A arte objetiva no trabalho esotérico

Esotera: Loja Online de Produtos Esotéricos

Antes de tudo devemos sintetizar o que a Gnose nos ensina sobre a Arte: é uma das quatro colunas do conhecimento, juntamente com a Ciência, a Filosofia e a Mística. Pois, nas obras o artista expressa o que leva em seu interior. Se o artista é um Mestre (que desenvolveu plenamente o conhecimento das quatro colunas) pode nos transmitir uma grande sabedoria. Aprendendo a apreciar os quadros de Leonardo da Vinci, as sinfonias de Mozart ou Beethoven, ou as esculturas gregas, vamos descobrir o ensinamento que está ali oculto, e sentir emoções sublimes, superiores.

Portanto, a Arte transmite conhecimento quando é Objetiva (quando a pessoa que a realiza tem conhecimento e, portanto, consciência desperta) e, no contrário, é subjetiva, se expressam ali os egos.

O mesmo ocorre com a pessoa que observa, se está adormecida, não sente nada superior, o ego não lhe faz entender, no entanto, o mistério de tais obras pode provocar profundas inquietudes…

Posso afirmar isso, pois tenho conhecimento de causa, quando era um jovem com meus 14 anos, mais ou menos, tinha muito interesse por investigar, mesmo de uma forma intelectual, todas essas maravilhas deixadas pelas civilizações antigas: as pirâmides do Egito com suas medidas astronômicas (portanto Arte e Ciência), as maravilhosas construções de pedra feitas tanto na América como em outras partes do mundo (como teriam cortado pedras tão enormes e levado por dezenas de quilômetros, sem rodas ou cavalos, como ocorreu em Cuzco, no Peru, e sendo encaixadas perfeitamente rocha sobre rocha, de tal forma que nem um fio de cabelo poderia entrar entre duas delas?).

Por que tantas pirâmides ao redor do mundo? Por que na Índia e na Grécia os deuses se mostravam nas esculturas com corpos tão sensuais? Qual é a magia da luz dentro de uma catedral gótica? Qual foi a inspiração de Michelangelo para retratar de forma tão poderosa o desenrolar da História do Ser Humano?

É claro que essas inquietudes, aliadas a outras mais inquietantes, me levaram a buscar a Gnose na primeira vez que li sobre ela, e me enchi de entusiasmo arrebatador.

Pois já na primeira conferência se falava sobre Arte, e esperava que me ensinassem a poder contemplá-la, mas não foi bem assim.

Devemos retornar a nos concentrar em quadros objetivos, para extrairmos conhecimento, mas para isso devemos estar praticando intensamente a morte-em-marcha; devemos nos encher do aroma das rosas, das paisagens idílicas, da natureza que possui conhecimento, mas para isso temos de estar transformando todas as impressões, não se identificando com tais paisagens, senão vamos mal, vamos adormecidos. E o que diremos da música clássica, das palavras poéticas que dizemos ao ser amado, do canto dos pássaros, do pór-do-sol, de uma conferência, de nossos gestos, da decoração de nossas casas… se vamos adormecidos, e o ego é que se expressa, é uma arte subjetiva, degenerada.

Se morremos em nós mesmos, e temos de morrer, a consciência vai se expressando mais, e, portanto, na medida do trabalho, vamos nos aproximando da Arte Objetiva e das emoções superiores.

No estado em que estamos podemos aplicar uma DISCIPLINA quanto a arte subjetiva, como, por exemplo, evitar a propaganda apelativa que enche as revistas, evitar a televisão, o cinema com sua violência, o teatro orgíaco, os quadros que se fazem desagradáveis, os lugares poluídos, a música de frenesi que tem fundo pornográfico…

Não devemos ser fanáticos, não devemos fugir do ginásio psicológico, para evitar tudo isso devemos praticar a morte-em-marcha intensamente.

Morrendo em nós mesmos vamos tirar conhecimento até dessas manifestações subjetivas.

Temos de compreender que tudo isso de fora não é culpa dos outros… é reflexo do que nós temos dentro, mudando nosso interior mudaremos nossa forma de expressar.

O VM Samael afirma que é necessário transformarmo-nos em super-homens, ter transmutado a energia sexual e nos tornarmos gênios. Diz Samael:

“O Iniciado ama a música dos grandes clássicos e sente repugnância pela música infernal das pessoas vulgares. A música afro-cubana desperta os mais baixos fundos animais do homem. O INICIADO ama a música dos grandes compositores. Por exemplo, A Flauta Encantada de Mozart nos recorda uma INICIAÇÃO IGÍPCIA. Existe íntima relação entre o verbo e as energias sexuais. A palavra do Grande Mestre Jesus se CRISTIFICOU, bebendo o VINHO DE LUZ do alquimista no cálice da sexualidade.”

“A alma comunga com a Música das Esferas, quando escutamos as nove Sinfonias de Beethoven ou as composições de Chopin, ou a divina Polonaize de Listz. A música é a palavra do Eterno. Nossas palavras devem ser música inefável; assim sublimamos a energia criadora até o coração. As palavras asquerosas, sujas, imodestas, vulgares etc., têm o poder de adulterar a energia criadora… convertê-la em poderes infernais.

“Nos Mistérios de Elêusis, as danças sagradas, os bailes desnudos, o beijo ardente e a conexão sexual convertiam os homens em deuses. A ninguém ocorria, então, pensar em porcarias, senão em coisas santas e profundamente religiosas.”

“As danças sagradas são tão antigas como o mundo e tem sua origem no amanhecer da vida sobre a Terra. Os bailes súfis e os dervixes dançantes são tremendamente maravilhosos. A música deve despertar no organismo humano para falar o verbo de ouro.”

Até aqui, o VM Samael nos fala sobre a Música, a Dança, o cuidado com a fala (o Verbo), tudo isso no livro O Matrimônio Perfeito, em outro livro constatamos que ouvindo as inefáveis músicas de Beethoven, Mozart e Bach, entre outros, desenvolvemos o centro Emocional Superior (A Doutrina Secreta de Anahuac), é claro que Beethoven foi um Iniciado que amou intensamente sua Mãe Divina e transmitiu em sua obra todo esse trabalho titânico. Mais à frente no mesmo texto do Matrimônio Perfeito o mestre nos fala com o cuidado com a casa, com nosso lar:

“A casa dos Iniciados Gnósticos deve estar cheia de beleza. As flores que embalsamam o ar com seus aromas, as belas estátuas, a ordem perfeita e o asseio fazem de cada lar um verdadeiro SANTUÁRIO GNÓSTICO.”

Qual a importância da escultura, da beleza, da ordem, na psique, isso o mestre explica no capítulo Beleza, do livro O Mistério do Áureo Florescer, na conclusão de uma narração de Waldemar:

“…”Se belos seres criam belas estátuas, estas obram de novo sobre aqueles e o Estado há de agradecer às belas estátuas os belos cidadãos. Entre nós, a delicada imaginação da mãe só parece exteriorizar-se em monstros”.”

“Necessário é regressar ao ponto de partida original e cultivar, com singular anelo, a beleza de espírito…”

“A recâmara nupcial deve converter-se no templo da arte; ela é, em si mesma, o centro magnético do amor.”

“As mulheres de santa predestinação não devem perder, jamais, a capacidade de assombro…”

“Contemplai, ó Filhas de Vênus! As divinas esculturas de vossa habitação, a fim de que o fruto do vosso amor seja realmente belo…

“Criai belezas, eu vos digo, em nome do amor e da verdade.. Sede felizes, bem amadas! Sede ditosas com vossas criações …”

“A alcova nupcial é o Santuário de Vênus, não a profaneis, jamais, com pensamentos indignos.

Portanto, procurando a concentração em belas obras de arte, na música, na escultura, nas palavras dignas e pensamentos elevados, tudo isso nos ajudará a melhorar, mas o fundamental é a Morte, de forma radical, senão o resultado seria extremamente incipiente.

Na poesia, o exemplo é Goethe adorando sua mãe Divina:

Virgem pura no mais belo sentido

Mãe digna de veneração por nós

Rainha eleita por nós

e de condição igual aos Deuses.

Ou Dante Alighieri, que na sua Divina Comédia ilustra de forma direta sobre o Inferno, Purgatório e o Céu.

Enquanto a pintura, além de representar as paisagens da natureza, pode criticar intensamente o estado animalesco que esta a humanidade, assim cita nAs Três Montanhas, no capítulo A Igreja Gnóstica:

“Com tantos e quantos berros, aulidos, silvos, relinchos, chiados, mugidos, grasnidos, miados, ladridos, bufares, roncos e crocitares segue ouvindo o vidente poeta, falando-nos com palavras que são pinceladas lívidas e fosfóricas de El Greco, em aparições extraordinárias, como as dOs Caprichos de Goya.”

No mesmo capítulo, ao descrever a Igreja Gnóstica, na dimensão astral, o mestre mostra sua arquitetura transcendental:

“Templo de mármore luminoso que mais parece de cristal por suas raras transparências.”

“O terraço daquela igreja transcendida dominava, invicto, como uma acrópole gloriosa, o âmbito solene de um sacro pinheiral…”

“Dali, o constelado firmamento resplandecente podia ser contemplado como outrora, nos tempos atlantes; aqueles hoje sepultados templos lembrados pela extraordinária poesia de Maeterlink; dos que Asura-Maya, o astrônomo discípulo de Narada, faria as observações prévias para descobrir seus ciclos cronológicos de milhares de anos, ensinando-os, depois, aos seus amados discípulos, à luz da lua pálida, qual hoje praticam seus devotos sucessores.”

Com o trabalho com a Morte, iremos desenvolver as quatro colunas dentro de nós, mas já devemos traçar uma DISCIPLINA dentro de nós, e com toda a Arte ao nosso redor, para irmos nos preparando para quando desenvolvermos o mental superior e o emocional superior.

O trabalho com o Nascer é fundamental, assim nos mostram os templos indianos com os casais divinos se amando, temos que desenvolver nossas faculdades, pois hoje como estamos vamos ainda muito mal.

E o Sacrifício pela Humanidade, pois na Arte se expressa, se expressa não para si, mas para os demais, para poder entregar o conhecimento, para poder amar profundamente toda a Humanidade.

E é isso somente que queremos, amar profundamente toda a Humanidade!
(Luciano Moraes, Retratista, pintor e poeta)

  • RSS
  • Envie este texto para um amigo
  • Compartilhe
  • del.icio.us
  • StumbleUpon
  • Digg
  • TwitThis
  • Google

Envie seu Comentário

Não será publicado