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title: "Milarepa, o santo tibetano do Nirvana"
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  - "Mestres da Senda"
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Jetsun Milarepa nasceu no século 11 e é um dos mais famosos yogues e poetas tibetanos. Foi discípulo do grande mestre Marpa (um dos iluminados que difundiram o budismo no Tibet). Diz que **Milarepa**foi o primeiro tibetano que alcançou a iluminação, portanto, o primeiro “santo budista do Tibet”.

Os inúmeros fatos místicos de sua vida são popularmente conhecidos graças às tradições esotéricas dos lamas tibetanos. Muito conhecidos popularmente entre os tibetanos, os dados de sua biografia são muito discutidos entre os estudiosos de budismo tibetano, pois os dados biográficos misturam-se com lendas e histórias fantásticas.

Na obra *O Mistério do Áureo Florescer*, **[Samael Aun Weor](https://www.esotera.com.br/loja/livros/gnose_/gnose-samael)**comenta um pouco mais sobre o famoso santo tibetano Milarepa:

Milarepa foi uma dessas almas que se impressionam profundamente ao compreender a natureza transitória da mundana existência e os sofrimentos e misérias nos quais os seres se acham imersos.

![Image](https://www.gnosisonline.org/wp-content/uploads/2019/03/milarepa.jpg)

Parecia-lhe que a existência, desde esse ponto de vista, era como uma enorme fogueira onde as criaturas viventes se consumiam.

Ante tal desconcertante dor, sentiu em seu coração que era incapaz de perceber algo da celestial felicidade desfrutada por Brahma e Indra nos céus, porém, muito menos sentia os gozos terrenais e as delícias próprias do mundo profano.

Por outra parte, sentiu-se profundamente cativado pela visão de imaculada pureza e casta beatitude, descritas no estado de liberdade perfeita e onisciência, alcançável no Nirvana, a tal punto que ele não podia malgastar sua vida à procura de algo que desde longo tempo havia deixado, dedicando-se, com plena fé, profundidade da mente e coração cheio do onipenetrante Amor e à simpatia de todas as criaturas.

“Havendo obtido conhecimento transcendental no controle da natureza etérea e espiritual da mente, sentiu-se capaz de dar demonstrações disso, e por tal efeito pôde voar pelo céu, caminhar e descansar no ar.

Foi capaz, também de produzir chamas e fazer surgir água de seu corpo, transformando-se no objeto que desejasse, demonstrações que foram capazes de convencer os descrentes e levá-los para os sendeiros religiosos.

Milarepa foi perfeito na prática dos quatro estados de meditação, e mediante eles pôde projetar seu corpo sutil até o extremo de estar presente presidindo concílios yogues em 24 lugares distintos, nos quais se celebravam assembleias de deuses e anjos igual a nuvens de espiritual comunhão.

Foi capaz de dominar Deuses e Elementais, colocando-os a seu imediato comando no cumprimento de seus deveres.

Perfeito Adepto de sobrenaturais poderes *tátwicos*, teve a graça de poder atravessar e visitar inumeráveis paraísos sagrados e céus dos Budas, onde pela virtude de seus oniabsorventes atos e nunca superada devoção, os Budas e Bodhisatvas que regem esses sacros lugares lhe favoreceram, permitindo-lhe expressar-se acerca do Dharma, santificando-lhe seu retorno pela visão desses mundos celestiais e permanência em tais moradas.

**Pergunta:** *Mestre, em sua obra **[O Mistério do Áureo Florescer](https://www.esotera.com.br/loja/livros/gnose_/gnose-samael)**, o senhor disse que Milarepa estava em 24 lugares ao mesmo tempo…*  
 **Samael Aun Weor:** Sim, é certo. Milarepa teve poderes muito grandes, e ao final e ao cabo o Nirvana o tragou. Deixemo-lo de lado, pois cada qual é livre para escolher o Caminho que for. Eu, da minha parte, não sigo esse Caminho, eu sigo o Caminho Direto, o dos *Homens que renunciam à felicidade para ficar trabalhando aqui, com a humanidade…* Na Direta, que esta é a melhor.

### **A Canção de Milarepa**

Desde que a Graça do meu Senhor entrou em minha mente, Minha mente jamais se perdeu em distrações.

Acostumado a contemplar longamente o Amor e a Piedade,

Esqueci-me das diferenças entre mim e os outros.

Acostumado a meditar longamente sobre o meu Guru como uma auréola sobre minha cabeça,

Esqueci-me de tudo o que governa pela força e pelo prestígio.

Acostumado a meditar longamente sobre os meus Deuses Guardiões como inseparáveis de mim mesmo,

Esqueci-me da forma carnal inferior.

Acostumado a meditar longamente sobre as Seletas Verdades Sussurradas,

Esqueci-me de tudo o que é dito nos livros escritos e impressos.

Acostumado, como estou, ao estudo da Ciência Elementar,

Perdi o Conhecimento da Ignorância enganosa.

Acostumado, como fiquei, a contemplar os Três Corpos como inerentes a mim,

Esqueci-me de pensar na esperança e no medo.

Acostumado, como fiquei, a meditar sobre esta vida e a vida futura como uma só,

Esqueci-me do medo do nascimento e da morte.

Acostumado a estudar longamente, por mim mesmo, minhas próprias experiências,

Esqueci-me da necessidade de buscar as opiniões dos amigos e dos irmãos.

Acostumado longamente a aplicar cada nova experiência ao meu próprio crescimento espiritual,

Esqueci-me de todos os credos e dogmas.

Acostumado a meditar longamente sobre o Incriado, o Indestrutível e o Permanente,

Esqueci-me de todas as definições deste ou daquele Objetivo particular.

Acostumado a meditar longamente sobre todos os fenômenos visíveis como o Dharmakaya,

Esqueci-me de todas as meditações feitas pela mente.

Acostumado por muito tempo a manter minha mente no Estado Incriado de Liberdade,

Esqueci-me dos costumes convencionais e artificiais.

Acostumado por muito tempo à humildade, de corpo e de mente,

Esqueci-me do orgulho e das soberbas maneiras do poderoso.

Acostumado a olhar longamente o meu corpo carnal como o meu eremitério,

Esqueci-me do ócio e do conforto dos retiros nos mosteiros.

Acostumado por muito tempo a conhecer o sentido do Inexprimível,

Esqueci-me do modo de traçar as raízes dos verbos e a origem das palavras e das frases…

Possas tu, ó sábio, esboçar essas coisas em livros comuns.
