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Chegou para nós e para todo o mundo uma festa
anual bastante importante e, claro, não podemos
passar esta data sem falar dela. Refiro-me de forma
clara à Festa dos Mortos, que teremos amanhã*.
É necessário, pois, que esclareçamos
alguma coisa sobre os mistérios da vida e da
morte.
Antes de tudo, meus caros irmãos, vocês
sabem muito bem que o caminho é bastante difícil.
Jesus Cristo falou-nos do caminho secreto quando disse:
"Estreita é a porta e apertado é
o Caminho que conduz à luz e são bem poucos
os que o acham”. Hermes Trismegisto, o três
vezes grande deus Íbis de Toth, viva encarnação
do deus Osíris, legou-nos a maravilhosa Ciência
da Alquimia. Na Idade Média, essa ciência
passou do mundo árabe para as terras da Europa.
Então, por todas as partes se despertou o entusiasmo
pela Arte Hermética.
Nessa doutrina de Hermes estão contidas, tanto
em essência como em potência, as chaves
máximas e o conhecimento puro que nos permite
percorrer o estreito caminho do qual nos falou Jeshua
ben Pandirah, Jesus Cristo.
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Bem sabemos que o Grande Cabir, em sua passada existência,
antes de cumprir a missão que desempenhou na Terra
Santa, foi Jehoshua**, filho de Nun. Indubitavelmente,
muitos são os chamados e poucos os escolhidos. Certamente,
pode-se contar nos dedos da mão aqueles que mantêm
a continuidade de propósitos até chegarem à
meta.
Felizmente, temos o corpo da doutrina, os princípios,
os fundamentos, que, devidamente estudados e vivenciados,
nos permitirão de fato e por direito próprio
percorrer a Senda do Fio da Navalha. Aqueles que nos trouxeram
a doutrina foram sempre grandes Avataras, cristalizações
Logóicas... Não é possível conceber
um mensageiro que venha do alto senão como uma emanação,
cristalização ou manifestação
do Logos em nosso mundo.
Tendo-se, pois, as bases, é necessário trabalhar.
Somente assim será possível chegar à
libertação final. Indubitavelmente, meus caros
irmãos, a espécie humana está submetida
à Lei do Eterno Retorno. Já repetimos muitas
vezes que cada ciclo de manifestação, cada ciclo
de existências, está constituído de 108
vidas. Nos são dadas sempre, nos são consignadas,
108 existências...
Se durante essas 108 vidas não nos auto-realizamos,
é óbvio que ficamos submetidos a essa outra
lei citada pelo grande avatara Krishna, que viveu na Índia
uns mil anos antes de Jesus, que é a Lei da Transmigração
das Almas, ou a metempsicose de Pitágoras. Aqueles
que não se auto-realizam durante as 108 vidas, indiscutivelmente
deverão involuir no reino mineral submerso até
atingirem a Nona Esfera. Ali tornam-se poeira cósmica,
isto é, passam pela Segunda Morte, da qual nos falou
o Grande Cabir Jesus com tanta sabedoria.
Depois da Segunda Morte, isto é, depois da morte de
todos os elementos inumanos que temos em nosso interior, a
Essência, a Alma ou princípio imortal, escapa
e volta para a superfície, para a luz do sol, a fim
de recomeçar a jornada, a fim de iniciar uma nova evolução.
Terá de começar indubitavelmente desde a pedra,
continuar no vegetal, prosseguir mais tarde pelo estado animal
até um dia reconquistar completamente o estado humano
ou humanóide que outrora perdeu.
Retornando outra vez ao estado humano ou humanóide,
nos são consignadas novamente 108 vidas. Se nos auto-realizamos
no novo cliclo, magnífico; se falhamos, é óbvio
que repetiremos todo o processo. Assim, meus caros irmãos,
cabe a todos nós nos auto-realizar ou seguir vagando
pelo Vale do Samsara presos a essa grande roda fatal que sempre
gira 3 mil vezes.
É óbvio que depois da última volta terminam
as oportunidades e aqueles que não conseguiram sua
auto-realização terão de submergir no
Espírito Universal de Vida sem o mestrado. Terão
a felicidade, porém sem o Adeptado. Alcançarão
a paz, porém não conseguirão a auto-realização.
Converter-se-ão em simples elementais do universo,
isso é tudo!
Não há dúvida, meus caros irmãos,
que as 3 mil voltas da Roda terminam sendo dolorosas. Aqueles
que estudaram a fundo a doutrina que se relaciona com a Auto-realização
Íntima do Ser chegaram à conclusão lógica
que nem todos os seres humanos são capazes de se auto-realizar.
Também é certo e de toda verdade que nem todas
as Mônadas, ou chispas divinas, emanadas do seio do
Espírito Universal de Vida, têm interesse pelo
mestrado. Quando alguma chispa virginal aspira de verdade
alcançar o Adeptado, trabalha sua Alma, sua Essência,
lutando para o conseguir. No mundo, vemos muita gente, milhões
de seres humanos, que não têm interesse algum
pela Auto-Realização Íntima do Ser.
Poderia se objetar que tais pessoas não conhecem a
Gnose, o corpo da doutrina. Isso é válido até
certo ponto porque, na realidade e de verdade, quando difundimos
o ensinamento por todas as partes, alguns atendem ao chamado
e outros permanecem indiferentes; infelizmente, são
a maioria. Portanto, nós conhecemos, sabemos, quando
há inquietude, anseios...
Quando alguém tem essa aspiração, indubitavelmente
está dirigido desde seus foros mais íntimos,
está sendo trabalhado em segredo, está em desassossego.
Porém, quem o trabalha? Sua própria chispa divina,
seu Real Ser, porque ela deseja alcançar o mestrado
por si mesma. Porém, repito, nem todas as chispas divinas
desejam o mestrado.
Ao chegar este Dia dos Mortos, é necessário
que reflitamos um pouco. A Grande Lei não abandona
aqueles que não desejam o mestrado nem aqueles que
lutam para conseguir e não o conseguem. O Onimisericordioso
vela por todas as criaturas e a ninguém abandona...
Nos tempos antigos, deu-se uma especial importância
aos mistérios dos funerais. No Egito, progrediu-se
muito com os embalsamamentos e com as mumificações.
Não há dúvida que as múmias do
Egito são maravilhosas. Ali também conseguiu-se
conservar os corpos vivos, não por hibernação
mas sim por uma espécie de mumificação;
corpos que puderam durar milhares de anos. Ainda há,
na terra dos faraós, sob o solo, sob as pirâmides
ou em lugares preservados e secretos, corpos vivos de Mestres
com mais de três, quatro e até dez mil anos.
Em seu tempo, esses Mestres ingressarão em seus corpos
físicos, que dormem sob a terra, para surgirem novamente
à luz do sol e iniciarem no mundo uma nova Era Netuniano-Amentina,
tal como está escrito no Livro dos Mortos
do antigo Egito.
Indo ao fundo dessa questão, tanto os egípcios
como os tibetanos, os astecas ou os maias ensinaram que é
possível a libertação depois da morte
para não voltar mais a este aflito mundo. Aqueles que
assim procedem, obviamente o farão sem auto-realização.
Porém, como são poucos os que conseguem se auto-realizar,
sempre é preferível escapar do doloroso Vale
do Samsara. Não se está obrigado, nem é
indispensável aguardar as 3 mil voltas da Roda do Samsara.
Aqueles que desejam a libertação podem atingi-la
mesmo que não consigam o Adeptado.
Nem todos os seres humanos nasceram para ser Adeptos ou Mahatmas
ou ainda Logói. Sempre há uma porta de escape
para os que não se sintam capazes de realizar a Grande
Obra. Obviamente, se depois do ciclo de mil voltas temos de
voltar ao seio do Espírito Universal de Vida sem auto-realização
nenhuma, isto, claro, no caso de que não tenhamos trabalhado
realmente, pois seria preferível nos libertar o quanto
antes dessa roda fatal. Assim, evitaríamos a descida
aos mundos infernais depois de cada ciclo de manifestação
e os sofrimentos deste doloroso vale de lágrimas.
Há, portanto, duas formas de nos emanciparmos
deste Vale do Samsara, duas maneiras de nos evadirmos
dele. Uma como Auto-Realizados, convertidos em Mahatmas
ou Logói. A outra, como simples elementais, sem
auto-realização íntima. Cada um
deve refletir e escolher o caminho por si mesmo. Ao
escolhê-lo, precisamos ser sérios porque
uma vez dado um passo no caminho secreto, não
mais será possível voltar atrás.
Por isso, nos mistérios tibetanos, quando alguém
estava para receber a Iniciação, os sacerdotes
faziam soar suas trombetas, formadas de ossos de defuntos,
ao mesmo tempo em que advertiam o neófito: “Detém-te,
caminhante. Não tenta seguir pelo caminho que
está além deste umbral. Lembra-te que
o Caminho da Iniciação está cheio
de lágrimas, dores e sofrimentos. Tu podes ser
feliz com a religião que te ensinaram e viver
nos paraísos da natureza, na terra dos devas,
dos deuses santos... Por que insistes em entrar pelo
caminho secreto?" Se o neófito apesar de
tudo dissesse: “Nada pode me deter. Percorrerei
a senda do Fio da Navalha. Eu vou pelo sendeiro da Auto-Realização
Íntima. Nada poderá me desviar “,
obviamente recebia a Iniciação.
Mas, se fraquejasse, teria de buscar forçosamente
a emancipação comum pelo entendimento,
aquele tipo de libertação sem auto-realização.
Nunca poderia ser um Sol, teria de se contentar em ser
uma estrela. |
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O caminho da emancipação pela compreensão
não nos converte em Deuses, unicamente permite que
escapemos como elementais para viver no oceano do Espírito
Universal de Vida de forma definitiva. Não se está
obrigado a completar o ciclo de 3 mil voltas da Roda do Samsara.
Aqueles que já não querem mais viver, aqueles
que estão desencantados da vida, aqueles que já
beberam no cálice de todas as amarguras e que de modo
algum se sintam suficientemente preparados para trilhar a
senda que os haverá de converter em deuses, além
do bem e do mal, podem trilhar a senda do menor esforço,
aquela que tão somente os converterá em elementais,
em pequenos budas elementais. Essa senda permite
que regressemos ao seio da Grande Realidade para sempre.
Obviamente, quem não pôde se auto-realizar e
tendo terminado seu ciclo de manifestação, deverá
descer às entranhas do Abismo e sofrer muito até
chegar à Segunda Morte. Depois da mesma, vem a emancipação
da essência elemental, a qual inicia um novo ciclo evolutivo.
Naturalmente, é isso que temos de fazer ou, isso que
a natureza irá fazer por nós nas entranhas da
terra, é o que devemos fazer aqui e agora, evitando
a descida às entranhas do abismo. A natureza irá
desintegrar o Ego, o mim mesmo, o si mesmo... Mas o podemos
fazer antes, sem ser necessário ter de afundar nesses
espantosos abismos do reino mineral submerso. Se temos de
ficar convertidos em elementais depois da Segunda Morte, melhor
é ficar convertidos em elementais aqui e agora sem
passar por essa amargura.
Assim, pois, há misericórdia! O Eterno Pai
Cósmico Comum, o Onimisericordioso, jamais abandona
ninguém.
Há mistérios extraordinários na morte.
Quem quiser se emancipar realmente e não voltar jamais,
deve começar a conhecer a doutrina. Faz-se indispensável
dissolver o Ego, o eu, o mim mesmo... Não se poderia
exigir de uma criatura humana que eliminasse e Ego de forma
perfeita e radical, aqui e agora, se não estivesse
preparada. Porém, qualquer criatura pode eliminar o
Ego se para isso se propõe, se quiser se emancipar,
ainda que seja em parte, o resto do trabalho continuaria depois
da morte.
Porém, e aqui vem o porém, se estivermos com
a consciência adormecida, de qualquer forma teríamos
de regressar. O que fazer então para não voltar
a este vale de lágrimas? Despertar a Consciência!
Quando temos de despertá-la, agora ou depois da morte?
É claro que aqui mesmo é que devemos trabalhar
para despertar a consciência. Existe alguma ciência
que nos permita despertar a consciência? Sim, existe
e a temos ensinado e continuaremos e ensiná-la através
de nossas diversas conferências. Quem desperta, pode
escolher o caminho. Quem desperta, depois da morte poderá
trabalhar e se não quiser voltar, não voltará.
Porém, como poderia um adormecido evitar o regresso,
o retorno a este vale de amarguras? Impossível, não
é verdade? Antes necessitamos despertar... Despertos
sim, depois da morte poderemos trabalhar. É óbvio
que aquele defunto que não quer mais voltar será
submetido a provas. Em primeiro lugar, depois da morte, passa-se
por um desvanecimento de três dias; uma espécie
de desmaio. Depois desses três dias, ele sente-se reconfortado,
reanimado.
Se está alerta e vigilante, se verdadeiramente não
está com a consciência adormecida, se verdadeiramente
o deseja, poderá evitar o retorno a este vale de amarguras.
Porém, repito, se não deseja voltar, será
provado. A Mãe Divina, o Pai que está em segredo
ou o Pai-Mãe em sua totalidade, já que cada
um tem seu Pai que está em segredo e sua Divina Mãe
Kundalini, o submeterão à prova. Assumirão
diante dele, em um dado momento, por exemplo, uma aparência
terrível, sobre-humana, com o propósito de testar
o defunto. Se ele permanecer firme como o aço, é
claro que sairá vitorioso.
Mas essa não é a única prova, existem
muitas outras. O defunto que não quiser voltar não
deve se deixar atrair pelos familiares, o apego aos irmãos,
às irmãs, filhos, filhas, etc. Se é atraído
pelos seres queridos que deixou no mundo, prejudica a si mesmo.
É claro que retornará, se reincorporará
novamente. Se alguém não quiser voltar, terá
de perder todo apego, depois da morte, àqueles que
deixou neste vale de lágrimas. Depois que alguém
deixou o corpo, a natureza tem múltiplos meios e sistemas
para fazê-lo regressar ou reincorporar, os quais devemos
compreender. Antes de tudo, não será demais
que todos saibam que depois da morte temos de revisar a vida
que acabamos de viver.
Começaremos pelo último instante, aquele que
precedeu a nossa agonia. Tornaremos a viver na mesma casa
onde morremos, a percorrer as mesmas ruas por onde outrora
caminhamos, etc. Em uma palavra, queremos refazer nossos passos
e os iremos recolhendo conforme formos revivendo as diferentes
idades da existência que acaba de passar. É claro
que este retrospecto não é meramente intelectual.
Temos de vivenciar, depois da morte, todos os acontecimentos,
todos os fatos, todas as ocorrências, da vida que passou.
Conforme se vai revivendo, se vai assumindo também
a aparência que se teve em cada uma das idades correspondentes.
Se alguém morreu ancião, se verá velho.
Depois irá se convertendo no sujeito maduro que foi,
em seguida no jovem, no adolescente e por fim na criança
que foi. Reviverá assim toda a sua existência
com o propósito de ajustar contas, de fazer um balanço
de suas boas e más obras.
Quero que todos saibam que o Ser, meus caros irmãos,
está formado de diversas partes. Em nós existe,
por exemplo, dentro de nós mesmos, no Ser ou uma parte
do Ser que poderíamos chamar o anjo bom. Também
existe algo que poderíamos denominar o anjo mau, não
que seja mau, mas se encarrega de fazer de conta; ele anota
todos os nossos erros pessoais. O anjo bom preocupa-se em
anotar as boas ações. No entanto, não
é que o anjo mau e o anjo bom sejam pessoas estranhas,
não. Eles são parte de nosso próprio
Espírito individual, de nosso próprio Ser íntimo.
Depois da morte, o gênio do bem, por exemplo, contará
com pedrinhas a quantidade de boas obras que tenhamos feito.
Veremos também ao geniozinho do mal, que não
é que seja mal, mas que simplesmente anota nossos erros,
uma vez que é outra parte de nosso Ser, contando também
com pedrinhas negras as nossas más ações.
Contudo, tal conta só se realiza depois de termos revivido
a vida que passou, depois de tê-la revivido de forma
interna e retrospectiva.
Assim, pois, toda a vida que se passou vem a ficar reduzida
a números e a somas de boas e más ações.
Obviamente, terminado o retrospecto, depois que o nosso próprio
Ser fez o balanço, o inventário de nossas boas
e más ações, os Senhores do Karma se
encarregam de fazer justiça e determinam a existência
que nos tocará no futuro. Porém, se não
desejamos voltar, se para isso nos preparamos durante toda
a vida, se estamos despertos para nos defender, podemos pedir
a nossa Mãe Kundalini o perdão de nosso erros.
Podemos nos concentrar em outra parte de nosso Ser, que se
chama o Grande Misericordioso e obteremos ajuda; haverá
piedade. Mas, se o karma for demasiado ruim, se em vida fomos
exageradamente perversos, teremos de entrar na involução
submersa dos mundos infernais; não haverá remédio...
Ou pelo menos iremos nos reincorporar contra nossa vontade.
Se o karma não for tão ruim, se houver mais
boas ações do que más, se em vida nos
preocupamos com a dissolução do eu, do mim mesmo,
se fomos caridosos etc., teremos o direito de nos defender,
teremos capital cósmico a nosso favor. No entanto,
será necessário que não nos deixemos
atrair pelas matrizes humanas. O Espírito humano pode
atravessar uma montanha de lado a lado, nada o detém.
A única coisa que o pode deter é uma matriz;
eis aqui o problema. Uivará o vento do karma, um furacão
frio chegará até o defunto, múltiplas
aparições de seres terríveis tentarão
amedrontá-lo, porém se permanecer firme no desejo
de não voltar, poderá triunfar. Mas, se ainda
temer o perigo de cair em alguma matriz, terá de aprender
a fechar matrizes; nos mundos internos há muitos sistemas.
De repente, o defunto sente que está chovendo, há
trovões e relâmpagos, caem raios, há muita
chuva; é a lei do karma buscando a maneira de juntá-lo
a uma matriz. Se ele permanece sereno, impassível,
fecha a matriz. O inexperiente tentará se esconder
em alguma caverna tratando de se livrar da tempestade. Quando
tente se afastar, sentir-se-á como que ligado a essa
caverna. Sim, ficou ligado a uma matriz, a um útero;
essa caverna era um útero. De forma que é necessário
aprender a fechar matrizes, se é que se quer não
voltar.
Os defuntos que não desejam voltar verão muitas
criaturas, machos e fêmeas, copulando. Se ele de repente
sente-se atraído para tal ou qual casa, sente simpatia
por algum desses casais e antipatia pelos outros, obviamente
alí terá de retornar, regressar. O defunto que
sentir, por exemplo, antipatia pelo elemento feminino de uma
casal, seguramente nascerá ali com corpo masculino.
Ao contrário, se sentir antipatia pelo elemento masculino
do casal e atração pelo feminino, nascerá
obviamente com um corpo feminino. Assim, pois, somos atraídos
para lugares e lares, de acordo com a lei do karma. Se passamos
para além da simpatia e da antipatia, se nos exercitamos
na vida para isso, não entraremos no gérmen
humano, não entraremos em nenhuma matriz.
Outro sistema para escapar de cair em alguma matriz é
a meditação profunda, aprender a conseguir a
quietude e o silêncio da mente, a conseguir a irrupção
do vazio iluminador em nós e dentro de nós.
Se conseguimos nos conservar no Vazio Iluminador, escapamos
da atração de qualquer matriz, fechamos matrizes.
Durante a vida, os que aspiram se libertar, ainda que em
estado elemental, sem auto-realização, devem
ser instruídos com esse propósito. Precisarão
lutar pela dissolução do Ego, do eu, do mim
mesmo, do si Sesmo, andar pelo caminho reto, trilhar a senda
da santificação, despertar a Consciência,
aprender a viver consciente nos mundos superiores... Para
se despertar a Consciência, há que se trabalhar
aqui e agora.
Nós temos ensinado a ciência do despertar da
Consciência. Está escrita em meus livros. Vocês
já os leram, importa agora levá-la à
prática. Quem conseguir escapar da atração
do Vale do Samsara, poderá, depois da morte, renascer
não com um corpo físico e sim, por exemplo,
renascer em um paraíso, em algum reino superior. Pode
ser no Reino do Buda Gautama Sakyamuni, no Reino do Maitreya,
no dos cabelos longos ou no da suprema felicidade etc. Esse
é o nascimento supranormal. Há também
aqueles que renascem no inferno. Esse é o caso dos
que concluíram seu ciclo de nascimentos e mortes. Porém,
aqueles que aspiram a libertação devem nascer
de forma supranormal em qualquer desses reinos dos mundos
superiores. Ao nascer em qualquer um desses reinos, nos dedicaremos
de cheio a trabalhar intensamente na eliminação
dos elementos inumanos que levamos dentro de nós, com
o propósito de fazer com que a Essência fique
limpa, transparente como o cristal, sem aderências da
poeira terrenal.
É óbvio que para alguém ter essa aspiração,
deverá antes ter passado por uma prévia educação
esotérica aqui no mundo físico. Está
escrito que o que um Mestre faz em grande escala para chegar
ao Adeptado, para se converter em um Dhyan-Chohan, em Kummara,
em Mahatma, aquele que não aspira a auto-realização,
que apenas deseja escapar deste Vale do Samsara, faz em miniatura.
Está escrito
que o caminho se divide em quatro grandes etapas. Assim afirma
a poderosa sabedoria oriental.
A primeira etapa pode ser chamada de discipulado ou chelado.
A segunda é a do Iniciado, do indivíduo que
se inicia. A terceira é a do Arhat ou homem perfeito
e a quarta, a do Mahatma ou grande alma. Essas quatro escalas
estão representadas em muitos templos e monumentos
antigos. Podemos vê-las na Pirâmide do Sol, em
Teotihuacan etc. Isso que o Mestre faz em grande escala, aquele
que quer escapar da lei do Samsara, deste vale de lágrimas,
o faz em miniatura. Se o Mestre pode se converter em um grande
Buda, o
que escapou desta trágica lei, pode se converter em
um Buda elemental.
Se existe o sistema solar no macrocosmos, também existe
numa molécula, não é verdade? Pois, o
que é uma molécula? Não é por
acaso um sistema solar em miniatura? Assim, pois, o que o
adepto consegue através da auto-realização,
convertendo-se em um Cosmocrator, em um Dhyan-Chohan,
em um Filho da Chama, em um Kummara, o devoto o consegue em
miniatura, convertendo-se em um Buda Elemental depois de percorrer
as quatro etapas de forma incipiente. Assim, pois, nesse estado
de progressão, seguirá a essência depois
de se libertar do pó da terra através das quatro
etapas seguintes:
Uma delas poderíamos denominar a etapa de Nirmanakaya.
Isso não quer dizer que por tal motivo essa Essência
seja um nirmanakaya que renunciou ao Nirvana de forma consciente
e positiva ou qualquer coisa ao estilo, apenas que viverá
numa espécie de vazio iluminador semelhante ao do nirmanakaya
e se desenvolverá nesse ambiente. A segunda, ainda
que a possamos chamar de Sambhogakaya, um vazio muito mais
iluminado, mais profundo, acompanhado de sabedoria, não
quer dizer que terá corpo de Sambhogakaya porque nunca
o fabricou. No entanto, passará por um estado análogo
ou similar em seu regresso à Grande Realidade. Terceira:
Adhikaya, uma inteligência iluminada pelo espírito.
Não será a inteligência de um Logos nem
de um Hermes Trismegisto ou de um Kumara, porém de
um elemental inocente. Por fim, quarta, terá o prêmio
que se dá aos Dharmakayas... E aquela Essência
pura, unida à Mônada, submergirá para
sempre no supremo Parabrahatman, isto é, no Grande
Oceano do Espírito Universal de Vida, no puríssimo
Alaya do Universo.
Não será um deus e sim uma chispa do Eterno,
ficando livre da roda de nascimentos e mortes. Ainda que não
tenha se auto-realizado, será uma centelha da divindade.
Estará sem auto-realização, sem mestrado,
porém será feliz . Isso é tudo!
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Assim, pois, nem todos estão preparados para
se meterem pelo caminho apertado, estreito e difícil
que conduz à luz. Isto é algo em que devemos
refletir. Os não preparados, aqueles que em sua
consciência sentem que não são capazes,
devem se dedicar à dissolução do
eu e a despertar a Consciência, o que em última
instância seria se resolver a trilhar a senda
da santificação.
O último pensamento do moribundo é definitivo.
Se esse moribundo não deseja voltar, se não
quer voltar, pode escapar e não regressar sob
a condição de que seu karma não
seja tão ruim. Há gente que tem um karma
tão duro, devido à sua perversidade, que
naturalmente terá de voltar. O pior é
que a maioria terá de baixar. Em vez de renascer,
de retornar a este mundo, terá de nascer, de
transferir sua existência, queira ou não
queira, aos mundos infernais. Infelizmente, esses são
a maioria.
Portanto, meus caros irmãos, nesta noite, véspera
da Festa dos Mortos, temos de refletir bastante, temos
de pôr a mão direita no coração
e perguntar a nós mesmos: Quero realmente
trilhar a senda do fio da navalha e trabalhar na Auto-Realização
Íntima do Ser?
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Se não me acho capaz, se esse não for o meu
caminho, se meu desejo é partir para sempre, preciso
tomar uma resolução, preciso começar
a Despertar a Consciência, preciso trabalhar com os
sistemas e ensinamentos que me foram dados de forma clara
e positiva para conseguir o autodespertar e a dissolução
do Ego. Estamos, pois, diante do seguinte dilema: ou seguimos
a Senda do Fio da Navalha que nos levará à Auto-Realização
Íntima do Ser ou não a seguimos. Se não
estamos dispostos a segui-la, se não nos sentimos capazes,
melhor será que nos decidamos a não mais voltar
a este vale de lágrimas.
Somos nós mesmos que devemos escolher o caminho. Ninguém
poderá escolher por nós.
* Conferêcia ditada pelo venerável
mestre Samael Aun Weor perto do Dia dos Mortos, no México,
dia festivo muito especial para o povo mexicano.
** Jehoshua, mais conhecido como Josué, o guia
do povo hebreu, discípulo de Moisés.
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