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Este
é um artigo extraído de um jornal paulista
de grande circulação. Para o bem de todos
os pais e para orientar melhor aos educadores e formadores
de opinião brasileiros, estamos divulgando este
texto.
Um
bandido de nariz arrebitado chuta o rosto de um velho
lojista. Então ele acerta um soco no olho da
jovem heroína e depois a atinge nas costas com
uma pesada barra de metal. Seu corpo despenca no chão
enquanto ele permanece sobre ela com uma arma apontada
para sua cabeça.
Dois
jovens estão em uma briga de socos dentro de
um vagão de carga em movimento. Um amigo tenta
intervir. Mas um rapaz mais velho e muito respeitado
aconselha: deixe que o combate continue. Às vezes,
diz ele, amigos precisam se enfrentar com os punhos
para fortalecer os laços de amizade. Eles retomam
o combate.
Uma
garotinha dá um chute de caratê tão
forte em outra garotinha, que esta cruza o ar. Ela bate
a cabeça em um poste de cimento. Fica desacordada.
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Cenas
dos mais recentes filmes ou videogames proibidos para menores?
Na verdade, são seqüências extraídas
de uma série de programas de televisão com animação
estilo japonesa que agora enchem a programação
infantil de três canais – Warner,
Fox (de sinal aberto nos EUA) e Cartoon Network (a cabo).
O sucesso
da série Pokémon promoveu o gênero
há dois anos, e os demais elevaram as apostas em termos
de violência. Os programas atendem à necessidade
de programação de baixo custo assim como o crescente
interesse em vender produtos e programas para os meninos que
cresceram com videogames e controles remotos. A maioria dos
programas são importados diretamente do Japão,
onde a tolerância do público para sangue e tripas
na televisão tradicionalmente é muito maior
do que nos Estados Unidos.
A proliferação
deles ocorre apesar das ameaças do Congresso de tentar
limitar a exposição das crianças à
violência na mídia por meio de legislação.
Porém, diferente de antigos desenhos animados da moda
que trouxeram mais violência para as telas de televisão,
o crescimento do gênero tem atraído pouca atenção
dos pais e de grupos de monitoração. Pesquisadores
e alguns executivos da indústria dizem que isto é
resultado de teorias sobre o impacto da violência dos
desenhos animados nas crianças, e uma insensibilização
geral a ela entre os pais.
Os programas
são repletos de ação: a qualquer momento
prédios explodem, golpes são desferidos, armas
são disparadas, personagens morrem. O combate pode
ser uma constante. Em
Dragonball Z, a série japonesa mais popular
do Cartoon Network, assistido em média em mais de um
milhão de lares, Cell, um imperador maligno que ameaça
conquistar a Terra, é abordado por um covarde repórter
de televisão. Ele golpeia o repórter nas costas,
e depois o chuta com tamanha força que o homem voa
por sobre o campo indo colidir contra as rochas, presumivelmente
morto.
Em um
recente episódio de Digimon, a série
japonesa de maior sucesso na Fox, um personagem do mal, Apocolymon,
ataca os jovens heróis com navalhas. A certa altura,
ele usa uma rajada de energia para desintegrar seus corpos.
O
estilo dos desenhos japoneses, chamados "anime",
está influenciando os animadores americanos, cujos
novos programas geralmente não são menos violentos
do que os (e estilisticamente semelhantes aos) importados
do Japão.
Batman
do Futuro, da WB, produzido nos Estados Unidos mas influenciado
pela animação japonesa, possui algumas das cenas
de combate mais intensas na programação infantil.
Em um episódio, Batman sufoca o vilão com duas
metades de um mastro quebrado até ele ficar inconsciente.
A proliferação
dos desenhos foi rápida. Até uns anos atrás
quase não havia a presença de desenhos japoneses
na programação infantil, fora alguns poucos
exibidos em canais independentes. Apesar do sucesso dos Power
Rangers, um programa da Fox que provocou uma enorme protesto
dos pais por causa da violência no início dos
anos 90, a tendência geral era pela produção
de uma programação mais benigna nos canais e
horários infantis.
Agora,
a qualquer hora, os desenhos "anime" ocupam a maior
parte da programação infantil em canais como
a Fox, WB e Cartoon Network, que entraram no mercado infantil
nos anos 1990, voltando sua programação para
os meninos para se diferenciar das programações
de canais como Nickelodeon, ABC e CBS.
Há
alguns anos, cerca de uma dúzia de desenhos japoneses
passaram a ser exibidos na Fox, WB e Cartoon Network, apesar
de que em alguns eles são mais exibidos do que em outros.
Por exemplo, a Fox às vezes programa maratonas "Digimon"
nas manhãs de sábado durante seu bloco de desenhos.
A WB chega a exibir três episódios seguidos de
"Pokémon" também nas manhãs
de sábado.
Pokémon, inspirado no videogame da Nintendo,
é considerado o maior responsável pela explosão
do gênero. Lançado nos Estados Unidos pela produtora
e distribuidora 4Kids Entertainment em 1998, ele imediatamente
passou a ocupar o primeiro lugar em audiência entre
as crianças em canais independentes. Percebendo seu
sucesso em canais independentes, a WB comprou os direitos
de licenciamento e começou a exibi-lo em fevereiro
de 1999. Ele logo se tornou o campeão de audiência
de toda a programação infantil.
Pokémon é repleto de ação,
apesar de poder ser, de fato, considerado benigno em comparação
com os demais desenhos do gênero, que contêm material
que vai de sexo e violência explícitos voltados
para adultos até entretenimento adequado para espectadores
mais jovens. Mas seu sucesso chamou a atenção
dos concorrentes não apenas pela enorme audiência,
mas também pelo preço relativamente baixo, uma
marca dos desenhos importados do Japão.
Um episódio
comum de Pokémon custa em torno de US$ 100
mil (R$ 200 mil); o custo médio de um episódio
original de um desenho americano é de cerca de US$
500 mil (R$ 1 milhão). Levando em conta que o mercado
publicitário da programação infantil
tem estado fraco há mais de um ano -e espera-se que
fique ainda pior- tal diferença de preço pesa
muito.
Os desenhos
japoneses são muito mais baratos porque são
animados de forma mais simples do que os desenhos americanos
– seu estilo estático exige muito menos desenhos
por episódio. Além disso, a maioria dos desenhos
japoneses foram produzidos para a televisão japonesa,
que é quem acaba arcando com o custo inicial de produção.
O baixo
custo e a elevada audiência de Pokémon,
especialmente entre os meninos, era exatamente o que a WB,
a Fox e o Cartoon Network estavam procurando. Os desenhos
japoneses não apenas forneceram a audiência necessária,
mas também atendeu à necessidade dos anunciantes
que esperam vender action figures (bonequinhos) para
os meninos – muitos baseados nos próprios desenhos
– além de cereais e guloseimas.
O sucesso
dos desenhos japoneses entre os meninos é atribuído
por muitos por se espelharem nos videogames japoneses, nos
quais os inimigos são derrotados uns após os
outros em detalhes gráficos. Por este motivo, a maioria
dos desenhos japoneses recebem classificação
de impróprios para menores de 7 anos e de conter extrema
violência. "Nós
temos que olhar para as crianças de hoje", disse
Joel Andryc, vice-presidente executivo para programação
da Fox. "Elas cresceram com videogames, como Sega e PlayStation.
E muitos dos jogos com que cresceram são produzidos
no Japão. Este é o tipo de animação
que desejam."
Mas Andryc
disse acreditar que a Fox exibe uma variedade de programas
com outros estilos, além das séries de baixo
custo e com ação estilo videogame. A
maioria dos programas apresenta combates do bem contra o mal,
onde crianças guerreiras movidas pela honra emergem
vitoriosas, disse ele. Aqueles que exibem valor e lealdade
são geralmente recompensados nas tramas. Aqueles que
demonstram ganância e egoísmo são punidos.
"As
crianças podem se relacionar com estes personagens",
disse ele. "Elas vêem como alguém pode fortalecer
a si mesmo em vários aspectos para enfrentar um monstro
e salvar o mundo."
Ainda
assim, o gênero é considerado tão violento
pela Nickelodeon que o canal se recusa a exibi-lo. "É
mais violência em nome violência do que jamais
vi", disse Cyma Zarghami, vice-presidente-executiva e
gerente geral da Nickelodeon. Considerando
a quantidade de lutas que os novos desenhos possuem, eles
surpreendentemente recebem poucas críticas dos grupos
de pais.
Amy Aidman,
diretora do Centro para Educação na Mídia,
um grupo de pesquisa e defesa da infância, disse que
um dos motivos poderia ser que as noções gerais
de violência na televisão mudaram, de oposição
absoluta a todo tipo de luta para uma compreensão de
que há diferentes mensagens em tipos diferentes de
lutas – e nem todas são ruins. "Nem toda
a violência é igual, e nem todas as lutas são
iguais", disse ela. "Você precisa separar
as coisas. Quem são os heróis? O comportamento
agressivo está sendo reforçado?" Apesar
de Pokémon estar repleto de lutas, disse ela,
a série também oferece para as crianças
uma trama de fortalecimento – os heróis geralmente
saem vencendo e quando isto não acontece, eles perseveram
e se esforçam para conseguir isto na próxima
vez.
Outros
se perguntam se a tolerância à violência
no país aumentou desde o início dos anos 1990,
quando os Power Rangers provocaram enormes protestos
de grupos de pais. "Os
pais estão insensibilizados", disse George Gerbner,
decano emérito da Escola de Comunicação
Annenberg da Universidade da Pensilvânia. "Eles
já estão acostumados à violência
– eles próprios cresceram com ela."
Não
há um acordo dentro da indústria da televisão
se o anime, assim como ocorreu com os Power Rangers,
perderá popularidade ou veio para ficar na programação
infantil. A maioria das pessoas disse esperar que a tendência
diminua pelo menos um pouco. Jon
Mandel, co-diretor administrativo da MediaCom, um grupo de
serviços de mídia de propriedade da Grey Global
Group, e um antigo observador das tendências da programação
infantil, disse achar que a moda do anime está na metade
do seu ciclo de vida. "É
um daqueles cenários clássicos onde o garoto
mais popular da escola gosta de algo e as demais crianças
o imitam, da mesma forma que ocorre entre os responsáveis
pela programação da televisão",
disse ele. "Mas chega um ponto em que até o tipo
Nerd adota a moda, e então os garotos populares precisam
mudar para outra coisa."
Para complementar
este texto investigativo, sugerimos a leitura dos textos A
Paz e A-Himsa – A Não-Violência, do Mestre
Samael, para compreendermos mais e melhor a idéia de
violência e paz. Para acessar o texto sobre a Paz, Clique
Aqui! Para acessar o texto sobre A-Himsa, Clique
Aqui!
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