|
As
Escolas são inúmeráveis, por todas as
partes, abundam escolas e autores que se combatem mutuamente.
Na Catedral
de Nôtre-Dame de Paris, desenhado no chão, aparece
um labirinto. Recordemos o labirinto da ilha de Creta. No
centro daquele labirinto estava o Minotauro cretense. Diz-se
que Teseu conseguiu orientar-se no meio desse labirinto até
chegar onde estava o Minotauro e o venceu, enfrentando-o numa
luta corpo a corpo,. Sua saída do labirinto foi possível
graças ao fio de Ariadne, que o conduziu até
a liberação final.
É
interessante que justamente no piso da Catedral de Nôtre
Dame de Paris fosse desenhado esse maravilhoso labirinto.
Indubitavelmente, tudo isto nos convida à reflexão.
Orientar-nos
não é coisa fácil. O labirinto das teorias
é mais amargo que a morte. Alguns autores dizem que
os exercícios respiratórios são magníficos
e outros dizem que são prejudiciais. Enquanto uns afirmam
uma coisa, outros afirmam outra. Cada escola presume possuir
a verdade. Portanto, o labirinto é muito difícil.
Quando
alguém consegue chegar ao labirinto, tem que enfrentar
o Minotauro cretense em luta corpo a corpo, isto é,
tem de enfrentar seu próprio Ego, o Eu, o Mim Mesmo,
o Si Mesmo; e só se consegue sair do centro do labirinto
mediante o Fio de Ariadne, que deve conduzir-nos até
a luz.
Mas a
maior parte das pessoas se perde nesse labirinto de tantas
teorias, de tantas escolas e de tantas confusões.
O que
fazer para nos orientarmos? De que maneira? Obviamente, deve
nos interessar o Despertar da Consciência, só
assim podemos verdadeiramente caminhar com êxito dentro
desse misterioso labirinto. Porém, enquanto não
tenhamos despertado, estaremos confundidos.
Alguns
até se entusiasmam por estes estudos momentaneamente,
e depois os abandonam. Há aqueles que, com a cabeça
recheada de teorias, crêem haver descoberto o caminho
secreto, ainda que andem bem adormecidos.
Parece
incrível, mas há Mestres da Grande Loja Branca,
verdadeiros gnósticos no sentido transcendental da
palavra, radicalmente despertos, absolutamente auto-realizados,
em linguagem alquimista diríamos: sujeitos que já
têm em seu poder a Gema Preciosa, e, no entanto, não
sabem ler nem escrever. São completamente analfabetos,
mas auto-realizados e despertos.
Em troca,
vemos no caminho da vida, dentro das diversas escolas, organizações,
seitas, ordens, etc., sujeitos com a cabeça recheada
de teorias, indivíduos com rica erudição,
mas com a consciência completamente adormecida. São
ignorantes ilustrados que não somente não sabem,
mas, o que é pior, sequer sabem que não sabem.
Estes
se perdem, ao se cumprirem suas 108 existências, ingressam
na involução submersa dos Mundos Infernos. Mas
eles crêem que vão muito bem, por certo; quando
se pergunta alguma coisa, demonstram uma erudição
surpreendente. Têm mentes fulgurantes, seus conceitos
são brilhantes, com provérbios luminosos, contundentes
e definitivos; mas, de que lhes serve tudo isto?
Antes
de mais nada, necessitamos despertar, para saber como vamos
nos orientar. De que nos serviria ter a cabeça recheada
de letras, se continuamos com a consciência adormecida?
Mais valeria sermos analfabetos, porém despertos...
Inquestionavelmente,
meus caros irmãos, a primeira coisa que precisamos
saber é que estamos adormecidos. Infelizmente, ainda
que eu esteja afirmando isto aqui e ainda que vocês
aceitem que estão adormecidos, ainda assim vocês
não têm consciência de que estão
adormecidos, e isto é que é precisamente o grave!
Qualquer
um pode saber que dois mais dois são quatro, porém
outra coisa é ter consciência de que dois mais
dois são quatro. Há verdades sumamente simples,
que qualquer um as repete intelectualmente e pensa que sabe,
crê que tem consciência delas, mas não
tem...
Se queremos
realmente despertar, temos que começar reconhecendo
que estamos adormecidos.
Quando
alguém reconhece que está adormecido, é
sinal inconfundível de que já começa
a despertar. Mas não se trata de reconhecer intelectualmente,
não. Qualquer um pode dizer automaticamente: "sim,
estou adormecido", mas outra coisa é alguém
estar consciente de que está adormecido, isto é
diferente. Existe uma grande diferença entre o intelecto
e a consciência.
No mundo
físico, temos que aprender a determinar associações
específicas, inteligentes, para a vida nos mundos superiores.
Durante o mal chamado "estado de vigília", estamos
associados a todos os seres humanos, seja através do
trabalho, no lar, na rua, etc. Durante as horas de sono, também
existem associações, e estas são o resultado
específico daquelas que temos no mundo físico.
Por exemplo,
se um sujeito vive nos bares, obviamente suas associações
serão com bêbados, e, nos mundos internos, durante
as horas de sono e depois da morte, sua vida será uma
vida de bares, relacionado com gente de botequim e vagabundos
de todo tipo. Se alguém se associa com ladrões
e bandidos, nos mundos internos, durante as horas de sono,
viverá entre bandidos e ladrões.
Assim,
portanto, nós devemos determinar, aqui e agora, no
mundo físico, o tipo de associações que
queremos ter durante o sono e depois da morte...
Estarmos
associados aqui é conveniente para nós, porque
o resultado será que nos associaremos também
durante as horas do sono e depois da morte.
É
muito bonito estar associado, durante as horas de sono, aqui
mesmo, neste templo, estudando os mistérios da vida
e da morte. É muito bonito estarmos dedicados ao estudo
depois da morte, mas isto só é possível
se nos reunirmos frequentemente.
Portanto,
repito, nós mesmos devemos provocar o tipo de associações
que desejamos, nós mesmos devemos provocar o tipo de
associações que queremos ter durante as horas
de sono e depois da morte. Compreendendo isto, estabeleceremos
bases muito fortes para o despertar da consciência...
Necessitamos
aprender a viver, meus caros irmãos, porque acontece
que os seres humanos não sabem viver e isso é
muito grave. Não medimos o tempo, achamos que este
veículo físico vai durar uma eternidade, quando
na realidade não dura quase nada, logo se torna pó...
O teatro
e o cinema são coisas que causam danos muito sérios
ao ser humano. Em outros tempos, por exemplo, na Babilônia,
o teatro era completamente objetivo. Tinha como único
propósito o estudo do Karma, e a ilustração
que devia ser dada aos assistentes.
Os atores
não aprendiam de memória nenhum papel; alguém
aparecia em cena sem se ter estudado qualquer papel; auto-explorava
a si mesmo sinceramente, com o objetivo de saber o que era
que mais ansiava e isso, o que mais ansiava, era o que falava.
Suponhamos
que quisesse beber, então exclamava: "Tenho vontade
de beber!" Outro sujeito que aparecia por ali escutava aquela
frase e se auto-explorava para ver o que sentia em seu interior
e, o que sentisse, respondia: "Eu não quero beber,
por causa do álcool fui parar na cadeia, por causa
do álcool estou na miséria..."
Um terceiro
que aparecia (porque para isso tinham sempre um grupo de atores),
da mesma forma nunca dizia outra coisa diferente do que sentia
no fundo de sua consciência, algo que ele havia vivido,
algo que se relacionasse com o que os outros dois estavam
falando.
Vamos
supor: "Eu tive muito dinheiro, tive um lar maravilhoso, mulher,
filhos, mas, por estar bebendo vinho, vejam como fiquei, senhores!"
Em seguida
aparecia uma pobre mulher outra artista: "Perdi meu filho
por causa da bebida, perdi meu filho por causa dessa maldito
bebida...!"
Assim
começava a se desenvolver um drama, uma cena improvisada,
que muitas vezes podia terminar na forma mais dramática.
Os notários
escreviam tudo rigorosamente, não só o desenvolvimento
do drama em si mesmo, como até os resultados finais,
e ainda selecionavam depois o melhor de tal peça. Dessa
maneira, chegavam a conhecer os resultados kármicos
de tal ou qual cena...
Havia
muitas cenas, cenas de guerra, cenas de amor, mas em todas
surgia sempre o espontâneo, o natural, não algo
que o intelecto podia inventar artificialmente, não...
O que surgia era aquilo que cada um dos atores tinha vivido.
Esta era a arte objetiva da Babilônia...
Então,
realmente, meus caros irmãos, os fatores eram muito
diferentes. A música que se usava instruía devidamente
o cérebro emocional, era uma música especial.
Eles sabiam
perfeitamente que no organismo humano existem, diríamos,
certos gânglios que se formaram com os sons do universo,
e sabiam manejar todos esses gânglios, todas essas partes
do Ser, através de diferentes combinações
musicais. Assim, o cérebro emocional era instruído
através da música.
Vocês
sabem que uma marcha de guerra nos dá vontade de marchar,
que uma música fúnebre nos põe a meditar,
a refletir, que uma música romântica traz lembranças
de tempos idos, de noites de amor, etc.
Eles sabiam
combinar inteligentemente os sons para instruir sabiamente
o centro emocional. Vejam vocês que interessante!
O centro
do movimento também recebia ensinamentos através
de danças sagradas. Essas danças eram importantíssimas
na Babilônia. Cada um dos movimentos equivalia a uma
letra e o conjunto de letras formava determinadas orações,
determinadas teses, determinadas antíteses, determinadas
instruções, etc. Assim, todo auditório
recebia uma cultura riquíssima...
Era outro
tipo de teatro. Os artistas não se chamavam artistas
e sim "orfeístas", termo que interpretado significava:
sujeitos que sentem com inteira precisão as atividades
da Essência, da Consciência...
Depois
da cultura greco-romana, o teatro degenerou. Os orfeístas
desapareceram e então surgiram os chamados "artistas
cômicos", os atores.
Lembro-me
muito bem de que há uns cinquenta anos atrás,
pouco mais ou menos, os atores eram chamados vulgarmente de
"comediantes" e eram vistos com desprezo. Lá pela Idade
Média, foi promulgada uma lei que obrigava os atores
a se barbear e a tirar todos os sinais de masculinidade.
Qual era
o objetivo? Em primeiro lugar, claro, eles deviam estar em
condições de se maquilar de acordo com o drama
que tivessem que representar, mas, em segundo lugar, queria-se,
antes de tudo, diferenciá-los do resto das pessoas.
Sabia-se que esses atores modernos têm, diríamos,
uma irradiação perigosa, infecciosa, altamente
hanasmussiana. Portanto, barbeados e sem os sinais de masculinidade,
os demais podiam evitar de passar perto deles ou estender-lhes
a mão.
Se observarem
cuidadosamente a vida dos chamados "artistas de teatro", sentirão,
se forem um pouquinho sensitivos, ou poderão captar
esse tipo de radiação hanasmussiana que
eles emitem e que infecciona a mente das pessoas.
Hoje esse
costume já passou, já não há uma
lei neste sentido contra eles, já se lhes estende a
mão, são tratados de igual para igual e até
existe quem os quer imitar... Assim, eles podem destilar perniciosamente
suas ondulações de hanasmussen nas mentes de
todas as pessoas.
Dói
um pouquinho ter que declarar isto, porque há muita
gente que vive do drama e da interpretação,
que são atores. Mas temos de nos colocar no plano das
realidades concretas.
As pessoas
que já passaram dos cinquenta anos se lembrarão
que até a metade do século ainda eram olhados
com desdém, eram tratados como simples cômicos
ou comediantes etc. Claro, eles abriram caminho e agora são
considerados de igual para igual, mas nem por isso deixam
de emitir suas ondulações, que são terrivelmente
perigosas...
Naturalmente,
eles aprendem seus papéis de memória, completamente
subjetivos, coisas que nunca existiram ou que existiram; dramas
ou comédias que podem ter ou não alguma realidade,
mas que são somente produções de suas
mentes, e o honrado público, diante dos palcos, dorme
terrivelmente.
Quando
digo "dormem", ponho este termo entre aspas, pois quero afirmar,
de forma enfática, que a Consciência dos que
assistem entra no mais profundo sopor do sono.
Inquestionavelmente,
este tipo subjetivo de arte acaba com a possibilidade das
percepções reais.
Que é um Turya ? Turya é um homem que pode falar
com seu próprio Deus Interno, frente a frente.
Pois bem,
este tipo de arte subjetiva realmente nos impede de chegar
ao estado de Turya, por isso é pernicioso.
Em nome
da verdade, digo-lhes que, pessoalmente, não me agrada
o cinema nem a televisão.
Quando
alguma vez, por curiosidade estive olhando alguma coisa na
televisão, depois tive um remorso de consciência
espantoso, tive de proceder uma limpeza de todos os elementares
que se formaram em minha aura, e não volto a ficar
tranquilo até eliminar o último deles.
Acontece
que alguém, ao ver essas cenas, repete com a mente
de forma automática tudo o que está vendo, então
tudo toma forma na mente. Com a "essência da mente",
como diria o sr. Leadbeater, formam-se elementares, iguais
aos que a pessoa viu na tela, e que roubam parte da própria
Consciência. Depois de se estabelecerem na mente, eles
causam muito dano. Repito: roubam uma parte da Consciência
da pessoa e convertem-se em criaturas vivas dentro da pessoa.
Depois
de ter ficado olhando, repito, uma televisão ou um
filme no cinema tive de sofrer muito desintegrando os elementares
que se formaram em minha mente. No final consegui desintegrá-los,
mas depois de muitos TRABALHOS CONSCIENTES E PADECIMENTOS
VOLUNTÁRIOS.
Por tal
motivo, renunciei definitivamente à televisão
e ao cinema.
Explico
a vocês tudo isto para que saibam se orientar, porque
se alguém quer verdadeiramente chegar a despertar,
tem que saber viver. Se alguém quiser se desenvolver
conscientemente nos Mundos Internos, converter-se num investigador
competente da vida nos Mundos Superiores, obviamente terá
que promover suas próprias associações.
Associações
como as que temos neste momento, estamos reunidos em plena
assembléia e isto é extraordinário. Estamos
dialogando sobre o despertar da Consciência e isto é
magnífico, porque estamos promovendo associações
extraordinárias nos Mundos Superiores.
Quando
vocês forem para casa e seus corpos caírem adormecidos
em suas respectivas camas, obviamente sairão do corpo
e, ao saírem do corpo, voltarão a se reunir
entre si da mesma forma como estão reunidos esta noite
aqui no físico. Assim se reunirão lá
no astral para a mesma coisa, para o estudo do despertar e,
é claro, receberão ajuda dos Mestres da Fraternidade
Oculta.
Estão
promovendo, portanto, associações extraordinárias
para os Mundos Superiores. Mas se vocês não estivessem
aqui e sim em um bar, em uma casa de jogos ou em um cabaré,
à noite, quando seus corpos dormissem, e a Essência
de cada um de vocês estivesse fora, isto é, com
seus valores interiores fora do corpo, se associariam novamente,
mas já não seria para estudar o despertar da
Consciência.
Assim,
a Consciência irá despertando e um dia ficará
completamente desperta. Uma vez despertada a Consciência,
estaremos suficientemente preparados para ver o caminho por
nós mesmos, o caminho que há de nos conduzir,
realmente, à libertação final.
Como poderíamos
ver o caminho por nós mesmos se não nos esforçássemos
em despertar? Podem, por acaso, os adormecidos ver o caminho?
Então,
precisamos despertar, não é verdade? Quando
alguém desperta, compreende, compreende o que é;
e faz um inventário do que tem, do que lhe sobra e
do que lhe falta. Muitas faculdades que alguém acha
que tem, não tem e muito que não sabe que tem,
realmente tem.
Mas alguém
só vem a fazer este inventário de si mesmo quando
está desperto. Como um adormecido iria fazer um inventário
de si mesmo? Que sabe ele de si mesmo? Assim, pois, despertar
é fundamental, vital, mas, para despertar, há
que saber viver!
Está
escrito que "quem com lobos anda, a uivar aprende". Temos
de saber com quem andamos, qual é o tipo de associações
que iremos criar na vida prática, devemos saber
selecionar nossas amizades, porque isso é definitivo.
Conforme
nos esmerarmos em viver inteligentemente, nossa consciência
irá se fazendo cada vez mais desperta, até que
por fim poderá algum dia despertar completamente. E
ao despertar, poderemos nos dar conta do lamentável
estado em que nos encontramos.
O ser
humano normalmente tem tão somente o corpo planetário.
Qual é o corpo planetário? O corpo físico
com sua base vital, é claro. Além do corpo físico,
a única coisa que existe é uma soma de agregados
psíquicos inumanos, nossos próprios defeitos
psicológicos, assumindo, diríamos, figuras alegóricas:
ira, cobiça, inveja, orgulho, luxúria, preguiça,
gula, etc., etc.
Que é
o que continua depois da morte? Uma soma de agregados psicológicos.
Se dizemos que depois da morte o que continua é um
montão de diabos, não estamos exagerando, é
verdade!
Podemos
chamá-los de ira, cobiça, inveja, etc., mas
é isso o que continua...
Certamente,
não possuímos um centro permanente de Consciência.
A Essência está enfrascada em todos esses agregados
inumanos. Não há, pois, uma individualidade
permanente no animal intelectual equivocadamente chamado homem.
A individualidade
é algo ainda para se conseguir. Se queremos nos individualizar,
devemos nos desegoistizar. Só mediante a desgoistização
é possível a individualização...
De que
forma poderíamos nos desegoistizar? Eliminando os elementos
inumanos que levamos dentro. Como poderíamos eliminá-los?
Só depois de tê-los compreendido.
Podemos,
por exemplo, saber que temos ira, mas não temos consciência
de que temos ira, e isso é diferente. Precisamos nos
tornar conscientes do processo da ira. A ira tem muitas metamorfoses,
muitas causas. Existe a ira pela língua, pela palavra,
há ira pelo ânimo ou pela mente. São diferentes
formas de ira. Há aquelas que são devidas ao
amor próprio, alguém nos ofende o amor próprio
e sentimos ira. Existe iras provocada pelo ciúme, ataques
de ira causados pelo ódio, etc., etc.
Temos
de investigar todos os aspectos da ira, não somente
do ponto de vista meramente intelectual.
Não
se trata de investigar a ira de uma forma abstrata, mas a
nossa ira particular, o que é diferente.
Vamos
pela rua e de repente alguém nos insulta sem motivo
algum e reagimos furiosos. É óbvio que ao chegarmos
em casa devemos refletir. Por que reagi daquela forma? Qual
foi a causa causorum dessa reação? Devemos nos
tornar conscientes desse aspecto da ira.
Se outro
dia qualquer tivermos um ataque de ira por causa de ciúmes,
teremos de refletir sobre esses ciúmes. Por que foram
provocados aqueles ciúmes? Assim conheceremos cada
faceta do defeito. A mesma técnica deve ser aplicada
ou levada a todos os outros defeitos que temos dentro de nós.
A eliminação
só é possível com a ajuda da Divina Mãe
Kundalini. Alguém pode compreender que tem um erro,
um defeito psicológico, e, no entanto, continuar com
ele; eliminação é diferente! Só
é possível eliminar um defeito com a ajuda de
Devi Kundalini.
O maior
grau de poder de Devi Kundalini acha-se no sexo. Isto não
quer dizer que pelo motivo de um indivíduo não
ter mulher ou de uma mulher não ter marido, que não
possam eliminar seus erros. Claro, sempre contarão
com a ajuda da Mãe Kundalini.
O que
quero dizer é que a força principal da Mãe
Kundalini está no sexo. Se alguém tem a sorte
de possuir uma esposa, bem que poderão trabalhar na
Forja dos Cíclopes e solicitar a Devi Kundalini, em
pleno trabalho, que elimine tal ou qual defeito psicológico
que tenha sido compreendido devidamente. Assim é como
vamos morrendo de instante a instante, de momento a momento.
Antes
de tudo, é necessário que nos tornemos conscientes
do que significa a morte do Eu. A base, o fundamento, de qualquer
progresso se estriba na morte, porque só com a morte
advém o novo.
Se o grão
não morre, a planta não nasce...
Mas acontece
que a maioria dos estudantes esoteristas se esquece da morte.
Só pensam em se aperfeiçoar, em adquirir poderes,
etc., e se esquecem da morte...
Se alguém
vai ao cinema, isto significa que se esqueceu da morte, não
é verdade? Porque se alguém quer morrer em si
mesmo, não vai ao cinema, já não lhe
interessa mais o cinema. Eu nunca vi que um morto, que um
cadáver dentro de um ataúde se interessasse
pelo cinema.
Se alguém
está se divertindo lindamente com a televisão,
está demonstrando até a saciedade que se esquece
da morte, já que nenhum cadáver iria se sentar
para ver televisão.
Isto de
Auto-Realização é algo muito sério,
não se pode levar na brincadeira. Se é Auto-Realização
o que queremos, a base é a morte.
Na Igreja
Gnóstica, podemos ver que nunca falta um grande ataúde.
Precisamente, uma das câmaras da Igreja Gnóstica
é precisamente a mortuária. Ali se poderá
ver um formoso e belíssimo ataúde, nas Lojas,
também nunca falta um ataúde.
É
lamentável que aqui não tenhamos um ataúde,
quando deveria haver um. Deveria estar, visível não?
Porque é muito importante...
Em todo
o caso, o ataúde, ainda que pequeno, é
um símbolo vivo de que estamos dispostos a morrer,
de que é necessário Morrer para Ser. Não
devemos esquecer a Morte.
Com justa
razão, os monges de La Cartuja, na Espanha, têm
uma saudação muito especial: “hermanos, de morir
tenemos”...
E
responde o outro monge: “hermano, eso ya lo sabemos... Esta
é a sua saudação cada vez que se encontram:
: “hermanos, de morir tenemos"... “hermano, eso ya lo sabemos...
O que
nos interessa não é a morte do corpo físico.
Este podemos perder ao sair de casa, a qualquer momento, na
própria cama, podemos cair da cama no chão e
morrer, escorregar em uma casca de banana em qualquer rua,
matar-nos, isso não é importante. O que nos
interessa é a morte do Eu, do Mim Mesmo.
Esse Eu
que temos por dentro nos torna horríveis. Se vocês
estivessem despertos, poderiam evidenciar o que estou dizendo.
As radiações que toda pessoa que tem o Eu carrega
são bem semelhantes às do Conde Drácula,
são desagradáveis, sinistras, esquerdas.
Quando
estou em meditação, por exemplo, e vem alguém
por aí que tem o Eu, de longe sinto suas sinistras
vibrações, que são as mesmas do Conde
Drácula: desagradáveis, sinistras esquerdas...
O
Eu nos torna verdadeiramente imundos no sentido mais completo
da palavra.
Assim,
quando alguém consegue eliminar o Eu, desintegrar todos
os elementos inumanos que carrega dentro de si, fica radicalmente
desperto, cem por cento, isto é óbvio. Também
é necessário que nos vistamos com os Corpos
Existenciais Superiores do Ser...
Vem-me
à memória, nestes momentos, certa instrução
recebida em noites passadas. Ali, no mundo astral, tocou-me
viver uma cena muito interessante. Fizeram com que me sentisse
como que perseguido, ainda que estivesse consciente, os Veneráveis
provocaram uma cena de perseguição...
De repente,
eu estava encerrado em certa casa, fui visitado e todos eles,
os Veneráveis da Fraternidade Oculta, instruíram-me
cantando de forma deliciosa. Disseram-me que a perseguição
da Lei (não referindo-se às leis terrenas, mas
às leis do Karma), somente passa quando alguém
não anda bem vestido, num belo carro e com bastante
dinheiro no bolso. Portanto, se vocês andarem bem vestidos,
num magnífico carro e com bastante dinheiro no bolso,
acabaram-se as perseguições...
Estou
falando numa linguagem que vocês tem de saber entender...
A que carro se referiam os Veneráveis? Ao carro de
Mercabah ! E o que é este carro? Este carro é
formado pelos quatro corpos: físico, astral, mental,
e causal. Este é o carro! Quando na Cabala vocês
ouvirem falar do Carro de Mercabah, saibam que se refere aos
quatro corpos...
"Bem vestido"..
Que se entende por um personagem bem vestido e com um belo
carro? Aquele que fabricou os Corpos Existenciais Superiores
do Ser e que, ainda mais, os cristificou. Este é um
sujeito bem vestido!
E que
"carrega um bom dinheiro no bolso"... O que se está
afirmando? Que tem capital cósmico!
Este capital
se consegue fazendo boas obras, trabalhando pela humanidade...
É
óbvio que ninguém vai perseguir um Mestre como
o Conde de Saint Germain... Como iriam os Senhores do Karma
perseguir um Jesus de Nazaré? Quem vai perseguir
um Jesus de Nazaré?
Perseguem
o "indigente", o infeliz que anda mal vestido, à pé,
todo enfraquecido e sem dinheiro...
Quem é
"o infeliz, o indigente mal vestido"? O "mendigo", quem será?
Aquele que não fabricou os Corpos Existenciais Superiores
do Ser; Villegas e todo o que chega, Vicente e toda gente,
Raimundo e todo o mundo... Estes são vítimas
da Lei!
Vocês
não percebem? Vão para lá e para cá,
sempre na desgraça, nascem sem saber como e morrem
sem saber porque, sempre com uma venda nos olhos, do berço
até a sepultura. Casam-se, enchem-se de filhos, vivem
na pobreza mais desgraçada, sempre infelizes, sempre
perseguidos.
Quando
alguém se veste bem, tem um belo carro e bastante dinheiro
no bolso, se acabou a perseguição...
Quem perseguiria
o Conde Cagliostro? Se o próprio e famoso Luiz XV nada
pôde contra ele...
Encerrou-o
na Bastilha, sem dúvida, mas vocês acham que
o Conde ia ficar ali preso? Um homem que manejava os estados
de Jinas? Por quanto tempo ficaria ali? Estaria em Roma, em
Paris, em Londres, por todas as partes, menos na Bastilha.
Quando saiu da Bastilha dois meses depois, saiu regiamente,
esplendidamente, cheio de ouro e diamantes, sorridente, alegre,
diante das multidões, (dez mil pessoas o carregaram
sobre os ombros). Foi um triunfador, não é verdade?
Dizem que o colocaram na prisão e que nela morreu.
Isso é falso! Ninguém sabe o que aconteceu com
o Conde Cagliostro...
E que
diremos do Conde de Saint Germain, de Altotas, o Grande Iniciado?
Ainda vive, sempre combatido, mas jamais vencido. De maneira
que, irmãos, vistamo-nos bem e tudo mudará.
Tenhamos
um belo carro e teremos uma vida melhor.
Obviamente,
teremos de fabricar este carro. Começaremos pelo corpo
astral. Para tanto, isso é necessário, para
isso teremos de utilizar o esperma sagrado.
Infelizmente,
as pessoas comuns e correntes não sabem apreciar o
valor do esperma, o gastam, o extraem miseravelmente do seu
organismo. Ali, no entanto, é onde está todo
o poder com o qual poderão mudar a totalidade de sua
vida e se converterem em Deuses, mas o jogam fora como se
fosse nada.
Eles mesmos
se arruinam e se condenam à desgraça. Mas, ao
transformar esse esperma, ao convertê-lo em energia,
as coisas mudam; porque é com essa energia sutilíssima
do sexo que vamos elaborar o corpo astral.
Uma vez
forjado este corpo, formado, poderemos viajar com ele consciente
e positivamente.
Alguém
sabe que tem um órgão quando o usa. Sabemos
que temos mãos e braços porque os movemos, sabemos
que temos pés porque caminhamos com eles, isso é
óbvio... Assim também, quando alguém
se dá ao luxo de fabricar seu corpo astral, sabe que
o tem porque pode usá-lo, porque pode se mover com
ele de forma positiva, dinâmica.
Outro
tanto ocorre com o mental, há que fabricá-lo
através da transmutação do esperma em
energia. As pessoas não têm uma mente própria,
nós necessitamos criar uma mente individual, própria,
e somente pode ser criada através da transformação
do esperma em energia.
E por
último fabricar o corpo da vontade consciente, para
dirigir todas as circunstâncias. Quem é vítima
das circunstâncias, não possui o corpo da vontade
consciente. Temos que aprender a determinar as circunstâncias,
e não que as circunstâncias nos determinem. Aquele
que ainda é determinado pelas circunstâncias,
é como um lenho jogado nas embravecidas ondas do oceano,
é uma vítima de todas as calamidades.
Precisamos
aprender a determinar as circunstâncias e isso só
é possível criando o corpo da vontade consciente.
Cria-se tal corpo com a transmutação do esperma
em energia. É com essa sutilíssima energia do
Ser que se vai criar o corpo da vontade consciente...
Estes
quatro corpos, físico, astral, mental e causal, constituem
o carro. Estando o carro totalmente fabricado, falta que entre
nele o condutor. Quem é o condutor do carro? Nosso
próprio Ser.
Mas o
Ser não vai entrar em um carro que não existe;
há que criar o carro. Então, quando recebemos
o Ser, Ele fica como um Senhor em seu carro, um senhor bem
vestido e com um magnífico carro. Bem vestido com os
Corpos Existenciais Superiores do Ser, com as vestimentas
sagradas, uma carruagem preciosa, já não se
é vítima das circunstâncias...
Quem chega
a ter estes corpos, deve aspirar um pouco mais, deve cristificá-los.
(Muitas obras foram escritas sobre cristificação).
Os corpos cristificados são extraordinários.
Qualquer sujeito que se cristificou é de fato um Grande
Senhor, que pode se dizer que está bem vestido, que
já deixou de ser vítima das circunstâncias
e de ser perseguido pelas leis do destino, se converte em
um Senhor, Senhor no sentido mais completo da palavra...
Em outra
época, a humanidade vivia de acordo com certo princípio,
que permitia conservar o corpo físico até o
momento em que se tivesse fabricado os Corpos Existenciais
Superiores do Ser, mas é que então a humanidade
cumpria com o Dever Cósmico. Qual é o dever
cósmico? VIVER SEMPRE DESPERTO!
Um indivíduo
que lê um livro a quinhentos quilômetros por hora,
de página a página, e diz: "já sei de
tudo", está arruinando seu cérebro intelectual,
não está cumprindo com o Dever Cósmico.
Em nome
da verdade, digo isto a vocês: eu quando estudo uma
obra, reflito profundamente no parágrafo que estou
estudando, medito nesse parágrafo e não passo
ao seguinte até ter-me feito consciente dele. Se não
o compreendi, não prossigo porque é absurdo.
Assim, pois, temos de nos tornar conscientes do que lemos.
Isto é parte do Dever Cósmico...
Em seguida,
temos o Centro Emocional... Deixar-se levar por emoções
violentas é absurdo. Nas arenas de touros vê-se
cenas escandalosas: mulheres que no desenfreio de suas paixões
tiram suas roupas internas, seus sapatos, e os jogam aos toureiros,
ficam completamente loucas; homens fazendo barbaridades e
por fim carregando o toureiro nos ombros, como se fosse um
grande senhor, quando não é mais do que um pobre
tonto...
Nas partidas
de futebol são vistas coisas horrendas. Muitas vezes
os futebolistas terminam a partida numa batalha campal. Por
que? Se examinarmos o motivo, veremos que é imbecil,
absurdo.
Há
aqueles que justificam o futebol, alguns dizem que devemos
o futebol aos antepassados, que os astecas já o jogavam...
Há quem diga: sim, aqui era onde tinham as bilheterias,
onde vendiam as entradas, e isso é falso!
A bola
de futebol representava o sol para os astecas e quando eles
jogavam, estavam representando a luta da luz contra as trevas,
era um movimento ritual, previamente estudado...
Vejam
vocês aqui este quadro que temos na ara. No solo, as
lousas brancas e negras representam a luta entre a luz e as
trevas. Assim, também o jogo de pelota entre os astecas
era uma Liturgia previamente estudada. Cada movimento correspondia
à Liturgia, não havia movimentos a esmo, todos
eram previamente traçados. Com todos esses movimentos,
simbolizava-se ou alegorizava-se a luta entre os poderes da
luz e os das trevas.
Um jogo
similar foi estabelecido nas catedrais góticas da Idade
Média, na Europa. Tal jogo realizava-se exatamente
dentro das catedrais e era parte da liturgia dirigida pelo
padre; simbolizava a luta entre os poderes da luz e os das
trevas.
Agora,
esse joguinho tonto dos futebolistas não tem tradição
alguma exceto a de um pobre tonto da Inglaterra a quem ocorreu
um dia encher de ar uma bexiga, dessas de rês, depois
de borracha, e após tê-la inflado, depois que
o globo estava inflado, envolveu-o num pedaço de couro,
costurou-o e pôs-se a dar chutes. Em poucos dias, aconteceu
que por todas as partes de Londres a imprensa protestava porque
muitas senhoras tinham seus chapéus derrubados por
tais bolas, os vidros das janelas quebravam, etc. A polícia
interveio, mas não foi possível acabar com esse
vício, que se propagou mundialmente. Agora, "é
muito sério", tornou-se "sério". Tornar sério
a tolice de um vagabundo, de um tipo que não tinha
trabalho em Londres? Esta é uma das coisas mais estúpidas!
Pergunta:
Com que elementos vamos formar os Corpos Existenciais Superiores
do Ser?
Resposta: Com o Mercúrio. Para a formação
dos Corpos Existenciais Superiores do Ser, o Mercúrio
só serve se antes foi fecundado pelo Enxôfre.
É necessário que o Mercúrio seja fecundado
pelo Enxofre. Isso é tudo.
|