Conferência
proferida pelo VM Samael Aun Weor
Falaremos
sobre o que são a Imaginação e
a Fantasia, ou Memória Positiva e Memória
Mecânica.
Convém
que façamos uma plena diferenciação
entre a imaginação dirigida voluntariamente
e a imaginação mecânica.
Inquestionavelmente, a imaginação dirigida
é imaginação consciente. Para o
sábio, imaginar é ver. A imaginação
consciente é o meio translúcido que reflete
o firmamento, os mistérios da vida e da morte,
o Ser, o Real.
Imaginação
mecânica é diferente. É formada
pelos resíduos da memória; é a
fantasia. Convém investigá-la profundamente!
É óbvio que as pessoas, com sua fantasia,
com sua imaginação mecânica, não
vêem a si próprias como realmente são,
mas sim de acordo com sua forma de fantasia.
|
 |
Existem
várias formas de fantasia e é inquestionável
que uma delas consiste na pessoa não se ver a si mesma
tal e qual é. Poucos são os que têm o
valor de verem a si mesmos no mais cru realismo.
Estou
absolutamente seguro de que os aqui presentes nunca viram
a si mesmos tal e qual são. A imaginação
mecânica faz com que confundam gato com lebre. Com sua
imaginação mecânica, ou fantasia, vêem-se
com uma forma que não coincide com a realidade. Se
eu na verdade dissesse a cada um de vocês como é
certamente, qual é sua característica psicológica
específica, estou absolutamente seguro de que se sentiriam
magoados. É claro que vocês têm sobre si
mesmos um conceito equivocado; nunca viram a si próprios.
Sua forma de fantasia faz com que se vejam como não
são.
Falando
de forma alegórica, simbólica, vou tratar unicamente
de fazer uma exploração psicológica,
grosso modo, sem citar nomes ou sobrenomes, usando nomes simbólicos,
e que cada um dos aqui presentes entenda e escute. Que diríamos
de Cícero? Que grande varão! Lapidar em suas
Catilinárias... Inteligente, quem o negaria? Grandiloqüente
como nenhum, apedrejador terrível... Mas, estamos seguros
de que tudo nele é benevolência? Reflitamos...
Se
expuséssemos a gravidade de suas fantasias, se sentiria
magoado. Se assinalássemos isso, protestaria violentamente...
Nunca assassinou Popéia! Esse trabalho foi deixado
para Nero, foi este que com um estilete de madeira fez sangrar
o coração de sua Popéia... Mas ele, de
modo algum se sentiria realmente referido. Sente-se magnânimo,
bondoso, e essa é a sua característica fantástica:
ver-se equivocadamente através do prisma de uma benevolência
extraordinária. Isso é óbvio.
E que
diríamos nós, por exemplo, daquele que aspirando
a luz do espírito falhasse em sua base? Não
dizem que Ícaro elevou-se até os céus
com asas de cera? Como se derreteram, foi lançado no
abismo. No entanto, ele não pensa assim de si mesmo.
Supõe ser alguém fiel nas fileiras, está
seguro de que segue o Caminho Reto, de que é probo
como nenhum outro. A continuar assim, por esse caminho, que
restará a Ícaro, depois de ter sido precipitado
no Averno? Não dizem que Ganímedes subiu até
o Olimpo para beber o vinho? Mas Ganímedes também
pode ser jogado ao fundo do precipício.
Chamemos
agora simbolicamente o discípulo de Justiniano. Quantas
vezes justificou a si mesmo, convencido de que estava a andar
muito bem? Talvez nos últimos tempos tenha melhorado
um pouco. Porém, por acaso, não protestou em
determinados momentos? Por acaso não protestou diante
da ara do sacrifício? No entanto, ele está seguro
de que nunca protestou, de que sempre tudo fez em favor da
Grande Causa, sem nunca falhar. Em nome da verdade, ainda
que lhes pareça difícil de aceitar, são
raros os que se viram como realmente são.
Aristóteles,
uma e outra vez em sua filosofia, convencido de que sua sapiência
é formidável, de ser um consorte magnífico...
Fez sofrer, mas ele vive convencido de que jamais procedeu
mal, está seguro de ser magnífico, benevolente,
doce etc.
Em nome
da verdade, poderia dizer a vocês o seguinte: só
há uma pessoa que viu a si mesma tal e qual é,
nada mais do que uma entre todos os aqui presentes, uma só.
Todos os demais têm sobre si mesmos uma imagem fantástica.
Sua imaginação mecânica faz com que se
vejam não como são, mas sim como aparentemente
são. Assim, meus queridos irmãos, convido todos
a refletir. Pensem se alguma vez, em verdade, se viram como
realmente são.
 |
Os
historiadores, por exemplo, o que é que escreveram?
Fantasias e nada mais. Que dizem de Nero? Que era um
homossexual e que chegou a se casar com outro homossexual.
De onde os historiadores tiraram isso? Têm provas
por acaso? Em nome da verdade, tenho a dizer que estive
reencarnado na época de Nero, que de homossexual
não tinha nada. Muitas vezes o vi sair pelas
portas da velha Roma, sentado em sua liteira, sobre
os ombros dos escravos. Homem de testa ampla, robusto,
corpo hercúleo, não era como os historiadores
afirmam. Eles enfatizam a idéia de um poeta abominável.
Em vez de ser visto rodeado, como muitos julgam, de
homossexuais, eu o vi sempre rodeado de suas mulheres.
Eu vivi na época e dou testemunho disso. Os historiadores
falsearam os dados a respeito desse homem.
Não
acusam, por acaso, Maria Antonieta de prostituta, de
adúltera e não sei o que mais? Ninguém
ignora que houve um grande escândalo por causa
do colar da rainha, jóia que ela havia dado para
ajudar outros. Porém, entre isso e a hipótese
de que ela tenha sido infiel a Luís 16 há
uma grande distância.
|
Nós
a submetemos à prova nos Mundos Superiores e ela revelou
ser terrivelmente casta, com todo o direito de usar a túnica
branca. Eu a vi passar por Paris, rumo ao cadafalso, heróica,
com a cabeça erguida, nada devia, nada tinha a temer,
entregou sua vida pela França; nunca souberam apreciar
realmente seu valor.
Muita
coisa que foi escrita na História está bastante
deformada, não vale a pena ser estudada. Do que há
ali, apenas as datas são úteis e, mesmo assim,
nem sempre. Vejam quão absurdo seria se aceitássemos
a data de 1325 aproximadamente como a da fundação
do Império de Anáhuac, para vê-lo lá
pelo ano de 1500 e tanto desaparecer sob a bota de Cortez
e seus sequazes! Vocês pensam que em dois séculos
poderia ser levantada uma poderosa civilização
como aquela da grande Tenochtitlan? Se para levantar uma única
pirâmide passaram-se gerações inteiras...
Vocês acham que uma poderosa civilização
dessas pode se levantar em dois séculos? Assim, os
historiadores alteram as datas, falsificam-nas ... Por isso,
em matéria de história, há que se andar
com muito cuidado.
Entendam
o que é a memória mecânica e o que é
a Memória do Trabalho Esotérico Gnóstico.
A memória mecânica sempre leva alguém
a conclusões errôneas. Estão seguros de
recordar realmente sua vida tal qual foi? Não estou
perguntando pelas suas vidas passadas, e sim pela presente.
Impossível, há coisas que surgem desfiguradas
na memória mecânica. Se alguém, quando
pequeno, embora tenha nascido em plena classe média,
vivido em uma casa limpa, asseada, onde não faltou
jamais pão, agasalho e refúgio, viu umas quantas
moedas, pode acontecer que, com a volta do tempo e dos anos,
guarde em sua memória mecânica lembranças
deformadas: umas quantas notas de dinheiro podem parecer milhões,
uma pequena cerca ao redor do pátio ou perto da janela
pode nos parecer um muro colossal.
Nosso
corpo era pequeno, pois não seria estranho que, já
adultos, disséssemos: de pequeno, quando era criança,
vivia em tal lugar, minha casa era magnificamente arrumada,
tinha grandes muros, que mesa tão bonita, quanto dinheiro...
É uma lembrança mecânica, infantil e absurda.
Assim,
pois, a única memória real é a do trabalho
Esotérico Gnóstico. Se através do Exercício
Retrospectivo recordássemos em parte, veríamos
que essa casa de garotinhos da classe média não
era o palácio que antes pensávamos que fosse
e sim uma humilde casa de um pai trabalhador e sincero. As
fabulosas somas de dinheiro que nos rodeavam eram apenas pequenas
quantias para pagar o aluguel da casa e para comprar os alimentos.
A memória
mecânica é mais ou menos falsa. Vejamos o caso
dos famosos testes psicológicos; se um grupo faz uma
excursão a Yucatán, verá exatamente os
mesmos fragmentos e pedras. No regresso para cá, cada
um dará uma versão diferente. Que prova isso?
Que a memória mecânica é infiel. Quantas
vezes já lhes aconteceu o seguinte: contaram algum
relato a um tal ou qual amigo, o qual por sua vez contou a
outro. Porém, ao contar, acrescentou alguma coisa ou
retirou um pouquinho. Já não é o mesmo
relato, está desfigurado. Se esse outro, por sua vez,
conta a mais alguém, o relato segue se desfigurando
e, com o passar do tempo, nem vocês mesmos reconheceriam
mais a narrativa. Ficou tão desfigurada que em nada
se parece ao que vocês relatavam.
Assim
é a memória mecânica, não serve.
Acontece que na memória mecânica existe a fantasia.
Memória mecânica e fantasia estão muito
associadas. Como controlar então a fantasia? Não
há senão um modo de controlá-la: através
da Memória do Trabalho.
A memória
mecânica faz com que vejamos a nossa vida como não
é ou como não foi. Por intermédio do
Trabalho, vamos dissecando a nossa própria vida e chegamos
a descobri-la tal e qual é. O que quero dizer com issto?
Que com a memória que guardamos depois do trabalho
realizado é possível controlar a fantasia, eliminá-la,
e eliminá-la radicalmente. É então conveniente
eliminar essa imaginação mecânica, porque
de modo algum permite o progresso esotérico.
Vejam
a mulher que se enfeita diante do espelho, que pinta os seus
grandes olhos, que afina suas sobrancelhas, que põe
enormes pestanas postiças, que tinge os lábios
com cores vermelhas ... Vejam-na vestida de acordo com a última
moda, como se olha diante do espelho, enamorada de si mesma...
Ela está convencida de que é belíssima.
Se lhe disséssemos que é espantosamente feia,
sentir-se-ia mortalmente ferida em sua vaidade. Ela tem uma
fantasia terrível e sua forma de fantasia faz com que
se veja como não é, faz com que se veja com
uma beleza extraordinária.
Cada um
tem sobre si mesmo um conceito bem equivocado, totalmente
equivocado; isso é terrível! Alguém pode
se considerar genial, capaz de dominar o mundo, dono de uma
brilhante intelectualidade. Está convencido disso,
mas, se visse a si mesmo com o mais cru realismo, se descobrisse
que o que tem em sua personalidade não é dele
e sim alheio, que suas idéias não são
próprias, porque as leu em algum livro, que está
cheio de chagas morais terríveis... No
entanto, poucos são os que têm o valor de se
despirem ante si mesmos para se verem tais como são.
Cada um projeta uma forma de fantasia sobre si mesmo e vê
essa forma como a realidade; nunca, jamais, viram a si mesmos...
isso é terrível, espantoso.
Pensando
em voz alta, para compartilhar com vocês, diremos que,
enquanto a pessoa não vá dissolvendo essas formas
da fantasia, permanecerá muito longe do Ser, mas, conforme
alguém for eliminando mais e mais todas as formas da
fantasia, o Ser irá se manifestando mais e mais nele.
Quando alguém se aprofunda nisso que é a vida,
o mundo, descobre que francamente nunca viu o mundo como é
verdadeiramente; viu-o apenas através das formas da
fantasia e nada mais. Imaginação mecânica,
quão grave é isso, esses sonhos da fantasia...
Algumas
vezes, nos sonhos, permanece calada. Outras vezes, conversa,
e noutras quer nos levar à prática. Obviamente,
no terceiro caso, a questão é séria.
Quando um sonhador quer converter seus sonhos em realidade,
comete loucuras espantosas, pois seus sonhos não coincidem
com a mecânica da vida. O sonhador silencioso gasta
muita energia vital, mas não é muito perigoso.
O que fala os sonhos, sonhos fantásticos, pode contagiar
outras psiques, outras pessoas. Contudo, aquele que quer converter
francamente seus sonhos em fatos práticos da vida,
está com a mente bem comprometida, está louco.
Isso é óbvio.
Continuando,
já vimos claramente que a imaginação
mecânica ou fantasia nos mantém muito longe da
realidade do Ser, e isso é de fato lamentável.
As pessoas caminham pelas ruas sonhando, seguem com suas fantasias;
trabalham sonhando, casam-se sonhando, vivem uma vida de sonhos
e morrem sonhando. Vivem no mundo do irreal, da fantasia,
nunca viram a si próprias, jamais, sempre viram uma
forma da sua fantasia. Tirar essa forma de fantasia de alguém
é algo espantosamente forte, terrivelmente forte.
Naturalmente,
há várias formas de fantasia. Cada um dos aqui
presentes tem um eu fantasia, uma pessoa fantasia que não
coincide com a realidade. A pessoa fantasia de cada um existe
desde um princípio, existe agora e existirá
amanhã. E vocês estão convencidos de que
essa pessoa fantasia é a realidade e resulta que não
é, eis aí o grave.
Repito:
como controlar a fantasia? Não há senão
uma maneira de controlá-la: a Memória do Trabalho.
Precisamos ser sinceros conosco mesmos e trabalhar para eliminar
de nós os elementos indesejáveis que temos.
À medida que os formos eliminando, iremos descobrindo
uma ordem no trabalho. Quem vem a estabelecer essa ordem no
trabalho esotérico? O Ser. Ele estabelece essa ordem,
e essa Memória-Trabalho nos permite eliminar a fantasia.
Porém, é necessário ter um grande valor
para romper o eu fantasia que possuímos, a pessoa fantasia.
Vocês
estão aqui escutando-me e eu estou aqui lhes falando.
E estou seguro de que, por exemplo, nosso irmão Arce
está convencido de ser o que ele é. Diz : "Sou
Arce, sou um homem de negócios, meu modo ser é
este, e este e este"...
Quem poderia dizer a Arce que ele não é Arce?
Quem poderia dizer-lhe que não é um homem de
negócios? Quem se atreveria a dizer-lhe isto? E ele,
acreditaria? Poderia aceitar a idéia de que não
é homem de negócios, de que não é
Arce, de que ele não é quem pensa que é?
–
E tu, Arce, que dirias?
– Venerável, ante vosso ensinamento não
há lugar para dúvidas.
E que tal se um dos aqui presentes rompe esse Eu fantástico
que tu crês que és, está seguro que és,
o destroça e lhe diz: "Esse não és
tu"!
Pode ser
que você aí me diga: "Se você diz
assim, Mestre, estou de acordo. Mas quem sabe se à
parte, frente a frente com o interlocutor ... quem sabe se
não contestaria fulano ou fulana, dizendo: "Bom,
este é um conceito seu... Eu sou Arce e sou como sou".
Isso é óbvio. Como sempre te conhecestes, não
é? Pois bem, eu te digo que esse que sempre conheceste,
esse que tu crês que seja, não é, não
existe, é uma fantasia sua.
Custa
trabalho aceitar isso que estou dizendo, é espantosamente
difícil. Mas, mais tarde, quando te explorares psicologicamente,
verás que tinhas sobre ti mesmo um conceito equivocado.
E assim acontece com cada um dos aqui presentes, nunca viram
a si mesmos, sempre viram uma forma de sua fantasia. Cada
um tem um Eu fantasia, uma pessoa fantasia que não
é a realidade.
Há momentos terríveis na vida, bastante raros,
nos quais alguém consegue, por um instante, ver como
é ridículo; são momentos em que consegue
perceber seu eu fantasia, sua pessoa fantasia.
Quando
isto ocorre, verifica-se uma dor moral muito profunda. Porém,
logo o sonho retorna novamente e a pessoa busca uma maneira
de endireitar a coisa. Por fim, se autoconsola de 50 mil maneiras,
esquece a questão e o mundo segue em paz como sempre.
São raros despertares, bem raros, mas todos já
os tivemos alguma vez. Vale a pena ser sinceros para conosco
mesmo. Trata-se simplesmente de nos autoconhecermos, se é
que de verdade queremos manifestar o Ser que levamos dentro,
se é que de verdade aspiramos algum dia ter a realidade,
nada mais do que a realidade em nós, sem um Átomo
de Fantasia.
Precisamos
ter o valor de nos desgarrar, de romper com essa pessoa-fantasia
que não existe. Os outros sabem que ela não
existe, porém nós acreditamos que existe. Claro
que é necessário utilizar o bisturi da autocrítica,
do contrário não seria possível a autocrítica
de fundo, e não de superfície. Se procedermos
assim, conseguiremos quebrar o eu-fantasia, conseguiremos
destroçá-lo, reduzi-lo a cinzas, a poeira cósmica.
Objetivo: descobrir o Ser. Mas o eu-fantasia eclipsa o Ser,
mantém a pessoa tão fascinada em si mesma com
o que não é real que não a deixa descobrir
o Ser, o Ser que há nela mesma, em suas profundidades.
Não
se esqueçam, queridos irmãos, de que o Reino
dos Céus está dentro de nós mesmos e
que tem vários níveis. O reino da terra também
está aqui em nós e o nível mais elevado
do homem da terra é ainda menor, não chega nem
aos pés do menor que vive no Reino dos Céus.
Como sair dos diversos níveis do reino da terra para
entrar ao menos no nível inferior do Reino dos Céus?
Na primeira escala do Reino dos Céus que está
dentro de nós e não fora? Como se dá
esse passo do reino da terra ao dos Céus? O reino da
terra tem vários níveis, uns mais elevados,
outros mais refinados, porém o mais refinado dos níveis
da terra ainda não é o Reino dos Céus.
Para passar
do mais alto degrau do reino da terra para o mais baixo do
Reino dos Céus, precisa-se de uma mudança, de
uma transformação, precisa-se renascer da Água
e do Espírito, precisa-se se desdobrar em dois: a personalidade
terrena e o homem psicológico, o homem interior. Como
poderia esse desdobramento se produzir? Um homem inferior
terreno colocado no nível comum e corrente e um outro
numa oitava superior dentro de si mesmo? Como poderia na verdade
se produzir essa separação em nós, entre
esses dois tipos de homens? Julgam que isso seria possível
se continuássemos fascinados com esta personalidade
fantástica que cremos ser a verdadeira e não
é?
Enquanto
alguém estiver convencido de que a forma como está
vendo a si mesmo é verdadeira, o desdobramento psicológico
não será possível, não será
possível que o homem interior se separe do exterior,
não será possível a entrada no primeiro
degrau do Reino dos Céus.
Obviamente, é a fantasia que mantém a humanidade
absorta no estado de inconsciência em que se encontra.
Enquanto existir a fantasia, a consciência continuará
adormecida. Temos que destruir a fantasia! Em vez de fantasia,
devemos ter imaginação consciente, imaginação
dirigida. A fantasia é imaginação mecânica
... Em vez de memória mecânica, devemos ter em
nós a memória do trabalho esotérico,
a memória consciente.
Quem pratica
o Exercício Retrospectivo a fim de revisar sua vida,
termina com a memória mecânica e estabelece em
si a memória consciente, a memória do trabalho.
Aquele que, mediante o Exercício Retrospectivo, pode
recordar suas vidas anteriores, acaba com a fantasia. Deste
modo, a memória do trabalho e a imaginação
consciente nos permitirão chegar muito longe no caminho
do autodescobrimento. Aqui termina nossa conferência.
Se alguém tiver algo para perguntar, pode fazê-lo
com a mais absoluta liberdade.
–
Mestre, quais seriam os melhores exercícios para desenvolver
a imaginação?
Considerando que a imaginação consciente é
imaginação dirigida, indubitavelmente temos
de aprender a dirigir a imaginação. Por exemplo,
se relaxamos o corpo e enfocamos nossa imaginação
no processo do nascer e do morrer de todas as coisas, a imaginação
consciente se desenvolverá. Imaginemos a semente de
uma roseira, como germina, como depois vai crescendo o talo,
as folhas, como vai soltando brotos, galhos, flores... Em
seguida, ao inverso, o processo involutivo: como vão
murchando as pétalas da rosa, como vão caindo
as folhas da roseira e como ela no fim fica reduzida a um
monte de lenha. Este é um exercício maravilhoso!
Com ele se consegue o desenvolvimento da imaginação
de forma positiva, com ele se consegue a imaginação
consciente, que é a que vale.
Pergunta:
Como eliminar a fantasia em nós?
SAW: Simplesmente dissolvendo primeiro que tudo o eu fantasia.
Temos de começar por nos ver como somos e não
como aparentemente julgamos que somos. É difícil
para alguém se ver tal como é; normalmente as
pessoas se vêem como não são, de acordo
com a sua fantasia. Por aí é que se começa
para romper a fantasia. Quando alguém se viu de verdade
como é, no seu mais cru realismo, geralmente sofre
uma terrível decepção com relação
a si próprio, uma espantosa decepção,
mas depois lhe resta o consolo da sabedoria.
Se
alguém acaba com a memória mecânica
e estabelece a Memória do Trabalho, elimina a Fantasia,
porque na memória mecânica mora a fantasia.
Já falei do caso dos historiadores e de seus escritos;
são pura fantasia. Por acaso eles estiveram presentes
na Revolução Francesa? Conheceram Carlos
V da Espanha? Felipe, O Belo? Eles escrevem versões
desfiguradas pelo tempo, mero produto da fantasia.
Se nós, em vez da memória mecânica,
que é pura fantasia, estabelecêssemos a memória
do Trabalho, trabalhando sobre nós mesmos, dissolvendo
os elementos indesejáveis que carregamos, obviamente
iríamos adquirindo memória consciente, Memória
do Trabalho. |
 |
A memória
consciente ou Memória do Trabalho é maravilhosa.
Ao ser aplicada à história universal, permitirá
o estudo dos diferentes acontecimentos, da crua realidade
da Revolução Francesa, de Maria Antonieta ou
de qualquer outra página da vida em geral. Portanto,
a memória consciente aplicada sobre nós mesmos
nos levará muito longe, e aplicada ao universo permitirá
o conhecimento dos registros akáshicos da Natureza.
Então, à medida que se for eliminando tudo o
que se tem de fantasia, a imaginação consciente
irá se tornando mais e mais ativa.
|