 |
Irmãos, vocês estão aqui para
escutar-me e eu me encontro aqui pronto para falar-lhes;
entre vocês e eu deve haver um intercâmbio
mútuo; entre vocês e eu deve existir
compreensão criadora; só assim poderemos,
realmente, entender o sentido prático da reunião
desta noite.
Qual é o objetivo real de nossa existência?
Para quê estamos aqui, por quê? Isso é
algo que devemos elucidar com toda clareza; isso é
algo que devemos sopesar, analisar, julgar serenamente...
Vivemos no mundo; com que objetivo? Sofremos o indizível;
para quê? Lutamos por conseguir isso que se
chama pão, abrigo e refúgio, e, depois
de tudo, em que ficam todos os nossos esforços?
Viver por viver, trabalhar para viver e depois morrer,
é por acaso algo maravilhoso? Em verdade, irmãos,
se faz necessário compreender o sentido de
nossa existência, o sentido do viver. |
Há duas linhas na vida: uma, poderíamos
chamar de “Horizontal”, e a outra de “Vertical”,
e formam cruz dentro de nós mesmos, aqui e agora
(nem um segundo à frente, nem um segundo atrás).
Necessitamos objetivar um pouco estas duas linhas. A Horizontal
começa com o nascimento e termina com a morte; diante
de cada berço existe a perspectiva de um sepulcro;
tudo o que nasce deve morrer... Na Horizontal estão
os processos do nascer, crescer, reproduzir-se, envelhecer
e depois morrer; na Horizontal estão os vãos
prazeres da vida, bebidas, fornicações, adultérios
etc.; na Horizontal está a luta pelo pão de
cada dia, a luta por não morrer, por existir sob
a luz do Sol; na Horizontal estão todos esses sofrimentos
íntimos da vida prática, do lar, da rua, do
escritório etc., nada maravilhoso pode oferecer-nos
a Linha Horizontal...
Mas existe outra linha totalmente diferente. Quero referir-me,
de forma enfática, à Vertical (como já
disse antes, Horizontal e Vertical formam cruz). Mas esta
Vertical é interessante, nesta Vertical estão
os distintos Níveis do Ser, nesta Vertical estão
os poderes transcendentais e transcendentes do Íntimo,
nesta Vertical estão os poderes esotéricos,
os poderes que divinizam, a Revolução da Consciência
etc.
Com as forças da Vertical, nós podemos influir
decididamente sobre os aspectos horizontais da vida prática,
podemos mudar totalmente nosso próprio destino, fazer
de nossa vida algo diferente, algo distinto, passar a ser
algo totalmente distinto ao que temos sido, ao que somos,
ao que temos conhecido nesta amarga existência.
A Vertical maravilhosa é, portanto, revolucionária
por natureza; mas é necessário ter um pouquinho
de inquietudes.
Antes de tudo me pergunto e pergunto a todos os aqui presentes:
Estamos contentes com o que somos? Quem de vocês verdadeiramente
se sente feliz, no sentido mais completo da palavra? Quem
de vocês se sente feliz realmente?
Devemos ser sinceros. Nenhum de nós goza da autêntica
felicidade; nenhum de nós pode dizer que vive em
paz; nenhum de nós pode dizer que se encontra em
um oásis de bem-aventurança. Temos inquietações
terríveis, dissabores, ansiedades, amarguras, sofremos
muito e nosso coração palpita com intensidade
tremenda...
Necessitamos sair deste lodo em que nos encontramos. Necessitamos
em verdade mudar radicalmente, e isto só seria possível
se apelarmos aos poderes transcendentais e transcendentes
da Vertical.
Quando alguém que vai pela Horizontal se recorda
de si mesmo, de seu próprio Ser; quando se pergunta
“Quem sou?”, “De onde venho?”, “Para
onde vou?”, “Qual é o objetivo da existência?”,
sem dúvida entra pela Senda Vertical, que é
a senda da revolução, a senda que conduz ao
Super-Homem.
Chegou a hora do Super-Homem! O “animal intelectual”,
realmente, não é mais que uma ponte entre
o animal inferior e o Super-Homem. Necessitamos converter-nos
em verdadeiros Reis da Criação, em Amos de
nós mesmos, em Senhores de tudo o que é, de
tudo o que foi, de tudo o que será...
É urgente uma mudança, uma transformação
total; é urgente sair o quanto antes deste brenhal,
deste caos em que nos encontramos, em que nos debatemos
miseravelmente.
As leis da Terra jamais poderiam dar-nos a Paz; as leis
da Terra nunca poderiam dar-nos a autêntica Felicidade
que transforma radicalmente; as leis da Terra não
poderiam dar-nos nunca a Liberdade.
Assim, é urgente entrarmos pelo caminho vertical
que está dentro de nós mesmos, aqui e agora;
chegou a hora da grande revolução, da revolução
psicológica, da revolução em marcha,
da revolução que há de conduzir-nos
até o Super-Homem...
|

O Super-Homem é
todo aquele Iniciado, homem ou mulher, que encarnou
a seu Cristo Íntimo |
Irmãos gnósticos aqui
reunidos, os convido a refletir sobre o Super-Homem;
os convido a pensar na mudança total; os convido
a entrar por essa Senda Vertical Revolucionária
que os conduzirá, inevitavelmente, até
a liberação final.
Sei que vocês não são felizes.
E não serão felizes enquanto não
percorrerem com firmeza a Senda Vertical; não
serão felizes enquanto não chegarem
às alturas do Super-Homem; não serão
felizes enquanto não liberarem a Consciência
do lodo doloroso deste mundo; não serão
felizes enquanto não experimentarem isso que
é o Real, isso que não é do Tempo,
isso que é a Verdade...
Assim, irmãos que esta noite estão
aqui reunidos, os convido à reflexão...
Na Senda Vertical está a Revolução
da Consciência; quando alguém admite
que tem uma psicologia própria, indubitavelmente
começa a trabalhar sobre si mesmo; então
é óbvio que entra pela Senda Vertical. |
Somos um verdadeiro enigma para nós mesmos; um
enigma que há que decifrar; um enigma que há
que resolver; um enigma que há que quebrantar. Não
nos conhecemos, lamentavelmente, mas acreditamos que nos
conhecemos. Necessitamos ser sinceros com nós mesmos;
necessitamos fazer a dissecação do mim mesmo,
do si mesmo, do Eu mesmo...
Facilmente se admite que temos um corpo físico provido
de órgãos, um organismo. Mas poucos compreendem,
de verdade, que temos uma Psicologia particular. Quando
alguém entende que tem uma Psicologia, começa
a trabalhar sobre si mesmo, aqui e agora; quando alguém
compreende que tem uma Psicologia, começa com o processo
da auto-observação psicológica.
Quem começa a observar a si mesmo, se converte de
fato em um indivíduo diferente, distinto de todos,
completamente distinto. Mas as pessoas têm a tendência
a admitir apenas a questão física, o tridimensional,
o corpo denso, porque o podem ver, ouvir, tocar e palpar;
poucos, em verdade, são aqueles que sinceramente
aceitam ter uma Psicologia de tipo bem particular. Quando
alguém aceita isso, de fato começa a observar-se
e isto o torna diferente de seus semelhantes. Observar-se,
para conhecer-se, é o melhor do melhor...
Alguém me dizia, faz algum tempo, “que com
certeza conhecia a si mesmo”. Então não
tive inconveniente algum em dizer-lhe:
– Se você conhece a si mesmo, diga-me, quantos
átomos tem um pêlo de seu bigode?... O homem
disse:
– Bom, isso eu não sei...
– Ah! –lhe disse–, se não conhece
um pêlo de seu bigode, se não sabe quantos
átomos tem, muito menos vai conhecer a totalidade
de si mesmo...
Inquestionavelmente, aquele homem teve que aceitar minha
afirmação.
Quando alguém conhece a si mesmo profundamente, conhece
o Universo e os Deuses.
Na Senda Vertical, nos propomos ante de tudo a conhecer
a nós mesmos, porque só conhecendo a nós
mesmos podemos conhecer os outros.
Na Senda Vertical, meus queridos irmãos, temos de
fazer um inventário psicológico de nós
mesmos, para saber o quanto temos e o quanto nos falta.
Há muita coisa que devemos eliminar, muita coisa
de ridículo em nosso interior, e também há
muito em nós que devemos conquistar, que nos falta.
Muita coisa nos sobra, muita coisa nos falta. Na Senda Vertical
fazemos um inventário de nós mesmos, para
saber quem somos, de onde viemos, para onde vamos, qual
é o objetivo da existência...
Aqui, reunidos nesta sala, devemos tratar de inquirir um
pouco, devemos tratar de nos auto-conhecer. Devemos, em
verdade, examinar o tema de nós mesmos, colocá-lo
sobre a mesa, se é que em realidade estamos dispostos
a trabalhar para mudar totalmente.
Na Senda Vertical estão os distintos Níveis
do Ser. Quando alguém começa a trabalhar sobre
si mesmo para eliminar tal ou qual defeito psicológico,
entra, indubitavelmente, de fato e por direito próprio
em um Nível Superior do Ser...
Nos foi dito, e com grande verdade, que o Nível do
Ser de cada qual atrai sua própria vida. Um homem
é o que é sua vida.
Observem uma vaca em pleno estábulo: seu próprio
Nível do Ser atrai sua própria vida. Se tiramos
a vaca do estábulo e a levamos ao nosso quarto, se
lhe damos uma camareira, a penteamos muito bem, a enchemos
de talco, a perfumamos, nem por isso ela deixará
de ser uma vaca; continuará com seus costumes de
vaca, e fará então de nosso belo quarto um
estábulo; não mudará, porque o Nível
do Ser de cada qual atrai sua própria vida...
Se tiramos do meio da multidão um mendigo esfarrapado
e o levamos ao Palácio de Buckingham, para que viva
ali, ao lado da Rainha Elizabeth, no princípio será
atendido por muitos criados, será considerado um
“grande senhor”.
Mas seu Nível do Ser atrairá sua própria
vida; logo, os criados verão neste mendigo costumes
muito diferentes dos do Palácio, verão que
é avaro, que guarda o dinheiro de uma forma terrível,
que não gastará jamais um cêntimo, nem
para ajudar um amigo; verão sua irritabilidade, sua
falta de escrúpulos, se darão conta de suas
intrigas, se vingará dos inimigos, o “diz que
se diz” etc.; até chegar o momento em que ele
se verá só, em pleno Palácio. Terá
que rogar aos criados para que lhe levem ao menos um prato
de comida, porque eles já não vão querer
atendê-lo, o abandonarão; e dentro do próprio
Palácio de Buckingham, ainda que se vista da melhor
forma possível, continuará sendo o que é:
um mendigo!
O Nível do Ser de cada qual atrai sua própria
vida; um homem é o que é sua vida...
Muitos se preocupam por ter enormes quantidades de dinheiro
; dizem: “Se eu ganhasse na loteria, como minha vida
seria diferente! Com a Especial de Natal, mudaria radicalmente”...
Mas isso é falso, completamente falso, porque o Nível
do Ser atrai sua própria vida. Um homem, repito,
é o que é sua vida...
Convém refletirmos sobre todas essas questões.
Não é conseguindo enormes quantidades de dinheiro
que nós vamos mudar nossa própria vida, não!
O que necessitamos é passar a um Nível Superior
do Ser.
Coloquemo-nos, por um momento, em algum desses lugares estranhos
da cidade, em uma dessas cidades perdidas, em algum desses
terrenos onde os “pára-quedistas” (gente
que invade terrenos) e associados formam existências,
diríamos, coletivas, infra-humanas, para que vejamos
melhor a questão do Nível do Ser...
Lembro-me de haver observado um grupo de pessoas “pára-quedistas”,
vivendo em um terreno desses. Brigavam entre si diariamente,
se embebedavam, se feriam, se matavam; e aquele bairro,
que antes vivia tranqüilo, teve que passar por surpresas
inauditas: diariamente as patrulhas de polícia soavam
por ali suas sirenes; se ouviam gritos de dor, de ódio,
de ira etc. E aqueles infelizes continuavam como sempre,
sofrendo terrivelmente. Obviamente, seu Nível de
Ser atraía sua própria vida)...
Se, por um momento, alguma dessas pessoas houvesse refletido,
ainda que fosse por um instante, se houvesse se proposto
a estudar a si mesmo, se houvesse descoberto seus defeitos
psicológicos e ousado entrar pela Senda Vertical
Revolucionária da Psicologia, obviamente teria podido
eliminar alguns defeitos; talvez a ira; possivelmente o
ódio, o egoísmo, a maledicência etc.
Conclusão, mudaria de Nível de Ser; e mudando
de Nível de Ser, se refinaria em seus costumes. Indubitavelmente,
então já não poderia entender-se com
aquelas pessoas que o rodeavam; essas pessoas tampouco se
entenderiam com ele. Veria a necessidade de fazer novas
amizades e, simplesmente por lei de afinidades psicológicas,
faria essas novas amizades.
Como resultado, ao mudar de Nível de Ser, mudaria
sua vida. Possivelmente, essas novas amizades lhe trariam
novas oportunidades; mediante a inter-relação,
mudaria o aspecto econômico de sua própria
existência, conseguiria um trabalho diferente, melhoraria
notavelmente.
Assim, o Nível do Ser de cada qual atrai sua própria
vida, e um homem é o que é sua vida.
Na Senda Vertical temos a possibilidade de mudar nosso próprio
Nível do Ser. Se assim fazemos, se eliminamos de
nós mesmos os defeitos psicológicos, o resultado
será extraordinário, porque ao mudar nosso
próprio Nível do Ser, mudará também
toda nossa vida, quando alguém muda radicalmente,
muda também tudo o que o rodeia.
As circunstâncias incômodas da existência,
as circunstâncias nada agradáveis da vida,
não são senão meras projeções
do que em nosso interior sucede. Se em nosso interior nós
mudamos, as circunstâncias externas mudarão
também. Mas se não mudamos interiormente,
a circunstâncias exteriores tampouco mudarão.
Já disse Immanuel Kant, o Filósofo de Königsberg,:
“O EXTERIOR É O INTERIOR”... Em outras
palavras, aclararemos dizendo: “O exterior não
é mais que o reflexo do que interiormente somos”...
Se somos pessoas iracundas, se odiamos, se somos ciumentos,
invejosos, perversos, as circunstâncias que nos rodeiam
serão perversas, fatais, sinistras.
E se somos pessoas decentes, se vivemos em harmonia com
o Infinito, se respiramos paz, se irradiamos amor, felicidade,
contentamento, as circunstâncias que emanarão
de nós mesmos serão belas; teremos relações
belíssimas, haverá harmonia com todos os que
nos rodeiam...
São muitos os que me escrevem contando-me seus problemas;
diz a mulher: “Meu marido se foi com outra mulher”;
o marido: “Minha mulher já não quer
viver comigo, se foi com outro homem;” e “como
vou fazer”, e “como vou resolver o problema;”
que “me devem e não querem pagar”, que
“entraram com uma ação judicial e agora
como vou resolver”, que “me ajude a resolver
a questão” etc.
Cada caso em geral é complicado, difícil;
todos querem que se resolvam os seus problemas; todos querem
viver em paz, ter uma harmonia extraordinária, com
felicidade e sem problemas.
Mas não querem dar-se conta, os que assim me
escrevem, de que a raiz de todos os problemas está
em seu interior; de que esses problemas não são
mais que as projeções de seu interior;
que de seu interior estão saindo os problemas,
porque um homem é o que é sua vida e nada
mais que isso, o que é sua vida.
Se não muda seu próprio Nível do
Ser, se não muda sua vida interior, não
mudará nada; o exterior não é mais
que a projeção do interior... Chegou a
hora de entender isto.
Querem felicidade, mas de onde a vão tirar? Não
querem admitir que os erros ou as causas, melhor diríamos,
de tudo o que lhes está sucedendo estão
dentro de vocês mesmos. Sim, cada qual leva as
causas de seus sofrimentos dentro de si mesmo, e enquanto
as causas não se dissolvam, os sofrimentos tampouco
se dissolverão; todo efeito tem sua causa; toda
causa provoca seu efeito. |
|
Assim, quando nos metemos a andar pela Senda Vertical,
antes de tudo, nos propomos ao autodescobrimento, a conhecer
nossos próprios erros para extirpá-los, para
tirá-los de nós mesmos, porque só assim
poderemos mudar fundamentalmente...
Um homem é o que é sua vida; se um homem não
trabalha sua própria vida, sem dúvida está
perdendo o tempo miseravelmente.
A vida é como um filme, que conclui aparentemente
com a morte. A morte é o regresso ao ponto de partida
original, com a possibilidade de voltar a projetar sobre
o tapete do mundo, a mesma vida...
No Budismo se fala das “vidas sucessivas”; mas
eu digo, em verdade, que não há vidas sucessivas.
O que há, o que realmente existe são existências
sucessivas; porque a vida é a mesma.
Quando chega a hora da morte, termina o filme, o enrolamos
e o levamos para a Eternidade; ali o revivemos em forma
retrospectiva.
Não se esqueçam de que assim como há
um espaço tridimensional, visível e tangível,
também existe um espaço psicológico,
e isto é inegável, inquestionável,
axiomático.
No espaço psicológico continua nossa própria
vida; ali a revivemos de forma retrospectiva. Mais tarde
retornamos, regressamos no Tempo, nos reincorporamos em
um novo organismo (essa é a Lei do Eterno Retorno
de todas as coisas). E regressamos para voltar a projetar
nossa mesmíssima vida, para projetá-la outra
vez sobre o tapete deste mundo.
Assim, não são vidas sucessivas o que existe;
realmente o que há são existências sucessivas.
Distinga-se entre vidas sucessivas e existências sucessivas.
Vida, não há mais que uma, a que levamos e
que trazemos, a que tornamos a levar e que voltamos a trazer,
sempre a mesma...
Existências sim; a cada Alma se concedem 108 existências...
Estou fazendo estas afirmações porque estou
diante de um auditório muito especial, formado por
gente do Movimento Gnóstico Internacional; por pessoas
revolucionárias, rebeldes, dispostas, em verdade,
a seguir pela Senda Vertical, pela senda das transformações,
pelo caminho que há de conduzir-nos ao Super-Homem.
Chegou o instante de refletirmos sobre nossa própria
vida. Se não mudamos esse “filme” da
vida (esse que levamos e que voltamos a trazer), se não
o modificamos, continuará sempre se repetindo e se
repetirá através de 108 existências.
E, se apesar de tudo não mudamos, teremos que ir,
como se diz, “com nossa música a outro lugar,”
teremos que levar nossa vida ao Reino Mineral Submergido...
Que tal reino é uma realidade, ninguém pode
negar, pois estamos vivendo sobre a epiderme desta pobre
Terra que viaja conosco através do espaço
infinito.
Que Dante Alighieri, em sua “Divina Comédia”,
tenha situado seu Infernus dentro do Reino Mineral Submergido,
nada tem de estranho, e isto sabem os divinos e os humanos...
Obviamente, aqueles que fracassam na transformação
de sua própria vida, aqueles que não são
capazes de eliminar seus defeitos psicológicos, terão
de involuir no Tempo, dentro dos Nove Círculos Dantescos,
até a Segunda Morte. E não é nada agradável
involuir no Tempo. Eu, pessoalmente, não tenho medo
do Inferno...
Nos Mundos Infernos se desintegra o Ego, o Eu, o Mim Mesmo,
esse Eu da Psicologia Experimental, esse Eu que estudam
todos os psicólogos deste planeta.
No Reino Mineral Submergido passamos sempre pela Segunda
Morte. Mas em verdade não é nada agradável
desenvolver-se involutivamente dentro dos Nove Círculos
do Dante Alighieri, não recomendaria a vocês
passar pelo Mictlán, com suas provas tão terríveis...
Precisamente aqui, em nosso querido México, nossos
antepassados de Anáhuac falavam sobre o Mictlán;
esse Mictlán não é outra coisa que
os Mundos Infernos de Dante, com seus Nove Círculos
Infernais; ali estão todas as provas tremendas de
que falaram os antigos Iniciados; ali está a Sabedoria
que nos mostrara o florentino Dante; ali está a Sabedoria
pintada por Virgílio, o autor da “Eneida”...
Passam por inenarráveis amarguras os que entram na
involução submergida dos Mundos Infernos;
portanto, não é aconselhável involuir
no Tempo.
Obviamente, os que passam por essas tremendas provas, depois
da Segunda Morte ingressam nos Paraísos Elementais
da Natureza. Posteriormente evoluem nos quatro reinos para
voltar a alcançar o estado humano que outrora perderam.
Dissolver o Eu é fundamental, e é melhor fazer
isso aqui e agora... Nestes momentos, me vem à memória
uma passagem de Maomé; já estando muito velho
e a ponto de morrer, junto à fonte cristalina de
um oásis, se dirigiu às multidões e
disse:
– Se a alguém devo algo, que me cuspa no rosto...
Certamente, um homem avançou até ele e lhe
cuspiu no rosto. Aquele homem sábio (Maomé)
lavou a cara na fonte cristalina daquele oásis e
exclamou:
– Mais vale pagar tudo de uma vez, em vida, e não
depois da morte.
É que os sofrimentos pelos quais se tem de passar
no Mictlán dos Astecas são certamente dolorosos...
Por todos estes motivos, temos de refletir...
Há Almas que preferem liberar-se de uma vez para
sempre, e que ingressam, como diz a Sabedoria de nossos
antepassados de Anáhuac, no Tlalocán; são
regiões inefáveis, vivamente representadas
por Tláloc, o Deus da Chuva.
Existem regiões inefáveis no Mundo Molecular,
governadas por Huehueteotl, o Deus do Fogo, ou pelo Deus
Morcego etc., vivas representações do esoterismo
antigo; vivas representações de Mística
Cristã e Asteca, transcendente e transcendental.
Em todo caso, enquanto alguém não dissolva
o Ego, tampouco tem direito a entrar nessas regiões
inefáveis de que nos falaram as Religiões
antigas; enquanto alguém não dissolveu o Eu
mesmo, enquanto não tenha se elevado pela linha Vertical,
onde estão os distintos Níveis do Ser, tampouco
terá direito a que sua Consciência superlativa
e transcendental ingresse nos paraísos moleculares.
Aqueles que de verdade querem alcançar a autêntica
Felicidade, deverão começar por entrar pelo
caminho vertical.
Na Vertical nos é ensinado claramente que não
somos ainda Indivíduos Sagrados, que cada um de nós
é uma pessoa-máquina e que dentro de nossa
pessoa há muitas pessoas...
Dentro de nós há muitas pessoas psicológicas.
Temos o Eu da Ira, temos o Eu do Ódio, também,
temos o Eu da Inveja, temos o Eu dos Ciúmes, temos
o Eu da Maledicência, temos o Eu da Ambição,
temos o Eu da Astúcia etc.
Todos estes Eus que temos não são mera ficção;
são uma tremenda realidade para quem tenha desenvolvido
o sentido da auto-observação psicológica.
Todos estes Eus-Pessoas entram e saem de nosso corpo físico
à vontade. Todos esses Eus-Pessoas têm também
três cérebros. Cada Eu-Pessoa tem um Cérebro
Intelectual, um Cérebro Emocional e um Cérebro
Motor-Instintivo-Sexual; cada Eu-Pessoa é, por si
mesmo, uma entidade completa.
Assim, dentro de nossa pessoa vivem muitas pessoas que entram
e saem livremente de nosso organismo. Agora vocês
entenderão porque em verdade nós não
temos um critério completo, porque estamos cheios
de terríveis contradições: Em um momento
dizemos uma coisa, em outro momento afirmamos o contrário.
Se pudéssemos nos ver em um espelho tal como somos,
se pudéssemos nos ver de corpo inteiro (psicologicamente
falando), posso dizer-lhes, em nome da Verdade, que nos
tornaríamos loucos, que fugiríamos apavorados,
que trataríamos de escapar de nós mesmos.
Se fossemos uma pessoa responsável, se cada um de
nós fosse um Indivíduo Sagrado, se fosse íntegro,
tudo seria diferente. Mas nós não somos íntegros,
pois não possuímos isso que se chama “unicidade”.
Somos uma multiplicidade, desordenada e caótica;
acreditamos que estamos vivos e estamos mortos. Dentro de
nós vivem muitos espectros da morte, o “Eu
odeio”, o “Eu tenho ciúmes”, o
“Eu tenho inveja”, o “Eu sou luxurioso”,
o “Eu sou iracundo” etc.
Todos estes Eus-Pessoas, repito, entram e saem de nosso
corpo; dentro de cada Eu-Pessoa está, em verdade,
engarrafada um fração de nossa própria
Consciência. Assim, nossa Consciência está
engarrafada em toda essa multiplicidade de Eus que constituem
o mim mesmo; nossa Consciência engarrafada funciona
em virtude de seu próprio condicionamento, isto é,
temos a Consciência adormecida...
De todos os fenômenos físicos que acontecem
ao nosso redor (e enfatizo, físicos), só podemos
perceber uma milionésima parte. Isto é, existe
uma multiplicidade extraordinária de fenômenos
físicos que acontecem ao nosso redor e que não
somos capazes de perceber.
Estamos adormecidos, mas acreditamos estar despertos; não
admitimos estar adormecidos, e até nos ofendemos
quando alguém nos diz isso; mas, em verdade, necessitamos
despertar.
Os Quatro Evangelhos insistem na necessidade de despertar.
Se estivéssemos despertos, poderíamos ver,
ouvir, tocar e palpar as grandes realidades dos Mundos Superiores;
se estivéssemos despertos, a vida para nós
seria totalmente diferente. Não seríamos vítimas
das circunstâncias, poderíamos dirigi-las à
vontade. Mas nós, em verdade, não estamos
despertos, estamos profundamente adormecidos, dormimos profundamente,
ignoramos que ignoramos...
Chegou a hora de nos preocuparmos pelo despertar; quando
despertarmos, poderemos perceber perfeitamente isso que
é a Verdade, isso que não é do Tempo,
isso que está além do corpo, das emoções
e da mente...
Quando alguém experimenta o Real, também experimenta
um elemento que transforma radicalmente. Nós necessitamos
experimentar esse “elemento”, com o propósito
de trabalhar intensamente sobre nós mesmos.
 |
É necessário, antes de tudo, dissolver
essas personalidades vãs que carregamos em
nosso interior, com o objetivo precisamente de despertar
Consciência. Quando um Eu psicológico,
seja de ira, ou de ódio etc., é desintegrado,
a Consciência ali engarrafada também
fica emancipada, liberada; então vem o despertar...
Normalmente, as pessoas têm 3% de Consciência
desperta, mas, se trabalhamos sobre nós mesmos,
se eliminamos todos esses Eus-Pessoas que moram em
nosso interior, elevaremos nossa porcentagem de Consciência
pouco a pouco.
Se as pessoas tivessem sequer 10% de Consciência
desperta, poderíamos dizer, em verdade, que
as guerras sobre a face da Terra desapareceriam para
sempre; se as pessoas chegassem a ter 50% de Consciência
desperta, a Terra seria um Paraíso. |
Agora, chegar a ter cem por cento de Consciência
desperta, é só questão de Iniciados,
de Super-Homens, como um Moisés, Buda Gautama, o
Cristo etc. Necessitamos trabalhar muito, dissolver esses
Eus que carregamos em nosso interior, para poder mudar nossa
própria vida, para poder despertar Consciência,
para chegar à Iluminação, para experimentar,
em verdade, isso que não é do Tempo, isso
que é a Verdade...
Antes de tudo, como já disse, quando alguém
entra pela Senda Vertical, quando admite que tem uma Psicologia,
começa a se auto-observar. Quando alguém descobre
que tem o Eu da Ira, deve trabalhá-lo. Em princípio,
só deve limitar-se a observá-lo. E depois
compreendê-lo através da análise, através
da meditação profunda, através dos
estudos diretos. Uma vez compreendido que temos tal ou qual
eu-defeito, então passamos à terceira fase:
desintegração, eliminação...
A mente, por si só, não poderia eliminar nenhum
defeito psicológico; a mente só pode rotulá-lo
com distintos nomes, passá-lo de um nível
ao outro; escondê-lo de si mesma e dos demais etc.,
condená-lo ou justificá-lo, mas jamais alterá-lo
radicalmente. Necessitamos de um poder que seja superior
à mente, de um poder que possa realmente desintegrar
qualquer eu-defeito.
Felizmente, todos possuímos esse poder dentro de
nós mesmos, aqui e agora. Quero referir-me, em forma
enfática, ao poder serpentino anular que se desenvolve
no corpo do asceta gnóstico; esse poder extraordinário
que os Orientais denominam “Kundalini” e que
os Alquimistas medievais denominavam “Stella Maris”.
Stella Maris, em verdade, é uma variante de nosso
próprio Ser, mas derivado. Stella Maris, a Cobra
Sagrada, “o Poder Serpentino do Kundalini”,
como é chamada na Índia e no Tibete, pode
desintegrar instantaneamente qualquer defeito de tipo psicológico
É óbvio que todos temos pleno direito a invocar
o poder de Devi Kundalini-Shakti. Esse poder se multiplica,
se desenvolve, quando trabalhamos extraordinariamente na
Forja Acesa de Vulcano, na Nona Esfera...
Os solteiros também podem invocar Devi Kundalini
quando queiram eliminar tal ou qual erro psicológico.
Mas em verdade temos de afirmar, em forma enfática,
que o poder maravilhoso de Devi Kundalini-Shakti se multiplica
extraordinariamente na Nona Esfera; com esse poder milagroso
podemos desintegrar qualquer defeito.
Devi-Kundalini, Ísis, Adonia, essa variante de nosso
próprio Ser, esse aspecto de Deus-Mãe em nós,
pode eliminar de nós mesmos o defeito que tenhamos
compreendido integramente, em todos os níveis da
mente...
Chegou a hora de entender a fundo essa questão, de
ir morrendo de instante em instante; “só com
a morte advém o novo”; “se o grão
não morre, a planta não nasce”... É
necessário que nos resolvamos todos a morrer, se
é que queremos de verdade nascer espiritualmente.
Recordemos aquele parágrafo de Jesus e de Nicodemus.
Jesus exclamou dizendo: “É necessário
que morras para poder entrar no Reino dos Céus”...
Nós necessitamos morrer, aqui mesmo e agora, se é
que queremos entrar nos Mundos Superiores de Consciência
Cósmica, completamente despertos, totalmente iluminados,
transformados radicalmente.
Assim como estamos não servimos para nada, somos
um fracasso total; assim como estamos não somos senão
Egos. O Eu psicológico não pode criar uma
Nova Idade, o Eu psicológico não pode iniciar
a Era de Aquárius entre o augusto troar do pensamento,
o Eu psicológico não pode fazer a IDADE DE
OURO.
Aqueles profetas falsos que dizem que no ano 2001 ou 2007
começará a era da fraternidade e do amor,
a Idade de Ouro cantada por Virgílio, o poeta de
Mântua, em sua colossal “Eneida”, se equivocam,
mentem, porque de que maneira poderia o Ego inventar uma
Idade de Ouro? Vocês acreditam que o Eu da Psicologia
Experimental, esse Eu tenebroso, esse Eu do ódio,
esse Eu da guerra, das invejas etc., poderia criar em verdade
a Idade de Ouro?
Obviamente, necessitamos morrer em nós mesmos aqui
e agora, se é que queremos em verdade, criar a futura
idade, criar uma nova civilização, criar uma
nova cultura!
Chegou o momento de entender que não somos felizes;
chegou a hora de compreender que somos uns desventurados
e não devemos enganar-nos achando-nos muito auto-importantes,
perfeitos, “Soberanos”, “Deuses”,
“Homens” e não sei o quê mais...
Coloquemo-nos no plano das cruas realidades. Cada um de
nós tem de lutar para existir, tem que lutar para
viver, não é feliz; mudar é o fundamental.
Em meus livros, falei muito sobre o sexo; disse bastante
sobre a Forja Acesa de Vulcano, sobre a Alquimia Sexual.
Obviamente, mediante a transmutação da libido
genética (citada tantas vezes por Santo Agostinho)
é possível criar os Corpos Existenciais Superiores
do Ser para converter-nos em Homens.
|
Mas, de que serviria converter-nos em Homens autênticos,
no sentido mais completo da palavra, no sentido mais
extraordinário, se não eliminamos o
Ego? Quem possui os Corpos Existenciais Superiores
do Ser e não elimina o Ego se converte, de
fato e por direito próprio, em um Hanasmussen
com duplo centro de gravidade, em um fracasso, em
um aborto da Mãe Cósmica.
Assim, trabalhar na Forja dos Ciclopes é necessário,
mas se não eliminamos o Ego fracassamos rotundamente...
Que nenhum de nós se julgue perfeito, porque
perfeito, só o Pai que está nos Céus;
todos nós, começando por mim, que sou
o que está dando esta aula, aqui, diante de
vocês, me considero (e nos devemos considerar)
imperfeitos... |
|
É lamentável que no Movimento Gnóstico
haja ainda personalidades, diríamos, que se julguem
perfeitas; é lamentável que no Movimento Gnóstico
ainda haja mitômanos, pessoas que se sentem “sublimes”
e “hierárquicas”.
Eu, como Presidente-Fundador deste Grande Movimento, jamais
me sentiria perfeito, porque estou perfeitamente convencido
de que só Ele, o Senhor, o Pai, é perfeito.
Mas no Movimento Gnóstico se vêem às
vezes incongruências que assombram. Pessoas cheias
de erros que se julgam “sapientes”, pessoas
que se sentem muito “santas”, quando suas mãos
estão cheias de carvão; pessoas que se sentem
muito “elevadas hierarquicamente”, transformadas
em “Hierofantes”, quando em realidade de verdade
nem sequer começaram a percorrer a Senda Vertical
Revolucionária...
Temos de situar-nos no plano das mais cruas realidades.
De modo algum vim aqui com o propósito de ser pessimista,
tampouco me proponho a encher o coração de
vocês de pessimismo: só quis pôr sobre
o tapete das realidades o estado psicológico em que
todos e cada um de nós se encontra.
Enquanto não tenhamos eliminado de nosso interior
todos esses Eus-defeitos que carregamos, nossa Consciência
estará profundamente adormecida; morreremos sem saber
a que hora; nasceremos sem saber como nem por quê;
continuaremos no Além como sonâmbulos, como
fantasmas. Assim foi nossa vida. Assim foi e assim será,
enquanto não eliminemos de nosso interior os Eus-defeitos.
Contudo, tenho de dizer-lhes que nem tudo, como se crê,
é mera intelectualização. Não
quero dizer que a intelecção iluminada não
sirva; o que quero é aclarar que “se a água
não ferve a cem graus, não se dissolve o que
se deve dissolver e não se cozinha o que há
que se cozinhar”...
Assim também afirmo, em forma enfática, que
“se nós não passamos por fortes crises
emocionais, intencionais, conscientes, não eliminamos
o que necessitamos eliminar, e não cristalizamos
em nós mesmos, o que necessitamos cristalizar”...
Portanto, nem tudo é mero intelecto; neste trabalho
só é possível avançar à
base de trabalhos conscientes e padecimentos voluntários...
Nem tudo é intelecto. Necessitamos passar por grandes
crises emocionais. Nem tudo é intelecto, o Cérebro
Emocional deve valorizar o Trabalho Psicológico que
nos conduz à transformação de fundo.
A emoção deve trabalhar mais que o intelecto;
a emoção deve fazer-se ativa em nós;
assim, pelo caminho das Emoções Autênticas,
chegaremos ao Despertar da Consciência.
Em verdade, eu só uso o intelecto quando estou falando
com vocês, quando tenho de dirigir-me à Humanidade,
ao mundo; em minha vida privada não o uso, em minha
vida privada só existe o Sentimento, o Amor, a Consciência,
a Música, a Beleza; e isso é tudo. Mas devo
usar o intelecto nestes instantes, para poder entender-me
com vocês, porque como disse ao princípio:
“Vocês vieram aqui para escutar-me e eu vim
aqui para falar-lhes, e entre vocês e eu deve haver
mútua compreensão”; por isso me vi obrigado
a usar o intelecto esta noite...
Em nome da Verdade tenho de dizer-lhes, antes de tudo, que
é urgente, que se faz inadiável a desintegração
do mim mesmo. Quando o Eu psicológico é desintegrado
em sua totalidade, quando se reduz a cinzas, quando o Ego
animal deixa de existir, a Consciência fica totalmente
iluminada; pode ver os Elohim, pode conversar com eles cara
a cara; pode ver, tocar e palpar as grandes realidades dos
Mundos Superiores, pode visitar o Nirvana, o Paranirvana
e o Mahaparanirvana etc.
Mas enquanto a Consciência estiver adormecida, nós
não passaremos de ser meros animais intelectuais
condenados à pena de viver, e isso é tudo.
Chegou a hora das grandes revoluções, a hora
em que temos de decidir-nos pelo Ser ou o Não Ser
da Filosofa; a hora em que temos de levantar-nos em armas
contra nós mesmos, contra o mundo, contra a Natureza,
contra o Cosmo, contra tudo e contra todos.
Chegou a hora em que nós devemos romper grilhões
e abandonar esta prisão de miséria onde vivemos
(tal “prisão” se chama “Ego”).
Enquanto não destruirmos esta prisão miserável,
esta masmorra imunda, nossa Consciência continuará
ali enfrascada, funcionando em virtude de seu próprio
condicionamento, adormecida, inerte...
Agora vocês compreenderão por que me interesso
tanto, por que disse esta noite que o principal é
morrer. Assim é, assim será e assim deve ser!
Infelizmente, o Ego exerce uma fascinação
extraordinária sobre nossa própria Consciência.
Ao escutar-me, muitos de vocês dirão que sou
demasiado pessimista, porão a mão no coração
para dizer: “Bom, eu consegui algum avanço”...
Cada qual buscará alguma justificativa para seu comportamento,
para seu modo de ser etc., porque ninguém quer reconhecer
a verdade, reconhecer que é um infeliz.
Fizeram-nos muitas promessas, cada qual promete maravilhas;
os políticos prometem dar Felicidade ao mundo etc.
E aí? O mundo continua andando com suas amarguras
e continuará andando; e a dor continuará dia
após dia, até que nós eliminemos as
causas da dor. Essas causas não estão fora
de nós mesmos; essas causas estão dentro de
nós mesmos, aqui e agora.
Necessitamos rebelar-nos, já disse, contra nós
mesmos, contra a Natureza e contra o Cosmos; necessitamos
levantar-nos em armas contra tudo o que existe, se é
que queremos a Emancipação, a Liberação
Final.
Sinceridade é o que necessitamos, não enganar-nos
mais miseravelmente uns aos outros. Infelizmente, falta
muita sinceridade no mundo. Todos se julgam “perfeitos”,
todos se crêem “justos”, todos se crêem
“santos”, todos se julgam “sábios”...
Nas distintas Escolas de tipo pseudo-esotérico e
pseudo-ocultista, não há ninguém que
se julgue ignorante; todos crêem que já “agarraram
Deus pelas barbas”. Ignoram, e o pior de tudo é
que não apenas ignoram, mas também ignoram
que ignoram... Isso é o mais grave!
Chegou a hora das grandes decisões; chegou a hora
em que nós devemos meter-nos pela senda da revolução
em marcha, pelo caminho estreito e difícil que conduz
à Luz, pelo caminho Vertical Revolucionário,
pelo caminho da Revolução da Consciência,
pelo caminho que conduz ao Super-Homem.
Infelizmente, agora não somos mais que Animais Intelectuais
condenados à pena de viver; para ser Homens é
necessário haver dissolvido o Ego e haver criado
os Corpos Existenciais Superiores do Ser. E mais ainda,
haver se sacrificado intensamente pela Humanidade.
É duro o que estou dizendo aqui esta noite. Estou
afirmando em forma enfática que nós ainda
não chegamos ao Estado Humano, que somos tão-só
meros “animais intelectuais”. Se faz necessário
primeiro alcançar o Estado Humano e, mais tarde,
posteriormente, chegaremos ao Super-Homem...
Estudando um de nossos manuscritos de Anáhuac, li
algo extraordinário. Afirmam nossos antepassados
Astecas o seguinte: “Os Deuses criaram os Homens de
madeira, os fabricaram de madeira, e depois de havê-los
fabricado de madeira os fundiram com a Divindade”...
Mas em seguida conclui dizendo: “Nem todos os Homens
conseguem fundir-se com a Divindade”...
É claro que se nos convertemos em Homens, pelo fato
de haver criado os Corpos Existenciais Superiores do Ser,
mediante o cumprimento do Dever Parlock,
nem por isso podemos dizer que tenhamos triunfado; para
o triunfo total, é necessário conseguir a
integração com a Divindade.
Quem alcança o Estado Humano autêntico e verdadeiro,
deve, antes de tudo, submeter-se à Dissolução
do Ego, porque se um Homem verdadeiro não dissolve
o Ego, se converte em Hanasmussen com duplo centro de gravidade,
em um aborto da Mãe Cósmica, em um fracasso...
Assim, só eliminando a totalidade de nossos defeitos
psicológicos, só morrendo em nós mesmos,
conseguiremos em verdade a integração com
o Logos, com a Divindade; então nos converteremos
em KUMMARAS, no sentido mais completo da palavra.
Um “Kummara” é um Super-Homem; um “Kummara”
é um Logoi encarnado; um “Kummara” tem
poder sobre o Fogo, sobre o Ar, sobre as Águas e
sobre a Terra; nós devemos converter-nos em Kummaras,
em Homens autênticos, em Seres Divinos, Inefáveis,
em Indivíduos Sagrados. Mas assim como estamos, em
verdade, não somos mais que meros “animais
intelectuais” condenados à pena de viver...
Eu convido a todos os aqui presentes a conhecerem a si mesmos,
a estudar-se, a indagar, inquirir, buscar; a mergulhar nas
profundidades para poder chegar a saber o que lhes sobra
e o que lhes falta. Quando alguém compreende tudo
isso, entra pelo Caminho que conduz ao Super-Homem.
A hora chegou, a hora terrível em que grandes cataclismos
se aproximam. Treme a terra na Guatemala, treme na Nicarágua,
continuarão tremores em todas as partes, aqui mesmo,
em nossa Cidade Capital haverá um tremor muito grande;
se multiplicarão os terremotos em toda a redondeza
da Terra; grandes eventos cósmicos se avizinham...
Necessitamos com urgência dissolver o Ego. Seria lamentável
que nós desencarnássemos sem haver dissolvido
o mim mesmo...
(SAMAEL AUN WEOR, FUNDADOR DA GNOSE MODERNA, PROFERIU ESSA
CONFERÊNCIA A UM GRUPO DE ESTUDANTES GNÓSTICOS
DA AMÉRICA CENTRAL.)
|