|
É claro que temos que ir nos independizando cada vez mais da mente.
A mente é um calabouço, um cárcere, onde
todos nós estamos presos. Precisamos fugir desse cárcere,
se é que realmente queremos saber que coisa é
a liberdade; liberdade essa que não é do tempo,
liberdade essa que não é da mente... Antes de
tudo, devemos considerar a mente como algo que não
é do Ser. Infelizmente, as pessoas identificadas com
a mente dizem "estou pensando", e se sentem como
sendo a mente.

Há escolas que se dedicam a fortalecer a mente. Dão
cursos por correspondência, ensinam a desenvolver a
força mental, etc. Porém, tudo isso é
absurdo! Fortificar os barrotes da prisão onde estamos
metidos não é o indicado. O que precisamos é
destruir esses barrotes para conhecer a verdadeira liberdade
que, como já disse, não é do tempo. Enquanto
estivermos no cárcere do intelecto, não seremos
capazes de experimentar a verdadeira liberdade.
A mente em si mesma é um cárcere doloroso.
Ninguém jamais foi feliz com a mente. Até hoje
não se conheceu o primeiro homem que foi feliz com
a mente. A mente torna todas as criaturas infelizes. Os momentos
mais felizes que todos nós tivemos na vida ocorreram
sempre na ausência da mente. Foi um instante, sim, mas
que não o poderemos esquecer jamais na vida. Em tal
segundo, soubemos o que é a felicidade, mas durou apenas
um segundo. A mente não sabe que coisa é a felicidade,
ela é um cárcere. Temos de aprender a dominar
a mente, não a alheia, mas a nossa, se é que
queremos ficar independentes dela. Faz-se indispensável
aprender a olhar a mente como algo que devemos dominar, como
algo que, digamos, precisamos amansar. Recordemos o divino
Mestre Jesus entrando em Jerusalém no Domingo de Ramos,
montado em seu burrico. Esse burrico é a mente que
temos de submeter. Temos de montar no burrico e não
permitir que ele monte em nós.
Infelizmente, as pessoas são vítimas da mente,
posto que não sabem montar no burrico. A mente é
um burrico muito estúpido, que tem de ser dominado,
se é que verdadeiramente queremos montar nele. Durante
a meditação, devemos dialogar com a mente. Se
alguma dúvida surge, temos de fazer a dissecação
dessa dúvida. Quando uma dúvida foi devidamente
estudada, quando a dissecamos, não deixa em nossa memória
rastro algum, desaparece. Mas quando uma dúvida persiste,
quando pretendemos combatê-la incessantemente, forma-se
o conflito. Toda dúvida é um obstáculo
para a meditação. Mas não será
rejeitando as dúvidas que iremos eliminá-las.
Ao contrário, é fazendo a sua dissecação
para ver o que é que escondem de real.
Qualquer dúvida que persiste na mente converte-se
numa trava para a meditação. Temos que analisá-la,
esquadrinhá-la, reduzi-la a pó... Não
será combatendo-a, mas sim abrindo-a com o bisturi
da autocrítica, fazendo uma rigorosa e implacável
dissecação, que iremos descobrir o que havia
nela de importante, o que havia nela de real e o que havia
de irreal. Assim, as dúvidas, às vezes, servem
para esclarecer conceitos. Quando alguém elimina uma
dúvida mediante uma análise rigorosa, quando
a disseca, descobre alguma verdade. De tal verdade vem algo
mais profundo, mais sabedoria, mais experiência.
Elabora-se a sabedoria à base da experimentação
direta, na própria experimentação, à
base da meditação profunda. Há vezes
em que precisamos, repito, dialogar com a mente, porque muitas
vezes queremos que a mente fique quieta, fique em silêncio,
e ela insiste em suas tolices, em seu palavrório inútil,
em continuar a luta das antíteses. É quando
se faz necessário interrogar a mente: Muito bem, mente,
mas o que é que queres? Me responda! Se a meditação
for profunda, poderá surgir em nós alguma representação.
Nessa figura, nessa representação, nessa imagem,
está a resposta. Temos então de dialogar com
a mente e fazê-la ver a realidade das coisas, fazê-la
ver que sua resposta está errada, fazê-la ver
que suas preocupações são inúteis
e que os motivos pelos quais se agita também são
inúteis. Por fim, a mente fica quieta e em silêncio.
Mas se notamos que a iluminação ainda não
surge, que ainda persiste em nós o estado caótico,
a confusão incoerente do palavrório incessante
com sua luta de opostos, temos que chamar de novo a atenção
mente, interrogando-a: O que queres, mente? O que estás
procurando? Por que não me deixas em paz? Há
que falar claro e dialogar com a mente, como se ela fosse
um sujeito estranho, já que ela não é
o Ser. Temos de tratá-la como se fosse uma pessoa estranha.
Temos de recriminá-la e de repreendê-la.
Os estudantes do zen avançado praticam o judô,
mas o judô psicológico deles não foi compreendido
pelos turistas que chegam ao Japão. Ver, por exemplo,
os monges praticando o judô, lutando uns com os outros,
pareceria um exercício meramente físico, mas
não é. Quando estão praticando judô,
realmente quase não estão se dando conta do
corpo físico. Na realidade, sua luta tem como objetivo
dominar a própria mente. No judô, o adversário
que estão combatendo é a sua própria
mente. De maneira que o judô psicológico tem
por objetivo submeter a mente, tratá-la cientificamente,
tecnicamente; o objetivo é submetê-la. Infelizmente,
os ocidentais só vêem a casca do judô.
Claro, como sempre, superficiais e néscios, tomaram
o judô como luta de defesa pessoal e se esqueceram dos
princípios do zen e do ch'an. Isso foi verdadeiramente
lamentável. É algo bastante semelhante ao que
aconteceu com o Tarô. Sabe-se que no Tarô está
toda a sabedoria antiga e todas as leis cósmicas e
da natureza.
Por exemplo, um indivíduo que fala contra a magia
sexual está falando contra o Arcano IX do Tarô.
Portanto, está jogando um carma horrível contra
si. Um indivíduo que fale a favor do dogma da evolução,
está quebrando a lei do Arcano X do Tarô, e assim
sucessivamente.
O Tarô é um padrão de medidas para todos,
como já disse em meu livro O Mistério do Áureo
Florescer. Nele, termino dizendo que os autores são
livres para escrever o que quiserem, mas que não deveriam
se esquecer do padrão de medidas, que é o Tarô,
o livro de ouro, a fim de não violar as leis cósmicas
e cair sob a katância, que é o carma superior.
Depois desta pequena digressão, quero dizer que o
Tarô, tão sagrado, tão sapiente, converteu-se
em jogo de poquer e nesses outros jogos de cartas que servem
para a diversão das pessoas, que se esqueceram de suas
leis e de seus princípios. As piscinas sagradas dos
antigos templos de Mistérios converteram-se hoje nos
clubes de banhistas. A tauromaquia, a ciência profunda,
a ciência taurina dos antigos mistérios de Netuno
na Atlântida, perdeu seus princípios e converteu-se
hoje no circo vulgar das touradas. Portanto, não é
de se estranhar que o judô - zen e ch'an - que tem por
objetivo precisamente submeter a própria mente através
de seus movimentos e paradas, tenha degenerado, tenha perdido
seus princípios, no mundo ocidental, e tenha se convertido
em algo profano que só se usa hoje para a defesa pessoal.
Vejamos o aspecto psicológico do judô. No judô
psicológico que a Revolução da Dialética
ensina, é necessário dominar a mente, é
preciso que a mente aprenda a obedecer, e exige-se uma forte
recriminação para que ela obedeça. Isto,
Krishnamurti não ensinou, tampouco o zen ou o ch'an.
Isto que estou ensinando pertence à Segunda Jóia
do Dragão Amarelo, à segunda jóia da
sabedoria. Dentro da primeira jóia podemos incluir
o zen, mas o zen não explica a segunda jóia,
ainda que possua os prolegômenos em seu judô psicológico.
A segunda jóia implica disciplina da mente: dominando-a,
açoitando-a, recriminando-a... A mente é um
burrico insuportável que tem de ser amansado. Portanto,
durante a meditação temos de contar com muitos
fatores, se quisermos chegar à quietude e ao silêncio
da mente. Precisamos estudar a desordem, porque só
assim conseguiremos estabelecer a ordem. Temos de saber o
que há em nós de atento e o que há em
nós de desatento.
Sempre que entramos em meditação, nossa mente
se divide em duas partes: a parte que atende e a parte que
não atende. Não é na parte atenta que
temos que por atenção, mas sim precisamente
no que há de desatento em nós. Quando chegarmos
a compreender profundamente o que há de desatento em
nós, e soubermos como proceder para que o desatento
se converta em atento, teremos conseguido a quietude e o silêncio
da mente.
Porém, temos de ser judiciosos na meditação,
julgando a nós mesmos e sabendo o que há de
desatento em nós. Precisamos nos tornar conscientes
daquilo que existe de desatento em nós.
Quando digo que devemos dominar a mente, entendam que quem
deve dominá-la é a Essência, a consciência.
Despertando a consciência, adquirimos mais poder sobre
a mente e por fim nos tornamos conscientes do que há
de inconsciente em nós. Faz-se urgente e improrrogável
dominar a mente. Devemos dialogar com ela, recriminá-la,
açoitá-la com o látego da vontade e fazê-la
obedecer. Esta didática pertence à Segunda Jóia
do Dragão Amarelo.
Meu real Ser, Samael Aun Weor, esteve reencarnado na antiga
China e chamou-se Chou-Li. Fui iniciado na Ordem do Dragão
Amarelo e tenho ordens de entregar as Sete Jóias do
Dragão Amarelo a quem despertar a consciência,
vivendo a Revolução da Dialética e conseguindo
a Revolução Integral. Antes de tudo, não
devemos nos identificar com a mente, se é que queremos
tirar o melhor partido da segunda jóia. Se continuamos
nos sentido mente, se dizemos "estou raciocinando, estou
pensando", estamos afirmando um despropósito e
não estamos de acordo com a doutrina do Dragão
Amarelo porque o Ser não precisa pensar e não
precisa raciocinar.
Quem raciocina é a mente. O Ser é o Ser e a
razão de ser do Ser é o próprio Ser.
Ele é o que é, o que sempre foi e o que sempre
será. O Ser é a vida que palpita em cada sol.
O que pensa não é o Ser. Quem raciocina não
é o Ser. Nós não temos encarnado todo
o Ser, mas temos uma parte do Ser encarnada, que é
a Essência, ou budhatta, isso que há de alma
em nós, o anímico, o material psíquico.
É necessário que esta essência vivente
se imponha sobre a mente.
Aquilo que analisa em nós são os eus. Os eus
nada mais são do que formas da mente, formas mentais
que têm de ser desintegradas e reduzidas a poeira cósmica.
Estudemos neste momento algo muito especial. Poderia se dar
o caso de que alguém dissolvesse os eus, os eliminasse.
Poderia também se dar o caso de que esse alguém,
além de dissolver os eus, fabricasse um corpo mental.
Obviamente, teria adquirido individualidade intelectual. Mas
teria que se libertar até mesmo desse corpo mental,
porque por mais perfeito que ele fosse, também raciocinaria,
também pensaria, e a forma mais elevada de pensar é
não pensar. Quando pensamos, não estamos na
forma mais elevada de pensar.
O Ser não precisa pensar. Ele é o que sempre
foi e o que sempre será. Assim, em síntese,
temos de submeter a mente, interrogá-la... Não
precisamos submeter as mentes alheias porque isso é
magia negra. Não precisamos dominar a mente de ninguém
porque isso é bruxaria da pior espécie. O que
precisamos é submeter a nossa própria mente,
dominá-la...
Durante a meditação, repito, surgem duas partes:
a que está atenta e a que está desatenta.
Precisamos nos tornar conscientes do que há de desatento
em nós. Ao nos fazermos conscientes, poderemos evidenciar
que o desatento tem muitos fatores. Dúvida, há
muitas dúvidas. São muitas as dúvidas
que existem na mente humana. De onde vêm essas dúvidas?
Vejamos, por exemplo, o ateísmo, o materialismo, o
ceticismo... Se os desmembramos, vemos que existem muitas
formas de ceticismo, muitas formas de ateísmo e muitas
formas de materialismo. Há pessoas que se declaram
materialistas e ateus e, no entanto, temem, por exemplo, as
feitiçarias e as bruxarias. Respeitam a natureza, sabem
ver Deus na natureza, mas a seu modo. Quando se lhes fala
de assuntos espirituais ou religiosos, declaram-se ateus e
materialistas. Seu ateísmo não passa de uma
forma incipiente.
Há outro tipo de materialismo e ateísmo: o
do sujeito marxista-leninista. Ele é incrédulo
e cético. No fundo, esse ateu materialista busca algo:
ele quer simplesmente desaparecer, não existir, aniquilar-se
integralmente, não quer nada com a Mônada divina;
a odeia. Obviamente, ao agir assim, se desintegrará
como ele quer. Esta é sua vontade. Deixará de
existir, descerá pelos mundos infernais até
o centro de gravidade deste planeta. Esta é sua vontade,
destruir a si mesmo. Perecerá, mas, no fundo, continuará.
Sim, a Essência se libertará e voltará
para novas evoluções. Passará por outras
involuções, voltará uma e outra vez aos
diferentes ciclos de manifestação, sempre caindo
no mesmo ceticismo e materialismo. Ao longo do tempo virá
o resultado. Qual? No dia em que todas as portas se fecham
definitivamente, quando os 3.000 ciclos se esgotarem, essa
Essência será absorvida pela Mônada que
por sua vez entrará no seio do Espírito Universal
da Vida, mas sem o mestrado.
O que é que quer realmente essa Essência? O
que é que procura com seu ateísmo? Qual é
seu desejo? Seu desejo é rejeitar o mestrado. No fundo,
é isto que ela quer e consegue. Não se valoriza
e, por fim, termina como uma chispa divina, mas sem o mestrado.
São várias as formas de ceticismo. Há
gente que se diz católica apostólica romana
e, no entanto, em suas exposições são
cruamente materialistas e atéias. Contudo, vão
à missa nos domingos, se confessam e comungam... Esta
é outra forma de ceticismo!
Se analisamos todas as formas havidas e por haver de ceticismo
e materialismo, descobrimos que não há só
um tipo de materialismo ou de ceticismo. A realidade é
que são milhares as formas de ceticismo e materialismo.
Milhões, porque simplesmente são mentais, coisas
da mente; isto é, o ceticismo e o materialismo são
da mente e não do Ser. Quando alguém passa além
da mente, torna-se consciente da verdade que não é
do tempo. Obviamente, já não pode ser materialista
nem ateísta. Aquele que alguma vez escutou o Verbo,
está além do tempo e além da mente. O
ateísmo é da mente e pertence à mente,
que é como um leque. As formas de materialismo e de
ateísmo são tantas que se assemelham a um grande
leque. Tudo o que existe de real está além da
mente. O ateu e o materialista são ignorantes. Jamais
escutaram o Verbo, nunca conheceram a Palavra Divina e jamais
entraram na corrente do som.
O ateísmo e o materialismo são gerados na mente.
Ambos são formas da mente, formas ilusórias
que não têm realidade alguma. O que verdadeiramente
é real não pertence à mente. O que certamente
é real está além da mente. É importante
tornar-se independente da mente para conhecer o real: não
para conhecê-lo intelectualmente, mas para experimentá-lo
real e verdadeiramente. Ao pormos atenção no
que está desatento, poderemos ver diferentes formas
de ceticismo, de incredulidade, de dúvida, etc. Descobrindo
qualquer dúvida, de qualquer tipo, temos de desmembrá-la,
de dissecá-la, para saber o que ela quer de verdade.
Uma vez que a tenhamos desmembrado totalmente, ela desaparece,
não deixando na mente rastro algum, não deixando
na memória nem o mais insignificante vestígio.
Quando observamos o que há de desatento em nós,
vemos também a luta das antíteses na mente.
Então, temos de desmembrar essas antíteses para
ver o que têm de verdade. Também deverá
ser feita a dissecação das recordações,
desejos, emoções e preocupações
que se ignoram, que não sabemos de onde vêm nem
porque vêm.
Quando judiciosamente vemos que há necessidade de
chamar a atenção da mente e chegamos ao ponto
crítico em que já nos cansamos dela, porque
não quer obedecer de forma alguma, não resta
outro remédio que recriminá-la, falar duramente,
enfrentá-la frente a frente, cara a cara, como a um
sujeito estranho e inoportuno. Temos que açoitá-la
com o látego da vontade e recriminá-la com palavras
duras até que obedeça. Há que dialogar
muitas vezes com a mente para que entenda. Se não entende,
pois temos de chamá-la à ordem severamente.
É indispensável não se identificar com
a mente. Há que açoitar a mente, subjugá-la.
Se ela prossegue violenta, pois temos de voltar a açoitá-la.
Assim, saímos da mente e chegamos à Verdade,
Aquilo que certamente não é do tempo.
Quando conseguimos, atingimos isso que não é
do tempo e experimentamos um elemento que transforma radicalmente.
Existe um certo elemento transformador que não é
do tempo e que somente se pode experimentar quando saímos
da mente. Temos de lutar intensamente até conseguir
sair da mente para conquistar a Auto-Realização
Íntima do Ser.
 |
Uma e outra vez precisamos nos tornar independentes
da mente e entrar na corrente do som, o mundo da música,
o mundo onde ressoa a palavra dos Elohim, onde a Verdade
certamente reina. Enquanto estivermos engarrafados na
mente, que poderemos saber da verdade? O que os outros
dizem, mas o que sabemos nós? O importante não
é o que os outros dizem e sim o que nós
experimentamos por nós mesmos. Nosso problema
é como sairmos da mente. Para isso, precisamos
de uma ciência, de uma sabedoria que nos emancipe,
e esta se acha na Gnose.
Quando julgamos que a mente está quieta, quando
achamos que está em silêncio, e no entanto,
não vem nenhuma experiência divina, é
porque não está quieta nem em silêncio.
No fundo ela continua lutando, no fundo ela está
conversando... Então, através da meditação,
temos de encará-la, dialogar com ela, recriminá-la
e interrogá-la para saber o que quer.
|
Devemos dizer: Mente, porque não ficas quieta? Por
que não me deixas em paz? A mente dará alguma
resposta e nós responderemos com outra explicação,
tratando de convencê-la.
Se não quiser se convencer, não restará
outro remédio que submetê-la por meio de recriminações
e usando o látego da vontade.
O domínio da mente vai além da meditação
nos opostos. Assim que, por exemplo, nos assalta um pensamento
de ódio, uma lembrança malvada, temos de tratar
de compreendê-lo, tratar de ver sua antítese:
o amor. Se há amor, para que esse ódio? Com
que objetivo?
Surge, por exemplo, a lembrança de um ato luxurioso.
Temos de passar pela mente o cálice sagrado e a santa
lança, dizendo: "Porque hei de profanar o sagrado
com meus pensamentos doentios"?
Se surgir a imagem de uma pessoa alta, devemos vê-la
baixinha e isso seria correto, posto que na síntese
está a chave. Saber buscar sempre a síntese
é benéfico, porque da tese se passa para a antítese,
porém a verdade não se encontra na tese nem
na antítese. Na tese e na antítese há
discussão e isso é realmente o que se quer:
afirmação, negação, discussão
e solução. Afirmação de um mau
pensamento e negação do mesmo mediante a compreensão
de seu oposto. Discussão: temos de discutir para ver
o que há de real num e noutro até chegar à
sabedoria e deixar a mente quieta e em silêncio. Assim
é como se deve praticar.
Tudo isso faz parte das práticas conscientes da observação
do que há de desatento. Se dissermos simplesmente:
é a lembrança de uma pessoa alta e lhe antepormos
uma pessoa baixinha e pronto, isso não estará
certo. O correto seria dizer: o alto e o baixo não
são senão dois aspectos de uma mesma coisa,
o que importa não é o alto nem o baixo e sim
o que há de verdade por trás de tudo isto. O
alto e o baixo são dois fenômenos ilusórios
da mente. Assim é como se chega à síntese
e à solução.
O desatento em alguém é o que está formado
pelo subconsciente, pelo incoerente, pela quantidade de recordações
que surgem na mente, pelas memórias do passado que
assaltam uma e outra vez, pelos resíduos da memória,
etc. Não temos que rechaçar, nem aceitar os
elementos que constituem o subconsciente. Simplesmente, temos
de nos tornar conscientes do que há de desatento, ficando
assim o desatento, atento. De forma espontânea e natural
o desatento fica atento. Há que fazer da vida comum
uma contínua meditação. Não somente
é meditação aquela ação
de aquietar a mente quando estamos em casa ou nos Lumisiais,
mas também aquela que transcorre no viver diário.
Assim, nossa vida se converte de fato numa constante meditação.
Eis como nos chega realmente a verdade.
A mente em si é o Ego. É urgente a destruição
do Ego para que a substância mental fique livre e com
a qual se poderá fabricar o corpo mental. Porém,
no final, sempre restará a mente. O importante é
livrar-se da mente. Ficando livres dela, deveremos aprender
a nos desenvolver no mundo do Espírito Puro sem ela.
Há que saber viver nessa corrente do som que está
além da mente e que não é do tempo.
Na mente, o que há é ignorância. A sabedoria
real não está na mente, está além
da mente. A mente é ignorante e por isso cai e cai
em tantos erros graves. Quão néscios são
aqueles que fazem propagandas mentalistas! Aqueles que prometem
poderes mentais, que ensinam os outros a dominar a mente alheia,
etc. A mente não fez feliz a ninguém. A verdadeira
felicidade está muito além da mente. Ninguém
pode chegar a conhecer a felicidade até que se torne
independente da mente.
Os sonhos são próprios da inconsciência.
Quando alguém desperta a consciência, deixa os
sonhos. Os sonhos nada mais são do que projeções
da mente. Lembro-me de certo caso vivido por mim nos mundos
superiores. Foi somente um instante de descuido, mas vi como
me saiu da mente um sonho. Já ia começar a sonhar,
quando reagi dentre o sonho que me escapara por um segundo.
Como me dei conta do processo, rapidamente me afastei daquela
forma petrificada que escapara da minha própria mente.
E se tivesse ficado adormecido? Teria ficado enredado naquela
forma mental. Quando alguém está desperto, sabe
naturalmente que de um momento de desatenção
pode escapar um sonho e nele ficará enredado toda noite
até o amanhecer.
O que importa é despertar a consciência para
deixar de sonhar, para deixar de pensar. Este pensar, que
é matéria cósmica, é a mente.
Até o próprio astral não é mais
do que cristalização da matéria mental
e o nosso mundo físico também é mente
condensada. Assim, pois, a mente é matéria e
bem grosseira, seja no estado físico ou no estado chamado
astral, manásico, como dizem os hindus. De qualquer
forma, a mente é grosseira e material, tanto no astral
como no físico.
A mente é matéria física ou metafísica,
porém matéria. Portanto, não pode nos
fazer felizes. Para conhecer a autêntica felicidade,
a verdadeira sabedoria, devemos sair da mente e viver no mundo
do Ser. Isto é o importante! Não negamos o poder
criador da mente. Claro que tudo que existe é mente
condensada. Porém, que ganhamos com isso? Por acaso
a mente nos deu felicidade? Podemos fazer maravilhas com a
mente, podemos criar muitas coisas na vida, os grandes inventos
são mente condensada, mas esse tipo de criações
não nos fez felizes.
O que precisamos é de independência, temos de
sair desse calabouço de matéria, porquanto a
mente é matéria. Temos de sair da matéria
e viver em função do espírito como seres,
como criaturas felizes, além da matéria. A matéria
não fez ninguém feliz, porque a matéria
é sempre grosseira, ainda que possa assumir formas
bonitas.
Se estamos buscando a autêntica felicidade, não
a encontraremos na matéria e sim no espírito.
Precisamos nos libertar da mente. A verdadeira felicidade
vem a nós quando saímos do calabouço
da mente. Não negamos que a mente possa ser criadora
de coisas, de inventos, de maravilhas e de prodígios,
porém, por acaso, isso nos torna felizes? Quem de nós
é feliz?
Se a mente não nos trouxe a felicidade, temos de sair
da mente e buscá-la em outro lugar.
Obviamente, a encontraremos no mundo do espírito.
Mas temos de saber como é que escaparemos da mente,
como é que nos libertaremos da mente. Pois este é
o objetivo de nossas práticas e estudos, que entregamos
nos livros gnósticos e neste tratado da Revolução
da Dialética.
Em nós há apenas uns 3% de consciência
e uns 97% de subconsciência. O que temos de consciente
deve dirigir-se ao que temos de inconsciente ou subconsciente
a fim de recriminar a fazer ver que tem de tornar-se consciente.
É necessário que a parte consciente recrimine
a parte subconsciente. Isto de que a parte consciente se dirija
à parte subconsciente é um exercício
psicológico muito importante que se pode praticar na
aurora.
Assim, as partes inconscientes vão pouco a pouco se
tornando conscientes.
(Texto tirado do capítulo 16 da obra A Revolução
da Dialética, de Samael Aun Weor)
|