| George
Ivanovich Gurdjieff ou, simplesmente, Mestre G, trouxe fragmentos
de uma doutrina terrivelmente revolucionária. Seus
anelos o levaram a muitos lugares, onde se instalaram temporal
e circunstancialmente Centros de Saber e Poder. Seu aprendizado,
que durou muitas décadas, o habilitou a iniciar um
trabalho sobre si mesmo, por meio das técnicas psicológicas
fundamentais entregues pelos verdadeiros Mestres de Sabedoria.
Portanto, podemos afirmar que Gurdjieff era um verdadeiro
gnóstico, um Buscador do Conhecimento Superior que
leva à Iluminação... Entretanto, Gurdjieff
conheceu a totalidade do Conhecimento? Foi-lhe passado tudo
o que se deveria adquirir para uma realização
plena de um Homem? E tudo o que ele passou a seus discípulos
e ao público, era tudo o que ele sabia?
Quem sabe
a resposta esteja na última frase, proferida por ele,
em seu leito de morte, para seus seguidores: "Deixo vocês
num beco sem saída".
Esta Carta Aberta tem como finalidade reafirmar o que o Grande
Sheik disse a um seguidor de Gurdjieff, que o Ensinamento
nunca esteve apartado da vida do ser humano, ela esteve e
está sempre ao alcance dos que realmente querem alcança-lo.
Para nós, estudantes gnósticos, o Conhecimento
de Gurdjieff, por mais grandioso que tenha sido, não
se extinguiu com sua morte. Ao contrário, ela está
tão ou mais presente hoje do que na época do
Mestre G e outros Iniciados.
Observe,
caro leitor, como a humanidade foi preparada durante todo
o século 20. Vieram grandes luminares e entregaram
um fragmento da Sabedoria Divina. Temos como exemplos o próprio
Gurdjieff, HP Blavatsky e sua Teosofia, Jorge Adoum, Krishnamurti
e outros tantos, mais ou menos conhecidos regional e mundialmente.
Se analisarmos suas contribuições, veremos que
cada linha do Trabalho forneceu uma peça de todo esse
gigantesco quebra-cabeças chamado Esoterismo ou, melhor,
Auto-Conhecimento. A contribuição de Gurdjieff,
a nosso ver, foi oferecer ao mundo ocidental um sistema de
trabalho psicológico, uma "nova" visão
do homem, como um ser integral, e também do Universo.
Um dos Sheiks de Gurdjieff afirmou que a doutrina do 4º
Caminho (nome dado ao sistema psicológico de Gurdjieff)
foi um teste para se saber como a mentalidade ocidental reagiria
a esta visão revolucionária. Parece-nos que
a aceitação, a reação foi pouco
positiva, fazendo com que essa sabedoria fosse momentaneamente
deixada de lado.
Porém, outro fator, além da não-aceitação
desse sistema psicológico de gurdjieffiano, foi que
o Mestre G não tinha o conhecimento completo do trabalho
de auto-realização. Seu ensinamento, o 4º
Caminho de Gurdjieff possuía muitos buracos, muitos
vácuos. Muitas partes e detalhes do Ensinamento eram
incompletos ou foram interpretados erroneamente, ou, ainda,
foram suprimidas intencionalmente. Por isso se afirma nas
fileiras gnósticas que o Ensinamento de Gurdjieff deu
muito poucos frutos.
Obviamente,
um dos fatores que levaram a isso era que Gurdjieff não
tinha a totalidade do Conhecimento Iniciático. Sua
doutrina veio fragmentada do Oriente e, mais ainda, foi misturada
com sistemas psicológicos em voga na Europa do início
do século 20. Não diríamos que Gurdjieff
fracassou totalmente em sua doutrina, o que houve é
que ela era simplesmente estéril. O ensinamento de
Gurdjieff, apesar de portentoso, de ser maravilhoso sob muito
pontos de vista, era incipiente, principalmente aos olhos
de quem estuda uma doutrina muitíssimo mais abrangente.
Numa análise
relativamente rigorosa, vê-se uma série de falhas
nos princípios do Ensinamento do 4º Caminho Gurdjieffiano.
Eis pontos interessantes para reflexão:
- Cosmologia:
Gurdjieff posiciona o homem dentro de uma escala de sistemas
cósmicos, do Absoluto à Lua. Cada sistema
abrange outros menores. Temos o primeiro sistema, que é
o Absoluto, ou, como queiram, Deus. Depois, vêm: todos
os mundos, nossa galáxia, nosso sistema solar, nosso
planeta, o homem, a Llua. Ou seja, tudo isso formando sete
sistemas de coisas indicando a posição do
homem no Universo. O ensinamento gnóstico vê
alguns pontos incompletos nesse diagrama cósmico.
O mais importante é o último sistema, ou Tritocosmo,
que não é a Lua. O sétimo cosmo vêm
a ser precisamente as dimensões inferiores da natureza,
chamadas pelas religiões de Infernos.
- A doutrina
do Eu: O ser humano realmente possui uma grande multiplicidade
de fatores mentais, desejos, vontades, gostos, hábitos
etc. Cada um desses elementos é regido por uma unidade
mental fragmentária chamada Eu Psicológico
ou Agregado Psíquico. Na doutrina de Gurdjieff e,
posteriormente, defendida por seu discípulo Ouspenski,
visa-se na psicologia do 4º Caminho de Gurdjieff uma
interação de todos o Eus, formando-se um Eu
coeso, íntegro. Ouspenski vai mais longe ainda, defendendo
que um único Eu pudesse ser o dominador, controlando
os outros Eus. A doutrina gnóstica afirma que não
se deve melhorar, nem reprimir, nem fundir, nem renegar
etc., a esses Eus. Existe algo mais além da mente,
do Eu e do tempo, que é a Essência Espiritual,
esse fragmento de Deus dentro de nós, que se encontra
preso, enfrascado, dentro de cada um desses Eus. Essa Essência
deve reinar soberana, sem nenhuma manifestação
ou existência desses Eus Psicológicos. Resumindo:
o trabalho supremo do Buscador é precisamente a eliminação
total e definitiva de todo e qualquer Eu.
- A Kundalini:
Gurdjieff, lamentavelmente, confundiu a sagrada Kundalini
com sua manifestação negativa, chamada por
ele de Kudabüffer, ou Kundartiguador. Ele renegou,
obviamente por pura ignorância, essa energia sagrada
e ainda a confundiu com sua canalização negativa
(representada pelo rabo dos demônios). Isso representou
tirar das mãos dos seguidores de Gurdjieff a arma
suprema para a erradicação absoluta do Ego,
dos Eus, de nossa constituição anímica.
- O Corpo
Astral: Gurdjieff o chama de corpo Kedsjan. O Mestre
G afirma que esse corpo também morre, porém
bem depois do corpo físico (ou corpo planetário).
Essa explicação é certa, porém
em parte. A que corpo astral Gurjieff e refere? O corpo
astral de um iluminado, de um Mestre, de um ser que encarnou
a luz em seu interior? Esse tipo de indivíduo possui
um verdadeiro, um autêntico, corpo astral, eterno,
consciente, manipulável pela consciência. Já
o nosso corpo astral, melhor dizendo, nosso corpo de desejos,
não passa de um fantasma, sem energia, frio, inconsciente,
sem força sequer para permitir uma movimentação
do indivíduo fora do corpo físico. As viagens
astrais de alguém comum e corrente como a maioria
de nós são inconscientes, cheias de fantasias,
desequilíbrios, projeções etc. Isso
acontece ao longo das muitas reencarnações
(chamadas pelos gnósticos de Retorno mecânico),
sem trazermos à memória nossas experiências
fora do corpo. Quanto à morte do corpo astral, isso
ocorre quando se completam precisamente 108 encarnações
(ou retornos). A consciência da pessoa que terminou
seus 108 retornos a este mundo físico involui, passa
a uma dimensão inferior da natureza (as dimensões
infernais) e, ao cabo de muitos milhares de anos, esse corpo
astral lunar e frio vai se desintegrando. A Essência,
ao final desse processo fantástico e doloroso, libera-se
dos corpos inferiores, do Ego, dos veículos astral,
mental etc., e passa a experienciar de novo todo um processo
de evolução imposta pelas forças da
natureza.
Finalmente,
queremos dizer que a doutrina psicológica de Gurdjieff
é maravilhosa. Infelizmente ela sofreu – e ainda
continua sofrendo – alterações, adaptações
e adulterações e, com o passar do tempo, vai-se
distanciando cada vez mais da chama do conhecimento primeiro
que alimentou Gurdjieff.
Convidamos
o caro leitor a aprofundar-se em seus estudos de autoconhecimento
bebendo de uma fonte superior, completa, e que leva indiscutivelmente
o Buscador àquela tão almejada auto-realização
espiritual. Aquela Escola, Aquele Centro de Conhecimento,
já está mais perto do que você imagina,
o Conhecimento é mais simples e singelo do que pensamos,
embora sua praticidade seja complexa. Por que complexa? Porque
o Trabalho Espiritual é uma verdadeira arte, como aquela
Ars Magna dos Alquimistas medievais. A Grand Art,
ou seja, a Auto-Realização Espiritual, requer
muita paciência, muita arte, muito empenho, porém
nada é impossível.
Caso você
tenha interesse em conhecer este ensinamento sagrado, divulgado
nos últimos tempos pelo Grande Mestre Gnóstico
Samael Aun Weor, leia o texto abaixo escrito por Ele, o qual
nos explica, sinteticamente, a Essência, o Fundamento
de sua "tríplice" Doutrina:
"Ainda
que se espantem os fracos e os covardes, é urgente
dizer que o Caminho que conduz os valentes à Auto-Realização
Íntima é espantosamente revolucionário
e terrivelmente perigoso. Este é o caminho da Revolução
da Consciência! Esta é a senda difícil;
a via que os perversos da raça lunar tanto odeiam.
O caminho é oposto à vida comum e corrente de
todos os dias. Baseia-se em outros princípios e está
submetido a outras leis; nisto consiste o seu poder e o seu
significado.
A doutrina
de todos os Avataras tem suas raízes nos Três
Fatores de Revolução da Consciência: Nascer,
Morrer e Sacrificar-se pela Humanidade. O grande Cabir
Jesus sintetizou magistralmente a doutrina da Revolução
da Consciência quando disse: 'É necessário
que o Filho do Homem padeça muitas coisas e que seja
rejeitado pelos anciões e príncipes, sacerdotes
e escribas; que seja entregue à morte e que ressuscite
no terceiro dia... E acrescentou: Em verdade vos digo que
alguns não verão a morte, até que vejam
por si mesmos o reino de Deus'.
PRIMEIRO
FATOR: NASCER
"O Filho do Homem nasce na Nona Esfera; o Filho do Homem
nasce da água e do fogo." Vocês sabem muito
bem que a Revolução da Consciência tem
três fatores: Nascer, Morrer e Sacrifício. Nascer
é um problema completamente sexual. No morrer, também
entra em função o sexo, e sacrifício
pela humanidade é amor. É claro que o sacrifício
se cumpre através do trabalho esotérico em benefício
de todo o mundo.
Comecemos com o primeiro fator: Nascer. Certamente, o
homem é um ser não realizado. Todas as
criaturas nascem completas, menos o ser humano. Um cão
nasce como cão e como cão está completo.
Uma águia nasce como águia, dispõe de
grandes asas e uma visão maravilhosa que lhe permite
caçar até as serpentes mais distantes; nasce
completa. Porém, o pobre animal intelectual equivocadamente
chamado homem não nasce completo.
Acontece
que ele nasce sem os veículos que deveria ter. Nasce
sem o Corpo Astral, sem o Corpo Mental e sem o Corpo Causal.
Então, o que é que nasce? Nasce um corpo físico,
um "corpo planetário", com a base vital e
nada mais. O que há mais além disso? O Ego,
que é de natureza animal. E possui uma Consciência
o pobre animal intelectual? Sim, ele a tem, mas está
engarrafada no Ego; isso é tudo. Uma CONSCIÊNCIA
ADORMECIDA, uma Consciência, diríamos, condicionada
ao seu próprio engarrafamento.
Então,
resumindo, ele nasce incompleto. O germe penetra em uma matriz
para se desenvolver convenientemente e, pelo fato de ter nascido,
não significa de modo algum que tenha terminado completamente
os seus processos de desenvolvimento. O germe que se gestou
num ventre materno e que nasceu, que veio ao mundo, é
um germe incompleto em todo o sentido da palavra, porque não
possui os CORPOS EXISTENCIAIS SUPERIORES DO SER. Por outro
lado, não terminou sequer de desenvolver o próprio
corpo físico.
O desenvolvimento
total do corpo físico processa-se através das
várias idades: 7, 14, até os 21 anos. Graças
à ENERGIA CRIADORA, o corpo físico pode ser
gerado no ventre materno. Graças à ENERGIA CRIADORA,
o corpo físico pode continuar seu desenvolvimento através
dos 7, 14 e 21 anos de idade. De maneira que o próprio
corpo físico, pelo fato de ter nascido, não
está completo; precisa se desenvolver. Infelizmente,
vemos como os adolescentes já estão fornicando,
sem ainda terem completado seu processo de desenvolvimento.
Isto é manifestamente absurdo, porque essa energia
criadora que eles estão desperdiçando é
necessária, indispensável, para completar o
desenvolvimento do corpo físico. De maneira que, honradamente,
a função sexual deveria começar aos 21
anos de idade e não antes, porque antes o germe que
entrou no ventre materno não completou ainda seus processos
de desenvolvimento. Submetê-lo à cópula
é algo absurdo.
Observando bem todas estas coisas, meus estimados irmãos,
vale a pena refletir um pouco. Dos 21 anos em diante, a energia
sexual está livre para outras atividades. Antes dos
21 anos a energia sexual só tem um objetivo: completar
o desenvolvimento físico do germe que nasceu, isto
é, completar o desenvolvimento do corpo físico.
Após os 21 anos a energia fica livre.
Depois
dos 21 anos de idade, poderíamos usar a energia criadora
para fabricar os Corpos Existenciais Superiores do Ser e chegar
ao Segundo Nascimento. Infelizmente, as pessoas não
sabem usar a energia criadora, essa energia que as fecundou
no ventre materno, que permitiu o desenvolvimento do feto,
seu nascimento e crescimento pelas idades dos 7, 14 e 21 anos.
As pessoas não sabem utilizar essa energia quando fica
livre. Em vez de utilizá-la para a sua Realização,
completando assim sua construção, já
que o ser humano nasce incompleto, a eliminam do seu organismo.
Bem sabemos que as pessoas extraem do seu organismo o Exiohehari,
isto é, o esperma sagrado. Isto é gravíssimo...
Ao tocarmos
nesta questão relacionada com o "nascimento",
o Primeiro Fator da Revolução da Consciência,
devemos salientar que a humanidade, em todos os sentidos,
anda involutivamente. Bem sabemos que os adolescentes não
somente gastam o material sexual, a energia criadora ou ESPERMA
SAGRADO, com a cópula, mas ainda adquirem vícios
como o da masturbação. Este vício, infelizmente,
tornou-se hoje em dia mais comum do que lavar as mãos.
Os jovens, sejam eles rapazes ou moças, adquirem esse
desgraçado vício e assim arruinam miseravelmente
seus cérebros; se idiotizam. Quantas vontades teriam
sido maravilhosas e se esgotaram! Quantos rostos bonitos murcharam...
E tudo isso por falta de instrução...
Realmente,
tanto rapazes como moças não recebem nas escolas
ou colégios a devida instrução sobre
a questão sexual e, claro, o impulso sexual faz com
que sintam a necessidade de fazerem uso do sexo. Como não
têm orientação, em geral trocam idéias,
os jovens com seus amiguinhos e as jovens com suas amiguinhas,
e por aí começa o vício repugnante da
masturbação. Esta é a desgraça
da nossa época, além de outros vícios
que, infelizmente, também se tornaram comuns, tais
como o homossexualismo e o lesbianismo. Obviamente, os homossexuais
são sementes degeneradas que não servem para
nada. As lésbicas, igualmente, são sementes
degeneradas que jamais poderão germinar.
Portanto,
os vícios que existem atualmente em relação
ao sexo são insuportáveis. Se os rapazes e as
garotas pudessem crescer limpos, com uma educação
sexual perfeita e completa, tudo seria diferente. Se na verdade
os jovens, homens e mulheres, pudessem chegar até a
idade dos 21 anos respeitando o sexo, com pureza real, seria
algo admirável e teríamos uma nova geração
de seres melhores. Infelizmente, a pobre humanidade não
recebe a educação sexual no momento em que mais
necessita. Se recebessem, chegariam saudáveis à
idade dos 21 anos e isso seria maravilhoso. Se aos 21 anos,
no momento em que a energia sexual fica liberada para qualquer
tipo de atividade, a usassem com o propósito de criar
os Corpos Existenciais Superiores do Ser, isso seria formidável.
Obviamente,
creio que vocês já conhecem a chave da alquimia:
não ignorar o adágio latino que diz: Imnisium
membrum virilis in vaginam faemina sine ejaculatio seminis.
Em síntese, diríamos: união do "lingam-yoni"
sem derramar jamais a Taça de Hermes Trismegisto, o
Três Vezes Grande Deus Íbis de Thot. Como vocês
vêem, estou dando a chave, simples e clara, porém
em linguagem decente, porque ao instruir os estudantes e falar
dos Mistérios do Sexo, deve-se fazê-lo com modéstia
e de forma viva, jamais em estilo vulgar. Isto seria muito
grave para nós, seria uma infelicidade, se formariam
conceitos errôneos sobre os nossos ensinamentos. Obviamente,
o desejo refreado transmutará completamente o esperma
sagrado em energia criadora.
Bem, é
conveniente que vocês saibam que a energia sexual, da
qual tanto se fala hoje em dia na fisiologia, psicologia,
psicanálise etc., é o mesmíssimo Mercúrio
dos alquimistas medievais. Essa energia criadora transmutada
é o mesmo Mercúrio dos Sábios. Obviamente,
tal mercúrio vem a condensar-se ou a cristalizar-se,
mediante as notas DÓ, RÉ, MI, FÁ, SOL,
LÁ, SI, em uma oitava superior com a forma maravilhosa
e esplêndida do Corpo Astral.
Assim,
o Corpo Astral não é um implemento necessário
para a vida do ser humano. As pessoas vivem sem Corpo Astral.
O Corpo Vital assegura ou garante completamente a vida do
corpo físico; não há necessidade de se
possuir um Corpo Astral. O Corpo Astral é um luxo que
é dado a poucos. No entanto, bem que vale a pena dar-se
a esse luxo. Alguém sabe que tem um Corpo Astral quando
pode usá-lo, quando pode caminhar com ele, quando pode
movimentar-se no espaço com ele. Tal veículo
dá a imortalidade no mundo astral; torna alguém
imortal nessa região.
Em uma
segunda oitava, um pouco mais acima, com as notas DÓ,
RÉ, MI, FÁ, SOL, LÁ, SI, o Mercúrio
dos Sábios vem a se cristalizar no famoso e esplêndido
Corpo Mental. Quando se possui um Corpo Mental, recebe-se
a iluminação diretamente... Com um Corpo Mental,
podemos aprender, captar, todos os ensinamentos do universo.
Um
pouco mais além temos o Corpo da Vontade Consciente.
Ninguém nasce com o Corpo da Vontade Consciente, porém
mediante a transmutação da libido sexual, em
uma oitava mais elevada, com as notas DÓ, RÉ,
MI, FÁ, SOL, LÁ, SI, o Mercúrio dos Sábios
vem a se cristalizar na forma extraordinária do Corpo
da Vontade Consciente ou Corpo Causal. Quando alguém
já tem os veículos físico, astral, mental
e causal, é óbvio que poderá receber
os princípios anímicos e espirituais para se
converter em homem.
O primeiro
nascimento, de onde vocês vieram, foi o do corpo planetário
ou corpo físico. O Segundo Nascimento é o nascimento
do Filho do Homem, o nascimento do homem, falando concretamente.
De maneira que um dos fatores da Revolução da
Consciência é nascer; nascer como homem. No primeiro
caso, quem nasce é o animal intelectual; no segundo
nascimento, nasce o homem, o Filho do Homem, o verdadeiro
homem. Diz-se que o homem verdadeiro é o Homem Causal.
Por que se chama o homem verdadeiro de Homem Causal? Simplesmente
porque fabricou o Corpo Causal, que é o último
dos corpos necessários para que alguém se torne
homem. Então, seu centro de gravidade fica estabelecido
no Mundo Causal; vive ali, nessa região. O Mundo Causal
tem uma tonalidade azul profunda, intensa, elétrica.
Esta é a cor fundamental ou básica do éter,
ou akash, akasha puro. Ali se descobre que tudo flui
e reflui, vai e vem, sobe e desce, cresce e decresce. No Mundo
das Causas Naturais conhecemos todo o encadeamento de causas
e efeitos, de efeitos e causas. Toda causa tem um efeito,
todo efeito se converte por sua vez em causa. Cada palavra
dita, pode dar origem a muitos efeitos, a toda uma série
de efeitos.
Em certa
ocasião, estando no Mundo Causal, escutei um homem
que dava uma palestra. Intencionalmente, interrompi aquele
homem para fazer uma objeção a uma palavra sua.
Aquele Homem Causal guardou silêncio e agiu muito bem.
Mas em seguida vi como apareceu o resultado das minhas palavras,
da minha objeção. Aquela reunião terminou
de imediato porque o Homem Causal se retirava. Ao terminar
aquela reunião, cada um saiu dizendo algo... seu conceito
e os conceitos, por sua vez, produziram outros resultados.
E esses resultados produziram outros resultados e a outros
mais... Portanto, percebi que a interrupção
que eu havia provocado tinha dado origem a uma série
de conseqüências. Eu havia agido intencionalmente
com o propósito de investigar a Lei de Causa e Efeito
e o resultado fora aquele. No Mundo das Causas Naturais é
que se vem a conhecer o que é a Lei de Causa e Efeito.
Claro, ali se movem os Senhores da Lei com seus pesos e balanças;
estão sempre ativos anotando nos Arquivos Akáshicos
os débitos e os créditos da cada um de nós.
Em algumas
reuniões no Mundo das Causas Naturais, é de
causar assombro ver nela reunidos aos diferentes Adeptos encarnados
todos vestindo trajes civis, tais quais os que usamos aqui
no mundo físico. Não quero dizer com isto que
seja sempre assim. Claro que dentro dos templos os Adeptos
usam suas vestes sagradas. Porém, em certas reuniões
ou assembléias, todos esses Mestres, que têm
corpo no mundo físico, assistem-nas vestidos como civis,
como cavalheiros, decentemente, como se estivessem no mundo
físico. Usam gravata, roupas bem ajustadas, apresentam-se
de relógio no pulso e outras tantas coisas... A que
se deve isso? É que essa é a região do
Homem, do Homem Real, do Homem Verdadeiro; a região
do Homem Causal. De modo que o Segundo Nascimento é
nascer como Homem Causal, como homem verdadeiro. Este é,
portanto, o primeiro fator da Revolução da Consciência:
Nascer.
SEGUNDO FATOR: MORRER
"Se alguém consegue passar pela aniquilação
budista, se consegue morrer radicalmente, desperta absolutamente,
aqui e agora." Assim como a vida representa um processo
gradual e sempre mais completo de exteriorização
ou extroversão, da mesma forma a morte do Ego é
um processo de interiorização gradativa, no
qual a Consciência individual, a essência pura,
se despoja de suas inúteis vestimentas, como Ishtar
em sua simbólica descida, até ficar inteiramente
nua e desperta em si mesma diante da grande realidade da vida
livre em seu movimento.
Indubitavelmente,
para que a luz, que constitui a essência anímica
agora engarrafada no Ego, comece a brilhar, a cintilar e a
resplandecer, deve se libertar. Porém, em verdade vos
digo, que isto só é possível para quem
passa pela terrível aniquilação budista,
para quem dissolve o eu e morre em si mesmo. Se
o germe não morre, a planta não nasce. É
necessário morrer, isto é, o Ego animal deve
deixar de existir em nós, em nossa psique, se é
que queremos gozar da autêntica iluminação.
Normalmente,
os irmãos gnósticos, os aspirantes, nossos afiliados,
sofrem muito por falta de iluminação. Eles gostariam
de se mover nas regiões inefáveis, visitar o
Nirvana, o Maha-paranirvana, escutar a Música das Esferas
etc. Mas, ao se verem presos, escravizados nesta região
tridimensional de Euclides, ao não poderem perceber
todas essas maravilhas dos mundos superiores, sofrem o indizível.
É claro que seus sofrimentos são lógicos;
têm razão em sofrer.
Uns querem
se adiantar aos fatos. Falando em linguagem vulgar, diria
que alguns querem pôr a sela antes de trazer o cavalo
ou ordenhar a vaca antes de comprá-la; querem ser exploradores
do espaço sem terem ainda adquirido as faculdades para
isso. Às vezes, metem-se no espiritismo e terminam
convertidos em médiuns, etc., cujas práticas
conduzem à epilepsia. Todos os epilépticos que
investigamos foram médiuns do espiritismo em passadas
existências. De maneira que não é nada
agradável tornar-se epiléptico; isso é
muito duro, muito ruim.
Continuando,
direi a vocês que a iluminação não
é possível se não se desintegra o Ego.
Normalmente a Consciência, aliás anormalmente,
porque não se pode dizer que isso é normal,
está engarrafada no Mim Mesmo, no Eu da psicologia
experimental. É claro que enquanto a Consciência
continuar engarrafada no Ego, enfrascada no Mim Mesmo, estará
adormecida, funcionando em função de seus próprios
condicionamentos. Será subjetiva, incoerente e imprecisa.
Escutei
o que me informaram em relação aos ataques de
tenebrosos em Guadalajara e o que lhes respondi? Que tudo
isso se devia ao subjetivismo do Ego. Que alguns irmãos
sejam possuídos por demônios, que as bruxas da
meia-noite, montadas em suas vassouras, venham atormentar
os bons irmãozinhos, que os ataquem incessantemente,
que os ameacem de morte e muitas outras incoerências,
parece-me bem mais coisas da seita dos vudu! Na verdade, no
fundo, isso me parece nefasto. Porém, nenhuma dessas
questões tão incoerentes, tão imprecisas
e tão vagas, de bruxas, de vampiros e de cinqüenta
mil coisas mais, aconteceria se os aspirantes não tivessem
Ego. Tudo isto se deve ao Ego.
Quando
foi que vocês ouviram falar que um Gautama Sakyamuni
foi atacado por bruxas, que o tenham invadido, que se tenham
apossado dele? E que Gautama depois tenha ferido de morte
uma outra pessoa gritando: te mato, te mato, vim te matar?
Isso jamais se viu entre Iniciados! De modo que tudo isso
acontece entre pessoas que têm Ego. Não havendo
Ego, não há nada disso, porque quando destruímos
o Ego, quando passamos pela aniquilação budista,
a Consciência então se emancipa, se libera, fica
autodesperta, se torna objetiva; as incoerências terminam.
Não vem senão a iluminação total,
limpa, sem manchas, sem vacuidades de nenhum tipo. Quando
temos mente objetiva, Consciência objetiva, a única
coisa que reina em nós é a claridade meridiana
do espírito. Então, nos movemos no mundo das
matemáticas e das perfeições. Mas isso
não seria possível se antes não passássemos
pela aniquilação budista.
Poderia
sintetizar para vocês a didática, diríamos,
da aniquilação budista em poucas palavras: Precisamos
viver alertas como a sentinela em tempo de guerra. É
no terreno da vida prática, no relacionamento com nossas
amizades, em casa, na rua, no trabalho, que os defeitos que
levamos escondidos afloram de forma espontânea. Defeito
descoberto deve ser imediatamente julgado, submetido de imediato
à análise. Mediante a Auto-Reflexão Evidente
do Ser, podemos conhecer diretamente qualquer defeito. Tendo
compreendido tal ou qual erro psicológico, indubitavelmente
poderemos nos dar ao luxo de desintegrá-lo.
Chegamos
ao ponto crítico, difícil, desta palestra que
damos aqui. Gurdjieff, Ouspenski, Nicoll e muitos outros autores
da quarta via, gnósticos também como nós
(porque também somos da quarta via ou quarto caminho),
pensaram que poderiam desintegrar qualquer agregado psíquico
inumano, isto é, qualquer defeito, qualquer eu, através
da simples compreensão criadora e nada mais.
Gurdjieff
cometeu um erro imperdoável, com o qual, naturalmente,
lançou um grave karma sobre si. Este erro foi ter se
pronunciado contra a Divina Mãe Kundalini. Que o fez
por ignorância, não o nego. Assim foi! Porém,
de qualquer modo, a ignorância da lei não exclui
seu cumprimento. Ele confundiu a serpente sagrada Kundalini
com o abominável órgão kundartiguador
e atribuiu à Devi Kundalini os efeitos sinistros e
tenebrosos do abominável órgão kundartiguador.
Para que
vocês entendam melhor, lhes direi que há duas
serpentes: a que sobre e a que desce. A serpente de bronze
que curava os israelitas no deserto, enroscada no lingam gerador,
no Tao, e a serpente Piton, com sete cabeças, que se
arrastava no lodo da terra e que Apolo, irritado, feriu com
seus dardos. A serpente que subia pela vara de Esculápio,
o deus da medicina, e a serpente que se arrastava no lodo,
a serpente tentadora do Éden. Eis aqui a dupla pata
do galo dos Abraxas, dos gnósticos. Portanto, a serpente
que sobre é sagrada, é a Kundalini, e a que
desce é o kundartiguador. O erro de Gurdjieff foi atribuir
à serpente ascendente os efeitos hipnóticos,
tenebrosos e abomináveis da serpente descendente. Foi
aí que Gurdjieff falhou.
No
México, existe o Instituto para o Desenvolvimento Harmonioso
do Homem. Esta é a Escola de Gurdjieff. Porém,
pergunto: Quem dentre eles conseguiu eliminar os eus? Qual
o estudante que conseguiu libertar a sua Consciência
radicalmente? Qual deles chegou à iluminação
objetiva? Nenhum! Porque a mente por si mesma não pode
alterar fundamentalmente nenhum defeito. Pode, sim, rotulá-lo
com diferentes nomes, justificá-lo, condená-lo,
buscar evasivas ou escapatórias para evitá-lo;
pode escondê-lo de si mesma e dos outros, mas nunca
poderá desintegrá-lo. Precisamos de um poder
que seja superior à mente e Gurdjieff não aplicou
este procedimento sobre si. Lamento que Gurdjieff tenha desviado
o sentido do ensinamento que eu mesmo lhe dei porque Gurdjieff
é meu discípulo. Lamento que tenha cometido
esse grave erro. Deixou-se influir por outras mentalidades
e isso é lamentável...
Assim,
olhando as coisas de frente, precisamos de um poder que seja
superior à mente e este não é outro que
a Kundalini, a serpente ígnea de nossos mágicos
poderes. Somente ela pode pulverizar qualquer agregado psíquico
inumano, seja este de ira, cobiça, luxúria,
inveja etc. Naturalmente, primeiro temos de descobrir o defeito
que queremos eliminar. Como segundo requisito, há que
trabalhá-lo, compreendê-lo e, como terceiro,
eliminá-lo. E podemos eliminá-lo com o poder
da Divina Mãe Cósmica, com o poder da Divina
Mãe Kundalini. Porém, há que se apelar
à Kundalini, a Devi Kundalini Shakti. Apelar naquele
momento em que necessitamos eliminar o agregado psíquico
que tenhamos descoberto e compreendido. Sim, há que
se apelar a Ela, rogar-lhe que pulverize o tal defeito e Ela
o fará.
Agora,
o poder máximo da víbora sagrada, da Divina
Cobra dos templos, encontra-se na Forja dos Cíclopes.
Se um casal invocar de verdade a víbora divina em pleno
trabalho na Forja dos Cíclopes, em pleno trabalho sexual
espiritual, certamente obterá resposta.
Deve-se,
pois, apelar a esse poder transcendental e maravilhoso da
cobra dos antigos mistérios divinos. E quem não
tem companheira? E a mulher que não tem cônjuge?
Também podem apelar à Cobra Sagrada! De qualquer
maneira, ela trabalhará para desintegrar os defeitos.
No entanto, estou afirmando que o máximo de seu poder
está na Forja dos Cíclopes, na Fragua Acesa
de Vulcano. Falo a vocês nesta linguagem serpentina
porque são irmãos que já fizeram o Curso
de Missionários. Portanto, têm de estar preparados
para entender este idioma porque quando se fala dos mistérios
sexuais, deve-se falar com decência, com dignidade,
jamais numa linguagem vulgar, sempre numa linguagem esotérica,
edificante e essencialmente dignificante.
Se conseguirem
passar pela aniquilação budista, se conseguirem
morrer radicalmente, despertarão absolutamente, aqui
e agora. Far-se-ão conscientes da vida nos mundos superiores.
Mas é necessário morrer para despertar! Repito:
aqui e agora! Quando alguém desperta verdadeiramente,
o problema do desdobramento deixa de existir, a pessoa fica
consciente tanto no mundo físico como nos mundos superiores.
Esteja o corpo dormindo ou desperto, se estará sempre
consciente. O problema do desdobramento astral desaparecerá
de forma definitiva e para sempre porque se seu corpo dorme,
manterá a Consciência e consciente estará
no mundo astral. Ali viverá consciente, agirá
conscientemente e regressará à vontade ao seu
corpo físico quando quiser. Então, onde fica
o problema do desdobramento? Como problema, ele deixa de existir.
O importante é despertar... Com a morte se mata a morte
por toda uma eternidade!
TERCEIRO FATOR: SACRIFÍCIO
PELA HUMANIDADE
Jesus Cristo disse: "Se vos amardes uns aos outros, provareis
que sois meus seguidores". Jamais conseguiremos cumprir
este preceito cristão enquanto continuarem dentro de
nós os eus do ressentimento e do amor próprio.
É urgente, improrrogável, inadiável,
eliminar de nossa psique tais elementos indesejáveis.
O eu do ressentimento ou do desejo revanchista sempre deu
origem aos grandes fracassos no mundo.
O terceiro
fator é o sacrifício pela humanidade. Precisamos
amar nossos semelhantes, porém temos de demonstrar
nosso amor com fatos concretos, claros e definitivos. Não
basta dizer que amamos nossos semelhantes, não! Há
que se demonstrar isso com fatos. Há que estar disposto
a subir ao altar do supremo sacrifício pela humanidade.
Temos que levantar a tocha da sabedoria para iluminar o caminho
dos demais. Há que estar disposto a dar até
a última gota de sangue por todos os nossos semelhantes,
com verdadeiro amor, desinteressado, puro...
De maneira
que o terceiro fator de Revolução da Consciência
é o sacrifício por nossos semelhantes. Nascer,
morrer e sacrifício pela humanidade são os três
fatores que nos convertem em verdadeiras encarnações
do Cristo Cósmico. Esses três fatores terminam
nos convertendo em deuses, ainda que tenhamos corpos de homens.
Esses três fatores terminam fazendo de nós algo
diferente: transformam-nos em deidades, em deuses inefáveis,
Elohim, Daimons etc.
Se trabalhamos
com o primeiro e o segundo fatores, nascer e morrer, mas não
amamos nossos semelhantes, nada estaremos fazendo para levar
a luz do conhecimento a outras pessoas, povos e nações.
Cairíamos num egoísmo espiritual muito refinado
que nos impediria todo avanço interior. Se somente
nos preocupamos conosco e nada mais e nos esquecemos de tantos
milhões de seres que povoam o mundo, inquestionavelmente
nos auto-encerramos em nosso próprio egoísmo.
Dessa forma, o eu do egoísmo não permitirá
a iluminação.
O egoísmo
pode se apresentar sob formas sumamente refinadas que temos
de eliminar. Enquanto tivermos o egoísmo dentro de
nós mesmos, não será possível
a iluminação. O egoísmo está formado
por múltiplos eus dentro dos quais se encontra enfrascada
a Consciência. É verdade que há que se
desintegrar essa multiplicidade de eus egoístas, pois,
se não o fizermos, a Consciência continuará
engarrafada, condicionada, aprisionada, limitada... E qualquer
possibilidade de iluminação estará anulada.
Devemos
compreender que toda a humanidade é uma grande família.
Infelizmente, estamos engarrafados em muitos afetos e consideramos
unicamente como família a umas poucas pessoas que nos
rodeiam. Isto é egoísmo, porque todos os seres
humanos, sem exceção de raça, credo,
casta ou cor, constituem uma só família. Essa
família chama-se humanidade. Se só vemos como
irmãos aos que nos rodeiam desde o berço, vamos
muito mal. Se unicamente queremos redimir essas pessoas que
se dizem nossos familiares, agimos de forma egoísta.
Torna-se indispensável ver em cada pessoa um irmão.
Não digo isso por mero sentimentalismo, mas porque
em verdade somos todos irmãos. Não é
uma frase meramente sentimentalista. É real, tal como
se escuta! Somos uma família, uma só grande
família que não deveria estar dividida. Uma
enorme família que povoa a Terra e que se chama humanidade.
A esses
nossos irmãos, necessitamos levar o conhecimento; mostrar-lhes
a senda, para que algum dia eles também possam trilhá-la
e chegar à liberação final. Se queremos
ser felizes, precisamos lutar pela felicidade dos outros.
Quanto mais se dá, mais se recebe. Mas quem nada dá,
até o que tem lhe será tirado.
Como poderíamos alcançar a autêntica felicidade
nirvânica ou paranirvânica, aqui e agora, se não
trabalhássemos pela felicidade dos outros? A autêntica
felicidade do Ser não pode ser egoísta, a conseguimos
apenas através do sacrifício por nossos semelhantes.
Assim,
quem conseguiu os estágios mais elevados do Ser, quem
ingressou nos mundos paranirvânico, maha-paranirvanico,
monádico, ádico ou quem enfim conseguiu fundir-se
com o Eterno Pai Cósmico Comum, obviamente sacrificou-se
no mundo, de alguma forma, por seus semelhantes e isso lhe
deu méritos suficientes para conseguir em verdade a
felicidade que não tem limites nem margens jamais.
Para se fazer curso de missionário, deve-se pensar
no bem comum; que devemos amar, sim, de uma forma extraordinária
a todos os seres que povoam a superfície da Terra.
Amar não apenas os que nos amam, porque isso qualquer
um faria, mas também os que nos odeiam; os que nos
amam porque nos compreendem e os que nos odeiam porque não
nos compreendem.
Não
deve existir em nós isso que se chama ódio.
Há pessoas que destilam e bebem seu próprio
veneno e sofrem o indizível!... Isso é grave!
Não se deve ser tão tonto. Aquele que está
destilando e bebendo o seu próprio veneno é
um tonto. Aquele que forjou um inferninho em seu entendimento
é um néscio; precisa pensar que o melhor mesmo
é amar, pois se fizer de sua mente um inferno, jamais
será feliz. As pessoas estão todas cheias de
ressentimentos. Isso é gravíssimo! Onde quer
que exista o eu do ressentimento, o amor não poderá
florescer. Não há quem não tenha ressentimentos.
Todo mundo guarda em seu coração palavras, fatos
ou acontecimentos dolorosos, acompanhados naturalmente de
suas conseqüências ou corolários, que são
os já mencionados ressentimentos.
Que ganhará
quem carrega tudo isto? Nesse sentido, não sabe amar.
É revanchista, não sabe amar. Aquele que odeia
está muito perto da maldição. É
necessário saber compreender os outros, aprender a
olhar do ponto de vista alheio, se é que queremos saber
amar. As pessoas são incompreensíveis, não
querem entender às outras, simplesmente porque não
sabem ver do ponto de vista alheio. Se alguém se situa
no ponto de vista alheio, aprende a perdoar, aprende a amar.
Porém, se não é capaz de perdoar ninguém,
não sabe amar.
Agora,
perdoar de forma mecânica não serve para nada.
Alguém poderia perdoar simplesmente porque aprendeu
na doutrina gnóstica que deve perdoar. Isso seria automático,
não serve! No fundo, continuará com o mesmo
ressentimento, com o mesmo ódio e até com o
mesmo desejo revanchista, sufocado e reprimido.
Quando se diz PERDOAR, isso implica uma eliminação.
Ninguém poderá perdoar se não eliminar
o eu do ressentimento, se não anular o eu do rancor,
se não reduzir a poeira cósmica o eu do revanchismo,
o eu que quer tirar o cravo etc. Enquanto tais eus não
tenham sido eliminados através da compreensão
e com o auxílio de Kundalini Shakti, não será
possível perdoar de verdade. Se perdoa, isso será
automático e perdão automático não
é perdão.
Temos
que ser sinceros com nós mesmos, se queremos saber
amar. Se alguém não é sincero consigo
mesmo, não poderá amar jamais... Amar implica
em um trabalho, trabalho dispendioso sobre si mesmo. Como
alguém poderia amar aos outros se não trabalha
sobre si mesmo, se não elimina do seu interior os elementos
da discórdia, do revanchismo, do ressentimento, do
ódio etc.? Quando tais elementos infra-humanos moram
em nossa psique, fica anulada toda a nossa capacidade de amar.
Necessitamos amar todos os nossos semelhantes, mas repito:
isto implica em um trabalho. Não é possível
amar enquanto os elementos do ódio existirem em nós
mesmos. Se queremos amar, devemos ser sinceros. Necessitamos
nos auto-explorar, nos auto-investigar, para descobrir esses
elementos que nos incapacitam de amar.
Existe muito amor fingido nas diferentes escolas de tipo pseudo-esotérico
e pseudo-ocultista. Nós, gnósticos, não
devemos aceitar o amor fingido; devemos ser exigentes com
nós mesmos. Vamos ou não amar nossos semelhantes?
Sejamos sinceros! Não se trata de nos deixarmos levar
por sentimentalismos sublimes. Poderíamos crer que
amamos quando na realidade não estamos amando.
O amor
é algo muito sublime. Vou lhes dar um exemplo ou alguns
exemplos sobre o amor. O fundador da cidade de Nova York era
um homem muito inteligente; tinha uma esposa muito distinta...
Quando fundou Nova York, aquilo parecia um paradoxo: ali nada
mais havia do que vegetação, árvores,
montanhas etc. Ele concebeu a idéia de uma grande cidade
ao contemplar aquela região. No entanto, era a época
dourada, a época em que nos Estados Unidos as pessoas
tinham sede de ouro; coisa que sempre tiveram. Mas, naquela
época, era muito mais manifesta a cobiça pelo
ouro físico, pelas minas de ouro, etc. Indo-se pelo
mundo, cometeu um erro que considerou muito sério:
abandonou sua esposa em plena montanha. Não a abandonou
por nenhuma outra mulher, não, apenas pelo ouro, para
buscar as minas... Um dia soube dela, alguém disse-lhe
que ela tinha morrido. Não se preocupou muito com isso
porque não tinha senão ânsias, sede insaciável
por ouro. Mais tarde, encontrou uma mulher e casou-se com
ela. Construiu uma estrada de ferro e estabeleceu bancos.
Quando se tornou um grande homem, falando diante de um auditório,
de repente descobriu entre as pessoas que ali estavam, aquela
que ele havia abandonado. Aquele homem já não
pôde mais falar. Tratou de se segurar, ficou confuso
porque julgava que ela estivesse morta. Ela, por sua vez,
fora informada que ele havia se casado outra vez e que tinha
seis filhos... No auditório, quando se encontraram,
ambos levaram a mão à boca... Ele não
sabia o que fazer. Foi ela quem falou: "Não te
preocupes, sei que estás casado". Ele estava perplexo,
claro, porque recordava seu primeiro amor. Ele a amava, só
que sua sede pelo ouro fizera com que a abandonasse... Ele
não sabia o que fazer, quando ela continuou: "Podes
ir, segue teu caminho". Ela também o adorava.
Ele tentou se afastar e percebeu que não podia, sentiu
que era difícil se desprender dela. Porém, ela
deu-lhe coragem: "Não olhes para trás,
siga em frente, não te detenhas por mim. Tu deves triunfar.
Te amo muito e desejo teu triunfo..." Ele se foi caminhando
como um sonâmbulo até que ela partiu. Ela o amava
muito... Ele poderia ter deixado a outra mulher imediatamente
e ir-se com ela, mas ela preferiu a felicidade dele à
própria. Isso é amor! Qual de vocês se
sente capaz de fazer isso? Ser capaz de renunciar ao que mais
ama pela felicidade do ser amado? É que o amor não
quer recompensa; ele é dádiva por si mesmo,
ele é trabalho com renúncia aos frutos. O amor
não quer senão o bem dos outros, ainda que isso
lhe custe a própria felicidade.
Pretender
definir o amor é um tanto difícil. Se o definimos,
o desfiguramos. Ele é bem mais como uma emanação
surgida, diríamos, do fundo da própria Consciência.
Ele é uma função do Ser. Temos de entender,
temos de compreender a necessidade de amar nossos semelhantes,
porque mediante o amor podemos nos transformar. É amando
que distribuímos bênçãos, levamos
o ensinamento a todos os povos da Terra e encaminhamos os
outros com o máximo de paciência. Devemos saber
perdoar os defeitos alheios.
Inquestionavelmente, ao levarmos o ensinamento aos outros,
encontraremos muita resistência; choverão pedras
em muitas ocasiões, porém há que saber
amar, perdoar a todos e não reagir.
As pessoas
vivem reagindo diante dos impactos que provêm do mundo
exterior. Há sempre uma tendência a reagir. Quero
me referir às mesas diretoras dos Lumisiais. Em plena
assembléia alguém diz algo relacionado a outra
pessoa e nunca falta a reação imediata do aludido.
Algumas vezes com ira, outras com impaciência, porém
de alguma forma sempre reage. Raras vezes tenho visto uma
mesa diretora onde algum sujeito permaneça impassível;
sem reagir ao que os outros digam. Essa tendência de
reagir contra todo o mundo existe em todos. Mas que engraçadas
são as pessoas! Basta que se mova um botão para
que trovejem e soltem relâmpagos. Se outro botão
se move, sorriem docemente.
Os humanóides
são máquinas que todo o mundo controla como
quer. São como um instrumento musical onde cada um
toca sua própria canção. Se alguém
quiser que vocês sorriam, basta que lhes diga umas palavras
doces, que lhes dê umas palmadinhas no ombro, e sorrirão
docemente. Se quiser que se irritem, basta que lhes diga umas
quantas palavras duras e já estarão com o cenho
franzido e reagindo imediatamente. Aqui mesmo, eu estou conversando
com vocês e os vejo um pouco sorridentes. Se neste momento
lhes lançasse uma descompostura, que aconteceria? Mudariam
de imediato e já não estariam tão sorridentes,
as sobrancelhas se mostrariam franzidas... Isso é triste,
mas assim é. Por quê? Porque são máquinas;
instrumentos que todo o mundo toca, como um violão.
Quem quiser vê-los contentes lhes dirá umas quantas
palavras doces e já estarão felizes. Quem quiser
vê-los furiosos lhes dirá umas palavras duras
e já estarão terríveis.
De maneira
que dependemos dos outros. Não temos liberdade. Não
somos donos de nossos próprios processos psicológicos.
Cada um faz de nós o que bem quiser. Umas quantas palavrinhas
elogiosas e imediatamente – ah! – somos tomados
de auto-importância. Outras palavrinhas humilhantes
e que tristes e pequenos nos sentimos. Se cada um faz de nós
o que quer, então onde está a nossa autonomia?
Quando deixaremos de ser máquinas?
É
óbvio que para se aprender a amar, há que se
adquirir autonomia, porque se alguém não é
dono de seus próprios processos psicológicos
jamais poderá amar. Como? Se os outros são capazes
de nos tirar do estado de paz e nos pôr em estado de
discórdia, como poderíamos amar? Enquanto dependermos
psicologicamente dos outros, não seremos capazes de
amar. A dependência obstaculiza o amor. Precisamos acabar
com a dependência e nos fazer amos de nós mesmos,
donos de nossos próprios processos psicológicos..
Quando
estive reencarnado como Tomás de Kempis, escrevi o
livro Imitação de Cristo. Naquela antiga obra,
há uma frase que diz: "Eu não sou mais
porque me louvam nem menos porque me vituperam, já
que eu sempre sou o que sou..." De maneira que devemos
permanecer impassíveis diante do louvor e do vitupério,
diante do triunfo e da derrota; sempre serenos, impassíveis,
sempre donos de nós mesmos, de nossos próprios
processos psicológicos.
Assim,
por esse caminho, estaremos sempre estáveis nisso que
se chama amor. Necessitamos nos estabelecer no reino do amor,
mas não o conseguiremos fazer se não formos
donos de nossos próprios processos psicológicos.
Pois se os outros são capazes de nos enraivecer cada
vez que quiserem, se os outros são capazes de fazer
com que sintamos ódio, se os outros são capazes
de fazer com que sintamos desejo de revanchismo, obviamente
não somos donos de nós mesmos e, nessas condições,
jamais poderemos estar estabelecidos no reino do amor. Estaríamos
no reino do ódio, da discórdia, do egoísmo,
da violência, porém jamais no reino disso que
se chama amor.
Devemos
permanecer estáveis no reino do amor. Temos que nos
tornar donos de nossos próprios processos psicológicos.
Se batemos numa porta, por exemplo, para dar o ensinamento
gnóstico e nos recebem a pedradas, se nos afastamos
dali com desejos de vingança ou terrivelmente confundidos,
não servimos para ser missionários gnósticos.
Se chegamos a um povoado para predicar a palavra, o senhor
cura nos corre e nos enchemos de terror, por acaso serviremos
para ser missionários gnósticos?
O medo
nos incapacita de amar. Do que temos medo? Da morte? Porque,
se nascemos para morrer? Que morramos uns dias antes ou uns
dias depois, qual a diferença? Sempre teremos que morrer!
Do que temos medo? Além do mais, a morte é tão
natural quanto o nascimento! Se temos medo da morte, devemos
ter também do nascimento, já que são
os dois extremos do mesmo fenômeno que se chama vida.
Ter
medo da morte? Por que? Se tudo o que nasce tem de morrer?
As plantas nascem e morrem, os mundos nascem e morrem. A nossa
própria Terra nasceu e um dia será um cadáver,
ficará convertida em uma outra Lua.
Portanto, por que temer a morte? A morte é a coroa
de todos e por certo é até muito bela. Jamais
se deve olhar a morte com horror; mas vê-la como ela
é. Ver um cadáver em um caixão no meio
de uma sala não é ter compreendido o mistério
da morte. O mistério da morte é muito sagrado.
Jamais poderíamos compreender a origem da vida, o mistério
da vida, se antes não tivéssemos compreendido
a fundo o mistério da morte. Quando alguém entende
de verdade o que são os mistérios da morte,
entende os mistérios da vida. A morte nos proporciona
momentos deliciosos; com ela vem a paz.
Bem vale
a pena não se ter medo ao morrer. Se alguém
morre no cumprimento do seu dever, trabalhando pela humanidade,
esse alguém será recompensado com créditos
nos mundos superiores. Dar a vida por seus semelhantes é
algo sublime. Foi isso que fez o Divino Rabi da Galiléia.
É o que fizeram todos os santos e todos os mártires:
Santo Estevão, apedrejado por ensinar a palavra, Pedro,
crucificado de cabeça para baixo e pernas para cima,
indicando com isso o trabalho na Forja dos Cíclopes.
Esses são os verdadeiros mártires. Esses são
os que se sobressaem mais tarde, no Mahanvantara, como deuses.
Assim, temer é absurdo. Que mais poderia nos acontecer?
Que nos levassem a um paredão de fuzilamento? E daí?
No final, morre-se uns dias antes ou uns dias depois. Isso
é algo que não tem a menor importância!
Vale a
pena que pensemos em todas essas coisas. Por temor, os homens
se armam para matar os outros, por temor há guerra
entre as nações... Cada nação
teme que outra a invada e por isso se arma; depois vem o desastre.
Por temor existem os ladrões, os quais têm medo
da vida. Por temor existem as prostitutas, as quais têm
medo da fome. Por temor um homem mata o outro. O temor é,
pois, a raiz de muitas maldições sobre a Terra.
Temos
de acabar com o eu do medo. Devemos deixar o medo no umbral
do templo. Infelizmente, há diferentes tipos de medo.
Quem tem medo, jamais poderá enfrentar a prova do guardião
da imensa região. Como poderia enfrentá-la,
se teme? Quem tem medo, ao ver-se fora do corpo físico
fica chiando. Até parece que se esqueceu que já
deixou sua mamãe, seu papai, seus irmãozinhos,
seu avô... E agora, que faço?
Vocês podem ficar seguros que estamos sós, cada
um de nós está só e a única família
que temos se chama humanidade. Depois da morte, qualquer um
tem de chegar à conclusão de que está
só. A boa reputação do papai e da mamãe,
o carinho dos irmãos e amigos, tudo isso fica para
trás. Descobre-se que se é apenas uma criatura
da natureza e isso é tudo; sem nome nem sobrenome,
terrivelmente só. E o papai, e a mamãe e os
irmãozinhos? São tão somente a fascinação
de um dia! Nada disso temos, estamos espantosamente sós.
Ao longo
do tempo, a única coisa que temos de buscar dentro
de nós é o Pai que está em segredo, nossa
Mãe Eterna e sempre Divina, a Kundalini, e o Senhor
Cristo. E a família? São todos os milhões
de seres humanos! Não me refiro somente aos da Terra,
mas aos de todos os mundos do espaço. Esta é
a realidade!
O que estou lhes dizendo é uma realidade descarnada,
mas é a realidade. Descarnada porque vocês querem
muito a seus familiares, não é verdade? Agora,
se alguém não tivesse família, vocês
diriam: Bom, se não a tem, que lhe importa, pois? Não,
eu também tenho família e me dou conta de que
isso é vão! Não quero dizer que não
gosto de meus familiares. Sim, eu gosto deles, como vocês
gostam dos seus. Só que eu já experimentei diretamente
a realidade da minha própria família e cheguei
à conclusão de que família é toda
a humanidade.
Não
guardo ressentimentos contra a minha família. Não
acreditem que estejam ouvindo alguém ressentido, não!
Quando falo que experimentei a realidade do que é a
família, estou me referindo de forma transcendental
ao ensinamento. Fora
do corpo físico, ensinaram-me os mistérios da
vida e da morte. Em certa ocasião, fizeram com que
sentisse a morte por antecipação. Fizeram com
que saísse do corpo físico e já fora
da forma física fizeram com que me adiantasse no tempo
para que eu me visse morto. O que vi? Um cadáver. O
que havia naquele ataúde? Um corpo. Qual? O meu. Quem
estava diante do ataúde na sala cheia de flores e coroas
de defunto? Meus familiares. Entre eles, ali estava minha
mãe. Aproximei-me dela, beijei sua mão e disse:
Agradeço pelo corpo que me destes, muito me serviu
esse corpo, seu resultado foi maravilhoso. Muito obrigado!
Aproximei-me de todos os outros familiares, despedindo-me
deles.
Abandonei aquela moradia e submergi no seio da natureza, convencido
de que estava desencarnado... E o que havia? A natureza: vales
profundos, montanhas, oceanos, nuvens, ar e sol. E meus familiares?
Tinham ficado no passado, já não tinha mais
familiares. Nomes, títulos, minha linhagem, meu povo,
minha língua... o que havia restado? Coisas do passado!
Agora estava submerso na natureza selvagem. E minha querida
família? Somente pude exclamar: Já não
tenho família!
E os seres
que me eram próximos? Isso foi no passado, agora estou
só, espantosamente só. Sou tão somente
uma criatura da natureza; natureza selvagem. O que há
são uns vales, umas montanhas, uma terra úmida
de chuva... E minha casa? Que casa? Já não tenho
casa. E bens? Muito menos bens terrenais; de onde os vou tirar?
Então, quem sou? Uma partícula da natureza,
de uma natureza selvagem, que nada tem que ver com questões
familiares.
Conclusão:
minha família é toda a humanidade ou todos os
humanóides; todos os mundos, as humanidades planetárias
e isso é tudo! No entanto, senti um pouco de tristeza
ao perceber que o cordão de prata ainda não
se havia rompido. Quisera tê-lo rompido, mas permanecia
intacto. Não me restou outro remédio a não
ser regressar. Eu pensava que já estava desligado completamente
da forma física mas tinha que voltar outra vez. Voltei
e entrei novamente em meu corpo.
Esta é,
pois, a realidade com relação aos familiares,
aos parentes, primos, irmãos, tios, sobrinhos, netos,
bisnetos, tataranetos, etc. Enfim, tudo isso, no fundo, nos
fascina. Necessitamos elevar um pouco o coração
com a frase sursum corda: PARA CIMA, CORAÇÕES!
E saber que todos nós somos uma grande família.
Precisamos ver em cada pessoa um irmão, sentir cada
um de nossos irmãos como carne de nossa carne, como
sangue de nosso sangue. Jamais ver os outros como estranhos,
como gente diferente, porque isso é absurdo. Todos
são uma enorme, uma imensa família que se chama
humanidade.
Devemos
nos sacrificar por essa imensa família com verdadeiro
amor. Se assim o fazemos, seguimos com o 3º fator de
Revolução da Consciência em plena forma.
Trabalhando pelos outros também somos recompensados.
Ainda que renunciemos aos frutos da ação, sempre
somos recompensados. Trabalhando pelos outros podemos cancelar
o velho karma que trouxemos de existências anteriores.
Conheci
muita gente que sofria vários problemas na vida. Por
exemplo, econômicos. Aqueles que têm problemas
econômicos, inquestionavelmente causaram prejuízos
econômicos a outras pessoas no passado e agora colhem
daquilo que semearam, bebem do seu próprio chocolate.
No entanto, queixam-se, protestam, blasfemam etc. Querem melhorar
sua situação econômica, mas não
reparam o mal que fizeram, não tomam parte em alguma
ação cooperativa, não são capazes
de partir seu pão para dar a metade ao faminto, não
são capazes de tirar uma camisa para com ela vestir
um desnudo, não são capazes de dar um consolo
a ninguém, etc. Contudo, querem melhorar economicamente.
Claro, solicitam serviços, pedem que os ajudemos no
trabalho para mudar sua situação, mas não
se preocupam em ajudar ninguém; são parasitas
que vivem sob o sol.
Dessa
forma, como poderiam melhorar economicamente? Toda causa traz
seu efeito. O karma é o efeito de uma causa anterior.
Se queremos anular o efeito, há que começar
por anular a causa que o produziu. Anula-se a causa que o
produziu com inteligência, sabendo-se anulá-la.
Vocês
irão se encontrar com todas essas coisas pelo caminho.
Uns quererão que vocês os curem, porém
eles jamais se preocupam em curar alguém. Encontrarão
muitos com gravíssimos problemas econômicos e
que nunca pensaram em cooperar de alguma forma com alguém.
Cada um tem seus problemas e quem cria os problemas é
o Ego. Não há nada mais infeliz que o Ego! Poderemos
anular todos os problemas se não tivermos Ego. Quando
não se tem Ego, não há problemas. Por
quê? Porque não há quem reaja dentro de
nossa mente. Não há um revanchista que complique
a situação, não há ninguém
que odeie em nós ou através de nós. Então,
não há problemas. Quem cria os problemas é
o Ego e nada mais do que o Ego.
Trabalhando-se em favor dos demais, cancela-se velhos karmas.
Quem serve aos outros, serve a si próprio. Quem dá,
recebe e quanto mais dá, mais recebe; esta é
a lei. Ao Leão da Lei se combate com a balança.
Se no pratinho da balança, pratinho do bem, pudéssemos
pôr boas obras, a balança se inclinaria a nosso
favor e o karma ficaria anulado. Na verdade, há que
se ser duro com a balança diante do Leão da
Lei. Esta é a chave para vencer o karma.
Como dizem
os Senhores da Lei: Quem faz boas obras tem com que pagar
suas dívidas. Quem tem com o que pagar, paga e
se sai bem nos negócios, mas quem não tem com
que pagar, terá que ir para a prisão e perder
todos os seus bens. Há que se fazer, pois, muito bem
para se pagar as velhas dívidas. Com o capital das
boas obras, podemos pagar o velho karma sem necessidade de
sofrer; não há necessidade de amargurarmos nossa
vida.
Conheço
um sujeito que sofre o indizível, está sempre
em má situação econômica, sempre
na miséria. Em quantos negócios já fracassou?
Não há negócio em que se meta que não
fracasse. Tem mulher, filhos, e com eles briga incessantemente.
Ele é do signo de leão e ela também.
Não deviam brigar, mas parece que os leões são
assim: não estão contentes e brigam incessantemente.
Eu os vi no jardim zoológico de Chapultepec, onde não
paravam de brigar. Leão com leão parece não
se entenderem... Bom, o curioso do caso é que esse
sujeito, cujo nome não menciono, sempre pede que o
ajudem no setor econômico, que trabalhemos por ele no
mundo das causas e efeitos. Porém, nunca o vi fazer
nada em favor de seus semelhantes. Pede, mas não dá.
Pede, pede e pede, mas jamais dá. Com que direito pede,
se não dá? Como querer que perdoem suas dívidas,
se não é capaz de perdoar seus semelhantes?
Todos
repetem na oração do Pai Nosso: Perdoa as nossas
dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores...
Porém, se não perdoa aos seus devedores, aos
seus inimigos, com que direito pede ao Pai que o perdoe? Que
direito o assiste para pedir perdão, quando não
é capaz de dar perdão? Com que direito pede
piedade, quando não é capaz de entregar piedade?
Com que direito pede caridade, se não é capaz
de fazê-la? Assim são todos: pedem, mas não
dão. Isso é gravíssimo!
O missionário
gnóstico deve dar. O que vai dar? Sabedoria e amor
aos seus semelhantes. É isso que ele vai dar. Vai assistir,
auxiliar etc., porém, sempre com amor. Podemos ajudar
aos nossos semelhantes com as Cadeias Mágicas. As cadeias
são maravilhosas tanto para irradiar amor como para
curar enfermos. Com as cadeias, podemos invocar os Mestres
da Ciência para que eles assistam aos enfermos. Com
as cadeias, podemos invocar, por exemplo, Rafael, que é
um grande curador universal. Ele é o mesmo que curou
o patriarca Jó, o mesmo que curou Tobias. Ele é
isso: um grande curador mundial ou universal, um grande médico...
Com as cadeias, também se pode invocar médicos
como Hipócrates, Galeno, Philipus Teofrastus Bombastus
de Hohenheim, Aureola Paracelso etc.
Com as
Cadeias, podemos invocar as Potências da Luz para que
nos assistam em um dado momento; podemos conjurar as Potências
das Trevas para que nos deixem em paz. As Cadeias Mágicas
são formidáveis, com a esquerda se recebe e
com a direita se dá. As cadeias formam circuitos de
forças magnéticas extraordinárias. Com
as Cadeias, pode-se fazer grandes obras...
O Movimento
Gnóstico Cristão Universal marcha vitorioso
em todos os campos de batalha. Ele está em todo o hemisfério
ocidental e aglutina uns 5 milhões de pessoas. Nestes
instantes, está se preparando para lançar-se
à Europa e, claro, dentro em breve estará estabelecido
na Europa. Posteriormente, se estabelecerá na Ásia.
Temos que trabalhar pela humanidade. Uma vez que tenhamos
feito nosso trabalho na Europa, iremos ao Japão para
fazer o nosso trabalho em todo o continente asiático.
Estamos
entregando à humanidade o Evangelho na Nova Era de
Aquário. Haverá um grande cataclismo com a chegada
de Hercólubus. Este é um mundo gigante, seis
vezes maior que Júpiter e milhares de vezes maior que
a Terra. Pertence ao Sistema Solar Tylar; todo um sistema
que vem viajando em direção ao nosso Sistema
Solar de Ors. É claro que esse mundo, Hercólubus,
tem uma órbita enorme, imensa. Cada vez que se aproxima
da Terra produz catástrofes. Quando se aproximou da
Terra na época do continente Mu, produziu grandes terremotos;
surgiram vulcões e no final a Lemúria afundou
no Pacífico ao longo de 10.000 anos. Quando se aproximou
na época da Atlântida, esta afundou no oceano
que leva seu nome, o oceano Atlântico. A Atlântida
afundou com todos os seus milhões de habitantes. Agora,
Hercólubus vem outra vez e posso lhes assegurar que
vai produzir uma revolução total no eixo da
Terra. Quando estiver bastante próximo, atrairá
com força o fogo líquido do interior do planeta
e então brotarão vulcões em erupção
por toda parte, acompanhados de terríveis terremotos.
Lembrem-se do que disseram os antepassados de Anahuac, o que
para nós, mexicanos, tem um grande valor: "Os
filhos do 5º sol perecerão pelo fogo e os terremotos..."
Acaba de ocorrer um grande terremoto na Europa que deu como
resultado uns 7 mil mortos (sepultados). O Distrito Federal
aqui do México aguarda outro grande terremoto que o
destruirá. Este terremoto também afetará
todo o norte do nosso país e os mexicanos devem ficar
preparados para este grande terremoto.
Assim, pois, haverão grandes acontecimentos no futuro.
Quando Hercólubus chegar, o fogo brotará de
qualquer parte. Os vulcões aparecerão e os terremotos
acabarão com tudo o que existe atualmente. Esse será
o dia do grande incêndio universal, profetizado por
Pedro em sua Epístola aos Romanos, quando disse: "E
os elementos ardendo serão desfeitos, e a Terra, e
todas as obras que há nela serão queimadas..."
Posteriormente, a última coisa que Hercólubus
fará, em sua suprema aproximação, será
produzir a revolução do eixo da Terra. Os oceanos
mudarão de leito, os mares serão deslocados,
as terras atuais ficarão no fundo das águas;
não restará nada, nada, nada, desta perversa
civilização de víboras. Tudo será
destruído!
Claro,
haverá um pequeno grupo que será salvo das águas.
Estamos trabalhando com esse objetivo, de organizar este pequeno
grupo, e os missionários gnósticos têm
o dever de seguir trabalhando. Este grupo será o Exército
de Salvação Mundial e será selecionado
em seu momento e em sua hora. Antes do cataclismo final, os
irmãos do Tibete, entre os quais estou eu, minha insignificante
pessoa, trabalharão em equipe para tirar desta horrível
civilização de víboras os que tenham
trabalhado sobre si mesmos, os que tenham alcançado,
pois, a dignidade que lhe corresponde.
Nós
os levaremos para um lugar secreto no Pacífico, um
lugar onde nada lhes acontecerá. Nisso estamos
de acordo, eu e os irmãos de alguns agrupamentos secretos
dos Himalaias. Esses que serão levados àquela
ilha se converterão no núcleo da futura humanidade.
Por aqueles dias, depois do grande cataclismo, a Terra ficará
envolta em fogo e vapor de água, e os poucos que formarão
aquele núcleo terão de viver em meio à
névoa. Poderão ser considerados como os Filhos
da Névoa, como os Nibelungos dos tempos antigos.
Quando um duplo arco-íris resplandecer no azul do céu,
breve novas terras terão emergido do fundo dos mares.
Nessas novas terras viverá uma nova humanidade, uma
humanidade inocente e pura, uma humanidade perfeita. Então
virá a Idade de Ouro anunciada por Virgílio,
o poeta de Mântua, quando disse: "Já chegou
a Idade de Ouro e uma nova progênie manda..."
Nós
estamos trabalhando para criar o Exército de Salvação
Mundial. Este é o nosso trabalho, este é o trabalho
de todos os missionários. Abriremos Lumisiais por todas
as partes com o propósito de ir criando esse Exército
de Salvação Mundial. Os tempos do fim já
começaram e estamos neles. Hercólubus está
à vista de todos os observatórios do mundo.
Temos um mapa particular na Associação Gnóstica
do México. De onde saiu este mapa? Saiu de uma hemeroteca.
Quem o traçou? Foram os astrônomos. Este é
um assunto oficial que se conhece em todos os observatórios
do planeta Terra. Então, se os senhores astrônomos
não o publicam, a que se deve? À censura! Estão
proibidos a fim de não levar os povos a um estado,
diríamos, de desespero psicológico. Eles estão
proibidos por lei, porém não ignoram, sabem
de Hercólubus e têm mapas em seu poder. Portanto,
o que estou falando é algo completamente oficial, que
já se conhece.
Agora,
vocês compreenderão os motivos pelos quais nos
preocupamos tanto nesses instantes em levar o ensinamento.
É claro que temos de cooperar com o Sol. O Sol vai
acabar com esta raça e vai estabelecer sobre o mapa
do mundo uma nova raça. Necessitamos cooperar com o
Sol. Esta raça já deu seus frutos, já
deu o que tinha que dar. Estamos na hora final, o relógio
do destino está parado. O velho Saturno em forma de
esqueleto, com sua gadanha na mão, está parado
junto ao relógio. De um momento para o outro, a Catástrofe.
Esta é a crua realidade dos fatos, meus estimados irmãos.
Por agora, dou por concluída esta conferência
com vocês.
Paz inverencial!
|