Início Site Página 11

O caminho iniciático no dia a dia

9

“A vida prática como escola é formidável, mas tomá-la como um fim em si é manifestamente absurdo.” (Samael Aun Weor)

Há escolas que enfatizam a ideia de que existem 12 caminhos, relacionados com as 12 constelações zodiacais. Existem instituições que supõem que os caminhos são 7.

Jesus, o Cristo, que foi o maior instrutor dos últimos tempos, não disse que existiam vários caminhos. Nós, que estudamos a fundo tanto os Quatro Evangelhos quanto os chamados Apócrifos (que realmente de apócrifos não têm nada), pudemos evidenciar, verificar, que em nenhum de seus ensinamentos figuram vários caminhos.

Quando investigamos Gurdjieff e seu discípulo Ouspensky, ou o senhor Collins, ou o doutor Nicoll, verdadeiros exegetas do Quarto Caminho, podemos evidenciar que realmente aceitam um só caminho.”
(Samael Aun Weor, em Os Quatro Caminhos)

Um Caminho Hermético e Secreto

Jesus, o Grande Cabir, disse: “Conhecei a verdade e ela vos libertará”. Mais além de nossas hipóteses, crenças, suposições ou teorias, está isto que se conhece como a VERDADE, a GRANDE REALIDADE: o manancial puro de vida, capaz de liberar-nos deste mundo de aparências, deste mundo relativo, deste mundo de ilusões.

Essa Verdade não é nem será, jamais, patente exclusiva de qualquer escola, credo, filosofia ou grupo social. Está mais além do tempo, e somente pode ser experimentada com plena manifestação da divina Consciência.

Adquirir essa preciosa joia (a Consciência) e mergulhar no oceano da GRANDE REALIDADE somente é possível vivendo, de instante em instante, os postulados, chaves e práticas que são e sempre foram ensinados pelo Gnosticismo Universal.

Essa atitude ante a vida, essa doutrina atemporal, leva o neófito pela mão por uma senda muito particular, uma senda misteriosa: o Caminho que leva ao Real.

Entretanto, sem querer de modo algum ferir delicadas susceptibilidades, devemos enfatizar a ideia básica de que no ambiente cultural-espiritual da humanidade contemporânea coexistem variadas instituições veneráveis, que acreditam muito sinceramente conhecer esse caminho secreto e que, entretanto, não o conhecem.

A Gnose é o Farol que ilumina nosso Caminho rumo ao SER DIVINO, nossa Realidade Última
A Gnose é o Farol que ilumina nosso Caminho rumo ao SER DIVINO, nossa Realidade Última

Permita-nos, leitor, a liberdade de dizer, com grande solenidade, que não queremos fazer crítica destrutiva: Enfatizamos, e é evidente que isso não é delito.

Obviamente, e por simples e profundo respeito para com nossos semelhantes, jamais nos pronunciaríamos contra nenhuma instituição.

Nenhum elemento humano poderia ser criticado pelo fato de desconhecer algo que nunca lhe foi ensinado. O Caminho Secreto jamais foi desvelado publicamente.

Em termos rigorosamente socráticos, diríamos que muitos eruditos que pretendem conhecer a fundo a Senda do Fio da Navalha “não só ignoram, como também ignoram que ignoram”. Não querendo indicar ou assinalar organizações espirituais de nenhum tipo e sem ânimo de ferir ninguém, diremos simplesmente que o ignorante ilustrado não apenas não sabe, como, além disso, não sabe que não sabe.

Em todos os livros sagrados da Antiguidade se faz alusão ao Caminho Secreto, ele é citado, nomeado em muitos versículos, mas as pessoas não o conhecem.

O propósito destes estudos é certamente desvelar, mostrar, indicar a senda esotérica que conduz à liberação final. Antes de mais nada, temos de querer uma mudança verdadeira, sair desta rotina aborrecida, desta vida meramente mecânica, cansativa…

O Caminho, Antigamente e Agora

É evidente que, devido à sua universalidade, os Sagrados Mistérios que hão de conduzir o homem à liberação final floresceram em todas as épocas pelas quais passou este planeta. Nos tempos já passados, não se entregava esse Conhecimento a ninguém que não tivesse previamente demonstrado um grande anseio por liberar-se, um extremo valor para enfrentar as adversidades e um profundo respeito por esses ensinamentos e tesouros, ainda secretos para ele.

A fim de orientar nossos queridos leitores, quero verter, nestas páginas, algumas lembranças de épocas ancestrais…

Se eu dissesse publicamente que recordo perfeitamente todas as minhas existências anteriores, talvez fosse motivo de zombaria entre os doutores da razão. Mas, para honrar a verdade, devo dizer a vocês que esse riso irônico não importa, nem a nós nem à ciência. Com justa razão dizia Victor Hugo: “Quem ri do que desconhece está a caminho de ser idiota”. Dar fé de tudo aquilo que realmente experimentamos diretamente é um dever para com nossos semelhantes, e esse é nosso único propósito.

Francamente, meu caso não é o único. Outras pessoas também recordam suas existências anteriores com clareza. Para nós, a reencarnação é um fato e não meras conjecturas da mente…

Pois bem, vocês devem saber que estive reencarnado na terra sagrada dos Faraós, durante a dinastia do faraó Quéfren. Conheci a fundo os antigos Mistérios do Egito secreto, e em verdade digo que jamais pude esquecê-los. Uma tarde qualquer, não importa qual, caminhando lentamente pelas areias do deserto, sob os ardentes raios do sol tropical, atravessei silenciosamente, como um sonâmbulo, uma rua misteriosa de esfinges milenares, diante do olhar exótico de uma tribo nômade, que de suas tendas me observavam…

À sombra de uma antiquíssima pirâmide, detive-me por um momento para descansar um pouco e arrumar com paciência as correias de uma de minhas sandálias. Depois, diligente, procurei ansiosamente a augusta entrada, eu queria retornar ao caminho reto. O guardião, como sempre, estava no umbral do Mistério. Impossível esquecer aquela figura hierática de rosto bronzeado e pomos salientes.

Esse homem era um colosso. Na mão direita empunhava com heroísmo a terrível espada, seu porte era todo formidável, e não há dúvida de que usava com pleno direito o mandil maçônico.

O interrogatório foi muito severo:

“Quem és?”
“Sou um suplicante que venho, cego, em busca da Luz.”
“O que desejas?”
“Luz.”

Seria muito longo transcrever aqui, dentro dos limites deste capítulo, todo o já conhecido exame verbal. Depois, de uma forma que qualifico de violenta, despojou-me de todo objeto metálico e até da sandália e da túnica. O mais interessante foi o instante em que aquele homem hercúleo me tomou pela mão para introduzir-me no Santuário. Foram inesquecíveis aqueles instantes em que a pesada porta girou sobre seus gonzos de aço, produzindo esse Dó misterioso do velho Egito.

O que ocorreu, depois, o encontro macabro com o “Irmão Terrível” (as provas do Fogo, Ar, Água e Terra) pode ser encontrado por qualquer iluminado nas memórias da Natureza.

Na Prova de Fogo tive de controlar a mim mesmo o melhor possível, quando atravessei um salão em chamas, cujo piso estava cheio de vigas de aço acesas em vermelho vivo. Era muito estreita a passagem entre aqueles tirantes de ferro ardente, mal havia espaço para colocar os pés. Por aqueles tempos, muitos aspirantes pereceram neste esforço…

Ainda recordo com horror aquela argola de aço encravada na rocha, ao fundo só se via o horrível precipício tenebroso. Contudo, saí vitorioso na Prova do Ar. Ali, onde outros pereceram, eu triunfei…

Passaram-se muitos séculos e ainda não pude esquecer, apesar do pó de tantos anos, aqueles crocodilos sagrados do lago. Se não fosse pelas conjurações mágicas, eu teria sido devorado por esses répteis, como sucedeu a muitos aspirantes…

Inumeráveis infelizes foram triturados e quebrantados pelas rochas na Prova da Terra, mas eu triunfei e vi com indiferença duas massas que ameaçavam minha vida, fechando-se sobre mim, como que para reduzir-me a poeira cósmica…

Certamente, eu não sou mais que um mísero verme do lodo da terra, mas saí vitorioso.

Assim foi, em verdade, como retornei à Senda da Revolução da Consciência, depois de haver sofrido muito.

Fui recebido no Colégio Iniciático, vestiram-me solenemente com a túnica de linho branco dos Sacerdotes de Ísis, e em meu peito foi colocada a Cruz Tao egípcia.

Todas essas provas iniciáticas eram realmente um filtro, para trás ficavam sempre os medrosos e curiosos. Os ensinamentos que o aspirante ia receber eram muito valiosos para que alguém os profanasse. Os sábios daqueles templos não podiam permitir que o Sagrado Mistério do Ser fosse vulgarizado ou tergiversado. Só o valor e o coração sincero triunfavam nessas provas.

Hoje em dia as provas mudaram. Já não se passam no mundo físico. A forma, e não o fundo, foi modificada. Os tempos em que vivemos assim o requerem.

Sendo o mesmo Ensinamento, a eterna Gnose, que se entregou em todos os Templos e Escolas Iniciáticas, atualmente o filtro para conhecê-la já não são as 4 Provas da Natureza do Antigo Egito ou outras provas que beneméritas instituições tiveram; o filtro é a própria barafunda de filosofias e credos das pseudoescolas, que confunde extremamente o sincero buscador do caminho que leva à Luz. Para o navegante inexperiente, na obscuridade da noite, não é nada fácil encontrar entre as estrelas aquela que lhe assinala o norte…

Amigo leitor, chegando a este ponto só podemos dizer-lhe uma coisa: investigue, comprove e verifique os postulados gnósticos. Não se conforme com crer ou não crer. Este ensinamento lhe proporcionará todas as chaves e práticas para que o corrobore por você mesmo. Só assim poderá saber com certeza se a Gnose é uma teoria mais ou realmente é esse “mapa do Caminho” que há de conduzir-nos à Grande Realidade que a tudo sustenta…

A Vida Rotineira

“É indispensável saber de onde viemos, para onde vamos, por que estamos aqui e para quê. Viver por viver, comer para existir, trabalhar para comer, não pode ser na verdade o único objetivo da vida… Indubitavelmente, temos de resolver o enigma de nossa existência, temos de entender o sentido da vida…

Assim, chegou a hora de saber quem somos. O corpo físico não é tudo, ver o organismo humano de qualquer pessoa não é haver conhecido em verdade o Ser…” (Samael Aun Weor, na conferência O Que Somos e o Que Devemos Ser)

Ainda que pareça incrível, é muito certo e totalmente verdadeiro que esta tão cacarejada civilização moderna é espantosamente feia, não reúne as características transcendentais do sentido estético, está desprovida de beleza interior. É exagerada a nossa presunção com estes horripilantes edifícios de sempre, que parecem verdadeiras ratoeiras.

O mundo tornou-se tremendamente tedioso, as mesmas ruas de sempre e prédios horripilantes por onde quer que se vá. Tudo isto virou rotina, no Norte e no Sul, no Leste e no Oeste do mundo. É o mesmo uniforme de sempre, horripilante, nauseante, estéril. Modernismo, exclamam as multidões.

Parecemos verdadeiros pavões vaidosos com o terno que vestimos e com os sapatos muito brilhantes, ainda que por toda parte circulem milhões de infelizes famintos, desnutridos, miseráveis.

A simplicidade e a beleza natural, espontânea, ingênua, desprovida de artifícios e pinturas vaidosas, desapareceu no sexo feminino. Agora somos modernos… Assim é a vida.

As pessoas tornaram-se espantosamente cruéis, a caridade esfriou e ninguém se apieda mais de ninguém.

As vitrines das luxuosas lojas resplandecem com luxuosas mercadorias, que, definitivamente, estão fora do alcance dos infelizes.

E a única coisa que os párias da vida podem fazer é contemplar sedas e joias, perfumes em luxuosos frascos e guarda-chuvas para tempestades. Ver sem poder tocar, suplício semelhante ao de Tântalo.

As pessoas destes “tempos modernos” tornaram-se demasiadamente grosseiras. 0 perfume da amizade e a fragrância da sinceridade desapareceram radicalmente.

As multidões gemem sobrecarregadas de impostos. Todo mundo está com problemas, nos devem e devemos, nos processam e não temos com que pagar, as preocupações despedaçam cérebros e ninguém vive tranquilo.

Os burocratas, com a “curva da felicidade” na barriga e um bom charuto na boca, no qual psicologicamente se apoiam, fazem malabarismos políticos com a mente, sem dar a mínima importância para a dor dos povos.

Ninguém é feliz hoje em dia, menos ainda a classe média, que se encontra entre a espada e a parede. Ricos e pobres, crentes e descrentes, comerciantes e mendigos, sapateiros e funileiros vivem porque têm de viver, afogam na bebida suas torturas e até se convertem em drogados para escapar de si mesmos.

As pessoas tornaram-se maliciosas, receosas, desconfiadas, astutas, perversas, já ninguém confia em ninguém. Diariamente inventam-se novas condições, certificados, papelada de todo tipo, documentos, credenciais etc., mas nada disso adianta. Os espertalhões zombam de todas essas tolices, não pagam, esquivam-se da lei, ainda que tenham de ir parar na cadeia.

Nenhum emprego dá felicidade. O sentido do verdadeiro amor se perdeu e as pessoas casam-se hoje e divorciam-se amanhã. A unidade dos lares se perdeu lamentavelmente. A “vergonha orgânica” já não existe. O lesbianismo e o homossexualismo tornaram-se mais comuns que lavar as mãos.

Saber algo sobre tudo isso, tratar de conhecer a causa de tanta podridão, inquirir, buscar, é certamente o que nos propomos na Gnose.

Inquietudes

É evidente que a toda essa vida rotineira e cruel, cheia de sofrimentos e dissabores, temos de acrescentar a grande frieza que existe nas pessoas, é o frio do que não tem importância, do superficial. As multidões creem que importante é o que não é importante, supõem que sério é a última moda, o automóvel último tipo ou a questão do salário mínimo. Chamam de sérios a crônica do dia, a aventura amorosa, a vida sedentária, o copo de bebida, a corrida de cavalos, a corrida de automóveis, o futebol, a fofoca, a calúnia etc.

Obviamente, quando o homem do dia ou a mulher do salão de beleza escutam algo sobre esoterismo, e como isso não está em seus planos nem em suas discussões ou em seus prazeres sexuais, respondem com um não-sei-que de frieza espantosa ou simplesmente retorcem a boca, levantam os ombros e se retiram com indiferença. Essa apatia psicológica, essa frieza que espanta, tem dois fundamentos: primeiro, a ignorância mais tremenda, e, segundo, a ausência mais absoluta de inquietudes espirituais.

Falta um contato, um choque elétrico, que ninguém lhe deu na loja, tampouco naquilo que se acreditava sério e muito menos nos prazeres da cama. Se alguém fosse capaz de dar ao frio imbecil ou à mulherzinha superficial o choque elétrico do momento, a faísca do coração, alguma reminiscência estranha, um não-sei-que demasiado íntimo, talvez então tudo fosse diferente…

Mas algo abafa a vozinha secreta, o chamado do coração, o anseio íntimo. Possivelmente qualquer bobagem, o bonito chapéu da vitrine, o doce delicioso de um restaurante, o encontro com algum amigo que mais tarde não tem para nós nenhuma importância etc.

Tolices que, não sendo transcendentais, têm, num dado instante, força suficiente para apagar a primeira inquietude espiritual, o anseio íntimo, a insignificante chispa de luz, a voz do coração que, sem saber por que, nos inquietou por um momento.

Se esses que hoje são mortos-vivos, frios notívagos do clube ou simplesmente vendedores de guarda-chuvas nas lojas da rua principal não tivessem sufocado a primeira inquietude íntima, seriam neste momento luminares do espírito, Adeptos da luz, homens autênticos no sentido mais completo da palavra.

A faísca, o toque no coração, um suspiro misterioso, um não-sei-quê…, foi sentido alguma vez pelo açougueiro da esquina, pelo engraxate ou pelo doutor de primeira categoria, mas tudo foi em vão, as tolices da personalidade sempre apagam a primeira faísca da luz; depois prossegue o frio da mais espantosa indiferença… Inquestionavelmente, cedo ou tarde as pessoas são engolidas pela Lua, esta é uma verdade incontrovertível.

Não há ninguém que não haja sentido alguma vez na vida um toque no coração, uma estranha inquietude. Infelizmente, qualquer coisa da personalidade, por tola que esta seja, é suficiente para reduzir a poeira cósmica isso que no silêncio da noite nos comoveu por um momento.

A Lua ganha sempre essas batalhas, ela se alimenta, nutre-se precisamente com nossas próprias debilidades. A Lua é terrivelmente mecanicista, o humanoide lunar, desprovido por completo de toda inquietude solar, é incoerente e se move no mundo de seus sonhos.

Se alguém fizesse o que ninguém faz, isto é, avivar a inquietude íntima, surgida talvez no mistério de alguma noite, não há dúvida de que com o tempo assimilaria a inteligência solar e se converteria, por tal motivo, em Homem Solar.

Isso é precisamente o que o Sol quer, mas essas sombras lunares, tão frias, apáticas e indiferentes, sempre são tragadas pela Lua, e depois vem a igualação da morte… A morte iguala tudo. Qualquer morto-vivo, desprovido de inquietudes solares, degenera terrivelmente de forma progressiva até que a Lua o devore.

O Sol quer criar homens, está fazendo esta experiência no laboratório da natureza. Infelizmente, tal experiência não lhe tem dado muito bons resultados, a Lua devora as pessoas.

Contudo, isto que estamos dizendo não interessa a ninguém, muito menos aos ignorantes ilustrados, eles se sentem “a mamãe dos pintinhos” ou “o papai do Tarzan”…

O Sol depositou dentro das glândulas sexuais do animal intelectual, equivocadamente chamado homem, certos germes solares que, convenientemente desenvolvidos, poderiam nos transformar em Homens autênticos.

Porém, por causa precisamente do FRIO LUNAR, o experimento solar torna-se espantosamente difícil. As pessoas não querem cooperar com o Sol e, por tal motivo, com o tempo, os germes solares involuem, degeneram e se perdem lamentavelmente. A chave-mestra da Obra do Sol está na dissolução dos elementos indesejáveis que levamos dentro.

Quando uma raça humana perde todo o interesse pelas ideias solares, o Sol a destrói porque já não lhe serve para seu experimento. Como esta Raça atual tornou-se insuportavelmente lunar, terrivelmente superficial e mecanicista, já não serve para o experimento solar, motivo mais que suficiente para que seja destruída…

Para que haja inquietude espiritual contínua, é necessário passar o Centro Magnético de Gravidade para a Essência, para a Consciência…

Infelizmente, as pessoas têm o Centro Magnético de Gravidade na personalidade, no café, no bar, nos negócios de banco, na casa de encontros ou na praça do mercado etc.

Obviamente, todas essas coisas são da personalidade, cujo centro magnético atrai todas essas coisas. Isso é incontrovertível e qualquer pessoa que tenha bom senso pode verificá-lo por si mesma e de forma direta.

Desgraçadamente, ao ler tudo isso, os velhacos do intelecto, acostumados a discutir demasiado ou a calar com um orgulho insuportável, preferem deixar de lado o livro com desdém e ler o jornal.

Uns quantos goles de bom café e a crônica do dia constituem um magnífico alimento para os mamíferos racionais. No entanto, eles se sentem muito sérios. Indubitavelmente, estão alucinados por suas próprias sabichonices, e essas coisas de tipo solar escritas neste livro insolente os incomodam muito. Não há dúvida de que os olhos boêmios dos homúnculos da razão não se atreveriam a continuar com estes estudos.

Conclusão: As Duas Linhas da Vida

“Encontramo-nos, de instante em instante, diante de dois Caminhos: o Horizontal e o Vertical…

É evidente que o Horizontal é muito concorrido, por ele andam “Vicente e toda a gente”, “o Sr. Raimundo e todo mundo”.

É evidente que o Vertical é diferente, é o caminho dos rebeldes inteligentes, dos Revolucionários…

Quando alguém se lembra de si mesmo, quando trabalha sobre si mesmo, quando não se identifica com todos os problemas e sofrimentos da vida, de fato vai pela Senda Vertical…”
(Samael Aun Weor, no livro Psicologia Revolucionária)

Qual é o objetivo real de nossa existência? Para que estamos aqui? Por quê? Isso é algo que devemos elucidar com claridade meridiana, algo que devemos pesar, analisar, examinar serenamente.

Com que objetivo vivemos no mundo? Sofremos o indizível, para quê? Lutamos para conseguir isso que se chama “pão, roupa e refúgio” e, depois de tudo, como ficamos? Em que resultam todos os nossos esforços? Viver por viver, trabalhar para viver e depois morrer, é por acaso uma coisa maravilhosa? Em verdade, amigos, faz-se necessário compreender o sentido de nossa existência, o sentido do viver.

Existem duas linhas na vida, uma que poderíamos chamar de Horizontal e a outra de Vertical, e formam cruz dentro de nós mesmos, aqui e agora, nem um segundo antes, nem um segundo depois. Necessitamos objetivar um pouco essas duas linhas.

A Horizontal começa com o nascimento e termina com a morte, diante de cada berço existe a perspectiva de um sepulcro, tudo que nasce deve morrer. Na Horizontal estão todos os processos do nascer, crescer, reproduzir-se, envelhecer e depois morrer. Na horizontal estão todos os vãos prazeres da vida, bebidas, fornicações, adultérios etc. Na horizontal estão a luta pelo pão de cada dia, a luta para não morrer, para existir sob a luz do Sol. Na horizontal estão todos esses sofrimentos íntimos da vida prática, no lar, na rua, no trabalho etc.. A linha horizontal não pode nos oferecer nada de maravilhoso…

Mas existe outra linha diferente, referimo-nos à Vertical. Nessa Vertical extraordinária, nessa escada maravilhosa, estão os distintos Níveis de Ser, estão os poderes transcendentais e transcendentes do Íntimo. Na Vertical estão os poderes esotéricos, os poderes que divinizam, a Revolução da Consciência etc.

Com as forças da Vertical podemos influir decisivamente sobre os aspectos horizontais da vida prática, podemos mudar totalmente nosso próprio destino, fazer de nossa vida uma coisa diferente, distinta, passar a ser algo totalmente diferente do que temos sido, do que somos, do que temos conhecido nesta amarga existência.

A Vertical é, portanto, maravilhosa, revolucionária por natureza, mas é necessário ter um pouquinho de inquietudes.

Antes de mais nada perguntamos a nós mesmos, e com isso perguntamos ao nosso caro leitor: estamos, por acaso, contentes com o que somos? Quem se sente feliz, no sentido mais completo da palavra? Quem se sente, realmente, plenamente feliz?

Devemos ser sinceros, nenhum de nós pode dizer que se sente em um oásis de bem-aventurança, temos inquietudes terríveis, dissabores, ansiedades, amarguras, sofremos muito e nosso coração palpita com uma intensidade tremenda…

No interior do ser  humano existem inúmeras contradições, bloqueios, traumas, fobias, maus hábitos e defeitos psicológicos que precisam ser eliminados, para que triunfe o Ser Divino. Esse Trabalho está simbolizado nos mercadores do templo que são expulsos por Jesus
No interior do ser humano existem inúmeras contradições, bloqueios, traumas, fobias, maus hábitos, complexos e defeitos psicológicos que precisam ser eliminados, para que triunfe o Ser Divino. Esse Trabalho está simbolizado nos mercadores do templo que são expulsos por Jesus

Necessitamos sair desta lama em que nos encontramos. Necessitamos, de verdade, mudar radicalmente; e isto só será possível se apelarmos aos poderes transcendentais da Vertical.

Quando alguém, que anda pela Horizontal, se lembra de si mesmo, de seu próprio Ser (sua realidade íntima); quando alguém se pergunta: “Quem sou? De onde venho? Para onde vou? Qual é o objetivo da existência?” Indubitavelmente, esse alguém entra pela senda Vertical, a senda da Revolução da Consciência, a senda que conduz ao Super-Homem.

Chegou a hora do Super-Homem, o animal intelectual realmente não é mais que uma ponte estendida entre o animal inferior e o Super-Homem. Necessitamos converter-nos em verdadeiros reis da criação, em amos de nós mesmos, em senhores de tudo o que é, de tudo o que foi e de tudo o que será…

É urgente uma mudança, uma transformação total. Urge sair o quanto antes deste cipoal, deste caos em que nos encontramos e no qual nos debatemos miseravelmente.

As leis da Terra jamais poderiam nos dar a paz, as leis da Terra nunca poderiam nos dar a autêntica felicidade que transforma radicalmente, as leis da Terra nunca poderiam nos dar a liberdade.

Assim, é urgente meter-nos pelo Caminho Vertical, que está dentro de nós mesmos, aqui e agora. Chegou a hora da Grande Revolução, da Revolução Psicológica, da Revolução em marcha, da Revolução que há de nos conduzir ao Super-Homem…

Amigos, reflitamos sobre o Super-Homem… É extraordinário entrar pela Senda Vertical revolucionária, que há de nos conduzir inevitavelmente à liberação final.

Quem é feliz hoje em dia? Não o somos, e não o seremos nunca se não nos dedicarmos a percorrer com firmeza a Senda Vertical. Não seremos felizes enquanto não cheguemos à altura do Super-Homem. Não seremos felizes enquanto não liberemos a Consciência do lodo doloroso deste mundo. Não seremos felizes enquanto não experimentemos Isso que é o Real, Isso que não é do tempo, Isso que é a Verdade…

O Início da Revolução Interior

Na Senda Vertical está a Revolução da Consciência. Quando alguém admite que tem uma psicologia própria, indubitavelmente começa a trabalhar sobre si mesmo, então, é óbvio que entra pela Senda Vertical…

Somos um verdadeiro enigma para nós mesmos, um enigma a decifrar, um enigma que temos de resolver, um enigma que temos de quebrantar. Lamentavelmente, não nos conhecemos, ainda que creiamos que sim.

Necessitamos ser sinceros com nós mesmos, necessitamos fazer a dissecação do “Mim mesmo”, do “Si mesmo”, do “Eu mesmo”, isto é, de todo este conjunto de elementos indesejáveis que levamos em nosso interior: Ira, Cobiça, Luxúria, Inveja, Orgulho, Preguiça, Gula etc.

Facilmente admitimos que temos um corpo físico, provido de órgãos, mas poucos compreendem de verdade que temos uma psicologia particular. Quando alguém entende que tem uma psicologia, começa a trabalhar sobre si mesmo, aqui e agora; quando alguém compreende que tem uma psicologia, inicia o processo de auto-observação psicológica.

Quem começa a observar a si mesmo converte-se de fato em indivíduo diferente, distinto de todos, completamente distinto. Mas as pessoas têm a tendência a admitir somente a questão física, o tridimensional, o corpo denso, porque o podem ver, ouvir, tocar e apalpar. Poucos em verdade são aqueles que sinceramente aceitam ter uma psicologia de tipo bem particular. Quando alguém aceita isso, de fato começa a se auto-observar, e isso o torna bem diferente diante do próximo. Observar-se para conhecer-se é transcendental e definitivo…

Quando alguém vem a conhecer a si mesmo profundamente, conhece os segredos do Universo inteiro. Na Senda Vertical nos propomos, antes de mais nada, a conhecer a nós mesmos, porque só conhecendo a nós mesmos conheceremos os mistérios do Universo que nos rodeia.

Na Senda Vertical, querido leitor, temos de fazer um inventário psicológico de nós mesmos para sabermos o que temos e o que nos falta. Há muita coisa em nós que devemos eliminar, muitos erros, muitos vícios e muitos defeitos… e também há muita coisa que devemos conquistar, muitas faculdades, muitas virtudes…

É evidente e qualquer um pode compreender que as duas linhas – Horizontal e Vertical – se encontram de momento em momento em nosso interior psicológico e formam cruz. Dentro de nós mesmos existe um ponto matemático. Não se encontra no passado, tampouco no futuro… Quem quiser descobrir esse ponto misterioso deve buscá-lo aqui e agora, dentro de si mesmo, exatamente nesse instante, nem um segundo à frente, nem um segundo atrás…

Os dois paus, o Vertical e o Horizontal, da Santa Cruz se encontram neste ponto…

A cada instante o ser humano se debate entre dois Caminhos: o Horizontal e o Vertical. É evidente que o horizontal não é difícil de viver. Igual a um tronco que sem esforço é arrastado pelas águas de um rio, assim o homem da Horizontal é arrastado pela vida. O Vertical, contudo, implica grandes esforços, há que se nadar contra a corrente. No Vertical encontramos o homem que pensa, sente e atua corretamente, e ninguém poderia negar que isso não é nada fácil.

Encontramo-nos, neste mesmo momento, entre duas opções. Se observarmos corretamente qualquer instante de nossa vida, captaremos sempre algo que deseja viver por viver, sem nenhum sentido transcendente, e, de forma oposta, é seguro que também encontramos alguma inquietação, um belo anseio, uma chispa de esperança por levar uma vida mais profunda, mais séria, definitiva, para despertar-nos para a Grande Realidade que a tudo sustenta.

Amável leitor, encontramo-nos então em uma grande encruzilhada… Filosoficamente, diríamos assim: SER OU NÃO SER, eis o dilema…

Os Diferentes Níveis de Ser

“Vocês, por acaso, já se deram conta de seu próprio Nível de Ser, do Nível de Ser no qual se encontram? Estão conscientes de que estão hipnotizados, de que estão adormecidos? Vocês já se deram conta de que se identificam, não apenas com as coisas externas, com o mundo exterior, mas que também andam identificados com vocês mesmos, com seus pensamentos luxuriosos, com suas bebedeiras, com suas iras, suas cobiças, com a vaidade, com a soberba , com o orgulho místico, com o automérito etc.?

Uma Reflexão

Vocês já se deram conta de que se identificaram não só com o exterior, mas também com isso que é a vaidade, com isso que é o orgulho? Por exemplo, vocês hoje triunfaram sobre o dia ou o dia triunfou sobre vocês? O que fizeram no dia de hoje, meus queridos irmãos? Que defeito psicológico eliminaram? Vocês estão certos de não terem se identificado hoje com algum pensamento mórbido ou algum pensamento cobiçoso, com o orgulho, com o insultador, com alguma preocupação, alguma dívida etc. etc. etc.?

Que fizeram no dia de hoje? Já se deram conta do Nível de Ser em que se encontram? Passaram a um Nível de Ser superior ou ficaram onde estavam? Que fizeram? A que se dedicaram no dia de hoje, meus caros irmãos? Vocês creem, por acaso, que é possível passar a um Nível do Ser superior se não eliminarmos defeitos psicológicos? Ou será que vocês estão contentes com o Nível do Ser em que atualmente se encontram?” (Samael Aun Weor, conferência O Segredo da Lua)

Na Senda Vertical estão os distintos Níveis de Ser. Quando alguém começa a trabalhar sobre si mesmo para eliminar tal ou qual defeito psicológico, indubitavelmente entra de fato e por direito próprio em um Nível Superior do Ser…

Ninguém pode negar que existem distintos níveis sociais: gente de igreja e de prostíbulo, do comércio e do campo etc.

Assim também existem distintos Níveis de Ser. O que somos internamente, esplêndidos ou mesquinhos, generosos ou tacanhos, violentos ou pacíficos, castos ou luxuriosos, atrai as diversas circunstâncias da vida…

Um luxurioso atrairá sempre cenas, dramas e até tragédias de lascívia nas quais se verá envolvido… Um bêbado atrairá outros bêbados e se verá sempre metido em bares e cantinas, e isso é óbvio… Que atrairá o usurário, o egoísta? Quantos problemas, prisões, desgraças?

Imaginemos por um momento uma vaca ao pé do estábulo: seu próprio Nível de Ser atrai sua própria vida. Se tirarmos a vaca do estábulo e a levarmos para nossa casa, se a colocarmos ali com uma camareira, a escovarmos muito bem e a enchermos de talco, a perfumarmos, nem por isso deixará de ser vaca.  Ela continuará com seus costumes de vaca e fará então de nossa bela casa um estábulo. O Nível de Ser de cada qual atrai sua própria vida.

Se tirarmos do meio da multidão um mendigo esfarrapado e o levarmos ao Palácio de Buckingham, para que viva ali ao lado da Rainha Elizabeth, ao princípio será atendido por muitos criados, será considerado um grande senhor, mas seu Nível de Ser atrairá sua própria vida. Logo, os criados daquele Palácio verão que o mendigo tem costumes bem diferentes dos do Palácio, verão que é avarento, que guarda o dinheiro de forma terrível, que não gasta jamais um centavo, nem para ajudar um amigo.

Perceberão sua irritabilidade, perceberão sua falta de escrúpulos, sua murmuração, como fala mal dos outros, que se vingará de seus inimigos etc. E, afinal, chegará o momento em que ele se verá só, em pleno Palácio de Buckingham, e, ainda que se vista da melhor maneira possível, continuará sendo o que é, um mendigo…

O Nível de Ser de cada qual atrai sua própria vida… um homem é o que é sua vida…

Muitos se preocupam em ter enorme quantidade de dinheiro e dizem: “Se eu ganhasse na loteria, minha vida seria bem diferente, com a Loteria Especial de Natal, tudo mudaria radicalmente…”

Mas isso é falso, completamente falso, porque o Nível de Ser atrai sua própria vida… Convém refletirmos sobre todas essas questões. Não é conseguindo enorme quantidade de dinheiro que vamos mudar nossa própria existência, não. O que necessitamos é passar a um Nível Superior de Ser.

Coloquemo-nos por um momento em um desses lugares estranhos da cidade, em uma dessas cidades perdidas, em um desses lugares onde vivem essas pessoas que invadem um terreno e da noite para o dia formam ali uma coletividade que chamaríamos de infra-humana.

Próximo a um bairro campestre da Cidade do México chegou um grupo dessas pessoas. Viviam em um terreno alheio que haviam ocupado, lutavam entre si diariamente, se embebedavam, se feriam mutuamente, se matavam, e aquele bairro, que antes vivia tranquilo, teve de passar por surpresas inauditas.

Diariamente, as patrulhas da polícia faziam soar ali suas sirenes, ouviam-se gritos de dor, de ódio, de ira etc., e aquelas pessoas infelizes continuavam, como sempre, sofrendo terrivelmente. Obviamente, seu Nível de Ser atraía sua própria vida.

Se um desses homens pudesse refletir, por um momento, ainda que fosse só por um instante, se tivesse se proposto a estudar a si mesmo, se tivesse descoberto seus defeitos psicológicos e ousado meter-se pela Senda Vertical revolucionária da Psicologia, obviamente haveria podido eliminar alguns defeitos, talvez a ira, possivelmente o ódio, o egoísmo, a murmuração etc.

Conclusão: mudaria seu Nível de Ser e, mudando seu Nível de Ser, seus costumes se refinariam. Indubitavelmente, então já não poderia entender-se com aquelas pessoas que o rodeavam, e essas pessoas tampouco se entenderiam com ele, precisaria fazer novas amizades e, simplesmente pela Lei de Afinidades Psicológicas, faria novas amizades.

Resultado: ao mudar de Nível de Ser mudaria sua vida, essas novas amizades possivelmente lhe trariam novas oportunidades. Mediante a inter-relação mudaria o aspecto econômico de sua própria existência, conseguiria um trabalho diferente, melhoraria notavelmente. Assim, o Nível de Ser de cada qual atrai sua própria vida…

Na Senda Vertical temos a oportunidade de mudar o nosso próprio Nível de Ser. Se eliminamos de nós mesmos os defeitos psicológicos, o resultado será extraordinário, porque, ao mudar nosso próprio Nível de Ser toda a nossa vida mudará também. Quando alguém muda radicalmente, muda também tudo o que o rodeia.

Essas circunstâncias incômodas da existência, as circunstâncias nada agradáveis da vida, não são mais que meras projeções do que acontece em nosso interior. Se mudamos em nosso interior, as circunstâncias externas mudarão também, mas, se não mudamos interiormente, as circunstâncias externas tampouco mudarão.

Já disse Immanuel Kant, o filósofo de Koenigsberg: “O exterior é o interior”. Em outras palavras, podemos esclarecer dizendo: “O exterior não é mais do que o reflexo do que somos interiormente”.

Se somos pessoas iracundas, se odiamos, se somos ciumentos, invejosos, perversos, as circunstâncias à nossa volta serão perversas, fatais, sinistras, podendo até figurar nos jornais de baixo nível. E, se somos pessoas decentes, se vivemos em harmonia com o Infinito, se respiramos paz, se irradiamos amor, felicidade, contentamento, as circunstâncias que emanaremos serão belas, teremos relações belíssimas, haverá harmonia com todos os que nos cercam…

Muitos se queixam dos problemas da vida: “Meu marido fugiu com outra”, diz a mulher; “minha esposa já não me ama”, diz o marido; “meu dinheiro não chega até o fim do mês”, diz alguém; “meu pai fica bêbado e bate na minha mãe”, diz o filho; “vão me mandar embora de casa e não tenho para onde ir”, diz outro; “meus filhos são delinquentes”, afirma com aflição uma mãe…

Todos querem resolver seus problemas, todos anseiam viver em paz, ter uma harmonia extraordinária, ter felicidade. Mas os que assim pensam não se dão conta de que a raiz de todos os problemas está em seu interior, de que esses problemas não são mais do que projeções de seu interior, de que de dentro deles estão saindo os problemas, porque um homem é o que é sua vida. Se não muda seu próprio Nível de Ser, se não muda sua vida interior, não mudará nada; o exterior não é mais que a projeção do interior…

Chegou a hora de entender isso. Querem a felicidade, mas, de onde vão tirá-la? Não querem admitir que a causa de tudo o que lhes acontece está dentro deles mesmos. Sim, cada qual leva as causas de seus sofrimentos dentro de si mesmo, e, enquanto as causas não se dissolvam, os sofrimentos tampouco se dissolverão. Todo efeito tem sua causa, toda causa provoca seu efeito.

Assim, se realmente queremos uma mudança radical, o que primeiro devemos compreender é que cada um de nós (seja branco, seja negro, amarelo ou vermelho, ignorante ou culto etc.) está em tal ou qual Nível de Ser.

É muito certo e totalmente verdadeiro que o Caminho Vertical é também o Caminho da Autorrealização, o Caminho que nos conduz à Verdade que a tudo sustenta, é o Caminho do Super-Homem, o Caminho onde se conquistam extraordinários poderes, atributos e dons.

Contudo, paciente leitor, esse Caminho longo, estreito e difícil começa aqui e agora, não fugindo das adversidades da vida, mas sim enfrentando-as com o propósito de melhorar nosso Nível de Ser.

Nunca conhecemos um verdadeiro asceta deste Caminho, um Mestre no Sendeiro do Conhecimento Secreto que fosse adúltero, fofoqueiro, iracundo ou invejoso.

Esse Caminho Iniciático requer que previamente mudemos nosso Nível de Ser. Aí então começa o Caminho.

De que nos serviriam os Poderes que Divinizam se dentro de nós ainda levamos o rancor, o ódio, o amor-próprio, a cobiça, o medo ou a ira?

Assim, nós que nos colocamos a caminhar pela Senda Vertical, antes de tudo nos propomos ao autodescobrimento, a conhecer nossos próprios erros para extirpá-los, para tirá-los de nós mesmos, porque só assim poderemos mudar fundamentalmente…

Samael Aun Weor, Conferência O Caminho Iniciático no Dia a Dia

Rabi’a al-Basri, a grande mestra sufi

2

Poucos estudiosos sérios da história do Islã sabem que as mulheres, ao menos nos primeiros séculos da Hégira, viviam no centro do espaço público, participando proativamente na vida da Umma (comunidade ou Eclésia islâmica). Participaram, inclusive, de campanhas guerreiras, como a famosa Umm Haram, que pertencia ao clã do profeta Muhammad, e que morreu corajosamente numa batalha em 649 d.C.

Outras mulheres desempenharam papéis fundamentais na história e no fortalecimento do Islã: seus nomes aparecem nas Cadeias de Transmissão dos hadith proféticos, formam parte da linhagem espiritual dos escritores, sendo reverenciadas como verdadeiras poetisas e filósofas gnósticas. Isso sem nos esquecermos das governantes, além das que foram companheiras, instrutoras ou discípulas de grandes mestres muçulmanos, como Fátima de Nishapur, a grande mestra de Bayazid Bistami, e Dhu’n Nun al-Misri, a que As-Sulami dedica consideráveis elogios; ou Shawana, que vivia em Al-Ubuya, que predicava o espírito do Alcorão majestosamente para as multidões. Para ouvi-la acorriam ascetas sufis e adoradores para ouvi-la e se extasiarem com seus sublimes ensinamentos esotéricos.

Temos também Al-Wahatiya Umm al-Fadl, segundo grandes mestres sufis, “única em seu discurso, seu conhecimento e seus arroubos místicos, e que era companheira de grandes mestres espirituais. Diz-se que o grande mestre sufi e imã Abu Sahl Muhammad Ibn Sulayman acudia às sessões místicas de Umm al-Fadl, juntamente com diversos outros líderes do mundo sufi, como Al-Razi, Al-Farraa e Abdala al-Muallim. E até mesmo o famoso Ibn Arabi tecia loas a essa grande mestra, comparando-a às grandes mestras ascetas de Córdoba. (Sim, existia uma ordem sufi feminina na Espanha islâmica, cujas mestras escreveram inúmeros manuscritos filosóficos em veneração ao Bem-Amado, ou seja, a Deus.)

rabia1

É importantíssimo conhecer a obra dessas grandes iniciadas islâmicas e se aprofundar na sua excepcionalidade, para quebrar o falso paradigma da atuação secundária das mulheres no universo islâmico, pois em nossos dias alimentam-se inúmeras fantasias do discurso ocidental sobre o Islã e seu aspecto esotérico.

As grandes mulheres místicas foram importantes não só no sufismo, senão na espiritualidade e na organização da sociedade islâmica em geral. Infelizmente, com o passar do tempo, o mundo islâmico assistiu à repressão de sua identidade feminina, coisa que as investigadoras muçulmanas designam como “a grande ocultação”, resultando na “tradição velada”.

A Grande Mestra Rabi’a

Uma das maiores mestras do sufismo é praticamente desconhecida no Ocidente, mesmo entre as pesquisadoras do feminismo. O historiador Tabuyo apresenta Rabi’a como um ser extraordinariamente emocional em sua concepção acerca do Amor: Parece conveniente situar-se esse amor em sua verdadeira dimensão, ou seja, um amor que não se confunde com sentimentalismos nem é uma projeção de perturbações mentais ou transtornos afetivos, senão um Amor sábio, régio, vigoroso, incondicional”.

Na verdade, não se tem muitos detalhes acerca da vida da mestra sufi Rabi’a. Os biógrafos têm baseado suas histórias em escrituras antigas que já não estão disponíveis atualmente. Uma mescla de lendas, milagres e contos populares recheiam sua biografia. Podemos ver, sem embargo, que era uma mulher de caráter excepcional, cuja vida esteve cheia de acontecimentos belos e extraordinários. Depois de ler sua biografia, teremos de tentar separar o que poder ser traços de sua vida do puro exagero piedoso.

Não obstante, todas as biografias são unânimes em afirmar o excelso caráter de Rabi’a al-Qaysiya, ou Rabi’a al-Adawiya, e o impacto que ela teve em seu tempo.

Rabi’a de Basra (714‐801 d.C.) viveu quase 90 anos onde hoje é o Iraque. Nasceu em um período extremamente turbulento, devido ao desenvolvimento do Islã. Somente 20 anos depois do falecimento do Profeta, o Islã havia se estendido por todo o Oriente Médio e Norte da África, num grau inaudito de crescimento para uma religião. Ou seja, em nenhum outro tempo houve uma propagação tão assombrosa do fervor e dos ideais religiosos. Porém, com esse crescimento apareceram os problemas.

Os seguidores do islamismo começaram a se afastar de seu enfoque inicial na Vida Interior, concentrando-se em seu lugar no trabalho de dirigir um império gigantesco. As imensas tarefas administrativas, políticas, educacionais e sociais mudaram fundamentalmente a prática do Islã. Um número considerável de religiosos, nesse ínterim, foi batizado com o nome de “sufis”, por tentarem manter o trabalho interior como alvo principal da prática islâmica. Dois membros sufis da época tiveram quatro filhos, dos quais a quarta era Rabi’a (que significa “a quarta”, por ser a caçula de quatro).

De acordo com Farid Uddin Attar, grande poeta iraniano e mestre sufi, os pais de Rabi’a, que se tornaram sufis, eram muito pobres. Depois do casamento, mudaram-se para os limites do deserto iraquiano, perto da cidade de Basra, onde procuraram estabelecer uma casa e viver modesta e piamente. Tiveram três filhas, e depois que a mãe ficou grávida pela quarta vez, o pai, Ismael, teve uma visão mística de que Rabi’a seria uma criança muito especial.

Quando Rabi’a nasceu, a casa estava completamente vazia de qualquer alimento ou demais provimentos. Não havia na casa nem sequer um pedaço de pano para envolver o pequeno bebê, tampouco uma gota de azeite para acender a lâmpada. A esposa gritou para seu esposo: “Por favor, vá aos vizinhos e rogue por algum azeite, de maneira que possamos ao menos ungir nossa filha e ter algo de luz”. Ismael se sentia envergonhado e se recusou a fazê-lo. Sua esposa continuou a chorar, e Ismael teve tanta vergonha da situação de pobreza que se sentou em um canto e pousou a cabeça entre as pernas. Dormiu e teve um sonho, uma visão do profeta Muhammad. Nesse sonho o Profeta lhe disse: “A menina que acaba de nascer é uma rainha entre as mulheres e será a intercessora para 70 mil de minha comunidade.

Amanhã mesmo deverás visitar Issa Zadan, o governador de Basra. Em um pedaço de papel escreve esta mensagem: “A cada noite você me envia cem bênçãos, e às sextas quatrocentas, porém na noite desta sexta você se esqueceu de mim. Como expiação, deve dar quatrocentos dinares ao homem que está trazendo esta nota, os quais terão sido licitamente ganhos”.

Quando acordou, Ismael comentou a experiência onírica à esposa. E no dia seguinte, viajou para o palácio de Basra, levando a carta ao governador. Então, a carta foi entregue a um emissário, que a repassou ao Emir. Quando o Emir dos Crentes leu a carta, ficou espantado: “Oh, isso é uma verdadeira mensagem de Allah, o Todo-Poderoso! É verdade, ontem, sexta-feira, me esqueci de orar as quatrocentas orações”.

O governador declarou, imediatamente: “Façam com que 2 mil dinares de ouro sejam distribuídos aos pobres da cidade, e que mais quatrocentos dinares sejam dados ao dono desta carta. Digam a esse mensageiro que eu ficaria muito feliz de me reunir com ele, ainda penso que não sou digno de convidá-lo a meu palácio. Ficaria feliz se o visse e varresse o chão com minha barba em sua presença… E digam-lhe que se precisar de algo, que me pode pedir sempre”.

Ismael deleitou-se em receber a preciosa quantia e imediatamente comprou algumas provisões para a casa e para a família, porém, boa parte de todo o dinheiro doado foi distribuída a famílias mais pobres do que eles…

Ao crescer e ter idade responsável, Rabi’a parte para o deserto para uma vida solitária, depois se instala em uma modesta casa na periferia de Basra, praticamente desprovida de tudo. Um biógrafo dessa mística sufi afirma que ela se fixou mais no isolamento da santidade do que na vida profana. Inclusive recusou-se a contrair matrimônio com um rico pretendente, a exemplo da Virgem Maria. Rabi’a respondeu que as riquezas trazem somente ansiedade e tristeza, enquanto a vida de entrega e doação mística traz a verdadeira paz…

Alguns Ensinamentos de Rabi’a

Um dia, uma multidão viu Rabi’a correndo apressada com uma tocha na mão e um balde de água na outra. Então perguntaram: Senhora do Outro Mundo, para onde vais? Que andas buscando? E ela contestou: Vou para o céu… quero atear fogo ao Paraíso e apara o fogo do Inferno. Assi, Inferno e Paraíso desaparecerão e só ficará Aquele a quem se busca.

Então, pensarão em Deus sem esperanças ou temores, e, deste modo, O adorarão verdadeiramente. Pois, se não existisse a esperança do Paraíso nem o temor ao Inferno, acaso não adorariam o Veraz? Não O obedeceriam? Não amariam a Ele por si mesmo?

Tu – disse Hassan a Rabi’a – conheces o porquê das coisas, porém, a nós não é dado conhecê-lo. Fala-me do que te foi revelado. E Rabi’a respondeu: Fui ao mercado com dois rolos de corda, os vendi por duas moedas para comprar comida. Colhi uma moeda em cada mão; não quis pô-las juntas para que não me desviassem da Senda Reta.

rabia2

Poemas de Rabi’a

Ó meu Deus…
Quantos bens me destinaste neste mundo,
Dai-os a teus inimigos,
E quanto me tenhas reservado no outro mundo,
Dai-os a teus amigos.
Porque a mim, Tu me bastas.

Perguntou-se a Rabi’a em que momento o servidor de Deus se encontra em um estado de abandono, e ela respondeu: Quando a desgraça o alegra tanto quanto a felicidade.

Rabi’a perguntou um dia a Al-Thauri: O que é para ti a generosidade? E ele respondeu: Para os filhos deste mundo é dar abundantemente de seus próprios bens. Para os filhos do Outro Mundo, é dar abundantemente de si mesmos… E Rabi’a contestou: Não, tu te equivocas. O que é então para ti, Rabi’a? A resposta dela: É servir com amor, sem esperar por isso nenhuma vantagem ou recompensa.

Conta-se que um dia Rabi’a recebeu a visita do Anjo da Morte. Quem és?, perguntou a mestra. O Anjo respondeu: Sou o demolidor das delícias, o que deixa para trás viúvas e órfãos. E Rabi’a: Por que te apresentas em teus aspectos mais cruéis? Poderias simplesmente dizer: Sou aquele que une o amante ao Amado!

Um dia, alguém perguntou a Rabi’a: Sou um pecador, minhas faltas e minhas desobediências são muitas, porém, se eu me arrependo, Deus me perdoará? Rabi’a contestou: Não! Só se primeiro Deus te perdoar é que tu te arrependerás. Quando pedimos perdão a Deus, primeiro deveremos perdoar nossa falta de sinceridade ao pedir perdão.

Arcano 1 – O Mago

0

O M A G O

Descrição e símbolos:

O Mago está ante uma Mesa com o Báculo de Poder, assinalando para cima e para baixo; sua roupa em forma de Triângulo. Na mesa está o Vaso ou Taça, a Espada Flamejante e a Lua; debaixo da Mesa a Íbis Imortal. Abaixo, nas Águas da Vida, a Pedra Cúbica de Yesod, a Pedra Filosofal. Acima, os Olhos do Pai, formando o Santo 8, símbolo do Infinito.

O Mago: O iniciado tem de trabalhar com os elementos indiferenciados que estão em cima da mesa; tem de coincidir as Três Forças Primárias da Natureza e do Cosmo num ponto dado para poder criar. Ser sábio, poderoso, mago e exorcista para alcançar a Coroa da Vida.

A Serpente em sua cabeça indica que é um Mestre autorrealizado. O Mago assinala a terra, indicando que a domina com a Ciência; assinala com o báculo para cima, para indicar que adquiriu esta Ciência elevando-se interiormente, isto é, cumpriu com o axioma alquimista da Tábua Esmeraldina: “Ascende da Terra ao Céu e desce do Céu à Terra”.

Também se quer expressar com isso outros axiomas universais: “Para subir, primeiro se tem de descer” e “Como é acima é abaixo e como é abaixo é acima”. Descer tem duas representações:

1ª – O sexo, a suprassexualidade, a Pedra Cúbica;

2ª – Os níveis inconscientes, infraconscientes e subconscientes.

O Vestido Triangular: com o vértice para cima assinala que está demonstrando seu perfil direito para indicar o Positivo e as Três Forças Primárias reunidas em Kether (a Unidade).

O Báculo: a Coluna e seus 7 chacras; poder e mando.

A Mesa: em forma de cubo, para representar a Pedra Cúbica. Nela aparecem os elementos com os quais se tem de trabalhar.

A Espada representa a Lei, o rigor, domínio, o Falo ou Lingam, o Fogo.

A Lua tem muitos significados, e neste caso representa que a Lua deve-se converter em Sol.

A Taça: o recipiente hermético, o Yoni Feminino. A mente e seu receptáculo, o cérebro, como elemento receptivo das mensagens que vêm da Consciência Superlativa do Ser.

O Íbis imortal está embaixo da mesa para indicar que por meio dele (do Fogo Sagrado) que se ordenam os elementos que estão sobre a Mesa. É a ave Fênix, o cisne Kalahamsa, o Espírito Santo simbolizando a força maravilhosa do Amor.

Os Olhos do Pai, na parte superior, representam o Infinito, o Santo 8. O caduceu de Mercúrio, os 8 Kabires que dirigem o planeta. O Santo 8 é o símbolo da vida e da morte, o Alpha e o Ômega, a Lei do Centro.

A Pedra Filosofal encontra-se nas Águas da Vida já lavrada, indicando-nos que esse é o trabalho que nos cabe realizar. Essa é “a pedra de tropeço e rocha de escândalo” que os edificadores do Templo desprezaram.

“E todos beberam a mesma bebida espiritual; porque bebiam da Pedra Espiritual que os seguia, e a Pedra era Cristo” (1ª Coríntios 4). “Edificai sobre o fundamento dos Apóstolos e Profetas, sendo a principal Pedra de ângulo o próprio Jesus Cristo”.

A ALTA MAGIA

O Mago está no exercício de seu Poder Mágico. Aqui nos encontramos no Sanctum Regnum da Magia. Necessitamos capacitar-nos nos Mundos Superiores, sermos verdadeiros esoteristas, cabalistas e teurgos. Magia vem de Magister = Mestre. É aprender a operar conscientemente sobre as Forças da Natureza e sobre o mundo interior. Há Magia Branca (Teurgia) e Magia Negra (Goécia). Não caiamos, portanto, na Magia Negra. Sempre peçamos ajuda ao Ser e às Forças Dévicas que dirigem os Elementais, sempre para o bem, o amor, a justiça e a ajuda aos demais.

ATRIBUTO DA DIVINDADE

O signaculum de três braços é um atributo de OCH, a Inteligência de Michael, Rei do Sol e do Raio. É o Selo dos Espíritos Olímpicos e Solares. Representa as três Forças Primárias da Natureza (Pai, Filho e Espírito Santo), convergindo num ponto para criar; é a Chama de Tríplice Incandescência. Na escritura silábica do Mediterrâneo Ocidental (400 a.C.) simboliza o som silábico Di (radical de Dios, Dieu, Deus), e em outros quer dizer “Essência, Espírito Divino”.

Fonema Egípcio

Relaciona-se com a letra A, a Águia representa o Ser; como símbolo do Logos, participa em muitos mitos da Criação em diferentes culturas, indicando o Fogo Fecundador das águas genésicas. A águia do Espírito caça nos terrenos purgatoriais para arrebatar a Alma às esferas do Fogo Universal. Ganimedes, transformado em águia, foi levado ao Olimpo.

A Águia traga a Serpente, igual Saturno-Cronos, para nos converter em Deuses.

Fonema Místico

Está relacionado com Júpiter, o Pai de todos os Deuses. Representa a Unidade da vida livre em seu movimento e síntese de todo o criado.

O Sefirote Kether

Realmente, cada um de nós tem no fundo da Consciência um Ancião Venerável, este é o Primeiro Logos. Os cabalistas o denominam Kether. O Ancião dos Dias é andrógino, isto é, homem e mulher ao mesmo tempo. A primeira e última síntese de nosso Ser. O Ancião dos Dias é a primeira emanação terrivelmente divina do Espaço Abstrato Absoluto.

É o primeiro e o último Mandamento, o primeiro e o último Mistério = o Mistério 24, que se resolve com o 6º e este com o 15º. O Pai está oculto em seu próprio Tear. O Ancião dos Dias é original em cada homem e é o Pai… “há tantos Pais nos Céus como homens na Terra”.

O Ancião dos Dias é o oculto do oculto, a misericórdia das misericórdias, a bondade das bondades, a raiz do nosso Ser, o “Grande Vento”.

A barba do Ancião dos Dias tem 13 mechas. A cabeleira do Ancião tem 13 cachos. O Arcano 13 é o Ancião dos Dias. Só vencendo a Morte podemos encarnar o Ancião dos Dias. As provas funerais do Arcano 13 são mais espantosas e terríveis do que o Abismo.

Só na presença dos Anjos da Morte, depois de sairmos vitoriosos nas provas funerais, poderemos encarnar o Ancião dos Dias. Quem o encarna é um “Velhinho” a mais na Eternidade.

A Deusa Asteca da Morte tem uma coroa de nove crânios humanos. A coroa é o símbolo do Ancião dos Dias. O crânio é a correspondência microcósmica do Ancião dos Dias no homem. Realmente, necessitamos uma suprema morte e uma suprema ressurreição para realizar o Ancião dos Dias em nós mesmos.

No mundo de Kether, compreendemos que a Grande Lei rege todo o criado. Desde o mundo do Ancião dos Dias vemos as multidões humanas como folhas arrastadas pelo vento. O Grande Alento é a Lei terrível do Ancião dos Dias. “Vox poluli, vox Dei”. Uma revolta social contemplada desde o mundo do Ancião dos Dias é uma Lei em ação. Cada pessoa e mesmo a multidão inteira se parecem com folhas desprendidas das árvores, arrastadas pelo Vento terrível do Ancião dos Dias.

As pessoas não sabem dessas coisas. As pessoas só se preocupam por conseguir dinheiro e mais dinheiro. Essa é a pobre humanidade sofrida, míseras folhas arrastadas pelo Vento, levadas pela Grande Lei.

O Ancião dos Dias é o nosso Ser Autêntico em sua raiz essencial. É o Pai em nós. É o nosso verdadeiro Ser. Nossos discípulos devem agora concentrar e meditar muito fundo sobre o Ancião dos Dias, e durante a Meditação devem provocar o sono.

Que a Paz reine em todos os corações. Não esqueçamos que a Paz é Luz; não esqueçamos que a Paz é uma essência que emana do Absoluto. É Luz emanada do Absoluto. É a Luz do Ancião dos Dias. Cristo disse: “Minha Paz vou dou, minha Paz vos deixo”.

DESEJA ADQUIRIR O AUTÊNTICO TARÔ EGÍPCIO? CLIQUE AQUI

Letra Hebraica

Aleph (A), quer dizer “Boi-Guia, Chefe”. O vocábulo se compõe de “Deus-
Boca”, isto é, “Verbo Divino”. É a Unidade e a Unicidade, o Uno e o Único, o Princípio Criador, a Natura Naturante, o Pai. O homem como Unidade Coletiva. Tem seu equivalente no Arcano 1: “O Mago Criador”. Valor numérico 1, a letra A; o Sol; a cor é o branco. Nota musical Dó; princípio alquímico; a pedra Filosofal e o poder volitivo da Mente posta a serviço do Íntimo. Desperta no ser humano aptidões para compreender, considerar, resolver problemas e dominar paixões.

Arcano 1

O Mago Criador no ato de Criar. Símbolo dos Mistérios do Boi-Guia cifrados na letra Aleph. Representa Unidade, o Princípio das coisas, o Pai, o Mundo como Manifestação, o Homem como Unidade viva, a Base, e a Razão de todos os atos.

O Arcano 1 é o Mago, o que inicia, o que começa, o Uno, é a Unidade, o Espírito Divino de cada pessoa, a Mônada ou Chispa Imortal de todo ser humano, de toda criatura. O 1 é a Mãe de todas as Unidades, o 1 se desdobra no 2, que é o próximo arcano, A Sacerdotisa.

No Arcano 1 entramos no Sanctum Regnum da Magia. É o Mago da Cabala, é óbvio que é o que começa qualquer coisa que se inicia na vida prática.

É fácil compreender que todo começo é difícil, há de se trabalhar duro, semear, para poder colher, por isso é que no Arcano 1 está a Unidade do Princípio Original, a origem de toda Unidade, porque tudo começa como 1.

A Unidade vem a ser a origem da Dualidade, ou do Binário, 1+1 = 2. Por último, nessa Unidade está a síntese realizadora do Ternário. A Unidade, o 1, é a Mônada Divina, o Primeiro Logos, é o Pai que está em segredo, e cada qual tem sua Mônada própria individual.

Dizia Madame Blavatsky que “há tantos Pais nos Céus como homens na Terra”. O Pai, por sua vez ou por si mesmo, desdobra-se na Mãe Divina; assim Ele e Ela são Brahma, porque Ela vem a ser o aspecto feminino d’Ele. Então vemos como a Unidade é a raiz do Binário, posto que este não existiria sem a Unidade.

Se não existisse a Mônada não existiria a Mãe Divina. A Mônada é a raiz da Dualidade. Há tantas mães nos Céus como homens na Terra, cada qual tem seu Deus Interior, ou seu Pai, e Mãe Celestial particular própria. Aclarando isto, compreende-se melhor por que a Unidade é a síntese realizadora do ternário e como e por que se produz.

Quando Jesus orava, orava ao Pai que está em segredo. Ele nos deixou uma oração que é o Pai-Nosso. Essa oração é cem por cento mágica, leva-se um par de horas para orar um Pai-Nosso, porque cada petição que se faz ao Pai é mágica. O erro das pessoas é rezá-la de forma mecânica, e assim, não tem nenhum resultado. Essa oração tem de ser detalhada, analisada. Para isso, há de se relaxar o corpo até que nenhum músculo fique tenso; então concentrar-se combinando a oração com a meditação.

As pessoas pensam que o “Pai Nosso que estais nos Céus” é um Senhor que está ali, sentado. Se refletirmos profundamente, descobriremos a Mônada, o número 1: a origem de todas as outras Unidades ou Mônadas.

É claro que a Mônada necessita algo na vida para poder se autorrealizar. O que é que a Mônada necessita? É o que averiguaremos à luz do sânscrito: necessita de Vajrasatva, seu significado é Alma Diamante. Esta é uma Alma que não tem o Eu, que eliminou todos os elementos subjetivos da percepção.

Esses elementos são os Eus, os 3 Traidores de Hiram Abiff:

Judas, o Demônio do Desejo, equivocadamente chamado de Corpo Astral;

Pilatos, o Demônio da Mente que se confunde com o Corpo Mental; e

Caifás, o Demônio da Má Vontade.

As escolas pseudoesotéricas ignoram tudo isso. Os elementos subjetivos das percepções são os Agregados, os diversos compostos do ser humano ou os diversos Demônios Vermelhos que constituem os Eus.

Enquanto não conheçamos a nós mesmos, nada poderemos saber de Alma e Espírito.

O nº 1 é Pensamento e Ação reunidos em perfeita harmonia, e estes, unidos à Vontade Individual Original, dão impulso formidável e um entusiasmo no que se empreende.

Semear para colher. Todo começo é difícil. Êxito rotundo ou com sacrifícios.

O número 1 como Princípio Absoluto Universal: a Mônada representa o Princípio da Unicidade, do indivisível e infinito, Deus.

Pitágoras disse: “É o Pai Criador de todas as coisas; o Pensamento criador das ideias. Pai e Mãe ao mesmo tempo, o Princípio Vivente que diferencia Substância-Espírito, é a Substância-Matéria para criar o Universo”.

Em geometria é relacionado com a Linha. Como princípio de formação no ser humano é o determinado, a Iniciação, o que insta para que as coisas sejam: a Vontade. É a identidade, a igualdade, a existência, a persistência.

Representa o Espiritual, a síntese de Luz e Obscuridade, a Inteligência, a aptidão para propor, considerar e resolver. É meditação, reflexão, decisão, obrando como trabalho na mão de obra e como volição no pensamento.

Promete domínio dos obstáculos, iniciativas felizes, dando força moral à Vontade para obedecer aos ditames do Pai, da Lei Divina, aos ditados do dever, segundo o que o dever manda e a empresa requer.

É como força atuante nas relações mundanas. “É o primeiro paradigma da fabricação mundana”, dizem os pitagóricos. Como tal, comunica aos números, com que se associa, a virtude de Criação, que se faz efetiva através do espírito empreendedor da pessoa que o tem no nome ou na data de nascimento. O estudante que se identifica com a Mônada conhece o Mistério da Paternidade.

Relaciona-se na Criação à Unidade: é o elemento masculino criador.
Planeta: Sol.
Signo zodiacal: Áries.
Nota musical: .
Cor: raio branco da Luz.
Metal: ouro.
Essência: lavanda.
Pedra: diamante.
Substância química: fosfato de potássio.
Elemento geométrico: ponto.
Corpo humano: plexo cardíaco, o coração e a cabeça.
Ideias: firmeza, originalidade, vontade, iniciativa, ânimo empreendedor.
Atributo modelador: Sol em Leão.

Leão é o trono do Sol, o signo do ouro, tanto alquímico quanto natural. Matéria receptiva do Espírito Masculino Universal. É a Morada dos Filhos da Chama, a quem a Bíblia chama de Tronos, é também a ordem mais exaltada dos signos zodiacais.

Em nós é o coração. O Homem Celestial, ou Mestre Interno, nos fala pela voz do coração, o homem terreno ou animal é a Mente. O Mestre ordena e a mente não obedece. Há de se aprender a orar e fazer a Vontade do Pai; aprender a escutar a Voz do Coração, a Voz do Silêncio.

Espiritual: é a síntese, a Iniciação nos Mistérios e o poder para decifrá-los e servir-se deles.

Mental: é o Poder volitivo da transformação e da coordenação, dá aptidão para considerar e resolver problemas, despertar e dominar paixões.

Físico: é a propensão à organização dos elementos naturais e o domínio de forças em movimento, dando aptidão para adquirir, dispor, criar, modelar e aplicar.

Axioma Transcendental: “Sê em tuas obras como és em teus pensamentos”.

Só é possível cumprir esse Axioma sendo consciente de si mesmo. Quando não se é consciente de si mesmo, quem pensa com o nosso martirizado cérebro, quem sente com o nosso dolorido coração?

Se quisermos unir-nos ao Ser, necessitamos mudar a maneira equivocada de pensar e estabelecer o Pensar Psicológico, isto é, pensar de acordo com as Ideias Superiores e, através de uma férrea disciplina, ir estabelecendo um Centro Permanente de Consciência.

Ao não ter um Centro Permanente de Consciência, nossas vontades egoicas, nossos pensamentos e emoções negativas são volúveis, inconscientes, mecânicas, são provenientes da multiplicidade egoica que carregamos dentro de nós. Se não mudarmos isso, ainda que tenhamos aspirações superiores, nossa vida se irá com suspiros e em ideais românticos. Por isso, o Apóstolo Santiago, em sua Epistola Universal, nos disse: “A fé sem obra é fé morta”.

Isso também se relaciona com a vida interior e a maneira como tratamos os outros interna e invisivelmente. O interior e o exterior devem corresponder-se como dois relógios, devem dar a mesma hora. Temos de ser consequentes com o que queremos fazer e ir trabalhando para consegui-lo. Conhecer nossos processos psicológicos (como pensamos, sentimos, atuamos) e mudarmos interiormente, quando necessário, se assim fizermos, nosso Ser irá se expressando pouco a pouco em nossas obras, em nossos pensamentos, em nossos sentimentos e em nossa vida, fazendo desta uma Obra-Prima.

Elemento de Predição para o Arcano 1:

Promete domínio de obstáculos materiais, novas relações sociais, iniciativas felizes, o concurso de amigos fiéis que ajudam o desenvolvimento dos projetos e amigos ciumentos que atrapalham.

FONTE: Tarô e Cabala – Samael Aun Weor

TARÔ EGÍPCIO – 22 Arcanos Maiores

0

Neste verdadeiro Curso de Tarô Egípcio do Portal Gnosisonline, ensinaremos sobre os 22 Arcanos do Tarô Egípcio, com uma releitura especial inspirada na Gnose do venerável mestre Samael Aun Weor, grande líder da Gnose contemporânea. As explicações referentes a cada Arcano, do 1 ao 22, são de autoria do Mestre Samael.

Clique nas imagens abaixo para estudar o conteúdo e os significados de cada uma das 22 lâminas (chamadas de Arcanos Maiores):

1
  

A Era de Aquário

57

Muito se disse, muito se discutiu sobre a Nova Era de Aquário, que se iniciou em 4 de fevereiro do ano de 1962.

Certas organizações pessimamente informadas sobre astrologia supõem que a Era de Aquário começou antes do dia 4 de fevereiro de 1962. Outras congregações pseudo-ocultistas estão ainda aguardando que se inicie a Era de Aquário.

Muitos supõem que a Era de Aquário se iniciará depois do ano 2000, baseados em que somente em cada 2 mil anos o Sol passa de um signo zodiacal a outro. Os que assim opinam creem firmemente que Jesus nasceu no ano 1º de Peixes, ou alguns anos antes, durante a Era de Áries.

Realmente, ainda que se diga que Jesus nasceu fisicamente há 1962 ou 1963 anos, isto é só uma opinião, porque em verdade ninguém sabe com absoluta segurança em que ano Jesus nasceu. Assim, baseado no nascimento de Jesus é impossível saber quando começa a nova Era de Aquário.

Seria impossível saber a data em que se inicia a nova era, se não tivéssemos o Livro do Zodíaco em nosso poder. Se abrirmos este livro, nele encontraremos uma lâmina maravilhosa, um mapa cósmico esplêndido. Este é o mapa cósmico do dia 4 de fevereiro de 1962.

No dia 4 de fevereiro diversos planetas formaram uma linha, onde uma das pontas tocou a Constelação de Aquário e a outra o centro galáctico

A maravilhosa conjunção planetária que se deu no dia 4 de fevereiro de 1962 acontece somente uma vez a cada 2.160 anos mais ou menos.

Cada vez que se inicia uma nova Era, os sete planetas reúnem-se em pleno congresso cósmico em tal ou qual signo zodiacal. Assim sucedeu no passado, assim sucederá no futuro, assim sucedeu no dia 4 de fevereiro de 1962. Foi maravilhoso o congresso cósmico do dia 4 de fevereiro de 1962.

Todos os astrônomos puderam estudar esse grande acontecimento cósmico, todos puderam comprovar de forma matemática que essa formidável conjunção se realizou na Constelação de Aquário; todos o viram, todos o comprovaram com seus telescópios e seus cálculos.

Temos de reconhecer que os astrólogos da Índia se equivocaram lamentavelmente acreditando que tal conjunção de mundos se realizaria na Constelação de Capricórnio.

Precisamente baseados nesse cálculo errôneo profetizaram o fim do mundo para essa data.

Em nossa Mensagem do Ano 1 da Era de Aquário, advertimos que os que assim pensaram e profetizaram se converteriam em motivo de riso do mundo inteiro. Citaremos, a propósito, os seguintes parágrafos da mencionada mensagem: “Os astrólogos que supõem que dita conjunção se realizará no signo de Capricórnio e não no de Aquário ficarão de fato confundidos e envergonhados diante dos sábios astrônomos dos quatro pontos cardeais da terra”.

“Existem por aí muitos pseudoastrólogos ignorantes que supõem que na mencionada data de 4 de Fevereiro o mundo se acabará. Esses são os que desacreditam a Astrologia, esses são os charlatães.”

Os fatos nos deram a razão porque a lógica estava do nosso lado. Os hindus disseram que a Deusa Kali salvou o mundo. Os jornalistas, que sabem tirar proveito de tudo, disseram que a Deusa Kali salvou o mundo, mas não salvou os astrólogos.

Assim, com todos esses erros nos cálculos se tem desacreditado miseravelmente uma ciência tão antiga como o mundo. Isso é realmente lamentável.

A realidade, a crua realidade, é que já estamos na Era de Aquário. Esta Era é governada pelo explosivo Urano, senhor da Casa de Aquário. Inevitavelmente, virá uma transformação total em toda esta ordem de coisas. A Ciência, a Filosofia, a Arte e a Religião deverão unir-se totalmente à luz da Gnose.

A Política passará por tremendas transformações, as guerras atômicas inevitavelmente produzirão muitos cataclismos e, por fim, um espantoso e terrível cataclismo planetário, o qual acabará com a Raça Ária.

Esse acontecimento não será o primeiro, tampouco o último. Recordemos a humanidade atlante e o continente atlante. As tradições arcaicas dizem que os atlantes se serviam de uma força misteriosa chamada VRIL, cujo abuso provocou a revolução dos eixos da Terra, a mudança do leito dos oceanos e a submersão da Atlântida. Esta energia, este Vril, é a mesma energia atômica.

A desintegração do átomo provocará, em grande escala, a decomposição do átomo em cadeia, resultando disso o retrocesso do planeta Terra até o seu passado arcaico. Desde o remoto passado a Natureza veio trabalhando com as forças de coesão molecular, agora nós trabalhamos com sua antítese, as forças de desintegração atômica, o que significa regresso para o caos, regresso para a nebulosa e, por consequência, a atualização dos cataclismos arcaicos.

Os fatos concretos estão nos dando razão, a lógica está do nosso lado. Por todas as partes está tremendo a terra. Há tremores na América, na Europa, no Oriente Médio, na Ásia, na África, na Oceania, nos fundos dos mares etc. Surgem espantosos ciclones que arrasam as cidades, nascem por todas as partes crianças monstros, aparecem enfermidades desconhecidas que a ciência não pode curar: tudo isso é o resultado das explosões atômicas.

Felizmente, os cientistas ainda não puderam dividir o elétron. Infelizmente, por fim o conseguirão, e isto sim, será mais grave. Quando o conseguirem, a destruição será pavorosa e alcançará até o mundo mental. Consequentemente, o terror infinito reinará, soberano, no planeta Terra.

A entrada do Sol em Aquário é maravilhosa e terrível ao mesmo tempo. Urano é explosivo e tremendamente revolucionário, e o animal intelectual chamado homem não está preparado para manejar semelhante tipo de forças tão explosivas e revolucionárias.

Qualquer má quadratura ou conjunção planetária no futuro poderá ser suficiente para que o homem se identifique totalmente com o raio negativo de Urano, e seguramente resultará disso a guerra atômica, a qual provocará o grande cataclismo planetário, depois de certo período de terremotos espantosos e horríveis acontecimentos.

As energias do Aguador influenciam diretamente o planeta Urano e as glândulas sexuais

Os homens que não querem a guerra têm trabalhado pela paz desde os antigos tempos, mas todo seu esforço foi inútil.

Todas as campanhas pela paz são inúteis. Toda propaganda pela paz é nula. Realmente, todas as conferências e tratados de paz não são mais do que hipocrisia e preguiça mental daqueles que não querem trabalhar em si mesmos para conseguirem a paz interior.

A guerra resulta de muitas causas que o homem ignora; algumas dessas causas estão dentro do homem, outras estão fora dele. As guerras devem-se a influências planetárias, a forças cósmicas, basta qualquer má posição dos astros, ou qualquer catástrofe cósmica, para que milhões de homens se lancem à guerra.

O homem não é capaz de resistir a essas forças cósmicas, porque francamente ainda não é homem. Se fosse homem de verdade, resistiria a essas tremendas forças cósmicas e então não haveria guerras. No entanto, infelizmente, o homem não é capaz de FAZER nada. O chamado homem é tão somente uma máquina movida por forças cósmicas.

Só o SER pode FAZER e o chamado homem ainda não possui o SER. O homem só têm em seu interior o EU e este não é o SER. Devemos distinguir entre o EU e o SER. O EU é múltiplo, é LEGIÃO. O SER é ÍNTEGRO, UNITOTAL.

O EU é formado por milhares de pequenos “eus” separados uns dos outros, que geralmente se desconhecem uns aos outros, e até combatem-se mutuamente. O homem é uma pluralidade e seu verdadeiro nome é LEGIÃO. O chamado homem ainda não tem uma Individualidade realmente definida. O chamado homem ainda não tem um SER PRÓPRIO, singular; o homem está dividido em legião de pequenos “eus”.

Esses “eus” lutam pela Supremacia, cada um deles querendo ser o senhor; cada desejo, o calor, o bom tempo, o frio, cada pensamento, dá nascimento a novos “eus”.

Trazemos os fatores da guerra dentro de nós; os eus da cobiça, da crueldade, do egoísmo, do ódio, etc., estão dentro do próprio homem. Quando estes eus forem dissolvidos à base de compreensão e santidade, quando o homem possuir o Fogo Sagrado, então terá encarnado seu verdadeiro Ser. Somente o Ser pode sobrepor-se às más influências planetárias. Somente o Ser pode controlar essas forças cósmicas que produzem a guerra.

Só quem possui o Ser pode ser chamado Homem de verdade.

Infelizmente, o animal intelectual é uma máquina adormecida, controlada pelas influências catastróficas do Cosmo. Toda máquina responde à força que a move. Milhões de animais intelectuais lançam-se à guerra movidos por forças secretas que eles desconhecem. Nestas condições, é claro e lógico pensar que as forças explosivas de Urano têm de trazer guerras atômicas inevitáveis. Os fatos concretos demonstrarão nossas afirmações.

O mais grave é que nenhuma propaganda pela Paz dará resultados. Nenhuma organização que trabalhe pela Paz poderá dar bons frutos.

As mais respeitáveis organizações que laboram pela Paz, em nome da Paz declararam a guerra. E então? Em que ficamos?

Atualmente, existem no mundo exércitos de paz em plena guerra. Isto é trágico e horrível, porém verdadeiro.

Temos de enfrentar o problema da paz de outro ângulo totalmente diferente. Devemos focalizar o estudo do homem em forma franca, sincera e definitiva, se é que realmente queremos a paz. Somente conseguindo a verdadeira PAZ INTERIOR podemos sobrepor-nos às influências que causam a guerra.

O Movimento Gnóstico, compreendendo o que significa entrar na Constelação de Aquário, se propõe a criar uma nova ordem que esteja em sintonia com Urano, em forma harmoniosa, clara e definitiva.

O Movimento Gnóstico pretende criar uma nova era de PAZ CONSCIENTE.

Somente conseguindo a verdadeira Paz Interior é que poderemos nos sobrepor às influências que causam a guerra

O Movimento Gnóstico luta pela AUTORREALIZAÇÃO ÍNTIMA do homem, porque compreende que somente com a autorrealização íntima pode o homem se sobrepor às influências cósmicas adversas que causam as guerras.

O Movimento Gnóstico está formando um novo grupo de homens verdadeiramente capazes de lutar contra a barbárie humana. Todos aqueles que entrarem no Movimento Gnóstico se converterão em verdadeiros paladinos da paz, após conseguirem sua autorrealização íntima.

A autorrealização íntima é a única coisa que pode nos dar paz verdadeira.

A entrada do Sol em Aquário exige autorrealização íntima. Necessita-se urgentemente de uma congregação, ou melhor dito, um novo grupo de homens realmente autorrealizados para estabelecer uma nova ordem e salvar o mundo.

A Grande Loja Branca do Tibete secreto vai tentar uma nova era de paz, e o Movimento Gnóstico é o veículo de expressão fundado pela Loja Branca Gnóstica para este propósito e finalidade. A Humanidade está totalmente perdida, mas a Loja Branca do Tibete secreto propõe-se fazer um último esforço a fim de salvar os perdidos.

Isto é semelhante ao doente que já está a ponto de morrer, e que, entretanto, o médico lhe dá medicamentos e faz o que pode, mesmo quando o caso já esteja PERDIDO.

Ain Sof, o átomo superdivino dentro de nós

2

É necessário compreender, é urgente saber, que no pobre animal intelectual equivocadamente chamado homem há três aspectos perfeitamente definidos:

O primeiro deles é isso que se chama Essência e no budismo zen chamam de Budata. O segundo aspecto é a Personalidade, a qual em si mesma não é o corpo físico, ainda que se utilize desse veículo para sua expressão no mundo tridimensional. O terceiro aspecto é o Diabo, o Eu Pluralizado dentro de cada um de nós, o Mim Mesmo.

A Essência, o Budata, dentro do homem é quem tem verdadeira realidade, isso que lhe é próprio. A Personalidade é aquilo que não lhe é próprio, o que vem do mundo exterior, o que aprendeu no lar, na rua, na escola etc. Quanto ao Eu Pluralizado, ele é esse conjunto de entidades diversas, distintas, que personificam todos os nossos defeitos psicológicos.

Ain-Soph-gnosisonline

Além da máquina orgânica e desses três aspectos que se manifestam por intermédio dela, existem inúmeros Princípios Espirituais, Substâncias e Forças que, em uma última síntese, emanam do Ain Sof. E o que é esse Ain Sof?

Nós dizemos, de maneira abstrata, que é a Não Coisa sem limites e absoluta. Sem dúvida, é necessário particularizar e concretizar algo mais para que haja maior compreensão.

Ain Sof é o nosso Átomo Superdivino, singular, especial, específico e Superindividual. Isso significa, em última análise, que cada um de nós não passa de um átomo do Espaço Abstrato Absoluto. Esta é a Estrela Interior, atômica, a qual sempre sorriu para nós.

Certo autor dizia: levanto meus olhos para o alto, para as estrelas, de onde haverá de chegar auxílio, porém, eu sigo sempre a estrela que guia meu interior.

Claro que esse Átomo Superdivino ainda não está encarnado, porém, encontra-se intimamente relacionado com o chacra Sahasrara, o lótus das mil pétalas, o magnético centro da glândula pineal.

Experimentei diretamente o Ain Sof quando me encontrava em estado de meditação profunda. Um certo dia, não importa qual, atingi o estado que na Índia se conhece como Nirvi Kalpa Samádhi, e minha alma se absorveu totalmente no Ain Sof para viajar pelo Espaço Abstrato Absoluto. A viagem iniciou na glândula pineal e depois continuou no seio profundo do espaço eterno…

E vi a mim mesmo além de toda galáxia de matéria ou de antimatéria, convertido em um simples Átomo Autoconsciente. Que feliz me sentia na ausência do Eu! Sentia-me além do mundo, da mente, das estrelas e das antiestrelas.ain-soph2-gnosisonline

Aquilo que se sente durante o Samádhi é inexprimível, somente experimentando-o se compreende. E entrei pelas portas do templo, embriagado de êxtase. Vi e ouvi coisas que as animais intelectuais não lhes é dado compreender.

Queria falar com alguém, com algum sacerdote divino, e o consegui, e assim pude consolar o meu dolorido coração.

Um daqueles tantos átomos autorrealizados do Ain Sof (o Espaço Abstrato Absoluto), aumentou o seu tamanho e assumiu, diante de minha insólita presença, a veneranda figura de um Ancião dos Dias. Da minha laringe criadora brotaram palavras espontâneas que ressoaram no espaço infinito e perguntei por alguém que no mundo das formas densas conhecia.

arvore-da-vida-cabala-gnosisonlineA resposta de tão ínclito Mestre Atômico foi certamente extraordinária: “Para nós, habitantes do Ain Sof, a mente humana é o que é o reino mineral para vós”. E acrescentou: “Nós examinamos a mente humana da mesma forma como vós examinais qualquer mineral”.

Em nome da verdade, devo dizer que a resposta me causou espanto, assombro, admiração, estupefação… A demonstração veio depois.

Aquele Amador Essencial estudou a mente da pessoa por quem perguntara e me deu informação exata. Já se passaram muitos anos, mas jamais me esqueci daquela experiência mística.

Tive a sorte de conversar com um Cabir Atômico além dos Universos Paralelos, no Ain Sof. Mas, nem todas essas estrelas atômicas do Firmamento espiritual estão autorrealizadas.

O Átomo-Gênese, Ain Sof, de qualquer pessoa que não tenha fabricado seus Corpos Solares na Forja Incandescente de Vulcano, é muito simples, não contém outros átomos.

O contrário acontece com os Átomos-Gênese autorrealizados que, nas ciências ocultas, são chamados de Ain Sof Paranishpanna: eles contêm dentro de si mesmos quatro átomos sementes que na alquimia são representados simbolicamente pelas seguintes quatro letras: C. O. N. H. (Carbono, Oxigênio, Nitrogênio e Hidrogênio).

Uma noite de verão qualquer, interrogava a um grupo de estudantes gnósticos, dizendo-lhes: se no final do Mahavântara devemos desintegrar os Corpos Solares fabricados com tantos esforços na Nona Esfera, então para que os fabricamos? Nenhum dos irmãos pôde dar a resposta certa e coube a mim explicar.

Quando chega a Noite Cósmica, o Grande Pralaya, o Ain Sof absorve as três forças primárias e desintegra os quatro corpos, porém, retém e atrai para a sua esfera interior os quatro átomos sementes correspondentes aos quatro corpos.

super-atomo-ain-sof-gnosisonline

Assim, dentro do Ain Sof Paranishpanna, isto é, Autorrealizado, estão as três forças primárias e os quatro átomos sementes.

A letra C simboliza o corpo da Vontade Consciente. A letra O corresponde ao veículo da Mente Cristo. A letra N relaciona-se com o Astral Solar e a letra H alegoriza o corpo Físico.

Na aurora do Mahavântara, Dia Cósmico, o Ain Sof Paranishpanna reconstrói seus quatro corpos mediante seus correspondentes átomos sementes. Os quatro corpos constituem o Mercabah hebraico, o carro dos séculos, o veículo solar do Ain Sof Paranishpanna, o Não Coisa, sem limites e absoluto.

Os quatro corpos assumem a forma do Homem Celeste manifestado, o veículo de manifestação e de descida no mundo dos fenômenos.

Helion Melion Tetragrammaton

0

Poderoso Mantra de proteção psíquica e limpeza da aura

(Tratado de Medicina Oculta, Samael Aun Weor) Quando traçardes ao vosso redor o círculo mágico, seja com a espada ou unicamente com a vontade e a imaginação unidas em vibrante harmonia, ou com ambas ao mesmo tempo, pronunciai os mantras seguintes:

HELION MELION TETRAGRAMMATON

Com o círculo mágico e o pentagrama esotérico, o mago se defende dos ataques dos demônios.

TETRAGRAMMATON, para proteger nossos corpos sempre que estivermos realizando qualquer prática naquele local específico que usamos para meditação, ou quando vamos realizar uma projeção astral, ou simplesmente quando vamos descansar, é de vital importância.

Vamos explicar o significado do mantra Helion Melion Tetragrammaton:

Esse mantra está relacionado a יהוה, o Tetragrammaton, que, como vemos, está no lado esquerdo de העליון מעליון (Helion Melion).

As letras hebraicas יהוה (Yod Hei Vav Hei) são as quatro letras que formam o nome sagrado, geralmente traduzido como Jeová. No entanto, em termos gnósticos e cabalísticos, pronunciamos יהוה como Yod-Havah (o Pai-Mãe).

Em hebraico, a palavra העליון (Helion) significa “o mais alto”, e מעליון (Melion) significa “sobre o mais alto”.

Assim, quando dizemos Helion Melion, estamos afirmando: “O mais alto do mais alto”, que é יהוה (Yod-Hei-Vav-Hei, Yod-Havah, o Tetragrammaton).

“Se vires a opressão dos pobres e a perversão violenta da justiça e da retidão em um governo, não te admires do assunto… porque o mais alto vigia sobre outro mais alto, e há ainda (quatro) elevados que vigiam sobre eles.” – Eclesiastes 5: 8

Somente estudando Cabala/Árvore da Vida podemos descobrir o que realmente significa “o mais alto sobre o mais alto”.

O pentagrama simboliza o Cristo, o ser autorrealizado, ou o Cristo feito ser humano. Em aramaico, זְעֵיר אַנפִּין (Zeir Anpin) significa “Rosto Menor / Pequeno Rosto”, chamado de Microprosopus na Cabala, que é o Filho de Deus representado no pentagrama. Assim, o pentagrama é um símbolo do Filho de Deus. Para compreender o significado das palavras gregas Pentagrama e Tetragrama, devemos estudar a Árvore da Vida.

Da mesma forma, para compreender Helion Melion Tetragrammaton, é necessário estudar a Árvore da Vida, pois assim entendemos melhor o que está sendo explicado aqui.

Em grego, o Logos Solar, o Ain Soph Aur, é chamado de Cristo. No entanto, no antigo Egito, quando os iniciados se dirigiam ao Cristo, o Ain Soph Aur, eles o chamavam de RA (Ré).

No Egito antigo, quando se referiam aos três aspectos do primeiro triângulo da Árvore da Vida — Kether, Chokmah e Binah —, os três juntos eram chamados de Osíris.

Para se referirem a esses quatro aspectos juntos — o Ain Soph Aur ou RA, mais as três forças primárias ou os três Sephiroth do primeiro triângulo da Árvore da Vida lá no Alto —, os antigos egípcios os chamavam de Osíris-RA. Em grego, eles eram chamados de Tetragrammaton.

Osíris-Ra é precisamente o grande nome que encontramos no Livro dos Mortos. Assim, Osíris-Ra, como יהוה, refere-se a Kether, Chokmah, Binah e o Ain Soph Aur como um só…

Nota do tradutor: Portanto, quando pronunciamos de forma concentrada, venerando e adorando ao LOGOS SOLAR, e ao mesmo tempo mantralizamos o HELION MELION TETRAGRAMMATON, terminamos abrindo um CANAL DE COMUNICAÇÃO entre o Mundo do Logos e o mundo do ser humano aqui neste mundo tridimensional.

Podemos, então, afirmar que tanto o mantra HELION MELION TETRAGRAMMATON (o supremo mantra do Ocidente) e o mantra KLIM KRISHNAYA GOVINDAYA GOPIJANA VALLABAYA SUÁHA (o supremo mantra do Oriente) são de enormes poderes crísticos que podemos nos proteger, abençoar e guiar…

Nota do tradutor: Esse mantra sagrado pode ser verbalizado continuamente ou em pensamento… Imagine uma LUZ BRANCA esplendorosa ao seu redor…

Mecanismos do eterno retorno

4

Vamos estudar a Lei do Eterno Retorno de todas as coisas. Na hora da morte, chega sempre diante do defunto o  “Anjo da Morte”, que é uma legião que trabalha de acordo com a Grande Lei.

Três coisas vão ao cemitério:

1º O cadáver físico.
2º O corpo vital, que sai do corpo físico na última expiração e fica flutuando diante do sepulcro e vai se decompondo lentamente à medida que o corpo físico se desintegra.
3º A  “ex-personalidade”, que às vezes pode escapar da tumba e perambular pelo cemitério ou dirigir-se a alguns lugares que lhe sejam familiares. A mesma também vai se dissolvendo lentamente através do tempo. Não existe nenhum amanhã para a personalidade do morto, aquilo que continua que não vai ao sepulcro é o Ego.

A Eternidade abre a sua fauce para tragar o Ego e logo o expele, o devolve ao tempo. No mesmo instante da morte, no momento em que o defunto exala o seu alento, projeta um desenho eletropsíquico, que continua nas regiões suprassensíveis da Natureza, e mais tarde vem a entrar num ovo fecundado na matriz, e assim, ao regressar, reincorpora em novo corpo físico, possuindo as características muito similares às da vida anterior.

Ao regressar no novo veículo físico, entra em ação a Lei do Karma, os Anjos da Vida se encarregam de conectar o Cordão de Prata, com o espermatozoide fecundante. Inquestionavelmente, milhões de espermatozoides escapam no instante da cópula, mas só um deles tem o poder suficiente para penetrar no óvulo a fim de realizar a concepção.

Essa força de tipo muito especial não é um produto do acaso ou do azar. O que acontece é que está sendo impulsionado desde dentro, por um Anjo da Vida, que, nesses instantes, realiza a conexão da Essência que retorna.

A Essência fica conectada com a célula germinal por meio do Cordão de Prata, e assim, a célula se divide em dois, em quatro, em oito e assim sucessivamente, completando a gestação fetal. Entretanto, é a energia sexual que se converte em agente básico para a tal multiplicação celular.

O desencarnado prepara-se para tomar um novo corpo físico, não penetra  no feto, só vem a reincorporar-se no instante em que a criatura nasce, no momento preciso em que se realiza a sua primeira inspiração. Muito interessante é observar a última expiração do moribundo acontece o desencarne e com a primeira inspiração reingressamos ao novo organismo.

É um absurdo afirmar que se escolhe de forma voluntária o lugar onde se deve renascer; na realidade é muito diferente, são precisamente os Senhores da Lei, os Agentes do Karma, que selecionam para nós o lugar exato, a família, a nação etc., onde devemos nos reincorporar. Se o Ego pudesse escolher o lugar, a família etc., para a sua nova incorporação, então os ambiciosos, os orgulhosos, os avarentos, buscariam os palácios, as casas dos milionários, as ricas mansões, com leitos de plumas e rosas, desta forma, o mundo só seria riqueza e suntuosidades, não haveria pobres, não haveria a dor nem a amargura, ninguém pagaria Karma, todos nós poderíamos cometer os piores delitos sem que a Justiça Celestial nos alcançasse…

A crua realidade dos fatos é que o Ego não tem direito de escolher o lugar e a família onde deve nascer; cada um de nós deve pagar o que deve. Escrito está que “quem semeia raios colherá tempestades”. É, pois, muito lamentável que tantos escritores famosos da espiritualidade contemporânea afirmem de forma enfática que cada um de nós tem o direito de escolher o lugar onde deve nascer.

O que existe além da sepultura é algo que somente os homens despertos podem conhecer, aqueles que dissolveram o Ego, pessoas verdadeiramente conscientes.

No mundo existem muitas teorias de tipo espiritualista, ou materialista, entretanto, ambas têm a faculdade de investigação demasiadamente estreita e limitada, pois os processos da lógica não são convincentes, pelo fato de elas não conhecerem verdadeiramente nada do que existe além da morte.

O famoso filósofo Immanuel Kant dizia, na sua obra Crítica da Razão Pura, que a razão por si mesma não pode conhecer a Verdade, sobre o Real, sobre Deus. Temos de descartar a razão como elemento de cognição idônea pra o descobrimento do Real.

Arquivados os processos racionais nesta questão de metafísica prática, construiremos uma base sólida para a verificação disso que está além do tempo, daquilo que continua e que não pode ser destruído pela morte do corpo físico.

Estou asseverando o que me consta, algo que experimentei na ausência da razão. Não é demais lembrar aos meus amigos que me lembro de todas as minhas existências anteriores.

Nos tempos antigos, antes da submersão do continente da Atlântida, as  pessoas tinham desenvolvida essa faculdade  que tem o nome de “percepção instintiva das verdades cósmicas”. Depois da submersão desse continente, a preciosa faculdade entrou num  ciclo involutivo e se perdeu totalmente.

É possível regenerar essa faculdade mediante a dissolução do Ego. Conseguido tal propósito, poderemos verificar por nós mesmos, de forma autoconsciente a Lei do Eterno Retorno das Coisas, nos permitindo experimentar o Real, isso que continua além da morte do corpo físico, como eu possuo essa faculdade desenvolvida posso afirmar com total autoridade o que acontece, o que vivi, o que está mais além etc.

Falando sinceramente e com o coração na mão, posso dizer-lhes o seguinte: os defuntos vivem normalmente no “Limbo”, na antessala do Inferno, na região dos mortos (ou Astral Inferior), uma região plenamente representada por todas essas grutas e cavernas subterrâneas do mundo, que, unidas ou entrelaçadas intimamente, formam um todo em seu conjunto.

É lamentável o estado em que se encontram os defuntos, se parecem com sonâmbulos, possuem a Consciência completamente adormecida, perambulam por todas as partes e acreditam firmemente que estão vivos, ignorando suas mortes.

self-exploration-involution

Depois do desencarne, os briguentos continuam com as suas brigas; os bêbados, nas cantinas; as prostitutas nos prostíbulos etc. Seria impossível que pessoas desses níveis, sonâmbulos, completamente adormecidos, inconscientes, pudessem escolher o lugar  onde devam nascer. O natural é que nasçam e morram sem saber a hora ou como, completamente inconscientes.

As sombras dos falecidos são muitas, os desencarnados são um monte de sombras inconscientes, um monte de larvas que vivem no passado, que não se dão conta do presente, que estão presos nos seus dogmas, nas coisas rançosas de ver, nas ocorrências dos tempos idos, nos afetos, nos sentimentalismos da família, nos interesses egoístas, nas paixões animais, nos vícios etc.

Ao renascer, a Essência expressa-se durante os primeiros três ou quatro anos da infância, e então, a criatura tão bela é sublime, inocente, feliz, porém, desafortunadamente, o Ego começa a lhe expressar pouco a pouco, e aos 7 anos de vida já tem uma nova personalidade totalmente criada.

É indispensável compreender que a nova personalidade é criada precisamente nos primeiros sete anos da infância e que se robustece com o tempo e com as experiências. A personalidade é energética, não é física como pretendem muitas pessoas, e depois da morte se decompõem lentamente no cemitério, até desintegrar-se completamente.

Quão felizes seríamos se não tivéssemos o Ego, se só nos expressássemos pela Essência; não haveria dor, a Terra seria um paraíso, um Éden…

O retorno do Ego a este mundo é verdadeiramente asqueroso, horripilante, abominável, porque o Ego em si mesmo irradia ondas vibratórias sinistras, tenebrosas, nada agradáveis.

Eu digo que toda pessoa que não dissolveu o Ego é mais ou menos negra, ainda que esteja caminhando na Senda da Iniciação, ainda que se presuma ter santidade e virtude.

É incessante o retorno de todas as coisas, é uma lei da vida e isso o podemos verificar de instante a instante e de momento em momento. Retorna a Terra ao seu ponto de partida a cada ano, e então celebramos o ano novo, retornam todos os astros ao seu ponto de partida original, retornam os átomos dentro das moléculas ao seu ponto inicial, retornam os dias, as noites, as quatro estações, retornam os Ciclos, Kalpas, Yugas, Mahavântaras etc. É, pois, a Lei do Eterno Retorno, algo indiscutível, irrefutável…

A personalidade tem maior duração que o Corpo Vital, e quero com isso afirmar que o Corpo Vital vai se decompondo conforme o físico vai se desintegrando na sepultura. Não é exagerado de modo algum afirmar que a personalidade descartada pode sobreviver por séculos inteiros. Estou falando agora algo que vocês poderão estranhar, eu posso contar  até dez personalidades correspondentes a mim mesmo, ou seja, os dez retornos de um mesmo Ego, e eu os tenho visto  reunidos entre si, por afinidades psíquicas, trocando opiniões subjetivas.

Sem dúvida, quero esclarecer isso, para que não haja confusões. Eu digo que não se nasce com a personalidade, que a mesma se forma nos sete primeiros anos de vida da infância. Pensem, agora, por um momento, o Ego que depois de cada retorno escapa do corpo físico, mas deixa para trás a personalidade.

Por exemplo, se reunirmos dez retornos, teremos dez personalidades diferentes, e estas podem se reunir por afinidade para fazer o intercâmbio de opiniões subjetivas.

Indubitavelmente, tais “ex-personalidades” vão se debilitando pouco a pouco, se extinguindo paulatinamente, até desintegrarem-se totalmente. Entretanto, as lembranças de tais personalidades continuam no Mundo Causal, nos Arquivos Akáshicos da Natureza.

Neste instante, aqui nesta noite, me vem à memória uma antiga existência que tive como militar, durante a época do Renascimento, na Velha Europa. Num determinado instante, enquanto trabalhava no Mundo das Causas Naturais, como “Homem Causal”, ocorreu-me tirar dos arquivos secretos dessa região a lembrança de tal ex-personalidade.

O resultado foi certamente extraordinário. Vi aquele militar vestido com o uniforme da época, desembainhando a sua espada e meu atacando violentamente, e não me foi difícil conjurá-lo para guardá-lo no “Arquivo”… Isso significa que nos Mundos das Causas Naturais, toda lembrança está vida, tem realidade, e isso é algo que pode surpreender a muitos estudantes esoteristas e ocultistas…

Corpo Etérico, ou Vital, e sua cor característica
Corpo Etérico, ou Vital, e sua cor característica

Pergunta: Mestre, o senhor disse que a personalidade não nasce com o Ego. O que nos poderá dizer sobre o nascimento do Corpo Vital?

Samael Aun Weor: O Corpo Vital é o assento básico da vida orgânica e tem sido desenhado pelos Agentes da Vida de acordo com a Lei de Causa e Efeito.

Aqueles que em sua passada existência acumularam dívidas muito graves, poderão nascer com um corpo vital defeituoso, o qual, como é muito natural, servirá de base para um corpo físico também defeituoso.

Os mentirosos nascem com um corpo vital deformado, dando como resultado um veículo físico monstruoso ou enfermiço; os viciados poderão nascer com os corpos vitais manifestadamente degenerados, dando base para o seu corpo físico.

Por exemplo, o abusador passional sexual pode nascer com o corpo vital bipolarizado, e isso motivará um veículo homossexual ou uma forma feminina lésbica. Indubitavelmente, homossexuais e lésbicas são o resultado do abuso sexual em passadas existências.

O alcoólico pode nascer com um cérebro vital anômalo, defeituoso, o qual poderia servir de fundamento para um cérebro defeituoso; o assassino, o homicida, aquele que incessantemente repete tão horrendo delito, pode nascer inválido, coxo, paralítico, cego de nascimento, deformado, horripilante, asqueroso ou definitivamente louco…

É bom saber que o assassino é o pior grau da corrupção humana, e de nenhuma maneira o assassino poderá retornar em um corpo sadio…

P: Mestre, os que nascem com defeitos físicos, não é por taras hereditárias?
SAW: Distinta dama, a sua pergunta é importante e merece que a examinemos em detalhes.  As taras hereditárias são postas a serviço da Lei, vêm a ser o mecanismo maravilhoso mediante o qual se processa o Karma. A herança está nos genes do sexo, ali a encontramos e mediante eles, trabalha a Lei com todo o seu mecanismo celular…

É bom compreender que os genes controlam a totalidade do organismo humano, acham-se nos cromossomos e  na célula germinal que são os fundamentos da forma física. Quando esses genes se encontram em desordem, quando não existe a formação natural e legítima deles, indiscutivelmente originam um corpo defeituoso…

P: Mestre os Egos desencarnados que estão profundamente adormecidos na região dos mortos e acreditam que ainda estão vivos, como podem representar-se as cenas de sua vida, carecendo do Corpo Mental?
SAW: O Ego pluralizado é a Mente, temos falado claramente que o animal intelectual, equivocadamente chamado de homem, não tem mente e sim mentes. Os diversos agregados psíquicos que compõem o Ego nada mais são que diversas formas mentais, pluralização do entendimento.

Ao retornar todo esse conjunto de Egos, ou Eus, acontece que nem todos podem reincorporar-se. Da soma total dos agregados psíquicos, alguns destes ingressam na involução submergida do reino mineral ou se reincorporam em organismo animais etc.

Depois da morte, cada um desses agregados vive em suas próprias ocorrências e desejos, sempre  no passado e nunca no presente. Não esqueçam, amigos, que o Eu é memória e é o Tempo, um livro de muitos volumes.

Cada sujeito é um pobre animal pensante, condenado à pena de viver numa máquina controlada por múltiplos agregados psíquicos, infra-humanos e bestiais. A única coisa digna que existe dentro de cada um de nós é a Essência, a matéria-prima para fabricar a Alma, e esta, desafortunadamente está presa entre todos os agregados psíquicos. Para ser homem é necessário desintegrar o Ego e fabricar os Corpos Superiores do Ser.

Quando falo de agregados psíquicos, refiro-me às formas mentais, é bom que vocês entendam de uma vez por todas, para que não fique explicando repetidamente: os tais agregados são cristalizações da mente…

O homossexualismo (ou homossexualidade) é o produto cármico de excesso de atividade sexual em vida passada, que desvirtua o corpo etérico e suas polarizações harmoniosas
O homossexualismo (ou homossexualidade) é o produto cármico de excesso de atos sexuais em vida passada, e isso acaba desvirtuando os corpos etérico e astral e suas polarizações harmoniosas

P: Mestre, alguns distintos expoentes do poder da mente exaltam a  grande importância de ter uma mente positiva. Estarão, então, em erro?
SAW: Meus amigos, nesta época do “Kali-Yuga”, ou “Idade do Ferro”, as pessoas têm se dedicado ao mentalismo aqui e acolá, encontram-se inúmeras obras nas livrarias, milhares de livros falando da maravilha sobre o burrico da mente.

O  interessante de tudo isso é que Jesus montou num burrico (a mente) para entrar em Jerusalém no Domingo de Ramos. Assim explicamos os Evangelhos, mas as pessoas O crucificaram e adoram o “burro”. Assim  é a humanidade, meus caros irmãos, assim é nessa época de trevas em que vivemos.

O que é que pretendem os mentalistas? A força mental, a força do burro, melhor seria que  montassem nesse animal e o dominassem com o látego da vontade, assim mudariam as coisas, e nos tornaríamos “bons cristãos”.

As pessoas desse nosso tempo não querem nada com o Espírito, beijam as patas do burrico, do asno em vez de purificar-se, e miseravelmente tornam-se vilões.

Se as pessoas soubessem que não têm um Corpo Mental, que a única coisa que possuem é uma soma de agregados psíquicos, asquerosas cristalizações mentais, e em vez de fortificar e aumentar esses “eus bestiais”, os desintegrassem, então trabalhariam para o bem de si mesmos e para a sua própria felicidade. Entretanto, desenvolvendo a força da besta, o poder sinistro do Ego Mental, a  única coisa que conseguem é tornar-se a cada mais tenebrosos, abismais.

Meus amigos, irmãos gnósticos, digo-lhes que reduzam a cinzas o seu Ego mental, que lutem incansavelmente para libertar-se da mente. Assim alcançarão a bem-aventurança…

P: Mestre com a Essência sem Ego, a vida não seria extremamente aborrecida neste planeta tão belo?
SAW: Quando o Ego está satisfeito? O Ego é o desejo que se converte em decepção, frustração,  quando não é realizado e a  vida se torna aborrecedora.

Com que direito, se atreve o Ego a falar contra o aborrecimento, quando ele mesmo, no fundo, se converte em tédio, em amargura, em desilusão, em desencanto, O Ego não sabe o que é plenitude.

Como poderia lançar conceitos sobre a mesma. Inquestionavelmente, morto o Ego, reduzido a cinzas, a única coisa que fica em nós é a Essência, a beleza, e desta  advêm a felicidade, o amor, a plenitude…

O que acontecem com os amantes dos desejos? Querem que suas satisfações passionais sejam realizadas; as pessoas superficiais pensam equivocadamente que sem o Ego a vida seria terrivelmente aborrecedora.

Se essas pessoas não tivessem o Ego pensariam de formas diferentes, seriam felizes?

Vocês acreditam, meus amigos, que é delicioso retornarem incessantemente a este vale de amarguras, para chorar e sofrerem continuadamente? Não! É necessário eliminar o Ego  para nos libertarmos da Roda do Samsara!

Até aqui, minhas palavras.

Paz inverencial!

Samael Aun Weor (Saiba mais, clique aqui)

Charles Leadbeater

6

Charles Webster Leadbeater (1847-1934) foi um dos fundadores da nobre Sociedade Teosófica, também presidida por Madame Blavatsky e o coronel Henry Olcott. Grande clarividente e autor de uma série de obras ocultistas básicas para o entendimento do esoterismo, tais como: As Vidas de Alcyone, Auxiliares Invisíveis, Os Chacras, O Homem Visível e Invisível, O Plano Astral, Os Mestres e a Senda e A Vida Interna, entre outras. Segundo o Mestre Samael, mr. Leadbeater é um Mestre autoconsciente nos Mundos Superiores, como notaremos neste seu relato:

“Uma vez, estava eu com mr. Leadbeater, pois este foi um Irmão que escreveu uma série de obras, muitas obras. Era um teosofista, porém, sutilmente Evolucionista, ainda se nota o Dogma da Evolução nelas. Sem embargo, não está tão marcado de todo. Não está tão marcado, porém são elementares, suas obras são incipientes, e, sem embargo, mr. Leadbeater é um Grande Mestre, iluminado e autoconsciente.

Recordo que faz muitíssimos anos, muitos, muito além do tempo, me vi com mr. Leadbeater no mundo astral. Vi-o ainda com sua barba branca. Logo, ele se sentou. E quando esteve sentado em um lugar qualquer, mr. Leadbeater disse:

‘Estamos aqui ajudando você, Irmão, a sustentar o Movimento Gnóstico para que no mundo físico possas levar os ensinamentos que se estão dando a você, como Avatara da Era de Aquárius… Para que possas levar ao mundo físico esses ensinamentos que se lhe vão dar nestes Mundos do Espaço, e que por isso agora nós lhe estamos dando a Didática… Nós, ou seja, os membros da Fraternidade Branca…’

Recordo que lhe disse: ‘Muito obrigado, mr. Leadbeater… (Isto faz muitos anos). Logo, lhe disse: Bem, você escreveu algumas obras, porém esses livrinhos…’ (Captei intuitivamente que ele iria tomar novamente corpo e escreveria o ensinamento esotérico).

Então, ele me disse: ‘Concentre-se em mim!’ Concentrei-me nele… Instantaneamente me vi no Egito, no meu sarcófago, na minha cripta. Lá me encontrei, então, com o grupo de Mestres, donos desses corpos. Estavam aí, com seus sarcófagos e sob a terra, na cripta. Ali estavam todos os donos desses corpos, veneráveis anciães com suas barbas brancas, impecáveis, todos egípcios, com suas túnicas…

Então, quando regressei outra vez – pois viajei em corpo mental –, me meti em meu corpo astral. Aguardava-me mr. Leadbeater… ‘Ó mr. Leadbeater – disse-lhe –, tu tens muito poder: me desdobraste no mental e eu pude viajar ao Egito!’

Bem, me despedi do venerável Ancião. Logo, ele se foi pelas ruas de Londres com seu corpo astral… Mr. Leadbeater é um Ancião desperto, autoconsciente, radiante, iluminado. Mr. Leadbeater é um Grande Mestre e vai tomar novamente corpo, e entendo que vai escrever muitas obras de esoterismo…”

Até aqui, as palavras do venerável mestre Samael Aun Weor sobre sua experiência interna com o mestre que se chamou, em vida, Charles Webster Leadbeater.

A seguir, para finalizar este texto do GnosisOnline, transcrevemos os ensinamentos de Leadbeater sobre a Mãe Divina:

“Será melhor que eu comece com uma declaração definida sobre o que pessoalmente sei a respeito da Mãe do Mundo, tratando dos fatos como eles são, e da maneira como eles nos interessam e influem no trabalho que temos de fazer – deixando de lado, por ora, todos os mitos que se agruparam em Seu redor.

A Mãe do Mundo, então, é um Ser grandioso que está à testa de um grande departamento da organização e do governo do mundo. Em verdade, Ela é um poderoso Anjo, tendo sob Suas ordens uma vasta falange de Anjos subordinados, a quem Ela mantém perpetuamente empregados no trabalho que Lhe cabe particularmente. Este trabalho tem tantas e tão maravilhosas ramificações que não é fácil darmos sequer a ideia mais geral dele em poucas frases.

Por enquanto, bastará dizer que num sentido muito real Ela tem sob Sua responsabilidade todas as mulheres do mundo, e especialmente no tempo de sua provação maior, quando elas exercem a função suprema que Deus lhes confiou, ao tornarem-se mães.

Há sempre muito mais por trás daqueles pensamentos originais e poéticos dos homens de antanho do que crê a maioria das pessoas. É tolice nos mantermos cheios de preconceito ignorante, muito melhor é tentarmos entender. O que quer que tenha sido artístico ou de ajuda em qualquer religião sempre teve por trás de si uma verdade. Cabe-nos desentranhar esta verdade, cabe-nos retirar as crostas dos séculos e deixar brilhar a verdade.

Isso vale para o belo símbolo Cristão da Bendita Virgem Maria. Há três ideias diferentes envolvidas no pensamento usual a Seu respeito:

1. A história da mãe do discípulo Jesus; o que Ela era e o que se tornou depois.
2. O mar da matéria virgem, o Grande Abismo, a água sobre cuja face se moveu o Espírito de Deus.
3. O aspecto feminino da Deidade.

Essas ideias no decurso dos séculos se confundiram, degradaram e materializaram até o formato em que hoje a história se apresenta, e se tornaram inacreditáveis para qualquer pessoa pensante. Mas não seria assim se analisássemos e entendêssemos seu real significado, se separássemos o mito e o símbolo da crônica da pessoa viva.

Sabemos que assim como os Adeptos dividiram o mundo em paróquias, de modo que todas as nações têm algum tipo de orientação Adepta, igualmente cada nação tem um Deva ou Anjo presidente. Sabemos, além disso, que os Anjos têm uma parte verdadeiramente grande na direção da evolução – que eles também presidem sobre certos distritos, e que há uma elaborada distribuição de Devas menores e maiores, chegando até o espírito local que atua como guardião para um bosque, um vale, um lago.

Em pé, o bispo Leadbeater, e logo abaixo, a senhora Besant e Jiddu Krishnamurti

Mas nosso conhecimento ao longo destas linhas é limitado e fragmentário, e a geografia política do mundo sob a ótica da Hoste Angélica ainda está para ser escrita. Portanto, provavelmente seja temerário tentarmos uma comparação entre as pessoas altamente evoluídas de ambas as evoluções; mas imagino que não erraremos muito se considerarmos a Mãe do Mundo, Nossa Senhora da Luz, como igual em dignidade aos Chohans que são Líderes de Raios.

Temo que na maioria dos países de língua inglesa a principal dificuldade que devemos encontrar no caminho de tentarmos explicar o ofício e trabalho da Mãe do Mundo será o preconceito extraordinariamente acirrado e irracional do Protestante comum contra a doutrina Católica da Bendita Virgem Maria.

Inevitavelmente, seremos acusados de tentar introduzir a Mariolatria, de tentarmos secretamente influenciar nossos leitores na direção do ensino da Igreja Romana, pois há uma vasta quantidade de equívocos ligados a este assunto.

As Igrejas Romana e Grega envolvem o nome da Santa Virgem em profunda reverência, embora muitos de seus membros saibam pouco sobre o real significado do belo e poético simbolismo ligado a esse nome.

A Igreja da Inglaterra limitou um pouco a reverência devida a Ela, enquanto os outros cristãos que não pertencem a esta comunhão usualmente consideram que é idolatria cultuar uma mulher – uma atitude mental que é o mero resultado da obtusidade e ignorância.

O evangelho de Filipe ou o mistério da câmara nupcial

34

Os acontecimentos não ocorrem por acaso. Se em 1945 foram achados textos gnósticos milenares em Nag Hammadi, Alto Egito, foi porque eram para ser achados naquela data e para serem mundialmente divulgados. Ficaram escondidos por séculos e séculos a fim de serem vistos pelos olhos da humanidade apenas na época predestinada.

No Códice Askewianus, que se encontra no Museu Britânico, conhecido como Pistis Sophia, o livro sagrado dos gnósticos, lê-se no capítulo 42 o seguinte: “E aconteceu então que, depois de Jesus ter escutado a Filipe, disse-lhe: ‘Escuta, Filipe, bendito, o que falo. Sois tu, Tomé e Mateus, a quem o Primeiro Mistério manda escrever todos os discursos que eu direi, tudo que farei e todas as coisas que vereis”. Pelo que se deduz ser Filipe um dos escolhidos para escrever os ensinamentos de Jesus; logo, também, um dos autores da bíblia gnóstica chamada Pistis Sophia.

Dentre os 52 ou 53 textos encontrados em Nag Hammadi e contidos no Corpus Gnosticum da biblioteca de Khenoboskion está o Códice ii, que se tornou conhecido como O Evangelho de Filipe. O tema nele exposto é o Mistério da Câmara Nupcial.

Seu primeiro tradutor dividiu o texto em 127 versículos, forma com a qual é hoje apresentado. Alguns trechos não puderam ser traduzidos porque o tempo tornara ilegível os caracteres, mas a sua quase totalidade foi resgatada.

Eis aqui, portanto, para seu conhecimento, o Mistério da Câmara Nupcial.

O Evangelho Gnóstico de Filipe

1. Um hebreu faz um hebreu e o chamam assim: prosélito. Porém, um prosélito não produz um prosélito. Alguns homens são como são desde o princípio e produzem outros. Não obstante, há outros, para os quais, basta que venham à existência.

2. O escravo busca apenas ser livre. Elo não busca a substância do seu patrão. O filho não só busca a liberdade pelo fato de ser filho, como também reclama a herança do pai.

3. Quem herda aquilo que está morto (dos mortos), ele próprio está morto e é herdeiro de coisas mortas. Mas, quem herda aquilo que é vivo (de quem está vivo), ele também está vivo e é herdeiro daquilo que está vivo o daquilo que está morto. Os mortos nada herdam. Como poderia herdar o morto? Se o morto herdasse aquilo que está vivo, não morreria; ao contrário, viveria.

4. Um pagão não morre. Este, de fato, jamais viveu para poder morrer. Porém, aquele que acreditou na Verdade, este encontrou a vida e está em perigo de morrer. De fato, ele vive desde o dia em que o Cristo veio.

5. O mundo está criado; embelezadas estão as cidades; aquele que está morto se foi.

6. Quando éramos hebreus, éramos órfãos. Somente tínhamos o nossa mãe. Mas, transformados em cristãos, tivemos pai e mãe.

7. Quem semeia no inverno colhe no verão. O Inverno é o mundo e o verão é o outro eon. Semeamos no mundo para poder colher no verão. Por Isso, não devemos orar no inverno. Depois do inverno vem o verão. Se alguém colhesse no Inverno, não colheria, ao contrário arrancaria.

8. De fato, quem assim atua não mais produzirá fruto algum. Não só este aqui não brota como ainda no sábado a Força dele resultará estéril.

9. Cristo veio para resgatar uns e salvar outros, isto é, para redimir o outros. Resgatou os estrangeiros e os fez seus. Ele salvou aos seus, os quais tornou aptos conforme a sua vontade. Não testemunhou sua alma somente quanto se manifestou, querendo-o, como também testemunhou sua alma quando já no mundo começou a existir. Quando quis, então veio, antes de tudo, para levá-la porque ela estava guardada como refém. Havia caído entre ladrões, os quais a haviam feito prisioneira. Ele salvou-a e redimiu no mundo aos bons e aos maus.

10. A luz e as trevas, a vida e a morte, as coisas da direita e aquelas da esquerda, elas são irmãs entre si. Não é possível que se separem. Por isso, nem os bons são bons nem os maus são maus; nem a vida é vida nem a morte é morte. Por isso, cada coisa se determinará em seu princípio, no início. Aqueles que estão elevados por sobre o mundo são indissolúveis, são eternos.

11. Os nomes que se dão por respeito aos indivíduos terrenos contêm uma grave sedução. Estes mudam sua mente do que é estável para o que é instável. Quem escuta a palavra Deus não a capta como estável e sim como instável. O mesmo acontece com o Pai, o Filho e o Espírito Santo, a vida, a luz, a ressurreição, a igreja e todos os outros nomes. Não se captam conceitos fixos e sim instáveis a não ser que se tenha conhecido os primeiros. Todos os mortais estão no mundo e não captam o que é estável. Se se encontrassem no Eon, não mencionariam coisas más no mundo nem insertariam o estável entre as coisas do mundo.

12. Um só nome não é pronunciado no mundo: o nome que o Pai deu ao Filho. Este é mais excelso que qualquer outro. É o nome do Pai. O Filho não se transformaria no Pai se não fosse coberto com o nome do Pai. Aqueles que têm este nome o conhecem, mas não o dizem. Em troca, aqueles que não o têm não o conhecem. A Verdade, de todas maneiras, produziu nomes no mundo por causa de nós: não é possível conhecê-lo sem nomes. Sendo una a Verdade, ela é múltipla e isto, sem dúvida alguma, para vantagem nossa, para que possamos aprender aquele único (nome) com amor por meio de muitos.

13. Os Arcontes trataram de seduzir o homem porque eles se deram conta de que este é afim com o verdadeiro bem. Tomaram o nome daquele que é bom e o deram ao que não é bom para poderem assim enganar com nomes e atá-lo àquilo que não é bom. Logo, se aos homens é concedida uma graça, eles querem se separar daquilo que não é bom e colocar-se naquilo que é bom. Disto eles tinham conhecimento. Aqueles (os Arcontes) quiseram com efeito tomar o quem é livre e fazê-lo seu escravo para sempre.

14. Há potências que dão ao homem o anterior, não querendo que se salve. Seu intento é o de dominar sobre o escravo. Se o homem alcança a salvação, adeus sacrifícios de animais. Costumava-se oferecer às potências animais. Tais oferendas eram similares às feras: ofereciam-nos vivos, mas depois de havê-las oferecido, morriam. O homem foi oferecido o Deus morto e teve a vida.

15. Antes de que Cristo chegasse, não havia pão no mundo. Como no paraíso, o lugar onde Adão morava, também o mundo possuía muitas árvores que serviam como alimento aos animais. O mundo não tinha grão para alimentar o homem. O homem nutria-se como os animais. Mas, quando chegou Cristo, o homem perfeito, ele trouxe pão do céu para que o homem se alimentasse de alimento humano.

16.Os Arcontes acreditavam fazer o que faziam com sua força e sua vontade, mas o Espírito Santo cumpria escondido, por meio deles, cada coisa conforme sua vontade. A verdade, que subsiste desde o princípio, está semeada por toda parte. Muitos a veem enquanto está semeada, porém poucos a veem quando é colhida.

17. Alguns dizem que Maria concebeu do Espírito Santo. Esses se equivocam. Não sabem o que dizem. Quando alguma vez mulher concebeu de mulher? Maria é a virgem que não foi manchada por potência alguma. Isso é grande anátema para os hebreus, isto é, para os apóstolos e seus discípulos. Essa virgem, não manchada por potência alguma, é superior àqueles que as potências mancharam. O Senhor então não teria dito: “Pai meu que estás nos céus”? Se não tivesse tido outro pai, ele teria dito simplesmente: “Pai meu”.

18. O Senhor disse aos discípulos: ‘Filhos do Reino, entrai na casa do Pai, mas não recebais nem muito menos leveis nada de lá’.

19. Jesus é nome escondido; Cristo é nome manifesto. Por isso, Jesus não existe em nenhuma língua, mas seu nome é Jesus assim como é chamado. Enquanto o Cristo, seu nome em siríaco é Messias, em grego, em troca, é Cristo. Todos os demais, sem dúvida alguma, o têm conforme a sua própria língua. Nazareno é o (nome) manifesto do escondido.

20. Cristo tem tudo em si: o homem, o anjo, o mistério e o Pai.

21. Aqueles que dizem: “O Senhor primeiro morreu e depois ressuscitou” se equivocam. Ele primeiro ressuscitou e depois morreu. Se alguém antes não procura a ressurreição, não morrerá. Assim como Deus vive, aquele estaria já morto.

22. Não se esconde um objeto de grande valor em um recipiente grande. Pelo contrário, amiúde alguém guarda somas incalculáveis em recipientes que valem um cêntimo. Assim acontece com a alma. Ela é uma coisa preciosa caída em um corpo depreciável.

23. Alguns temem ressuscitar nus. Por isso querem ressuscitar na cama. Esses não entendem que aqueles que vestem a carne são aqueles que estão nus. Quem for despojado, de modo a ficar despido, é aquele que não está nu. Carne e sangue não podem herdar o Reino de Deus. Qual é a carne que não herdará? A que vestimos. Qual é, em troca, aquela que herdará? A carne de Jesus com seu sangue. Por isso, ele disse: “Quem não come minha carne e não bebe meu sangue não tem vida em si”. Que coisa é ela? Sua carne é o Logos e seu sangue é o Espírito Santo. Quem as recebeu tem comida, bebida e vestes.

24. Neste mundo, quem veste os hábitos é mais precioso que os próprios hábitos. Porém, no reino dos céus, os hábitos são mais preciosos que aquele que os vestiu com água e fogo. Estes purificam o lugar inteiro.

25. Aquilo que é manifesto o é por meio daquilo que é manifesto; aquilo que está escondido, por meio do que está escondido. Mas, há também algo escondido por meio daquilo que é manifesto. Há água em uma água e fogo em um crisma.

26. Jesus tomou a todos em segredo. De fato, ele não se revelou como era verdadeiramente, ao contrário, ele se revelou de acordo com aqueles que eram capazes de vê-lo. A todos eles se revelou: aos grandes revelou-se grande e aos pequenos, pequeno; aos anjos, anjo, e aos homens, homem. Por isso, seu Logos passou despercebido por todos.

Alguns o viram crendo ver a si mesmos. Mas, quando se manifestou aos seus discípulos em glória no Monte, não era pequeno, tinha se manifestado grande. Ele, de todas as maneiras, fez grandes aos seus discípulos para que tivessem força suficiente para vê-lo em sua grandeza. Naquele dia, assim se expressou, agradecendo: “Tu que tens reunido o Perfeito, a luz, com o Espírito Santo, una os anos também conosco, isto é, com cem imagens”.

27. Não desprezais ao Cordeiro. Sem ele não é possível ver a porta (do Pleroma). Nenhum desnudo poderá ter acesso ao rei.

28. Os filhos do homem celeste são mais numerosos do que aqueles do homem terreno. Se os filhos de Adão são numerosos, sendo mortais, quanto mais os filhos do Homem Perfeito, os quais não morrem e são gerados continuamente.

29. O pai produz um filho e o filho não é capaz de produzir um filho. Quem foi gerado não pode gerar! O filho, de todas as maneiras, ainda que não produza filhos, faz irmãos.

30. Tantos quantos forem gerados no mundo o serão de modo natural; os outros, em troca, mediante o Espírito. Aqueles que foram gerados por ele clamam dali ao Homem para se nutrirem da promessa do lugar superior.

31. Quem se nutre, se nutre com a boca. Se o Logos saísse de lá, se nutriria com a boca e se tornaria perfeito. Os perfeitos, com efeito, tornam-se fecundos com um beijo e geram. Por isso, nós também nos beijamos uns aos outros e concebemos por meio da graça em nós, reciprocamente.

32. Três mulheres caminham sempre com o Senhor: Maria, sua mãe, a irmã dela e a Madalena, a qual é chamada de sua companheira. Maria, na realidade, é irmã, mãe e cônjuge dele.

Em Paris, há uma igreja antiga e muito bela, cujo nome é L’église de la Madeleine.
Atrás do altar principal veem-se diversos Anjos rodeando Santa Maria Madalena, cujo ventre dilatado evidencia que ela está grávida. Para os gnósticos, Madalena era a esposa-sacerdotisa de Jesus de Nazaré

33. Pai e Filho são nomes simples; Espírito Santo é um nome duplo. Eles de fato encontram-se por toda parte: em cima, embaixo, no secreto, no visível… O Espírito Santo está naquilo que é manifesto; está embaixo, no secreto, acima…

34. Os santos são servidos pelas potências malvadas. Estas foram cegadas de uma maneira tal pelo Espírito Santo que, pensando elas em servir aos homens seus, estão, em troca, servindo aos santos. Por isso, um discípulo perguntou um dia ao Senhor algo concernente ao mundo e ele respondeu-lhe: “Pergunta à tua mãe e ela te dará coisas estrangeiras”.

35. Os apóstolos disseram aos discípulos: “Que cada oferta nossa não seja separada do sal”. Eles chamavam Sofia de sal. Sem ele, nenhuma oferta é aceita.

36. Porém, Sofia é mulher estéril, sem filhos. Por isso, é chamada de resíduo de sal. O lugar onde aqueles poderão se nutrir ao seu modo é o Espírito Santo. Por isso, seus filhos são numerosos.

37. O que o pai possui pertence ao filho. Enquanto ao filho, durante o tempo em que este é menor de idade, não se lhe confia coisas próprias. Transformado em homem, o pai dá-lhe tudo aquilo que é seu.

38. Aquele que é gerado pelo Espírito e está extraviado, extravia-se também por causa dele. O fogo, de fato, por causa de um único sopro se acende e se apaga.

QUER LER O LIVRO “PISTIS SOPHIA”? CLIQUE AQUI