cobiçador morará no país da cobiça, o luxurioso no país da luxúria… Essas são zonas ou moradas que existem nas Dimensões Inferiores da Natureza e do Cosmo.

Também digo a vocês que nos Mundos Infernos existem muitas moradas dentro dos Nove Círculos Dantescos, e inquestionavelmente, cada um terá a sua morada correspondente. Nos Mundos Infernais existem todas as coisas físicas que existem aqui, só que são mais densas, lá a matéria é mais grosseira, são as infradimensões da natureza.

Há pouco tempo desencarnou um jovem muito amigo nosso, ele realmente não era mau,  mas gostava muito de dar broncas, estava sempre brigando. Mas, desgraçadamente, um dia teve um acidente, viajava num Volkswagen pela estrada de Toluca, e ao desviar-se de um cachorro para não matá-lo o carro capotou e ele morreu.

Aquele jovem desencarnou, e como já havia cumprido as 108 Vidas, ingressou no Quinto Círculo Dantesco. Ali vive em incessante briga, era  briguento e agora vive no mundo de brigas. Esse é o seu Centro de Gravidade, vive brigando… Claro que terá de involuir no tempo até chegar à Segunda Morte, à desintegração.

Se não foi capaz de desintegrar o Ego, a Natureza vem lhe ajudar e o ingressa nos Mundos Infernais, ainda que pareça injusto, mas não o é. No fundo só tem um objetivo, libertar a Essência, para que ela, livre do Ego, possa ingressar nos Paraísos Elementais da Natureza.

Não há crime, por mais grave que seja, que não tenha o seu castigo definido.

Mas não se pode pagar mais do que se deve, nos Mundos Infernais se paga o que se deve, mas depois de ter pago, a  Justiça Divina o tira dali.

Entretanto, suponhamos que uma pessoa cumpriu as suas 108 Vidas, mas escutou os Ensinamentos e resolveu destruir o Ego. Obviamente, ao iniciar a destruição do Ego, essa pessoa fica liberada de todos os seus agregados. Por que então essa pessoa iria aos Mundos Infernais? Se vamos aos Mundos Infernais para destruir o Ego, uma vez que já o tenhamos destruído, não há Ego para ir aos Mundos Infernais… Então…

Assim, o importante é destruir o Ego, devemos fazê-lo aqui e agora. Há formas de Virtudes que realmente temos de entender, muitas pessoas, por exemplo, desejam ser castas e dizem que a abstinência é o melhor…, mas por dentro estão ardendo com as chamas da luxúria, ou seja, estão imitando a Castidade, mas não são castas. Uma coisa é imitar e outra coisa e ter uma virtude…

Aconselho vocês a que desintegrem os Eus, os defeitos psicológicos.

Nós precisamos dissolver os Eus do Mal, como também necessitamos dissolver os Eus do Bem. Os Eus do Bem fazem o bem, mas não sabemos quando devemos fazer o Bem. Muitas vezes fazemos o bem quando não se deve fazê-lo, deve-se saber quando devemos fazer o Bem…

 

Existe o Bem e o Mal, porém existe o Mau do Bem e o Bom do Mal… E ainda existe o estar acima do Bem e do Mal…

 

Lembro, por exemplo, que o fogo da cozinha é bom, mas se o fogo estiver fora da cozinha, na sala, queimando as cortinas, é mau. A água com a qual  nos lavamos é boa, mas invadindo o nosso aposento é má. Por isso necessitamos nos livrar dos Eus do Bem e os do Mal, passar além do Bem e do Mal. Devemos empunhar a Espada da Justiça Cósmica, nos transformando em  Seres Divinos, mas estar  além do Bem e do Mal.

Desgraçadamente, as pessoas oscilam sempre nesse par dos opostos da Filosofia. Lembrem-se de que a vida  é governada pela Lei do Pêndulo, num extremo está o Bem e no outro extremo está o Mal.

Não devemos nos meter dentro desse movimento pendular e sim nos colocarmos no centro, no Centro do Ser, e o Ser nos diz quando se deve fazer o Bem e quando não se deve fazer. Dar uma esmola a um pedinte para que compre “marihuana” é absurdo, ou para um bêbado para que siga com a sua bebedeira é uma coisa estúpida.

Assim, não devemos viver na oscilação do Pêndulo, devemos nos colocar no centro, que é o Ser. Precisamos compreender que a Lei do Pêndulo nos causa dor, não nos conduz a nenhuma parte.

Se escolher o centro, se livra tanto do Bem quanto do Mal. Num extremo do Pêndulo, podem-se encontrar todas as escolas espirituais, pseudoesotéricas ou ocultas, e no outro extremo estão os Ateus, os inimigos do Eterno, os Materialistas, mas a Verdade, onde ela está?

A Verdade não se encontra em nenhum extremo do Pêndulo e não nos interessa o que as pessoas digam ou deixem de dizer, o que escrevem ou deixem de escrever, a nós só interessa o Ser.

Temos de submergir dentro do Ser, dentro  da Força Neutra, que está no fundo de cada um de nós, a Força do Espírito Santo, que nos instruirá, nos ensinará, só Ele poder nos dar a verdadeira Sabedoria…

Paz inverencial!

Samael Aun Weor