| “Senhor
ajuda-nos a transitar das trevas para a luz, da mentira para
a verdade, e da morte para a imortalidade.”
(Upanishads)
Devemos
lembrar que o ser humano passa cerca de um terço de
sua vida dormindo, com seu corpo físico relaxado e
sua consciência, adormecida ou não, fora desse
corpo físico. O que fazemos no mundo astral? Aproveitamos
esse terço de nossa vida de maneira útil, proveitosa?
Os Mundos Internos têm uma linguagem, que é a
linguagem dos símbolos. É importante o estudante
gnóstico-esoterista conhecer a linguagem dos sonhos.
Dentro
da Psicologia do 4º Caminho, onde se enfatiza a necessidade
do Despertar da Consciência em todos os momentos da
vida, afirma-se que o homem pode viver em 4 estados de consciência,
os grupos humanos dividem-se em quatro níveis de consciência:
sono, consciência de vigília, consciência
de si e a consciência objetiva.
O sono
é um estado puramente subjetivo e passivo. O homem
está rodeado de sonhos. Todas as suas funções
psíquicas trabalham sem direção alguma.
Não há lógica, não há continuidade,
não há causa e/ou resultados nos sonhos. Imagens
totalmente subjetivas, ecos de experiências passadas
durante o dia, ecos de vagas percepções do momento,
ruídos que chegam ao adormecido, sensações
corporais, tais como ligeiras dores, sensação
de tensão muscular, atravessam o espírito sem
deixar mais que um tênue vestígio na memória,
e quase sempre sem deixar sinal algum. Os valores dormem.
Tudo está em latência. São os homens fisiológicos,
boca abaixo: comer, beber, dormir, copular sem aspirações,
no entanto, o Divino nele Dorme... No entanto, mesmo assim
algo se aproveita. Forças Sutis do Universo tentam
nos ajudar nos momentos em que descansamos o corpo físico
na cama. Essa ajuda se dá, normalmente, por meio daquilo
que chamamos Símbolos Oníricos.
Por meio
dessa "língua onírica", astral, podemos
receber uma vasta quantidade de informações,
de sabedorias, de mensagens vitais para nosso crescimento
interno. A disciplina da Yoga Gnóstica dos Sonhos é
importantíssima, fundamental mesmo, para nos auxiliar
no Despertar deste estado lamentável de letargia, sono,
desatenção, falta de entusiasmo pela vida, falta
de vontade etc., que estamos experimentando ao longo de nossa
vida, ao longo de nossas vidas. O texto a seguir foi tirado
do livro A Doutrina Secreta de Anáhuac, do
Mestre Samael Aun Weor (capítulos 16 a 21) e serve
como um bom fundamento para nossa Iniciação
à Yoga dos Sonhos. Boa leitura e ótimas práticas.
OS
SONHOS
A Gnose ensina que existem muitas espécies diferentes
de sonhos que a moderna Psicologia decadente do Hemisfério
Ocidental ignora radicalmente. É evidente que os sonhos
são de qualidade diversa específica devido ao
fato concreto de estarem relacionados diretamente com cada
um dos Centros Psíquicos do corpo humano. Com o rigor
da verdade e sem exagero algum podemos afirmar que a maioria
dos sonhos encontra-se vinculada ao Centro Instintivo-Motor,
quer dizer, são o eco de coisas vistas durante o dia,
de sensações e movimentos, mera repetição
astral daquilo que vivemos diariamente. Mesmo assim, algumas
experiências de tipo emocional, tais como o medo –
que tanto dano faz à humanidade – ocorrem nos
sonhos caóticos do Centro Instintivo-Motor.
Existem,
pois, sonhos emocionais, sexuais, intelectuais, motores e
instintivos, e outros. Os sonhos mais importantes, as vivências
íntimas do Ser, acham-se associados aos dois Centros:
o Emocional Superior e o Mental Superior. São certamente
interessantes os sonhos relacionados com os dois centros superiores;
caracterizam-se sempre pelo que poderia denominar de uma formulação
dramática.
Ora, se
pensarmos no Raio da Criação e nos centros superiores
e inferiores, e nas influências que descem pelo citado
Raio Cósmico, devemos admitir que elas se apresentam
a nós como vibrações luminosas que procuram
nos curar, que tratam de nos informar sobre o estado em que
nos encontramos etc.
É
proveitoso receber Mensagens e estar em contato com os Adeptos
astecas, maias, toltecas, egípcios, gregos e outros.
É também maravilhoso conversar intimamente com
as diversas Partes mais elevadas de nosso Ser. Os Centros
Superiores estão plenamente desenvolvidos em nós
e nos transmitem Mensagens que devemos aprender adaptar conscientemente.
Para aquelas
pessoas muito seletas que tiveram momentos de recordação
de Si mesmas na vida, que tiveram instantes em que viram uma
coisa banal ou uma pessoa comum de um modo completamente novo,
não constituirá surpresa se eu lhes disser,
neste capítulo, que esses momentos têm a mesma
qualidade ou sabor íntimo que esses raros e estranhos
sonhos relacionados com os dois Centros, Emocional e Mental
Superiores.
Não
há dúvida que o significado desses sonhos transcendentais
pertence à mesma ordem da realização
em si do Raio da Criação e, em particular, da
Oitava Lateral do Sol. Quando começamos a
nos dar conta da profunda significação dessa
classe específica de sonhos, é sinal de que
certas forças lutam para nos despertar, sanar ou curar.
Cada um
de nós é um ponto matemático no espaço,
que serve de veículo a determinadas adições
de "Valores" (bons ou maus). A Morte é um
resto de quebrados; terminada a operação matemática,
a única coisa que fica são os "Valores"
(brancos ou negros). De acordo com a Lei do Eterno Retorno,
é claro que os "Valores" retornam, reincorporam-se.
Se um homem começar a ocupar-se mais conscientemente
do pequeno Ciclo de Acontecimentos Recorrentes de sua Vida
Pessoal, poderá então verificar por si mesmo,
mediante a experiência Mística direta, que no
sonho diário sempre se repete a mesma operação
matemática da morte. Na ausência do Corpo Físico,
durante o sonho normal, os "Valores" submersos na
Luz Astral atraem-se e repelem-se de acordo com as Leis da
Atração Universal. A volta ao estado de Vigília
implica, de fato e por direito próprio, o "Retorno"
dos "Valores" ao interior do Corpo Físico.
Uma das
coisas mais extraordinárias é que as pessoas
pensam que estão em relação somente com
o Mundo externo. A Gnose nos ensina que estamos em relação
com o mundo interior, invisível para os sentidos físicos
comuns, mas visível para a clarividência. O Mundo
Interior Invisível é muito mais extenso e contém
muito mais coisas interessantes que o Mundo Exterior, para
o qual estamos sempre olhando através das janelas dos
cinco sentidos.
Muitos
sonhos referem-se ao lugar onde estamos no Mundo Interior
Invisível, de onde surgem as diversas circunstâncias
da vida. A linguagem dos sonhos é exatamente comparável
à linguagem das parábolas. Aqueles que interpretam
tudo literalmente pensam que o Semeador do Evangelho cristão
saiu a semear e que as sementes caíram em pedregais
etc., mas não entendem o sentido dessa parábola,
porque este, em si mesmo, pertence à linguagem simbólica
do Centro Emocional Superior.
Convém
lembrar que todo sonho, por absurdo ou incoerente que seja,
tem algum significado, pois nos indica não só
o Centro Psíquico a que está associado, como
também o estado Psicológico de tal Centro. Muitos
Penitentes que se presumiam Castos, quando foram submetidos
a provas nos Mundos Internos, falharam no Centro Sexual e
caíram em Poluções Noturnas. No Adepto
Perfeito, os Cinco Centros Psíquicos: Intelectual,
Emocional, Motor, Instintivo e Sexual, funcionam em plena
harmonia com o infinito.
Quais
são as funções mentais durante o sonho?
Que emoções nos agitam e nos comovem? Quais
são nossas atividades fora do Corpo Físico?
Que sensações instintivas predominam? Temos
tomado nota dos estados sexuais durante o sonho? Devemos ser
sinceros conosco mesmo. Com justa razão, disse Platão:
"Conhece-se o homem pelos seus sonhos". A questão
do funcionamento equivocado dos Centros é um Tema que
requer um estudo de toda a vida, através da observação
do si mesmo em ação e do exame rigoroso dos
sonhos.
Não
é possível chegar à compreensão
dos Centros e de seu trabalho correto e equivocado em um instante;
precisamos de infinita, paciência. Toda a vida se desenvolve
em função dos Centros e por estes é controlada.
Nossos pensamentos, sentimentos, idéias, esperanças,
temores, amores, ódios, ações, sensações,
prazeres, satisfações, frustrações
etc., encontram-se nos Centros.
A descoberta
de algum elemento inumano em qualquer dos Centros deve ser
motivo mais do que suficiente para o trabalho esotérico.
Todo defeito psicológico deve ser previamente compreendido
mediante a técnica da meditação, antes
de proceder à sua eliminação. Extirpar,
erradicar, eliminar qualquer elemento indesejável somente
é possível com a invocação da
ajuda de Tonantzin (a Divina Mãe Kundalini), uma Variante
de nosso próprio Ser, o Fohat particular de cada um
de nós. Assim é que vamos morrendo de instante
a instante; só com a morte advém o novo.
Da escala
dos seres e das coisas chegam-nos sem dúvida influências
de toda classe. Se compreendermos o Raio da Criação,
saberemos também que em todo instante da vida nos chegam
influências e que estas são de diferentes qualidades.
É preciso lembrar sempre que há influências
superiores que atuam sobre nós e que são registradas
por nosso aparelho psíquico, mas se estivermos apegados
a nossos sentidos e não dermos plena atenção
à nossa vida interior, então tampouco conseguiremos
perceber essas influências.
DISCIPLINA
DA YOGA DO SONHO
Os aspirantes que sinceramente anelam a experiência
mística direta devem certamente começar pela
disciplina da "Yoga do Sonho". É claro que
o Gnóstico deve ser exigente consigo mesmo e aprender
a criar condições favoráveis para a lembrança
e compreensão de todas essas experiências místicas
que acontecem sempre durante o sonho.
Antes
de nos deitarmos para o descanso dos esforços e fadigas
do viver diário, convém dar a devida atenção
ao estado em que nos encontramos. Os devotos que, devido às
circunstâncias, levam vida sedentária, realmente
nada perdem e muito ganharão se antes de se deitarem
derem um breve passeio a passos rápidos e no ar fresco.
Esse passeio relaxará seus músculos. Entretanto,
convém esclarecer que jamais devemos abusar dos exercícios
físicos; precisamos viver harmoniosamente. A ceia,
o jantar, o lanche ou a refeição final do dia
deve ser leve, sem alimentos pesados ou estimulantes, evitando-se,
cuidadosamente, a ingestão de comidas que possam nos
tirar o sono.
A forma
mais elevada de pensar é não pensar; quando
a mente está tranqüila e em silêncio, livre
das preocupações do dia e das ansiedades mundanas,
encontra-se então em um estado cem por cento favorável
para a prática da Yoga do Sonho. Quando o Centro Emocional
Superior trabalha realmente, acaba, ainda que só por
breve tempo, o processo de pensar. É evidente que o
referido Centro entra em atividade com a Embriaguez Dionisíaca.
Esse arrebatamento é possível ao se escutar
com infinita devoção as sinfonias arrebatadoras
de Wagner, Mozart, Chopin e outros.
A música
de Beethoven, mui especialmente, é extraordinária
para fazer vibrar intensamente o Centro Emocional Superior.
O Gnóstico sincero nela encontra um imenso campo de
exploração mística, porque não
é música de formas mas idéias arquetípicas
inefáveis; cada nota tem seu significado; cada pausa,
uma emoção. Beethoven, ao sentir tão
cruelmente os rigores e provas da "Noite Espiritual",
em vez de fracassar como muitos aspirantes, foi abrindo os
olhos de sua intuição ao Supernaturalismo misterioso,
à parte espiritual da Natureza, a essa região
onde vivem os Reis Angélicos desta grande Criação
Universal: Tlaloc, Ehecatl, Huehueteotl e outros. Vede o "Músico-Filósofo"
ao longo de sua vida exemplar. Sobre sua mesa de trabalho
tem constantemente à vista sua Divina Mãe Kundalini,
a inefável Neith, a Tonantzin de Anahuac, a Suprema
Ísis egípcia. Disseram-nos que esse Grande Mestre
havia colocado aos pés daquela imagem adorável
uma inscrição redigida pelo próprio punho,
e que reza misteriosa: "Eu Sou a que foi, é e
será, e nenhum mortal levantou meu véu".
O
progresso íntimo revolucionário torna-se impossível
sem o auxílio imediato de nossa Divina Mãe Tonantzin.
Todo filho agradecido deve amar sua Mãe; Beethoven
amava a sua profundamente.
Fora do
Corpo Físico, nas horas de sonho, a alma pode conversar
com sua Divina Mãe; mas é evidente que devemos
começar com a disciplina da Yoga do Sonho. Precisamos
prestar atenção no quarto onde vamos dormir;
a decoração deve ser agradável; as cores
mais desejáveis para os fins que se perseguem –
a despeito do que outros autores aconselham – são
precisamente as três primárias: azul, amarelo,
vermelho.
As três cores primárias correspondem sempre às
três Forças Primárias da Natureza (o Santo
Triamatzikamno), isto é, o Santo afirmar,
o Santo negar e o Santo conciliar. É bom lembrar que
as três formas originais desta grande Criação
cristalizam-se sempre de forma positiva, negativa e neutra.
A causa causarum do Santo Triamatzikamno encontra-se oculta
no elemento ativo Okidanock; este, em si mesmo, é
tão-somente a emanação do Sagrado Absoluto
Solar. É óbvio que a repulsa às três
cores primárias, depois da exposição
de todas essas razões, equivale, por simples dedução
lógica, a cair em um despropósito, em um desatino.
A Yoga
do Sonho é extraordinária, maravilhosa, formidável;
todavia, é muito exigente. O quarto deve estar sempre
bem perfumado e arejado, mas não se deve deixar nele
penetrar o sereno frio da noite. O Gnóstico, depois
de uma revisão detalhada de si mesmo e do quarto em
que irá dormir, deve examinar sua cama. Se observamos
qualquer bússola, podemos verificar por nós
mesmos que a agulha aponta para o Norte. É claro que
podemos aproveitar conscientemente essa corrente magnética
do mundo, que flui sempre de Sul a Norte. Orientemos a cama
de forma tal que a cabeceira fique sempre voltada para o Norte;
assim, poderemos usar inteligentemente a corrente magnética
indicada pela agulha. O colchão não deve ser
nem muito duro nem muito mole; quer dizer, deve ter uma flexibilidade
tal que não afete de modo algum os processos psíquicos
de quem dorme. Os chiados das molas ou uma cabeceira que range
ao menor movimento do corpo constituem um sério obstáculo
para essas práticas. Coloca-se
sob o travesseiro um caderno ou um bloco de anotações
e um lápis para que possam ser facilmente encontrados
no escuro. As roupas de cama devem ser frescas e muito limpas,
e deve-se perfumar a fronha com a fragrância preferida.
| Depois
de cumprir todos esses requisitos, o asceta Gnóstico
dará o segundo passo desta disciplina esotérica.
Deitará, e tendo apagado a luz, pôr-se-á
em decúbito dorsal (de barriga para cima), com
os olhos fechados e as mãos sobre o plexo solar.
Ficará completamente quieto durante alguns instantes
e, depois de estar relaxado totalmente, tanto no físico
como no mental, concentrar-se-á em Morfeu,
o Deus do Sono e dos Sonhos. E inquestionável
que cada uma das partes isoladas do nosso Ser Real exerce
determinadas funções, e é justamente
Morfeu (não confunda com Orfeu) o encarregado de
nos educar nos Mistérios do Sonho. Seria algo mais
do que impossível traçar um esquema do Ser;
mas, todas as partes espiritualizadas, isoladas, de nossa
presença comum, desejam a perfeição
absoluta de suas funções. Quando nos concentramos
em Morfeu, este se regozija pela excelente oportunidade
que lhe oferecemos. É indispensável ter
Fé e saber suplicar; devemos pedir a Morfeu que
nos instrua e nos desperte nos Mundos Suprassensíveis. |
 |
Neste
momento, começa a apoderar-se do Gnóstico esoterista
uma sonolência bastante especial, e ele então
adota a Postura do Leão: "Deitado sobre
seu lado direito, com a cabeça dirigida para o Norte,
puxa as pernas para cima lentamente até que os joelhos
fiquem dobrados. Nessa posição, a perna esquerda
apóia-se sobre a direita; a seguir, coloca a face direita
sobre a palma da mão direita e deixa o braço
esquerdo descansar sobre a perna do mesmo lado".

Quando
despertamos do sono normal, não devemos nos mexer,
porque, com tal movimento, é claro que nossos "Valores"
se agitam e perdem-se as lembranças. O Exercício
Retrospectivo torna-se, sem dúvida, necessário
nesses instantes, quando desejamos recordar com total precisão
todos e cada um de nossos sonhos.
O Gnóstico
deve anotar metodicamente os detalhes do sonho ou sonhos no
caderno ou no bloco colocado sob o travesseiro para este fim.
Assim poderá ter um registro minucioso sobre seu progresso
interno na Yoga do Sonho. Ainda que restem na memória
vagos fragmentos do sonho ou sonhos, estes devem ser cuidadosamente
registrados. Quando nada permaneceu na memória, devemos
iniciar o exercício de Retrospecção com
base no primeiro pensamento que tivemos no instante exato
em que acordamos.
Precisamos
esclarecer de maneira enfática que o Exercício
de Retrospecção principia antes de havermos
retornado completamente ao estado de vigília, quando
ainda nos encontramos no estado de sonolência, cuidando
de seguir conscientemente a seqüência do sonho.
Terminamos
este capítulo afirmando que não é possível
ir além desta parte relacionada com a disciplina da
Yoga do Sonho, a menos que tenhamos conseguido a memória
perfeita de nossas experiências oníricas.
O
SONHO TÂNTRICO
É
imprescindível, não há dúvida,
que precisamos examinar mensalmente nosso caderno ou bloco
de anotações, com o objetivo de verificarmos,
por nós mesmos, o avanço progressivo da memória
onírica.
Qualquer possibilidade de esquecimento deve ser eliminada;
não devemos continuar com as práticas subseqüentes
enquanto não obtivermos a memória perfeita.
São
particularmente interessantes aqueles Dramas parecem sair
de outros séculos, ou que se desenrolam meios ou ambientes
que nada têm a ver com a existência vigília
do sonhador. Há que se estar em estado de "Percepção
Alerta", de "Vigilância à Novidade",
e dar atenção bastante especial ao estudo dos
detalhes que incluem questões específicas, práticas,
reuniões, templos, atividades inusitadas em relação
a outras pessoas, e outros.
Conseguido
o desenvolvimento completo da memória onírica,
eliminada já qualquer possibilidade de esquecimento,
o processo de simbolização abrirá o caminho
da revelação. Devemos buscar a Ciência
básica da interpretação dos sonhos na
Lei das Analogias Filosóficas, na Lei das Analogias,
dos Contrários, na Lei das Correspondências e
da Numerologia.
As imagens
astrais refletidas no espelho mágico da imaginação
jamais devem ser interpretadas literalmente, pois apenas representações
simbólicas das idéias arquetípicas, devendo
ser utilizadas da mesma maneira que o matemático usa
os símbolos algébricos.
Cumpre
afirmar que esse gênero de idéias desce do Mundo
Espírito Puro. Como é natural, as idéias
arquetípicas que provêm do Ser tornam-se maravilhosas,
informando-nos sobre o Estado psicológico desse ou
daquele Centro da Máquina, sobre assuntos esotéricos
muito íntimos, sobre possíveis êxitos
ou perigos etc., sempre cobertas pelo traje do simbolismo.
Descobrir tal ou qual símbolo astral, cena ou figura,
com o propósito de extrair a idéia essencial,
somente é possível através "da meditação
do Ser, lógica e comparativamente".
Ao chegarmos
a esta etapa da disciplina da Yoga do Sonho, torna-se indispensável
entrarmos no aspecto Tântrico da questão. A Sabedoria
Antiga ensina que Tonantzin (Devi Kundalini), nossa Divina
Mãe Cósmica particular (pois cada pessoa tem
a sua), pode adotar qualquer forma, pois é a origem
de todas as formas; portanto, convém que o Gnóstico
medite sobre ela antes de adormecer. O aspirante deverá
entrar diariamente no processo do sono repetindo, com muita
Fé, a seguinte oração:
"Tonantzin,
Teteoinan, ó Minha Mãe, vinde a mim, vinde a
mim."
Segundo
a Ciência Tântrica, se o Gnóstico insistir
nesta prática, mais cedo ou mais tarde haverá
de surgir, como por encanto, dentre as expressões cambiantes
e amorfas de seus sonhos, um Elemento Iniciador.
Enquanto não for completamente identificado esse Iniciador,
é indispensável continuar registrando seus sonhos
no caderno ou bloco.
O estudo
e a análise profundos de cada sonho anotado é
impostergável na disciplina esotérica do sonho
Tântrico. É evidente que o processo didático
haverá de nos conduzir à descoberta do Iniciador
ou elemento unificador do sonho.
O Gnóstico
sincero que chega a esse estágio da Disciplina Tântrica
encontra-se, justamente por este motivo, pronto para dar o
passo seguinte, que será o tema do nosso próximo
capítulo.
PRÁTICA
DO RETORNO
Quando o aspirante realizou com pleno êxito todos os
exercícios gnósticos relacionados com o esoterismo
do sonho, é claro que se encontra intimamente preparado
para a "Prática do Retorno".
No capítulo
anterior dissemos algo sobre o Elemento Iniciador que surge
como por encanto dentre as cambiantes e amorfas expressões
de seus sonhos. Certas pessoas muito Psíquicas, sensíveis
e impressionáveis, possuíram sempre em si mesmas
o Elemento Iniciador. Essas pessoas caracterizam-se pela repetição
contínua de um mesmo sonho; revivem periodicamente
essa ou aquela cena, ou vêem constantemente em suas
experiências oníricas essa ou aquela criatura
ou símbolo.
Toda vez
que o Elemento Iniciador - símbolo, som, cor, pessoa
etc. – é lembrado no despertar do sono normal,
o aspirante, ainda com os olhos fechados, continua vendo a
imagem-chave familiar e imediatamente, de maneira
intencional, tratará de dormir de novo, prosseguindo
com o mesmo sonho.
Diremos, com outras palavras, que o aspirante propõe
a voltar consciente a seu próprio sonho e, por isso,
continua intencionalmente com o mesmo, mas trazendo-o para
o estado de vigília, com plena lucidez e autocontrole.
Converte-se
assim em espectador e ator do sonho, com a vantagem, por certo
nada desprezível, de poder abandonar a cena à
vontade, a fim de mover-se livremente no mundo astral. O aspirante,
liberto então de todas as travas da carne, fora de
seu corpo físico, acha-se desprendido do seu velho
e familiar ambiente penetrando em um universo regido por leis
diferentes.
A Disciplina
do Estado de Sonho dos tântricos budistas conduz didaticamente
ao Despertar da Consciência. O gnóstico só
poderá despertar o Estado Verdadeiro de Iluminação
mediante a compreensão e a desintegração
de sonhos.
As Sagradas
Escrituras do Hindustão afirmam de maneira formal que
o Mundo inteiro é o Sonho de Brahma.
A partir desse postulado hindu, afirmaremos categoricamente
o seguinte: "Quando Brahma desperta, o Sonho acaba..."
Mas, enquanto o aspirante não conseguir a dissolução
radical, não só dos sonhos em si mesmos, como
também dos motivos psicológicos que os provocam,
o Despertar Absoluto ser-lhe-á impossível.
O despertar
definitivo da consciência só é possível
mediante uma transformação radical. Os Quatro
Evangelhos cristãos insistem na necessidade do despertar;
lamentavelmente, as pessoas continuam adormecidas. Quetzalcoatl,
o Cristo Mexicano, foi, evidentemente, um homem cem por cento
desperto.
A multiplicidade de suas funções também
nos indica com absoluta precisão a grande antigüidade
de seu culto e a profunda veneração que lhe
era dedicada em toda a Mesoamérica. Os Deuses Santos
de Anahuac são Homens Perfeitos no sentido mais completo
da palavra; criaturas absolutamente despertas; Seres que erradicaram
de sua Psique toda possibilidade de sonhar.
Tlaloc,
"o que faz brotar", Deus das chuvas e do raio, sendo
um Deus, também é um homem desperto, alguém
que teve de eliminar de sua Psique não só seus
sonhos, como também toda possibilidade de sonhar. Ele
é a principal Entidade Sagrada da antiquíssima
cultura olmeca, e aparece sempre com a máscara do Tigre-Serpente
nos machados colossais e nas diversas figuras de jade. Texcatlipoca
e Huitzilopochtli, Criaturas do Fogo, vivas representações
da noite e do dia, também são homens despertos,
seres que conseguiram passar mais além dos sonhos.
Fora do Corpo Físico, o homem desperto pode invocar
os Deuses Santos dos astecas, maias, zapotecas, toltecas e
outros. Os Deuses dos códices Bórgia, Borbônico
e outros vêm ao chamado do homem desperto. Mediante
o auxílio dos Deuses Santos, o homem desperto pode
estudar, na Luz Astral, a Doutrina Secreta de Anahuac.
AS
QUATRO BEM-AVENTURANÇAS
No
capítulo anterior, falamos bastante sobre o Elemento
Iniciador do sonho, e é óbvio que só
nos resta agora aprender a usá-lo. Quando o gnóstico
tem um registro de seus sonhos, descobre, sem dúvida,
o sonho que se repete sempre. Este, entre outros, é
certamente um motivo mais do que suficiente para anotar todos
os sonhos no caderno ou no bloco.
A experiência
onírica sempre repetida é, inquestionavelmente,
o Elemento Iniciador que, utilizado com inteligência,
nos conduz ao despertar da consciência. Toda vez que
o Místico, deitado na sua cama, adormece intencionalmente,
meditando no Elemento Iniciador, o resultado nunca se faz
esperar muito: em geral, o Anacoreta revive conscientemente
tal sonho, podendo separar-se da cena à vontade para
viajar pelos Mundos Supra-sensíveis.
Qualquer
outro sonho pode também ser usado com esse propósito,
quando conhecemos realmente a técnica. Quem desperta
de um sonho, se for de seu desejo, pode prosseguir com ele
mesmo intencionalmente; neste caso, deve adormecer outra vez,
revivendo sua experiência onírica com a Iimaginação.
Não se trata de imaginar que estamos imaginando; o
fundamental consiste em reviver o sonho com todo o seu cru
realismo anterior.
Repetir
intencionalmente o sonho é o primeiro passo em direção
ao despertar da consciência; separar-se à vontade
do sonho e em pleno Drama é o segundo passo. Alguns
aspirantes conseguem dar o primeiro passo, falta-lhes força
para dar o segundo passo.
Essas
pessoas podem e devem ajudar-se por meio da técnica
da meditação. Tomando decisões muito
sérias, esses devotos praticarão a meditação
antes de se entregarem ao sono. Neste caso, seu problema íntimo
será o tema evidente de concentração
e auto-reflexão na meditação interior
profunda.
Durante
esta prática, o místico angustiado, cheio de
emoção sincera, invoca sua Divina Mãe
Tonantzin (Devi Kundalini). Derramando lágrimas de
dor, o asceta gnóstico lamenta-se do estado de inconsciência
em que se encontra e implora a ajuda rogando à sua
Mãe que lhe dê forças interiores para
desprender-se de qualquer sonho à vontade.
A finalidade
de toda esta disciplina do sonho tântrico é preparar
o discípulo para reconhecer claramente as Quatro Bem-Aventuranças
que se apresentam na experiência onírica. Esta
disciplina esotérica é tão-somente para
pessoas muito sérias, pois exige infinita paciência
e enormes superesforços íntimos.
Muito
se fala no mundo oriental sobre as Quatro Luzes do Sonho e
nós devemos estudar esta questão.
A primeira delas é chamada a Luz da Revelação,
e escrito está com letras de ouro no Livro da Vida
que ela é percebida justamente antes ou durante as
primeiras horas do sonho. Cumpre dizer formal e diretamente
que a indesejável mistura de impressões residuais
e a corrente habitual de pensamentos discriminatórios
felizmente vão se dissolvendo lentamente à medida
que o sonho se torna mais profundo. Nesse estágio do
sonho, insinua-se progressivamente a Segunda Iluminação,
a que se conhece na Ásia com o nome maravilhoso de
Luz do Aumento.
Evidentemente,
o Asceta Gnóstico, mediante a extraordinária
disciplina do Sonho Tântrico, logra passar muito mais
além desta etapa até captar ou apreender completamente
as duas luzes restantes. Vivenciar distintamente o realismo
cru da vida prática nos Mundos Superiores de Consciência
Cósmica, significa ter atingido a Terceira Luz, a da
Realização Imediata. A Quarta
Luz é a da Iluminação Interior
Profunda e nos advém como por encanto em plena
experiência mística. Um
tratado tibetano declara: "Aqui, no Quarto Grau do Vazio,
mora o Filho da Mãe Luz Diáfana".
Falando
franca e diretamente, declaro o seguinte: "A disciplina
do sonho tântrico é, na realidade, uma preparação
esotérica para esse sonho final que chamamos Morte".
Tendo morrido muitas vezes durante a noite, o gnóstico
anacoreta que tenha apreendido conscientemente as Quatro Bem-Aventuranças
que se apresentam na experiência Onírica, no
momento da desencarnação passa ao estado post-mortem
com a mesma facilidade com que entra voluntariamente no Mundo
do Sonho.
Fora do
Corpo Físico, o Gnóstico Consciente pode verificar,
por si mesmo, o destino que está reservado às
Almas além da Morte. Se toda noite, mediante a Disciplina
Tântrica do Sonho, o esoterista pode morrer conscientemente
e penetrar no Mundo dos Mortos, é claro que pode também,
por este motivo, estudar o Ritual da Vida e da Morte enquanto
chega o oficiante.
Hermes,
depois de ter visitado "Os Mundos Infernos", onde
vira com horror o destino das Almas Perdidas, conheceu coisas
insólitas. Disse Osíris a Hermes: "Olhe
deste lado. Vês aquele enxame de Almas que buscam elevar-se
à Região Lunar? Umas são devolvidas à
terra, como torvelinhos de pássaro sob os golpes da
tempestade. As outras alcançam com grandes adejos a
Esfera superior, que as arrasta em sua rotação.
Uma vez ali chegadas, recobram a visão das coisas Divinas".
Os astecas
colocavam um galho seco quando enterravam os que haviam sido
escolhidos por Tlaloc, o Deus da chuva. Dizia-se que quando
o bem-aventurado chegava ao "Campo de Delícias",
que é o Tlalocan, o galho seco reverdescia, indicando
com isso o regresso a uma nova vida, o retorno. Aqueles que
não foram escolhidos pelo Sol ou por Tlaloc vão
fatalmente ao Mictlan, situado ao Norte, região onde
as Almas sofrem uma série de provas Mágicas
ao passarem para os "Mundos Infernos". São
nove os lugares onde as Almas sofrem espantosamente antes
de alcançarem o descanso definitivo. Isto faz-nos lembrar
os "Nove Círculos Infernais" da Divina
Comédia de Dante Alighieri. São muitos
os Deuses e Deusas que povoam os Nove Círculos Dantescos
do Inferno asteca. Lembramos o espantoso "Mictlantecuhtli"
e a tenebrosa "Mictecacihuatl", o Senhor e a Senhora
do Inferno, habitantes do nono ou mais profundo dos lugares
subterrâneos. As Almas que passam pelas provas do "Inferno
Asteca", depois da Segunda Morte, entram felizes nos
Paraísos Elementais da Natureza.
É
inegável que as Almas que, depois da Morte, não
descem aos "Mundos Infernos", tampouco ascendem
ao "Reino da Luz Dourada", nem ao "Paraíso
de Tlaloc", ou ao "Reino da Concentração",
etc. Regressam ou retornam de modo mediato ou imediato a um
novo Corpo Físico. As Almas eleitas pelo Sol ou por
Tlaloc gozam muito nos Mundos Superiores antes de retornarem
ao Vale de Samsara. Os
anacoretas gnósticos, depois de apreenderem as Quatro
Luzes do Sonho, podem visitar conscientemente toda noite o
"Tlalocan", ou descerem ao "Mictlan",
ou entrarem em contato com as Almas que, antes de retornarem,
vivem na Região Lunar.
O
ANJO DA GUARDA
Iniciaremos o último capítulo deste livro com
a seguinte frase: o Primeiro Educador de todo grande iniciado
converte-se, de fato e por direito próprio, na causa
fundamental de todas as partes espiritualizadas de sua genuína
presença comum. Qualquer Guru agradecido prosterna-se
humildemente diante do primeiro criador de seu verdadeiro
Ser.
Quando,
após muitos trabalhos conscientes e sofrimentos voluntários,
revela-se, ante nossos olhos cheios de lágrimas, a
absoluta perfeição alcançada no funcionamento
de todas as partes espiritualizadas, isoladas, de nossa presença
comum, o impulso de gratidão do Ser ao Primeiro Educador
surge em nós. É evidente que a perfeição
absoluta de todas e de cada uma das partes isoladas do Ser
só é possível quando morremos radicalmente
em nós mesmos, aqui e agora.
Existem
diversos estágios de "Auto-realização
Interna"; alguns Iniciados conseguiram a perfeição
de determinadas partes isoladas do Ser, mas têm de trabalhar
muito para atingir a perfeição absoluta de todas
as partes. De modo algum seria possível retratar o
Ser; parece um exército de crianças inocentes...
cada uma delas exerce determinadas funções;
obter a integração total é o maior anelo
de todo Iniciado.
Quando se alcança a Auto-realização Interna"
da parte mais elevada do Ser, recebe-se, por isso, o Grau
"Ishmesh". Nosso
Senhor Quetzalcoatl, o Cristo Mexicano, desenvolveu sem dúvida
a parte mais elevada de seu próprio Ser. Cabe lembrar
aqui, de forma oportuna, que Xolotl, o Lúcifer nahuatl,
é também outra das partes isoladas de nosso
próprio Ser
Os Deuses
Elementais da Natureza tais como Huehueteotl, Tlaloc, Ehecatl,
Chalchiuitlicue – a Cigarra de Tlaloc –, Xochiquetzal
(a Deusa das Flores) etc., ajudam o Iniciado em suas operações
de Magia Elemental, sob a condição de uma conduta
reta. Porém, jamais devemos esquecer nosso "Intercessor
Mental", o Mago Elemental em nós, que pode invocar
os Deuses Elementais da Natureza e realizar prodígios,
e que é, sem dúvida, outra das partes isoladas
de nosso próprio Ser. Três Deusas, que na realidade
são apenas aspectos de uma mesma Divindade, representam
nossa Divina Mãe (Variantes ou Derivações
de Nosso Próprio Ser): Tonantzin, Coatlicue, Tlazolteotl.
Muitas
são as partes isoladas de nosso próprio Ser.
Alguém pode se encher de assombro ao lembrar o Leão
da Lei, os dois Gênios que anotam nossas boas e más
ações, a Polícia do Karma – parte
também de nosso Ser –, o Misericordioso, o compassivo,
o nosso Pai-Mãe unidos, o Anjo da Guarda e outras.
Os
Poderes Flamígeros do "Anjo da Guarda" são
extraordinários, maravilhosos, tremendamente Divinos.
De fontes
totalmente gnósticas, conservadas em segredo nos mosteiros
Iniciáticos e que diferem enormemente do Pseudo-Cristianismo
e do Pseudo-Ocultismo comuns e correntes, eu conheci realmente
o que é o "Anjo da Guarda". Chegados ao campo
misteriosíssimo da História e da Vida dos Jinas,
descobrimos não só o "Templo de Chapultepec"
no México e os povos da Quarta Vertical, como também
– e isto é assombroso – os poderes do "Anjo
da Guarda" em relação a isso tudo.
Convém
jamais esquecer que o padre Prado e Bernal Díaz de
Castillo entretinham-se vendo os Sacerdotes de Anahuac em
estado de jinas. Aqueles Anacoretas levitavam inefavelmente
quando se transportavam pelos ares desde Cholula até
ao Templo Maior; isto ocorria diariamente no crepúsculo.
Jamais tiveram em seus passeios noturnos horizontes mais augustos
os discípulos de Saís no Delta do Nilo, nem
os que nos planaltos da Pérsia seguiram Zaratustra,
nem os contempladores da Torre de Bel na Babilônia,
do que os que sempre tiveram aqueles que se submetem seriamente
à disciplina do Sonho Tântrico.
Fora do
Corpo Físico, o Anacoreta Gnóstico Consciente
pode, se assim o desejar, invocar certa parte isolada de seu
próprio Ser, definida em esoterismo prático
pelo nome de "Anjo da Guarda"; com certeza, o Inefável
virá a seu chamado. Uma serenidade diáfana,
uma tranqüilidade sem limites, uma felicidade extática
como a que a Alma experimenta ao romper os laços com
a matéria e com o mundo, é tudo o que sentimos
naqueles momentos de deleite. O
resto, querido leitor, podes deduzir. Serviços Mágicos
a Lohengrin podemos sempre receber.
Se, nesses
momentos de enlevo, pedirmos ao "Anjo da Guarda"
o favor de tirar o corpo adormecido de cima da cama, onde
o deixamos repousando, e trazê-lo ante nossa presença,
realizar-se-á o fenômeno Mágico com pleno
êxito. Pressentimos quando o corpo físico já
se encontra a caminho, trazido pelo Anjo da Guarda, quando
sentimos em nossos ombros anímicos ou astrais uma estranha
pressão. Se assumirmos uma atitude receptiva, aberta,
sutil, o corpo físico penetrará em nosso interior.
O Tantrista Gnóstico Consciente, em vez de voltar a
seu Corpo Físico, espera que este venha a ele, para
viajar com o mesmo pela Terra Prometida, na Quarta Vertical.
Depois, com o auxilio do Anjo da Guarda, o Asceta Gnóstico
volta para sua casa e cama sem o menor perigo.
Os Veneráveis
Mestres da "Fraternidade Oculta" viajam com seu
corpo físico pela quarta vertical, podendo deixá-lo
no lugar em que o desejarem. Isto significa que os Mestres
Ressurrectos da "Ordem Superior" podem dar-se ao
luxo – certamente nada desprezível – de
renunciar a todos os sistemas modernos de transporte: navios,
aviões, automóveis etc.
O alto
valor iniciático que em si mesmos têm os procedimentos
crítico-analógicos e simbólicos que nos
tempos antigos foram a essência viva daquela escola
alexandrina dos filaléteos ou "amantes da Verdade",
academia sintética do século 4º, fundada
por Ammonio Saccas, o Grande EcIético autodidata, e
por Plotino, o continuador de Platão através
dos séculos, com princípios Doutrinários
do Egito, México, Peru, China, Tibete, Pérsia,
Índia etc., permitiu a muitos Iniciados se orientarem
na Senda do Fio da Navalha. Merece atenção muito
especial a Androginia de Ammonio Saccas, livro de
ouro por excelência.
Não
há dúvida de que o erro de muitos pseudo-esoteristas
e pseudo-ocultistas modernos está radicado no amor
próprio; querem-se a si mesmos; desejam a evolução
da miséria que carregam dentro. Desejam continuar,
anelam a perfeição daquilo que de modo algum
merece perfeição nem continuação.
Essas pessoas de Psique subjetiva acreditam-se ricas, poderosas
e iluminadas, e cobiçam, afinal, uma magnífica
posição no "Mais Além", mas,
na realidade, desconhecem lamentavelmente sua própria
impotência, nulidade, impudência, desventura,
miséria Psicológica e nudez. Nós, gnósticos,
não aspiramos ser nem melhores nem piores; só
queremos morrer em nós mesmos, aqui e agora.
Quando
estabelecemos o "Dogma da Evolução"
como fundamento de nossas melhores aspirações,
partimos de uma base falsa. A nós, penitentes da pedregosa
senda que conduz à libertação final,
não interessa jamais a evolução. Sabemos
que somos uns coitados e miseráveis... e a evolução
de nada serviria para nós; preferimos a morte suprema;
só com a morte advém o novo. Por que haveríamos
de lutar pela evolução e progresso de nossa
própria desventura? Melhor é a Morte.
Se a semente
não morre, a planta não nasce. Quando a morte
é absoluta, o que irá nascer é também
absoluto. A aniquilação total do "Mim Mesmo",
a dissolução radical do mais caro que trazemos
dentro de nós, a desintegração final
de nossos melhores desejos, pensamentos, paixões, ressentimentos,
dores, emoções, anseios, ódios, amores,
ciúmes, vinganças, cóleras, afetos, apegos,
carinhos, luxúria etc., é urgente, inadiável,
impostergável, a fim de que surja a chama do Ser, que
não é do tempo, que é sempre novo. A
Idéia que cada um de Nós tem do Ser jamais é
o Ser; o conceito intelectivo que sobre o Ser tenhamos elaborado
não é o Ser; a opinião sobre o Ser não
é o Ser... O Ser é o Ser e a razão de
do Ser é o próprio Ser. O temor à morte
absoluta é empecilho, obstáculo, inconveniente,
para a obtenção da mudança radical.
Cada um
de nós traz em seu íntimo uma criação
equivocada; é indispensável destruir o falso
para que surja, de verdade, uma criação nova.
Jamais intentaríamos promover a evolução
do falso; preferimos a aniquilação absoluta.
Da negra e pavorosa fossa sepulcral do abismo surgem as diversas
partes flamígeras do Ser; o "Anjo da Guarda"
é uma dessas tantas partes isoladas.
Aqueles
que conhecem realmente os Mistérios do Templo, reflexo
maravilhoso dos Mistérios Báquicos, Eleusínios
e Pitagóricos jamais desejarão continuar com
sua miséria interior. Temos de regressar ao ponto de
partida original, temos de voltar às trevas primitivas
do "Não-Ser" e ao "Caos", para
que nasça a luz e surja em nosso interior uma nova
criação. Em lugar de temer a aniquilação
total, melhor é saber amar e cair nos braços
de nossa Bendita Deusa Mãe-Morte.
Nota
Final
MAGNIFICAT ANIMAN MEAN!
Teu destino, querido leitor, jamais será como o dos
outros mortais se, depois de teres estudado a fundo este livro,
praticares os métodos ou sistemas nele ensinados para
o Despertar da Consciência.
Eu poderia
ter recorrido, com efeito, para avaliar o que escrevi nestas
páginas, aos consabidos escritos medievais encontrados
aqui, ali e acolá, conforme velho expediente literário.
Eu poderia valer-me do recurso do Divino Platão, pondo
na boca de Sócrates o que o Sacerdote de Sais outrora
contou a Sólon no Delta do Nilo. Eu poderia apelar,
enfim, a outros sortilégios próprios dos relatos
mais ou menos Históricos para dar-te mais dados esotéricos,
sem faltar aos Sagrados Votos de Sigilo Iniciático,
relativos à vida e aos portentosos feitos Gnósticos
de Anahuac. Não é urgente, porém, acrescentar
por ora nada mais a este livro; penso que, com Nove Dias de
estudo, Meditação, isolamento e Jejum, poderás
experimentar diretamente as verdades contidas neste tratado
esotérico.
Complementa
este texto o maravilhoso trabalho do estudante gnóstico
Victor Peralta, intitulado O Simbolismo Gnóstico
dos Sonhos. Adquira esta e outras obras gnósticas
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o caro leitor tiver alguma dúvida ou quiser esclarecer
algum detalhe desse trabalho maravilhoso, escreva-nos para
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