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Salve,
ó bendita Deusa Atenea-Neith! Quão grandes
são tuas obras e maravilhas! Bem sabem os Deuses
e os sábios que tu és a divina Clítone
da submersa Atlântida. Está escrito com
caracteres de fogo no grande livro da vida que tu, ó
Deusa, soubeste selecionar inteligentemente o melhor
da semente de Vulcano para fundar a augusta cidade de
Atenas. Ó Neith! Estabeleceste a Saís
no delta do Nilo. O país ensolarado de Kem inclina-se
reverente diante de ti. Salve!... Salve!... Salve!...
Ainda ressoam, no fundo dos séculos, aquelas
frases do sacerdote de Saís: "Ó
Sólon, Sólon, vós gregos não
sois senão meninos! Não há na Grécia
um único ancião! Vós sois todos
jovens de alma, porquanto não entesourais qualquer
opinião verdadeiramente antiga e vinda de arcaica
tradição. Não possuis nenhum conhecimento
branqueado pelo tempo. Eis aqui por quê: Ao longo
dos séculos as destruições de homens
e povos inteiros se sucederam em grande número. |
As menores por mil causas diversas e as maiores pelo
fogo e pela água.'Assim, há entre vós
a velha tradição de que outrora, Faetonte, o
filho do sol, ao tentar dirigir o carro de seu pai, incendiara
a terra e que ferido pelo raio, ele próprio pereceu.
Semelhante relato é de caráter fabuloso. A verdade
que tamanha fábula oculta sob seu símbolo é
a de que os corpos celestes que se movem em suas órbitas
sofrem perturbações, que determinam no tempo
uma destruição periódica das coisas terrestres
por um grande fogo.
Em tais catástrofes, os que habitam nas montanhas,
paragens elevadas e áridas perecem mais depres-sa que
os moradores da orla marítima e dos rios. A nós,
o Nilo, a quem de tantas maneiras (levemos a vida, salvou-nos
de tamanho desastre, quando os Deuses purificaram a terra
submergindo-a. Sim, nem todos os vaqueiros e pastores pereceram
sobre as montanhas. Habitantes de vossas cidades foram pouco
a pouco levados até o mar, seguindo a corrente dos
rios.Sem dúvida, em nosso país, nem agora e
nem em outra época, as chuvas fecundaram nossas campinas,
porém a natureza dispôs que a água nos
viesse da própria terra, pelo rio.
Esta é a causa porque o nosso país pode
conservar as tradições mais antigas. Nem os
calores extrema-dos, nem as chuvas excessivas, o despojou
de seus habitantes. Além do mais, se bem que a raça
humana possa aumentar ou diminuir em número de indivíduos,
jamais chega a desaparecer por completo da face da terra.
Deste modo e por esta razão, tudo quanto se fez de
formoso, grande ou memorável, sob qualquer aspe-to,
seja em vosso país, seja no nosso ou em um outro, está
escrito há muitos séculos e conservado em nossos
templos. Todavia, entre vós e demais povos, o uso da
escrita e do que é necessário a um estado civilizado
não data de uma época muito recente.
Acontece que, subitamente, com determinados intervalos,
vêm a cair sobre vós como uma peste cruel torrentes
que se precipitam do céu e não deixam sobreviver
senão homens estranhos às letras e às
musas, de sorte que recomeçais, por assim dizer, vossa
infância e ignorais todo acontecimento de vosso país
ou do nosso que remonta ao tempo antigo. Assim, Sólon,
todos esses detalhes genealógicos que nos destes relativos
à vossa pátria... Parecem-se a meros contos
infantis. Desde logo vós nos falais de um dilúvio,
quando se verificaram muitos outros anteriormente. Além
do mais, ignorais que em vosso paíis existiu a raça
de homens mais excelente e perfeita. Dela tu e toda a nação
são descendentes, depois que ela pereceu com exceção
de um pequeno número.
Vós não sabeis porque os primeiros descendentes
daquela raça morreram sem transmitir nada por escrito
durante muitas gerações. Antigamente. Sólon,
antes da última grande destruição pelas
águas, esta mesma república de Atenas já
existia. Era admirável na guerra e se distinguia em
tudo pela prudência e sabedoria de suas leis, bem como
por suas generosas ações. Contava, por fim,
com as instituições mais formosas que jamais
se ouviu falar sob os céus."
Sólon acrescenta que ficou pasmado diante de semelhante
relato e que cheio de infinita curiosidade rogou aos sacerdotes
egípcios que ampliassem seus relatos". Eu estive
reencarnado na terra sagrada dos faraós durante a dinastia
do Faraó Kefrén. Conheci a fundo os antigos
Mistérios do Egito secreto e em verdade digo a todos
que jamais consegui esquecê-los.
Nestes precisos instantes, vêm a minha memória
acontecimentos maravilhosos. Uma tarde qualquer, não
importa qual, caminhando lentamente pelas areias do deserto,
sob os ardentes raios do sol tropical, atravessei silencioso,
como um sonâmbulo, uma rua misteriosa de esfinges milenárias,
diante do olhar exótico de uma tribo nômade que
me observava desde suas tendas. À sombra veneranda
de uma antiquíssima pirâmi-de, tive de me acercar
um momento para descansar um pouco e para arrumar, pacientemente,
as correias de uma das minhas sandálias.
Depois, diligente, busquei com ânsia a augusta entrada,
pois desejava voltar ao Caminho Reto. O guardião, como
sempre, estava no umbral do mistério. Impossível
esquecer aquela figura hierática de rosto de bronze
e pômulos salientes. Esse homem era um colosso... Em
sua direita, em-punhada com heroísmo, estava a terrível
espada. Seu porte era formidável e não há
dúvida que usava com pleno direito o mandil maçônico
(avental).
O interrogatório foi bastante severo:
"Quem és?"
"Sou um suplicante que vem cego em busca de luz".
"O que desejas?"
"Luz – respondi."
(Seria muito longo transcrever no espaço deste capítulo
todo o exame verbal).
Depois, de uma maneira que eu qualifico de violenta, despojou-me
de todo objeto metálico, inclusive das sandálias
e da túnica. O mais interessante foi aquele instante
em que o hercúleo homem me segurou pela mão
para conduzir-me ao Santuário. Os instantes em que
a pesada porta girou sobre seus gonzos de aço, produzindo
esse DÓ misterioso do velho Egito,
foram inesquecíveis. O que aconteceu depois, o encontro
macabro com o "Irmão Terrível", as
provas do Fogo, Ar, Água e Terra, pode ser encontrado
por qualquer Iluminado nas memórias da natureza.
Na prova do fogo, tive de me controlar o melhor possível,
quando atravessei um salão em chamas. O piso estava
cheio de vigas de aço esquentadas ao vermelho vivo.
Muito estreito era o espaço entre aqueles trilhos de
ferro ardentes, havia somente lugar para pôr os pés.
Muitos foram os aspirantes que pereceram neste esforço,
naqueles tempos.
Ainda recordo com horror aquela argola de aço encravada
na rocha. Em baixo, somente se via o tenebroso e horripilante
precipício. Sem dúvida, saí vitorioso
na prova do ar. Triunfei onde outros pereceram.
Passaram-se muitos séculos e ainda não consegui
esquecer, apesar da poeira de tantos anos, aqueles crocodilos
sagrados do lago. Se não fossem as conjurações
mágicas, teria sido devorado por esses répteis,
aliás como aconteceu a muitos aspirantes.
Inumeráveis infelizes foram triturados e quebrados
pelas rochas na prova da terra. Eu triunfei. Vi com indiferença
duas enormes pedras que ameaçavam minha existência,
fechando-se em torno de mim vira reduzirem-me a poeira cósmica.
Certamente, não sou mais do que um miserável
verme do lodo da terra, porém saí vitorioso.
Assim, foi como retornei à senda da revolução
da consciência depois de ter sofrido muito. Fui recebido
no Colégio Iniciático. Fui vestido solenemente
com a túnica de linho branco dos sacerdotes de Ísis
e no meu peito colocaram a cruz Tau egípcia.
"Salve, ó Rá! Semelhante
a Tum (o Pai) te levantas por cima do horizonte e
semelhante a Hórus (o Íntimo) caminhas
no céu.
Tua formosura regozija meus olhos e
teus raios (solares) iluminam meu corpo na terra.
Quando navegas em tua barca celeste
(o astro-rei), a paz se estende pelos vastos céus.
Eis aqui que o vento incha as velas
e alegra teu coração; com marcha rápida
atravessas o céu.
Teus inimigos são derrubados
e a paz reina em torno de ti. Os Gênios Planetários,
percorrendo suas órbitas, cantam tua glória.
E quando desces no horizonte, atrás
das monta-nhas do oeste, os Gênios das estrelas fixas
se prosternam diante de ti e te adoram". (Porque
tu és o Logos Solar.)
Grande é tua formosura no alvorecer
e na tarde, ó, tu, Senhor da vida e da ordem dos mundos.
Glória a ti, ó Rá,
quando te levantas no horizonte e quando pela tarde, semelhante
a Tum (o Pai), te deitas.
Pois, na verdade, teus raios (solares)
são formosos, quando no alto da abóbada celeste
te mostras em todo teu resplendor.
Ali, é onde habita Nut (a
Divina Mãe Kundalini) que te trouxe ao mundo.
Eis aqui que és coroado Rei
dos Deuses.
A Deusa do Oceano Celeste, Nut, tua
mãe, se prosterna em adoração diante
de ti.
A ordem, o equilíbrio dos mundos
de ti emanam.
Desde a manhã, quando partes,
até a tarde, à chegada, em rápidos lances
percorres o céu. (És o Cristo -Sol.)
Teu coração se alegra
e o lago celeste fica pacifi-cado. Derrubado é o demônio
(o Ego, o Eu Pluralizado). Seus membros são
cortados e suas vértebras seccionadas. (Assim acontece
quando o dissolvemos)
Ventos propícios empurram tua
barca até o porto.
As divindades das quatro regiões
do espaço te adoram. Ó tu, Substância
Divina, de que procedem todas as formas e todos os seres...
Eis que acabas de pronunciar uma palavra
e a ter-ra silenciosa te escuta...
Tu, Divindade única (Cristo
Solar), tu já reinavas no céu em uma época
em que a terra com suas montanhas ainda não existia.
Tu, o Rápido! Tu, o Senhor!
Tu, o Único! Tu, o Criador de tudo quanto existe!
Na aurora dos tempos, tu modelaste
a língua das Hierarquias Divinas". (Ele põe
a palavra na laringe dos Deuses.)
Tu arrancaste os seres do Primeiro
Oceano (o Caos) e os salvaste em uma Ilha do Lago de Hórus
(o Íntimo).
Possa eu respirar o ar das ventas de
teu nariz e o vento do norte que envia Nut (a Mãe
Divina), tua Mãe.
Ó Rá! Digna-te santificar
meu espírito. Ó Osíris! Devolve à
minha alma sua natureza divina! Glória a ti, ó
Senhor dos Deuses! Louvado seja teu nome.
O Criador de obras admiráveis!
Aclara com teus raios meu corpo que repousa na terra para
toda a eternidade."
(Esta oração é textual do Livro
Egípcio da Morada Oculta)
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