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Este é
considerado o quinto Evangelho, escrito por Pedro, segundo
relatos feitos por Nossa Senhora. Publicado pela primeira
vez em 1677, conta com verões e, grego, latim, armênio
e árabe.
Muita gente se indaga ainda hoje porque os Evangelhos da Bíblia
não falam da infância e juventude de Cristo.
Isso tem provocado inúmeras especulações,
inclusive algumas que citam que o Mestre exilou-se junto aos
monges do Tibete ou conviveu com os essênios, com cujos
mestres instruiu-se. Admitir isso é negar a divindade
de Cristo, pois se ele precisou de um mestre, seria mais lógico
que, hoje em dia, adorássemos o seu mestre e não
ele, o aprendiz. Isso fica bem claro nas passagens XLVIII
e XLIX.
Nesta narrativa, há maiores detalhes sobre o encontro
de Jesus com os sábios, no templo de Jerusalém,
além de suas brincadeiras com as outras crianças
e seu trabalho na companhia de José.
Nas notas de rodapé, apresentamos trechos do Evangelho
Armênio da Infância, uma versão ampliada
do Evangelho da Infância, onde algumas passagens extras
esclarecem momentos importantes da vida de Jesus. Esses livros
foram considerados apócrifos pela Igreja, isto é,
sem a inspiração divina, e excluídos
dos textos originais que formaram, ao longo do tempo, a atual
Bíblia. Quais foram os critérios utilizados
para selecionar os livros inspirados divinamente foi algo
que até hoje a Igreja não explicou de modo convincente.
O que se sabe é que há relatos sobre a infância
de Cristo, sobre a Natividade, sobre São José
e outras, que não são aceitas como textos sagrados,
muito embora contenham narrativas que completam diversas lacunas
nos textos considerados sagrados.
O Evangelho da Infância mostra, de modo sensível
e belo, o que foi a infância de Nosso Senhor Jesus Cristo,
que desde a mais tenra idade já manifestava sua santidade.
É um texto que encanta pela sua beleza, pela singeleza
e pelas situações que retratam, onde o Cristo
surge como a criança que foi, muito embora sua divindade
o levasse a gestos inusitados, mas marcados pela sabedoria
precoce e pela coerência de seus atos.
A INFÂNCIA DE CRISTO
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, Deus
único.
Com o auxílio e a ajuda do Deus todo poderoso, começamos
a escrever o livro dos milagres de nosso Salvador, Mestre
e Senhor Jesus Cristo, que se intitula o Evangelho da Infância,
conforme narrado por Maria, sua mãe, na paz do Nosso
Senhor e Salvador. Que assim seja.
I. Palavras de Jesus no Berço
Encontramos no livro do grande sacerdote Josefo que viveu
no tempo de Jesus Cristo, e que alguns chamam de Caifás,
que Jesus falou quando estava no berço e que disse
a sua mãe Maria:
- Eu, que nasci de ti, sou Jesus, o filho de Deus, o Verbo,
como te anunciou o anjo Gabriel, e meu Pai me enviou para
a salvação do mundo.
II. Viagem a Belém
No ano de 309 da era de Alexandre, Augusto ordenara que todos
fossem recenseados em sua cidade natal. José partiu,
então, conduzindo Maria, sua esposa. Vieram a Jerusalém,
de onde se dirigiram a Belém para inscreverem-se no
local onde ele havia nascido. Quando estavam próximos
a uma caverna, Maria disse a José que sua hora havia
chegado e que não poderia ir até a cidade.
- Entremos nesta caverna - disse ela.
O sol estava começando a se pôr. José
apressou-se em procurar uma mulher que assistisse Maria no
parto e encontrou uma anciã que vinha de Jerusalém.
Saudando-a, disse-lhe:
- Entra na caverna onde encontrarás uma mulher em trabalho
de parto.
III. A Parteira de Jerusalém
Após o pôr-do-sol, José chegou com a anciã
à caverna e eles entraram. Eis que a caverna estava
resplandecendo com uma claridade que superava a de uma infinidade
de labaredas e brilhava mais do que o sol do meio-dia. A criança,
enrolada em fraldas e deitada numa manjedoura, mamava no seio
da mãe. Ambos ficaram surpresos com o aspecto daquela
claridade e a anciã disse a Maria:
- És tu a mãe desta criança?
Ao responder afirmativamente Maria, disse-lhe:
- Não és semelhante às filhas de Eva.
Respondeu Maria respondeu:
- Assim como entre as crianças dos homens não
há nenhuma que seja semelhante ao meu filho, assim
também sua mãe não tem par entre todas
as mulheres.
A anciã disse então:
- Senhora e ama, vim para receber uma recompensa que perdurará
para todo o sempre.
Maria lhe disse, então:
- Põe tuas mãos sobre a criança.
Quando a anciã o fez, foi purificada. Ao sair, ela
disse:
- A partir deste momento, eu serei a serva desta criança
e quero consagrar-me a seu serviço, por todos os dias
da minha vida.
IV. A Adoração dos Pastores
Em seguida, quando os pastores chegaram e acenderam o fogo,
entregando-se à alegria, as cortes celestes apareceram,
louvando e celebrando o Senhor, a caverna parecia-se com um
templo augusto, onde reis celestiais e terrestres celebravam
a glória e os louvores de Deus por causa da natividade
do Senhor Jesus Cristo. E esta anciã hebréia,
vendo estes milagres resplandecentes, rendia graças
a Deus, dizendo:
- Eu te rendo graças, ó Deus, Deus de Israel,
porque os meus olhos viram a natividade do Salvador do mundo.
V. A Circuncisão
Quando chegou o tempo da circuncisão, isto é,
o oitavo dia, época na qual o recém-nascido
deve ser circuncidado segundo a lei, eles o circuncidaram
na caverna e a velha anciã recolheu o prepúcio
e colocou-o em um vaso de alabastro, cheio de óleo
de nardo velho. Como tivesse um filho que comercializava perfumes,
Maria deu-lhe o vaso, dizendo:
- Muito cuidado para não vender este vaso cheio de
perfume de nardo, mesmo que te ofereçam trezentos dinares.
E este é o vaso que Maria, a pecadora, comprou e derramou
sobre a cabeça e sobre os pés de Nosso Senhor
Jesus Cristo, enxugando-os com seus cabelos.
Quando dez dias se haviam passado, eles levaram a criança
para Jerusalém e, ao término da quarentena,
eles o apresentaram no templo do Senhor, oferecendo por ele
as oferendas prescritas pela lei de Moisés, que diz:
- Toda criança do sexo masculino que sair de sua mãe
será chamada o santo de Deus.
VI. Apresentação no Templo
O velho Simeão viu o menino Jesus resplandecente de
claridade como um facho de luz, quando a Virgem Maria, cheia
de alegria, entrou com ele em seus braços. Uma multidão
de anjos rodeava-o, louvando-o e acompanhando-o, assim como
os satélites de honra seguem seu rei. Simeão,
pois, aproximando-se rapidamente de Maria e estendendo suas
mãos para ela, disse ao Senhor Jesus:
- Agora, Senhor, teu servo pode retirar-se em paz, segundo
tua promessa, pois meus olhos viram tua misericórdia
e o que preparaste para a salvação de todas
as nações, luz de todos os povos e a glória
de teu povo de Israel.
A profetisa Ana também estava presente, rendia graças
a Deus e celebrava a felicidade de Maria.
VII. A Adoração dos Magos
Aconteceu que, enquanto o Senhor vinha ao mundo em Belém,
cidade da Judéia, Magos vieram de países do
Oriente a Jerusalém, tal como havia predito Zoroastro,
e traziam com eles presentes: ouro, incenso e mirra. Adoraram
a criança e renderam-lhe homenagem com seus presentes.
Então Maria pegou uma das faixas, nas quais a criança
estava envolvida, e deu-a aos magos que receberam-na como
uma dádiva de valor inestimável. Nesta mesma
hora, apareceu-lhes um anjo sob a forma de uma estrela que
já lhes havia servido de guia, e eles partiram, seguindo
sua luz, até que estivessem de volta a sua pátria.
VIII. A Chegada Dos Magos à sua Terra
Os reis e os príncipes apressaram-se em se reunir em
torno dos magos, perguntando-lhes o que haviam visto e o que
havia feito, como haviam ido o como haviam voltado e que companheiros
eles haviam tido então durante a viagem. Os magos mostraram-lhes
a faixa que Maria lhes havia dado. Em seguida, celebraram
uma festa, acenderam o fogo segundo seus costumes, adoraram
a faixa e a jogaram nas chamas. As chamas envolveram-na.
Ao apagar-se o fogo, eles retiraram o pano e viram que as
chamas não haviam deixado nele nenhum vestígio.
Eles se puseram então a beijá-lo e a colocá-lo
sobre suas cabeças e sobre seus olhos, dizendo:
- Eis certamente a verdade! Qual é pois o preço
deste objeto que o fogo não pode nem consumir nem danificar?
E pegando-o, depositaram-no com grande veneração
entre seus tesouros.
IX. A Cólera de Herodes
Herodes, vendo que os magos não retornavam a visitá-lo,
reuniu os sacerdotes e os doutores e disse-lhes:
- Mostrai-me onde deve nascer o Cristo.
Quando responderam que era em Belém, cidade da Judéia,
Herodes pôs-se a tramar, em seu espírito, o assassinato
do Senhor Jesus. Então um anjo apareceu a José,
durante o sono, e disse-lhe:
- Levanta-te, pegue a criança e sua mãe e foge
para o Egito.
Quando o galo cantou, José levantou-se e partiu.
X. Fuga para o Egito
Enquanto ele refletia sobre o caminho que ele devia seguir,
a aurora o surpreendeu. A correia da sela se havia rompido
ao se aproximarem de uma grande cidade, onde havia um ídolo,
ao qual os outros ídolos e divindades do Egito rendiam
homenagem e ofereciam presentes. Sempre que Satã falava
pela boca do ídolo, os sacerdotes relatavam o que ele
dizia aos habitantes do Egito e de suas margens.
Um sacerdote tinha um filho de trinta anos que estava possuído
por um grande número de demônios. Ele profetizava
e anunciava muitas coisas. Quando os demônios se apossavam
dele, rasgavam suas roupas e ele corria nu pela cidade, jogando
pedras nos homens.
A hospedaria dessa cidade ficava perto deste ídolo.
Quando José e Maria lá chegaram e se hospedaram,
os habitantes ficaram profundamente perturbados e todos os
príncipes e sacerdotes dos ídolos se reuniram
ao redor desse ídolo, perguntando-lhe:
- De onde vem esta agitação universal e qual
é a causa deste pavor que se apoderou de nossos país?
O ídolo respondeu:
- Esse assombro foi trazido por um Deus desconhecido, que
é o Deus verdadeiro, e ninguém a não
ser ele é digno das honras divinas, pois ele é
o verdadeiro Filho de Deus. À sua aproximação,
esta região tremeu. Ela se emocionou e se assombrou
e nós sentimos um grande temor por causa do seu poder.
Neste momento, esse ídolo caiu e quebrou-se, tal como
os outros ídolos que estavam no país. Sua queda
fez acorrerem todos os habitantes do Egito.
XI. A Cura do Menino Endemoninhado
O filho do sacerdote, acometido do mal que o afligia, entrou
no albergue insultando José e Maria, já que
os outros hóspedes haviam fugido. Como Maria havia
lavado as fraldas do Senhor Jesus e as estendera sobre umas
madeiras, o menino possuído pegou uma das fraldas e
colocou-a sobre sua cabeça. Imediatamente os demônios
fugiram, saindo pela boca, e foram vistos sob a forma de corvos
e serpentes. O menino foi curado instantaneamente pelo poder
de Jesus Cristo e se pôs a louvar o Senhor que o havia
libertado e rendeu-lhe mil ações de graça.
Quando seu pai viu que ele havia recobrado a saúde,
exclamou, admirado:
- Meu filho, mas o que te aconteceu e como foste tu curado?"
O filho respondeu:
- No momento em que me atormentavam, eu entrei na hospedaria
e lá encontrei uma mulher de grande beleza, que estava
com uma criança. Ela estendia sobre umas madeiras as
fraldas que acabara de lavar. Eu peguei uma delas e coloquei-la
sobre minha cabeça e os demônios fugiram imediatamente
e me abandonaram.
O pai, cheio de alegria, exclamou:
- Meu filho, é possível que essa criança
seja o Filho do Deus vivo que criou o céu e a terra
e, assim que passou por nós, o ídolo partiu-se,
os simulacros de todos os nossos deuses caíram e uma
força superior à deles destruiu-os.
XII. Os Temores da Sagrada Família
Assim se cumpriu a profecia que diz:
- Chamei o meu filho do Egito.
Quando José e Maria souberam que esse ídolo
se havia quebrado, foram tomados de medo e de espanto e diziam:
- Quando estávamos na terra de Israel, Herodes queria
que Jesus morresse e, com esta intenção, ele
ordenou o massacre de todas as crianças de Belém
e das vizinhanças. É de se temer que os egípcios
nos queimem vivos, se eles souberem que esse ídolo
caiu.
XIII. Os Salteadores
Eles partiram e passaram nas proximidades do covil de ladrões,
que despojavam de suas roupas e pertences os viajantes que
por ali passavam e, após tê-los amarrado, os
arrastavam pelo deserto. Esses ladrões ouviram um forte
ruído, semelhante ao do rei que saiu de sua capital
ao som dos instrumentos musicais, escoltado por grande exército
e por uma numerosa cavalaria. Apavorados, então, deixaram
ali todo o seu saque e apressaram-se em fugir. Os cativos,
levantando-se, cortaram as cordas que os prendiam e, tendo
retomado sua bagagem, iam retirar-se, quando viram José
e Maria que se aproximavam e perguntaram-lhes:
- Onde está este rei cujo cortejo, com seu barulho,
assustou os ladrões a ponto de eles terem e nos libertado?
José respondeu:
- Ele nos segue.
XIV. A Endemoninhada
Chegaram em seguida a outra cidade, onde havia uma mulher
endemoninhada. Quando ela ia buscar água no poço
durante a noite, o espírito rebelde e impuro apossava-se
dela. Ela não podia suportar nenhuma roupa, nem morar
em uma casa. Todas as vezes que a amarravam com cordas e correntes,
ela as partia e fugia nua para locais desertos. Ficava nas
estradas e perto de sepulturas, perseguindo e apedrejando
aqueles que encontrava no caminho, de forma que ela era, para
seus pais, motivo de luto.
Maria viu-a e foi tomada de compaixão. Imediatamente
Satã a deixou e fugiu sob a forma de um jovem rapaz,
dizendo:
- Infeliz de mim, por tua causa, Maria, e por causa do teu
filho!
Quando essa mulher foi libertada da causa de seu tormento,
olhou ao seu redor e, corando por sua nudez, procurou seus
pais, evitando encontrar as pessoas. Após haver vestido
suas roupas, ela contou ao seu pai e aos seus o que lhe havia
acontecido. Como eles fizessem parte dos habitantes mais distintos
da cidade, hospedaram em sua casa José e Maria, demonstrando
por eles um grande respeito.
XV. A Jovem Muda
No dia seguinte, José e Maria prosseguiram sua viagem.
À noite chegaram a uma cidade onde estava sendo celebrado
um casamento. Mas, em decorrência das ciladas do espírito
maligno e dos encantamentos de alguns feiticeiros, a esposa
ficara muda, de forma que ela não podia mais falar.
Quando Maria entrou na cidade, trazendo nos braços
o filho, o Senhor Jesus, aquela que havia perdido o uso da
palavra avistou-o e imediatamente pegou-o em seus braços.
Abraçou-o, apertando-o junto ao seu seio e cobrindo-o
de carinho. Imediatamente o laço que travava sua língua
partiu-se e seus ouvidos se abriram. Ela começou a
glorificar e a agradecer a Deus que a havia curado. Naquela
noite, houve uma grande alegria entre os habitantes dessa
cidade, pois acreditavam todos que Deus e seus anjos haviam
descido no meio deles.
XVI. Outra Endemoninhada
José e Maria passara três dias nesse lugar, onde
foram recebidos com grande veneração e esplendidamente
tratados. Munidos de provisões para a viagem, partiram
dali e chegaram a uma outra cidade. Como ela era próspera
e seus habitantes tinha boa reputação, eles
pernoitaram lá. Havia nessa cidade uma boa mulher.
Um dia em que ela havia descido até o rio para lavar-se,
um espírito maldito, assumindo a forma de uma serpente,
havia se jogado sobre e cingido o seu ventre. Todas as noites
estendia-se sobre ela. Quando essa mulher viu Maria e o Senhor
Jesus que ela trazia contra o seio, rogou à Santa Virgem
que lhe permitisse segurar e beijar a criança. Maria
consentiu, e assim que a mulher tocou a criança, Satã
abandonou-a e fugiu. Desde então ela não mais
o viu. Todos os vizinhos louvaram o Senhor e a mulher recompensou-os
com grande generosidade.
XVII. Uma Leprosa
No dia seguinte, essa mulher preparou água perfumada
para lavar o menino Jesus e após o haver lavado, guardou
essa água. Havia lá uma jovem cujo corpo assava,
coberto pela lepra branca. Lavou-se ela com essa água
e foi imediatamente curada. O povo dizia então:
- Não resta dúvida de que José e Maria
e essa criança sejam Deuses, pois eles não podem
ser simples mortais.
Quando eles se preparavam para partir, essa jovem, que havia
sido curada da lepra, aproximou-se deles e rogou-lhes que
lhe permitissem acompanhá-los.
XVIII. Um Menino Leproso
Eles consentiram e ela foi com eles. Chegaram a uma cidade,
onde havia o castelo de um poderoso príncipe. Foram
até lá e se hospedaram nele. A jovem, aproximando-se
da esposa do príncipe, encontrou-a triste e chorando.
Perguntou-lhe, então, qual a causa daquele pesar:
- Não te espantes de me ver entregue à aflição.
Estou em meio a uma grande calamidade, que não ouso
contar a ninguém.
A jovem tornou:
- Se me confessares qual é teu mal, talvez encontres
remédio junto a mim.
A esposa do príncipe disse-lhe:
- Não revelarás este segredo a ninguém.
Casei-me com um príncipe cujo império, semelhante
a um império de um rei, estende-se por vastos estados
e, após haver vivido por muito tempo com ele, ele não
teve de mim nenhum descendente. Finalmente, eu concebi, mas
trouxe ao mundo uma criança leprosa. Após havê-lo
visto, ele não quis reconhecê-lo como seu filho
e me disse para matar a criança ou entregá-la
a uma ama para que a criasse num local tão afastado,
para que não mais ouvíssemos sobre ela. Além
disso, ele me mandou pegar o que é meu, pois não
queria me ver mais. Eis porque me entrego à dor, deplorando
a calamidade que sobre mim se abateu. Choro por meu marido
e por meu filho.
A jovem respondeu-lhe:
- Pois não te disse que eu tenho para ti o remédio
que te havia prometido? Eu também fui atingida pela
lepra, mas fui curada por uma graça de Deus, que é
Jesus, o filho de Maria.
A mulher perguntou-lhe, então, onde estava esse Deus
do qual falava. A jovem respondeu-lhe:
- Ele está bem aqui, nesta casa".
Perguntou a princesa:
- Como pode ser isso, onde está ele?
A jovem respondeu:
- Aqui estão José e Maria. A criança
que está com eles é Jesus e foi ele quem me
curou dos meus sofrimentos.
- E por que meio pôde ele te curar? Não vais
me contar? - quis saber a princesa.
A jovem explicou:
- Recebi de sua mãe a água na qual ele havia
sido lavado, espalhei-la então sobre meu corpo e minha
lepra desapareceu.
A esposa do príncipe ergueu-se, então, e recebeu
José e Maria.
Preparou para José um magnífico festim, para
o qual muitas pessoa foram convidadas. No dia seguinte, ela
pegou água perfumada a fim de lavar o Senhor Jesus
e ela lavou, com essa mesma água, o seu filho, que
ela havia trazido consigo, e logo ele se curou da lepra.
Ela se pôs a cantar louvores a Deus e a render-lhe graças,
dizendo-lhe:
- Feliz da mãe que te gerou, ó Jesus! A água
com a qual o teu corpo foi lavado cura os homens que têm
tua natureza.
Ela ofereceu presentes a Maria e dela despediu-se, tratando-a
com grande deferência.
XIX. Um Feitiço
Chegaram a outra cidade onde deviam pernoitar. Foram à
casa de um homem recém-casado que, atingido por um
malefício, não podia desfrutar sua esposa. Após
haverem eles passado a noite perto do homem, o encantamento
quebrou-se. Quando o dia amanheceu, preparavam-se para prosseguir
a viagem, mas o esposo impediu-os de partir e preparou-lhes
um grande banquete.
XX. A História de um Mulo
No dia seguinte partiram e, ao se aproximarem de uma outra
cidade, viram três mulheres que se afastavam de um túmulo,
a verter em lágrimas. Maria, tendo-as visto, disse
à jovem que os acompanhava:
- Pergunta-lhes quem são elas e qual a desgraça
que se lhes abateu.
Elas não responderam mas puseram-se a interrogá-la,
dizendo:
- Quem sois vós, e para onde ides? Pois o dia está
terminando e a noite se aproxima.
A moça respondeu:
- Somos viajantes e procuramos uma hospedaria para passar
a noite.
As mulheres disseram:
- Acompanhai-nos e passai a noite em nossa casa.
Eles seguiram essas mulheres e foram levados a uma casa nova,
ornada e decorada por diversos móveis. Era inverno
e a jovem moça, tendo entrado no quarto dessas mulheres,
encontrou-as chorando e se lamentando. Ao lado delas, coberta
por uma manta de seda, encontrava-se um mulo com forragem
à sua frente. Elas davam-lhe de comer e o beijavam.
A jovem disse então:
- Ó, minha senhora, como é belo este mulo!
Elas responderam chorando:
- Este mulo que estás vendo é nosso irmão,
que nasceu de nossa mãe. Nosso pai deixou-nos com sua
morte grandes riquezas e nós só tínhamos
este irmão, para quem tentávamos encontrar um
casamento conveniente. Porém, mulheres dominadas pelo
espírito da inveja, lançaram sobre ele, sem
que soubéssemos, encantamentos. E uma certa noite,
um pouco antes do amanhecer, estando fechadas as portas da
nossa casa, encontramos nosso irmão transformado em
mulo, tal qual o vês hoje. Entregamo-nos à tristeza,
visto que não tínhamos mais nosso pai para consolar-nos.
Consultamos todos os sábios do mundo, todos os magos
e os feiticeiros, tentamos de tudo, mas nenhum deles nada
pôde fazer por nós. Eis porque sempre que nosso
coração está a ponto de explodir de tristeza.
Nós nos levantamos e vamos, junto com a nossa mãe
que aqui está, ao túmulo de meu pai e, após
haver chorado, retornamos para cá.
XXI. Volta a Ser Homem
Ao ouvir tal coisas, a jovem disse:
- Tende coragem e parai de chorar, pois a cura de vossos males
está muito próxima, em vossa morada. Eu era
leprosa, mas após haver visto essa mulher e a criança
que está com ela e que se chama Jesus, e após
haver derramado sobre meu corpo a água com a qual a
sua mãe o havia lavado, eu me curei. Eu sei que ele
pode pôr um fim à vossa desgraça. Levantai-vos,
aproximai-vos de Maria, conduzi-o aos vossos aposentos, revelai-lhe
o segredo que acabais de me contar e suplicai-lhe piedade.
Ao ouvirem tais palavras proferidas pela jovem, elas se apressaram
em ter com Maria. Levaram o multo até o quarto e lhe
disseram, chorando:
- Maria, Nossa Senhora, tem compaixão de tuas servas,
pois nossa família está desprovida de seu chefe
e não temos um pai ou um irmão que nos proteja.
Este mulo que aqui vês é nosso irmão.
Algumas mulheres, com seus encantamentos, reduziram-no a este
estado. Rogamos-te, pois, que tenhas piedade de nós.
Maria, comovida e chorando como as mulheres, ergueu o menino
Jesus e colocou-o sobre o dorso do mulo, dizendo:
- Meu filho, cura este mulo através do teu grande poder
e faze com que este homem recobre a razão, da qual
foi privado.
Nem bem essas palavras haviam saído dos lábios
de Maria e o mulo já havia retomado a forma humana,
mostrando-se sob os traços de um belo rapaz. Não
lhe restava nenhuma deformidade. Ele, sua mãe e suas
irmãs adoraram Maria e, erguendo o menino acima de
suas cabeças, beijaram-no, dizendo:
- Feliz de tua mãe, ó Jesus, Salvador do mundo!
Felizes os olhos que gozam da felicidade da tua presença.
XXII. As Bodas
As duas irmãs disseram à mãe:
- Nosso irmão retomou a forma primitiva, graças
à intervenção do Senhor Jesus e aos bons
conselhos dessa jovem, que nos sugeriu recorrer a Maria e
ao seu filho. Agora, já que nosso irmão não
está casado, pensamos que seria conveniente que ele
desposasse essa moça.
Após haverem feito este pedido a Maria e haver ela
consentido, fizeram para as bodas preparativos esplêndidos.
A dor transformou-se em alegria e o choro cedeu espaço
ao riso. Elas só fizeram cantar e regozijar-se, enfeitadas
com magníficas vestimentas e jóias preciosas.
Ao mesmo tempo, entoavam cânticos de louvor a Deus,
dizendo:
- Ó, Jesus, Filho de Deus, que transformaste nossa
aflição em contentamento e nossas lamúrias
em gritos de alegria!
José e Maria lá permaneceram por dez dias. Ao
partirem, receberam demonstrações de veneração
de parte de toda a família, que despediu-se deles chorando
muito, principalmente a moça que se desfazia em lágrimas.
XXIII. Os Salteadores
Chegaram, em seguida, a um deserto. Como lhes haviam dito
que era infestado de ladrões, prepararam-se para atravessá-lo
durante a noite. Eis que, de repente, avistaram dois ladrões
que dormiam e, perto deles, muitos outros ladrões,
seus companheiros, que também estavam entregues ao
sono. Esses dois ladrões chamavam-se Titus e Dumachus.
O primeiro disse ao outro:
- Eu te peço que deixes estes viajantes irem em paz,
para que nossos companheiros não os vejam.
Tendo Dumachus recusado, Titus disse-lhe:
- Dou-te quarenta dracmas e fica com meu cinto como penhor.
Deu-lhe o cinto e, ao mesmo tempo, pediu que não desse
alarme. Maria, vendo esse ladrão tão disposto
a serví-los, disse-lhe:
- Que Deus te proteja com sua mão direita e que ele
te conceda a remissão de teus pecados".
O Senhor Jesus disse a Maria:
- Daqui a trinta anos, ó minha mãe, os judeus
me crucificarão em Jerusalém e estes dois ladrões
serão postos na cruz ao meu lado: Titus à minha
direita e Dumachus à minha esquerda. Neste dia, Titus
me precederá no Paraíso.
Quando ele assim falou, sua mãe respondeu-lhe:
- Que Deus afaste de ti semelhante desgraça, ó
meu filho!
Foram dar, em seguida, em uma cidade, cheia de ídolos.
Quando eles se aproximavam, ela foi transformada em um monte
de areia.
XXIV. A Sagrada Família em Mataréia
Foram ter, em seguida, a um sicômoro, que chamam hoje
de Mataréia, e o Senhor Jesus fez surgir neste lugar
uma fonte, onde Maria lavou sua túnica. O bálsamo
que produz esse país vem do suor que escorreu pelos
membros de Jesus.
XXV. A Sagrada Família em Mênfis
Foram então a Mênfis e, tendo visitado o faraó,
permaneceram três anos no Egito, onde o Senhor Jesus
fez muitos milagres, que não estão consignados
nem no Evangelho da Infância, nem no Evangelho Completo.
XXVI. volta para nazaré
Depois de três anos, eles deixaram o Egito e voltaram
para a Judéia. Quando já estavam próximos,
José teve medo de entrar lá, porque acabara
de saber que Herodes estava morto e que seu filho Arquelaus
havia lhe sucedido. Um anjo de Deus apareceu-lhe, porém,
e disse-lhe:
- José, vai para a cidade de Nazaré e estabelece
ali tua residência.
XXVII. A Peste em Belém
Quando chegaram a Belém, havia uma proliferação
de doenças graves e difíceis de serem curadas,
que atacavam os olhos das crianças e lhes causavam
a morte. Uma mulher, que tinha um filho atacado por esse mal,
levou-o a Maria e encontrou-a banhando o Senhor Jesus.
A mulher disse-lhe:
- Maria, vê meu filho que sofre cruelmente.
Maria, ouvindo-a, disse-lhe:
- Pegue um pouco desta água com a qual eu lavei meu
filho e espalha-a sobre o teu.
A mulher fez como lhe havia recomendado Maria e seu filho,
depois de uma forte agitação, adormeceu. Quando
acordou, estava completamente curado.
A mulher, cheia de alegria, foi até Maria, que lhe
disse:
- Rende graças a Deus por ele haver curado o teu filho.
XXVIII. Outro Menino Agonizante
Essa mulher tinha uma vizinha cujo filho fora atingido pela
mesma doença e cujos olhos estavam quase fechados.
Ele gritava e chorava noite e dia. Aquela cujo filho havia
sido curado disse-lhe:
- Por que não levas teu filho a Maria, como eu fiz,
quando o meu estava prestes a morrer e ele foi curado pela
água do banho de Jesus?
A mulher foi pegar também daquela água e, assim
que ela derramou sobre seu filho, ele foi curado. Levou então
seu filho em perfeita saúde para Maria, que lhe recomendou
que rendesse graças a Deus e que não contasse
a ninguém o que havia acontecido.
XXIX. O Menino no Forno
Havia na mesma cidade duas mulheres casadas com um mesmo homem
e cada uma delas tinha um filho doente. Uma se chamava Maria
e seu filho, Cleofás. Essa mulher levou seu filho a
Maria, mãe de Jesus, e ofereceu uma bela toalha, dizendo-lhe:
- Maria, recebe de mim essa toalha e, em troca, dá-me
uma das tuas fraldas.
Maria consentiu e a mãe de Cleofás confeccionou,
com essa fralda, uma túnica, com a qual vestiu seu
filho. Ele ficou curado e o filho de sua rival morreu no mesmo
dia, o que causou profundo ressentimento entre essas duas
mulheres.
Elas se encarregavam, em semanas alternadas, dos trabalhos
caseiros e, um dia em que era vez de Maria, a mãe de
Cleofás, ela estava ocupada aquecendo o forno para
assar pão. Precisando de farinha, deixou seu filho
perto do forno. Sua rival, vendo que a criança estava
sozinha, pegou-a e jogou-a no forno em brasa e fugiu. Maria
retornou logo em seguida, mas qual não foi o seu espanto,
quando ela viu seu filho no meio do forno, rindo, pois ele
havia subitamente esfriado, como se jamais houvesse sido aquecido.
Ela suspeitou que sua rival o havia jogado ali. Tirou-o de
lá, levou-o até a Virgem Maria e contou-lhe
o que havia acontecido.
Maria disse-lhe:
- Cala-te, pois eu receio por ti se divulgares tais coisas!
Em seguida, a rival foi buscar água no poço
e, vendo Cleofás brincando e percebendo que não
havia ninguém por perto, pegou a criança e jogou-a
no poço. Alguns homens que haviam vindo para tirar
água viram a criança sentada na água,
sem nenhum ferimento, e por meio de cordas tiraram-na de lá.
Ficaram tão admirados com essa criança que renderam-lhe
as mesmas homenagens devidas a um Deus.
Sua mãe, chorando, carregou-o até Maria e disse-lhe:
- Minha senhora, vê o que minha rival fez ao meu filho,
jogando-o no poço. Ah, ela acabará, por certo,
causando-lhe a morte!
Maria respondeu-lhe:
- Deus punirá o mal que te foi feito.
Alguns dias depois, a rival foi buscar água no poço
e seus pés enroscaram-se na corda e ela caiu nele.
Quando acorreram, acharam-na com a cabeça partida.
Ela morreu, portanto, de uma forma funesta.
A palavra do sábio se cumpre em si:
- Cavaram um poço e jogaram a terra em cima, mas caíram
no poço que eles mesmos haviam preparado.
XXX. Um Futuro Apóstolo
Uma outra mulher da mesma cidade tinha dois filhos, os dois
doentes. Um morreu e o outro estava agonizando. Sua mãe
tomou-o nos braços e levou-o até Maria.
Aos prantos, disse-lhe:
- Minha senhora, vem em meu auxílio e tem piedade de
mim. Eu tinha dois filhos, acabo de perder um e vejo o outro
a ponto de morrer. Imploro a misericórdia do Senhor.
E pôs-se a gritar:
- Senhor, tu és pleno em clemência e compaixão!
Tu me deste dois filhos, me levaste um deles, pelo menos deixa-me
o outro.
Maria, testemunha da sua extrema dor, sentiu pena e disse-lhe:
- Coloca teu filho na cama de meu filho e cobre-o com suas
roupas.
Quando a criança foi colocada na cama, ao lado de Jesus,
seus olhos já cerrados pela morte abriram-se e, chamando
sua mãe em voz alta, pediu-lhe pão. Quando lhe
deram, comeu-o.
Então sua mãe disse:
- Maria, eu sei que a virtude de Deus habita em ti, a ponto
de teu filho curar as crianças que o tocam.
A criança que assim foi curada é o mesmo Bartolomeu
se quem se fala no Evangelho.
XXXI. Uma Leprosa
Havia ainda no mesmo lugar uma leprosa que foi ter com Maria,
mãe de Jesus, dizendo-lhe:
- Minha senhora, tem piedade de mim".
Maria quis saber:
- Que ajuda pedes tu? Queres ouro, prata ou queres te curar
da lepra?
A mulher respondeu:
- Que podes fazer por mim?"
Maria disse:
- Espera um pouco, até que eu tenha banhado e posto
meu filho na cama.
A mulher esperou e Maria, após o haver deitado, estendeu
à mulher um vaso cheio de água do banho do seu
filho e disse-lhe:
- Pega um pouco desta água e espalha-a sobre o teu
corpo.
Assim que a doente obedeceu, curou-se e ela rendeu graças
a Deus.
XXXII. Outra Leprosa
Ela partiu em seguida, após haver permanecido três
dias junto de Maria, e foi para uma cidade onde morava um
príncipe, que havia desposado a filha de um outro príncipe.
Quando ele viu sua esposa, porém, percebeu entre seus
olhos as marcas da lepra sob a forma de uma estrela e o seu
casamento foi declarado nulo e não válido.
Essa mulher, vendo o desespero da princesa, perguntou-lhe
a causa dessas lágrimas.
A princesa respondeu-lhe:
- Não me interrogues, pois a minha desgraça
é tanta que eu não posso revelá-la a
ninguém.
A mulher insistia em saber, dizendo que talvez conhecesse
algum remédio.
Ela viu então as marcas da lepra entre os olhos da
princesa.
- Eu também fui atingida por essa doença. Fui
a Belém para tratar de negócios e lá
entrei numa caverna onde vi uma mulher chamada Maria. Ela
carregava uma criança que se chamava Jesus. Vendo-me
atingida pela lepra, ela teve pena de mim e me deu um pouco
da água na qual havia lavado o corpo de seu filho.
Eu espalhei essa água sobre meu corpo e fui imediatamente
curada.
A princesa disse-lhe então:
- Levanta-te, vem comigo e mostra-me Maria.
Ela foi, levando ricos presentes. Quando Maria a viu, disse:
- Que a misericórdia do Senhor Jesus esteja sobre ti.
Ela lhe deu um pouco da água na qual havia lavado seu
filho. Assim que a princesa espalhou-a sobre o próprio
corpo, ela se viu curada e rendeu graças ao Senhor,
assim como todos os que ali estavam.
O príncipe, ao saber que sua esposa havia sido curada,
recebeu-a, celebrou um segundo casamento, e rendeu graças
a Deus.
XXXIII. Uma Jovem Endemoninhada
Havia, no mesmo lugar, uma jovem que Satã atormentava.
O espírito maldito aparecia-lhe sob a forma de um dragão,
que queria devorá-la. Ele já havia sugado todo
o sangue, de maneira que ela se parecia com um cadáver.
Todas as vezes em que ele se jogava sobre ela, ela gritava
e, juntando as mãos sobre a cabeça, dizia:
- Desgraça, desgraça de mim, pois não
existe ninguém que possa livrar-me deste horrível
dragão. Seu pai, sua mãe e todos aqueles que
a cercavam, testemunhas de sua infelicidade, entregavam-se
à aflição e derramavam lágrimas,
principalmente quando a viam chorar e gritar:
- Irmãos e amigos, não existirá ninguém
que possa libertar-me deste monstro?
A princesa, que havia sido curada da lepra, ouvindo a voz
dessa infeliz, subiu até o telhado de seu castelo e
viu-a com as mãos unidas acima da cabeça, a
verter copiosas lágrimas. Todos aqueles que a rodeavam
estavam desolados.
Ela perguntou se a mãe dessa possuída vivia
ainda. Quando lhe responderam que o seu pai e sua mãe
estavam ambos vivos, ela disse:
- Tragam sua mãe até mim.
Quando esta chegou, ela lhe perguntou:
- É tua filha que está assim possuída?
A mãe, tendo respondido que sim, chorou, mas a princesa
disse-lhe:
- Não revela o que vou te contar. Eu já fui
uma leprosa, mas Maria, a mãe de Jesus Cristo, me curou.
Se queres que tua filha tenha a mesma felicidade, leva-a a
Belém e implora com fé a ajuda de Maria. Eu
creio que voltarás cheia de alegria, trazendo tua filha
curada.
Imediatamente a mãe levantou-se e partiu. Foi procurar
Maria e expôs-lhe o estado de sua filha. Maria, após
tê-la ouvido, deu-lhe um pouco da água, na qual
ela havia lavado seu filho Jesus, e disse-lhe para derramá-la
sobre o corpo da possuída.
Em seguida deu-lhe uma fralda do menino Jesus, acrescentando:
- Pega isto e mostra-o a teu inimigo, todas as vezes em que
o vir.
Dizendo isso, despediu-as com suas bênçãos.
XXXIV. Outra Possessa
Após haver deixado Maria, elas retornaram à
sua cidade. Quando veio o tempo no qual Satã costumava
atormentá-la, ele lhe apareceu sob a forma de um grande
dragão. Ao ver a sua aparência, a jovem foi tomada
pelo pavor, mas sua mãe disse-lhe:
- Não temas, minha filha! Deixa que ele se aproxime
mais de ti e mostre-lhe esta fralda que nos deu Maria e veremos
o que ele poderá fazer.
Quando o espírito maligno, que havia tomado a forma
de um dragão, estava bem perto, a doente, tremendo
de medo, colocou sobre sua cabeça a fralda e desdobrou-a.
De repente, dela saíram chamas que se dirigiam à
cabeça e aos olhos do dragão.
Ouviu-se, então, uma voz que gritava:
- Que há entre ti e mim, ó Jesus, filho de Maria?
Onde encontrarei um abrigo que me livre de ti?
Satã fugiu apavorado, abandonando essa jovem e nunca
mais apareceu. Ela se viu curada e, grata, rendeu graças
a Deus, assim como todos os que haviam presenciado esse milagre.
XXXV. Judas Iscariotes
Havia nessa mesma cidade uma outra mulher cujo filho era atormentado
por Satã. Ele se chamava Judas e sempre que o espírito
maligno apoderava-se dele, ele tentava morder todos os que
estavam à sua volta. Se estivesse sozinho, mordia suas
próprias mãos e membros. A mãe desse
infeliz, ouvindo falar de Maria e de seu filho Jesus, foi
com seu filho nos braços até Maria.
Nesse meio tempo, Tiago e José haviam trazido o menino
Jesus para fora da casa, para que pudesse brincar com as outras
crianças. Eles estavam sentados fora da casa e Jesus
com eles. Judas aproximou-se também e sentou-se à
direita de Jesus e, quando Satã começou a agitá-lo
como sempre o fazia, ele tentou morder Jesus. Como não
podia alcançá-lo, dava-lhe socos no lado direito,
de forma que Jesus começou a chorar. Nesse momento,
entretanto, Satã saiu dessa criança sob a forma
de um cão enraivecido.
Essa criança era Judas Iscariotes, que mais tarde trairia
Jesus. O lado em que ele havia batido foi o lado que os judeus
trespassaram com a lança.
XXXVI. AS Estatuazinhas de Barro
Quando o Senhor Jesus havia completado o seu sétimo
ano, ele brincava um dia com outras crianças de sua
idade. Para divertir-se, eles faziam com terra molhada diversas
imagens de animais, de lobos, de asnos, de pássaros,
cada um elogiando seu próprio trabalho e esforçando-se
para que fosse melhor que o de seus companheiros. Então
o Senhor Jesus disse para as crianças:
- Ordenarei às figuras que eu fiz que andem e elas
andarão.
As crianças perguntaram-lhe se ele era o filho do Criador
e o Senhor Jesus ordenou às imagens que andassem e
elas imediatamente andaram. Quando ele mandava voltar, elas
voltavam. Ele havia feito figuras de pássaros que voavam,
quando ele ordenava que voassem, e que paravam, quando ele
dizia para parar. Quando ele lhes dava bebida e comida, eles
comiam e bebiam.
Quando as crianças foram embora e contaram aos seus
pais o que haviam visto, eles disseram:
- Fugi, daqui em diante, de sua companhia, pois ele é
um feiticeiro! Deixai de brincar com ele!
XXXVII. As Cores do Tintureiro
Certo dia, quando brincava e corria com outras crianças,
o Senhor Jesus passou em frente à loja de um tintureiro,
que se chamava Salém. Havia nessa loja tecidos que
pertenciam a um grande número de habitantes da cidade
e que Salém se preparava para tingir de várias
cores. Tendo Jesus entrado na loja, pegou todas as fazenda
e jogou-as na caldeira. Salém virou-se e, vendo todas
as fazendas perdidas, pôs-se a gritar e a repreender
Jesus, dizendo:
- Que fizeste tu, ó filho de Maria? Prejudicaste a
mim e a meus cidadãos. Cada um pediu uma cor diferente
e tu apareceste e puseste tudo a perder.
O Senhor Jesus respondeu:
- Qualquer fazenda que queiras mudar a cor, eu mudo.
Ele se pôs a retirar as fazendas da caldeira e cada
uma estava tingida da cor que desejava o tintureiro. Os judeus,
testemunhando esse milagre, celebraram o poder de Deus.
XXXVIII. Jesus na Carpintaria
José ia por toda a cidade, levando com ele o Senhor
Jesus. Chamavam-no para que fizesse portas, arcas e catres
e o Senhor Jesus estava sempre com ele. E sempre que a obra
de José precisava ser mais comprida ou mais curta,
mais larga ou mais estreita, o Senhor Jesus estendia a mão
e ela ficava exatamente do jeito que queria José, de
forma que ele não precisava retocar nada com sua própria
mão, pois ele não era muito hábil no
ofício de marceneiro.
XXXIX. Uma Encomenda do Rei
Um dia, o rei de Jerusalém mandou chamá-lo e
disse:
- Eu quero, José, que me faças um trono segundo
as dimensões do lugar onde costumo sentar-me. José
obedeceu e, pondo mãos à obra, passou dois anos
no palácio para elaborar esse trono.
Quando ele foi colocado no lugar onde deveria ficar, perceberam
que de cada lado faltavam dois palmos à medida fixada.
Então o rei ficou bravo com José, que temendo
a raiva do monarca, não conseguiu comer e deitou-se
em jejum.
O Senhor perguntou-lhe qual era a causa do seu receio e ele
respondeu:
- É que a obra na qual trabalhei durante dois anos
está perdida.
O Senhor Jesus respondeu-lhe:
- Não tenhas medo e não percas a coragem. Pegue
este lado do trono e eu o outro, para que possamos dar-lhe
a medida exata.
José fez o que havia lhe pedido o Senhor Jesus e cada
um puxou para um lado. O trono obedeceu e ficou exatamente
com a dimensão desejada.
Os assistentes, vendo esse milagre, ficaram estupefatos e
deram graças a Deus.
Esse trono fora feito com uma madeira do tempo de Salomão,
filho de Davi, e que era notável por seus nós,
que representavam várias formas de figuras.
XL. Os Meninos
Num outro dia, o Senhor Jesus foi até a praça
e vendo as crianças que se haviam reunido para brincar,
juntou-se a elas. Essas, tendo-o visto, esconderam-se e o
Senhor Jesus foi até uma casa e perguntou às
mulheres que estavam à porta, onde as crianças
haviam ido. Como elas responderam que não havia nenhuma
delas na casa, o Senhor Jesus disse-lhes:
- Que vocês estão vendo sob este arco?
Elas responderam que eram carneiros com três anos de
idade e o Senhor Jesus gritou:
- Saí, carneiros, e vinde em direção
ao vosso pastor.
Imediatamente as crianças saíram, transformadas
em carneiros, e saltavam ao seu redor.
As mulheres, tendo visto isso, foram tomadas de pavor e adoraram
o Senhor Jesus, dizendo:
- Jesus, filho de Maria, nosso Senhor, tu és verdadeiramente
o bom Pastor de Israel. Tem piedade de tuas servas que estão
em tua presença e que não duvidam, Senhor, que
tu vieste para curar e não para perder.
O Senhor respondeu que as crianças de Israel estavam
entre os povos como os Etíopes.
As mulheres disseram:
- Senhor, conheces as coisas e nada escapa à tua infinita
sabedoria. Pedimos e esperamos a tua misericórdia.
Devolve a essas crianças sua antiga forma.
O Senhor Jesus disse, então:
- Vinde, crianças, para que possamos brincar.
Imediatamente, na presença das mulheres, os carneiros
retomaram a aparência de crianças.
XLI. Jesus Rei
No mês do Adar, Jesus reuniu as crianças e colocou-se
como o seu rei. Elas haviam estendido suas roupas no chão
para fazê-lo sentar-se sobre elas e haviam colocado
sobre sua cabeça uma coroa de flores. Como os satélites
que acompanham um rei, elas se haviam enfileirado à
sua direita e à sua esquerda. Se alguém passava
por lá, as crianças faziam parar à força
e diziam-lhe:
- Vem e adora o rei, para que obtenhas uma feliz viagem.
XLII. Simão, o Cananeu
Nisso chegaram alguns homens que carregavam uma criança
em uma liteira.
Esse menino havia ido até a montanha com seus colegas
para apanhar lenha e, tendo encontrado um ninho de perdiz,
pôs a mão para retirar os ovos. Uma serpente,
escondida no ninho, no entanto, mordeu-o e ele chamou os companheiros
para socorrê-lo.
Quando chegaram, eles o encontraram estendido no chão
e quase morto. Alguns familiares vieram e levaram-no à
cidade. Ao chegaram ao local onde o Senhor Jesus estava sentado
em seu trono como um rei, com outras crianças à
sua volta, como sua corte, essas foram ao encontro dos que
carregavam o moribundo e disseram-lhes:
- Vinde e saudai o rei!
Como eles não queriam aproximar-se por causa da tristeza
que sentiam, as crianças traziam-nas à força.
Quando estavam na frente do Senhor Jesus, ele perguntou-lhe
por que estavam carregando aquela criança.
Responderam que uma serpente a havia mordido e o Senhor Jesus
disse às crianças:
- Vamos juntos e matemos a serpente!
Os pais da criança que estava prestes a morrer suplicaram
para que os deixassem ficar, mas elas responderam:
- Não ouvistes que o rei disse vamos e matemos a serpente?
Devemos seguir suas ordens.
Apesar da sua oposição, eles retornaram à
montanha, carregando a liteira. Quando chegaram perto do ninho,
o Senhor Jesus disse às crianças:
- Não é aqui que se esconde a serpente?
Eles responderam que sim e a serpente, chamada pelo Senhor
Jesus, saiu e submeteu-se a ele.
O Senhor disse-lhe:
- Vai e suga todo o veneno que espalhaste nas veias dessa
criança.
A serpente, arrastando-se, sugou todo o veneno que ela havia
inoculado e o Senhor, em seguida, amaldiçoou-a e, fulminada,
morreu logo em seguida. Depois o Senhor Jesus tocou a criança
com sua mão e ela foi curada.
Como ela se pusesse a chorar, o Senhor Jesus disse-lhe:
- Não chores, serás meu discípulo!
Essa criança foi Simão de Cananéia, de
quem se faz menção no Evangelho.
XLIII. Jesus e Tiago
Num outro dia, José havia mandado seu filho Tiago para
apanhar lenha e o Senhor Jesus se havia juntado a ele para
ajudá-lo. Quando chegaram ao lugar onde ficava a lenha,
Tiago começou a apanhá-la e eis que uma víbora
mordeu-o e ele se pôs a gritar e a chorar. O Senhor
Jesus, vendo-o naquele estado, aproximou-se e soprou o local
da mordida. Tiago foi imediatamente curado.
XLIV. O Menino que Caiu e Morreu
Um dia, o Senhor Jesus estava brincando com outras crianças
em cima de um telhado e uma delas caiu e morreu na hora. As
outras fugiram e o Senhor Jesus ficou sozinho em cima do telhado.
Então os pais do morto chegaram e disseram ao Senhor
Jesus: ` - Foste tu que empurraste nosso filho do alto telhado.
Como ele negasse, eles repetiram mais alto:
- Nosso filho morreu e eis aqui quem o matou.
O Senhor Jesus respondeu:
- Não me acuseis de um crime do qual não tendes
nenhuma prova. Perguntemos, porém, à própria
criança o que aconteceu.
O Senhor Jesus desceu, colocou-se perto da cabeça do
morto e disse-lhe em voz alta:
- Zeinon, Zeinon, quem foi que te empurrou do alto do telhado?
O morto respondeu:
- Senhor, não foste tu a causa da minha queda, mas
foi o terror que me fez cair.
O Senhor recomendou aos presentes que prestassem atenção
a essas palavras e todos eles louvaram a Deus por este milagre.
XLV. O Cântaro Quebrado
Maria havia mandado, um dia, o Senhor Jesus tirar água
do poço. Quando ele havia cumprido a tarefa e colocava
sobre a cabeça o cântaro cheio, ele partiu-se.
O Senhor Jesus, tendo estendido o seu manto, levou para sua
mãe a água recolhida e ela se admirou e guardou
em seu coração tudo o que havia visto.
XLVI. Brincando com o Barro
Um dia, o Senhor Jesus estava na beira do rio com outras crianças.
Haviam cavado pequenas valas para fazer escorrer a água,
formando assim pequenas poças. O Senhor Jesus havia
feito doze passarinhos de barro e os havia colocado ao redor
da água, três de cada lado. Era um dia de Sabbath
e o filho de Hanon, o Judeu, veio e vendo-os assim entretidos,
disse-lhes:
- Como podeis, em um dia de Sabbath, fazer figuras com lama?"
Ele se pôs, então, a destruir tudo. Quando o
Senhor Jesus estendeu as mãos sobre os pássaros
que havia moldado, eles saíram voando e cantando. Em
seguida, o filho de Hanon, o Judeu, aproximou-se da poça
cavada por Jesus para destruí-la, mas a água
desapareceu e o Senhor Jesus disse-lhe:
- Vê como está água secou? Assim será
a tua vida.
E a criança secou.
XLVII. Uma Morte Repentina
Certa noite, o Senhor Jesus voltava para casa com José,
quando uma criança passou correndo na sua frente e
deu-lhe um golpe tão violente que o Senhor Jesus quase
caiu. Ele disse a essa criança:
- Assim como tu me empurraste, cai e não levantes mais.
No mesmo instante, a criança caiu no chão e
morreu.
XLVIII. Jesus e o Professor
Havia, em Jerusalém, um homem, chamado Zaqueu, que
instruía os jovens. Ele disse a José:
- José, por que não me envias Jesus para que
ele aprenda as letras?
José concordou e também Maria. Levaram, pois,
a criança para o professor e assim que ele o viu, escreveu
o alfabeto e pediu-lhe que pronunciasse Aleph. Quando ele
o fez, pediu-lhe para dizer Beth. O Senhor Jesus disse-lhe:
- Dize-me primeiro o que significa Aleph e aí então
eu pronunciarei Beth.
O professor preparava-se para chicoteá-lo, mas o Senhor
Jesus pôs-se a explicar o significado das letras Aleph
e Beth, quais as letras de linhas retas, quais as oblíquas,
as que tinhas desenho duplo, as que tinham pontos, aquelas
que não tinham e porque tal letra vinha antes da outra,
enfim, ele disse muitas coisas que o professor jamais ouvira
e que não havia lido em livro algum.
O Senhor Jesus disse ao professor:
- Presta atenção ao que vou te dizer!
E pôs-se a recitar clara e distintamente Aleph, Beth,
Ghimel, Daleth, até o fim do alfabeto. O mestre ficou
admirado e disse:
- Creio que esta criança nasceu antes de Noé.
Virando-se para José, acrescentou:
- Tu o conduziste para que eu o instruísse, mas esta
criança sabe mais que todos os doutores.
Depois disse a Maria:
- Teu filho não precisa de ensinamentos.
XLIX. O Professor Castigado
Conduziram-no, em seguida, a um professor mais sábio
e assim que o viu. ordenou:
- Dize Aleph!
Quando o Senhor Jesus disse Aleph, o professor pediu-lhe que
pronunciasse Beth. O Senhor Jesus respondeu-lhe:
- Dize-me o que significa a letra Aleph e então eu
pronunciarei Beth.
O mestre, irritado, levantou a mão para bater nele,
mas sua mão secou instantaneamente e ele morreu. Então
José disse a Maria:
- Daqui por diante, não devemos mais deixar o menino
sair de casa, pois qualquer um que se oponha a ele é
fulminado pela morte.
L. Jesus, o Mestre
Quando contava doze anos de idade, levaram Jesus a Jerusalém
por ocasião da festa e, quando ele terminou, eles voltaram,
mas o Senhor Jesus permaneceu no templo, em meio aos doutores,
aos velhos e aos mais sábios dos filhos de Israel,
que ele interrogava sobre diferentes pontos da ciência,
mas também respondia-lhes as perguntas.
Jesus perguntou-lhes:
- De quem é filho o Messias?"
Eles responderam:
- Este é o filho de Davi.
Jesus respondeu:
- Por que então Davi, movido pelo Espírito Santo,
chama-o Senhor, quando diz que o Senhor disse ao meu Senhor:
senta-te à minha direita para que coloque teus inimigos
aos teus pés'?"
Um importante rabino interrogou-o, dizendo:
- Leste os livros sagrados?
O Senhor Jesus respondeu:
- Eu li os livros e o que eles contêm.
Dito isso, explicou-lhes as Escrituras, a lei, os preceitos,
os estatutos, os mistérios que estão contidos
nos livros das profecias e que a inteligência de nenhuma
criatura pode compreender. E o principal entre os doutores
disse:
- Eu jamais vi ou ouvi tamanha instrução. Quem
credes que seja essa criança?
LI. Jesus e o Astrônomo
Havia lá um filósofo, astrônomo sábio,
que perguntou ao Senhor Jesus se ele havia estudado a ciência
dos astros. Jesus, respondendo-lhe, expôs o número
de esferas e de corpos celestes, sua natureza e sua oposição,
seu aspecto trinário, quaternário e sêxtil,
sua progressão e seu movimento de leste para oeste,
o cômputo e o prognóstico e outras coisas que
a razão de nenhum homem escrutou.
LII. Jesus e o Médico
Havia entre eles um filósofo muito sábio em
medicina e ciências naturais e quando ele perguntou
ao Senhor Jesus se ele havia estudado a medicina, este expôs-lhe
a física, a metafísica, a hiperfísica
e a hipofísica, as virtudes do corpo, os humores e
seus efeitos, o número de membros e de ossos, de secreções,
de artérias e de nervos, as temperaturas, calor e seco,
frio e úmido e quais as suas influências, quais
as atuações da alma no corpo, suas sensações
e suas virtudes, a faculdade da palavra, da raiva, do desejo,
sua composição e dissolução e
outras coisas que a inteligência de nenhuma criatura
jamais alcançou. Então o filósofo ergueu-se
e adorou o Senhor Jesus, dizendo:
- Senhor, daqui em diante serei teu discípulo e ter
servo.
LIII. Jesus É Encontrado
Enquanto Jesus assim falava, Maria apareceu, junto com José,
pois fazia três dias que procuravam por Jesus. Vendo-o
sentado entre os doutores, interrogando-os e respondendo-lhe
alternadamente, ela lhe disse:
- Meu filho, por que agiste assim conosco? Teu pai e eu te
procuramos e tua ausência causou-nos muita aflição.
Ele respondeu:
- Por que me procuráveis? Não sabíeis
que convinha que eu permanecesse na casa de meu Pai? Eles
não entendiam as palavras que ele lhes dirigia. Então
os doutores perguntaram a Maria se ele era seu filho e tendo
ela respondido que sim, eles exclamaram:
- Ó feliz Maria, que deste à luz tal criança.
Ele voltou com os pais para Nazaré e ele lhes era submisso
em tudo. Sua mãe conservava todas as suas palavras
em seu coração e o Senhor Jesus crescia em tamanho,
em sabedoria e em graça diante de Deus e diante dos
homens.
LIV. Via Oculta
Ele começou desde esse dia a esconder os seus segredos
e seus mistérios, até que completou trinta anos,
quando seu Pai, revelando publicamente sua missão às
margens do Jordão, fez soar, do alto do céu,
essas palavras:
- É meu filho bem-amado no qual coloquei toda minha
complacência.
Foi quando o Espírito Santo apareceu sob a forma de
uma pomba branca.
LV. Doxologia
É a ele que humildemente adoramos, pois ele nos deu
a existência e a vida. Ele nos fez sair das entranhas
de nossas mães, tomou, por nós, o corpo de homem
e nos redimiu, cobrindo-nos com sua misericórdia eterna
e concedendo-nos a graça do seu amor e de sua bondade.
A ele, portanto, glória, poder, louvores e domínio
por todos os séculos.
Que assim seja!
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