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title: "Origem da palavra “Gótico”"
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excerpt: "Fulcanelli, mestre ressurrecto, exímio instrutor de Alquimia, explica a origem sagrada da palavra \"Gótico\", tão mal usada hoje."
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  - "Textos Especiais"
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*“As catedrais góticas são templos onde os símbolos cristãos convivem lado a lado com antigas tradições cabalísticas, alquímicas, psicológicas e astrológicas, enfim, as catedrais góticas são eminentemente Gnósticas!”*

Segundo a versão mais difundida, o termo “gótico” deriva de godos, o povo germânico que habitava a Escandinávia. Porém, em sua obra [O Mistério das Catedrais](http://esotera.com.br/livros/alquimia-e-cabala/misterio-das-catedrais-o-fulcanelli)
, Fulcanelli nos apresenta outra versão. A palavra “gótico” seria uma deformação fonética de Argoth (Art Goth ou Argô), uma linguagem restrita utilizada somente por Iniciados em Ocultismo. Embora para os céticos essa versão seja incoerente, é uma visão aceita por Iniciados, maçons, teosofistas, gnósticos etc., e também de um grande Alquimista.

Confira o trecho do livro que disserta sobre essa possibilidade:

***O Mistério das Catedrais – Cap. III***

[https://www.gnosisonline.org/wp-content/uploads/2012/06/arte-gotica-catedral-amiens-franca-gnosisonline.jpg](https://www.gnosisonline.org/wp-content/uploads/2012/06/arte-gotica-catedral-amiens-franca-gnosisonline.jpg)

Alguns pretenderam erradamente que provinha dos godos, antigo povo da Germânia, e outros julgaram que se chamava assim a essa forma de arte, cujas originalidade e extrema singularidade provocam escândalo nos séculos 17 e 18, por zombaria, atribuindo-lhe o sentido de bárbaro: tal é a opinião da Escola Clássica, imbuída dos princípios decadentes do Renascimento.

A verdade, que sai da boca do povo, no entanto, manteve e conservou a expressão Arte Gótica, apesar dos esforços da Academia para substituí-la por Arte Ogival. Há ai uma razão obscura que deveria obrigar a refletir os nossos linguistas, sempre à espreita das etimologias. Qual a razão por que tão poucos lexicólogos acertaram? Simplesmente porque a explicação deve ser antes procurada na origem cabalística da palavra, mais do que na sua raiz literal.

Alguns autores perspicazes e menos superficiais, espantados pela semelhança que existe entre gótico e goético pensaram que devia haver uma estreita relação entre a arte gótica e a arte goética ou mágica.

Para nós, arte gótica é apenas uma deformação ortográfica da palavra argótica, cuja homofonia é perfeita, de acordo com a lei fonética que rege, em todas as línguas, sem ter em conta a ortografia, a cabala tradicional. A catedral é uma obra de *art goth* ou de *argot*. Ora, os dicionários definem o *argot* como sendo uma linguagem particular a todos os indivíduos que têm interesse em comunicar os seus pensamentos sem serem compreendidos pelos que o rodeiam.

É, pois, uma cabala falada. Os *argotiers*, os que utilizam essa linguagem, são descendentes herméticos dos argo-nautas, que viajavam no navio Argo, falavam a língua argótica – a nossa *língua verde* –, navegando em direção às margens afortunadas de Colcos para conquistarem o famoso Tosão de Ouro.

Ainda hoje se diz de um homem inteligente mas também muito astuto: *“Ele sabe tudo, entende o Argot”*. Todos os Iniciados se exprimiam em Argot, tanto os vagabundos da Corte dos Milagres – com o poeta Villon à cabeça – quanto os Frimasons ou franco-maçons da Idade Média, hospedeiros do bom Deus, que edificaram as obras-primas góticas que hoje admiramos. Eles próprios, esses Nautas Construtores, conheciam a rota do Jardim da Hespérides…

Ainda nos nossos dias os humildes, os miseráveis, os desprezados, os insubmissos, ávidos de liberdade e de independência, os proscritos, os errantes e os nômades falam argot, esse dialeto maldito, banido da alta sociedade, dos nobres que o são tão pouco, dos burgueses satisfeitos e bem pensantes, espojados no arminho da sua ignorância e da sua presunção.

[https://www.gnosisonline.org/wp-content/uploads/2012/06/arte-gotica-amiens-nave-central-perspectiva-superior-gnosisonline.jpg](https://www.gnosisonline.org/wp-content/uploads/2012/06/arte-gotica-amiens-nave-central-perspectiva-superior-gnosisonline.jpg)

**Arte Gótica da Catedral de Amiens (França), nave central perspectiva superior**

O argot permanece a linguagem de uma minoria de indivíduos vivendo à margem das leis estabelecidas, das convenções, dos hábitos, do protocolo, aos quais se aplica o epíteto de vadios, ou seja, de videntes e, mais expressivo ainda, de *Filhos* ou *Descendentes do Sol*. A arte gótica é, com efeito, a *art got* ou *cot*, a arte da Luz ou do Espírito.

Pensar-se-á que são apenas simples jogos de palavras. E nós concordamos de boa vontade. O essencial é que guiem a nossa fé para uma certeza, para a verdade positiva e científica, chave do mistério religioso, e que não a mantenham errante no labirinto caprichoso da imaginação. Aqui embaixo não existe acaso, nem coincidência nem relação fortuita; tudo está previsto, ordenado, regulado e não nos pertence modificar a nosso bel-prazer a vontade imperscrutável do Destino.

Se o sentido usual das palavras não nos permite qualquer descoberta capaz de nos elevar, de nos instruir, de nos aproximar do Criador, o vocabulário torna-se inútil. O verbo, que assegura ao homem a incontestável superioridade, a soberania que ele possui sobre tudo que vive, perde a sua nobreza, a sua grandeza, a sua beleza e não é mais do que uma aflitiva vaidade. Ora, a língua, instrumento do espírito, vive por ela própria, embora não seja mais que o reflexo da Ideia Universal.

Nada inventamos, nada criamos. Tudo existe em tudo. O nosso Microcosmo é apenas uma partícula ínfima, animada, pensante, mais ou menos imperfeita, do Macrocosmo. O que nós julgamos descobrir apenas pelo esforço da nossa inteligência existe já em qualquer parte. É a fé que nos faz pressentir o que existe; é a revelação que nos dá a prova absoluta. Muitas vezes passamos ao lado do fenômeno, até mesmo do milagre, sem dar por ele, cegos e surdos.

Quantas maravilhas, quantas coisas insuspeitadas descobriríamos se soubéssemos dissecar as palavras, quebrar-lhes a casca e libertar a o espírito, divina luz que eles encerram!

[https://www.gnosisonline.org/wp-content/uploads/2012/06/arte-gotica-cristo-amiens-gnosisonline.jpg](https://www.gnosisonline.org/wp-content/uploads/2012/06/arte-gotica-cristo-amiens-gnosisonline.jpg)

Jesus exprimia-se apenas por parábolas; poderemos nos negar a verdade que elas ensinam? E, na conversação corrente, não serão os equívocos, os pouco mais ou menos, os trocadilhos ou assonâncias que caracterizam as pessoas de espírito, felizes por escaparem à tirania da letra e mostrando-se, à sua maneira, cabalistas sem o saberem?

Acrescentemos, por fim, que o *argot* é uma das forças derivadas da [Língua dos Pássaros](http://esotera.com.br/livros/sufismo-e-isla/a-linguagem-dos-passaros-attar)
, mãe e decana de todas as outras, a língua dos filósofos e dos diplomatas. É o conhecimento dela que Jesus revela aos seus apóstolos, enviando-lhes o seu espírito, o Espírito Santo.

É ela que ensina o mistério das coisas e desvenda as verdades mais recônditas. Os antigos incas chamavam-na *Língua da Corte* porque era familiar aos diplomatas, a quem fornecia a chave de uma dupla ciência: a ciência sagrada e a ciência profana.

Na Idade Média, qualificavam-na antes da edificação da torre de Babel, causa da perversão e, para a maioria, do esquecimento total desse idioma sagrado. Hoje, fora do *argot*, encontramos as suas características nalgumas línguas locais como o picardo, o provençal etc. e no dialeto dos ciganos.

A mitologia pretende que o célebre adivinho Tirésias tenha possuído perfeito conhecimento da [Língua dos Pássaros](http://esotera.com.br/livros/sufismo-e-isla/a-linguagem-dos-passaros-attar)
, que Minerva lhe teria ensinado, como Deusa da Sabedoria. Ele partilhava-a, diz-se, com Tales de Mileto, Melampus e Apolônio de Tiana, personagens fictícios cujos nomes falam eloquentemente na ciência que nos ocupa e bastante claramente para que tenhamos necessidade de os analisar nestas páginas.

[Fulcanelli – O Mistério das Catedrais (saiba mais sobre este livro, clique aqui)](http://esotera.com.br/livros/alquimia-e-cabala/misterio-das-catedrais-o-fulcanelli)

A Verdadeira Beleza  
 (Santo Agostinho)

*Interroga a beleza da terra,*

*interroga a beleza do mar,*

*interroga a beleza do ar difundida e diluída.*

*Interroga a beleza do céu,*

*interroga a ordem das estrelas,*

*interroga o sol, que com o seu esplendor ilumina o dia;*

*interroga a lua, que com o seu clarão modera as trevas da noite.*

*Interroga os animais que se movem na água, que caminham na terra, que voam pelos ares:*

*almas que se escondem, corpos que se mostram;*

*visível que se faz guiar, invisível que guia.*

*Interroga-os!*

*Todos te responderão:*

*‘Olha-nos, somos belos!*

*A sua beleza fá-los conhecer.*

*Quem foi que criou esta beleza mutável, a não ser a Beleza Imutável?’*
