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Autênticas
doutrinas tântricas do Kamasutra, de
Vatsyayana, e o Anangaranga de Kayanamalla complementam-se
com o Vajroli-Yoga e o Pancatatwa. O Kamasutra hindu
legítimo nada tem a ver com certas edições
espúrias ou apócrifas, adulteradas,
que ostentando o mesmo título circulam por
todos os países ocidentais. Esta obra clássica
da arte do amor hindu divide-se em sete partes: na
primeira se expõe ao casal o impulso da vida
e as artes e ciências que são de utilidade
prática na Magia Sexual.
Só entram
em consideração como Mestras das principiantes,
aquelas mulheres que tenham praticado Magia Sexual
com algum homem. A discípula deve possuir o
conhecimento de sessenta e quatro artes básicas.
Entre outras coisas, depois do canto, música
instrumental, dança, desenho, confecção
de extrato de pétalas de flores, execução
musical com vasos contendo água pura, mineralogia,
ciência química, organização
de brigas de galos, codornas, carneiros e técnica
de todos os trabalhos literários, a aluna terá
de aprender, obrigatoriamente, artes mágicas.
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Além de saber preparar os diagramas
e filtros amorosos de eficácia esotérica, deverá
instruir-se em sábios sortilégios e mantras.
Na segunda parte do Kamasutra, o grande Mestre hindu Vatsyayana
expõe, sabiamente, uma farta didática esotérica
sobre a arte de amar, ocupando-se muito especialmente sobre
algo extraordinário, qual a verdadeira divisão
de tipos homens e mulheres segundo a divisão de seus
órgãos genitais.Inteligentemente apresenta três
classes de homens que são designados segundo o seu
Phalo como: lebre, touro e garanhão
(animal grande do Hindustão).
Comparando com os varões, as mulheres
também são classificadas segundo a constituição
de seu Yoni (órgão sexual): gazela;
égua e elefanta. Esta diferenciação
de ambos os sexos compõe-se, por sua vez, em nove combinações
amorosas, fazendo-nos recordar a Nona Esfera:
1. Elevado gozo sexual:
lebre com gazela; touro com égua;
garanhão com elefanta.
2. Desiguais uniões sexuais: lebre
com égua; lebre com elefante;
touro com gazela; touro com elefanta;
garanhão com égua; garanhão
com gazela.
As nove possibilidades de união
sexual se subdividem em três classes, segundo o tamanho
dos órgãos sexuais: a proporção
do mesmo tamanho, que sem dúvida é o melhor;
a relação entre órgãos grandes
com pequenos, no qual é dos mais infelizes, o desfrute
do prazer; todas as outras relações amorosas
que podem simplesmente se classificar como regulares. O eventual
temperamento dos cônjuges, sem dúvida, desempenha
um grande papel no ato sexual. Agrupam-se em três classes:
frio, médio e ardente, de maneira
que são possíveis os nove acoplamentos da Nona
Esfera, a saber: frio com frio; médio
com médio; ardente com ardente.
Desiguais uniões sexuais: frio com médio;
frio com ardente; médio com
frio; ardente com frio; ardente
com médio.
A duração de um gozo sexual,
ou seja, a possibilidade de uma longa permanência no
mesmo, não se baseia, entre os hindus, por exemplo,
em uma atividade sensual puramente animal, mas é considerado
como questão vital que se expressa no ato executado
como uma demonstração de cultura muito desenvolvida
e muito bela. Um cônjuge que não se encontre
realmente orientado sobre os mais íntimos fenômenos
sexuais é considerado deficiente.
Segundo Rasamanjuri, todo homem no jogo
do amor não reflexiona sobre o que se deve fazer ou
deixar de fazer. É evidente, também, que a duração
do deleite sexual divide-se em três classes: rápida,
média e lenta. O segredo da felicidade de
Deus consiste na relação dele consigo mesmo.
Desta relação advém, de acordo com a
lei das analogias ilosóficas, todo o vínculo
cósmico, todo o enlace sexual. O gozo sexual é,
pois, um direito legítimo do homem; a felicidade de
Deus expressando-se através de nós.
Maomé disse: “O ato sexual
é até agradável à religião,
sempre que realizado com a invocação de Alá
e com a própria mulher para a reprodução”.
O Alcorão diz: “Ouve, toma por mulher
uma donzela a qual acaricies e te acaricie também.
Não passes à penetração sem haver-te
antes excitado pelas carícias”. O Profeta sublinha:
“Vossas esposas são para vós um labirinto.
Ide a ele como vos aprouver, mas realizai antes algum ato
devocional. Temei a Deus e não esqueçais de
que um dia havereis de estar em sua presença!”
Segundo esta concepção, é ostentável
que o delicioso ato sexual com a mulher adorável é
uma forma de oração. Nesses instantes de suprema
felicidade nos convertemos em colaboradores do Logos Criador;
prosseguimos a tarefa radiante e a cada instante recreadora
da manutenção do universo entre o seio misterioso
da eterna Mãe-Espaço. “Fazei como vosso
criador, como um homem poderoso em obras e força, consciente
do que faz e havereis de obter duplo gozo; um acréscimo
de licor seminal e filhos sãos e fortes”.
Assim disse Maomé: “Dez graças concede
Alá ao homem que outorga sua simpatia à mulher,
com mãos acariciantes; vinte, se a pressiona de encontro
ao seu coração; mas, se seu abraço amoroso
é o autêntico, obtém de Deus trinta graças
para cada beijo”.
Kalyanamalla enfatiza a idéia
transcendental de que o cumprimento exato do código
do amor é muito mais difícil do que o humanóide
intelectual equivocadamente pensa. Os deleites preparatórios
são complicados. A arte deverá ser executada
exatamente segundo os preceitos, para avivar a paixão
da mulher, da mesma maneira que se aviva uma fogueira, para
que seu Yoni torne-se mais brando, elástico e idôneo
ao ato amoroso. Um sábio autor disse: “O anangaranga
concede grande importância a que ambos os cônjuges
não deixem introduzir em sua vida íntima nenhuma
inibição, fastio ou saciedade em suas relações,
efetuando a consumação do amor com recolhimento
e entrega total. A forma do ato sexual, isto é, a posição
no mesmo, é denominada Asana. Pode-se diferenciar quatro
modalidades: uttana-danda; tiryac; upawishta; uthitta.
O estudo esotérico destas quatro Asanas Tântricas
é de complicado conteúdo, com objetivos exclusivamente
pedagógicos. Limitar-nos-emos no presente livro a transcrever
especificamente aquela posição sexual chamada
upawishta. Porém, em futuros tratados, continuaremos
estudando as outras Asanas.
Upawishta quer dizer posição
sentada, na qual ocorrem doze subposturas:
1. A especialmente preferida:
Padmasana. O homem senta-se com as pernas cruzadas sobre a
cama ou uma almofada, toma a mulher sobre suas pernas enquanto
esta, com as suas mãos, envolve o corpo do varão
de tal forma que seus dois pés façam contato
sobre o cóccix masculino (assim, a mulher absorve o
Phalo).
2. Sentados ambos, e durante o delicioso
ato, a mulher levanta com uma das mãos uma de suas
pernas.
3. Homem e mulher entrelaçam suas
mãos sobre suas respectivas nucas.
4. Enquanto a mulher toma em suas mãos
os pés do homem, este toma os da mulher.
5. O homem toma nos braços as pernas
da mulher, deixa-as repousarem sobre o arco do cotovelo e
entrelaça os braços atrás da nuca de
sua parceira.
6. A postura da tartaruga: ambos sentam-se
de maneira que se tocam mutuamente na boca, mãos e
pernas.
7. Sentado, com as pernas afastadas, o homem
penetra seu membro e exerce pressão entre a coxa da
mulher com a sua coxa.
8. Uma postura somente executável
por um homem muito forte e uma mulher muito ágil: o
homem apóia a mulher com os cotovelos elevados, penetra
seu membro e após oscila-a da direita à esquerda.
9. A mesma posição, somente
que a pendulação ou oscilação
da mulher se efetua para diante e para trás.
O Upawishta oriental
é maravilhoso, porém os gnósticos não
são exclusivistas. É óbvio que no mundo
ocidental muitos místicos preferem a seguinte Asana:
1. Mulher estendida
de costas na cama, pernas afastadas (abertas para a direita
e para a esquerda), almofada baixa ou sem ela.
2. Homem colocado sobre a mulher, metido
entre suas pernas; rosto, tórax e ventre masculino
fazendo contato direto com o corpo feminino.
3. Fronte contra fronte, peito contra peito,
plexo contra plexo; todos os correspondentes centros astrais
justapostos para permitirem um intercâmbio de correntes
magnéticas e estabelecer assim um androginismo completo.
4. Introduza-se muito suavemente o membro
viril na vagina, evitando-se ações violentas.
O movimento do Phalo dentro do útero deve ser lento
e delicado.
5. A união deverá durar pelo
menos uma hora.
6. Retirar-se da mulher antes do espasmo
para evitar a ejaculação do sêmen.
7. O Phalo deve ser retirado de dentro do
útero muito delicadamente.
Pierre Huard e Ming Wong, falando sobre medicina chinesa,
disseram: “O Taoísmo tem outras influências
na medicina, como prova a leitura de uma recompilação
dos tratados taoístas, o Sing-Ming-Kuel-Chen, do ano
1622, aproximadamente”.
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Distinguem-se três regiões no corpo humano.
A região superior inferior da cabeça. O
chamado osso da almofada é o occipital. “A
almofada de Jade (Yu Chen) encontra-se na parte posterior
inferior da cabeça. O chamado osso da almofada
é o occipital (Chen-Ku)”. “O palácio
do Ni-Huan (termo derivado da palavra sânscrita
Nirvana) encontra-se no cérebro, chamado também
‘mar da medula óssea’ (Suei-Hai), e
é a origem das substâncias seminais”.
“A região média é a coluna
vertebral, considerada não como um eixo funcional
e sim como um conduto, unindo as cavidades cerebrais com
os centros genitais, termina num ponto chamado de coluna
celeste (Tienchu), situado detrás da nuca no ponto
onde nascem os cabelos. Não devemos confundir este
ponto com o que na acupuntura tem o mesmo nome”.
A região inferior compreende o campo de cinábrio
(Tan-Tien). Nela se assenta a atividade genital representada
pelos rins, o fogo do Tigre (Yang à esquerda),
e o fogo do Dragão (Ying à direita)”. |
“A união sexual está
simbolizada por um casal; um homem jovem conduz o tigre branco
e uma mulher jovem cavalga sobre o dragão verde. O
chumbo (elemento masculino) e o mercúrio (elemento
feminino) irão mesclar-se, enquanto estiverem unidos.
Os jovens arrojam sua essência em uma caldeira de bronze,
símbolo da atividade sexual”. “Mas os líquidos
genitais, particularmente o esperma (Tsing), não são
eliminados, nem se perdem, a fim de que possam voltar ao cérebro
pela coluna vertebral, graças a qual se recupera o
curso da vida”.
“A base destas práticas
sexuais taoístas é o ‘coitus reservatus’,
no curso do qual o esperma que haja baixado do encéfalo
até a região prostática (mas que não
tenha sido ejaculado) retorna à sua origem; é
o que se denomina fazer voltar a substância (Huan-Tsing)”.
Quaisquer que sejam as objeções
que se formulem frente à realidade deste retorno, não
é menos certo que os taoístas conceberam um
domínio cerebral dos instintos elementais que mantinha
o grau de excitação genésica por debaixo
do umbral da ejaculação; deram assim ao ato
sexual um estilo novo e uma realidade diferente à fecundação.
“As práticas sexuais desempenharam
um grande papel no taoísmo. As práticas públicas
e coletivas, assinaladas no século 2º, desapareceram
no século 6º.” “As práticas
privadas continuaram tanto tempo que Tseng (século
12) lhes consagrou uma parte de seu ‘Tao Chu’."
“Realmente, tanto taoístas como budistas observaram
a continência (que tem sua base na Magia Sexual). Porém,
os primeiros a consideravam como uma forma de desprendimento
que devia levá-los à libertação,
enquanto os segundos (além do seu desejo de conseguir
o Tao) mantinham-se castos para concentrar-se, conservar sua
substância e terem longevidade.” “É
possível que, igualmente como sucedeu com seus exercícios
respiratórios, os taoistas se inspiraram nos tratados
tântricos hindus. Alguns foram traduzidos para o chinês
na época dos T’Ang e conhecidos por Suen-Ss Eu
Miao”.
“O Pao-P’u-Tseu contém
uma seção intitulada “A Alcova”
(18 capítulos), que foi impressa em 1066 e reimpressa
em 1307, 1544 e 1604 por Kiao Che-King”. Estas datas
foram extraídas dos textos incluídos nos Anais
do Suei por Tamba Yasuyori em seu Yi-Sin-Fang (982-984, impresso
por Taki Genkin, morto em 1857). “Em 1854 este compêndio
médico de 30 capítulos, contendo os segredos
de alcova, foi reeditado por Ye Tohuei (1864-1927) que reconstruiu
os textos perdidos e, particularmente, o “Ars Amatoria”,
do Mestre Tong-Hiuan”.
Um grande sábio disse: “Mediante
a prática do Vajroli-Mudra, o iogue
faz afluir em si a Shakti, ou seja, a energia universal revelada,
de maneira que já não será apenas partícipe,
mas também seu Senhor”.
No Viparitakarani, diz-se:
“Esta prática é a melhor, excelente, causadora
da liberação para o iogue. Ela importa em saúde,
outorgando-lhe a perfeição”. Se desvendarmos
o Vajroli Mudra, se rasgarmos o Véu de Ísis,
fica a verdade nua, a Magia Sexual, o Sahaja Maithuna. A esotérica
Viparitakarani ensina claramente como o iogue faz subir lentamente
o sêmen mediante a concentração, de modo
que o homem e a mulher, em plena cópula, podem alcançar
o Vajroli.
Om! Obediente à Deusa, semelhante
a uma serpente adormecida no Swayambhulingam e maravilhosamente
adornada, desfruta do amado e de outros arrebatamentos. Acha-se
aprisionada pelo vinho e irradia com milhões de raios.
Será despertada (durante a Magia Sexual), pelo ar e
pelo fogo, com os mantras ‘Yam e Dram’
e pelo mantran ‘Hum’ ”.
Cantai estes mantras nesses preciosos momentos em que o Lingam-Yoni
encontram-se conectados no leito nupcial. Assim, despertareis
Devi Kundalini, a serpente ígnea de nossos mágicos
poderes.
(Texto retirado do livro O
Parsifal Desvelado. VM Samael Aun Weor. Este livro encontra-se
disponível na Biblioteca
Gnóstica)

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