- A Peregrinação e os 12 Nomes de Deus
- Sufismo e a Pureza do coração
- Os Sete Vales
- Tasawwuf – O Misticismo Islâmico
- Surat Al-Fátiha
- Contos Sufis de Sabedoria
Perdoar e perdoar e estar imune à vaidade
Shaykh Nazim al-Haqqani an-Naqshband
Em certa oportunidade, o Profeta Muhammad (saws) estava sentado com seus companheiros, e ao perceber que um homem vinha se aproximando, disse: “Ó meus companheiros, se vocês querem contemplar um dos habitantes do Paraíso, vejam aquele desconhecido que está vindo em nossa direção”. O visitante chegou e tomou seu lugar entre a congregação. No dia seguinte e ainda no outro, o Profeta (saws) deu as boas novas aos seus irmãos, sobre a felicidade eterna daquele homem (sem dizer nada, entretanto, àquela pessoa).
Com freqüência eu tenho ouvido pessoas proclamarem possuir corações puros. Especialmente as que rejeitam religião e práticas místicas tradicionais. Adoram dizer isso. Nós não proclamamos coisas desse tipo, pois acreditamos que o nosso caminho é o caminho da purificação, e que os esforços deveriam nos dirigir na direção correta. Quem quer que pense de si mesmo como uma pessoa de coração puro, deveria ter cuidado com esta consideração e reexaminar sua postura sob essa luz, ou seja, a luz que indica que o nosso caminho é o caminho da purificação. Isto assim chegou a nós através de Abdula, filho de Umar, segundo Khalifa do Islã.
Quando Abdula ouviu o Profeta (saws) louvar esta pessoa três vezes, decidiu segui-la até sua casa e procurar suas bênçãos, assim como seu conhecimento dos meios que exatamente o levaram a atingir uma estágio de perfeição na sua vida. Quando Abdula chegou na casa do homem, bateu em sua porta, recebeu boas vindas e foi convidado a entrar. O anfitrião perguntou-lhe: “Posso saber o propósito de sua visita?” Então Ibn Umar relatou-lhe tudo que o Santo Profeta (saws) disse sobre ele, nos três dias anteriores. O homem disse: “Eu sei.” Abdula Ibn Umar continuou: “Oh meu irmão. Gostaria de ser uma dessas pessoas afortunadas e ter assegurado um lugar no Paraíso enquanto ainda estiver vivendo neste mundo. O que fez para alcançar tamanha distinção na Presença Divina? Que austeridades praticou? Que superrogatórias (atos de devoção) fez?”
O homem respondeu: “Ó Abdula, eu não adoro mais do que você, ou que qualquer outra pessoa. Essas boas notícias não são resultado da minha austeridade nem da minha devoção. Existem entretanto três atributos que tenho cultivado, os quais prezo muito, como cultivador de pérolas raras. Primeiro quando deito na cama antes de dormir, digo a Alláh: ‘Ó Allah, se qualquer dos Seus servos me causou mal hoje, com sua mão ou com sua língua, o perdoei totalmente e jamais me queixarei dele para ninguém, nem para Você, nem agora, nem no Dia do Juízo. Você é minha testemunha que a todos perdoei. Agora, e para sempre. Aqui, e na eternidade.”
Eu preciso perguntar a todos os que afirmam serem puros de coração: Podem perdoar desta maneira? (Ou cobrariam retorno por uma simples grosseria, ou correriam para o Tribunal para disputar 6 centavos?). Iriam correr para o Tribunal por causa de 6 centavos ou retribuir um desaforo com uma reação desmedida? Quando bofetados, dão a outra face ou respondem com 10 bofetadas? Guardariam ressentimento durante muito tempo? Se reagem dessa maneira à provocação, precisam saber que estão cultivando sujeira e doença, não pureza. Não guardem rancor, porque seu fruto é o ódio e a inimizade. E a sua pureza, onde está?
Então Abdula disse: “Hummm… Este é um atributo muito difícil de seguir. Diga-me qual é o segundo atributo, talvez seja mais fácil de alcançar.” O homem disse: “Olhe, se me desse o mundo todo e seus tesouros, e o povo tivesse que me prestar obediência dizendo ‘nós estamos fazendo de você o nosso rei, e colocando esse imenso tesouro a sua disposição; por favor tome o seu lugar agora no trono imperial e nos mande fazer o que queira, seu desejo é uma ordem’, não me sentiria nada gratificado ou feliz com isso. E qual é o sinal de que realmente me sinto assim? Este é o terceiro atributo, e confirma o segundo; é a prova de que não ligo para riqueza e poder. Porque se este mesmo povo viesse a mim no dia seguinte, abusasse de mim e me chutasse do trono dizendo: ‘Vá embora.
Nós não aceitamos um rei tão tolo que não se sente feliz por ser coroado rei, nem agradecido por ser soberano de todo esse mundo outorgado a ele, nem com todas essas riquezas e tesouros’, não ficaria minimamente sentido, mas muito, muitíssimo aliviado”.
São estes atributos tão fáceis de alcançar que todo o mundo pode sair por aí dizendo que tem pureza de coração? Se alguém nos desse uma casa – em qualquer lugar – seríamos felizes? Certamente, se ele viesse no dia seguinte e pedisse a casa de volta, nós lamentaríamos. Então, imaginem o que seria tendo o mundo sob o seu comando! Uma renúncia como esta, é um sinal de que o ponto máximo da fé foi alcançado. Allah disse: “O mundo material tem menor valor para mim do que a asa de um mosquito.” Aquele desconhecido alcançou a certeza disso; levou esta sabedoria para o coração e parou de ambicionar este mundo. O verdadeiro crente dirá: “Ó Allah, o quanto valha o mundo material para Vós, que assim seja também para mim.”





































Religiões como a cristã usam do que esta escrito na biblia para digamos ‘programar’ psicologicamente desde a infancia a maneira de perceber o que é o bem e o mal. Devemos então abrir mão de nossa sensibilidade e crer, isto é simplesmente aceitar que por exemplo idéias estranhas como “jesus morreu na cruz para nos libertar dos pecados”, e seguir rituais infantis ou repetir rezas ou orações e suplicas, atraz de beneses para si ou outrem. Porque não amar simplesmente, nos destituindo dessa gravidade e sabedoria que nos faz impiedosos, para com as outra formas de vida. Por exemplo comprando carne sem se preocupar com toda a crueldade nas granjas, mobiliando a casa, aproveitando os menores preços conhecendo a destruição das florestas etc. As idéias contidas nos livros ditos sagrados serviram a sua época e a ainda oprimem. Será que o homem atual cada vez mais, com sua tecnologia e suas crençãs vazias se postou num altar achando-se deus, afinal é difundido que Deus o fez a sua imagem e semenhança. De que vale todos esse estudo e não sentir a realidade do mundo a sua volta. Obrigado
Nossa, como é difícil trilhar esse caminho.Tenho ainda tantos obstáculos, tanta coisa para ser removida, enfim.
Mas continuemos no caminho …
Texto maravilhoso!
Obrigada