| Vamos agora conversar um pouco sobre os ‘Naguais’,
assunto que pertence às velhas tradições
do povo mexicano.
Chegam-me à memória múltiplos e extraordinários
casos que merecem ser estudados. Oaxaca sempre foi um povo
de místicas lendas, as quais os esoteristas deveriam
conhecer.
Uma criança, quando nasce, naquela região,
é devidamente relacionada com os famosos naguais. Seja
de noite ou de dia, os familiares farão um círculo
com cinzas ao redor da casa.
Disseram-nos que de manhã eles observam as pegadas
que os animais do lugar deixaram nas cinzas. Se os rastros
correspondem, por exemplo, a uma raposa montanhesa, ela será
o nagual da criança. Se forem de qualquer outro animal
da redondeza, será este o nagual, o Elemental, do recém-nascido.
Passemos agora para os naguais vegetais. Desde os antigos
tempos enterra-se o umbigo do recém-nascido junto com
o rebento de uma árvore qualquer.
Obviamente, a árvore fica relacionada com a criança,
crescendo ambas simultaneamente através do tempo. Saibam
todos que o elemental da árvore pode ajudar à
criatura com ele relacionada, em inúmeros aspectos
da vida...
Vejam vocês que em Oaxaca essas tradições
milenares não se perderam. Muitos nativos estão
devidamente protegidos pelos elementais, aos quais foram vinculados
no nascimento.
Os Naguais são elementais ideais quando os amamos
realmente. Um nagual extraordinário, sem sombra de
dúvida, é o gato preto. Descreverei em seguida
um experimento que fiz com esse animal:
Tínhamos em casa um pequeno gato preto. Propus-me
a ganhar seu carinho e o consegui. Certa noite, resolvi fazer
uma experiência metafísica transcendental. Deitado
na cama, coloquei o inocente animal ao meu lado.
Relaxei o corpo de maneira certa e concentrei-me profundamente
no felino, rogando-lhe para que me tirasse do corpo físico.
A concentração foi longa e profunda e durou,
possivelmente, uma hora, quando adormeci por algum tempo.
Se repente, uma extraordinária surpresa! Aquela criatura
aumentou de tamanho e transformou-se num gigante de enormes
proporções, deitado à margem da cama.
Toquei-o com a mão direita e pareceu-me de aço.
Seu rosto era negro como a noite e seu corpo irradiava eletricidade.
O corpo tinha a mesma cor negra, mas abandonara a forma animalesca,
assumindo compleição humana, com excessão
do rosto que, ainda gigantesco, continuava sendo de gato.
Foi uma coisa incrível, pela qual eu não esperava.

Fiquei muito espantado a ponto de o afugentar com a Conjuração
dos Sete do sábio rei Salomão. Voltando ao meu
estado normal notei, com surpresa, que aquela inocente criatura
estava junto a mim outra vez em forma de gatinho.
No outro dia, andei muito preocupado pelas ruas da cidade.
Achava que já tinha eliminado o medo de minha natureza
e eis que o nagual me pregara um tremendo susto. Entretanto,
eu não queria perder aquela batalha.
Aguardei a noite seguinte para repetir o experimento. Coloquei
novamente em minha cama o gatinho , à direita, como
o fizera na noite anterior. Relaxei o corpo físico,
não deixando nenhum músculo sob tensão.
Depois, concentrei-me profundamente no felino, guardando no
fundo do coração a intenção de
não me assustar outra vez.
Soldado em estado de alerta não morre em tempo de
guerra e eu já estava obviamente informado sobre o
que previamente aconteceria. Portanto, o temor tinha sido
eliminado de meu Interior.
Transcorrido aproximadamente uma hora, em profunda concentração,
repetiu-se exatamente o mesmo fenômeno da noite anterior.
O elemental do gatinho saiu do corpo para adquirir a gigantesca
e terrível figura humana.
Deitado em meu leito, olhei-o. Era verdadeiramente espantoso.
Seu enorme corpo não cabia na cama. Suas pernas e pés
sobravam em meu humilde leito. O que mais me assombrou foi
que o elemental, ao abandonar seu corpo denso, pudesse materializar-se
fisicamente, fazer-se visível e tangível aos
meus sentidos, pois podia tocá-lo com minhas mãos
físicas e seu corpo parecia de ferro.
Podia vê-lo com meus olhos físicos. Sua face
era espantosa. Dessa vez não tive medo. Propus-me a
exercer completo controle sobre mim mesmo e o consegui. Falando
com voz pausada e firme, exigi que o elemental me tirasse
do corpo físico, dizendo: Gatinho, levanta-te desta
cama. Imediatamente aquele gigante pôs-se de pé.
Continuei, então, ordenando: Tira-me do corpo físico
e passa-me para o astral. Aquele extraordinário gigante
respondeu-me com as seguintes palavras: Dá-me tuas
mãos. Claro que levantei minhas mãos e o elemental
aproveitou para pegá-las e me tirar do corpo físico.
Aquele estranho ser era dotado de uma força incrível,
mas irradiava amor e queria servir-me. Assim são os
elementais... De pé, no astral, tendo junto ao leito
o misterioso ser por companheiro, tomei novamente a palavra
para ordenar-lhe: Leva-me agora ao centro da Cidade do México.
Siga-me, foi a resposta daquele colosso, que saiu de casa
caminhando lentamente. Eu o acompanhei passo a passo. Andamos
por diversos lugares da cidade, antes de chegarmos a San Juan
de Letrán, quando por ali nos detivemos por um momento.
Era meia noite e eu ansiava dar um final feliz àquela
experiência. Vi um grupo de cavalheiros conversando
numa esquina. Eles estavam no plano físico, portanto
não me percebiam.
Então, pensei em tornar-me visível diante deles.
Dirigi-me ao gigante nagual e com voz suave, porém
imperativa, dei-lhe nova ordem: passa-me agora ao mundo de
três dimensões, o mundo físico.
O nagual pôs suas mãos sobre meus ombros, exercendo
sobre eles certa pressão. Senti que abandonava o astral
e penetrava no físico. Fiquei visível diante
daquele grupo de cavalheiros, no lugar em que se encontravam.
Aproximando-me deles, perguntei: Senhores, que horas são?
Passam trinta minutos da meia noite, respondeu um deles. Muito
obrigado! Quero dizer-lhes que vim agora das regiões
invisíveis e que resolvi me tornar visível diante
de vocês. Palavras estranhas, não é verdade?
Aqueles homens olharam-me surpresos. Em seguida, disse-lhes:
Até logo, senhores; retorno de novo ao mundo invisível.
Roguei ao elemental que me colocasse outra vez nas regiões
suprassensíveis e imediatamente o elemental obedeceu.
Ainda pude ver o assombro daquelas pessoas que tomadas de
pavor afastaram-se apressadamente do local onde se encontravam.
Novas ordens dadas ao elemetnal foram suficientes para que
ele me trouxesse de regresso à minha casa. Ao penetrarmos
no quarto, vi o misterioso ser perder seu descomunal tamanho
e ingressar no pequeno corpo do felino que jazia no leito,
precisamente pela glândula pineal, a qual situa-se na
parte superior do cérebro. Fiz o mesmo. Pus meus pés
astrais sobre a glândula citada e imediatamente senti-me
no interior do corpo físico, que já despertava
na cama.
Olhei o gatinho, fiz-lhe algumas carícias e agradeci,
dizendo-lhe: Obrigado pelo serviço prestado. Tu e eu
somos amigos.
A partir daquele momento, constatei como esses felinos podem
tornar-se veículos ideais para todos os aspirantes
à vida superior. Com esse tipo de nagual, qualquer
ocultista pode aprender a sair em astral, consciente e positivamente.
Importa não ter medo, ser valoroso. Salientamos que
para experimentos dessa natureza são requeridos gatos
pretos. Muitos ignorantes ilustrados podem achar graça
dessas declarações esotéricas, porém
isso pouco importa. Estamos falando para pessoas espiritualmente
inquietas, que anseiam o despertar da Consciência.
(Da obra Desfazendo Mistérios, de Samael
Aun Weor)
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