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Despertar para não Regressar
Frida Kahlo Fiesta de los Muertos

Chegou para nós e para todo o mundo uma festa anual bastante importante e, claro, não podemos passar esta data sem falar dela. Refiro-me de forma clara à Festa dos Mortos, que teremos amanhã*. É necessário, pois, que esclareçamos alguma coisa sobre os mistérios da vida e da morte.

Antes de tudo, meus caros irmãos, vocês sabem muito bem que o caminho é bastante difícil. Jesus Cristo falou-nos do caminho secreto quando disse: "Estreita é a porta e apertado é o Caminho que conduz à luz e são bem poucos os que o acham”. Hermes Trismegisto, o três vezes grande deus Íbis de Toth, viva encarnação do deus Osíris, legou-nos a maravilhosa Ciência da Alquimia. Na Idade Média, essa ciência passou do mundo árabe para as terras da Europa. Então, por todas as partes se despertou o entusiasmo pela Arte Hermética.

Nessa doutrina de Hermes estão contidas, tanto em essência como em potência, as chaves máximas e o conhecimento puro que nos permite percorrer o estreito caminho do qual nos falou Jeshua ben Pandirah, Jesus Cristo.

Bem sabemos que o Grande Cabir, em sua passada existência, antes de cumprir a missão que desempenhou na Terra Santa, foi Jehoshua**, filho de Nun. Indubitavelmente, muitos são os chamados e poucos os escolhidos. Certamente, pode-se contar nos dedos da mão aqueles que mantêm a continuidade de propósitos até chegarem à meta.

Felizmente, temos o corpo da doutrina, os princípios, os fundamentos, que, devidamente estudados e vivenciados, nos permitirão de fato e por direito próprio percorrer a Senda do Fio da Navalha. Aqueles que nos trouxeram a doutrina foram sempre grandes Avataras, cristalizações Logóicas... Não é possível conceber um mensageiro que venha do alto senão como uma emanação, cristalização ou manifestação do Logos em nosso mundo.

Tendo-se, pois, as bases, é necessário trabalhar. Somente assim será possível chegar à libertação final. Indubitavelmente, meus caros irmãos, a espécie humana está submetida à Lei do Eterno Retorno. Já repetimos muitas vezes que cada ciclo de manifestação, cada ciclo de existências, está constituído de 108 vidas. Nos são dadas sempre, nos são consignadas, 108 existências...

Se durante essas 108 vidas não nos auto-realizamos, é óbvio que ficamos submetidos a essa outra lei citada pelo grande avatara Krishna, que viveu na Índia uns mil anos antes de Jesus, que é a Lei da Transmigração das Almas, ou a metempsicose de Pitágoras. Aqueles que não se auto-realizam durante as 108 vidas, indiscutivelmente deverão involuir no reino mineral submerso até atingirem a Nona Esfera. Ali tornam-se poeira cósmica, isto é, passam pela Segunda Morte, da qual nos falou o Grande Cabir Jesus com tanta sabedoria.

Depois da Segunda Morte, isto é, depois da morte de todos os elementos inumanos que temos em nosso interior, a Essência, a Alma ou princípio imortal, escapa e volta para a superfície, para a luz do sol, a fim de recomeçar a jornada, a fim de iniciar uma nova evolução. Terá de começar indubitavelmente desde a pedra, continuar no vegetal, prosseguir mais tarde pelo estado animal até um dia reconquistar completamente o estado humano ou humanóide que outrora perdeu.

Retornando outra vez ao estado humano ou humanóide, nos são consignadas novamente 108 vidas. Se nos auto-realizamos no novo cliclo, magnífico; se falhamos, é óbvio que repetiremos todo o processo. Assim, meus caros irmãos, cabe a todos nós nos auto-realizar ou seguir vagando pelo Vale do Samsara presos a essa grande roda fatal que sempre gira 3 mil vezes.

É óbvio que depois da última volta terminam as oportunidades e aqueles que não conseguiram sua auto-realização terão de submergir no Espírito Universal de Vida sem o mestrado. Terão a felicidade, porém sem o Adeptado. Alcançarão a paz, porém não conseguirão a auto-realização. Converter-se-ão em simples elementais do universo, isso é tudo!

Não há dúvida, meus caros irmãos, que as 3 mil voltas da Roda terminam sendo dolorosas. Aqueles que estudaram a fundo a doutrina que se relaciona com a Auto-realização Íntima do Ser chegaram à conclusão lógica que nem todos os seres humanos são capazes de se auto-realizar.

Também é certo e de toda verdade que nem todas as Mônadas, ou chispas divinas, emanadas do seio do Espírito Universal de Vida, têm interesse pelo mestrado. Quando alguma chispa virginal aspira de verdade alcançar o Adeptado, trabalha sua Alma, sua Essência, lutando para o conseguir. No mundo, vemos muita gente, milhões de seres humanos, que não têm interesse algum pela Auto-Realização Íntima do Ser.

Poderia se objetar que tais pessoas não conhecem a Gnose, o corpo da doutrina. Isso é válido até certo ponto porque, na realidade e de verdade, quando difundimos o ensinamento por todas as partes, alguns atendem ao chamado e outros permanecem indiferentes; infelizmente, são a maioria. Portanto, nós conhecemos, sabemos, quando há inquietude, anseios...

Quando alguém tem essa aspiração, indubitavelmente está dirigido desde seus foros mais íntimos, está sendo trabalhado em segredo, está em desassossego. Porém, quem o trabalha? Sua própria chispa divina, seu Real Ser, porque ela deseja alcançar o mestrado por si mesma. Porém, repito, nem todas as chispas divinas desejam o mestrado.

Ao chegar este Dia dos Mortos, é necessário que reflitamos um pouco. A Grande Lei não abandona aqueles que não desejam o mestrado nem aqueles que lutam para conseguir e não o conseguem. O Onimisericordioso vela por todas as criaturas e a ninguém abandona...

Nos tempos antigos, deu-se uma especial importância aos mistérios dos funerais. No Egito, progrediu-se muito com os embalsamamentos e com as mumificações. Não há dúvida que as múmias do Egito são maravilhosas. Ali também conseguiu-se conservar os corpos vivos, não por hibernação mas sim por uma espécie de mumificação; corpos que puderam durar milhares de anos. Ainda há, na terra dos faraós, sob o solo, sob as pirâmides ou em lugares preservados e secretos, corpos vivos de Mestres com mais de três, quatro e até dez mil anos. Em seu tempo, esses Mestres ingressarão em seus corpos físicos, que dormem sob a terra, para surgirem novamente à luz do sol e iniciarem no mundo uma nova Era Netuniano-Amentina, tal como está escrito no Livro dos Mortos do antigo Egito.

Indo ao fundo dessa questão, tanto os egípcios como os tibetanos, os astecas ou os maias ensinaram que é possível a libertação depois da morte para não voltar mais a este aflito mundo. Aqueles que assim procedem, obviamente o farão sem auto-realização. Porém, como são poucos os que conseguem se auto-realizar, sempre é preferível escapar do doloroso Vale do Samsara. Não se está obrigado, nem é indispensável aguardar as 3 mil voltas da Roda do Samsara. Aqueles que desejam a libertação podem atingi-la mesmo que não consigam o Adeptado.

Nem todos os seres humanos nasceram para ser Adeptos ou Mahatmas ou ainda Logói. Sempre há uma porta de escape para os que não se sintam capazes de realizar a Grande Obra. Obviamente, se depois do ciclo de mil voltas temos de voltar ao seio do Espírito Universal de Vida sem auto-realização nenhuma, isto, claro, no caso de que não tenhamos trabalhado realmente, pois seria preferível nos libertar o quanto antes dessa roda fatal. Assim, evitaríamos a descida aos mundos infernais depois de cada ciclo de manifestação e os sofrimentos deste doloroso vale de lágrimas.

Há, portanto, duas formas de nos emanciparmos deste Vale do Samsara, duas maneiras de nos evadirmos dele. Uma como Auto-Realizados, convertidos em Mahatmas ou Logói. A outra, como simples elementais, sem auto-realização íntima. Cada um deve refletir e escolher o caminho por si mesmo. Ao escolhê-lo, precisamos ser sérios porque uma vez dado um passo no caminho secreto, não mais será possível voltar atrás. Por isso, nos mistérios tibetanos, quando alguém estava para receber a Iniciação, os sacerdotes faziam soar suas trombetas, formadas de ossos de defuntos, ao mesmo tempo em que advertiam o neófito: “Detém-te, caminhante. Não tenta seguir pelo caminho que está além deste umbral. Lembra-te que o Caminho da Iniciação está cheio de lágrimas, dores e sofrimentos. Tu podes ser feliz com a religião que te ensinaram e viver nos paraísos da natureza, na terra dos devas, dos deuses santos... Por que insistes em entrar pelo caminho secreto?" Se o neófito apesar de tudo dissesse: “Nada pode me deter. Percorrerei a senda do Fio da Navalha. Eu vou pelo sendeiro da Auto-Realização Íntima. Nada poderá me desviar “, obviamente recebia a Iniciação.

Mas, se fraquejasse, teria de buscar forçosamente a emancipação comum pelo entendimento, aquele tipo de libertação sem auto-realização. Nunca poderia ser um Sol, teria de se contentar em ser uma estrela.

Roda do Samsara, da Evolução e Involução das coisas e do seres

O caminho da emancipação pela compreensão não nos converte em Deuses, unicamente permite que escapemos como elementais para viver no oceano do Espírito Universal de Vida de forma definitiva. Não se está obrigado a completar o ciclo de 3 mil voltas da Roda do Samsara. Aqueles que já não querem mais viver, aqueles que estão desencantados da vida, aqueles que já beberam no cálice de todas as amarguras e que de modo algum se sintam suficientemente preparados para trilhar a senda que os haverá de converter em deuses, além do bem e do mal, podem trilhar a senda do menor esforço, aquela que tão somente os converterá em elementais, em pequenos budas elementais. Essa senda permite que regressemos ao seio da Grande Realidade para sempre.

Obviamente, quem não pôde se auto-realizar e tendo terminado seu ciclo de manifestação, deverá descer às entranhas do Abismo e sofrer muito até chegar à Segunda Morte. Depois da mesma, vem a emancipação da essência elemental, a qual inicia um novo ciclo evolutivo. Naturalmente, é isso que temos de fazer ou, isso que a natureza irá fazer por nós nas entranhas da terra, é o que devemos fazer aqui e agora, evitando a descida às entranhas do abismo. A natureza irá desintegrar o Ego, o mim mesmo, o si mesmo... Mas o podemos fazer antes, sem ser necessário ter de afundar nesses espantosos abismos do reino mineral submerso. Se temos de ficar convertidos em elementais depois da Segunda Morte, melhor é ficar convertidos em elementais aqui e agora sem passar por essa amargura.

Assim, pois, há misericórdia! O Eterno Pai Cósmico Comum, o Onimisericordioso, jamais abandona ninguém.

Há mistérios extraordinários na morte. Quem quiser se emancipar realmente e não voltar jamais, deve começar a conhecer a doutrina. Faz-se indispensável dissolver o Ego, o eu, o mim mesmo... Não se poderia exigir de uma criatura humana que eliminasse e Ego de forma perfeita e radical, aqui e agora, se não estivesse preparada. Porém, qualquer criatura pode eliminar o Ego se para isso se propõe, se quiser se emancipar, ainda que seja em parte, o resto do trabalho continuaria depois da morte.

Porém, e aqui vem o porém, se estivermos com a consciência adormecida, de qualquer forma teríamos de regressar. O que fazer então para não voltar a este vale de lágrimas? Despertar a Consciência! Quando temos de despertá-la, agora ou depois da morte? É claro que aqui mesmo é que devemos trabalhar para despertar a consciência. Existe alguma ciência que nos permita despertar a consciência? Sim, existe e a temos ensinado e continuaremos e ensiná-la através de nossas diversas conferências. Quem desperta, pode escolher o caminho. Quem desperta, depois da morte poderá trabalhar e se não quiser voltar, não voltará.

Porém, como poderia um adormecido evitar o regresso, o retorno a este vale de amarguras? Impossível, não é verdade? Antes necessitamos despertar... Despertos sim, depois da morte poderemos trabalhar. É óbvio que aquele defunto que não quer mais voltar será submetido a provas. Em primeiro lugar, depois da morte, passa-se por um desvanecimento de três dias; uma espécie de desmaio. Depois desses três dias, ele sente-se reconfortado, reanimado.

Se está alerta e vigilante, se verdadeiramente não está com a consciência adormecida, se verdadeiramente o deseja, poderá evitar o retorno a este vale de amarguras. Porém, repito, se não deseja voltar, será provado. A Mãe Divina, o Pai que está em segredo ou o Pai-Mãe em sua totalidade, já que cada um tem seu Pai que está em segredo e sua Divina Mãe Kundalini, o submeterão à prova. Assumirão diante dele, em um dado momento, por exemplo, uma aparência terrível, sobre-humana, com o propósito de testar o defunto. Se ele permanecer firme como o aço, é claro que sairá vitorioso.

Mas essa não é a única prova, existem muitas outras. O defunto que não quiser voltar não deve se deixar atrair pelos familiares, o apego aos irmãos, às irmãs, filhos, filhas, etc. Se é atraído pelos seres queridos que deixou no mundo, prejudica a si mesmo. É claro que retornará, se reincorporará novamente. Se alguém não quiser voltar, terá de perder todo apego, depois da morte, àqueles que deixou neste vale de lágrimas. Depois que alguém deixou o corpo, a natureza tem múltiplos meios e sistemas para fazê-lo regressar ou reincorporar, os quais devemos compreender. Antes de tudo, não será demais que todos saibam que depois da morte temos de revisar a vida que acabamos de viver.

Começaremos pelo último instante, aquele que precedeu a nossa agonia. Tornaremos a viver na mesma casa onde morremos, a percorrer as mesmas ruas por onde outrora caminhamos, etc. Em uma palavra, queremos refazer nossos passos e os iremos recolhendo conforme formos revivendo as diferentes idades da existência que acaba de passar. É claro que este retrospecto não é meramente intelectual. Temos de vivenciar, depois da morte, todos os acontecimentos, todos os fatos, todas as ocorrências, da vida que passou. Conforme se vai revivendo, se vai assumindo também a aparência que se teve em cada uma das idades correspondentes. Se alguém morreu ancião, se verá velho. Depois irá se convertendo no sujeito maduro que foi, em seguida no jovem, no adolescente e por fim na criança que foi. Reviverá assim toda a sua existência com o propósito de ajustar contas, de fazer um balanço de suas boas e más obras.

Quero que todos saibam que o Ser, meus caros irmãos, está formado de diversas partes. Em nós existe, por exemplo, dentro de nós mesmos, no Ser ou uma parte do Ser que poderíamos chamar o anjo bom. Também existe algo que poderíamos denominar o anjo mau, não que seja mau, mas se encarrega de fazer de conta; ele anota todos os nossos erros pessoais. O anjo bom preocupa-se em anotar as boas ações. No entanto, não é que o anjo mau e o anjo bom sejam pessoas estranhas, não. Eles são parte de nosso próprio Espírito individual, de nosso próprio Ser íntimo. Depois da morte, o gênio do bem, por exemplo, contará com pedrinhas a quantidade de boas obras que tenhamos feito. Veremos também ao geniozinho do mal, que não é que seja mal, mas que simplesmente anota nossos erros, uma vez que é outra parte de nosso Ser, contando também com pedrinhas negras as nossas más ações. Contudo, tal conta só se realiza depois de termos revivido a vida que passou, depois de tê-la revivido de forma interna e retrospectiva.

Assim, pois, toda a vida que se passou vem a ficar reduzida a números e a somas de boas e más ações. Obviamente, terminado o retrospecto, depois que o nosso próprio Ser fez o balanço, o inventário de nossas boas e más ações, os Senhores do Karma se encarregam de fazer justiça e determinam a existência que nos tocará no futuro. Porém, se não desejamos voltar, se para isso nos preparamos durante toda a vida, se estamos despertos para nos defender, podemos pedir a nossa Mãe Kundalini o perdão de nosso erros. Podemos nos concentrar em outra parte de nosso Ser, que se chama o Grande Misericordioso e obteremos ajuda; haverá piedade. Mas, se o karma for demasiado ruim, se em vida fomos exageradamente perversos, teremos de entrar na involução submersa dos mundos infernais; não haverá remédio... Ou pelo menos iremos nos reincorporar contra nossa vontade.

Se o karma não for tão ruim, se houver mais boas ações do que más, se em vida nos preocupamos com a dissolução do eu, do mim mesmo, se fomos caridosos etc., teremos o direito de nos defender, teremos capital cósmico a nosso favor. No entanto, será necessário que não nos deixemos atrair pelas matrizes humanas. O Espírito humano pode atravessar uma montanha de lado a lado, nada o detém. A única coisa que o pode deter é uma matriz; eis aqui o problema. Uivará o vento do karma, um furacão frio chegará até o defunto, múltiplas aparições de seres terríveis tentarão amedrontá-lo, porém se permanecer firme no desejo de não voltar, poderá triunfar. Mas, se ainda temer o perigo de cair em alguma matriz, terá de aprender a fechar matrizes; nos mundos internos há muitos sistemas. De repente, o defunto sente que está chovendo, há trovões e relâmpagos, caem raios, há muita chuva; é a lei do karma buscando a maneira de juntá-lo a uma matriz. Se ele permanece sereno, impassível, fecha a matriz. O inexperiente tentará se esconder em alguma caverna tratando de se livrar da tempestade. Quando tente se afastar, sentir-se-á como que ligado a essa caverna. Sim, ficou ligado a uma matriz, a um útero; essa caverna era um útero. De forma que é necessário aprender a fechar matrizes, se é que se quer não voltar.

Os defuntos que não desejam voltar verão muitas criaturas, machos e fêmeas, copulando. Se ele de repente sente-se atraído para tal ou qual casa, sente simpatia por algum desses casais e antipatia pelos outros, obviamente alí terá de retornar, regressar. O defunto que sentir, por exemplo, antipatia pelo elemento feminino de uma casal, seguramente nascerá ali com corpo masculino. Ao contrário, se sentir antipatia pelo elemento masculino do casal e atração pelo feminino, nascerá obviamente com um corpo feminino. Assim, pois, somos atraídos para lugares e lares, de acordo com a lei do karma. Se passamos para além da simpatia e da antipatia, se nos exercitamos na vida para isso, não entraremos no gérmen humano, não entraremos em nenhuma matriz.

Outro sistema para escapar de cair em alguma matriz é a meditação profunda, aprender a conseguir a quietude e o silêncio da mente, a conseguir a irrupção do vazio iluminador em nós e dentro de nós. Se conseguimos nos conservar no Vazio Iluminador, escapamos da atração de qualquer matriz, fechamos matrizes.

Durante a vida, os que aspiram se libertar, ainda que em estado elemental, sem auto-realização, devem ser instruídos com esse propósito. Precisarão lutar pela dissolução do Ego, do eu, do mim mesmo, do si Sesmo, andar pelo caminho reto, trilhar a senda da santificação, despertar a Consciência, aprender a viver consciente nos mundos superiores... Para se despertar a Consciência, há que se trabalhar aqui e agora.

Nós temos ensinado a ciência do despertar da Consciência. Está escrita em meus livros. Vocês já os leram, importa agora levá-la à prática. Quem conseguir escapar da atração do Vale do Samsara, poderá, depois da morte, renascer não com um corpo físico e sim, por exemplo, renascer em um paraíso, em algum reino superior. Pode ser no Reino do Buda Gautama Sakyamuni, no Reino do Maitreya, no dos cabelos longos ou no da suprema felicidade etc. Esse é o nascimento supranormal. Há também aqueles que renascem no inferno. Esse é o caso dos que concluíram seu ciclo de nascimentos e mortes. Porém, aqueles que aspiram a libertação devem nascer de forma supranormal em qualquer desses reinos dos mundos superiores. Ao nascer em qualquer um desses reinos, nos dedicaremos de cheio a trabalhar intensamente na eliminação dos elementos inumanos que levamos dentro de nós, com o propósito de fazer com que a Essência fique limpa, transparente como o cristal, sem aderências da poeira terrenal.

É óbvio que para alguém ter essa aspiração, deverá antes ter passado por uma prévia educação esotérica aqui no mundo físico. Está escrito que o que um Mestre faz em grande escala para chegar ao Adeptado, para se converter em um Dhyan-Chohan, em Kummara, em Mahatma, aquele que não aspira a auto-realização, que apenas deseja escapar deste Vale do Samsara, faz em miniatura. Está escrito
que o caminho se divide em quatro grandes etapas. Assim afirma a poderosa sabedoria oriental.

A primeira etapa pode ser chamada de discipulado ou chelado. A segunda é a do Iniciado, do indivíduo que se inicia. A terceira é a do Arhat ou homem perfeito e a quarta, a do Mahatma ou grande alma. Essas quatro escalas estão representadas em muitos templos e monumentos antigos. Podemos vê-las na Pirâmide do Sol, em Teotihuacan etc. Isso que o Mestre faz em grande escala, aquele que quer escapar da lei do Samsara, deste vale de lágrimas, o faz em miniatura. Se o Mestre pode se converter em um grande Buda, o
que escapou desta trágica lei, pode se converter em um Buda elemental.

Se existe o sistema solar no macrocosmos, também existe numa molécula, não é verdade? Pois, o que é uma molécula? Não é por acaso um sistema solar em miniatura? Assim, pois, o que o adepto consegue através da auto-realização, convertendo-se em um Cosmocrator, em um Dhyan-Chohan, em um Filho da Chama, em um Kummara, o devoto o consegue em miniatura, convertendo-se em um Buda Elemental depois de percorrer as quatro etapas de forma incipiente. Assim, pois, nesse estado de progressão, seguirá a essência depois de se libertar do pó da terra através das quatro etapas seguintes:

Uma delas poderíamos denominar a etapa de Nirmanakaya. Isso não quer dizer que por tal motivo essa Essência seja um nirmanakaya que renunciou ao Nirvana de forma consciente e positiva ou qualquer coisa ao estilo, apenas que viverá numa espécie de vazio iluminador semelhante ao do nirmanakaya e se desenvolverá nesse ambiente. A segunda, ainda que a possamos chamar de Sambhogakaya, um vazio muito mais iluminado, mais profundo, acompanhado de sabedoria, não quer dizer que terá corpo de Sambhogakaya porque nunca o fabricou. No entanto, passará por um estado análogo ou similar em seu regresso à Grande Realidade. Terceira: Adhikaya, uma inteligência iluminada pelo espírito. Não será a inteligência de um Logos nem de um Hermes Trismegisto ou de um Kumara, porém de um elemental inocente. Por fim, quarta, terá o prêmio que se dá aos Dharmakayas... E aquela Essência pura, unida à Mônada, submergirá para sempre no supremo Parabrahatman, isto é, no Grande Oceano do Espírito Universal de Vida, no puríssimo Alaya do Universo.

Não será um deus e sim uma chispa do Eterno, ficando livre da roda de nascimentos e mortes. Ainda que não tenha se auto-realizado, será uma centelha da divindade. Estará sem auto-realização, sem mestrado, porém será feliz . Isso é tudo!

Assim, pois, nem todos estão preparados para se meterem pelo caminho apertado, estreito e difícil que conduz à luz. Isto é algo em que devemos refletir. Os não preparados, aqueles que em sua consciência sentem que não são capazes, devem se dedicar à dissolução do eu e a despertar a Consciência, o que em última instância seria se resolver a trilhar a senda da santificação.

O último pensamento do moribundo é definitivo. Se esse moribundo não deseja voltar, se não quer voltar, pode escapar e não regressar sob a condição de que seu karma não seja tão ruim. Há gente que tem um karma tão duro, devido à sua perversidade, que naturalmente terá de voltar. O pior é que a maioria terá de baixar. Em vez de renascer, de retornar a este mundo, terá de nascer, de transferir sua existência, queira ou não queira, aos mundos infernais. Infelizmente, esses são a maioria.

Portanto, meus caros irmãos, nesta noite, véspera da Festa dos Mortos, temos de refletir bastante, temos de pôr a mão direita no coração e perguntar a nós mesmos: Quero realmente trilhar a senda do fio da navalha e trabalhar na Auto-Realização Íntima do Ser?

Se não me acho capaz, se esse não for o meu caminho, se meu desejo é partir para sempre, preciso tomar uma resolução, preciso começar a Despertar a Consciência, preciso trabalhar com os sistemas e ensinamentos que me foram dados de forma clara e positiva para conseguir o autodespertar e a dissolução do Ego. Estamos, pois, diante do seguinte dilema: ou seguimos a Senda do Fio da Navalha que nos levará à Auto-Realização Íntima do Ser ou não a seguimos. Se não estamos dispostos a segui-la, se não nos sentimos capazes, melhor será que nos decidamos a não mais voltar a este vale de lágrimas.

Somos nós mesmos que devemos escolher o caminho. Ninguém poderá escolher por nós.

* Conferêcia ditada pelo venerável mestre Samael Aun Weor perto do Dia dos Mortos, no México, dia festivo muito especial para o povo mexicano.

** Jehoshua, mais conhecido como Josué, o guia do povo hebreu, discípulo de Moisés.

 

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