| Estima-se que existam atualmente 1.500 vulcões
ativos no mundo, 550 em terra e o restante no oceano. Algumas
regiões do planeta estão sendo monitoradas continuamente
em relação à atividade vulcânica,
como Alasca, Islândia, Indonésia, Equador, Japão,
Itália e, mais recentemente, México. Na Itália
há cinco vulcões "preocupantes"; no
Japão, são 86... E o número de erupções
no mundo vem aumentando já há tempos.
A título de ilustração, observe-se o
gráfico abaixo (extraído da página Volcano),
que mostra o registro de erupções conhecidas
do vulcão Merapi, na Indonésia, ao longo dos
últimos séculos, até o ano de 1997.

As maiores erupções mundiais registradas no
século 20 ocorreram a partir de 1970, o que demonstra
a extraordinária atividade vulcânica no planeta
nestes séculos. Estima-se que durante a década
de 80 pelo menos 450 mil pessoas tiveram de abandonar suas
casas em razão de atividades vulcânicas.
Na década de 70 houve 21 grandes erupções
vulcânicas registradas. Já na década de
80 ocorreram 36 erupções desse porte. Apenas
nos primeiros cinco anos da década de 90 (1990-94),
houve nada menos que 55 grandes erupções vulcânicas.
Algumas erupções registradas no século
passado causaram espanto pela súbita entrada em atividade
de vulcões "adormecidos" há décadas
ou séculos, e também pela inusitada violência
das explosões e conseqüências advindas.
- Depois de mais de 175 anos de inatividade, o Monte Santa
Helena, na região sudeste do Estado de Washington
(EUA), entrou repentinamente em atividade na manhã
do dia 18 de maio de 1980. Foi a maior erupção
da história dos Estados Unidos. O estrondo foi ouvido
e sentido num raio de 300 quilômetros. A força
da explosão atirou a mais de 10 quilômetros
de altura uma massa compacta de rocha e espalhou cinzas
pela área de seis Estados americanos e três
Províncias canadenses, deixando em algumas localidades
uma camada de quase 1 metro. A erupção escureceu
o céu em grande parte do Estado de Washington, tendo
sido considerada equivalente a mais potente detonação
nuclear já feita. Pelo menos 57 pessoas morreram,
além de aproximadamente 7 mil animais de grande porte.
Até então, em toda a história americana,
apenas duas pessoas haviam perdido a vida em decorrência
de erupções vulcânicas.
- A erupção do vulcão mexicano El Chicón,
em 1982, foi tão intensa, que envolveu todo o planeta
numa ampla camada de ácido sulfúrico e hidroclórico.
- Em 1983, o vulcão Kilauea (Havaí) entrou
em erupção, e até fins de 1997 permanecia
nesta situação.
- Em 1985, a erupção do Nevado del Ruiz, na
Colômbia, matou pelo menos 25 mil pessoas.
- A erupção do vulcão Pinatubo, nas
Filipinas, ocorrida em junho de 1991 depois de mais de 600
anos de inatividade, foi considerada a segunda maior erupção
vulcânica do século, acarretando a morte de
aproximadamente 800 pessoas. O material lançado na
atmosfera circundou o globo em três semanas e cobriu
42% do planeta, dois meses depois da erupção.
O inverno extremamente rigoroso da Nova Zelândia,
em 1992, os violentos ciclones daquele ano (como o Andrew
e o Iniki), assim como as chuvas torrenciais que alagaram
o Meio-Oeste dos Estados Unidos em 1993, foram atribuídos
aos efeitos atmosféricos ocasionados pelo Pinatubo.
Em julho de 1995, chuvas torrenciais transformaram em rios
de lama as cinzas e as rochas depositadas na encosta do
vulcão durante a erupção de 1991. Cerca
de 7.800 pessoas tiveram de fugir da lama, que invadiu várias
localidades com uma altura de até 3 metros e cobriu
pelo menos 266 casas.
- Também em julho de 1995, um vulcão das montanhas
Soufrière, na Ilha de Montserrat, acordou violentamente
depois de 400 anos sem dar sinal de vida. Cerca de 6 mil
pessoas tiveram de abandonar suas casas. Desde aquela época
o vulcão permanece em atividade.
- Em outubro de 1996, um vulcão inativo há
70 anos na Rússia entrou em atividade, ao mesmo tempo
em que na Islândia um vulcão entrou em erupção
sob uma capa de gelo de cerca de mil metros de espessura,
provocando uma enchente de água e enxofre e formando
uma espessa nuvem escura sobre o país.
- Em 1997, o vulcão Popocatepetl, no México,
teve a maior erupção dos últimos 72
anos, lançando fumaça e cinzas a 13 quilômetros
de altura.
- Em fins de 1997, geólogos descobriram que um vulcão
próximo de Roma, extinto há 2 mil anos, estava
despertando. Uma enorme bolha de magma formara-se a 5 quilômetros
da superfície. De acordo com uma matéria publicada
no jornal Sunday Times, estava-se observando nos últimos
anos um recrudescimento da atividade vulcânica em
toda a Europa...
Alguns especialistas sustentam que as últimas grandes
erupções vulcânicas tiveram um impacto
significativo nas temperaturas das superfícies do mar
e da terra, na pressão atmosférica e nos índices
de precipitações pluviométricas. Em dezembro
de 1997, cientistas britânicos publicaram um estudo
sustentando que a mudança no nível dos mares
causada pelo aquecimento global poderia provocar a erupção
de centenas de vulcões novos ou inativos. A equipe
notou que 90% dos vulcões ficam perto do mar ou são
por ele rodeados. O aumento do nível da água
corrói a lava e enfraquece as rochas, fazendo com que
a montanha não possa suportar a pressão interna
do magma e acabe explodindo. Esta teria sido a causa, segundo
os cientistas, de um vulcão chamado Pavlov ter entrado
em atividade.
Também há estudos que procuram estabelecer
uma correlação entre o deslocamento dos pólos
magnéticos e as explosões solares com a freqüência
das erupções vulcânicas. Os pólos
magnéticos da Terra deslocam-se continuamente em torno
dos pólos geográficos, os quais tampouco são
estáticos. No período compreendido de 1850 a
1950, os pólos magnéticos deslocaram-se em média
2 milhas por ano. A partir de 1950 – época do
recrudescimento da atividade vulcânica – o pólo
norte-magnético deslocou-se mais de 200 milhas, com
um aumento de 400% de declinação. O Dr. R. B.
Stother, do Instituto Goddard para Estudos Espaciais, fez
uma pesquisa em mais de 55 mil explosões solares catalogadas
desde 1500, e encontrou uma relação entre os
limites inferiores do ciclo solar e as erupções
vulcânicas na Terra. Segundo o que foi divulgado, há
97% de chance de que esta correlação não
seja uma simples casualidade.
Assim como com os terremotos, as erupções vulcânicas
também têm um índice que mede sua intensidade.
É o Índice de Explosão Vulcânica
(em inglês, VEI). A Tabela abaixo descreve as características
dos oito estágios existentes:
VEI |
Descrição |
Altura
da fumaça |
Freqüência |
0 |
não-explosivo |
<
100 m |
diária |
1 |
suave |
100
- 1000 m |
diária |
2 |
explosivo |
1
- 5 km |
semanal |
3 |
severo |
3
- 15 km |
anual |
4 |
cataclísmico |
10
- 25 km |
um
em 10 anos |
5 |
paroxísmico |
>
25 km |
um
em 100 anos |
6 |
colossal |
>
25 km |
um
em 100 anos |
7 |
supercolossal |
>
25 km |
um
em 1.000 anos |
8 |
megacolossal |
>
25 km |
um
em 10.000 anos |
Durante o século 20 (até 1991) foram registradas
cinco erupções com VEI 5 e duas com VEI 6, ultrapassando
em muito as expectativas de ocorrência do fenômeno.
O gráfico abaixo, à esquerda, mostra o número
das erupções mais mortíferas conhecidas,
abrangendo apenas aquelas que causaram mais de 500 mortes.
Observe-se o recrudescimento desse tipo de erupção
no século 20. O gráfico da direita indica o
número de mortes ocasionadas por essas erupções
em cada século.
O elevado número de mortos registrados no século
19 deve-se basicamente a duas erupções: a de
Tambora, Indonésia, em 1815, que acarretou 92 mil mortes,
e a famosa erupção de Krakatoa, também
na Indonésia, em 1883, que matou mais de 36 mil pessoas.
Uma visão conjunta das notícias sobre erupções
vulcânicas, obtidas apenas em um intervalo aleatório
de tempo, como amostragem, fornece uma idéia do incremento
desse tipo de fenômeno em várias regiões
do globo. Os dados apresentados a seguir referem-se apenas
ao 2º semestre do ano de 1951. Em todos eles, os habitantes
da localidade foram atingidos de uma ou de outra forma.
Em 31 de julho, o vulcão Nevado del Ruiz, na Colômbia,
voltou inesperadamente à atividade. Os comitês
de emergência declararam alerta ante o aumento dos fenômenos
registrados no vulcão, que se situavam entre sete e
dez movimentos por hora.
Em 15 de agosto, os especialistas detectaram uma "inusitada
e repentina atividade" do vulcão Cerro Negro,
na Nicarágua, e avisaram a população
para se manter afastada das proximidades. Em fins de novembro
o vulcão entrou em erupção, provocando
a retirada de 3.500 pessoas das localidades próximas.
Os fluxos de lava podiam ser vistos a quase 2 quilômetros
de distância, e sobre o vulcão subiu uma nuvem
branca e cinza de mais de 4 mil metros de altura.
Em 27 de setembro, o vulcão Ruapehu, na Nova Zelândia,
entrou em erupção. Durante quatro dias, rochas
incandescentes, lava e vapor d'água foram arremessados
a até 3 mil metros de altura. A erupção
foi a mais forte dos últimos 50 anos e provocou a suspensão
dos vôos, interdição de estradas e corrida
aos supermercados.
Em 10 de dezembro, mais de 200 pessoas tiveram de se refugiar
em albergues, em razão do aumento das erupções
de gás, cinzas e pedras do vulcão Rincón
de La Vieja, na Costa Rica.
Além dos casos mencionados acima, houve ainda erupções
ou atividades vulcânicas de grande porte em várias
partes do mundo em 1995, as quais, todavia, não mereceram
maior interesse da imprensa, provavelmente porque não
foram palco de grandes danos materiais ou mortes. O mesmo
panorama repetiu-se nos anos de 1996 e 1997.
Texto retirado, com autorização prévia,
da fonte: http://www.library.com.br
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