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É claro
que este é um evento maravilhoso, sobre o qual urge
meditar profundamente...
O
Sol realiza a cada ano uma viagem elíptica que
começa no dia 25 de dezembro, e então
regressa ao pólo sul, até a região
da Antártida; exatamente por isto vale a pena
refletirmos em seu significado profundo. Nesta época
começa o frio aqui no norte, devido exatamente
ao fato de que o Sol vai se afastando para as regiões
austrais e, no dia 24 de dezembro, terá atingido
o ponto máximo de sua viagem na direção
sul. Se o Sol não avançasse rumo ao norte
do dia 25 de dezembro em diante, morreríamos
de frio. A Terra inteira se converteria em um bloco
de gelo e realmente pereceriam todas as criaturas, tudo
o que tem vida.
Assim,
vale a pena refletir sobre o acontecimento do Natal.
O Cristo-Sol deve avançar para dar-nos vida,
e, no equinócio da Primavera, se crucifica na
Terra; então amadurecem a uva e o trigo. |
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É
precisamente na Primavera que o Senhor deve passar por sua
vida, paixão e morte, para logo ressuscitar; a Semana
Santa é na Primavera no Hemisfério Norte.
O Sol
físico nada mais é que um símbolo do
Sol Espiritual, do Cristo-Sol. Quando os antigos adoravam
o Sol, quando lhe rendiam culto, não se referiam exatamente
ao Sol físico; rendia-se culto ao Sol Espiritual, ao
Sol da Meia-Noite, ao Cristo-Sol. Inquestionavelmente, é
o Cristo-Sol quem deve guiar-nos nos Mundos Superiores de
Consciência Cósmica. Todo místico que
aprende a funcionar fora do corpo físico à vontade
é guiado pelo Sol da Meia-Noite, pelo Cristo Cósmico.
É
preciso aprender a conhecer os movimentos simbólicos
do Sol da Meia-Noite; é ele quem guia o Iniciado, quem
nos orienta, ele é que nos indica o que devemos e não
devemos fazer. Estou falando no sentido esotérico mais
profundo, levando em conta que todo Iniciado sabe sair do
corpo físico à vontade, que isto de não
saber sair à vontade é próprio de principiantes,
gente que ainda está dando os primeiros passos nesses
estudos. Se alguém está na Senda, tem que saber
guiar-se pelo Sol da Meia-Noite, pelo Cristo-Sol, aprender
a reconhecer seus sinais, seus movimentos. Se o vemos, por
exemplo, desaparecer no ocaso, o que é que isto nos
indica ? Simplesmente que algo deve morrer em nós.
Se o vemos surgir do Oriente, o que é que isto nos
diz ? Que alguma coisa deve nascer em nós.
Quando
nos saímos bem nas provas esotéricas, ele brilha
em sua plenitude no horizonte. O Senhor nos orienta nos Mundos
Superiores, e temos de aprender a reconhecer seus sinais. Dupuis e muitos
outros estudaram o maravilhoso acontecimento do Natal; não
há dúvida, e isto o reconhece Dupuis, de que
todas as religiões da antiguidade celebraram o Natal.
Assim como o Sol
físico avança para o norte para dar vida a toda
a criação, também o Sol da Meia-Noite,
o Sol do Espírito, o Cristo-Sol, nos dá vida
se aprendemos a cumprir com seus mandamentos. Nas Sagradas
Escrituras se fala, obviamente, do acontecimento solar, e
há que saber entender isto nas entrelinhas. A cada
ano se vive no Macrocosmos todo o Drama Cósmico do
Sol; cada ano, repito. Leve-se em conta que o Cristo-Sol deve
crucificar-se cada ano no mundo, viver todo o drama de sua
vida, paixão e morte, para logo ressuscitar em tudo
o que é, foi e será, quer dizer, em toda a criação.
Assim, pois, é como todos nós recebemos a vida
do Cristo-Sol. Também é certo que cada ano o
Sol, ao afastar-se para a região Austral, nos deixa
tristes aqui no norte, pois vai dar vida a outras partes.
As noites longas de inverno são fortes. Na época
do Natal os dias são curtos e as noites longas.
Vamos refletindo
sobre tudo isto, e convém que entendamos o que é
o Drama Cósmico. É necessário que também
em nós nasça o Cristo-Sol, ele deve nascer em
nós. Nas Sagradas Escrituras se fala claramente de
Belém e de um estábulo onde ele nasce; esse
estábulo de Belém está dentro de cada
um aqui e agora; precisamente nesse estábulo interior
moram os animais do desejo, todos esses "eus " passionais
que carregamos em nossa psique, isto é óbvio.
"Belém" mesmo é um nome esotérico;
nos tempos em que o grande Kabir veio ao mundo, a aldeia de
Belém não existia, de modo que isto é
inteiramente simbólico. Bel é uma raiz caldéia
que significa Torre do Fogo, de modo que, propriamente dito,
Belém é Torre do Fogo. Quem poderia ignorar
que Bel é um termo caldeu que corresponde precisamente
à Torre de Bel, à Torre do Fogo ? Assim, o termo
Belém é totalmente simbólico.
Quando o Iniciado
trabalha com o Fogo Sagrado, quando elimina completamente
de sua natureza íntima os agregados psíquicos,
quando de verdade está realizando a Grande Obra, indubitavelmente
há de passar pela Iniciação Venusta;
a descida do Cristo ao coração do homem é
um acontecimento cósmico e humano de grande transcendência;
tal evento corresponde na verdade à Iniciação
Venusta. Infelizmente, não se compreendeu realmente
o que é o Cristo; muitos supõem que o Cristo
foi exclusivamente Jesus de Nazaré, e estão
equivocados. Jesus de Nazaré, como homem - ou, melhor
dizendo, Jeshuá ben Pandirá - recebeu, como
homem, a Iniciação Venusta, encarnou o Cristo,
mas não é o único a ter recebido tal
Iniciação. Hermes Trimegisto, o três vezes
grande Deus Íbis de Thot, também O encarnou.
João Batista, a quem muitos consideravam como o Christus,
o Ungido, inquestionavelmente recebeu a Iniciação
Venusta, encarnou-O. Os Gnósticos Batistas asseguravam
na Terra Santa que o verdadeiro Messias era João, e
que Jesus era somente um Iniciado que havia querido seguir
a João. Havia naquela época disputas entre Batistas,
Gnósticos, Essênios e outros.
Devemos entender
o Cristo tal qual é, não como uma pessoa, como
um indivíduo. O Cristo está mais além
da Personalidade, do Eu e da Individualidade. Cristo em esoterismo
autêntico é o Logos, o Logos Solar representado
pelo Sol. Agora compreenderemos porque os Incas adoravam o
Sol, os Nahuas lhe rendiam culto, os Maias, os Egípcios,
etc. Não se trata da adoração a um sol
físico, mas ao que se oculta atrás deste símbolo
físico; obviamente, adorava-se o Logos Solar, o Segundo
Logos. Este Logos Solar é unidade múltipla perfeita.
A variedade é unidade. No mundo do Cristo Cósmico
a individualidade separada não existe; no Senhor somos
todos um...
Me vem
à memória certa experiência, digamos,
esotérica, realizada há muitos anos. Então,
submergido em profunda meditação, obtive certamente
o Samadhi, o estado de Mantéia, o Êxtase, como
é chamado no esoterismo ocidental. Naquela ocasião
eu desejava saber algo sobre o batismo de Jesus, o Cristo,
pois bem sabemos que João o batizou. Foi profundo o
estado de abstração, obtive o perfeito Dharana,
ou seja, concentração, o Dhyana, ou meditação,
e por fim consegui o Samadhi; me atreveria a dizer que foi
um Maha-Samadhi, porque abandonei perfeitamente os corpos
Físico, Astral, Mental, Causal, Búdico e até
o Átmico. Consegui, pois, reabsorver minha consciência
de forma íntegra no Logos. Assim, nesse estado logoico,
como um Dragão de Sabedoria, fiz a correspondente investigação.
De imediato me vi na Terra Santa, dentro de um templo; mas,
coisa extraordinária, vi a mim mesmo convertido em
João Batista, com uma vestimenta sagrada; vi quando
traziam a Jesus com sua veste branca, sua túnica branca.
Dirigindo-me a
Ele, disse: "Jesus, despe tua túnica, tua vestimenta,
pois vou batizar-te". Depois retirei de um recipiente
um pouco de azeite de oliva, conduzi-O ao interior do Santuário,
ungi-O com o óleo, despejei água sobre Ele e
recitei os mantrams e ritos. Depois, o Mestre se sentou em
sua cadeira à parte; eu guardei tudo novamente, pus
os objetos em seus lugares e dei por terminada a cerimônia.
Mas vi-me transformado em João!
É
claro que, uma vez passado o Êxtase, o Samadhi, pensei:
"Mas como é possível que eu seja João
Batista? Nem remotamente, eu não sou João Batista!
Fiquei bastante perplexo e pensei: "Vou fazer agora outra
concentração, mas agora não vou me concentrar
em João, vou concentrar-me em Jesus de Nazaré".
Então escolhi como motivo da concentração
o Grande Mestre Jesus. O trabalho foi longo e árduo,
a concentração foi se fazendo cada vez mais
profunda; logo passei do Dharana - concentração,
ao Dhyana - meditação, e deste ao Sammadhi,
ou Êxtase. Fiz um esforço supremo que me permitiu
despir-me dos corpos Físico, Astral, Mental, Causal,
Búdico e Átmico até introverter minha
consciência, absorvendo-a no mundo do Logos Solar, e,
em tal estado, querendo saber sobre o Cristo Jesus, me vi
a mim mesmo convertido em Cristo Jesus, fazendo milagres e
maravilhas na Terra Santa, curando os enfermos, dando vista
aos cegos etc., e, por último, me vi vestido com as
vestes sagradas chegando ante João naquele Templo.
Então João se dirigiu a mim e disse: "Jesus,
retira tua vestimenta, pois vou batizar-te". Trocaram-se
os papéis, já não me vi transformado
em João mas em Jesus, e recebi o batismo de João.
Passado
o Samadhi, regressando ao corpo físico, vim a constatar
perfeitamente, com toda a clareza, que no mundo do Cristo
Cósmico somos todos um. Se eu tivesse querido meditar
em qualquer um de vocês, lá no mundo do Logos,
me teria visto transformado em um de vocês, vivendo
sua vida, já que lá não há individualidade,
não há personalidade nem Eu; ali somos todos
o Cristo, ali somos todos João, ali todos somos o Buda,
ali somos todos um; no mundo do Logos não existe a
individualidade separada.
O Logos é
Unidade Múltipla Perfeita, é uma energia que
se move e palpita em todo o criado, que subjaz em todo átomo,
em todo elétron, em todo próton, e se expressa
vivamente através de qualquer homem que esteja devidamente
preparado.
Bem, este esclarecimento
teve como objetivo explicar melhor o acontecimento de Belém.
Quando um homem está devidamente preparado, passa pela
Iniciação Venusta - mas, esclareço, deve
estar devidamente preparado - e na Iniciação
Venusta consegue a encarnação do Cristo Cósmico
em si mesmo, dentro de sua própria natureza.
Inutilmente
teria Jesus nascido em Belém se não nascesse
em nosso coração também. Inutilmente
teria morrido e ressuscitado na Terra Santa, se não
morre e ressuscita em nós também. Esta é
a natureza do "Salvator Salvandus". O Cristo Íntimo
deve salvar-nos, mas salvar-nos desde dentro, a todos nós.
Aqueles que aguardam a vinda de Jesus de Nazaré para
um futuro remoto estão equivocados; o Cristo deve vir
agora desde dentro, a segunda vinda do Senhor é desde
dentro, desde o próprio fundo da Consciência.
Por isto está
escrito o que Ele disse: "Se ouvires alguém dizendo
na praça pública que é Cristo, não
o creiais, e se disserem "Ele está ali no Templo
predicando", não o creiais". É que
o Senhor não virá desta vez de fora mas de dentro,
virá desde o próprio fundo de nosso coração,
se nós nos prepararmos. Paulo nos esclarece dizendo:
"De sua virtude tomamos todos, graça por graça".
Então, está documentado; se estudarmos cuidadosamente
Paulo de Tarso, veremos que raramente alude ao Cristo histórico;
cada vez que Paulo de Tarso fala sobre Jesus Cristo, refere-se
ao Jesus Cristo Interior, ao Jesus Cristo Íntimo que
deve surgir do fundo de nosso Espírito, de nossa Alma.
Enquanto um homem não O tenha encarnado, não
se pode dizer que possua a Vida Eterna, só Ele pode
tirar nossa Alma do Hades, só Ele pode verdadeiramente
dar-nos vida, e em abundância. Assim, pois, devemos
ser menos dogmáticos e aprender a pensar no Cristo
Íntimo, isto seria grandioso...
Todo o simbolismo
relacionado com o nascimento de Jesus é alquímico
e cabalístico. Diz-se que três Reis Magos vieram
adorá-lO, guiados por uma estrela; este trecho não
pode ser compreendido, falando francamente, se não
se for versado em alquimia, porque é alquímico.
Que são essa estrela e esses Reis Magos? E eu vos digo
que essa estrela não é outra coisa que o Selo
de Salomão, a estrela de seis pontas, símbolo
do Logos Solar. O triângulo superior representa obviamente
o Enxofre, ou seja, o Fogo. E o inferior, o que representa
em Alquimia? O Mercúrio, a Água; mas a que tipo
de água se referem os Alquimistas? Dizem eles: "A
Água Que Não Molha as Mãos, o Úmido
Radical Metálico", em outras palavras, o Exiohehari,
o Esperma Sagrado.
Sem dúvida,
é por meio da transmutação das secreções
sexuais que se elabora essa Água extraordinária,
as águas puras de Amrita, o Mercúrio da Filosofia
Secreta. Vale a pena meditarmos no Selo de Salomão;
aí temos o triângulo superior, representação
vívida do Enxofre. Ou seja, o Fogo Sagrado, o Fogo
do Espírito Santo, deve fecundar o Mercúrio
da Filosofia Secreta. Sem dúvida, é um pouco
difícil entender a questão da Estrela de Belém
se não recorremos ao Selo de Salomão e à
Alquimia. Repito, o Mercúrio é a Alma Metálica
do Esperma Sagrado; o Enxofre é o Fogo Sagrado do Kundalini
no ser humano. Isto posto, podemos esclarecer mais: o Enxofre
deve fecundar o Mercúrio; com o Mercúrio fecundado
pelo Enxofre podemos fabricar os Corpos Existenciais Superiores
do Ser. De modo que, se não compreendêssemos
isto, não compreenderíamos tampouco o Selo de
Salomão ou a estrela que apareceu aos Reis Magos.
Aqui temos, para
melhor compreensão, os Três Mercúrios:
- Este
é o que os Alquimistas denominam "Azogue em
bruto", ou seja, o Esperma Sagrado propriamente dito.
- O segundo
Mercúrio é precisamente a Alma Metálica
do primeiro. Mediante a transmutação o Esperma
se converte em Energia; essa Energia Sexual é denominada
Alma Metálica do Esperma.
- O mais
importante, que é precisamente o Mercúrio
fecundado pelo Enxofre.
Isto é
um pouco complicado e difícil de entender, mas, se
vocês prestarem atenção, poderão
formar uma idéia do que se trata. Se querem que lhes
explique o Natal, devo explicá-lo como é, ou
não explicá-lo. (Inquestionavelmente,) A primeira
coisa que temos é o Mercúrio bruto, o Esperma
Sagrado; a segunda, a Energia Sexual, resultado da Transmutação
do Esperma; a terceira, o Mercúrio fecundado pelo Enxofre,
ou, em outras palavras, a Energia Sexual já fecundada
pelo Fogo Sagrado, mescla de Energia e Fogo que sobe pela
espinha dorsal até levar-nos à Auto-Realização
Íntima do Ser.
Este terceiro
Mercúrio é o Arché dos gregos; (de modo
que) no Arché há Sal, há Enxofre e há
Mercúrio, isto é óbvio. "Lá
em cima", no Macrocosmos, nas nebulosas, por exemplo,
compõe-se de Sal, Enxofre e Mercúrio; é
o Arché dos gregos, do qual saem as unidades cósmicas.
"Aqui embaixo" nós precisamos fabricar o
Arché. Como? Mediante a transmutação.
E desse Arché, que será composto de Sal, Enxofre
e Mercúrio, nascerão os Corpos Existenciais
Superiores do Ser. Se alguém possui os corpos Astral,
Mental e Causal, se converte em um Homem de verdade, isto
é óbvio, e recebe seus princípios anímicos
e espirituais.
É claro
que, de início, temos apenas o Azougue bruto e há
que transmutá-lo, ou seja, temos as secreções
sexuais e é preciso transmutá-las, sublimá-las
e convertê-las em energia; esta energia é denominada
Mercúrio, "Alma Metálica do Esperma".
Essa energia sobe
pelos cordões espermáticos até o cérebro.
Posteriormente, essa mesma energia une seus pólos positivo
e negativo no CÓCCIX, perto do Tribeni, e então
surge o Fogo. O Fogo fecunda a energia. O Fogo mesclado com
a energia sobe pela medula espinhal até o cérebro;
o excedente desse Mercúrio fecundado pelo Enxofre vem
a cristalizar-se nos Corpos Existenciais Superiores do Ser.
Primeiro se formará
o Corpo Astral, a seguir o Corpo Mental e em terceiro lugar,
o Corpo Causal. Quando alguém possui os corpos Astral,
Mental e Causal, recebe os princípios anímico-espirituais
(ou seja, Alma e Espírito), quer dizer, se converte
num homem, no Homem Verdadeiro. Assim, isto é indispensável.
Mas criar os Corpos Existenciais Superiores do Ser é
uma coisa, e levá-los à perfeição
é outra coisa diferente.
Inquestionavelmente,
o Sal, o Enxofre e o Mercúrio perfazem tudo; onde quer
que haja matéria, há sal; toda matéria
se reduz a sal e todo sal pode ser convertido em Ouro. Assim,
os Corpos Existenciais Superiores do Ser vêm a ser uma
mescla de Sal, Enxofre e Mercúrio. O Sal presente em
qualquer desses corpos se converte em Ouro pela ação
combinada do Enxofre e do Mercúrio. Converter tais
corpos em Ouro, em veículos de Ouro Puro, é
o indicado, esta é a Grande Obra.
Não se
poderia realizar tal prodígio sem uma ajuda especial.
Essa ajuda maravilhosa é o Natal do Coração:
o Cristo deve nascer no coração do Homem para
que se possa realizar essa obra gigantesca de transformar
os Corpos Existenciais Superiores do Ser em veículos
de Ouro Puro.
Situemo-nos em
qualquer desses veículos, o Corpo Astral, por exemplo,
investiguemos uma pessoa que possui Corpo Astral; alguém
sabe que possui Corpo Astral quando pode usá-lo, mover-se
com ele conscientemente e positivamente, viajar com ele de
um planeta a outro.
Como deve proceder
uma pessoa que tem Corpo Astral e quer trabalhar para convertê-lo
num veículo de Ouro Puro, quer dizer, para aperfeiçoá-lo?
Isto se faz através da eliminação do
Mercúrio Seco, isto é, os "eus", ou
do Enxofre Arsenicado, ou seja, dos átomos sanguinolentos
da luxúria.
Evidentemente,
tal pessoa necessitará de ajuda. Se conseguir eliminar
o Mercúrio Seco e o Enxofre Arsenicado ou enxofre venenoso,
então seu Corpo Astral se converterá em um veículo
de Ouro Puro. Isto é difícil; felizmente, o
Cristo Interno intervém e ajuda a eliminar todo esse
Mercúrio Seco e esse Enxofre venenoso ou Arsenicado
e, ao fim, como resultado desses trabalhos, o veículo
astral se converterá num Corpo de Ouro.
Mas, antes que
o Corpo Astral venha a converter-se num veículo de
Ouro precioso, terá forçosamente que passar
por várias etapas.
A primeira etapa
é simbolizada pela cor negra, pelo Corvo Negro, e governada
por Saturno. Por que? Porque o iniciado irá entrar
num afã infinito nesses trabalhos; evidentemente terá
de eliminar, destruir, desintegrar todos os elementos inumanos
que leva em seu Corpo Astral, até conseguir a cor branca,
que é fundamental.
Esta cor branca
é simbolizada pela Pomba Branca; os iniciados egípcios
envergavam a veste de linho branco para representar a castidade,
a pureza.
O terceiro símbolo
é a Águia Amarela, o iniciado obtém o
direito de usar a túnica amarela.
Na quarta fase
do trabalho o iniciado receberá a púrpura; ao
atingir este estágio seu Corpo Astral já estará
convertido em um veículo de Ouro Puro da melhor qualidade.
O chefe deste
trabalho alquímico é precisamente o Cristo Interno.
Os sábios
dizem que o Sal, o Enxofre e o Mercúrio são
os instrumentos passivos da Grande Obra; o mais importante,
dizem eles, é o Magnésio Interior. Este Magnésio,
citado por Paracelso, não é outra coisa que
o Cristo Íntimo – é Ele quem deve verdadeiramente
realizar a Grande Obra.
Citei como exemplo
o Corpo Astral, mas é preciso realizar trabalho idêntico
com cada um dos Corpos Existenciais Superiores do Ser. Sem
este Magnésio Interior da Alquimia, tal labor seria
absolutamente impossível; por isto é que, ao
começar a Grande Obra, deve-se inquestionavelmente
encarnar o Cristo Íntimo.
Ele nasce no estábulo
de nosso próprio corpo dentro do qual temos todos os
animais do desejo, das paixões inferiores. Ele tem
que crescer, desenvolver-se ascendendo pelos diversos graus
até converter-se num Homem entre os homens, tomar a
seu cargo todos os nossos processos mentais, volitivos, sexuais,
emocionais, etc., passar por um homem comum. Mesmo sendo o
Cristo um Ser tão perfeito, um Homem que não
peca, ainda assim deve viver como um pecador entre pecadores,
um desconhecido entre outros desconhecidos; esta é
a crua realidade dos fatos.
Mas (o Cristo)
vai crescendo, vai-se desenvolvendo à medida que elimina
em si mesmo os elementos indesejáveis que levamos dentro.
É tal sua integração conosco que lança
toda a responsabilidade sobre seus ombros. Converteu-se num
pecador como nós, não sendo Ele um pecador -
sentindo em carne e osso as tentações, vivendo
como um homem qualquer.
E assim, pouco
a pouco, à medida que vai eliminando os elementos indesejáveis
de nossa Psique, não como algo alheio ou estranho mas
como algo próprio Dele, vai se desenvolvendo no interior
de nós mesmos; isto precisamente é o maravilhoso.
Se não fosse assim, seria impossível realizar
a Grande Obra. É Ele quem tem de eliminar todo esse
Mercúrio Seco, todo esse Enxofre venenoso, para que
os Corpos Existenciais Superiores do Ser possam converter-se
em veículos de Ouro Puro, Ouro da melhor qualidade.
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Os
Três Reis Magos que vieram adorar o Menino representam
as cores da Grande Obra.
A
primeira cor é o Negro, quando estamos aperfeiçoando
o corpo. Isto, repito, simboliza o Corvo Negro da Morte,
é a Obra de Saturno simbolizada pelo Rei Mago
de cor negra; então passamos por uma morte, a
morte de nossos desejos, paixões, etc., no Mundo
Astral.
A
seguir vem a pomba Branca, isto é, o momento
em que já desintegramos todos os Eus do Mundo
Astral; adquirimos então o direito de usar a
túnica de linho branco, a túnica do Phtah
egípcio, a túnica de Ísis.
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Evidentemente
esta cor é simbolizada pela Pomba Branca; este é
ainda o segundo dos Reis, o Rei Branco.
Já bastante
avançado no aperfeiçoamento do Corpo Astral,
apareceria a cor Amarela, ou seja, conquistaria o direito
à túnica Amarela; então aparece a Águia
Amarela, o que nos recorda o terceiro dos Reis Magos, que
é da raça amarela.
Finalmente, a
coroação da Obra é a Púrpura.
Quando um corpo, seja o Astral, o Mental ou o Causal, já
se tornou de Ouro Puro, recebe a púrpura dos Reis,
porque triunfou. Assim, como podem ver, os Três Reis
Magos não são três indivíduos,
como muitos acreditam, mas símbolos das cores fundamentais
da Grande Obra, e o próprio Jesus Cristo vive dentro.
Jesus em hebraico é Jeshuá; Jeshuá significa
Salvador, e, como Salvador, nosso Jeshuá particular
tem de nascer neste estábulo que temos dentro de nós
para realizar a Grande Obra; Ele é o Magnésio
Interior do Laboratório Alquimista. O grande Mestre
deve surgir no fundo de nossa Alma, de nosso Espírito.
O mais duro para
o Cristo Íntimo, após seu nascimento no coração
do Homem, é precisamente o Drama Cósmico, sua
Via-Crucis. No Evangelho as multidões aparecem pedindo
a crucificação do Senhor; essas não são
multidões de ontem, de um passado remoto, como se supõe,
de algo que ocorreu há 1975 (ano em que este texto
foi escrito) anos. Não, senhores, essas multidões
estão dentro de nós mesmos, são nossos
famosos "Eus"; dentro de cada pessoa moram milhares
de pessoas, o "Eu do ódio", o "Eu tenho
ciúmes", o "Eu sinto inveja", o "Eu
da cobiça", ou seja, todos os nossos defeitos,
e cada defeito é um "Eu" diferente. É
claro que essas multidões que trazemos dentro de nós,
que são nossos famosos "Eus", são
os que gritam: "Crucifiquem-nO, crucifiquem-nO!".
Quanto
aos Três
Traidores, já sabemos que no Evangelho
Crístico são Judas, Pilatos e Caifás.
Quem é Judas? O Demônio do Desejo. Quem é
Pilatos? O Demônio da Mente. Quem é Caifás?
O Demônio da Má Vontade.
Mas é
preciso esclarecer isto, para que se possa compreendê-lo
melhor. Judas, o Demônio do Desejo, troca o Cristo Íntimo
por trinta moedas de prata : 30 (3 - 0), 3, esta é
a alusão cabalística, ou seja, troca-O pelas
coisas materiais, pelo dinheiro, pela bebida, pelo luxo, pelos
prazeres animais etc.
Quanto a Pilatos,
é o Demônio da Mente; este sempre "lava
as mãos", nunca tem culpa, para tudo encontra
uma evasiva ou justificativa, jamais se sente responsável.
Realmente,
estamos sempre justificando todos os defeitos psicológicos
que temos em nosso interior, jamais nos julgamos culpáveis.
Muita gente me
diz: "Acredito ser uma boa pessoa; eu não mato,
não roubo, sou caridoso, não sou invejoso",
ou seja, são todos cheios de virtude, perfeitos, segundo
eles próprios; "ignoto", é o que tenho
a dizer ante tanta perfeição.
Assim, olhando
as coisas como são, em seu cru realismo, esse Pilatos
sempre lava as mãos, nunca se considera culpado.
Quanto
a Caifás, francamente o considero o mais perverso de
todos. Pensem no que representa Caifás: muitas vezes
o Cristo Íntimo nomeia um Sacerdote, um Mestre ou Iniciado
para que guie suas ovelhas e as apascente, lhe entrega a autoridade
e o põe à frente de uma congregação,
e o tal Sacerdote, Mestre, Iniciado etc., em vez de guiar
seu povo sabiamente, vende os Sacramentos, prostitui o Altar,
fornica com as devotas etc., ou seja, trai o Cristo Interno,
isto é o que faz Caifás.
É
doloroso isso? É claro, é horrível, é
uma traição do tipo mais sujo que há,
e não há dúvida de que muitas religiões
se prostituíram e muitos sacerdotes traíram
o Cristo Íntimo; não me refiro a nenhuma seita
em particular, mas a todas as religiões do mundo. É
possível que haja grupos esotéricos dirigidos
por verdadeiros Iniciados, e que estes, muitas vezes traidores,
tenham traído o Cristo Íntimo.
Tudo isto é
doloroso, infinitamente doloroso. Caifás é o
que há de mais sujo. Estes três traidores levam
o Cristo Íntimo ao suplício.
Pensem por um
instante no Cristo Íntimo no mais profundo de cada
um de vocês, senhor de todos os processos mentais e
emocionais, lutando por salvá-los, sofrendo terrivelmente;
os próprios Eus de vocês protestando contra Ele,
blasfemando, pondo-Lhe a coroa de espinhos, açoitando-O.
Bem, esta é a crua realidade dos fatos, este é
o Drama Cósmico vivido interiormente.
Finalmente, este
Cristo Íntimo subiria ao Calvário, isto é
óbvio, e baixa ao sepulcro, com sua morte mata a morte,
isto é a última coisa que faz. Posteriormente
ressuscita no Iniciado e o Iniciado ressuscita n'Ele.
Então a
Grande Obra está realizada, "consummatum est".
Assim têm surgido através dos séculos
Mestres Ressurrectos; lembremos um Hermes Trimegisto, um Moria,
grande Mestre da Força do Tibet, lembremos o Conde
Cagliostro, que ainda vive, e Saint-Germain, que em 1939 visitou
outra vez a Europa. Este Saint-Germain trabalhou ativamente
nos séculos 17, 18 e 19 e, entretanto, continua a existir
fisicamente, é um Mestre Ressurrecto.
Por que são
Mestres Ressurrectos? Porque, graças ao Cristo Íntimo,
obtiveram a Ressurreição. Sem o Cristo Íntimo,
a Ressurreição não seria possível.
Aqueles que supõem
que pelo simples fato de morrer fisicamente alguém
já tem direito à Ressurreição
dos Mortos são realmente dignos de compaixão;
falando outra vez em estilo socrático, não apenas
ignoram mas, o que é ainda pior, ignoram que ignoram.
A Ressurreição
é algo pelo qual se tem de trabalhar, e trabalhar aqui
e agora, e é preciso ressuscitar em carne e osso (e
ao vivo). A Imortalidade deve-se conseguí-la agora
mesmo, pessoalmente; assim se deve considerar todo o Mistério
Crístico.
Todo o Drama Cósmico
é em si mesmo extraordinário, maravilhoso, e
se inicia realmente com o Natal do Coração.
O que vem a seguir
relacionado com o Drama, a fuga para o Egito, quando Herodes
manda matar todos os meninos e Ele tem de fugir, tudo é
simbólico, totalmente simbólico.
Dizem
(num Evangelho Apócrifo) que Jesus, José e Maria
tiveram de fugir para o Egito, tendo permanecido vários
dias vivendo sob uma figueira, e que desta figueira saiu um
manancial de água puríssima – é
preciso saber compreender isto : esta figueira representa
sempre o sexo; dizem ainda que se alimentavam do fruto desta
figueira, os frutos da Árvore da Ciência do Bem
e do Mal. A água que corria puríssima, que saía
desta figueira, é nada menos que o Mercúrio
da Filosofia Secreta.
Quanto à
decapitação dos inocentes, muito se tem escrito
sobre isso. Nicolas Flamel deixou gravadas nas portas do cemitério
de Paris cenas retratando a degola dos inocentes. Por que
essa cruel degola dos inocentes? Não obstante, isto
é também muito alquímico, todo Iniciado
tem de passar pela decapitação.
Mas o que é
que o Cristo Íntimo tem de decapitar em nós?
Simplesmente deve degolar o Ego, o Eu, o Si Mesmo, e o sangue
que emana da decapitação é o Fogo, é
o Fogo Sagrado pelo qual o Iniciado tem de purificar-se, limpar-se,
branquear-se; tudo isso é profundamente esotérico,
nada pode ser tomado "ao pé da letra".
A seguir vêm
os feitos milagrosos do grande Mestre. Caminhava sobre as
águas, [como] sobre as Águas da Vida tem de
caminhar o Cristo Íntimo. Abrir a visão dos
que não vêem, predicando a palavra para que vejam
a luz; abrir os ouvidos dos que não querem ouvir, para
que escutem a palavra.
Quando o Senhor
já cresceu no Iniciado, tem de tomar a palavra e explicar
a outros o que é o caminho, limpar os leprosos; não
há ninguém que não esteja leproso, essa
lepra é o Eu pluralizado, essa é a epidemia
que todos levam dentro de si, a lepra da qual devemos ser
limpos.
Os que estão
paralíticos não caminham ainda pela Senda da
Auto-Realização, o Filho do Homem deve curar
os paralíticos para que andem rumo à montanha
do Ser.
Há que
compreender tudo isto de forma mais íntima, mais profunda;
isto não corresponde a um passado remoto, é
para ser vivido dentro de nós mesmos aqui e agora.
Se começamos
a amadurecer um pouquinho, saberemos apreciar melhor a mensagem
que o Grande Kabir Jesus trouxe à Terra. Em todo caso,
precisamos passar por Três Purificações,
à base de ferro e fogo –- este é o significado
dos Três Cravos da Cruz. E a palavra INRI diz muito.
Já sabemos que INRI esotericamente é o Fogo;
necessitamos passar pelas Três Purificações
à base de ferro e fogo antes de conseguir a Ressurreição,
do contrário seria impossível lográ-la.
Aquele que ressuscita
se transforma radicalmente, se converte num Deus-Homem, é
um Hierofante da estatura de um Hermes, um Quetzalcoatl ou
um Buda.
Mas é
necessário fazer a Grande Obra. Realmente, não
se poderia entender os quatro Evangelhos se não se
estudasse Alquimia e Cabala, porque (os Evangelhos) são
alquimistas e cabalistas, isto é óbvio.
Os judeus tinham
três livros sagrados. O primeiro é o corpo da
doutrina, a Bíblia. O segundo é a alma da doutrina,
o Talmud, no qual está a alma nacional judaica. E o
terceiro é o espírito da doutrina, o Zohar,
onde está toda a Cabala dos rabinos.
A Bíblia,
o corpo da doutrina, está escrita sob chave. Se queremos
estudar a Bíblia "compaginando versículos",
procedemos de forma ignorante, empírica e absurda.
Prova disto é
que todas as seitas mortas que, até a época
atual, se nutriram da Bíblia interpretada de forma
empírica, não puderam entrar em acordo. Se existem
milhares de seitas baseadas na Bíblia, quer dizer que
nenhuma delas a compreendeu.
As chaves para
a interpretação estão no Zohar, escrito
por Simeon Ben Iochai, o grande rabino iluminado. Aí
encontramos as chaves para interpretar a Bíblia. Então,
é necessário "abrir" o Zohar.
Se quisermos
saber algo sobre o Cristo, sobre o Filho do Homem, devemos
estudar a Árvore da Vida...
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