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Fundamentos Gnósticos da Alquimia

Introdução
É freqüente encontrarmos autores de livros de Química argumentando ser essa Ciência oriunda da Alquimia. Ora, é sobejamente sabido, por todos aqueles que se dedicam à pesquisa histórica, que de modo algum essa suposição pode ser suportada pelos fatos. Isto é, no máximo, apenas uma parte da verdade, já que muitos alquimistas também descobriram novas substâncias e desenvolveram procedimentos experimentais utilizados posteriormente pela Química.

Mas há na Alquimia uma sabedoria que não se encontra na Química. Elas diferem, portanto, nas suas concepções e objetivos. A palavra Alquimia, do árabe Al-Kemi ou do grego Chemeia, tem o mesmo significado: Química.

No Egito antigo, temos Khem-Kemé (a Ciência de Khem, que era o nome do Egito no passado; dizem na Astrologia Esotérica que Khem era o nome das Plêiades, as Cabritas dos Céus, intimamente relacionadas com as pirâmides). Na China, Kim-Mai, do dialeto cantonês, significando algo como “o segredo”; ou ainda, do dialeto de Fukien, Chim-I, extrato para fazer ouro. O nome do Egito, em hieroglífico é Khemi (negro), isto é, a matéria original da transmutação, passível de ser convertida em ouro.

A Alquimia é uma Química Transcendental, superior, e há entre as duas a mesma relação que existe entre a Astrologia e a Astronomia, e a mesma diferença: uma é de caráter nitidamente espiritualista e a outra, friamente materialista.

Alguns escreveram que a Alquimia é produto de séculos de ignorância, mas é exatamente o contrário: naqueles séculos de ignorância ela foi a Luz valente e atrevida que, com o passar do tempo, resultou no florescimento da atual Ciência, da Filosofia, do Esoterismo, da Magia séria e profunda, das diversas formas artísticas etc., como ramos daquela imensa árvore. Sua desarticulação não surgiu de suas contradições internas, mas ocorreu no contexto do sistema objetivo do pensamento nascido com a Ciência Moderna. A Alquimia se recusou a partilhar do dogma modernista que desvinculou o sujeito e o objeto, a matéria do Espírito, a Unidade na Diversidade...

O alquimista é um perseguidor da perfeição em todos os reinos da natureza. É o agente do Criador para o aperfeiçoamento de Sua Obra.

No passado não existiam as especializações, como vemos hoje. O alquimista era também astrólogo, médico, sacerdote do Altíssimo, mago e filósofo, de modo que reunia, como ainda reúne, o máximo do Conhecimento (Gnosis) de sua época. Esse Conhecimento Liberador, combatido sem tréguas pelo fanatismo religioso que considerava satânico todo saber, passou a ser transmitido pelo mestre a alguns discípulos, que eram iniciados em sua “Arte”.

Vejamos o que nos diz Arnold Waldstein em sua obra Os segredos da Alquimia: “O homem moderno, e em especial o cientista moderno, demasiadas vezes paralisado pelas ilusões da física nuclear, mostra uma tendência excessiva para considerar os alquimistas com comiseração, como os ‘homens das cavernas’ da ciência atual, a qual se encontraria na senda da verdade e do progresso. Ora, quando o homem moderno, mergulhou nos abismos da ‘civilização moderna’, e vê o alquimista como um sonhador perdido nas suas poções mágicas e nas suas receitas cabalísticas, ele não faz mais do que sucumbir a uma ilusão, pois, com efeito, o alquimista, quer ele fosse da Idade Média, quer fosse do Renascimento (as idades de ouro da Alquimia, pelo menos entre as historicamente conhecidas), superava o Tempo e possuía em germe nas suas retortas toda a decomposição plutônica do mundo moderno, que agora o julga. Assim, podemos considerar a química moderna, um desvio da Alquimia”.

Os textos alquímicos são escritos numa linguagem não-convencional, chamada linguagem dos pássaros, que visa interditar o conhecimento aos mais indignos, afoitos e ineptos.

Vários foram os alquimistas que contribuíram para o desenvolvimento dessa Arte, como Demócrito, iniciado nos Templos de Memphis, discípulo de Leucipo, o qual enunciou a base da Teoria Atômica, além de Newton, Berthelot, Crookes, Rochas, Mendeleiev e tantos outros.

Não poderíamos deixar de citar aquele que mais se destacou no estudo da IATROQUÍMICA, ou seja, a Química destinada à cura. Estamos falando de Theophrastus Bombast von Hohenhein, Paracelso. Paracelso preconizou uma nova terapêutica das doenças, baseada no princípio de que o ser humano era formado por elementos básicos cujo desequilíbrio provoca todas as doenças. Lembremos que Paracelso, juntamente com outros luminares do Ocultismo e da Alquimia, como Cornélio Agripa e Fausto de Praga, foi discípulo do famoso Abade Tritemo.

Os textos alquímicos são permeados pelos processos da transformação, quase sempre representados pela transmutação do chumbo em ouro, sugerindo também a passagem da ignorância, tida como fonte das trevas, para a Sabedoria, associada à luz solar, à perfeição, ou ainda ao brilho do ouro.

Assim, a finalidade aparente da Alquimia é a fabricação do ouro, mas a Arte Alquímica consiste em despertar o sentido das analogias; é a ponte de ouro que une o microcosmo ao macrocosmo, ligada, por conseqüência, ao fenômeno da iluminação – o visível como reflexo do invisível.

Devemos recordar que a Alquimia é a arte de alcançar a perfeição, que para o metal ou a matéria é o ouro, e para o homem, a regeneração psicofísica, com a longevidade, depois a imortalidade e, por fim, a redenção espiritual.

A obtenção da Pedra Filosofal, do ouro alquímico, corresponde à grande transformação interior, é atingir o aperfeiçoamento, o autoconhecimento e a auto-realização. A via para conseguir tais objetivos é a Alquimia redentora e que significa o perfeito equilíbrio dos sentimentos, das ações e dos pensamentos (bhakti yoga, karma yoga e jnana yoga, unidos em perfeita harmonia).

Os que já lograram tal intento são aqueles que vivenciam e manifestam o Ser Divino em seu interior, em lugar do “ego”, do “eu”. Para esses, a verdadeira família é a comunidade planetária, a verdadeira pátria é o planeta Terra, o Amor é seu Deus, e a Verdade, sua Religião maior.

A Alquimia Gnóstica

Desde épocas remotas, o ser humano tem-se empenhado na busca da saúde, da longevidade, da felicidade e da auto-realização de seu Ser Divino aqui na Terra. No mais profundo de sua Alma, oculta-se o desejo dessa felicidade infinita e perpétua, que possa acompanhá-lo até sua final reunião com Deus. Através dos tempos, criou-se uma linguagem própria na Alquimia para sintetizar todas as buscas do Homem. Essa linguagem envolveu-se num profundo hermetismo para que somente os corações inteligentes, com sensibilidade suficiente, pudessem ser guiados para as finalidades que a Alquimia se propunha.

A Alquimia, segundo concepção gnóstica, é a arte da transformação dos elementos grosseiros do nosso corpo físico e psíquico em elementos superiores da Alma e do Espírito. Na linguagem hermética, esotérica, isso significa transformar o chumbo em ouro.

Essa arte alquímica foi estruturada e codificada primeiramente pelo grande Avatar do Egito, Hermes Trimegisto, depois passou para os árabes, que a levaram à Europa com as invasões muçulmanas na Península Ibérica. A Alquimia ganhou uma nova cara na Idade Média. Os alquimistas utilizam-se do Magnum Misterium para alcançar a Pedra Filosofal ou Lapis Philosopharum. Os Iniciados que recebem essa “pedra” (que é a mesma pedra mencionada por Jesus e pelos maçons) têm o direito ao Elixir da Longa Vida, à Chave da Vida Eterna e à Cornucópia da Abundância, segundo textos clássicos herméticos. Esses prêmios todos na verdade encontram-se não em laboratórios químicos externos, mas em nosso próprio laboratório orgânico, mais precisamente em nossas glândulas endócrinas, especialmente as gônadas (glândulas sexuais).

A finalidade maior da Ars Magna (a Alquimia) é a liberação do ser humano através da expansão e iluminação de nossa Essência Divina. Seu objetivo é criar Luz a partir do aspecto original de toda a Criação: o Fogo, que no organismo humano é de natureza sexual e que, transmutado, se transforma em Luz Espiritual, e iluminação da consciência.

Essa transformação alquímica produz uma série de benefícios físicos e anímicos como a regeneração e revitalização das energias, o restabelecimento do equilíbrio das funções hormonais e metabólica, desencadeando-se um processo de rejuvenescimento das células realmente extraordinário.

O mais importante é a mola propulsora que movimenta a humanidade. Tudo gira em torno do amor, mas poucos conhecem e vivem os mistérios do amor, as chaves secretas que os conduza à verdadeira felicidade, ao êxtase. A maioria das pessoas vive apenar alguns momentos fugazes e passageiros do amor e não sabem como evitar que esse sentimento maravilhoso se esvaia de forma rápida e melancólica.

Segundo os preceitos alquímicos tradicionais, o verdadeiro êxtase é alcançado quando o homem e a mulher, através da Alquimia Sexual, transmutam o fogo em luz, inspirados no amor consciente. Os estados de Êxtase dependem da intensidade da luz e esta depende da transformação do fogo sexual. Há infinitas formas de êxtase, porém a mais elevada e profunda é a tântrica, alquímica.

O êxtase é um estado especial caracterizado pela ausência total de conflitos. Pode ser alcançado através da meditação, quando a mente se encontra em silêncio, surgindo então o Vazio Iluminador, o que permite vivenciar a realidade dos Mundos Superiores.

Há quem alcance o êxtase através da arte, através das danças sagradas ou interpretando-se um instrumento musical, ou até mesmo em momentos de total integração com a Natureza. Aquele que aprende a viver a vida de instante em instante está apto a encontrar o êxtase nas diversas atividades do cotidiano. Porém, há graus e graus de êxtase.

O êxtase do casal que se ama em todos os níveis da consciência, que conhecem as Chaves Secretas da Alquimia, os coloca em condições de compreender e viver os Grandes Mistérios do Universo. E à medida que o Alquimista for se aperfeiçoando psicologicamente, erradicando o que tem de falso em sua personalidade, poderá almejar os mais elevados níveis de êxtase, os chamados estados de Samadhi.

Esses estados de consciência não podem ser definidos, tal a sua natureza íntima, tal o refinamento que se necessita para alcançá-lo em seus três graus: samadhi, nirvikalma samadhi e mahasamadhi, todos fundamentados na manipulação inteligente do Fogo Criador, a matéria-prima da Alquimia.

A Alquimia foi cultivada entre os grandes profetas, como Isaías, Abraão, Ezequiel e outros tantos, inclusive por Moisés, o qual a manejou perfeitamente. Lembremos do Grande Mestre Jesus o Cristo, que falava em forma velada sobre esses temas. Há um fato transcendental na vida desse grande alquimista, que conseguiu a Pedra Filosofal e o Elixir da Longevidade, que se relaciona com a cátedra de Nicodemos, a qual é de caráter profundamente sexual. Esse grande Iniciado, Jesus, cujo nome esotérico é Yehoshua ben-Pandirah, teve a sua vida toda envolvida com a Alquimia, mas lamentavelmente, as maias de 5 mil escolas e seitas religiosas ditas cristãs trataram de desvirtuar e ocultar a essência dos seus ensinamentos.

A Alquimia teve o seu apogeu na Idade Média, especificamente na Europa, que foi o ponto central de onde surgiram misteriosos e enigmáticos homens, os quais realizaram grandes transformações, tanto no campo material como no espiritual. Alguns deles, com bastante capacidade e inteligência, souberam disfarçar e ocultar ao mundo profanos suas fórmulas e chaves poderosas, utilizando determinados simbolismos para evitarem a perseguição dos ignorantes e da Inquisição, cujo fanatismo levou à fogueira os alquimistas menos astutos, os quais foram considerados bruxos, magos negros, hereges etc.

Recordemos, por exemplo, aos Condes de Saint Germain e Cagliostro, que, tendo obtido o Elixir da Longa Vida, eram um enigma indecifrável, mantendo-se jovens através dos séculos sem apresentarem os vestígios de envelhecimento. Esses condes, possuidores da Pedra Filosofal e do Elixir, vivem ainda hoje, com os seus mesmos corpos físicos, disfarçados nas altas esferas dos governos, influenciando ocultamente em diversos campos de atividade econômica e social.

Só o Amor, sabiamente vivido, pode transformar este mundo. Só o Amor pode trazer o Paraíso para esta Terra.

Porém, a Alquimia não se restringe somente ao campo místico e espiritual. Ela tem uma função importantíssima na era científica atual, apresentando-se como uma solução objetiva para os conflitos da vida contemporânea. A decadência que se manifesta atualmente em quase todos os setores da vida moderna tem como causa primordial a degeneração sexual, que, aliás, sempre foi a causa do declínio das grandes civilizações.

A instituição do casamento como fonte de amor e felicidade conjugal, degenerou-se assustadoramente e o comportamento sexual do homem moderno apresenta um quadro bastante caótico. A chamada “liberdade sexual” foi confundida com o extravasamento desenfreado da libido, com conseqüências desoladoras, destacando-se o fantasma da Aids, além de outra doenças sexualmente transmissíveis, que se alastra por todas as partes deste aflito mundo.

Não é preciso muita reflexão para se concluir que esse estado de coisas tem suas raízes na perda da capacidade da humanidade da AMAR CONSCIENTEMENTE.

O Amor Consciente converte a mulher e o homem em verdadeiros Seres Cósmicos e resgata a sua condição de Reis da Natureza, do Universo e de seus destinos.

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