 |
Recordemos
o signo do infinito, o 8
estendido horizontalmente e igualado a um 5;
o que dá literalmente: Infinitivo igual a cinco.
Quer dizer: o infinito é igual à Pentalfa,
à Vaca Inefável das cinco patas, à
estrela de cinco pontas, ou pentágono regular
e estrelado, que deteve Mefistófeles quando acudiu
à evocação bruxesca do Doutor Fausto…
Definir
estes cinco aspectos é indispensável para
o bem de todos e de cada um de nossos estudantes:
|
1. A
Imanifestada Kundalini.
2. Ísis inefável, casta Diana (Sabedoria, Amor,
Poder).
3. A Hécate grega, a Prosérpina egípcia,
a Coatlicue asteca (a rainha dos infernos e da
morte. Terror de amor e lei).
4. A Mãe Natura particular individual (aquela que criou
nosso corpo físico).
5. A Maga Elemental Instintiva (aquela que originou nossos
instintos).
O vaqueiro,
o condutor da vaca sagrada, pode e deve trabalhar no magistério
destes cinco poderes da pentalfa…
Solenemente
declaro com ênfase o seguinte: Eu trabalho diretamente
com os cinco poderes da Vaca Sagrada.
Ilustrar,
esclarecer, ensinar sobre a pentalfa, é um dever, porém,
prefiro fazê-lo com relatos vividos:
Primeiro
Relato
Dizem
que entre o sublime e o ridículo não há
mais que um passo, e isto é axiomático.
Recordai,
por um momento, as bacantes, quando estavam no período
de seu furor orgiástico.
Belezas
femininas polarizadas positivamente com a onda dionisíaca,
ninfas dos bosques e das montanhas perseguidas pelos silenos
lascivos…
Vede,
agora, as mênades ridículas, negativamente polarizadas
com a onda de Dionísio…
Bailarinas
desenfreadas no furor de sua loucura sagrada. Mulheres "hippies"
da antiga Grécia…
Fêmeas
prostitutas excitadas pelas drogas, em plena embriaguez dionisíaca…Os
sacrifícios humanos e de animais as faziam ainda mais
perigosas…
Foram
as mênades luxuriosas que mataram Orfeu e a Lira maravilhosa
caiu sobre o pavimento do templo, feita em pedaços…
Uma vez
relatava a meus amigos cômicos episódios relacionados
com um passado boêmio…
Obviamente,
não podiam falar em tal comicidade o fruto fermentado
da videira e as bacantes no cúmulo de seu furor orgiástico…
Ridículas cenas daqueles tempos idos, em que eu andei
pelo mundo, este do Kali-Yuga, como Bodhisatva caído…
Entretanto,
existem momentos estelares da humanidade. Um recordatório
cósmico se faz, em verdade, muito necessário…
Fora do
veículo físico, em corpo astral, sob zona tridimensional
de Euclides, tive de entrar no mundo soterrado…
 |
O
que sucedeu depois foi espantoso em grande estilo. O que
ali vi, na horrível região submersa, foi
mesmo que antes viram os Hoffman, os Edgar Poe, os Blavatsky,
os Bulwer-Lytton de todos os tempos; o mesmo que nos pinta
Espronceda com seus coros demoníacos, com as angústias
do poeta, com suas vozes discordes dos que levam sem rumo
a nave da vida, fiando-se, loucos, do vento das paixões
e do tenebroso mar da dúvida no bem obrar, dos
que, fatais, desposam com o destino; dos que, orgulhosos,
querem alçar torres de Babel de ambições
néscias; dos que mentem; dos que combatem por mundanas
glórias; dos que se enlodam no prazer da orgia;
dos que cobiçam o ouro; dos ansiosos que odeiam
o trabalho fecundo e criador; dos malvados, dos hipócritas
e demais vítimas do Proteu do egoísmo, enfim… |
Apareceram
garras, dentes, cornos, trombas, aguilhões, beiços,
caudas, asas dentadas, dilacerantes anéis que ameaçam
aniquilar-me qual ínfimo verme…
Aos meu
ouvidos mágicos chegaram, nesses momentos, muitos sons
horripilantes: alaridos, uivos, sibilos, relinchos, chiados,
mugidos, grasnidos, miados, ladridos, bufares, roncos e crocitares.
Submerso
me encontrei no lodo de tanta miséria; a angústia
apoderou-se de mim; aguardava, ansiosamente, um bálsamo
para sanar meu dolorido coração…
Não
eram vãs, não, as elocubrações
desses grandes videntes do astral que se chamaram alquimistas,
cabalistas, ocultistas, esoteristas, iogues, gnósticos
ou simplesmente poetas.
De repente,
algo insólito acontece além das lamacentas águas
do Aqueronte: gira sobre seus gonzos de aço a horrível
porta que dá acesso à morada de Plutão…
Intensamente
emocionado, estremeço, pressinto que algo terrível
sucedeu. Não estou equivocado…Vejo-a! É ela!
A Imanifestada Kundalini transpôs o umbral onde moram
as almas perdidas…
Magnífica
Madona, excelente, extraordinária e terrivelmente divina,
acerca-se de mim com passo magistral. Não sei o que
fazer; estou confuso; sinto temor e amor simultaneamente…
Recordatório
cósmico? Recriminação? Fala a Adorável
com voz de paraíso, bendiz-me e, depois, continua seu
caminho como quem vai para as espantosas muralhas da Cidade
de Dite.
No fundo
da minha Consciência senti, nesses momentos, como se
Ela quisesse também ajudar a outros que moram em torno
da cidade da dor, onde já não poderemos entrar
sem justa indignação…
Olhando
desde a alta torre de ardente cúspide, contam que viu
Dante aparecer, de improviso, as três Fúrias
infernais, as quais, segundo se diz, tinham movimentos e membros
femininos…
Tudo isto
o recordei instantaneamente; de modo algum queria eu – mísero
mortal do lado da terra – converter-me num habitante a mais
da cidade da dor.
Afortunadamente,
tive a imensa dita de poder sair das entranhas do Averno para
aparecer à luz do sol…
Outro
dia, logo de manhã, alguém bate à minha
porta: é um velho professor do ensino secundário…
Aquele
bom homem me convida a uma festa de graduação.
Sua filha concluíra os estudos com plexo êxito…
Impossível
declinar seu convite! É meu amigo e até lhe
devo certos favores. De modo algum estou disposto a depreciá-lo…
Depois
de todos os conhecidos arranjos pessoais, Litelantes e minha
insignificante pessoa que nada vale saímos de casa
com o ânimo de chegar à morada do professor.
Muitas
pessoas, elegantemente vestidas, nos receberam muito cordiais,
na régia mansão…
Música
deliciosa ressoava na habitação; pessoas alegres
iam e vinham por aqui, por lá e acolá; ditosos
casais dançavam sobre macio tapete.
Várias
vezes meu esplêndido anfitrião veio até
nós com o propósito de nos brindar o fermentado
vinho… Eu vi uma e outra vez, muito de perto, as resplandecentes
taças de fino bacará; entretanto, rechacei energicamente
a Baco e suas orgias. Achava-me compungido de coração…Meu
anfitrião se tornou cáustico, incisivo e até
um pouco ferino.
Inquestionavelmente,
ele se converteu em meu pior inimigo. Supôs, equivocadamente,
que eu fazia um desaire à sua festa…
Mais tarde,
propagou, contra mim, diversas mentiras difamatórias.
Lançou, contra minha insignificante pessoa, todo o
veneno de suas críticas…
Não
contente com tudo isso, apelou para a calúnia pública,
acusando-me ante os tribunais de justiça de supostos
delitos que ainda ignoro…
Aquele
cavalheiro de outrora morreu um pouco mais tarde, num desgraçado
acidente automobilístico.
Hoje em
dia penso que naquele festim procedi, certamente, como qualquer
intonso; faltou-me diplomacia.
Existem
convidados em todas as salas do mundo que sabem brindar com
o diabo. Passam a noite inteira com uma taça na mão
e se defendem maravilhosamente.
Simulam
beber cada vez que há um novo brinde, mas na realidade
não bebem. Burlam do demônio do álcool…
Segundo
Relato
Vamos,
agora, a um novo relato muito singular, no qual não
falaremos de festins maravilhosos nem de banquetes a Heliogábalo...
"Que
descansada vida
a do que foge do mundano ruído
e segue a escondida
senda por onde têm ido
os poucos sábios que no mundo têm sido!" |
"Que
não lhe enturve o peito
dos soberbos grandes o estado,
nem do dourado teto
se admira, fabricado
do sábio mouro, sem jaspes sustentado!…" |
 |
Vênus
caçadora, descendo dos altos cumes, com o propósito
de auxiliar seu filho Enéias, o herói
troiano que desembarcou nas terras da Líbia,
me traz recordações insólitas…
Ísis,
Adônia, Tonantzin ( o segundo aspecto da minha
Mãe Divina Kundalini), veio a mim mais veloz
que o sopro do Euro…
Não
tinha um rosto próprio de um mortal, possuía
uma beleza impossível de definir com palavras,
parecia irmã de Febo Apolo…
Eu
me vi em seus amantíssimos braços imaculados.
Parecia a adorável uma "dolorosa",
como aquela do bíblico Evangelho crístico…
Tinha
fome e me deu de comer, sede e me deu de beber; enfermei
e me curou. Impossível esquecer suas palavras:
" Filho meu, tu, sem mim, na hora da morte, estarias
completamente órfão."
Logo
continuou dizendo: "Tu, sem mim, estarias no mundo
totalmente só. Que seria de tua vida sem mim?"
|
Posteriormente
repeti: "Certamente, sem ti, Mãe Divina, eu estaria
órfão. Reconheço plenamente que sem a
tua presença, na hora da morte, me acharia realmente
só."
A vida
se torna um deserto quando se morreu em si mesmo. Sem o auxílio
da nossa Divina Mãe Kundalini, em toda a presença
de nosso Ser, encontrar-nos-íamos, então, interiormente
órfãos
Ó
Mãe adorável! Tu manifestastes o prana, a eletricidade,
a força, o magnetismo, a coesão e a gravitação
neste universo.
Tu és
a divina energia cósmica, oculta na ignotas profundidades
de cada criatura.
Ó
Maha Saraswati! Ó Maha Lakshmi! Tu és a esposa
inefável de Shiva (o Espírito Santo).
Terceiro
Relato
A lenda
da Vaca Celeste, cujo leite é ambrosia, vida e imortalidade,
não é, de modo algum, algo sem embasamentos
sólidos, e nós, trabalhamos muito seriamente
com o magistério dos cinco aspectos de Devi-Kundalini.
Aos gnósticos nos agrada muito alimentar-nos com as
maçãs de ouro, ou de Fréria, que dão
a imortalidade aos deuses…
Bebemos,
ditosos, o licor do soma ou bíblico maná, com
o qual nos sentimos tão reconfortados e vigorosos como
nos melhores momentos de nossa florida juventude…
Certo
evento cósmico transcendental, divinal, vem à
minha memória nos instantes em que escrevo estas linhas.
Sucedeu,
há já muitos anos, que, numa noite de plenilúnio,
fui transportado a um monastério extraordinário
da Fraternidade Universal Branca…
Quão
feliz me senti na mansão do amor!…Certamente não
há nenhum maior prazer do que aquele de sentir a alma
desprendida…Nesses instantes, o tempo não existe, o
passado e o futuro irmanam-se dentro de um eterno agora.
Seguindo
meus amigos por régias câmaras e galerias, chegamos
até um pátio fresquíssimo, do qual era
uma miniatura o dos Leões de Alhambra.
Encantador
pátio no qual murmuravam, entre flores nunca vistas
nem ouvidas, vários esguichos de água como aqueles
da divina fonte Castália…
Entretanto,
o melhor luzia no centro do pátio e o contemplei com
místico assombro de penitente e anacoreta…
 |
Quero
me referir, de forma enfática, à Pedra
da Verdade. Esta tinha, então, humana forma divinal…
Prodígio
sexual da bendita deusa Mãe Morte, maravilha
funeral, espectral…
Terceiro
aspecto da minha Divina Mãe Kundalini, pétrea
escultura viva, tremenda representação
disso que tanto assusta aos mortais…
Sem
rodeios confesso, ante os divinos e ante os humanos,
que eu abracei a terrível deusa Morte em plena
embriaguez dionisíaca…
Era
indispensável reconciliar-me com a Lei. Assim
mo haviam dito os irmãos da Ordem de São
João, esses veneráveis que em si mesmos
haviam já realizado o mistério hiperbóreo…
Concluído
aquele festival cósmico, tive então que
me reunir com algumas damas e cavaleiros do Santo Graal
no refeitório do monastério.
|
Com muito
segredo e grande entusiasmo, todos os irmãos comentamos,
durante a ceia, o extraordinário acontecimento.
Inquestionavelmente,
as pedras animadas que na antiga Arcádia modificaram
radicalmente a forma de pensar do sábio Pausânias
podem ser classificadas em duas classes: ofitos e sideritos,
a pedra-serpente e a pedra-estrela.
Eusébio,
especialmente, nunca se separava de seus ofitos, que levava
em seu seio, e recebia oráculos deles, proferidos por
uma vozinha que se parecia a um tênue sibilo…
Arnóbio
conta que sempre que encontrava uma pedra dessas, não
deixava de lhe dirigir alguma pergunta que ela contestava
com uma vozinha clara e aguda…
Hécate,
Prosérpina, Coatlicue, em viva pedra animada, me pareceu
como se houvesse brotado do campo da morte ou de alguma tumba
de Carnac.
Quarto
Relato
O que
o comum das pessoas conhece, atualmente, acerca do xamanismo
é muito pouco e ainda este pouco foi adulterado, da
mesma forma que o resto das religiões não cristãs.
Sói
ser chamado o paganismo da Mongólia sem razão
alguma, posto que é uma das mais antigas religiões
da Índia, a saber: O culto do espírito, a crença
na imortalidade das almas e em que estas, após a morte,
seguem apresentando as mesmas características dos homens
a quem animaram aqui na Terra, ainda que seus corpos tenham
perdido, pela morte, sua objetiva, trocando o homem sua forma
física pela espiritual.
Dita crença,
em sua forma atual, é retorno da primitiva teurgia
e uma fusão prática do mundo visível
com o invisível.
Quando
um estrangeiro naturalizado no país deseja entrar em
comunicação com seus invisíveis irmãos,
tem que assimilar sua natureza, isto é, deve encontrar
estes seres, andando a metade do caminho que deles o separa;
e enriquecido, então, por eles, com uma abundante provisão
de essência espiritual, dota-os ele, por sua vez, com
uma parte de sua natureza física, para colocá-los,
esta maneira, em condições de se poder mostrar,
algumas vezes, em sua forma semi-objetiva, da qual de ordinário
carecem.
Semelhante
processo é uma troca temporal de naturezas, chamando
comumente teurgia.
As pessoas
vulgares chamam de feiticeiros aos xamãs, porque se
diz que evocam os espíritos dos mortos com o fim de
exercer a nigromancia. Porém, o verdadeiro xamanismo
não pode ser julgado por suas degeneradas ramificações
na Sibéria, do mesmo modo que a religião de
Gautama-Buda não ser confundida com o fetichismo de
alguns que se dizem seus sequazes, em Sião e Birmânia.
Inquestionavelmente,
as teúrgicas invocações tornam-se mais
simples e eficazes quando se opera magicamente com o corpo
físico totalmente submerso na quarta dimensão.
Percorrendo
para dentro e para cima a metade do caminho que dos seres
queridos nos separa, podemos encontrar-nos com nossos mortos
queridos cara a cara. Obviamente resultaria mais fácil,
tudo isto, andando a totalidade do caminho.
Com o
corpo físico submerso dentro da quarta coordenada,
podemos, como Jâmblico, invocar os deuses santos, para
conversar com eles pessoalmente.
Entretanto,
é ostensível que necessitamos, com urgência
máxima, de um ponto de apoio; uma alavanca que nos
permita realmente saltar, com o corpo físico e tudo,
para a quarta dimensão.
Cabe oportunamente
citar, aqui, aquela famosa frase de Arquimedes: "Dai-me
um pouco de apoio e moverei o universo."
Já
no oitavo capítulo deste livro falamos, com muito ênfase,
sobre o agente mágico dos estados jinas. Quero referir-me,
claramente, ao quarto aspecto de Devi-Kudalini. (Este é
o ponto de apoio para a quarta vertical).
Nos instantes
em que escrevo estas linhas, vêm à minha mente
algumas lembranças, magníficas evocações
divinais…
Aconteceu
que, numa noite outonal, resolvi beber vinho da meditação
na taça da perfeita concentração.
 |
O
motivo de minha meditação foi minha Mãe
Natura particular, o quarto aspecto da Serpente Ígnea
de Nossos Mágicos Poderes.
Orar
é conversar com Deus, e eu conversei com a Adorável,
suplicando-lhe com verbo silencioso que me levasse,
com corpo físico, ao paraíso terrenal
(à quarta dimensão).
O
que depois aconteceu, na noite do mistério, foi
assombroso: Assistido pela inefável, levantei-me
do leito…
Quando
abandonei minha morada e saí à rua, pude
evidenciar que meu corpo físico havia penetrado
na quarta dimensão…
Ela
me levou aos bosques mais profundos do Éden,
onde os rios de água pura da vida vertem leite
e mel…
Virgem!
Senhora de arborizados cumes! Tudo cala ante ti: a Ibéria
inculta, o gaulês que, ainda morrendo, ardente
desafia; e o sicambro feroz que, por fim rendendo as
armas, humilhando, te respeita.
Adorável
Madona minha! Pelos deuses que do alto do céu
governam na Terra os mortais, imploro sempre teu auxílio…
|
O rosto
da minha Mãe Natura era como o de uma beldade paradisíaca,
impossível de descrever com humanas palavras…
Seu cabelo
parecia com uma cascata de ouro, caindo deliciosamente sobre
seus ombros alabastrinos.
Seu corpo
era com o da Vênus mitológica; suas mãos,
com dedos cônicos formosíssimos e cheios de gemas
preciosas, tinham a forma crística…
No bosque
conversei com a Adorável e Ela me disse coisas que
aos seres terrenais não é dado compreender…
Sublime
resplandecia minha Mãe no mundo etérico, na
quarta vertical, na quarta dimensão…
Se, pois,
nada produz alívio para o peito dolorido, nem mármores
da Frígia, nem púrpura esplendente, melhor é
que se refugie no seio delicioso de sua Divina Mãe
Natura particular, individual…
Ela é
a autora de nossos dias, a verdadeira artífice de nosso
corpo físico…
Foi Ela
quem, no laboratório humana, juntou o óvulo
com o zoosperma para que surgisse a vida…
É
Ela a criadora da célula germinal com seus quarenta
e oito cromossomos…
Sem Ela
não se teriam multiplicado as células do embrião,
nem formado os órgãos…
Ainda
que dobre sua alma o sofrimento, matem-te firme, ó
discípulo! E entrega-te humildemente a tua Mãe
Natura…
Quinto
Relato
"Quero
ver, nos confins da terrestre mansão, Oceano e Tétis,
a quem devemos a existência."
Os amores
de Júpiter com a virgem IO, a qual foi transformada
em bezerra celeste, ou a Vaca Sagrada dos orientais, para
assim escapar das iras de Juno, é algo que tem mui
profunda significação…
Daqui,
pois, o primeiro Júpiter da teogonia grega, pai de
todos os deuses, senhor do universo e irmão de Urano
ou Ur-Anas, quer dizer, o Fogo e a Água primitivos;
pois, é sabido, segundo o clássico, que no panteão
grego figuram cerca de 300 Júpiteres.
Em seu
outro aspecto de Jové, ou Iod-Heve, é o Jeová
macho-fêmea, andróginos coletivos de Eloim dos
livros mosaicos, Adam-Kadmon dos cabalistas; o Ia-Cho ou Inacho
da Anatólia, que também é Dionísios,
cuja onda vibratória tornou-se muito intensa com a
entrada do Sol na brilhante constelação de Aquário…
Jesus,
o Grande Kabir, jamais rendeu culto ao antropomórfico
Jeová das multidões judaicas…
À
Lei de Talião: "Olho por olho e dente por dente"
do Jeová vingativo, seguiu-se a lei do amor: "Amai-vos
um aos outros como eu vos amei".
Se com
místico entusiasmo esquadrinharmos as Sagradas Escrituras,
poderemos evidenciar claramente o fato palmário e manifesto
de que em nenhum dos quatro Evangelhos figura o antropomórfico
Jeová hebraico.
RAM-IO,
Maria, a Divina Mãe Kundalini, acompanhou sempre o
Adorável e aí a vemos no monte das Caveiras
ao pé da cruz…
"Pai
meu, perdoai-os porque não sabem o que fazem!"
Exclama o Divino Rabi da Galiléia desde os cumes majestosos
do Calvário.
Inquestionavelmente,
o bendito Senhor de Perfeições só adorou
a seu Pai que está em segredo, e à sua Divina
Mãe Kundalini.
Em outras
palavras, diremos: O Grande Kabir Jesus amou profundamente
Iod-Heve, o divino macho-fêmea interior…
Iod é,
certamente, a Mônada particular, individual de cada
qual. O Shiva indostânico, o Arqui-hierofante e Arquimago,
o primogênito da criação, o Velocino de
Ouro, o tesouro do qual nos devemos apoderar depois de vencer
o dragão das trevas.
Heve é
o desdobramento de Iod, a divina esposa de Shiva, nossa Mãe
Kundalini individual, a Vaca Sagrada de cinco patas, o mistério
esotérico da pentalfa.
Júpiter
e sua Vaca IO (iiiiiiooooo) guardam concomitância exata
com o Iod-Heve, o divino casal interior de cada criatura.
Quatro
aspectos da Vaca Sagrada de IO temos estudado. Continuemos,
agora, com o quinto mistério…
Existem,
no caminho esotérico, intervalos cósmicos transcendentes
e transcendentais.
Depois
de haver ingressado no Templo dos Duas Vezes Nascidos, tive
de passar por um desses intervalos…
Quero
me referir de forma enfática a uma suspensão
sexual, a um período de abstenção que
durou vários anos.
No ínterim,
dediquei-me com exclusividade absoluta à meditação
interior profunda…
Objetivo:
dissolver o eu psicológico, o mim mesmo, o si mesmo,
o qual é certamente um nó na energia cósmica,
uma trava que devemos reduzir a poeira cósmica.
Compreender
de forma íntegra cada um de meus defeitos psicológicos,
pareceu-me fundamental; mas, eu quis ir um pouco mais longe
pelo caminho da meditação.
Compreensão
não é tudo. Necessitamos, com urgência
máxima, inadiável, capturar o profundo significado
daquilo que compreendemos.
Qualquer
devoto do real caminho se pode ter dado ao luxo de compreender
um defeito psicológico em todos os territórios
da mente, sem que, por isso, tenha logrado a apreensão
de seu profundo significado.
Tratando
de compreender meus próprios defeitos em todos os recôncavos
da mente, resolvi
converter-me em inimigo de mim mesmo.
Cada
defeito foi estudado em separado e de forma muito ordenada.
Jamais cometi o erro de querer caçar dez lebres ao
mesmo tempo. De nenhuma maneira eu me queria expor a
um fracasso.
A meditação
se fazia exaustiva; tornava-se cada vez mais profunda, e,
quando me sentia desfalecer, deixava a mente quieta e em silêncio,
como que aguardando alguma revelação. Nesses
instantes vinha a verdade, capturava isso que não é
do tempo, o profundo significado do defeito compreendido de
forma íntegra.
Depois
orava, suplicava, rogava com veemência
à minha Divina Mãe Kundalini que eliminasse
de minha mente o agregado psíquico, o defeito psicológico
em questão.
Assim,
pouco a pouco, com esta didática, com este "modus
operandi", consegui, durante esta pausa sexual, eliminar
uns cinqüenta por cento desses elementos subjetivos e
infra-humanos que levamos dentro e que constituem o ego, o
eu.
Entretanto,
é evidente que tudo na vida tem um limite. Há
escalas e escalas, graus e graus.
Este trabalho
se fez espantosamente difícil quando tive que enfrentar
os elementos infra-humanos mais antigos.
Inquestionavelmente,
minha Mãe Divina necessitava de armas superiores.
Lembrei-me da lança de Eros, o emblema maravilhoso
da sexualidade transcendente; porém, encontrava-me
numa pausa. Que fazer?
Sem dúvida,
já me havia sido entregue um desiderato cósmico,
e certo imperativo categórico me exigia descer, outra
vez, à frágua acesa de Vulcano (o sexo); mas
eu não havia compreendido.
Havia
sido transportado às montanhas do mistério.
Tinha visto em ação as terríveis forças
do Grande Arcano.
 |
Em
vão lutei contra o imperativo categórico
das Ondas Dionisíacas. Eram, certamente, espantosamente
divinas, onipotentes…
Esses
poderes sobrenaturais pareciam uma hecatombe apocalíptica.
Senti como se tais forças pudessem fazer saltar
a Terra em pedaços.
Quando
quis buscar, indagar, inquirir, sobre a origem de tais
forças e poderes sexuais, encontrei-me frente
a frente com a Maga Elemental, com minha Divina Mãe
Kundalini em seu quinto aspecto.
Certamente
a havia visto belíssima, do tamanho de um gnomo,
ou pigmeu; muito pequena…
Ela
vestia branca túnica e longa capa negra que arrastava
pelo solo. Sua cabeça estava coberta com uma
touca mágica muito especial.
Junto
a uma das colunas simbólicas da Maçonaria
Oculta, a Adorável me havia ordenado uma nova
descida à Nona Esfera (o sexo).
|
Desgraçadamente,
eu havia acreditado que se tratava de alguma prova e por isso
continuava em desobediência. Certamente estava lerdo
na compreensão e isso me estava estancando.
Passado
algum tempo de mortais lutas contra certo agregado psíquico
muito infra-humano que resistia violento em desaparecer, tive
de apelar para a lança de Longinus.
Não
me restava outra solução. Apelei à eletricidade
sexual transcendente. Supliquei à minha Divina Mãe
Kundalini durante a cópula metafísica... roguei-lhe,
ansioso para que empunhasse a Lança de Eros.
O resultado
foi extraordinário. Minha mãe sagrada, armada,
então com a lança santa, com a hasta divina,
com o poder eletrossexual, pôde reduzir a poeira cósmica
o monstro horripilante, agregado psíquico que em vão
havia tentado dissolver longe do coito químico.
Assim
foi como abandonei a minha pausa sexual e voltei à
forja dos Cíclopes. Trabalhando com a hasta santa,
consegui reduzir a poeira cósmica todos os elementos
infra-humanos que constituem o eu.
O quinto
aspecto de Devi Kundalini nos dá a potência sexual,
a força natural instintiva etc.
|