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O
reinar justifica a ambição,
Inda que seja no próprio inferno!
É preferível reinar no inferno
Que servir como escravos no céu!
(John Milton – O Paraíso
Perdido)
A
"Queda dos Anjos", o "Pecado Original",
a "Redenção da Humanidade"...
Esses arquétipos se repetem em todas as línguas,
revestem-se de todas as cores, e a tradição
do pecado, do erro, da culpa, da rebeldia, permanece.
A memória de um grande erro renovando a enorme
culpa perplexa e incompreensível. Qual foi, afinal,
o grande crime da humanidade? De quantas humanidades?
A culpa da humanidade católica, a culpa dos judeus,
a culpa dos muçulmanos, as culpa dos brâhmanes
e dos budistas, a culpa da ignorante massa de hinduístas,
de fetichistas curandeiros das tribos incultas da África...
Afinal, o que fizeram essas multidões para carregar
todas as lembranças de sua desobediência
ou ingenuidade original?
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Para os gnósticos, teosofistas e ocultistas
em geral, o "mito" do pecado original, da queda
angelical e sua maldição foram um fato ocorrido
muitos milhões de anos atrás, em tempos que
nem remotamente sonham os historiadores acadêmicos.
Tempos em que seres fantásticos se misturavam aos homens
e às bestas. Ali ocorreram tragédias que os
grandes mitólogos, tratadistas e profetas explicaram
em contos tais como a história de Adão, Eva,
a Serpente e o Paraíso.
As escrituras mais antigas e tradições
orais mais bem preservadas dizem que primeiro os anjos caíram
e depois o homem pecou, um pecado que são se limita
ao mero erro de conseqüências reversíveis.
Ao contrário, cometeu um "erro fatal", escolheu
um caminho sem volta. Sem volta? O Gênesis judaico-cristão,
em linhas alegóricas gerais, descreve esse erro como
uma desobediência: o homem comeu um "fruto proibido".
Era proibido comer; comeu, se deu mal. Não teve remédio,
teve de ser expulso do Jardim do Éden, da felicidade
paradisíaca, nirvânica.
A Queda dos Anjos. Este é um dos mais
profundos mistérios da Teologia. A Bíblia afirma
que Deus fez os Anjos tão perfeitos, como podem tais
seres pecar? Esse Paraíso existiu realmente neste mundo
físico. Tratou-se da legendária Lemúria,
tão decantada por Madame Blavatsky e o venerável
mestre Samael Aun Weor (para saber mais
sobre a Lemúria,
clique aqui). Este grande mestre gnóstico
faz um comentário interessantíssimo sobre alguns
dos principais chefes angélicos dos primitivos tempos
lemúricos. Gente de alta estirpe espiritual que se
transformou em demônios ou bodhisatvas caídos,
em mestres caídos. Vejamos seu texto sobre os Anjos
Caídos:
O
ultramoderno Lúcifer-Prometeu, involucionando
espantosamente no tempo, converteu-se agora em Epitemeu,
o que se vê somente após o acontecimento,
porque a gloriosa filantropia universal do primeiro
se degenerou há muitos séculos em interesse
e adoração próprios. Ó,
Deuses Santos!
Quando
poderemos romper estas cadeias que nos atam ao Abismo
do mistério? Em que época da história
do mundo ressurgirá o brilhante Titã,
livre de outrora no coração de cada homem?
Morrer em nós mesmos é essencial se verdadeiramente
ansiamos com todas as forças da alma harmonizar
as duas naturezas: Divina e Humana em cada um de nós. |
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Invulnerabilidade ante as forças titânicas
inferiores, impenetrabilidade em grande escala, somente são
possíveis eliminando-se integralmente os nossos defeitos
psicológicos, esses horríveis Diabos Vermelhos
mencionados no Livro da Morada Oculta. Seth, o ego animal,
com todos os seus sinistros agregados subjetivos sabe ser
terrivelmente maligno. Escrito está com carvões
acesos no tremendo Livro do Mistério que o Dom Luciférico,
terrível como nenhum outro, tornou-se mais tarde, para
desgraça nossa e de todo este aflito mundo, a causa
principal, senão a própria origem do mal.
Zeus tempestuoso, o que amontoa as nuvens,
representa claramente a hoste dos progenitores primários,
os Pitris, os Pais que criaram o homem à sua imagem
e semelhança. Não ignoram os poucos sábios
do mundo que Lúcifer-Prometeu,
Maha-Asura, o doador do fogo e da luz, e acorrentado horrivelmente
ao Monte Cáucaso e condenado à pena de viver,
representa também os Devas rebeldes que caíram
na geração animal no amanhecer da vida. Citamos
neste livro ardente do fogo, alguns desses Titãs caídos
ao raiar da aurora:
Recordemos, inicialmente, Moloc,
Anjo outrora luminoso, horrível rei manchado de sangue
dos sacrifícios humanos e com as lágrimas dos
pais e das desesperadas mães. Apesar dos sons de tambores
e tímbalos, apenas eram ouvidos os clamores dos filhos,
quando arrojados ao fogo, e imolados sem piedade por aquele
execrável monstro, belo deus de outros tempos. Os Amonitas
o adoraram em Rabba e em sua úmida planura, em Argob
e em Bassam, até as mais remotas correntes do Arno.
Conta a lenda dos séculos que Salomão, filho
de Davi, rei de Sião, levantou um templo a Moloc no
monte do opróbio. Dizem os Sete Senhores do Tempo que
posteriormente o velho sábio dedicou ao tal anjo caído
um bosque sagrado no doce vale de Hinnom. Fecunda terra perfumada
que por tal motivo tão fatal, trocara desde então
seu nome de Tofet e a negra Gehena, verdadeiro tipo de inferno.
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Seguindo
Moloc, Homem-Anjo da arcaica Lemúria Vulcânica,
onde os rios de água pura da vida emanavam leite
e mel, vem Baal-Pehor, o obsceno terror
dos filhos de Moab, que habitavam desde Aroer até
Nebo e ainda muito além da parte meridional do
deserto de Abarim. Povos de Hesebom e Heronaim, no reino
de Sión e além dos florescentes vales
de Sibma, atapetados de vinhedos, e em Elealé,
até o lago Asfaltites. Espantoso, esquerdo, tenebroso
Baal Pehor, em Sittim incitou os israelitas durante
sua marcha pelo Nilo a que fizessem lúbricas
obrigações, que tanto mal acarretou-lhes.
Desde
ali este Elohim caído entre os vermelhos incêndios
luciferinos astutamente estendeu suas lascivas orgias
tenebrosas até o próprio monte do escândalo,
muito próximo do bosque do homicida Moloc. É
óbvio que assim ficou estabelecida a concupiscência
abominável ao lado do ódio, até
que o piedoso Josias os arrojou ao inferno. |
Com estas divindades terrivelmente malignas
que trazem os nomes indesejáveis de Baal
e Astarot, e que no velho continente Mu foram
homens exemplares, anjos humanizados, socorreram as delícias
ribeirinhas banhadas pelas águas tormentosas do antigo
Eufrates até a torrente que separa o Egito da terra
da Síria.
Continuando, depois, em ordem sucessiva, aparece
Belial. Desde o Empíreo certamente
não tem caído um espírito mais impuro,
nem mais grosseiramente inclinado ao vício, que essa
criatura que nos antigos tempos lemúricos fora realmente
um Mestre, ou Guru Angélico de inefáveis esplendores.
Esse demônio terrível em outros tempos não
tinha templos, nem lhe eram oferecidos sacrifícios
em nenhum altar. Entretanto, ninguém está mais
presente do que ele nos templos e nos altares. Quando o sacerdote
torna-se ateu, como os filhos de Eli, que infelizmente encheram
de prostituições e de violência a casa
do Senhor, convertem-se, de fato, em escravos de Belial. Hierofante,
sublime das épocas arcaicas de nosso mundo, anjo singelo,
agora perverso Demônio-Luciférico, que reina
também nos palácios e nas cortes faustosas e
nas cidades dissolutas, onde o ruído do escândalo,
da luxúria e do ultraje eleva-se sobre as mais elevadas
torres. E quando a noite obscurece as ruas, então vagueiam
os filhos de Belial, plenos de insolência e de vinho.
Testemunhas dele são as ruas de Sodoma e aquela noite
horrível em que uma porta de Gaaba expôs-se uma
matrona para evitar um rapto mais asqueroso.
Inspirem-me, musas! Falem-me, deuses! Para
que meu estilo não desdiga da natureza do assunto.
E que direi agora de Azazel, glorioso Querubim,
homem extraordinário da terra antiga? Ó, quanta
dor! Essa criatura excelente também caiu na geração
animal... Que terrível é a sede da luxúria
sexual! O caído arranca da haste brilhante o sinal
imperial. Esta, estendida e agitada ao vento, brilha como
um meteoro, com as pérolas e o rico brilho do ouro
que desenham nela as armas e os troféus seráficos.
E vem após Mammon,
o menos elevado dos Homens-Anjos da antiga Arcádia,
igualmente caído na geração bestial.
Ele foi o primeiro que ensinou aos habitantes da terra a saquearem
o centro do mundo, como assim o fizeram extraindo das entranhas
de sua mãe alguns tesouros que valeriam mais se ficassem
ocultos para sempre. A gente cobiçosa de Mammon abriu
em breve uma larga ferida na montanha e extraiu de seu seio
grandes lingotes de ouro.
E
quanto ao anjo Mulciber, que diremos
agora? Não foi verdadeiramente menos conhecido
nem careceu jamais de adoradores fanáticos na
antiga Grécia, isso o sabem os divinos e os humanos.
A fábula clássica refere-se como foi precipitado
do Olimpo, arrojado pelo irritado Júpiter, por
cima dos cristalinos muros divinais; de nada serviu-lhe
haver elevado altas torres ao céu. Homem genial
da raça purpúrea no continente Mu, caído
nos Abismos da paixão sexual.
E concluindo esta pequena
lista de “Deidades” fulminadas pelo raio
da Justiça Cósmica, é necessário
dizer que de nenhuma maneira faltam no Pandemonium,
a grande capital de Satanás e de seus pares,
Andrameleck, de que tanto temos falado
em nossos passados livros gnósticos, e Asmodeu,
seu irmão, dois resplandecentes Tronos do céu
estrelado de Urânia, caídos também
na geração animalesca. Homens exemplares,
deuses com corpos humanos na terra de Mu, revolvendo-se
agora abjetos no leito de Procusto.
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A hoste Luciférico-Crística
que encarnou na Lemúria arcaica, induzida por aquele
Nêmesis ou Karma Superior (que controla os inefáveis
e que é conhecido como Lei da Katância),
cometeu o erro de cair na geração animal. Nefasta
foi à humana espécie a queda sexual dos Divinos
Titãs, que não souberam usar o Dom de Prometeu
e a rolaram ao Abismo. Nossos salvadores, os Agnishvattas,
os Titãs superiores do fogo luciférico, não
podem jamais ser enganados. Eles, os brilhantes Filhos da
Aurora, sabem muito bem distinguir o que é uma queda
e o que é uma descida. Alguns equivocados sinceros
empenham-se agora em justificar a queda angelical.
Lúcifer é, metaforicamente,
o archote condutor que ajuda o homem a encontrar sua rota
através dos recifes e dos bancos de areia da vida.
Lúcifer é o Logos em seu aspecto mais elevado,
e o Adversário em seu aspecto inferior, refletindo-se
ambos em nós e dentro de cada um de nós. Lactâncio,
falando da natureza de Cristo, faz do Logos, o Verbo, o primogênito
irmão de Satã e a primeira de todas as criaturas.
Na grande tempestade do fogo luciférico combatem-se
mutuamente esquadrões de anjos e demônios (protótipos
e antítipos). Se aquele bom Senhor Amfortas, Rei do
Santo Graal, tivesse sabido usar habilmente o Dom Luciférico
no instante supremo da tentação sexual, é
ostensível que haveria passado por uma transformação
radical.
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